00:00O Ibovespa B3 já bateu o recorde em intradia durante o pregão, passando dos 183 mil pontos e se encaminha aí para fechar também num patamar histórico.
00:16É o assunto para o Pablo Waller. Pablo, boa tarde para você, seja bem-vindo.
00:21Oi, Marcelo, muito obrigado com a Tatiana Pinheiro, a nossa parceria aqui para analisar o dia com o radar ligado no mercado financeiro.
00:34Mais um dia em que se fala muito em Estados Unidos o Donald Trump.
00:38Agora, também por lá, a gente vê até também a porta-voz da Casa Branca, por exemplo, já diminuindo muito o tom sobre aquela tensão interna que eles têm por conta do ICE,
00:51aquele grupamento que a gente não sabe nem se é militar, porque é fora da polícia, mas eles já estão retrocedendo em alguns argumentos.
01:01Mas tudo isso acaba contribuindo para que também toda aquela tensão externa geopolítica dos Estados Unidos faz com que o mercado financeiro fique um pouco receoso com os americanos.
01:15Já aconteceu isso alguma outra vez, inclusive, Tatiana? Boa tarde para você. Já até fiz antecedente já à pergunta.
01:21Olha, nesse século, acho difícil. Nesse século você foi marcado pela hegemonia, a construção da hegemonia da economia americana.
01:35Então, não. Eu acho que o questionamento sobre as instituições americanas, o grau de liberdade das instituições americanas,
01:45como o questionamento agora do funcionamento do FED, se o FED vai continuar decidindo política monetária, usando a técnica ou pressionado politicamente.
01:58Esse tipo de questionamento, os Estados Unidos minando as próprias estruturas que ele montou, OTAN, OMC, tudo isso foi criado ali no pós-guerra e encabeçado pelos Estados Unidos.
02:12Então, esse questionamento institucional desse século é a primeira vez.
02:20Inclusive, na imprensa americana, eu cheguei a ver alguns jornalistas comentando do porquê que o mercado financeiro não estava precificando tanto assim.
02:29Deveria ser muito mais agressivo na reação por conta das ações de Donald Trump.
02:36Aí também existem respostas já falando que o mercado financeiro pensa mais no futuro.
02:40Se por acaso ele tiver decisões mesmo, factíveis, de que o Banco Central Americano foi interrompido em alguma decisão, aí é que pode acontecer.
02:49Ou, na realidade, o mercado já precificou isso?
02:52E por isso que a gente vê hoje, por exemplo, tanto essa saída do capital dos Estados Unidos.
02:58Isso é muito novo, né?
03:00Porque eles sempre ditaram regras sobre, sempre foram referências para investimentos, né?
03:04Então, eu acho que o mercado, ele não precifica o Banco Central Americano decidindo a política monetária pressionado politicamente.
03:18Tanto que quando você olha as probabilidades, o quanto que são extraídas, são calculadas do mercado de títulos americanos,
03:25você vê com que probabilidade o mercado está precificando corte de juros,
03:30hoje, para todas as decisões de agora, de janeiro, amanhã, até a última decisão em dezembro,
03:37as probabilidades de corte de juros são baixas, são abaixo de 50%.
03:41Então, há 10, 20 dias atrás, o mercado precificava um corte de juros em linha com a sinalização que o próprio Banco Central Americano deu,
03:50esse, um corte de juros em junho, com uma probabilidade ali maior do que 50%.
03:55Então, hoje, essa probabilidade é abaixo de 50%.
03:58Então, o mercado cada vez mais vendo o Banco Central Americano na defensiva.
04:04Agora, isso só faz, realmente, a estratégia de diversificação ser intensificada.
04:11Então, não é que você está tendo uma saída muito expressiva de dinheiro aplicado nos ativos americanos,
04:18mas está, sim, havendo uma diversificação tanto de investidores como, principalmente, dos países
04:25em ter, além do investimento de reservas em título americano, em dólar,
04:33ter também em ouro, em outros metais, em outros ativos, um pouco.
04:39Mas esse um pouco já faz uma diferença, tanto que a gente vê o dólar perdendo valor perante as demais moedas.
04:46Então, hoje, de novo, é um dia onde, quando você olha ali, quase todas as economias,
04:52quase todas as moedas das economias estão ganhando valor em relação ao dólar.
04:57Só alguns países ali do sudeste asiático perdendo em relação ao dólar.
05:02Quando a gente vê futuro, dólar, por exemplo, continuaria nesse mesmo patamar.
05:06O próprio futuro do Ibovespa também demonstra crescimento.
05:10Isso aí demonstra para a gente também que não está mais se precificando ruído sobre geopolítica,
05:16mas já é uma questão estrutural.
05:18O mercado já colocou isso na conta, realmente, até daqui para frente, de que não vai mudar.
05:23E aí, Brasil continua ganhando?
05:25Olha, seria positivo se a gente pensasse nisso, porque aí significaria que uma intensificação em algum foco
05:32ou a extensão do debate aqui na América Latina para Cuba, para o canal do Panamá,
05:38que ainda é uma possibilidade, não afetaria os mercados.
05:42Eu acho que uma parte está incorporado, sim, nos preços, um pouco mais do que estava no começo desse ano.
05:49Sim, mas eu acho que qualquer ação envolvendo, não os nomes que já estão envolvidos,
05:57Venezuela, Groenlândia, a questão do Irã, mas se os Estados Unidos continuarem dando passos ali,
06:04por exemplo, no sentido de Cuba, canal do Panamá, outros países, eu acho que vai afetar um pouco no mercado.
06:11Mas sim uma parte está precificada essa ideia de que, olha, é essa a orientação da administração dos Estados Unidos,
06:18essa administração ainda tem mais três anos de mandato pela frente,
06:24então é uma questão que não é de curto prazo, é uma questão que pelo menos deve durar esses três anos.
06:32Mais um ponto, esse ano tem eleições para Congresso nos Estados Unidos, né?
06:38Então, esse debate das eleições, que deve ser mais intensificado no segundo semestre,
06:43eu acho que pode mudar um pouco esse desenho dessa política, da geopolítica pressionada que a gente tem hoje.
06:52Vamos ver, eu acho que qualquer político de uma democracia, ele é sensível a eleições e ao debate eleitoral.
07:02Quem sabe o Ibovespa vai ganhar até metade do ano então, mas também não podemos nos despedir,
07:08sem citar aí um ponto crucial de hoje e nacional, interno, IPCA, de novo, abaixo do que esperava,
07:15a inflação caindo, né? Também, lógico, contribuiu com o Ibovespa B3.
07:20Sim, porque é uma sinalização que a gente pode não ter corte de juros amanhã,
07:26aliás, não é esperado corte de juros amanhã, é esperado manutenção da Selic em 15% novamente na decisão de janeiro,
07:34mas essa inflação bem comportada, essa inflação mais baixa, ela sinaliza que o corte de juros,
07:41o ciclo de corte de juros está próximo e isso é ótima notícia para o mercado acionário, né?
07:46Então, o mercado, ele espera, tanto o mercado de renda fixa quanto os economistas,
07:52o consenso entre os economistas é o início de corte de juros em março.
07:57Nós também, a gente já vê espaço para corte de juros desde dezembro,
08:02a gente achava que cabia em janeiro, mas o Banco Central não sinalizou nada,
08:06então fica para março.
08:08Agora, é importante na decisão de amanhã de política monetária justamente a comunicação.
08:13Eles vão manter a Selic em 15%, mas a comunicação tem que vir alguma sinalização que viabilize esse corte em março.
08:21A comunicação, na nossa opinião, a comunicação do jeito que foi feita,
08:25a comunicação de dezembro, da decisão de dezembro,
08:29ela não viabiliza um corte tão cedo na taxa de juros.
08:33E não é esse o cenário, quando você pega os resultados de inflação,
08:36a inflação do ano passado fechou abaixo do teto da meta,
08:39coisa que no começo do ano os economistas achavam que a inflação podia ser 6%, 7%.
08:45A inflação de janeiro, como você disse hoje,
08:48veio abaixo do padrão sazonal para janeiro,
08:50a inflação de janeiro é um pouco mais alta e essa veio mais baixa, 0,20%.
08:54Então, quer dizer, a meta de inflação, o que é objeto de controle do Banco Central,
09:00tem sido muito bem comportado e sinalizando aí que a gente caminha para a meta.
09:04Certo. E tudo o que eles estão esperando, os serviços com baixa,
09:09algo que dificilmente aconteceria, e também emprego sendo afetado,
09:14também algo que dificilmente aconteceria,
09:16é como se o Banco Central está esperando por situações que simplesmente não vão acontecer.
09:21E aí não só a Tatiana, mas muitos economistas, assessores de investimentos,
09:25ficam pelo menos esperando pela comunicação, né Tatiana?
09:29A baixa não vai acontecer agora, mas pelo menos a comunicação da baixa.
09:33Essa sinalização de que a gente está próximo de um ciclo de corte de juros é bastante importante.
09:39Até agora, a sinalização é que essa taxa de juros é adequada para um período bastante prolongado.
09:45Então, é uma sinalização contrária que a gente tem hoje.
09:48E, olhando a inflação, nós deveríamos estar mais próximos do início do ciclo de corte de juros
09:55do que a gente estava antes.
09:56Esperar a inflação de serviços ceder muito fortemente,
10:01ou o mercado de trabalho esfriar significativamente no curto prazo,
10:05eu acho que é um pouco irrealista, porque essas variáveis, elas respondem, sim.
10:10Mas é muito lento, né?
10:11E o importante, então, é ver, mensurar a inflação em si,
10:15o que está acontecendo com a inflação, as expectativas,
10:18e, principalmente, o período que a gente já está com a taxa de juros apertada.
10:22A gente iniciou esse ciclo de alta de juros em setembro de 2024.
10:26Já se vai mais de um ano com a política monetária apertada.
10:31Tatiana Pinheiro, economista-chefe aqui da Galápagos Capital.
10:34É com você, Marcelo.
10:36Muito obrigado a você, Pablo, e também a Tatiana Pinheiro pela entrevista.
10:39Tchau.
10:40Tchau.
10:41Tchau.
10:42Tchau.
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