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A reforma tributária começa a sair do papel em 2026 com a criação do IBS e da CBS, mas a prometida simplificação vem acompanhada de um longo período de transição até 2033 e muitas dúvidas para o agronegócio. Nesta entrevista ao Hora H do Agro, Munique Lopes, especialista contábil fiscal da Agrotis, explica o que muda na prática para o produtor rural, como funcionará a convivência entre dois sistemas, os riscos e cuidados na recuperação de créditos tributários e quais estratégias devem ser adotadas desde já para preservar o caixa, a competitividade e a conformidade fiscal no novo cenário.

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Transcrição
00:00A BIEC, que é a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne,
00:04e a CNA, que é a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil,
00:08afirmaram numa nota conjunta que a adoção de medidas de salvaguarda pelo governo chinês
00:14à importação de carne bovina altera as condições de acesso ao mercado
00:19e impõe, então, uma necessidade de reorganização dos fluxos de produção e de exportação.
00:25A gente está falando de produção de uma cadeia que é longa,
00:27então, tem desobramentos que a gente precisa acompanhar bastante de perto.
00:31E a Associação Brasileira de Frigoríficos, a Abra Frigo,
00:35que pega vários dos frigoríficos do Brasil e não só aqueles grandes
00:38que a gente costuma se referir quando a gente pensa no agro,
00:41a Abra Frigo estima que a medida pode provocar, então,
00:45essa perda de 3 bilhões de dólares em receitas para o Brasil em 2026.
00:51Para avaliar esse cenário geopolítico diretamente da China,
00:54nós vamos conversar com o Théo Paul Santana, que é especialista em China e Brasil.
00:59Olha essa relação muito de perto há anos.
01:01Bem-vindo ao H do Agro.
01:02Obrigada pela sua participação.
01:04É isso, a gente está falando de uma decisão chinesa aí
01:08que, obviamente, tem como intuito, então,
01:11proteger o próprio produtor rural, os próprios comércios.
01:14Mas eu queria entender, além disso, quais que são as principais motivações
01:18econômicas, políticas por trás dessa medida?
01:22A gente viu aí um produtor rural, por exemplo, falando que isso prejudica o Brasil,
01:26mas o que está por trás?
01:28Que leitura que a gente pode trazer mais macro e que, claro, influencia o agronegócio?
01:34Olá a todo mundo.
01:35Então, esse impacto realmente é significativo,
01:38mas não é o fim do mundo, como o pessoal comentou ali.
01:40Posso explicar em alguns números, né?
01:42O Brasil exportou 1,68 milhão de toneladas para a China em 2025.
01:47Foi um recorde absoluto, só que agora com a cota de 1,1 milhão,
01:52então tem uma diferença aí de quase 580 toneladas,
01:55que se for exportada vai pagar 55% de sobretaxa.
01:58Mas, olhando para o outro lado, o Brasil ficou aí com a maior cota
02:01entre todos os países, 41,1% do total.
02:05A Argentina ficou com 19% e a Uruguai com 12%.
02:08Então, isso mostra que realmente a China reconhece o Brasil
02:10como parceiro preferencial e é isso que a gente tem que entender.
02:15Se a gente fazer toda a questão dessa estratégia,
02:17os frigoríficos vão ter que administrar melhor o volume,
02:20não pode estourar muito cedo no ano, né?
02:23Então, vocês têm que controlar durante o ano o que vai acontecer
02:26e diversificar o mercado, não focar simplesmente na China.
02:30Tem Estados Unidos, tem Chile, tem a União Europeia,
02:32tem Oriente Médio, tem tudo.
02:33Então, é buscar o maior valor agregado, pegar corte-prêmio
02:36que pagam por quilo, né?
02:38Então, a BIEC, como você comentou,
02:40ela já indicou que o setor vai adaptar isso.
02:43O Brasil exporta para mais de 150 países.
02:46Ele precisa da China, mas não é simplesmente somente China, né?
02:48A gente tem que entender que tem um mundo inteiro aí
02:51precisando do Brasil e a gente não depende só dos chineses.
02:54Então, o impacto, ele existe realmente.
02:57A estratégia muda, mas o Brasil tem outras alternativas.
02:59Então, não é crise o momento de ajuste estratégico.
03:02Agora, essa movimentação da China para a pecuária hoje
03:06mostra também uma continuação de outras decisões
03:12que eles têm tomado de, por exemplo,
03:15garantir ali o próprio plantel quando a gente olha para outras carnes,
03:19a própria questão dos grãos.
03:20Você que acompanha a China, é isso sim.
03:22A gente pode afirmar que toda essa medida
03:26é uma questão de segurança alimentar,
03:28que a gente está falando de geopolítica do alimento,
03:31que eles estão olhando cada vez mais para garantir a própria segurança
03:34dentro do país, com as suas próprias produções.
03:37Mas, claro, uma população enorme precisa das importações
03:40como as brasileiras.
03:42Mas é isso sim, é proteger o mercado nesse sentido,
03:45de proteger a segurança alimentar?
03:47Eu acredito que a China sempre pensa em longo prazo.
03:54Então, isso realmente é o que mais importa para os chineses.
03:57E uma relação comercial boa.
03:58Eles têm muito receio perante a estabilidade dos produtos
04:02que eles vão receber no país.
04:03Então, o Brasil já mostrou que é um parceiro importante para a China
04:07e não tenho dúvida quanto a isso.
04:10O ministro Carlos Fávaro já anunciou que o Brasil vai negociar diretamente.
04:15Então, a gente sabe que somos parceiros já com a China há mais de 50 anos.
04:20E, como eu comentei, a China realmente valoriza essa questão
04:22de relacionamento de longo prazo, que a gente chama na China de guanxi.
04:26Então, não é um discurso, é a cultura realmente que envolve dentro do país,
04:30a cultura de negócio dos chineses que sabem que o Brasil, querendo ou não,
04:33é um grande parceiro para eles.
04:35Segundo o Brasil também, ele pode pedir todas essas questões,
04:38dessas cotas que vão ser não utilizadas.
04:41Então, se a Austrália, por exemplo, os Estados não usarem toda a cota deles,
04:44o Brasil também pode estar a pleitear esse volume.
04:47É isso, eu acho que vai existir isso, tem essa questão,
04:51mas o Brasil ainda é sempre visto com a China como a galinha dos ovos de ouro.
04:55Então, realmente, eles gostam muito do Brasil.
04:58Sim, e você colocou essa questão interessante, então.
05:01Se o Brasil, se outros países não utilizarem o máximo da cota,
05:05o Brasil pode ficar de olho nisso para ocupar esse espaço.
05:10Queria entender um pouco também, olhando para essa perspectiva de China,
05:14que você acompanha, os chineses, de alguma forma, esperam isso?
05:19Quando eles desenharam essas cotas, quando eles anunciam esse tipo de decisão,
05:25você acredita que já tenha também vislumbrar que um país possa ocupar o espaço do outro?
05:32E aí a gente olha o Brasil como essa potência?
05:35Eu acredito que sim.
05:36Quando a gente está falando nessa questão,
05:39provavelmente o governo chinês já tem uma estratégia por trás,
05:42o que vai realmente fazer nesse mercado.
05:46Então, quando eles olham, eles olham uma visão global.
05:48Não simplesmente somente o Brasil, mas também os outros países também.
05:52Então, acho que quando eles vêm com essa questão,
05:56o governo chinês, com certeza, ele pensa como é que isso vai funcionar em longo prazo.
05:59Então, acredito que sim.
06:02Essa sobretaxa também, gostaria de entender contigo, Théo.
06:05Pode desencadear negociações bilaterais
06:10ou ajuste nas políticas comerciais entre Brasil e China?
06:14Como que você vê isso?
06:16Inclusive, olhando para o governo brasileiro,
06:19que talvez possa buscar novos acordos com mercados alternativos,
06:23como você colocou no começo da nossa conversa.
06:26muda alguma coisa bilateralmente no sentido de olhar para outros contratos,
06:34olhar para como esses contratos de hoje já estão sendo negociados.
06:37Queria que você ajudasse também a gente a mapear essa mudança a partir de uma cota
06:42que, como a gente falou, é muito próxima do que o Brasil já exporta.
06:46Então, também é preciso olhar com cautela.
06:47Eu acho que nisso o Brasil acabou saindo bem, na verdade.
06:52A gente ficou com 41,1% total da cota, o maior de todos os países.
06:56Então, isso mostra realmente que a gente está protegendo a indústria deles.
07:01Então, a China reconhece o Brasil como um grande parceiro.
07:06Eu acredito que, na visão do chinês, não existe o que realmente afeta ou prejudica.
07:14Acho que o mais importante mesmo é a gente estar entregando o que a gente vai produzir
07:19e o que promete entregar para eles.
07:22Mas acho que, se a gente pensar na questão do governo em si,
07:27não vejo esse aumento na quantidade de carne bovina importada.
07:30realmente prejudicou bastante a indústria doméstica.
07:36Mas acho que é isso.
07:39Interessante isso que você fala da indústria doméstica
07:41porque realmente é esse jogo entre proteger a indústria doméstica,
07:45mas garantir abastecimento para a população.
07:48Por isso, contar com outros mercados como o Brasil.
07:51Queria entender um pouquinho como que isso está repercutindo dentro da China, de alguma forma.
07:56Você que acompanha o mercado, que está no país, que, enfim,
08:00é o seu cotidiano, né?
08:02Como que isso repercute dentro do país, inclusive para os chineses, para a população chinesa?
08:09Eles são a favor dessas cotas e dessa proteção do mercado chinês, do próprio mercado?
08:17Ou, de alguma forma, existe um receio de essas cotas impossibilitarem,
08:22por exemplo, a chegada de produtos?
08:25Ou mexer nos preços para o consumidor chinês?
08:28Como que isso tem sido falado aí no país?
08:33Essas informações, normalmente, elas são tomadas e a decisão dela vem direto do governo, né?
08:39Então, claro que existem as informações para as pessoas, em geral, que estão acompanhando o que está acontecendo,
08:44mas é um tópico que ele não é muito comentado dentro da mídia, em geral.
08:50O que é mais importante mesmo é que eles tenham o produto para entregar.
08:56Eu acho que as redes de supermercados, realmente, que estão preocupadas com isso.
09:00Na China, hoje, não existe uma quantidade enorme de marcas de redes de supermercado
09:04que atendem a população chinesa.
09:07A gente tem, hoje, empresas como o Hamar, que é a maior rede de supermercado da China.
09:13Então, para essas grandes indústrias, isso realmente vai afetar bastante, né?
09:18O Hamar é uma das mais importantes.
09:20Depois, também, a gente tem até o próprio Carrefour, que na China é muito forte.
09:25Então, os supermercados em si, na China, tem três ou quatro, cinco opções, assim, de redes, né?
09:31E também a parte de distribuição, né?
09:32Então, com certeza, esses grandes players, eles vão sentir isso,
09:36mas, para a população em geral, assim, é algo que não impacta, né?
09:41Do dia a dia deles, assim, de trabalho.
09:43Se não impacta eles, pelo menos, certamente, a gente precisa entender
09:48como que isso pode impactar os empresários brasileiros.
09:51Então, você que olha muito para essa exportação Brasil-China também,
09:56não só de produtos agrícolas, eu sei que você acompanha outras commodities também, né?
10:00Mas quais orientações você daria, você traria aqui para a audiência da Jovem Pan News
10:05nesse sentido de orientações para empresários que exportam para a China
10:11e que talvez ou sejam impactados com essas cotas
10:14ou precisam ficar de olho nos desdobramentos
10:19que essas novas cotas impostas em 2026 podem trazer para o setor?
10:24Que orientações que você dá, enfim, técnicas, mas também de comércio mesmo,
10:29de documentação, porque documentações entre países, a gente sabe que é sempre uma questão.
10:34Então, que orientação que você pode dar aqui para o empresário que exporta
10:38ou que quer exportar para a China e que agora é pego com essa notícia das cotas?
10:44Eu acho que, em geral, o empresário pode ficar tranquilo, mas com o pé no chão, né?
10:49O Brasil, querendo ou não, é o parceiro número um da China em diversos commodities,
10:54não somente a carne, como você acabou comentando.
10:56Então, eu acho que o mais importante é que essa relação Brasil-China,
11:01ela é duradoura, ela já tem mais de 50 anos.
11:03Os chineses, normalmente, eles pensam em longo prazo,
11:05então eles não jogam fora disso.
11:08Eles querem qualidade, eles querem limpeza, eles querem organização
11:11e eles querem aquele tipo de empresário que realmente faz o que fala, né?
11:16Não simplesmente o que não entrega.
11:18Então, eu acho que o governo brasileiro já está se negociando também com a China em si,
11:24eu vejo bastante essa movimentação.
11:26Então, existe espaço aí para todo mundo dentro desse mercado, né?
11:29Então, dá para melhorar, dá.
11:31O Brasil hoje é um dos países que exporta para a China num volume gigante.
11:36Então, realmente, eu acho que o importante é a gente ter calma,
11:40não tomar decisões aí precipitadas,
11:42manter qualidade em altíssimo dos padrões que a gente já faz hoje,
11:45a China já sabe, então ela acaba gostando muito do produto brasileiro.
11:49Então, acho que a qualidade também é super importante
11:51e também diversificar um pouco o mercado, né?
11:54A gente sabe que a China é um grande player,
11:55mas não focar somente na China.
11:57Tem outros países também, tem os Emirados Árabes,
12:01tem a Europa, tem os Estados Unidos,
12:03tem outros produtos aí, outros países e outras regiões também
12:06que a gente pode estar atacando, então realmente diversificar, né?
12:10E o importante é acompanhar, né?
12:12E para realmente ir atrás e ver o que vai acontecer
12:15nas próximas semanas e próximos meses.
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