00:00Uma operação no âmbito da investigação contra a empresa de ônibus Transwolf
00:05prendeu policiais e assessores da Câmara Municipal de São Paulo.
00:09Assunto pra Júlia Fermino chegar ao vivo aqui em Os Pingos nos Is,
00:13vai trazer todas as informações a respeito dessa operação que aconteceu no dia de hoje.
00:18Júlia, seja muito bem-vinda, ótima noite a você, suas informações, por favor.
00:24Oi, Caniato, boa noite pra você, pra quem tá com a gente aqui no Pingos nos Is,
00:28na programação da Jovem Pan, é isso.
00:31Hoje, então, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, por meio da Corregedoria,
00:35deflagrou uma operação pra investigar a participação de policiais
00:39e a ligação deles com o crime organizado.
00:42Por isso, então, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão,
00:46além de três mandados de prisão temporária, Caniato.
00:50De acordo com informações mais iniciais, são três PMs que foram presos
00:55e eles teriam ligação, né, fariam parte, então, da assessoria militar da Câmara de Vereadores de São Paulo,
01:02que é aqui, bem aonde a nossa equipe está, da onde a nossa equipe fala.
01:06Eles estariam, então, inclusive, entre eles, estaria entre esses três PMs,
01:10o PM Capitão Alexandre Paulino Vieira,
01:13e eles teriam atuado na segurança privada, segurança pessoal e patrimonial
01:19da empresa que atuou no transporte público aqui do estado, da cidade de São Paulo,
01:24a Transwolf, que é investigada, né, foi investigada ali em 2020 e 2024, entre esses anos.
01:33Essa prestação de serviço, ela não é permitida, pelo contrário,
01:36ela é proibida pelo regulamento da corporação, então, da polícia militar,
01:40e essa operação de hoje, ela faz parte de uma outra operação
01:44que foi deflagrada ainda em abril de 2024, que tinha como nove fim da linha,
01:49que foi feita pelo GAECO, grupo de ações de atuação, aliás,
01:53especial de combate ao crime organizado, que faz parte do Ministério Público.
01:58Investigava a lavagem de dinheiro por parte das empresas de transporte público
02:03aqui na cidade de São Paulo, principalmente a Transwolf e a Upbus,
02:08para o crime organizado, o grupo PCC.
02:11Luiz Carlos Efigênio Pacheco, que seria, então, o dono da Transwolf,
02:15ele foi preso, inclusive, na época dessa investigação.
02:19Já as prisões de hoje, elas também estão ligadas a transferências e pagamentos
02:24que foram feitos por parte do próprio Luiz Carlos a esses policiais
02:29que foram presos, detidos ainda hoje.
02:31Em nota, o que a presidência aqui da Câmara Municipal de São Paulo diz
02:36é que só o PM, capitão Alexandre Paulinho Vieira, que eu tinha comentado,
02:41só ele atuaria, então, nessa assessoria da Polícia Militar aqui da Câmara.
02:47Os outros dois PMs não estariam envolvidos nisso, nunca foram servidores aqui da Câmara.
02:52Alexandre ocupa o cargo, então, de um cargo de confiança.
02:57Segundo a Câmara, não haveria motivos, né, nenhum registro que desabone ele da função,
03:03mas ele é integrante do órgão desde 2014, ou seja, teria passado aí por muitas gestões, né,
03:09gestões de cinco presidentes.
03:11Volto com vocês.
03:13Tá certo. A Júlia segue acompanhando, monitorando esse assunto.
03:16Qualquer novidade, a Júlia volta aqui na programação e traz as atualizações.
03:19Ela está no viaduto Maria Paula, atrás da Júlia, a entrada do Legislativo Paulistano à Câmara Municipal.
03:27Obrigado, viu, Júlia? Bom trabalho pra você.
03:30Chamar os nossos comentaristas, começar com o Bruno Musa,
03:33é uma situação que envolve uma operação, uma investigação que indica
03:39a participação de servidores da Câmara Municipal, aliás, assessores e até policiais militares,
03:45com essa empresa de ônibus chamada Transvolve.
03:48Essa empresa foi investigada também, teria relação com o crime organizado,
03:53mas a operação de hoje tratou do quê?
03:56Prestação de serviço regular desses servidores públicos pra essa empresa.
04:00Ou seja, bico, né?
04:03Servidores que faziam bico prestavam serviço pra essa empresa que é investigada.
04:07Enfim, mas o que lhe chama atenção sobre esse destaque trazido pela nossa repórter?
04:13A necessidade dos funcionários públicos de prestarem serviços paralelos?
04:20Ou o que mais lhe chama atenção, o que lhe preocupa, é prestar serviços para uma empresa
04:25que é investigada e apontada como uma empresa que tem relação com o crime organizado, hein, Musa?
04:31Pois é, fica bastante claro, não é de hoje, que a gente sabe que o crime organizado já tá dentro da máquina pública
04:39em várias das instituições ali, né?
04:42Já é basicamente uma extensão do poder brasileiro.
04:44E isso não apenas aqui, mas há relatos importantes dentro de outras assembleias legislativas
04:51em vários lugares do país.
04:55E também não é de hoje que se fala dos dois principais setores
04:58onde o crime organizado lá atrás começou a ser mais presente,
05:02que seria empresas de ônibus e dispostos de gasolina.
05:06Hoje eles foram ampliando e estão muito mais eficientes em várias atividades lícitas,
05:10padaria, farmácias, né, e há não apenas relatos como já algumas que foram comprovadas nesse sentido.
05:19Eu acho que são duas discussões separadas.
05:21O primeiro ponto seria a necessidade única e exclusiva deles fazerem trabalhos, digamos, separados.
05:29Esse primeiro ponto seria, bom, eu na minha forma de ver, na flexibilidade,
05:34esquecendo esse lado agora da eventual ligação com o crime organizado,
05:38eu defendo ali, eu defendo a flexibilidade do mercado de trabalho.
05:42Então, se aquela pessoa tem a necessidade ou tem a disposição ou a vontade de querer trabalhar
05:46durante o momento que ele não está servindo, eu não vejo nenhum tipo de problema.
05:51Agora, quando ele está fazendo algum tipo de trabalho e essa empresa é investigada,
05:56a coisa começa a ficar mais complexa, principalmente num país
05:59onde o crime organizado tomou proporções inimagináveis num tempo atrás
06:03e que ele, como eu falei, já faz parte do meio público.
06:07Então, é claro que se isso, de fato, for concretizado,
06:10eles terão que arcar com a responsabilidade de atuarem com empresas
06:14que são, supostamente, segundo consta, algum tipo de ligação com o crime organizado.
06:21Você, Mota, quais aspectos dessa notícia a gente precisa se atentar?
06:26Tem a questão que envolve o trabalho paralelo, né, o BICO,
06:29ou, em algumas localidades, o BICO é chamado por Biscate,
06:32ou a situação que indica a participação desses serviços prestados
06:37para uma empresa investigada, isso talvez seja a situação mais delicada?
06:43Eu já disse várias vezes aqui, né, Caniato,
06:47que os ocupantes de alguns cargos no Estado,
06:52pela importância desses cargos,
06:54não deveriam receber nenhuma outra remuneração,
06:58a não ser a remuneração dos seus cargos.
07:02Mas a gente sabe que isso no Brasil não acontece.
07:05É a realidade diante dos nossos olhos.
07:09Então, é uma tristeza ver um fato como esse,
07:13se for comprovado.
07:15A realidade é que a corrupção não conhece barreiras.
07:19Nenhuma instituição está livre da corrupção,
07:23como, mais uma vez, a gente vê todos os dias no Brasil.
07:28O fato do policial ter um outro trabalho,
07:33isso é permitido por lei.
07:37Até onde eu sei, não há nada de errado nisso.
07:41Agora, se você está trabalhando,
07:44você está fazendo algum trabalho
07:46que conflita com a natureza do seu papel de policial,
07:51mais uma vez.
07:52É o mesmo fenômeno que a gente vê em outras instituições.
07:57Quem ocupa cargo importante tem que ter o mínimo de consciência do seu papel
08:02e não se colocar em nenhuma posição
08:06que possa conflitar com esse papel principal.
08:10O que a gente tem que fazer aqui
08:13é dar parabéns à Secretaria de Segurança,
08:15ao Governo do Estado
08:16e à Polícia Paulista,
08:19pela coragem de cortar na própria carne.
08:22O criminoso tem que ser punido
08:25de forma proporcional à gravidade
08:28do crime que ele cometeu,
08:31independente da roupa que ele usava
08:34no momento de cometer esse crime.
08:36Obrigado.
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