00:00falar da economia, as projeções
00:02pro Brasil, pro mundo, vamos
00:04receber agora o economista Igor
00:06Lucena. Igor, mais muito obrigado
00:08pela sua participação mais uma
00:10vez aqui conosco e um personagem
00:12central nessa história da
00:14economia mundial hoje é Donald
00:16Trump. Como é que você avalia,
00:18né? Desde o início da sua posse
00:20até agora e as repercussões
00:22justamente aí eh mundiais em
00:25relação à economia. Seja bem
00:26vindo, muito bom dia. Bom dia,
00:29Marcelo, Patrícia, é um prazer
00:31estar aqui com vocês e de fato o
00:33presidente Donald Trump trouxe
00:35uma inflexão muito grande quando
00:37a gente fala sobre economia e
00:39relações internacionais. Bom, no
00:41primeiro ponto e eu acho que eu
00:43posso falar um pouco sobre a
00:44economia americana e uma economia
00:45geral, o presidente Donald Trump
00:48trouxe as tarifas que de fato
00:50aumentaram o custo de vida do
00:53cidadão americano e terminaram
00:55criando complicações para as
00:57empresas no mundo inteiro. O
00:59Brasil sentiu isso nas suas
01:00exportações de estados como por
01:02exemplo o Ceará, a Paraíba e
01:05Minas Gerais foram os estados
01:07mais afetados proporcionalmente
01:08por essa questão das tarifas. E a
01:11gente viu que mesmo elas
01:12retrocedendo, elas mudaram a
01:15situação econômica mundial, né?
01:17Hoje mesmo a China já anunciou que
01:19vai colocar tarifas com a carne
01:21americana seguindo esse modelo
01:25novo que o presidente Trump
01:26traz. O México colocou tarifas
01:29também significando que as nações
01:33agora adotam uma espécie de quebra,
01:35eu não diria uma quebra, mas muito
01:37mais um instrumento comercial que
01:39não era tão utilizado. O presidente
01:42Trump, ele quebra a ideia do
01:44multilateralismo e coloca que acordos
01:47comerciais bilaterais se tornam os
01:49pontos principais nas negociações
01:52entre os países. Aqui nos Estados
01:54Unidos, onde eu estou agora, o Trump
01:56está com uma popularidade muito
01:58baixa por uma situação que está se
02:00repetindo no mundo inteiro, inclusive
02:02no Brasil. Ou seja, a economia
02:04cresce, a economia americana está
02:05crescendo, como a economia brasileira
02:07também, mas esse modelo de
02:10crescimento está vindo acompanhado
02:12com o custo de vida mais alto, a
02:15inflação de alimentos que derruba a
02:16popularidade do presidente Donald Trump,
02:19ele tenta resolver a situação, mas
02:22não é uma situação fácil. A gente
02:24vive uma situação relativamente
02:26similar no Brasil, né? O Brasil tem
02:28crescimento econômico, que não é
02:30desprezível, baseado no histórico dos
02:33últimos 20 anos, mas a população
02:35brasileira também sente que o seu
02:37poder de compra não está aumentando.
02:40Apesar disso, tem também um ponto que
02:44é interessante, que nunca antes o gap
02:47entre a economia americana e, por
02:48exemplo, a economia chinesa esteve
02:50tão grande. Ou seja, a previsão de
02:532026, a economia americana com
02:55PIB de 31 trilhões de dólares,
02:58enquanto a economia chinesa de 20,
03:00mostrando que dificilmente haverá
03:03um elemento nesse século onde a
03:06China superará os Estados Unidos
03:08como a principal potência do mundo.
03:10Pode existir um setor ou outro, mas
03:12ainda veremos um mundo voltado para o
03:16dólar e voltado para os Estados
03:18Unidos. Isso não significa que a
03:20economia americana e a economia
03:21mundial vão ter desafios. Eu acho que
03:232026 a gente não só vai conviver
03:26ainda com os fantasmas de problemas
03:28como a guerra da Ucrânia, a guerra em
03:31Israel, que continuou, mas traz uma
03:33dificuldade que seria a possibilidade
03:36real de problemas com Taiwan. Ontem
03:38mesmo começaram os chamados
03:41exercícios militares que são um
03:45indicativo de como a China tomaria
03:49Taiwan e tudo isso ocorreu porque os
03:51americanos venderam 20 bilhões de
03:53dólares em jatos de defesa para a ilha
03:57de Taiwan. Então o que a gente pode
03:59entender para o ano de 2026 de uma
04:01maneira muito pragmática é um ano que vai
04:06continuar tendo tensões geopolíticas. A
04:10gente vai ver eleições de meio de
04:11termo nos Estados Unidos, ou seja, o
04:13presidente Trump pode ou não manter o
04:16controle das casas e no Brasil a nossa
04:18eleição presidencial.
04:22O ponto forte é a questão fiscal
04:25brasileira que ainda continua difícil,
04:28né? Independente de quem ganha as
04:30eleições no ano de 2026, que vai ser um
04:34ano que continuará a economia
04:35brasileira, ao meu ver, anabolizada por
04:38gastos públicos, infelizmente por
04:41gastos fora do orçamento, mas isso vai
04:43ainda puxar o crescimento da economia
04:46brasileira em 2026, mas isso não deve
04:49acontecer em 2027. Em 2027 a gente vai
04:51ver um recuo muito grande, uma
04:53necessidade de ajuste de gastos, porque
04:55a nossa razão de vida PIB vai ficar
04:57muito próxima dos 100%.
04:59E isso, de fato, é um limite muito
05:02grande. Então, a economia brasileira tem
05:04um encontro quase que inadiável com o
05:08freio, não em 2026, mas em 2027, né? E eu
05:12venho dizendo que nos últimos três anos
05:14o Brasil vem sendo anabolizado por
05:16gastos públicos. O nosso crescimento não
05:18vem de investimentos, não vem de uma
05:20visão estratégica, mas sim de gastos,
05:23tanto das famílias quanto do governo.
05:25E um dos modelos claros disso é o
05:27endividamento. O endividamento das
05:29famílias brasileiras e do governo nunca
05:31teve tão alto. Isso, obviamente, coloca em
05:35risco o crescimento de longo prazo do
05:37Brasil e eu acho que, como nunca antes, a
05:39gente viu nesse país. Então, independente
05:42do que acontece na economia americana ou
05:45internacional, que eu acho que ainda vai
05:48ter um crescimento muito mais sustentável
05:50pelos investimentos em IA e o que
05:52apresentam essas bolsas internacionais,
05:55principalmente com a possibilidade de
05:57reconstrução da Ucrânia, alargamento da
05:59União Europeia, ou seja, um cenário
06:02internacional que se mostra muito mais
06:03favorável do que se imagina. Mesmo com os
06:07conflitos internacionais, há uma previsão
06:09de crescimento desses países, inclusive de
06:11nações como Coreia do Sul e Japão. O Brasil
06:14não está numa situação muito boa. A gente está
06:18no crescimento, que eu gosto de dizer, mais
06:20uma vez, é anabolizado, não é real, mas o
06:24limite para gastos públicos vai
06:26acontecer. Então, quando isso acontecer, a
06:29gente tem um risco, infelizmente, de
06:31perder novamente um trem de crescimento
06:33da economia mundial e ficarmos tendo que
06:36resolver os nossos problemas internos.
06:38Professor, bom dia. Diante de toda essa
06:41instabilidade na geopolítica mundial, quais
06:44seriam os setores que o Brasil pode ter
06:47mais oportunidades e onde ele tem, vai
06:50ter, pode ter mais dificuldades diante de
06:52tudo isso que o senhor avaliou?
06:55Olha, eu acho que uma oportunidade
06:58gigantesca e que eu espero que seja
07:00resolvida principalmente por causa da
07:02França e Alemanha é o acordo
07:04Mercosul União Europeia. A gente pode
07:06ter uma explosão de exportações na área
07:10do agro brasileiro para autar os
07:12europeus, né? Eu acho que o acordo ainda
07:15tem possibilidade de ser logrado sucesso
07:17em janeiro e se isso ocorrer nos próximos
07:21dez anos, há uma possibilidade de
07:23crescimento do PIB brasileiro potencial em
07:25meio por cento ao ano, o que seria muito
07:28bom. Então, todo o setor de queijos,
07:30carnes, minério, isso teria um crescimento
07:34muito forte para a União Europeia e ao
07:36mesmo tempo a importação de maquinários,
07:39carros, veículos com a eliminação de
07:42impostos para o Brasil, faria com que nós
07:45tenhamos a capacidade de renovar o
07:47parque industrial brasileiro, tornando a
07:50economia brasileira mais dinâmica, mais
07:53evoluída. Então, eu acho que esse talvez
07:56seja o grande ponto de dois mil e vinte e seis
07:58que todos nós temos que torcer, seria o
08:01acordo Mercosul União Europeia,
08:03principalmente por um motivo de
08:05expansão. Os europeus têm uma expansão de
08:08mais de dez países nos próximos anos com a
08:10Europa. O Brasil, o Mercosul, está
08:13adentrando agora com a Bolívia, que pode
08:15vender gás por meio de portos brasileiros
08:18para os europeus. Se tivermos uma mudança
08:20de regime venezuelano, a volta da
08:22Venezuela para dentro do bloco. Então,
08:24acho que essa é uma excelente oportunidade
08:26de dois mil e vinte e seis e que eu acho
08:30que é muito positiva. Agora, acho que
08:33fica muito arriscado a gente ver no Brasil
08:36a questão do setor automobilístico. Acho
08:39que a gente está sofrendo um dano
08:40internacional. O mundo inteiro está
08:43vendo as suas indústrias diminuírem,
08:47importando radicalmente sobras de
08:49veículos da China. Eu acho que isso tem
08:51que ser visto com bastante
08:53parcimônia do governo, senão a gente
08:55vai basicamente receber carros
08:57importados de uma maneira geral. Então,
08:59é um risco importante que tem que ser
09:01analisado dentro do setor.
09:02Igor Damasceno, professor, economista.
09:06Professor, muito obrigado. Nós recebemos
09:09várias... Igor Lucena, desculpa. A gente
09:12estava chamando o nosso repórter. Desculpa,
09:14professor. Ao longo desse ano, a gente
09:15conversou várias vezes. Eu desejo para o senhor
09:18um excelente dois mil e vinte e seis, com
09:20muita saúde, sucesso e fique sempre
09:22conosco aqui também. Muito obrigado,
09:24professor.
09:24professor.
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