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A participação do dólar nas reservas globais despencou para o menor nível em 25 anos, em um cenário de avanço do yuan e da rupia. O professor Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral, explica as complexidades da adoção do yuan em larga escala nas transações comerciais. A entrevista aborda a viabilidade, quais seriam os desafios logísticos para os produtores e como outros parceiros comerciais do Brasil seriam impactados. Acompanhe a análise sobre os benefícios e riscos para o setor financeiro e a economia brasileira caso essa mudança se concretize.

Confira na íntegra: https://youtu.be/3ke0W7RVPz8

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Transcrição
00:00E um relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional
00:04revelou que a participação do dólar nas reservas globais despencou 58% em 2025.
00:12Este é o menor nível em 25 anos, refletido pelo avanço do yuan,
00:17a moeda chinesa, e da rúpia, a moeda indiana.
00:21Como essas mudanças impactam o agro-brasileiro,
00:25nós te mostramos aqui em mais um Ações e Cotações.
00:30Ações e Cotações
00:32Para falar sobre este assunto, nós vamos conversar com o Paulo Vicente,
00:38que é professor associado da Fundação Dom Cabral.
00:41Bem-vindo ao Hora H do Agro, Paulo.
00:43Muito obrigada pela sua participação, pela sua disponibilidade.
00:46E primeiro eu quero começar falando sobre a possibilidade
00:51que foi sinalizada por uma parte do agro-brasileiro
00:54de passar a utilizar o yuan em larga escala nas transações comerciais.
01:01Considerando o atual cenário geopolítico, econômico,
01:04você considera isso realmente possível?
01:07Qual é a sua avaliação dessa substituição,
01:09ou pelo menos um avanço robusto do yuan utilizado pelo agro?
01:15Obrigada de novo pela participação.
01:18Olá, Mariana. Obrigado pelo convite.
01:19Prazer estar aqui.
01:21Eu acho que vai haver um avanço, sim.
01:24Como já aconteceu, como você falou aí, da rúpia e do yuan,
01:28por conta da negociação da Rússia, que está bloqueada por conta de sanções,
01:33ela começou a negociar com a Índia em rúpias e com a China em yuan.
01:38Isso fez com que o yuan avançasse bastante.
01:43Mas há desequilíbrio, né?
01:44O problema lá é que às vezes sobra yuan, às vezes falta yuan na Rússia.
01:49Mesma coisa com a Índia.
01:51A Índia ficou às vezes com rubro sobrando
01:53e agora teve que comprar petróleo da Rússia para usar os rubros, né?
01:58Porque você não tem uma moeda franca como o euro ou o dólar,
02:02no caso dessas duas moedas.
02:05Para o Brasil, acho que alguns negócios fazem sentido
02:08você fazer a compra ou venda em yuan, tá?
02:11Mas a pergunta fica aí.
02:12E aí, o que o agricultor ou o que o governo vai fazer com esse yuan?
02:17Provavelmente vai ter que trocar por dólar ou euro
02:19para fazer algum outro tipo de transação
02:21ou vai ser obrigado a ficar negociando fortemente com a China.
02:25No caso da rúpia, fortemente com a Índia.
02:28Porque o problema desse é, eu preciso de uma moeda
02:30que seja fácil de eu transacionar qualquer coisa.
02:36Se você olha para o caso do agro, por exemplo,
02:38eu preciso comprar fertilizante, eu preciso comprar máquina,
02:42eu vou fazer isso com yuan?
02:44Posso vender o meu produto para o chinês, receber yuan,
02:47mas o que eu faço com yuan?
02:49Então, vai acabar tendo que trocar ou por euro ou por dólar
02:53para fazer compras de outros insumos ou outras transações quaisquer.
02:56Então, a transação da moeda, você acredita que vai continuar existindo de alguma forma?
03:03Ainda que a comercialização exista em yuan,
03:06é isso, esse yuan tende a virar dólar em algum momento?
03:10Provavelmente.
03:11Porque, salvo você comprar maquinário e fertilizante de volta da China
03:16ou de alguém que aceite o yuan,
03:19você vai ter que converter ele.
03:20Agora, de que forma, então, que essa adoção que o agro já está sinalizando
03:26pode simplificar ou complicar as negociações com a China?
03:31Você acredita que, de alguma forma,
03:33existem aí desafios logísticos, operacionais,
03:38que incorporando o yuan isso pode facilitar?
03:41Ou é isso, assim, é mais complexo do que só passar a utilizar a moeda
03:46e as coisas vão se destravar?
03:47Os chineses operarem o yuan é mais fácil.
03:52Eles controlam a moeda, eles podem manipular a moeda,
03:55como já fizeram no passado,
03:57alterando o câmbio arbitrariamente,
04:00o que também traz um risco para quem tem o yuan na mão.
04:03Você tem um monte de yuan,
04:04a qualquer momento o governo chinês pode desvalorizar esse yuan
04:06e você perdeu um valor, às vezes significativo, arbitrariamente.
04:11E esse é o motivo pelo qual no mundo inteiro se prefere ter euro e dólar,
04:17ou ouro, porque não tem essa arbitrariedade.
04:20Moeda é confiança, você tem que confiar que um banco central
04:23não vai ficar alterando o valor arbitrariamente.
04:27Então você tem mecanismos mais robustos na Europa e nos Estados Unidos
04:30para evitar esse tipo de mecanismo.
04:32Agora, inclusive, a preocupação nos americanos,
04:36que tem enfraquecido o dólar também por conta disso,
04:39é uma crescente tentativa de interferência do governo Trump
04:43no Fed, no Federal Reserve Bank,
04:45que pode alterar a força do dólar.
04:48Na verdade, o próprio governo Trump tem desejado fazer um dólar mais fraco,
04:52um pouco, para poder facilitar as exportações americanas.
04:55E isso é uma parte do que fortalece todas as outras moedas.
05:00No final do dia, eu ainda acho que o euro é o mais estável nesse momento.
05:05A China em si está fazendo reserva em ouro.
05:10Então você vê que claramente ela mesma...
05:12Qualquer moeda que seja, fazendo como faziam os incas e os aztecas,
05:18vamos guardar ouro, que é o mais garantido.
05:21O ouro sempre será ouro, né?
05:23Agora, você trouxe essa frase de que isso, assim, moeda é confiança.
05:30De alguma forma, também a gente não pode dizer
05:34que existe desconfiança nos negócios entre Brasil e China,
05:37porque eles avançam cada vez mais,
05:41cada vez mais a gente está exportando,
05:42cada vez mais a China procura o Brasil investir, inclusive, em portos.
05:47A gente sai só de olhar os grãos
05:50e começa a olhar para uma perspectiva de investimento em portos, logística.
05:55Ainda assim, você acredita que...
05:57Se a gente olha, então, para essa pujança
06:00que já existe na negociação entre Brasil e China
06:03e tudo o que está acontecendo na geopolítica,
06:05que é muito novo, né?
06:07Para cravar, mas, de alguma forma, você acredita que,
06:10a longo prazo, pode ser uma tendência mais, então,
06:13factível a operação com o Yuan,
06:16à medida que, como você mesmo trouxe,
06:18o próprio governo dos Estados Unidos hoje
06:20está enfraquecendo o dólar para conseguir exportar mais?
06:25De um ponto de vista geopolítico,
06:28há um risco muito grande dessa excessiva dependência
06:31que o Brasil tem da China
06:32e a excessiva dependência que a China tem do Brasil.
06:36Porque, em caso de guerra,
06:38como é que eu vou levar a soja brasileira para a China?
06:41Como é que eu vou trazer produtos chineses para o Brasil?
06:43Nem a China tem a capacidade de superar
06:47as limitações logísticas e militares
06:49contra a marinha americana,
06:51muito menos a marinha brasileira.
06:53Então, os dois ficariam isolados.
06:55No caso de a China decidir, por exemplo,
06:57atacar Taiwan, de fato,
06:58ou ir a uma guerra com as Filipinas,
07:00o que é um cenário que, no longo prazo,
07:02é cada vez mais provável,
07:04a China seria bloqueada navalmente
07:06e durante meses ou anos
07:07a gente não poderia nem vender
07:08nem comprar nada da China.
07:10Na verdade, o que eu tenho falado em aula,
07:12em meus escritos,
07:13é que a gente deveria diminuir
07:14a concentração na China,
07:17buscando outros mercados.
07:18Europa, África, Oriente Médio,
07:21a diversificação.
07:22Mas é isso...
07:23Até está sendo falado antes,
07:24mas a gente não tem essa diversificação real.
07:27É isso que eu ia te perguntar,
07:29porque a gente tem até uma própria postura
07:31do governo federal
07:32de falar tanto em abertura de novos mercados
07:35para diferentes produtos,
07:37mas tornou-se muito uma bandeira
07:39do Ministério da Agricultura
07:40desde o começo do mandato do Fávaro ali,
07:44essa questão de abrir mercados,
07:46retomar esse relacionamento.
07:48Mas, na prática,
07:50a gente continua sendo muito dependente de China.
07:53É isso.
07:53Você acredita que,
07:55a partir do momento em que se passa a avaliar
07:58o uso do Yuan,
07:59a gente está literalmente jogando a toalha
08:01e falando,
08:02não, vamos vender tudo para a China mesmo,
08:05vamos solidificar ainda mais.
08:07isso pode, de alguma forma,
08:09ir na contramão da abertura de mercado
08:12e da diversificação dos...
08:13Não colocar os ovos na mesma cesta?
08:17Pois é, essa é a tensão
08:18entre objetivos de curto prazo
08:19e objetivos de longo prazo.
08:21O objetivo de curto prazo é
08:22quero vender para a China
08:23porque é mais fácil
08:24e eu vou ganhar dinheiro.
08:26O objetivo de longo prazo é
08:27vou diversificar para não depender da China.
08:29Se a China for, de fato, a uma guerra,
08:31eu não fico na mão
08:32numa situação complicada.
08:34Então, há uma tensão
08:35entre esses objetivos de curto prazo
08:36e objetivos de médio para longo prazo.
08:39O que eu vejo,
08:40olhando a projeção demográfica,
08:42é que o mundo está começando
08:43a parar de crescer
08:44em termos populacionais,
08:45inclusive a China,
08:47com uma exceção importante
08:48que é a África subsaariana.
08:50A África toda,
08:51não só a subsaariana,
08:52vai sair de 1,5 bilhões
08:54de pessoas hoje
08:55para estimar os 3,5 bilhões
08:57de pessoas ao longo
08:58dos próximos 75 anos,
08:59ou seja, até 2100.
09:01São 2 bilhões de novas pessoas
09:03querendo comer.
09:05Então, eu brinco que a África
09:07é o nosso melhor amigo de infância.
09:09A gente tem que começar
09:10a desenvolver os mercados africanos
09:11para tentar,
09:12no longo prazo,
09:14se não vai acontecer da noite para o dia,
09:16ter a diversificação
09:17pelos africanos.
09:19A recompensação,
09:21se os africanos vão crescer,
09:22a China vai encolher.
09:24Ela é estimada
09:25que ela vai sair
09:25de 1,4 bilhões de pessoas
09:27para 660 milhões de pessoas
09:30no final do século.
09:31Ou seja,
09:31vai sobrar 40% dos chineses
09:33que tem hoje
09:34daqui a 75 anos.
09:36A China é um excepcional mercado
09:39no curto prazo,
09:40ela vai começar a ficar
09:40cada vez menor
09:41no longo prazo.
09:43Índia vai crescer ainda um pouco
09:45e depois retrai.
09:47Então, tem que olhar
09:47para essas variações demográficas,
09:49tem que olhar para as questões
09:49políticas, militares,
09:52porque guerra faz parte
09:53do processo histórico.
09:55Eventualmente, vai ter guerra.
09:56E a gente tomou essa surpresa
09:59na cara em 2022
10:01como se isso fosse
10:01uma coisa do outro mundo.
10:03Mas se você olha
10:04para a história,
10:04o período de 80 anos
10:06que a gente tem
10:06da Segunda Guerra Mundial
10:07para cá
10:07é uma exceção.
10:10E aí, só para a gente
10:11encerrar, então,
10:12retomando depois
10:13essa questão do Yuan,
10:15é isso, não é da noite
10:16para o dia,
10:17por mais que se pense
10:18então a longo prazo
10:19e considere-se, né,
10:21de alguma forma,
10:22a gente consegue falar
10:24quais seriam os riscos
10:25e os benefícios
10:26para o setor financeiro
10:28como um todo
10:29com essa mudança?
10:30Sim, eu sei que pode parecer
10:32um pouco etéreo,
10:33mas tentar trazer
10:34para quem está nos assistindo
10:35um pouco mais palpável
10:37esse tipo de mudança.
10:38Ela traz risco,
10:39ela traz benefício,
10:42a gente saindo um pouco
10:43só do agro, né,
10:45mas como que isso pode
10:46nos tocar enquanto consumidores,
10:48porque no final das contas
10:49a gente está falando
10:50de produtos agropecuários, né?
10:51É, a vantagem
10:54é você,
10:54trabalhando com o Yuan
10:56e até com o Rupia,
10:57você diminui
10:58a dependência do dólar,
10:59te dá mais poder
11:00de barganha
11:01e negociações futuras.
11:03O governo Trump
11:03hoje está fazendo tarifas,
11:05mas pode recuar
11:06ou pode não recuar,
11:07mas futuros governos
11:08americanos
11:09podem fazer isso, né?
11:11Mesmo para olhar
11:11para após o governo Trump,
11:14Trump vai ter
11:15o segundo mandato agora,
11:16não vai ser reeleito
11:17em princípio,
11:17mas o movimento magra
11:19vai continuar existindo
11:20e os herdeiros do Trump
11:22político
11:22vão continuar
11:23podendo ser eleitos.
11:24Então a gente tem
11:25que levar em conta
11:25que esse tipo de estresse
11:27vai continuar existindo
11:28num horizonte
11:29de 20, 30, 40 anos.
11:31Quanto mais a gente tiver
11:32poder de barganha
11:32para trabalhar
11:33com outras moedas,
11:34não é uma má ideia.
11:36Diversificar
11:36não é uma má ideia,
11:37tudo isso é muito bom.
11:39Só que você tem
11:40que diversificar
11:40e não trocar dependência.
11:43E isso aqui
11:44é o grande risco.
11:45E uma coisa
11:46é você trocar
11:47yuan por dólar ou euro.
11:48Não é tão difícil assim.
11:49Rúpia é a mesma coisa.
11:50Agora, rublo
11:51com sanção
11:52hoje é muito complicado.
11:54Então eu não acho
11:54que é ruim necessariamente
11:56você ter yuan e rúpia,
11:58mas acho que rublo
11:59é complicado.
12:00E eu até ia te perguntar,
12:02tem alguma outra moeda
12:03que nós não estamos falando aqui
12:05que você esteja mapeando
12:06que seja interessante,
12:08nesse mundo
12:09da geopolítica
12:11e da globalização
12:12que cada vez mais também
12:13parece que os países
12:14estão ficando
12:15cada vez mais
12:16fechados em si mesmo.
12:19Olhando muito
12:20para as suas prioridades
12:21como você colocou,
12:22a China priorizando
12:23completamente
12:23a sua segurança alimentar
12:25e tende a comprar menos
12:27e produzir mais.
12:30Nessas movimentações
12:31tem alguma outra moeda
12:33que esteja no seu radar
12:34ou que pelo menos
12:35pode ser interessante
12:36de monitorar
12:37nesse horizonte
12:38que você falou
12:3820, 30, 40 anos?
12:40Siga o dinheiro.
12:43A China está comprando ouro.
12:45Então, ouro é uma moeda
12:46relevante também
12:47no longo prazo.
12:49E a Europa,
12:50acho que também o euro
12:51também é uma moeda
12:51que tende a ficar mais forte
12:52porque ela está fora
12:53dessa lógica
12:54da briga,
12:55das tarifas
12:56e muita gente
12:57vai começar
12:57a buscar a Europa.
12:59A Europa vai se rearmar.
13:01Existe um plano
13:01que é o
13:02Readiness 2030
13:03para enfiar
13:04800 bilhões
13:06de euros
13:06em armamento
13:07e um trilhão
13:07de euros
13:08em infraestrutura.
13:09Então, vai ter muita
13:10negociação com o euro aí.
13:12E, de novo,
13:12tem que diversificar
13:13do dólar
13:14para diminuir
13:16o poder de barganha
13:17de governo atual
13:18e futuros governos
13:19americanos
13:19nessa mesa de barganha.
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