00:00Os preços dos alimentos foi um dos motivos da redução da inflação.
00:03O governo vê o movimento com otimismo.
00:06A reportagem é do Matheus Dias.
00:08O IBGE divulgou hoje o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA,
00:13que reúne os dados da inflação acumulada em 12 meses.
00:17O resultado virou motivo de comemoração para a base eleitoral do presidente Lula.
00:22A inflação ficou em 4,26%, o menor patamar anual desde 2018,
00:28quando o índice marcou 3,75%.
00:32O cenário reforça o otimismo para 2026, o último ano do atual mandato.
00:38As projeções indicam que a inflação pode alcançar o nível mais baixo de um governo
00:42desde a criação do Plano Real em 1994.
00:47Segundo especialistas, a alimentação teve papel decisivo para conter a alta dos preços.
00:51Nos últimos 12 meses, a alimentação no domicílio registrou aumento de apenas 1,43%.
00:58Enquanto a alimentação fora do domicílio ficou em 6,79%.
01:03O período também foi favorecido por uma safra recorde e por um dólar mais baixo.
01:09Parte desse resultado positivo também está ligada às ações do Banco Central,
01:13que em 2025 esteve no centro dos debates por causa da política de juros.
01:17Nos primeiros seis meses do ano, a inflação permaneceu acima do teto da meta,
01:22exigindo uma resposta mais firme da autoridade monetária.
01:26Diante desse cenário, o Banco Central adotou uma postura mais agressiva para conter a inflação.
01:31Em julho, anunciou o início de um ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic,
01:36que passou por sete elevações consecutivas.
01:39A taxa saiu de 10,5% e chegou a 15%, patamar mantido até hoje pelos dirigentes da instituição.
01:48O Banco Central divulgou, junto ao IBGE, o resultado final do IPCA de 2025.
01:54Mesmo com o recuo da inflação, os juros seguem elevados.
01:58Após um ano marcado por duras críticas, inclusive da base governista,
02:02a taxa Selic atual representa a segunda maior taxa de juros do mundo
02:06e o maior nível registrado no Brasil nos últimos 20 anos.
02:10Mesmo sobre olhares divergentes, a decisão do BC fez com que a inflação fosse diminuindo mês a mês.
02:16Especialistas e economistas projetavam desde o início do ano
02:19que achavam que ao fim de 2025 a inflação estaria em 4,9%.
02:25O Banco Central estimava que estaria a 4,5%, atingindo o teto da meta.
02:31Mas o resultado foi maior do que as expectativas mais otimistas.
02:35Em novembro, a inflação era de 4,46% e, no resumo do ano, atingindo os 4,26%.
02:44Como recado, Lula aproveitou os dados para Palanque e disse a quem considera os pessimistas da economia.
02:52Há um ano, o mercado dizia que íamos fechar 2025 com inflação de 5%, fora da meta.
02:59Hoje, o IBGE confirma que os pessimistas estavam errados.
03:02Encerramos o ano com o IPCA de 4,26%, o menor índice desde 2018 e dentro da meta estabelecida para a nossa economia.
03:13O presidente afirma que o movimento da inflação confirma que o país terá, em quatro anos, a menor inflação acumulada da história,
03:20resultado de uma política econômica séria que faz o Brasil crescer, distribuir renda e considera, em primeiro lugar, o bem-estar do povo brasileiro.
03:30E para falar sobre esse assunto, a gente recebe aqui no Jornal da Manhã, André Galhardo, economista.
03:36André, bom dia, bem-vindo, obrigado por nos atenderem.
03:40Bom dia, Nonato, bom dia a todos que nos assistem, é um prazer estar aqui com vocês.
03:44Devemos compartilhar esse otimismo do governo em relação à inflação, André?
03:48Eu acho que sim, Nonato. Em primeiro lugar, é melhor menos inflação do que mais.
03:54Mas é importante ressaltar, e a matéria está corretíssima, embora a política monetária tenha papel preponderante nesse movimento dos preços,
04:03ou seja, os juros altos contribuíram para o controle dos preços no Brasil, nós contamos com a sorte em alguma medida.
04:12Primeiro, já foi citado na matéria, mas é importante, por exemplo, citar o clima favorável.
04:18Nós tivemos uma nova safra recorde.
04:22É importante mencionar a valorização cambial, que já foi dito na matéria também.
04:26Isso também contribuiu para um nível de preço um pouco mais baixo nesse momento.
04:32Nós temos sobre-oferta de produtos chineses, já que a Europa, a economia europeia está praticamente estagnada,
04:40e há toda uma mudança na dinâmica comercial entre China e Estados Unidos, por exemplo.
04:46Então, existe uma sobre-oferta de produtos manufaturados.
04:50De modo geral, o Brasil e o mundo, em alguma medida, contam com a sorte.
04:54Parte importante dessa redução dos preços aqui no Brasil, uma desaceleração dos preços,
05:01a inflação continua aumentando, mas em ritmo mais vagaroso.
05:05E esse ritmo mais vagaroso pode ser explicado por questões conjunturais importantes, como essa que eu mencionei.
05:12Claro que devemos comemorar uma inflação baixa para padrões brasileiros.
05:16Se tudo der certo, se nada sair do caminho ao longo de 2026,
05:21nós teremos a menor inflação, não desde o plano real, a menor inflação para um governo da história do Brasil.
05:28Então, isso é importante, dar mais poder de compra para os consumidores, para as famílias brasileiras,
05:34dar maior previsibilidade para as empresas que não precisam lidar com preços muito voláteis.
05:40No entanto, é importante reconhecer também o papel da política monetária,
05:44mas é importante também estar atento ao fato de que o Brasil e o mundo contou, em parte, com a sorte,
05:53no ano de 2025, com safras recordes e sobre oferta de produtos manufaturados.
05:58Agora, André, quando a gente olha para 2026, um ano de eleições,
06:03tivemos recentemente, quando foi o anúncio do candidato Flávio Bolsonaro,
06:08Bolsonaro, realmente a concorrer ao pleito esse ano,
06:12houve uma instabilidade do mercado, todo mundo ali contra essa candidatura,
06:18porque se via o nome de Tarcísio de Freitas como algo melhor para o mercado,
06:23por ser uma figura mais do centro, que tem mais abertura ali para esse lado.
06:29Como é que um economista como você analisa essa questão eleitoral
06:33e como que isso pode mexer com o mercado também e com a nossa vida?
06:38Excelente pergunta, porque se a valorização cambial foi um dos elementos que ajudou
06:44a inflação brasileira a ficar em um nível relativamente baixo em 2025,
06:48e se o câmbio está respondendo de forma bastante volátil aos desdobramentos políticos,
06:55nós temos um ano, pelo menos, desafiador.
06:57Em 2026, por ser um ano eleitoral, pode encontrar maior volatilidade cambial
07:04e, consequentemente, mais impacto nos preços aos consumidores.
07:07Esse é o primeiro elemento.
07:09Nós não temos no radar, por enquanto, grandes mudanças climáticas,
07:13um almeio poderoso como nós tivemos em 2024, por exemplo.
07:17Então, embora a parte política pese contra o câmbio
07:24e, consequentemente, pode acabar influenciando positivamente,
07:28eu digo, aumento de inflação nos preços aqui no Brasil,
07:31por outro lado, a gente tem o mesmo cenário do ponto de vista climático,
07:35do ponto de vista comercial.
07:37Então, aparentemente, é difícil dizer em ano eleitoral,
07:40porque as coisas podem mudar rapidamente, como mudaram em dezembro,
07:44mas, aparentemente, nós teremos um ano de relativa cautela.
07:48Difícil dizer isso.
07:49Dia 11 de janeiro, né?
07:51De repente, chega em outubro e a gente tem um cenário totalmente distinto,
07:55justamente porque, talvez, pesará mais sobre os preços
07:59e sobre a economia brasileira os desdobramentos políticos.
08:02Mas, nesse momento, é cedo para dizer,
08:04mas eu tomo uma liberdade aqui para dizer que, por enquanto,
08:08até aqui, no dia 11 de janeiro,
08:11os números apontam para um cenário de relativa estabilidade
08:15quando a gente olha para preço.
08:17É importante ficar atento só a essa questão política.
08:20E aí, toda essa incerteza em relação à política
08:24vem do seguinte fato.
08:26Em 2002, quando o Lula concorreu e venceu as eleições pela primeira vez,
08:32nós tivemos uma mega desvalorização cambial.
08:35Muitos dos indicadores macroeconômicos acabaram sendo influenciados
08:40e a gente viu um desequilíbrio poderoso,
08:42que foi rapidamente corrigido, é verdade,
08:44mas 2002 foi um ano particularmente turbulento.
08:472022, que foi um ano marcado por uma disputa política muito intensa,
08:53muito significativa, também poderia ter trazido os mesmos impactos.
08:59No entanto, o que se viu foi indicadores macroeconômicos
09:02muito mais controlados.
09:04Então, a eleição, por si só, não é garantia de um descontrole,
09:09de que a economia brasileira sairá dos trilhos.
09:11No entanto, é um ano de atenção.
09:13Aparentemente, de forma bem objetiva, até aqui,
09:16os principais indicadores sugerem um novo ano
09:19com preços relativamente sob controle.
09:22Uma variação perto entre 4% e 4,5%,
09:25que é uma inflação baixa para padrões brasileiros,
09:28cuja média de variação da inflação dos últimos 15 anos, por exemplo,
09:33está bem mais perto de 6% do que de 4%,
09:36como os modelos nos dizem nesse momento.
09:40Fora que a gente vai ter que acompanhar também
09:42a questão dos juros aqui no Brasil, né, André?
09:45Que já estão numa casa de 15%.
09:48Então, é importante a gente ver quando é que o Banco Central
09:50vai começar a trazer algum tipo de redução aí para a gente.
09:53Você quer falar rapidamente sobre isso?
09:55Claro.
09:56Vamos lá.
09:56Tem uma oportunidade de ouro aqui, né, de falar dos juros.
10:00Na reportagem foi citado que o Brasil tem a segunda taxa real
10:03de juros mais alta do mundo.
10:05A taxa de juros no Brasil hoje é uma taxa de país em guerra.
10:09É uma taxa de juros de país que não tem reservas internacionais.
10:12É uma taxa de juros que não representa
10:15o cenário macroeconômico brasileiro.
10:17Eu disse no começo da minha entrevista
10:19da importância da política monetária.
10:21Eu não estou dizendo que a taxa de juros não é importante
10:24ou qualquer coisa do gênero.
10:25Seria um grande problema, um grave problema
10:27para a minha imagem, inclusive, aqui.
10:29No entanto, há um exagero do Banco Central brasileiro
10:32em manter a taxa de juros no maior nível nominal
10:35em cerca de duas décadas.
10:37Uma das taxas reais de juros mais altas do mundo.
10:40E digo mais, eu falei disso também no começo da entrevista.
10:43Embora seja necessário reconhecer a importância
10:45da política monetária, a safra, o controle,
10:50os preços do petróleo em relativa estabilidade
10:53ao longo de 2025 foram muito mais importantes
10:56do que o próprio controle da política monetária.
10:58O Banco Central está caminhando por uma região
11:02que é péssima para a economia brasileira.
11:05Se a economia brasileira desacelerar demais no ano que vem,
11:07ou em 2026, ou em 2027, as receitas vão cair
11:11e os juros vão impactar não apenas nos negócios,
11:14nos negócios brasileiros, mas também nas contas públicas.
11:18É importante a política monetária, o uso da política monetária
11:21para controlar os preços, trazer segurança
11:23para o consumidor brasileiro.
11:25No entanto, é importante também ter bom senso.
11:28Uma taxa de juros menor agora estaria condizente
11:31com o nosso nível de atividade econômica
11:33e com o nível de preços praticado aqui no Brasil.
11:36Economista André Galhardo falando aqui à Jovem Pan.
11:39André, muito obrigado pela entrevista.
11:41Um bom início de semana para você.
11:43Igualmente, Norá. Um abraço.
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