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As cotações do petróleo oscilaram após a ação militar dos EUA na Venezuela, mas sem disparada. Em entrevista ao Real Time, Virgínia Parente, economista e professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP, explicou o paradoxo entre grandes reservas, baixa produção, riscos políticos e transição energética global.

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Transcrição
00:00As cotações do barril do petróleo no mercado internacional têm oscilado bastante desde a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela.
00:08Mas os preços não chegaram a disparar como se imaginava uma vez que os venezuelanos detêm a maior reserva do mundo, avaliada em 300 bilhões de barris.
00:19Sobre o mercado de petróleo, nós vamos conversar com Virgínia Parente, economista, professora do Instituto de Energia e Ambiente, o IEE da USP, especialista na área de energia, a quem eu desejo um ótimo bom dia.
00:34Agradeço a presença aqui.
00:37Professora, vamos lá. Parece que tem um paradoxo aí, né?
00:41A maior reserva de petróleo do mundo, na Venezuela, e pouca participação venezuelana no mercado internacional.
00:47A questão da Venezuela fazer parte da OPEP, ser um membro fundador, inclusive, isso também apetece essa vontade da atual administração americana, do Donald Trump, voltar a ter essa relação muito bem alinhada?
01:06Quer dizer, tem um panorama político, um capital político, além dos 300 bilhões de barris de petróleo que são da reserva?
01:17Bom dia. Muito obrigado por participar aqui do Real Time.
01:22Bom dia, Favali. Bom dia a todos que estão nos assistindo.
01:25De fato, a Venezuela é o detentor da principal reserva mundial, não é?
01:31O segundo colocado tem 15% a 20% a menos, estamos falando da Arábia Saudita, seguido depois pelo Canadá.
01:38E sim, petróleo ainda continua sendo a principal fonte de energia primária mundial, juntamente com outros dois combustíveis fósseis, como o gás natural e o carvão.
01:49E o gás também vem associado, na maioria das vezes, com o petróleo.
01:53Então, estamos falando não só de petróleo, estamos falando, no fundo, também de gás, porque a maior parte das jazidas petrolíferas são também jazidas gasíferas, fornecem gás.
02:05E, diferentemente do Brasil, o mundo, ele é muito, ele precisa desses combustíveis fósseis para funcionar.
02:14Cerca de 75% a 80%, 85% da energia do mundo vem justamente desses combustíveis.
02:21Então, nós estamos falando de fontes de energia primária, petróleo e gás, que muitas vezes é esquecido nesse contexto, não é?
02:28Que são fundamentais para controlar a inflação, porque esse combustível sobe, se a energia, geração de energia elétrica no mundo é também, na sua maior parte, feita com petróleo, com gás e com carvão.
02:42Então, assim, se nós estamos falando de petróleo e gás, nós estamos falando de mais da metade da energia que o mundo bebe, que o mundo precisa.
02:53E, sim, esse olhar para a Venezuela é um olhar de garantir um suprimento, mas também existem muitas questões de fundo, como você colocou.
03:03A questão política não é só a questão do apetite das empresas americanas terem uma garantia americana, é também uma garantia local, porque nós estamos falando de um outro país.
03:16É um outro país que, por exemplo, deve bilhões à China e que tem um compromisso financeiro de repagar essa dívida em petróleo.
03:25Então, uma briga com a Venezuela não é só uma briga com a Venezuela.
03:29E esse ambiente instável é muito prejudicial à atração de investimentos.
03:34Então, essa decisão vai ser cautelosa, vagarosa, embora haja uma empolgação do mercado, no sentido de que vamos ter um alto faturamento futuro para empresas petrolíferas americanas.
03:47Porém, existe aí um lapso de tempo, não só de deterioração da infraestrutura doméstica, por falta de investimento, por corrupção e por má gestão.
03:58Então, resgatar essa infraestrutura, voltar a produzir e voltar a fazer dinheiro com isso demanda tempo, demanda estabilidade e demanda um olhar para uma transição energética que está ocorrendo no mundo.
04:12Então, como vamos investir pesadamente em petróleo se uma parte do mundo, vários países estão aos poucos, reduzindo, uns em maior velocidade, outros em menos,
04:22a participação do petróleo no seu mix energético, na sua demanda, nas suas necessidades de energia.
04:29Professora Virgínia, será que a gente pode usar a palavra poupança?
04:33Eu vou explicar o que eu quero dizer, eu vou trocar para essa câmera aqui e pedir uma arte que nós preparamos para traduzir aqui em números o que a professora Virgínia estava falando,
04:41o tamanho das reservas de petróleo da Venezuela em comparação à sua capacidade de extração, produção.
04:48Embora a Venezuela tenha quase 20% das reservas totais planetárias de petróleo, hoje a produção está em 1,3%.
04:58Os Estados Unidos, que têm uma reserva muito menor, lideram a produção de petróleo.
05:04E o próximo gráfico, que eu vou pedir aqui na tela, mostra a queda na capacidade da produção dos Estados Unidos, que foi, é vertiginosa.
05:15Se a gente voltar aqui em 2013, quando Nicolás Maduro, agora ex-presidente, tomou o poder, a extração era de um, quase dois milhões de barris de petróleo.
05:28E agora, em 2024, até teve uma subidinha, mas está na casa dos 650 mil barris.
05:34Ou seja, é um terço da capacidade do que já foi.
05:37Então, voltando agora a falar com a professora Virgínia, aqui nessa outra câmera, pergunto, professora Virgínia, nós estamos falando de uma poupança, por quê?
05:48Porque será que os Estados Unidos, agora, quando o presidente Donald Trump fala claramente que a intenção é retomar esse antigo contato das empresas petrolíferas americanas na Venezuela,
06:01sabendo que hoje a capacidade de extração da Venezuela é um terço do que já foi um dia,
06:06será que ele já está olhando a médio e longo prazo?
06:09Ou seja, as grandes empresas petrolíferas podem aí gerar um enorme capital para o seu investidor a médio e longo prazo,
06:18com supostamente essa retomada da enorme capacidade de extração da Venezuela, que já foi em 2013, como era em 1998, 99, antes do chavismo?
06:31Sim, faz sentido o que você fala em termos de poupança.
06:35Reservas não deixam de ser poupanças, não é mesmo?
06:38E sim, a Venezuela detém cerca de 20%, 19%, como o seu gráfico mostrou, das reservas mundiais.
06:45É uma região muito rica, essa faixa do Orinoco, sudeste da Venezuela, é extremamente importante,
06:53mas vale a pena frisar que quem vai extrair não é o governo americano, são empresas.
06:59Empresas que demandam estabilidade política, não apenas nos Estados Unidos, ninguém sabe como é que vai ser a transição de governo,
07:09de presidência nos Estados Unidos, ninguém sabe como vai ficar o ambiente, sobretudo o ambiente institucional dentro da Venezuela.
07:16Nós já vimos situações de remoção de presidentes, de lideranças, que causaram um caos bastante significativo e uma estabilidade política muito grande.
07:29E investidores, empresas, quando tomam decisões de investimento, olham muito essa questão da segurança institucional,
07:36da alternância de poder com estabilidade, com manutenção de contratos.
07:42E isso, infelizmente, a Venezuela não tem como cacifar, nem os Estados Unidos tem como cacifar isso para a Venezuela,
07:49dando essa segurança para as empresas que serão realmente os grandes investidores alavancados por bancos,
07:57que também, ou fundos de pensão, que também ficarão muito receosos em colocar recursos, muitos bilhões,
08:04se fala de 60 a 100 bilhões para recuperar esse nível de produção importante,
08:12numa situação ainda muito instável.
08:14Então, nós temos aí também essa questão da necessidade de recuperação da infraestrutura,
08:21que leva anos para isso ser possível.
08:24A sua reportagem muito bem falou sobre a segurança de mão de obra americana lá,
08:31mas também a própria mão de obra local, a instituição local, o desenho dos contratos,
08:40a credibilidade da manutenção dos contratos.
08:42Muitas vezes, por isso, agências reguladoras são tão importantes nesse cenário de estabilidade econômica,
08:49não só para as empresas locais e também para as empresas estrangeiras.
08:53Nós tivemos uma questão de nacionalização.
08:56Os países têm direito a nacionalizar.
08:59O nacionalizar não significa expropriar,
09:02mas quando você nacionaliza e não paga, ou nacionaliza e paga na bacia das almas,
09:07significa, de fato, um furto de investimentos já feitos.
09:11Então, tudo isso precisa ser olhado com cuidado e a história do passado pode se repetir no futuro,
09:17o que assusta muito as empresas.
09:19Então, o que nós vemos é um país com reservas extremamente importantes,
09:24mas com um ambiente tumultuado e um mundo que está se despedindo do petróleo com transição energética.
09:30A Europa está se eletrificando.
09:33Então, a parte grande dos carros, da mobilidade, o petróleo é muito usado para isso,
09:39deixam de ser carros que usam petróleo para funcionar.
09:44Passamos a energia elétrica, não por termoelétricas a óleo, a petróleo, a derivados,
09:48a óleo combustível, mas termoelétricas a resíduos sólidos urbanos, a lixo.
09:55Então, nós temos uma eletricidade que vai vir de eólicas, de solar, de resíduos sólidos.
10:01E é esse o mundo que nós estamos vendo.
10:03E essa transição pode ocorrer mais ou menos rápido, valorizando ou desvalorizando o petróleo.
10:09Queria agradecer a conversa que eu tive com a professora Virgínia Parente,
10:15economista, professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP
10:19e uma especialista na área de energia que gentilmente aqui atendeu a nossa reportagem com esclarecimentos.
10:25Professora Virgínia, ótimo restinho de semana. Até uma próxima oportunidade.
10:30Obrigada, Favali. Um grande abraço para todos vocês.
10:32Obrigado.
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