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Em entrevista ao Real Time, Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), analisou a queda de 6,6% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025, os impactos das sobretaxas e as perspectivas de recuperação em 2026, incluindo oportunidades em bens, serviços e turismo.

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Transcrição
00:00As vendas do Brasil para os Estados Unidos tiveram, em 2025, a maior queda dos últimos cinco anos.
00:07Interromperam o dinamismo de comércio bilateral observado desde a pandemia da Covid.
00:13A queda provocada principalmente, claro, pelo tarifácio foi de 6,6%,
00:19somando 37 bilhões e 700 milhões de dólares em embarques.
00:25Nós vamos conversar sobre o desdobramento do comércio bilateral com Abraão Neto,
00:30que é presidente da ANCHAM, que é a Câmara Americana de Comércio para o Brasil,
00:35a quem eu recebo aqui com muita alegria no Real Time.
00:40Abraão, sempre um prazer conversarmos.
00:42Claro, vamos deixar 2025 para trás? Vamos olhar para 2026?
00:48Esse número tem uma tendência de reversão?
00:51Quer dizer, a gente teve um saldo menos favorável por causa do tarifácio, obviamente.
00:57O tarifácio foi revisto, houve já uma reaproximação de Brasil e Estados Unidos,
01:02os presidentes trocaram elogios e tudo mais.
01:062026 tem uma perspectiva de melhora?
01:09Você que está do outro lado do balcão aí, na Câmara Americana de Comércio entre Brasil e Estados Unidos,
01:15quais são as informações mais sólidas que você pode trazer para a gente?
01:19Bom dia mais uma vez.
01:20Bom dia, Favale.
01:22Prazer enorme em poder participar aqui do programa.
01:26Acho que 2026 é um ano que tem no comércio internacional,
01:32em geral, e no comércio entre Brasil e Estados Unidos,
01:35ainda uma série de imprevisibilidades.
01:38É muito difícil fazer uma leitura precisa do que acontecerá ao longo do ano
01:44com uma conjuntura externa tão desafiadora como a gente tem observado nos últimos anos
01:49e que se projeta também para 2026.
01:52Agora, no comércio bilateral, uma coisa é certa.
01:56O nível das tarifas que afetam exportações brasileiras ainda é bastante considerável.
02:04A gente tem hoje cerca de um terço, um pouco mais de um terço das exportações brasileiras
02:10estão sujeitas a sobretaxas de 40% ou 50%, que são sobretaxas numa magnitude muito elevada
02:19e que os principais concorrentes brasileiros não estão sujeitos.
02:24Então, obviamente que para uma retomada das exportações,
02:29para que se possa fazer uma projeção mais otimista de crescimento das exportações,
02:36o lado das tarifas precisa ser equacionado.
02:39E existe, como você comentou, uma aproximação importante, saudável,
02:44muito bem recebida pelo setor produtivo entre os dois governos.
02:47E a expectativa agora, o desejo, é que essa aproximação se resulte num tratamento,
02:55numa redução, talvez uma eliminação dessas tarifas
02:59para que as exportações brasileiras tenham condições mais competitivas
03:04de acesso ao maior mercado do mundo.
03:06Claro. Neto, falando em setores, muitos foram atingidos,
03:12mas qual é a medição de vocês, o tamanho do impacto?
03:15Porque a gente exporta desde commodities, commodities agrícolas,
03:21principalmente produtos semi-acabados, ferro, aço, alumínio e aviões da Embraer,
03:29que talvez seja o nosso principal produto de alto valor agregado para os Estados Unidos.
03:34Mas é que as proporções são diferentes, se exporta muito menos aviões
03:38do que, por exemplo, os produtos semi-acabados.
03:41Estou pegando aqui uma média, quase que num pensamento linear.
03:44Qual o setor que foi mais atingido em 2025 e esse que talvez tenha maior resiliência
03:50agora em 2026?
03:52Perfeito. Olha, as exportações do Brasil para os Estados Unidos
03:57têm uma das pautas mais diversificadas do comércio exterior brasileiro.
04:02Então, para te dar um exemplo, cerca de 70% de tudo que o Brasil vende para a China
04:09se resume a três produtos, minério de ferro, petróleo e soja.
04:16Soja, claro.
04:17Em relação aos Estados Unidos, esses mesmos 70% equivalem a um conjunto de mais de 50 produtos.
04:25Então, é uma pauta muito diversificada e que tem sido, em uma grande parte, afetada
04:31por essas sobretaxas.
04:32Os produtos do setor agropecuário, que têm no mercado americano um destino muito importante,
04:38no final do ano tiveram uma retirada dessas sobretaxas.
04:43Então, agora, grande parte deles enfrentam uma situação mais favorável.
04:50Carnes e produtos de laranja, desde o início, não tinha sido sobretaxado.
04:57Celulose, entre outros.
04:58Alguns produtos café também te perdeu a sobretaxa.
05:02Agora, os produtos industriais seguem de maneira majoritária com essa sobretaxa elevada.
05:08Então, esses produtos, mais do que um segmento específico, a grande parte dos produtos industriais
05:16exportados pelo Brasil para os Estados Unidos são afetados por essa sobretaxa.
05:23E vale lembrar, Favalli, que os Estados Unidos são também o principal destino das exportações
05:29de bens industriais brasileiros.
05:31A frente da União Europeia, a frente do próprio Mercosul.
05:36A gente exporta mais bens industriais para os Estados Unidos do que para qualquer outro
05:41parceiro comercial.
05:43E essas exportações, em 2025, tiveram a primeira queda desde 2020.
05:49Em cinco anos, vinham crescendo, batendo recordes.
05:53O ano de 2024 tinha sido um recorde e agora sofreu uma primeira retração.
05:58Então, tudo isso para destacar a importância de se fazer um avanço nessas discussões tarifárias,
06:04que certamente trará resultados positivos para o Brasil e para os Estados Unidos,
06:11em razão da conexão, da interligação que existe entre esses dois mercados.
06:17Neto, você me deu a deixa para a próxima pergunta, que é essa discussão tarifária.
06:22Cá entre nós, Neto, eu, você e as milhares de pessoas que estão nos assistindo,
06:26fazer previsões com o Donald Trump é muito difícil, porque a gente já entendeu que ele é imprevisível.
06:30Onde que eu quero chegar, nas últimas 24 horas, a gente está com esse barulho de 25% de sobretaxação
06:38a produtos para países que são parceiros do Irã.
06:42E o Brasil entra nesse eixo justamente por causa do BRICS, principalmente por causa do BRICS,
06:48porque o Irã passa a integrar o BRICS aí na última reforma que o bloco teve.
06:52Qual que é a projeção de vocês com essa nova variante na equação?
06:57Quer dizer, vocês começam o ano com uma perspectiva e agora, pum, na virada da noite de ontem para hoje,
07:05tem mais esse fator para analisar.
07:09Como é que vocês estão lidando com essa perspectiva?
07:11Porque, por enquanto, é um discurso do Donald Trump, ele ainda não formalizou num decreto presidencial.
07:16Mas como é que vocês estão olhando essa sobretaxação ligada a países que fazem negócios com o Irã?
07:22O Brasil está na lista.
07:23Perfeito. É um ponto de atenção, Favala.
07:26É um ponto de atenção.
07:28Além da participação do Irã nos BRICS, o Brasil tem um comércio com o Irã,
07:35sobretudo exportações brasileiras para aquele país,
07:38que são exportações num montante relevante.
07:42Mas é preciso entender exatamente qual vai ser o escopo exato, os desdobramentos desse anúncio,
07:52como ele vai se aplicar na prática e, a partir daí, entender se há efetivamente desdobramentos práticos para o Brasil.
08:01O Brasil não está numa situação exclusiva nessa questão.
08:06Existem diversos outros países que têm comércio com o Irã, comércio que é, no nosso caso,
08:14sobretudo de produtos agropecuários, mas é preciso acompanhar.
08:18Agora, essa é a tônica do comércio internacional e das relações internacionais atualmente.
08:24É uma conjuntura muito sobrecarregada de incertezas, de imprevisibilidade,
08:30o que obriga a todas as empresas, os agentes privados e os governos
08:36a trabalhar com múltiplos cenários para buscar preservar os seus interesses
08:42e alcançar da melhor maneira os seus objetivos.
08:45O setor privado tem buscado fazer a sua parte nesse planejamento,
08:49tentando entender os cenários e trazer isso para o seu dia a dia de trabalho.
08:55Neto, tem uma expressão que parece muito simplista,
08:59mas eu acho que ela se encaixa muito bem em determinadas situações.
09:03Numa crise, há aqueles que choram e aqueles que vendem o lenço de papel.
09:08A gente pode dizer que, nesse momento, em ameaças de sobretaxação,
09:13uma coisa de uma quebra de multilateralismo por parte dos Estados Unidos,
09:17abre-se o que a gente chama de janela estratégica,
09:21em que este momento de adversidade pode servir de uma janela de oportunidade mesmo,
09:29um backdoor, uma porta dos fundos para determinados setores conseguirem
09:35algum tipo de vantagem ou um fôlego para um crescimento.
09:40Olha, olhando a posição do Brasil,
09:45o Brasil é uma potência média que faz muito uso do seu soft power.
09:51É, obviamente, que nessa situação o multilateralismo é um aliado.
09:56E a erosão do multilateralismo traz desafios adicionais para países como o Brasil.
10:04Agora, esse é o cenário que tem se colocado,
10:06por mais que o Brasil tenha sido uma voz ativa em defesa do multilateralismo,
10:11a trajetória do mundo tem sido para mais polarização, para mais fragmentação.
10:17Então, no caso brasileiro, a gente precisa saber se posicionar com agilidade,
10:22com inteligência, para aproveitar o que há de oportunidades
10:26para que o país e as suas empresas possam se resguardar.
10:30O Brasil tem ativos muito importantes quando se discute segurança alimentar,
10:36segurança energética.
10:38Existe uma fronteira agora dos minerais críticos e terras raras,
10:43que o Brasil tem reservas muito importantes.
10:47O Brasil é uma potência energética, sobretudo da energia renovável,
10:52é um celeiro do mundo.
10:53Então, obviamente que conseguir navegar nesses mares mais turbulentos com agilidade,
11:04se posicionando de maneira a aproveitar o que abre-se de oportunidades
11:11e se resguardar dos riscos que são maiores,
11:14eu acho que é um interesse do setor empresarial.
11:17Vocês mostravam agora há pouco os aportes recentes
11:20concluídos pelo Mercosul e pelo Brasil.
11:23Isso abre acesso a novos mercados, mercados que são importantes.
11:28Agora, obviamente, aqui eu acho que do ponto de vista brasileiro,
11:31não há uma exclusão, não é privilegiar um mercado em detrimento dos outros,
11:36é buscar se colocar da melhor maneira em todos os mercados,
11:42considerando que o tamanho do mercado externo
11:45é quase 50 vezes maior do que o mercado brasileiro.
11:49Então, tem muita oportunidade lá, num cenário mais desafiador,
11:54mas as oportunidades existem.
11:55Neto, é claro que quando a gente fala de balanço comercial, exportação,
12:00a primeira coisa que vem à cabeça são os produtos,
12:02sejam commodities, sejam produtos semi-acabados,
12:05sejam produtos com tecnologia embarcada, de alto valor agregado,
12:09mas a gente, às vezes, esquece de colocar nessa lista a pauta de serviços.
12:14Onde que eu quero chegar?
12:15A 2026 tem Copa do Mundo, tem Copa do Mundo nos Estados Unidos.
12:19Tudo bem que vai ser uma competição dividida entre Estados Unidos, Canadá e México,
12:24mas o fator Copa do Mundo, nós somos o país do futebol,
12:27isso entra em alguma coisa na planilha da Anshan?
12:31Porque existe uma expectativa de maior turismo,
12:34maior importação de produtos ligados ao evento,
12:38material esportivo, troca de informações e dessa prestação de serviço
12:44entre atletas desse mundo esportivo.
12:47A Copa do Mundo, sendo nos Estados Unidos,
12:49é um fator relevante para a relação comercial Brasil-Estados Unidos nesse ano?
12:54Eu acho que ele é relevante de que os Estados Unidos, primeiro,
13:03você comentou, a gente fala muito de bens, muitos serviços,
13:06mas quando se discute uma relação econômica, existe a dimensão dos serviços,
13:11o Brasil é o principal, tem nos Estados Unidos o seu principal parceiro nessa dimensão,
13:17tanto na exportação como na importação,
13:19e também tem a dimensão dos investimentos.
13:21E os Estados Unidos são o principal investidor estrangeiro aqui no Brasil,
13:26e as empresas brasileiras, quando se internacionalizam,
13:29olham para o mercado americano em primeiro lugar,
13:32é o principal mercado de internacionalização de empresas brasileiras.
13:37Então, mais do que a Copa em si, obviamente, movimenta setores específicos,
13:41movimenta o turismo, aqui mesmo, no mercado interno,
13:45o setor de alimentos e bebidas tende a ser positivamente influenciado
13:50durante a Copa do Mundo.
13:53Mas eu acho que é usar esse evento como um direcionador das oportunidades
14:00que existem no mercado americano para empresas brasileiras
14:03que querem se posicionar nesse maior mercado do mundo,
14:08e também tanto na prestação de serviço como na venda dos seus bens.
14:14Existe aí, acho que um conjunto muito rico de negócios que podem ser explorados,
14:22que vêm sendo tradicionalmente explorados por empresas brasileiras e americanas,
14:27que o interesse é que possa ser aprofundado, se intensifique
14:31e gere mais valor ainda para as empresas que estão dos dois lados dessa relação,
14:39como também para a economia e para a população como um todo.
14:42Queria agradecer a conversa que eu tive com Abraão Neto,
14:47que é presidente da Câmara Americana de Comércio pelo Brasil,
14:51conhecida pela sigla Anshan.
14:54Abraão, muito obrigado aqui por participar,
14:56espero que tenha sido a primeira conversa de 2026,
14:59entre muitas que esperamos ter contigo.
15:03Ótimo restinho de semana.
15:05Cassim, espero também.
15:06Muito obrigado, Favale.
15:07Ótima semana a todos.
15:08Tchau, Neto.
15:09Até mais.
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