00:00Pois é, o Mota mencionou a escala 6x1. Também tem uma notícia que indica o que poderia acontecer caso essa medida seja implementada.
00:11Mais de 600 mil empregos formais poderiam ser perdidos em meio a uma queda significativa na produção,
00:18com consequências para o crescimento econômico se o Brasil de fato acabar com a escala de trabalho 6x1.
00:25Essa projeção faz parte de uma nota técnica do Centro de Liderança Pública sobre o impacto da redução da jornada de trabalho no Brasil.
00:34A avaliação é de que o comércio, a agropecuária e a construção seriam os setores, os segmentos mais afetados se essa redução de horas trabalhadas for aprovada pelo Congresso.
00:45No caso do comércio, a produtividade do trabalhador cairia 1,3% junto com uma baixa de 1,6% no emprego formal,
00:54o que significa a perda de mais de 160 empregos.
01:00Isso me parece uma informação que a gente deverá verificar se não faltou alguma informação adicional.
01:07Deixa eu começar essa pelo Luiz Felipe Dávila, porque a gente debateu isso nas últimas semanas, Dávila,
01:13a possibilidade de implementação da escala 5x2, 4x3,
01:19mas já há uma indicação que o fim da escala 6x1 acabaria de cara com 600 mil empregos, Dávila.
01:28É exatamente isso. O Estado se metendo num assunto que não tem que se meter.
01:33Isto é por negociação.
01:37E a reforma trabalhista, esta que é sabotada por parte da justiça trabalhista,
01:43porque não cumpre o que está na reforma trabalhista, resolveria esse problema.
01:46Por que, Caniato? A reforma trabalhista determinou três coisas.
01:51Primeiro, o negociado vale sobre o legislado.
01:55Você pode negociar o que você quiser, quantas horas de trabalho, quantos dias de descanso,
02:00não precisa do governo. Isto é um contrato entre empregador e empregado.
02:05Segundo, tem o banco de horas.
02:06Você pode usar o banco de horas e aí cada um trabalha da maneira que quer.
02:10Por exemplo, o trabalho da agricultura é completamente diferente do trabalho do serviço.
02:14Na área da agricultura, na época da colheita do plantio, você tem que trabalhar o tempo inteiro,
02:18até porque você não pode perder a oportunidade do plantio.
02:21É outra coisa.
02:22Então, assim, a legislação já permite esta acomodação por negociação.
02:28Agora, o governo quer impor, quer impor uma medida absurda, total absurda,
02:34que contraria as melhores práticas do mundo inteiro, Caniato.
02:38Por exemplo, você tem uma ideia.
02:40Os países da OCDE reduziram 55 horas anuais de trabalho durante 15 anos.
02:46Olha o processo. Demorou 15 anos para reduzir 55 horas.
02:50Nos Estados Unidos, reduziram 11 horas anuais em 15 anos.
02:55Agora, a tal da PEC, essa PEC da esquerda que não sabe fazer conta,
03:00quer reduzir cerca de 421 horas abruptamente e sem negociação.
03:06Veja que absurdo.
03:08Isso vai aumentar o emprego informal, vai acabar com a formalização do trabalho,
03:14vai ter um impacto gigantesco.
03:16Como eu já mencionei aqui várias vezes, o professor Pastore fez um estudo sobre isso,
03:21que mostra que, vamos dizer assim, o salário de uma pessoa,
03:23R$2.200 por uma jornada de 220 horas.
03:26O custo dela, então, é R$10 por hora.
03:29Aí, com essas 180 horas mensais, você vai pular para 12.
03:32Isso é um aumento de 22%, gente.
03:35Isso é um absurdo.
03:37E outra, e vai quebrar o setor público,
03:41porque vai ter que ter jornada extra, contratar gente extra.
03:45Então, é um absurdo.
03:46É uma medida completamente descabida, populista,
03:50e que desrespeita a regra existente.
03:54Já existe uma regra.
03:56Deixa o mercado funcionar.
03:59Deixa empregador e empregado determinar como cada um e em que condição quer trabalhar.
04:08Fiquei aquela informação, quando no final da notícia eu tratei do comércio,
04:13a projeção indica que a implementação da escala afetaria naturalmente o setor,
04:21e aí eles tratam de uma perda aproximada de 160 mil vagas,
04:27160 mil postos e não 160, como eu disse.
04:31Fiquei imaginando 160 dentro de um universo, sei lá, de 500 mil vagas.
04:36Mas a indicação trata de 160 mil empregos perdidos a partir da implementação da nova regra.
04:43Você, Musa, como é que o mercado tem observado essas movimentações no Congresso?
04:47Veja, isso é uma questão matemática, tá?
04:53Como a gente já mencionou diversos outros programas aqui a respeito da produtividade,
04:57que no brasileiro, que no Brasil está estagnada há muito tempo.
05:00Estamos no mesmo nível da produtividade de 2011, segundo o próprio IBGE,
05:04a produtividade na indústria, que é basicamente quanto nós produzimos
05:08com o fator de produção mão de obra e capital.
05:10Me parece bastante óbvio que, quando nós sofremos um aumento dos custos
05:17pela própria depreciação da moeda, graças a uma irresponsabilidade fiscal,
05:22somamos isso, o aumento da carga tributária brutal nas empresas,
05:28somamos a isso 50 milhões de brasileiros recebendo o Bolsa Família,
05:32sendo que uma boa parte desses teriam condições de trabalho,
05:35e, portanto, há uma escassez de mão de obra na sociedade,
05:38basta procurar qualquer tipo de emprestador de serviço,
05:41a dificuldade de encontrar mão de obra, o que acaba encarecendo o fator trabalho
05:45sem o incremento de produtividade, você mata a margem das empresas,
05:50que muitas delas do Brasil, a gente sabe que tem margens completamente apertadas,
05:55como a gente falou agora, por exemplo, do nível de recuperação judicial.
05:58Somamos tudo isso, batemos no liquidificador,
06:01significa que ou você manda embora, ou você contrata na informalidade,
06:05ou você repassa no preço, ou a combinação de todos eles.
06:09E você precisa entrar nessa dinâmica, nesse círculo viciante a cada vez mais,
06:14uma vez que os custos não param de subir e volta tudo no centro da irresponsabilidade fiscal,
06:20que leva à desvalorização da moeda, que obriga o governo a arrecadar mais,
06:25aumentar impostos para tapar o seu buraco, e a gente se eterniza em meio a tudo isso,
06:30mantendo pessoas, 50 milhões de pessoas,
06:33que poderiam estar no incremento de produtividade ao longo dos anos,
06:38estão vivendo de transferência do Estado.
06:41E aí, obviamente, é uma matemática, é simples.
06:45Como pagar essa conta? Isso não tem espectro político ideológico.
06:49A matemática não tem esquerda-direita.
06:51A matemática tem a resposta em números.
06:53E aí, muitos dirão, tá bom, então o governo aumenta o gasto para pagar as pessoas.
06:59De onde vem o dinheiro? De mais impostos?
07:02Isso é respondido através da desvalorização da moeda.
07:04Então, perceba, ou nós mudamos a mentalidade,
07:07eu acho que a gente está mudando aos poucos,
07:10da sociedade, não nos políticos,
07:13ou realmente a gente vai ficar na parte final da tabela dos países
07:18que divulgam produtividade com dados minimamente confiáveis.
07:22E continuaremos patinando o Eterno Nota 5.
07:26Pois é.
07:26Mota, sua avaliação, o Estado não deveria se meter nesse tipo de discussão, né?
07:32Deveria ser na sua análise uma negociação entre patrões e empregados?
07:37Sem dúvida, Caniato.
07:41Mas a gente precisa lembrar um outro aspecto dessa questão.
07:46Esse projeto está sendo discutido e corre o risco de ser aprovado
07:50no Congresso mais conservador da história, hein?
07:53Nunca esqueçam disso.
07:56E aí eu vou dar um voto aqui ligeiramente divergente do meu colega Bruno,
08:01porque eu acho que existe uma diferença fundamental
08:06entre o que a gente chama de esquerda e o que a gente chama de direita.
08:12Eu acho que a característica mais essencial da esquerda
08:15é a ignorância dos fundamentos econômicos.
08:20O esquerdista verdadeiro, o Raiz,
08:23ele acredita no planejamento centralizado da economia.
08:28Isso aí é desde os socialistas utópicos,
08:33passando pelos socialistas científicos,
08:36os socialistas fabianos.
08:39Socialista que é socialista,
08:41acha que é o Estado, o governo,
08:44que tem que decidir o que vai ser produzido,
08:47quanto as coisas vão custar e quem pode comprar.
08:51Então é essa arrogância de achar que o Estado sabe tudo.
08:57E quando você vai ver quem é o Estado,
09:00são esses políticos que a gente critica todo dia aqui, né?
09:04Pessoas que fizeram um curso de dois meses de economia
09:07e assumem o ministério.
09:10Vamos lá.
09:11E vamos mudar a forma de trabalho das pessoas.
09:15Para elas, Caniato,
09:17é inconcebível que exista liberdade
09:21para cada um escolher como quer trabalhar.
09:23Olha, tem gente que eu conheço
09:26que se puder trabalhar um dia só por semana,
09:29receber só o essencial para comer,
09:32está ótimo.
09:33Ele não quer mais do que isso.
09:35Ele queria a escala um por seis.
09:38Tem outras pessoas que eu conheço
09:40que se pudessem trabalhar
09:42oitenta horas por dia
09:44para trazer uma situação melhor para a sua família,
09:49eles fariam isso.
09:51Eles queriam ter a oportunidade de trabalhar mais,
09:54de ser mais produtivos.
09:56Cada um tem a sua expectativa da vida.
09:59Algumas pessoas têm responsabilidade
10:01de sustentar uma família,
10:02outras não têm.
10:04Tem muita gente começando no mercado de trabalho
10:07que toparia, Caniato,
10:09trabalhar de graça em uma empresa boa
10:12só para ter a chance de aprender uma profissão.
10:17Mas a legislação brasileira não permite isso.
10:21A legislação brasileira cria lá uma camisa de força
10:24que vem lá dos tempos de Getúlio Vargas
10:28em que se assumia que o trabalhador
10:30era um pobre coitado, desinformado,
10:33não sabia de nada, não tinha como se defender.
10:36Não é esse trabalhador de hoje
10:38que tem acesso à internet,
10:40às redes sociais,
10:42que tem o telefone celular,
10:44que ele vira o próprio empreendedor,
10:46aí vem o Estado e diz
10:47não, não, não, você não pode.
10:48Eu vou criar uma lei
10:50para regulamentar o trabalho por aplicativo.
10:52Você agora vai pagar taxa disso,
10:54taxa daquilo, vai recolher.
10:56E o Estado se metendo no meio de tudo
10:59para atrapalhar.
11:01E isso é a mentalidade socialista.
11:05Se existe uma diferença essencial
11:08entre direita e esquerda é essa.
11:11A direita acha que cada um sabe
11:14o que é melhor para si
11:15e tem a capacidade e a responsabilidade
11:18para tomar essa decisão.
11:20A esquerda acha que não.
11:22Você precisa de um político te ajudando.
11:25Você precisa de um sindicalista,
11:27desses que usam relógio Rolex
11:29e acabam em cargos milionários,
11:32cuidando de fundos de pensão
11:34para dizer o que você vai fazer com a sua vida.
11:37Pois é, o Bruno Musa pediu a palavra.
11:39Quer fazer um complemento, Musa?
11:42Rapidamente, Mota,
11:44concordamos 200%.
11:45O que eu quis dizer que não tem ideologia
11:47é a matemática.
11:48Apenas isso.
11:49De resto, integralmente, de acordo contigo.
11:52Pois é, a gente tem um último minutinho
11:54antes do break.
11:55Você, Dávila, quer fechar?
11:58Porque quando o Mota faz a provocação
11:59do Congresso mais conservador,
12:02não falta maturidade para o legislador brasileiro?
12:05Porque diante de uma iniciativa como o Vale Gás
12:08ou a história do fim da escala 6x1,
12:11parece que o congressista fica com receio
12:13de seguir a convicção.
12:15E aí ele cede aos encantos da política.
12:18Um minuto, Dávila.
12:21O Brasil tem o Congresso mais centrão do mundo
12:25e corporativista do mundo.
12:27E só pensa na próxima eleição
12:29e aí abre-se a comporta da demagogia
12:35e aprova esse projeto como esse Vale Gás.
12:38Agora, tocando nesse ponto tão importante
12:41que nós estamos discutindo aqui,
12:43veja só a estimativa do professor José Pastore.
12:46Além dos 600 mil empregos que perderiam
12:50com essa medida absurda e populista,
12:54nós teríamos uma redução do PIB de 6,2%,
12:58segundo o cálculo do professor José Pastore.
13:01Ou seja, isso impacta na queda da produtividade
13:03quando a gente devia estar investindo
13:05no aumento da produtividade,
13:06como sempre lembra o Musa.
13:08Vai reduzir o PIB.
13:09Vai reduzir o número de emprego informal.
13:12Por que querem aprovar esse negócio?
13:14Porque, como o Mota bem lembrou,
13:15essa turma não sabe fazer conta.
13:17Eles querem um slogan para dizer
13:19que eles estão ajudando o trabalhador
13:21a trabalhar menos hora
13:23e continuar ganhando a mesma coisa
13:25como se todos os empregos
13:27fossem permanecidos durante o resto da vida.
13:31É um absurdo.
13:33É mais um ato populista, demagógico,
13:37que quem vai pagar é o povo.
13:38Com mais desemprego, queda do PIB,
13:41queda do investimento e queda da produtividade.
13:44É mais um ato populista.
13:45É mais um ato populista.
13:48É mais um ato populista.
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