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Dados do IBGE mostram que o Brasil chegou a um marco preocupante: 48 milhões de pessoas recebem o Bolsa Família, enquanto apenas 39 milhões têm emprego formal no setor privado. Economistas alertam que a expansão de benefícios sem crescimento do emprego pode gerar um ciclo negativo para a economia.
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NotíciasTranscrição
00:00O Brasil alcançou um marco muito preocupante na economia nacional, com 48 milhões de pessoas
00:07recebendo atualmente o Bolsa Família, enquanto apenas 39 milhões possuem emprego formal
00:13com carteira assinada no setor privado, segundo os números que foram divulgados pelo IBGE
00:18relacionados a novembro de 2025.
00:21Esse dado evidencia uma inversão alarmante, onde a expansão dos programas sociais ocorre
00:27em um ritmo superior ao da geração de vagas de trabalho.
00:31Diante desse cenário, o governo tem buscado ampliar a arrecadação para sustentar justamente
00:36esses custos crescentes no sistema, apostando principalmente no aumento ou criação de
00:41novas taxas, novos impostos.
00:43Economistas alertam para um ciclo negativo de mais tributos, que acabam desestimulando a
00:49formalização e o crescimento econômico, que por sua vez faz aumentar a dependência de
00:55auxílios pagos pelo Estado.
00:56Começar essa rodada com o Diego Tavares.
00:59Diego, por que esses números são tão preocupantes e quais são as consequências desse cenário?
01:06Talvez a gente entre em um ciclo em que a gente não consegue sair?
01:10Exatamente, Caniato.
01:11A consequência, basta nós olharmos para o que aconteceu com a Argentina, basta nós
01:16olharmos para o que aconteceu com a própria Venezuela.
01:19Um país, para crescer, precisa ter a sua força de trabalho sendo cada vez mais produtiva,
01:24precisa qualificar cada vez mais a sua força de trabalho, precisa gerar emprego, precisa
01:28criar indústria.
01:29Aqui no Brasil, nós fazemos totalmente o contrário.
01:32Pega a pessoa que é mais pobre, ao invés de qualificá-la, ao invés de induzi-la à
01:38busca do emprego, nós penduramos ela no braço assistencial do Estado e deixa ela lá recebendo
01:43seu benefício.
01:44Assim, o voto vem de forma mais simples quando as eleições chegam.
01:49Nós temos um dado de 2023, no qual estimas que cerca de 34 bilhões de reais são pagos
01:56indevidamente a beneficiários do Bolsa Família.
01:59São cerca de 37 milhões de indivíduos recebendo indevidamente o benefício.
02:04Então, existe aqui uma grande festa.
02:07O Bolsa Família, embora necessário, um programa, inclusive, com origens, que tem origens liberais,
02:12tem origem na teoria do imposto de renda negativo, lá da escola de Chicago, enfim, a maior
02:17escola de economia liberal do mundo, mas mesmo assim, aqui no Brasil está sendo muito
02:22mal utilizado.
02:22É um programa necessário, é fundamental, porque nós somos um país pobre, mas, de
02:28toda sorte, está sendo utilizado unicamente com fins eleitorais.
02:33Então, há uma necessidade, de um lado, de revisão dos critérios do programa Bolsa
02:37Família, inclusive e principalmente do critério que impede que a pessoa permaneça recebendo
02:43benefício, caso conquiste um emprego formal.
02:46E, de outro lado, nós precisamos trabalhar o nosso mercado de trabalho.
02:50O Estado precisa facilitar a vida do empreendedor.
02:53Nós somos um ambiente tóxico para o empreendedorismo.
02:56Aqui no Brasil, no ano de 2023 ou 2024, salvo engano, nós tivemos quatro empresas fechando
03:03por minuto.
03:04É a maior chacina de CNPJs do mundo acontecendo aqui no nosso país.
03:09Então, nós precisamos inverter essa lógica.
03:11O Brasil precisa ser mais produtivo, precisa criar mais empregos, precisa facilitar a vida
03:16do empreendedor, facilitar a vida da iniciativa privada para conseguir inverter essa pirâmide.
03:21É muito importante que nós cuidemos das pessoas mais pobres de quem não tem, infelizmente,
03:26condição de subsistir aqui no Brasil.
03:28Mas, também, nós não podemos sacrificar todo o país às custas desses benefícios sociais.
03:34E esse cenário cria uma relação de dependência da base de beneficiários com o governo de
03:40ocasião, né, Davila?
03:41E aquele governo acaba se perpetuando porque tem o apoio daquela base de beneficiários.
03:47Estamos falando de 39 milhões de pessoas.
03:50De pessoas que têm seus familiares.
03:52Então, imagine o volume total de pessoas.
03:55Esses números, Caniá, 39 milhões de pessoas em vagas formais, 48 milhões que recebem benefício,
04:03mostra a mentira do pleno emprego no Brasil.
04:07A mentira do pleno emprego.
04:09Por que é mentira?
04:10Eu vou explicar para você.
04:13O Brasil tem uma estatística, como sempre, é o somebody love para inventar um número para
04:20dizer que o emprego é pleno no Brasil.
04:22Esse número é o seguinte, você pergunta para uma pessoa desempregada se ela está procurando
04:27emprego ou não.
04:29Aí, se ela diz que ela não está mais procurando emprego, é o tal do desalento.
04:33Essa pessoa está fora da estatística.
04:35E por que o desalento cresceu?
04:37Porque está todo mundo recebendo benefício.
04:39E esse benefício, corrigido pelo valor do salário mínimo, acima da inflação.
04:43Ele fala, eu não estou mais procurando emprego, não.
04:45Por quê?
04:45Porque ele está recebendo esse benefício e está na economia informal.
04:48O Brasil tem a economia informal com pejotização muito maior do que o número de pessoas com
04:55carteira assinada.
04:56E agora tem o terceiro número, que é as pessoas recebendo benefício acima daqueles
05:01de carteira assinada.
05:02Isso mostra a farsa, a mentira do tal do pleno emprego que o governo tanto gosta de falar.
05:09Segundo ponto importante.
05:11O Brasil é recordista mundial em judicialização trabalhista.
05:17Hoje nós temos quase 11 milhões de processos trabalhistas na justiça brasileira.
05:23Isso mostra, mais uma vez, como as instituições são capturadas por interesses corporativistas,
05:30como é o caso da justiça trabalhista.
05:33A justiça trabalhista, vários juízes da justiça trabalhista não respeitam a reforma
05:40trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional.
05:44Reforma esta que flexibilizou as leis trabalhistas, criou banco de horas, permitiu maior acordo
05:53entre trabalhador e empregador, é o famoso contrato vale acima do legislado.
06:01Isso, o negociado acima do legislado, tudo isso vem sendo destruído na justiça trabalhista.
06:08Ou seja, o Brasil vem hoje com o maior número de processos trabalhistas, com uma justiça
06:16capturada pelo corporativismo, com uma estatística completamente equivocada, como mostram os números
06:24das pessoas na informalidade, das pessoas com pejotização e das pessoas recebendo benefício social.
06:32Um dado preocupante.
06:34O Brasil tem mais pessoas no Bolsa Família do que registrados no mercado formal de trabalho
06:39pelo CLT.
06:41O Mota, queria que você discorresse sobre esse dado que foi divulgado há pouco, mas
06:47se refere ao mês de novembro, mas que indica um problema que a gente tem analisado aqui
06:52há bastante tempo, né?
06:55É um problema, Canhato, que vem das ideias.
07:01E eu queria ler aqui uma postagem do X, foi feita por um economista venezuelano ontem,
07:08e que resume muito bem isso.
07:11Ele diz o seguinte, a prosperidade não vem do petróleo, de decretos ou mesmo de governantes
07:20benevolentes.
07:22Ela vem dos direitos.
07:25Os direitos criam propriedade privada.
07:28Os direitos criam segurança.
07:31Os direitos criam debate.
07:33Os direitos permitem que as pessoas invistam, inovem, sonhem e transformem a realidade.
07:42Retire os direitos e a sociedade definha.
07:45Restore-os e a recuperação é possível.
07:49Está aqui nessas poucas linhas o diagnóstico da Venezuela e do Brasil.
07:53A Venezuela é hoje e o Brasil está caminhando para ser uma sociedade onde os direitos fundamentais
07:59são totalmente desrespeitados.
08:01Em conversação, o governo vai te dar uma bolsinha para você não morrer de fome,
08:07para você ficar ali todo mês esperando o caraminguá que vem do governo.
08:12Quando você mesmo poderia estar ganhando a sua vida, quando você mesmo poderia ser próspero,
08:19quando o brasileiro, o venezuelano, poderia ter um padrão de vida igual ao padrão dos Estados
08:24Unidos, onde praticamente todo mundo é classe média.
08:2770% dos americanos considerados oficialmente abaixo da linha da pobreza tem no mínimo um carro.
08:37Isso foi uma das coisas que me chocou quando eu fui a primeira vez aos Estados Unidos,
08:40que me mostraram os lugares onde moravam os pobres.
08:43E uma das primeiras coisas que eu reparei foi, poxa, essas casas aqui são casas de classe média,
08:49média para alta no Brasil.
08:50E todo mundo tem carro, que pobreza é essa?
08:54Então tem um conceito de pobreza que é relativo e um conceito de pobreza que é absoluto.
09:00Agora, aqui no Brasil, criou-se essa noção de que a verdadeira independência e realização das pessoas
09:08está em receber um caraminguá do Estado.
09:12É lógico que quem está no comando do Estado fica muito feliz, porque se apropriam da maior parte da riqueza,
09:19dão de volta um caraminguazinho para o brasileiro e todo mundo acha o Estado muito bonzinho.
09:26Agora, como é que a economia para em pé dessa forma, hein, Diego?
09:30Como é que a gente vai falar em aumento do investimento para a infraestrutura,
09:34se a base de beneficiários de programas como Bolsa Família só aumenta?
09:38E para bancar essa estrutura é preciso criar novos impostos.
09:42Enfim, eu me lembro que uma discussão que fizemos em programas passados,
09:46a gente falava sobre a avaliação da eficiência de um programa social, né?
09:50Você tem que olhar para a porta de saída, né?
09:52Não o tempo de permanência da pessoa.
09:54Se ficar muito tempo, já não deu certo, né?
09:56Enfim, mas qual é o governante que vai ter coragem de usar a caneta
10:00para, se não acabar, pelo menos mudar os parâmetros de concessão desses programas, hein?
10:06Olha, Caniato, no Brasil nada é tão permanente quanto uma política pública temporária.
10:13Por aqui, o que a gente vê realmente é um aproveitamento da estrutura estatal
10:18para que, de fato, as pessoas fiquem ali submissas àquilo que são as melhores ferramentas
10:24para que o governo capitalize do ponto de vista eleitoral.
10:27Realmente, aqui não há nenhuma preocupação em retirar as pessoas do Bolsa Família.
10:32O dado que eu trouxe há pouco retrata isso.
10:34Ora, 35 bilhões de reais em um país que tem tantos problemas com as contas públicas,
10:39que enfrentam um déficit recorde nas suas empresas estatais,
10:42que enfrentam um rombo recorde em relação à dívida PIB,
10:4634 bilhões de reais são pagos anualmente de Bolsa Família de forma indevida.
10:51E só para corrigir o dado aqui, são cerca de 5 milhões de pessoas
10:54recebendo indevidamente o Bolsa Família no nosso país.
10:58E, como eu disse, não há nenhum incentivo para que as pessoas saiam desse tipo de benefício.
11:04Eu me lembro nas eleições de 2018, quando Bolsonaro já se encontrava pontuando bem nas pesquisas,
11:10a grande crítica que os adversários da esquerda faziam a ele é que, se eleito,
11:15ele acabaria com o Bolsa Família.
11:17E isso gerou uma espécie de pânico coletivo até o momento em que a campanha de Bolsonaro
11:23foi pautada sobre isso e ele teve que dizer que manteria o benefício.
11:27E o próprio Bolsonaro, já com o presidente, no ano eleitoral,
11:31na disputa pela reeleição que ele acabou perdendo para o atual presidente da República,
11:35também o benefício, o auxílio Brasil, o auxílio que foi dado aos caminhoneiros e taxistas,
11:40foi a grande tônica daquela eleição, considerando o cenário de pandemia.
11:44Então, acho que é até um pouco cultural do brasileiro esperar por esses pacotes de bondade,
11:50quando as eleições se aproximam, quando nós estamos aí na única oportunidade
11:56que nós temos de fazer a auditoria dos nossos dirigentes,
11:59que é quando vamos entregar o nosso voto na urna.
12:02Respondendo objetivamente a sua pergunta, a economia não para em pé dessa forma.
12:07O Brasil é um carro acelerando rápido para o abismo.
12:10As estimativas que se fazem no mercado é de que em 2027 nós não teremos dinheiro
12:15para fazer nada, além de custear o Estado, além de pagar essa máquina pública caríssima e ineficiente
12:21que nós temos e sustentar esses pacotes de bondade que foram concedidos
12:25ao longo das últimas décadas ao povo brasileiro.
12:28E que, infelizmente, escravizou o eleitor e, principalmente, o eleitor mais pobre,
12:33que não consegue ver uma realidade fora desse tipo de recebimento para sobreviver.
12:38E aí eu nem culpo aqui o eleitor nesse sentido,
12:40porque nós não vemos também, de outro lado, nenhum esforço para que o nosso país cresça,
12:45para que ele se desenvolva, para que nós tenhamos uma classe de pobres,
12:49como o Mota disse, com acesso a bens básicos de consumo,
12:53como um carro, como uma casa, como um bom alimento no seu refrigerador.
12:58Então, realmente, é um ciclo muito terrível, muito desumano,
13:02no qual o nosso país se encontra aprisionado.
13:04E como apresentar essa dificuldade para aqueles que recebem o Bolsa Família,
13:07indicando, inclusive, que o tal benefício poderia acabar em breve, hein, Dávila?
13:13Esse é um desafio para aqueles que querem chegar na cadeira de presidente, por exemplo.
13:18Não, primeiramente, o objetivo não é acabar com o Bolsa Família,
13:23é ter a porta...
13:24Remodelar, talvez?
13:25Sim, mas ter uma porta de saída para o programa,
13:27para a pessoa não ficar dependente o tempo inteiro.
13:30Existem vários modelos.
13:32Por exemplo, nos países escandinavos tem um modelo que eu acho fantástico.
13:35A pessoa recebe o benefício, quando ela perde o emprego,
13:38ela continua recebendo o benefício durante um ano,
13:41mas ela é obrigada a fazer curso de requalificação profissional.
13:45Ela não pode recusar mais de três ofertas que ela receber de emprego.
13:49Tem uma opção de coisas.
13:50E isso faz com que você tenha a oportunidade de se preparar,
13:55requalificar, voltar ao mercado de trabalho
13:57e até conseguir uma posição que remunere melhor,
14:00porque você volta mais preparado e treinado.
14:03e não faz com que você possa recusar ofertas de emprego.
14:08Então, esse é o primeiro ponto.
14:09Um dos maiores especialistas nesse estudo é o professor Ricardo Paes de Barros.
14:14Tem vários estudos mostrando como é possível fazer uma porta de saída inteligente.
14:18Então, não é acabar com o programa.
14:20É encontrar formas de fazer essa porta de saída.
14:23Se é qualificação profissional,
14:25se é a questão de ofertas de emprego que você não pode recusar mais de três.
14:28Tem vários modelos.
14:29O importante é ter em mente que é preciso a porta de saída.
14:33Segundo ponto fundamental, Canhato.
14:36Nós precisamos de uma legislação trabalhista
14:39que estimule a formalização do trabalho.
14:44Hoje, no Brasil, nós temos a pejotização e o mercado informal
14:47porque contratar pessoas pela CLT é caro para a empresa
14:51e o trabalhador fica com pouco no bolso
14:53porque é muito descontado do governo.
14:55Então, nós precisamos ter uma legislação trabalhista
14:57de acordo com a realidade que nós vivemos.
15:01Foi justamente neste caminho
15:03que o Congresso Nacional aprovou a reforma trabalhista
15:06que é sabotada pela justiça do trabalho.
15:09Então, assim, nós precisamos ter uma lei normal.
15:12E aí, o que o governo faz?
15:13Ao invés de ajudar a criar essa lei normal
15:15quer voltar, recuar no tempo
15:18e isso fez com que nós tenhamos novamente
15:2211 milhões de processos trabalhistas
15:24que era o número que nós tínhamos antes da reforma trabalhista.
15:28E para agravar ainda mais,
15:30aumentar o custo de contratação,
15:32o governo vem com essa ideia esdrúxula,
15:35péssima, terrível,
15:38do 6 por 1.
15:38Ou seja, quer remunerar mais o descanso do que o trabalho
15:42e manter o salário.
15:44É um negócio inacreditável.
15:46Nós estamos indo na contramão
15:48da formalização do trabalho.
15:51Quanto menos trabalho formal nós tivermos no Brasil,
15:54maior será a dependência das pessoas de programa social.
15:58O que nós temos que fazer
15:59é um choque de verdadeira mudança
16:04na legislação trabalhista.
16:06Fazer com que contratar pessoas formalmente
16:08custe mais barato,
16:10que o trabalhador fique com maior parte do salário
16:14no seu bolso
16:14e que não ficar tendo mil descontos
16:16para dar para o governo.
16:17E nós precisamos acabar
16:19com esta judicialização de questões tributárias
16:22que isso só faz com que aumente
16:25a insegurança da contratação
16:28e a insegurança do trabalhador.
16:30Formalização de trabalho
16:31é a forma pela qual
16:33nós vamos começar a fazer
16:34esta revolução de gerar emprego
16:37de verdade
16:38e não com estatística de mentirinha.
16:40Pois é, o Dávila menciona um tema
16:42que certamente vai ganhar corpo
16:44e deve dominar parte dos debates.
16:47O Hugo Mota, inclusive,
16:48no final do ano passado,
16:50viu, Mota,
16:50disse que a Câmara deve discutir
16:53o fim da escala 6x1
16:55com equilíbrio e sem ideologia.
16:58Me lembro muito bem dessa frase.
16:59Enfim, o que é preciso considerar
17:01em relação a essa pauta
17:02que é importante para o governo federal?
17:05Vai se utilizar disso,
17:06caso aprovada,
17:08para potencializar os debates
17:10no período eleitoral?
17:12Mas acaba espremendo,
17:14pressionando ainda mais o empresário,
17:16não é, Mota?
17:18É, eu tenho impressão
17:19que muitos políticos usam
17:21essas pautas como ferramenta
17:23de chantagem, Caniato.
17:24Então, o cara coloca isso aí,
17:26olha, vai para a votação,
17:29no Congresso.
17:30Talvez fosse bom a gente conversar, né?
17:33Eleição está vindo aí.
17:35Vamos tomar um café.
17:37Eu não tenho dúvida nenhuma
17:38que boa parte dos políticos
17:41sabe da ameaça
17:42que um projeto como esse
17:45representa para a economia,
17:47mas conversar não tira pedaço, né?
17:50Agora, essa história
17:52do Estado de bem-estar social,
17:56do Estado que se propõe
17:57a dar tudo para as pessoas.
18:00Isso não é um desafio
18:01só do Brasil.
18:02O Reino Unido
18:03enfrenta esse problema
18:04há muito tempo.
18:05Já no Reino Unido
18:06há várias gerações
18:08de pessoas que dependem
18:10do Estado,
18:11recebem dinheiro para comer,
18:13recebem casa do Estado.
18:15Os Estados Unidos
18:16também têm esse problema.
18:17Acabou de acontecer
18:18um escândalo grande agora
18:19no Estado de Minnesota.
18:22Parece que o governador de lá
18:23não vai nem concorrer
18:25por causa disso.
18:25um escândalo de imigrantes
18:27que estão...
18:29milhares de imigrantes
18:30que entraram já
18:31recebendo benefícios
18:33através de fraude.
18:35Então, isso é um desafio
18:36para todo mundo.
18:37Agora, aqui no Brasil,
18:38isso é aumentado,
18:40esse desafio,
18:42por essa narrativa dominante
18:44da esquerda, né?
18:45De que o Estado
18:47tem que ser
18:48o resolvedor último
18:51de todos os problemas.
18:52isso é uma coisa
18:53que nós aprendemos
18:55desde criança.
18:56Qualquer problema
18:57que você tem,
18:58você vai pedir
18:59para que seja feita
19:00uma lei,
19:01ou para que o Estado
19:02crie um programa,
19:03ou para alguém
19:04dê algum tipo de bolsa.
19:07Então, eu acho
19:07que o primeiro passo
19:08para a gente sair
19:09dessa situação,
19:11que, repito,
19:11é um desafio
19:12para todos os países
19:13do Ocidente,
19:14é mudar as ideias.
19:16Começa pelo nosso
19:17sistema de ensino.
19:20Por aí.
19:20primeiro temos que mudar
19:21as ideias
19:22para depois começar
19:24a mudar
19:25essa realidade.
19:27Pois é,
19:27esse é um tema importante
19:28para a gente debater,
19:29analisar,
19:30e essa discussão
19:32em torno do fim
19:33da escala 6x1,
19:34muito em breve
19:35será retomado
19:36na Câmara dos Deputados.
19:38Hugo Mota,
19:39que é o presidente
19:39da Câmara,
19:40ele falou que quer
19:41tratar dessa questão,
19:42discutir com os muitos
19:43deputados
19:44de maneira serena,
19:46de forma equilibrada
19:47e sem ideologia.
19:49Enfim,
19:49a gente vai seguir
19:50acompanhando isso.
19:51Deixa eu só me despedir
19:52de parte da rede
19:53que ficará agora
19:54com a sua
19:55programação local.
19:57Só para a gente
19:58fechar essa discussão,
19:58vou passar para o Diego
19:59Tavares também
20:00trazer sua impressão
20:02sobre o fim
20:03da escala 6x1,
20:04esse debate
20:05que deve acontecer
20:06na retomada
20:06dos trabalhos
20:07lá na Câmara,
20:08Diego.
20:10Caniato,
20:10o Brasil já assistiu
20:12essa novela.
20:13Quem aqui
20:13não se lembra
20:14da PEC 72
20:16de 2013,
20:17que ficou conhecida
20:18como a PEC
20:18das Domésticas,
20:20foi vendida
20:21às empregadas
20:22domésticas
20:22de todo o Brasil
20:23como a grande solução
20:24dos problemas.
20:25A partir de agora,
20:26vocês terão muito
20:27mais direitos,
20:28terão acesso
20:29a uma cartilha
20:30de vantagens
20:31frente ao empregador,
20:33esse malvadão
20:33que a despeito
20:34de pagar o seu salário
20:35é alguém que te oprime,
20:36que te achaca,
20:37que rouba a sua força
20:38de trabalho
20:39em benefício próprio.
20:40O resultado
20:41da PEC
20:42das Domésticas
20:4313 anos depois,
20:44olha,
20:44até um número
20:45muito curioso,
20:46é maior informalidade
20:47entre empregadas
20:48domésticas,
20:49mais empregadas
20:50domésticas
20:51com menos direitos
20:52no mercado.
20:53O fim da escala
20:546x1 é a mesma coisa.
20:55Vendem uma vantagem,
20:56vendem que o trabalhador
20:57terá mais tempo
20:59para o seu descanso.
21:00Eu me pergunto,
21:00num país pobre
21:01como o Brasil,
21:02um trabalhador
21:03que passe
21:03a ter dois dias
21:05de folga
21:05na sua semana,
21:06o que ele vai fazer?
21:07Vai arrumar um bico,
21:08vai arrumar um trabalho
21:08informal,
21:09vai complementar
21:10a sua renda.
21:11Então, na verdade,
21:12o fim da escala
21:136x1
21:14é o nascimento
21:15da escala 7x0,
21:17porque ninguém
21:17que está em situação
21:18de pobreza
21:19vai ficar em casa
21:20ou sequer
21:21tem a possibilidade
21:22de fazer outra coisa
21:23se não ficar em casa,
21:24porque com aquilo
21:25que ganha
21:26ou até mesmo
21:26que deixará de ganhar,
21:27porque não dificilmente
21:29nós teremos aumento
21:29do desemprego
21:30com a proibição
21:32da escala 6x1.
21:33Não vai ter como fazer nada,
21:35porque tem uma renda
21:36muito baixa.
21:37Então,
21:37é mais uma vez
21:38um tema muito importante,
21:39um tema que tem
21:40que ser discutido,
21:41porque a vida
21:41de quem trabalha
21:42na escala 6x1
21:43não é uma vida
21:44confortável,
21:45mas está sendo discutido
21:46no Brasil
21:46com muita hipocrisia,
21:48sem qualquer tipo
21:49de seriedade
21:52no debate.
21:54É muito fácil
21:55citar países
21:56onde a escala
21:566x1
21:57não existe mais
21:58sem analisar
21:59o que esses países
21:59fizeram,
22:00sem analisar
22:01como esses países
22:01qualificaram a sua força
22:03de trabalho para isso.
22:04Então,
22:04é um debate
22:05que ocorrerá,
22:06é uma pauta cara
22:07ao governo,
22:08tem fortes chances
22:09de ser aprovada,
22:11porque,
22:11novamente,
22:12diante da popularidade
22:13da pauta,
22:14nós já acompanhamos isso
22:15na isenção
22:16de imposto de renda
22:17até 5 mil reais,
22:18dificilmente,
22:19diante dessa popularidade,
22:20os parlamentares
22:20se coloquem contra,
22:22mas eu que não sou parlamentar
22:23e tenho liberdade
22:24aqui no Jovem Pô
22:25para falar o que eu acho,
22:26deixo aqui o aviso,
22:28essa PEC
22:28não é um bom caminho
22:29para o Brasil.
22:30Vai aumentar a informalidade,
22:31vai aumentar o desemprego.
22:32Pois é,
22:33antes de passar para o Dávila,
22:34só para a gente fechar
22:35essa discussão,
22:36eu quero convidar você
22:39que nos acompanha
22:40a participar da enquete do dia,
22:41a gente trata da questão
22:42que envolve o acidente
22:44sofrido por Jair Bolsonaro,
22:46ele caiu na cela
22:47na superintendência
22:48da Polícia Federal,
22:50teve um leve traumatismo
22:51crâniano
22:52e há uma discussão
22:53sobre a possibilidade
22:54de concessão ou não
22:55de prisão domiciliar.
22:57Mudança de regime
22:58de fechado
22:59para domiciliar.
23:00Vote em
23:01jovempan.com.br
23:02e também no YouTube
23:03de Os Pingos Nos Is.
23:05Eu conto com você
23:06com a sua participação.
23:07Deixa eu receber
23:08a rede Jovem Pan,
23:09todos conectados aqui
23:10em Os Pingos Nos Is.
23:12Dávila,
23:12só para a gente
23:12encerrar essa discussão,
23:15não parece um pouco,
23:17não beira a arrogância
23:18quando o Estado
23:19faz avaliação
23:21de que o trabalhador
23:22precisa de 48 horas
23:24para descansar?
23:26ele determinando
23:27o quanto você deveria
23:29descansar,
23:29sendo que cada um
23:30poderia administrar
23:31a sua maneira,
23:34a maneira como
23:34o esquema de trabalho
23:36que ele entende
23:37como sendo o melhor.
23:39Os uberistas,
23:40por vezes,
23:40trabalham
23:41sete de sete,
23:42trabalham direto,
23:43sem parar,
23:44porque eles querem,
23:44porque ele quer
23:45acumular um dinheiro,
23:46comprar um carro,
23:47ou sei lá,
23:48vai entrar um empreendimento.
23:50É o Estado
23:50que tem que determinar
23:51quanto você vai trabalhar?
23:52Lógico que não.
23:54Tanto que a reforma
23:55trabalhista,
23:56Caniato,
23:57permitiu justamente
23:58o acordado
24:00sobre o legislado,
24:01permitiu criar
24:01banco de horas,
24:03permitiu essa
24:03flexibilização
24:05para cada tipo
24:06de trabalho,
24:07você poder fazer
24:08um acordo diferente.
24:09Você imagina
24:10o sujeito na safra,
24:11tem que trabalhar
24:12dia e noite,
24:13aproveitar o tempo,
24:14agora não,
24:14não pode,
24:14olha,
24:15deu cinco horas,
24:16vamos parar,
24:16e aí você vai perder
24:17a colhenta,
24:18não existe,
24:18cada serviço,
24:20como você bem colocou,
24:21o uber,
24:21tem um sistema
24:22de trabalho
24:23diferente de alguém
24:24que trabalha
24:24numa fábrica.
24:25Então, assim,
24:26por isso que houve
24:27a flexibilização.
24:28O problema,
24:29Caniato,
24:30é que esta justiça
24:32do trabalho,
24:33não é a justiça
24:34do trabalhador,
24:35mas vários juízes
24:35do trabalho,
24:36estão canetando,
24:38dizendo assim,
24:39não,
24:39isto não é bom
24:39para você,
24:40trabalhador,
24:41então vamos voltar
24:41ao modelo antigo,
24:42mas isso é que
24:43é arrogância do Estado,
24:45o Estado está dizendo
24:45que não é bom,
24:46o trabalhador
24:47fechou um acordo,
24:48criou o banco de horas,
24:49criou o acordado
24:50sobre o legislado,
24:51e está lá o juiz
24:52dizendo que isso não,
24:53não vale,
24:53que ele não aceita.
24:55É um absurdo isso,
24:57é o Estado
24:57intrometendo
24:59numa relação
25:00particular
25:01entre trabalhador
25:02e empregador,
25:03tem que acabar com isso.
25:04E esse negócio
25:05do seis em um,
25:06Caniato,
25:07vai ser uma bomba relógio.
25:09O professor José Pastore,
25:10que é o maior
25:11conhecedor,
25:12estudioso
25:13da legislação
25:13trabalhista,
25:14diz que ela
25:15traz dois enormes
25:16problemas.
25:17Primeiro,
25:18o Brasil vai ser
25:19o primeiro país
25:19no mundo
25:20que vai remunerar
25:21mais o descanso
25:21do que o trabalho.
25:22É uma beleza isso,
25:23né?
25:24Segundo ponto,
25:25vai quebrar o setor
25:26público,
25:27porque vai exigir
25:28mais contratação,
25:29porque vai exigir
25:30mais gasto público
25:32para contratar
25:34mais pessoas
25:35para o funcionalismo
25:36público,
25:37que como bem disse,
25:37que lembrou o Diego,
25:38nós já estamos
25:39com uma conta
25:40que em 2027
25:41todo o imposto
25:42arrecadado,
25:43100% do imposto
25:44arrecadado,
25:45vai ser utilizado
25:46para pagar
25:47contas do governo
25:49com despesa
25:50com pessoal,
25:51máquina pública,
25:52benefícios
25:53e aposentadoria.
25:54Este é o projeto
25:56para jogar o Brasil
25:58de vez
25:59no precipício.
26:00Pois é,
26:00e há especialistas
26:01que analisam
26:02que os salários
26:03poderão cair.
26:04Como o empregador
26:05não pode diminuir
26:06o salário,
26:07teria que mandar
26:07embora o seu time
26:09e contratar
26:10um novo time
26:10com salário mais baixo.
26:12Olha só que loucura,
26:13porque imagina
26:13que ele tenha 10
26:14que ganham 1.000
26:15e todos trabalham
26:16seis vezes por semana.
26:18Aí ele vai precisar,
26:19em tese,
26:19é só um exemplo,
26:20mandar todos embora,
26:21contratar 12,
26:23ganhando 800.
26:25Então,
26:26há uma possibilidade
26:27de achatar
26:29os salários
26:29de muitas empresas
26:31que vão fazer as contas.
26:32O que é possível
26:33fazer a partir de agora
26:34para respeitar
26:34essa legislação?
26:36Mota,
26:37só para a gente encerrar,
26:38quando a gente fala
26:38muito de liberdade,
26:39que muitos entendem
26:40que é preciso
26:41lutar pela liberdade,
26:43a gente não está falando
26:44somente de liberdade
26:45em relação
26:46ao que você pode falar,
26:48se expressar,
26:49postar nas redes sociais.
26:51É a liberdade também
26:52de escolher,
26:53como eu vou organizar
26:54a minha vida,
26:55o horário de trabalho,
26:57quantos empregos
26:57eu vou ter.
26:58É disso que se trata
26:59também,
27:00não é, Mota?
27:01É,
27:02é disso que se trata,
27:03Caniato.
27:04E liberdade é uma coisa
27:05muito difícil
27:06de você explicar
27:06para quem nunca foi livre.
27:08para quem sempre
27:09viveu num país
27:11cheio de
27:12regras,
27:14cheio de leis,
27:15cheio de extração
27:16de riqueza,
27:17onde quase a metade
27:19do que você ganha
27:20vai para o Estado,
27:21é muito difícil
27:22você explicar.
27:23Mas existe
27:24uma forma
27:25do brasileiro
27:26entender isso.
27:27É quando
27:28ele vê alguém
27:29que foi embora
27:30do Brasil
27:31para os Estados Unidos,
27:33às vezes,
27:35numa situação
27:35ilegal,
27:37para entregar pizza,
27:39para fazer faxina,
27:41e poucos meses
27:42depois,
27:43essa pessoa
27:44está morando
27:44numa bela casa,
27:46tem um automóvel,
27:47está levando
27:48um padrão de vida
27:49de classe média,
27:51ou até classe média
27:52alta aqui no Brasil.
27:54Então,
27:54eu acho que essa
27:55é a explicação
27:56mais rápida
27:57que a gente pode dar.
27:58O Brasil é um país
28:00tão maravilhoso,
28:01cheio de décimo terceiro,
28:03férias,
28:03CLT,
28:04carteira assinada,
28:06agora escala
28:06seis por um,
28:08mas dá para o brasileiro
28:09uma chance
28:10dele ir embora
28:11para os Estados Unidos
28:12e 99%
28:14da população
28:15aceita.
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