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  • há 2 dias
No Visão Crítica, o cientista político Rodrigo Prando analisa o cenário eleitoral de 2026 a partir da experiência de 2022.
Ele avalia que a ausência de Jair Bolsonaro na disputa pode reduzir a polarização e abrir espaço para uma candidatura mais moderada. Prando destaca o peso do personalismo na política brasileira, o papel das redes sociais na radicalização do debate e os desafios para o surgimento de novas lideranças comprometidas com a democracia.

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Transcrição
00:00Eu passo para o professor Prando, como o senhor vê então as perspectivas político-eleitorais agora de 2026?
00:08Bom, eu quero retomar 2022, antes de chegar em 2026.
00:14Em 2022, nós tivemos de um lado o Bolsonaro, do outro lado o Lula.
00:20Duas figuras que têm carisma, e aí eu estava já pensando no que eu ia falar
00:26e acabo que Luana acabou entrando de maneira muito precisa na questão das redes sociais.
00:32Então assim, você teve em 2022 um clamor por uma candidatura de centro.
00:40Teve.
00:41Todo mundo pensou que Tebbit pudesse uma terceira via.
00:44A grande questão é que quando você pega figuras de musculatura política eleitoral como Lula e Bolsonaro,
00:50essa musculatura espremeu tanto centro que o centro não tinha como se viabilizar.
00:56Em 2026, a pergunta é, tem condições de uma candidatura ao centro se colocar?
01:05Tem.
01:06Existe.
01:08Porque uma das figuras que tem força e carisma não estará disputando, que é o Bolsonaro.
01:14É muito pouco provável que alguém no campo do bolsonarismo consiga eletrizar a sua base como o Bolsonaro conseguia.
01:24Ainda que herde, porque eu me lembro muito, Sr. Zé Alvaro, quando o Lula terminou o segundo mandato,
01:30as pessoas perguntavam assim, mas professor, a Dilma, como é que ela vai ter carisma?
01:35Não, Dilma não terá carisma.
01:37Carisma, sociologicamente, não é transferível.
01:40Ela vai herdar votos.
01:41Ela vai herdar o apoio do Lula, mas carisma não.
01:45Então, como eu disse, inclusive, algumas vezes, já a sociedade brasileira, ela é muito personalista.
01:51Ela se liga muito na questão política à figura do líder, do político.
01:57E por isso que a grande maioria lembra do prefeito, lembra do governador, lembra do presidente,
02:02mas não lembra do vereador, do deputado estadual, do deputado federal.
02:06Pois bem, as redes sociais, elas têm uma arquitetura que valoriza não a ponderação do centro,
02:16não a discussão de um projeto de país, não a tranquilidade como nós estamos aqui discutindo.
02:23As redes sociais são arquitetadas para valorizar posições extremistas,
02:29porque geram curtidas, likes e compartilhamento.
02:32Não à toa, o dicionário de Oxford, né, elege palavras.
02:37Já teve pós-verdade, brain hot, e a do ano de 2025, rage bait.
02:43Quer dizer, isca de ódio.
02:46Por quê?
02:46Porque quando você pega alguma coisa que lida essencialmente com sentimentos,
02:52raiva, angústia, frustração, medo,
02:56e aí eu quero capturar também a fala do senhor Zé Álvaro.
02:59Quando a questão da representação, portanto, que o eleitor não se sente representado,
03:07ele se coloca numa posição defensiva e de ataque às instituições, à política e aos políticos.
03:15Então a gente tem que pensar num cenário de 2026 que nós temos, até este momento,
03:21uma candidatura colocada, clara, evidente, que é de quem vai buscar a reeleição.
03:27E de fato, professor Vila, eu não consigo encontrar paralelo na história política mundial
03:31de uma figura como Lula, que tem esta presença tão forte como teve Lula de 1989 a 2026,
03:41se considerando o ano eleitoral.
03:43Agora, a ausência de Bolsonaro e de alguém que neste campo político não tem a mesma força
03:51pode significar um arrefecimento da polarização
03:55e a possibilidade de, nas fímbrias da política, surgir uma liderança mais moderada
04:03e que consiga capturar este cansaço que uma parcela do eleitorado sente do lulopetismo e do bolsonarismo.
04:12Eu estou dizendo que isso vai acontecer?
04:14Não.
04:14Eu gosto muito do Malan, que eu acho que ele foi muito lapidar numa frase dele,
04:18que no Brasil até o passado é incerto.
04:21Se o passado é incerto, eu quero pensar o futuro.
04:24É difícil, mas existe a possibilidade.
04:26Mas para isso, esta liderança tem que verbalizar.
04:30E líder, líder tem qualidades técnicas, intelectuais, políticas e morais.
04:38Liderar é muito mais difícil do que chefiar.
04:41E eu estou aqui falando de um livro do meu querido professor e amigo Marco Aurélio Nogueira,
04:46que escreveu livros em defesa da política.
04:49E ele vai...
04:50Liderar é apontar e seguir junto.
04:53A gente tem pouco isso.
04:54A gente tem quem mande.
04:56O político brasileiro gosta do poder, mas muitas vezes do poder com a finalidade em si mesmo.
05:03Teve um ex-prefeito de São Paulo, ex-governador, que chegou a dizer que o poder lhe dava orgasmos.
05:09Paulo Maluf fez uma afirmação com o...
05:11O poder é meio.
05:13Meio para um projeto de sociedade, porque a política é uma aposta
05:18nas possibilidades concretas de uma vida coletiva melhor.
05:22Com mais liberdade, com mais segurança.
05:25Então, professor Vila, 2026 eu acho que é um ano, de fato, complicado.
05:32E eu não sei se nós vamos superar ainda pela presença do Lula.
05:36E talvez, sim, a paciência histórica nos indique que só em 2030,
05:41não por conta da conjuntura, mas os personagens terão sido superados
05:46por conta da idade e a renovação será necessária.
05:51Mas, para isso, precisam lideranças que se comprometam com a democracia,
05:56com as leis, com a ética.
05:59E aí a gente tem que mexer com tudo.
06:01A gente tem que mexer com o executivo, com o legislativo e com o judiciário.
06:06E aí a coisa complica.
06:07E aí a gente tem que mexer com o legislativo e com o legislativo e com o legislativo e com o legislativo e com o legislativo.
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