Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O governo federal propôs novas taxações sobre o IOF e uma alíquota de 5% de Imposto de Renda sobre as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), atualmente isentas. Nesta entrevista, o Hora H do Agro investiga as consequências dessa medida para o crédito rural, os investimentos no agro e o possível impacto nos preços dos alimentos. Entenda como a tributação das LCAs, a partir de janeiro de 2026, pode afetar a atratividade desses títulos, o volume de recursos para o Plano Safra e a rentabilidade dos produtores. Acompanhe a análise de André Passos, professor da FGV e advogado, para saber se a medida realmente pode afastar investimentos e encarecer os produtos para o consumidor final.

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Se aprovadas pelo Congresso, as LCAs, então, passam a ser taxadas a partir de janeiro de 2026.
00:08Por isso, no Ações e Cotações de hoje, nós vamos discutir os impactos que essa mudança pode trazer para o setor.
00:17Ações e Cotações
00:19Para analisar esse tema, nós vamos conversar com o André Passos,
00:26que é professor da Fundação Getúlio Vargas, FGV, e advogado especialista em finanças e mercado de capitais.
00:33Bem-vindo ao Hora H do Agro, muito obrigada pela sua participação.
00:37Eu já vou começar te perguntando, por gentileza, como então que a introdução da tributação de 5% sobre as LCAs
00:46pode alterar a atratividade desses títulos para os investidores,
00:50se a gente já fala, consequentemente, em impactar o volume disponível para o crédito, para o plano safra.
00:58Como que a gente consegue entender esse mecanismo como, de fato, algo que vá refletir,
01:05inclusive a curto, médio prazo.
01:08Obrigada pela sua participação mais uma vez.
01:11Olá, Mariana.
01:12Eu que agradeço e saldo aqui a audiência desse programa tão importante para o agronegócio brasileiro.
01:18O fato é que as falas, tanto do ministro Haddad quanto do Pedro Lupion, são completamente diferentes.
01:28O ministro Haddad está vivendo no País das Maravilhas, ele notadamente, como você coloca na abertura do programa,
01:37começou com o IOF, depois não é mais isso, depois vem com o IR,
01:41e depois requenta aquele discurso contra as elites, para dizer que a medida não vai atingir a economia.
01:48E o Pedro Lupion, simplesmente se calcando em fatos, né,
01:51do 1,29 trilhão dos títulos do agronegócio, que estão registrados no último boletim do Ministério da Agricultura,
01:58o boletim de finanças, e que falam em 1,29 trilhão,
02:03ou seja, 1 trilhão e 290 bilhões desses títulos do agronegócio,
02:07que são muito mais volume de recursos do que o próprio Plano Safra,
02:12que o Haddad brande na hora de dizer que ele vai conseguir aí os recursos necessários
02:18para a produção do agronegócio brasileiro, que segundo os números, né,
02:22também oficiais, eu gosto, tal qual o deputado Pedro Lupion dos números oficiais,
02:27porque eles não mentem, né, e esses números oficiais trazem um PIB do agronegócio de 2,72 trilhão,
02:35ou seja, a cada um real que se coloca no agronegócio de recursos privados,
02:40você multiplica por dois, né, o financiamento,
02:44e uma arrecadação global do PIB de 30%, 32,32 também,
02:49segundo os números do próprio Ministério comandado pelo Ministro Haddad,
02:54e que ele simplesmente, ouvida, esquece na explanação dele.
02:58O fato é o seguinte, se esses recursos forem retirados do agro, né,
03:03não só você vai ter um problema de escassez de produtos,
03:06e você vai ter um problema de piora nas condições de crédito,
03:10nas condições de liquidez, e piora na produção,
03:13piora nos números de exportação, piora no acúmulo de divisas,
03:16piora no câmbio, como você vai ter um aumento de endividamento,
03:20porque o ministro está trocando, de uma forma completamente equivocada,
03:26da mão pra boca, uma tributação de 32,32% sobre 1,29 trilhão,
03:33que é um giro normal desse financiamento do agronegócio,
03:37para uma tributação de 5% sobre a Selic, que é 15, né,
03:41incidentes sobre os títulos do agronegócio, LCA, o CRA, a CPR, o CDCA,
03:47essa conta não fecha de jeito nenhum, ou seja, ele arrecada,
03:53nas palavras dele, 40 bilhões, e nós tivemos aí com a responsabilidade técnica, né,
03:58que nós temos, né, como o deputado Pedro Lupion também tem uma responsabilidade
04:02de conduzir isso perante o Legislativo, se calca em números,
04:06a gente fez a conta, e o déficit dessa medida,
04:09a perda dessa medida é de 80 bilhões, ele diz que vai arrecadar 40 a mais,
04:13e a gente diz e mostra, por números, que a perda é de 80 bilhões,
04:17essa conta não fecha, isso onera o setor, e isso onera,
04:21não o pessoal da cobertura, como ele está dizendo,
04:24mas onera quem precisa mais de alimentos, quem precisa mais de emprego,
04:28quem precisa mais de recursos, quem precisa mais de educação,
04:31quem precisa mais de saúde, quem precisa mais de hospitais.
04:34Esses 80 bilhões que o senhor se refere,
04:38a gente está falando no período de um ano?
04:40No período de um ano, a partir de 2026,
04:45quando começa a nascer essa tributação,
04:48e deixam de ser irrigados esses recursos para agricultura,
04:54para financiar a agricultura brasileira, recursos fundamentais,
04:57da casa de 1,2 trilhão de reais,
05:00que vão ser utilizados em outros tipos de investimentos,
05:03em outras formas, talvez em bets,
05:04que o ministro deixou de tributar,
05:08para tributar um setor produtivo, né,
05:10governar é escolher,
05:13e o ministro da fazenda, sinceramente,
05:15ele escolhe uma coisa, uma hora com o IOF,
05:18escolhe outra coisa, numa hora,
05:20mirando os setores produtivos, o agronegócio, a construção civil,
05:23o CRI, a LCI, né,
05:25os fundos imobiliários também entraram nessa,
05:27junto com os fiagros, os CRAs, a LCAis,
05:30e ele esquece das bets, esquece das arbitragens, né,
05:35os investidores estrangeiros não foram excepcionados,
05:38e mantiveram aí as isenções fiscais sobre os ganhos em bolsa,
05:43fica a pergunta, né,
05:44quem que o ministro realmente quer onerar,
05:46porque quem investe e é pessoa física,
05:50ele cria uma taxação adicional de 5%
05:52e tira esse recurso do financiamento de quem produz,
05:54e aqueles que investem no mercado de capitais de fora,
06:00aqueles que ganham com arbitragem financeira,
06:02ele deixa de onerar, né,
06:04então, assim, a medida pra mim é clara,
06:07a medida é, mostra que o governo tá completamente perdido,
06:10tá completamente ciclotímico,
06:12e mostra que não faz conta, né,
06:14definitivamente não faz conta,
06:16ao contrário do que o setor produtivo faz,
06:18como mostrou o Pedro Lupion,
06:20e ele tá realmente, né,
06:23mostrando por viés, né,
06:26indireto,
06:28a quem, né,
06:29a quem que ele tá procurando isentar de tributação com essas medidas.
06:34Você acredita, então,
06:36e pelos números queria que você fizesse essa explicação pro nosso público,
06:41você acredita, então,
06:42que de fato essa taxação de 5% pode afugentar os investimentos no agro, assim?
06:48É uma porcentagem que realmente traz, na prática,
06:53ou repensar o raciocínio de antes eu investi aqui,
06:57então agora eu vou ser tributado,
06:58eu não invisto mais,
07:00e de fato afugente os investimentos.
07:02Eu queria entender um pouquinho mais também desse cálculo que vocês falaram,
07:06que você citou,
07:07de como que vocês chegaram nesses 80 bilhões,
07:10o que que,
07:11como que esse cálculo foi composto,
07:12o que que tá dentro dessa calculadora,
07:15pra gente explicar também como que vocês chegaram nesse número.
07:17Excelente pergunta, Mariana,
07:21que vai dar oportunidade da gente trazer aqui,
07:23isso eu trabalhei em duas colunas, né,
07:26que a gente publica sobre o financiamento do agronegócio,
07:30as questões jurídicas do agronegócio,
07:32as questões fiscais,
07:33a conjuntura do agronegócio,
07:35e publiquei em números.
07:36Então, vamos lá.
07:37Primeiro ponto é,
07:39a gente tá falando aí de um total,
07:41o deputado Pedro Lupião falou nisso, né,
07:43de mais ou menos 600 bilhões de LCA's, né,
07:47de investimentos.
07:48Então, se a gente tá falando de 600 bilhões de reais de investimentos,
07:52se a gente calcular uma Selic de mais ou menos 15% ao ano,
07:56a gente tá falando aí de uma renda das LCA's de 90 bilhões, ok?
08:02Primeira conta, 5% sobre 90 bilhões, 4 bilhões e meio.
08:07Só que, ao começar a tributar as LCA's,
08:12o que o governo tá sinalizando?
08:14Tá sinalizando que, olha,
08:16aqui eu vou criar uma parte, né,
08:21de tributação onde não tinha tributação.
08:23Então, ele tá assumindo um risco
08:25de deixar, né,
08:27de colocar esse dinheiro do mercado privado, né,
08:31no mercado pra financiamento do agronegócio.
08:34Ao fazer isso,
08:35e buscar esses 5 bilhões adicionais,
08:39ele corre o risco
08:40de não ter, né,
08:42um PIB de 32,32%, né,
08:47que é a arrecadação global de tributos,
08:48sobre todas as atividades
08:51no entorno do agronegócio brasileiro,
08:53no entorno de todas as atividades
08:55que é a taxa de arrecadação global brasileira,
08:58sobre esses valores de 90 bilhões
09:02que ele, né,
09:02supostamente tá arrecadando aí
09:04o valor, né,
09:06de 5 bilhões.
09:07Então, 90 bilhões vezes 32,32%
09:10dá mais ou menos
09:12a quantia, né,
09:14fazendo uma conta grossa
09:15de 39 bilhões.
09:1839 bilhões, né,
09:20menos os 5 bilhões
09:22que ele vai arrecadar,
09:23que isso é favorável a ele,
09:24vai dar os 34 bilhões de déficit.
09:26Se você duplicar,
09:28como foi na medida provisória,
09:29porque no pacote inicial
09:31ele apontou pra tributação
09:32das LCA's e dos CRA's.
09:34Depois ele amplificou
09:35pras CPR's,
09:36pros CDC's,
09:37pros FIAGROS.
09:38Se você apontar isso
09:39pros 1,2 trilhão,
09:41você tá dobrando esse buraco
09:43e tá chegando aí ao déficit
09:45que eu calculei de 80 bilhões, né.
09:48O que que é 80 bilhões?
09:49Os 35 bilhões em somatório,
09:52mais a taxa Selic
09:53sobre esse déficit adicional
09:55que o governo vai precisar
09:56pegar esse empréstimo no mercado, né.
09:59Pegar esse empréstimo
10:00com quem investe em títulos públicos.
10:02Já que o governo é deficitário,
10:04ele não produz
10:06arrecadação fiscal o suficiente
10:08pra pagar as contas,
10:09como o deputado Pedro Lupion avisou,
10:11que ele devia fazer primeiro
10:13o dever de casa,
10:14primeiro equalizar as contas
10:16pra depois ele pensar
10:17em adotar uma medida como essa.
10:19As contas falam sozinhas,
10:21as contas falam de per si
10:23e quem não anda fazendo conta,
10:25pelo jeito,
10:26as mais básicas
10:27é o Ministério da Fazenda.
10:30Perfeito,
10:30te agradeço muito
10:31essa explicação.
10:32Só pra gente encerrar,
10:34queria também trazer
10:35um pouquinho da sua percepção,
10:37então,
10:37sobre essa fala da FPA,
10:39você tá citando bastante
10:40o deputado Pedro Lupion,
10:42que alegou aí
10:43que, de fato,
10:44essa nova aplicação,
10:45então,
10:45do IOF aí
10:47pras LCAs
10:48pode influenciar
10:49no preço do alimento,
10:51pode influenciar
10:51na ponta.
10:54O quão, de fato,
10:55existe,
10:56o quão, de fato,
10:57esse argumento
10:58se sustenta,
11:00queria entender um pouco
11:00como que você traz
11:01isso em explicação
11:02pro nosso público,
11:04porque uma parte
11:05dessas LCAs,
11:06elas também são emitidas
11:07sobre,
11:08pra produções
11:09que vão ser exportadas,
11:11que não necessariamente
11:12chegam no consumidor final
11:15aqui brasileiro,
11:16falando do arroz,
11:18do feijão,
11:18do legume,
11:19mas, de alguma forma,
11:20pode, sim,
11:21impactar,
11:22porque existe toda
11:23uma cadeia
11:23de fornecimento,
11:25de insumos,
11:25de logística,
11:26de abastecimento.
11:27Então,
11:28pro nosso público
11:29compreender melhor,
11:31como que você explica
11:32isso pra gente também,
11:33o quanto que essa taxação
11:34das LCAs
11:35pode realmente
11:36influenciar no produto
11:37que vai estar na gôndola,
11:39que vai estar nas feiras,
11:41que é onde o brasileiro
11:42sente no bolso
11:43esse tipo de taxação?
11:45Excelente pergunta,
11:46Mariana.
11:47O foco da primeira explicação
11:49foi a falácia
11:51do orçamento,
11:52que ele estaria cuidando
11:53do orçamento
11:54por conta das necessidades
11:55fiscais de 2026
11:57e a gente acaba
11:58jogando por terra
11:59essa falácia
12:00com uma conta simples,
12:02e mostrando que,
12:04na verdade,
12:04essas medidas
12:05elas são deficitárias
12:06e, portanto,
12:07não vão gerar
12:08a solução
12:09do problema orçamentário.
12:10A sua pergunta agora
12:11tem a ver
12:12com os efeitos
12:14diretos
12:15da escassez
12:16desse crédito
12:17na produção
12:18no campo,
12:18né?
12:19Então,
12:20obviamente,
12:20que esses recursos
12:21não sendo levados
12:22ao campo,
12:23você diminui a liquidez.
12:24Diminuindo a liquidez,
12:25diminui a produção.
12:26Diminuindo a produção,
12:27e a gente está falando aí,
12:29como você disse,
12:30de uma produção
12:31de um país
12:32que tem 210 milhões
12:33de habitantes
12:34e alimenta
12:34um bilhão de pessoas
12:35no mundo,
12:36né?
12:37Então,
12:37o impacto
12:38da diminuição
12:40dos recursos financeiros,
12:42porque o agro
12:42precisa de 1,29 trilhão,
12:45né?
12:46Para se financiar
12:47e produzir
12:472,72 trilhões
12:49em recursos.
12:51Se eu deixo
12:51de produzir,
12:53automaticamente,
12:54a demanda
12:55por alimento,
12:56ela é latente,
12:57né?
12:57As pessoas
12:57não vão deixar
12:58de comer.
12:59As pessoas
13:00vão continuar
13:01comendo,
13:02vão continuar
13:02consumindo etanol,
13:04energia renovável,
13:06energia elétrica
13:07a partir,
13:08né?
13:08Do bagaço da cana.
13:10Vão continuar
13:11consumindo roupas
13:13de fibras sustentáveis
13:14de algodão
13:15e, portanto,
13:17quem produzir
13:17vai produzir
13:18com menos recursos,
13:19com recursos mais
13:20encarecidos financeiramente
13:22e talvez produza menos,
13:23porque vai tomar
13:25menos risco,
13:26porque o risco
13:26já é inerente
13:27à atividade agropecuária,
13:29né?
13:29O produtor brasileiro
13:30é um empreendedor
13:30que assume um risco
13:32climático,
13:33um risco de crédito,
13:34um risco de produção,
13:35um risco de preço
13:36e ele se baseia
13:39no empreendedorismo dele
13:40e na abundância
13:41desse sistema privado
13:43de financiamento
13:43do agronegócio.
13:44Você cria uma cunha fiscal
13:46nesse sistema,
13:47você deixa
13:47de fazer fluir
13:48esses recursos,
13:50encarece esse crédito,
13:52isso tem que ser
13:53avaliado pelo produtor
13:54que certamente
13:55vai ter menos recursos
13:57para produzir,
13:58vai diminuir
13:58a produção
13:59e a demanda
14:00vai continuar
14:00latente
14:01e a despeito
14:03do Haddad
14:03querer derrogar
14:05a lei da oferta
14:06e da demanda,
14:06ele não consegue,
14:07né?
14:08Ele não consegue,
14:09por isso o orçamento
14:10público na medida
14:12dele fura
14:12e por isso
14:13que os preços
14:15dos alimentos
14:16furam também,
14:17né?
14:17E aumentam
14:18porque as pessoas
14:19vão produzir menos,
14:20é uma questão
14:20de oferta e demanda,
14:22por mais que ele
14:22tente derrogar
14:24isso na canetada,
14:25ele não vai conseguir,
14:26ninguém consegue
14:27porque isso é um
14:28fator físico,
14:29um fator de produção,
14:30um fator de demanda
14:31mundial de alimentos
14:32e é o primeiro item
14:34que todo mundo
14:34precisa para sobreviver.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado