00:00O presidente Lula confirmou Dário Durigan como ministro da Fazenda para ocupar o lugar de Fernando Haddad.
00:06Para entendermos aí os detalhes e também impactos dessa nomeação,
00:11convidamos agora para participar do Jornal da Manhã o economista Jason Vieira.
00:15Jason, seja bem-vindo, muito bom dia.
00:18Bom dia.
00:19Jason, imagino que é uma continuidade, evidentemente, da política fiscal de Fernando Haddad.
00:24Nós tivemos aí, nessa semana, a redução de 0,25 ponto percentual ali na taxa Selic.
00:32Como é que você avalia também o impacto externo agora, nesse momento difícil,
00:36não apenas para o Brasil, mas uma questão mundial?
00:40Nós estamos com um problema, obviamente, interno no Brasil,
00:44mas a adição da questão externa foi bem significativa.
00:48A perspectiva global agora, nós tivemos na semana passada diversas decisões de juros,
00:53se tivesse Reino Unido, Japão, Zona do Euro, Brasil e Estados Unidos,
01:00somente o Brasil cortou os juros, porque em tese tinha prometido cortar os juros.
01:04Mas aí a gente trazendo para a realidade local, que exatamente o grande problema é a inflação,
01:09o impacto inflacionário das possíveis elevações do preço do petróleo,
01:15trazemos a questão fiscal, porque o Brasil, ele já não tinha conforto antes,
01:21ele não tem conforto agora para continuar cortando os juros,
01:24exatamente porque a questão fiscal continua sendo problemática
01:27e não se vê muita diferença entre o que o Dário vai fazer e o que o próprio Haddad fazia,
01:35até por uma questão de tempo.
01:37Nós temos um período muito, muito, muito curto daqui até a eleição.
01:41Se nós formos pensar, nós temos praticamente sete meses daqui até a eleição
01:46e qualquer ação efetiva que pudesse ter um impacto fiscal,
01:49dificilmente vai acontecer agora.
01:52Muito bom dia para você, para a gente acrescentar também outros pontos de desafios
01:57que podem cair no colo de Dário Durga.
01:59Apesar de não ter ali uma mudança substancial no formato de gestão do Ministério da Fazenda,
02:05a gente está falando de temas e discussões que estão em curso
02:09e que são bastante barulhentos para o governo federal,
02:12como a situação fiscal do país, a dívida pública, a escala 6x1,
02:17temas que vão parar no Congresso e que também dizem respeito à saúde dos cofres públicos.
02:23Qual que é a sua avaliação sobre esse momento em que alguém que era secretário
02:28assume o Ministério de forma abrangente, mas que encontra esse trem andando não muito bem?
02:36Como você tem, ele tem muito pouco tempo.
02:39Ele pode ter até boa vontade, mas ele tem muito pouco tempo.
02:42E as mudanças que são necessárias no Brasil nesse momento, na verdade,
02:46são mudanças muito mais voltadas a questões estruturais do que conjunturais.
02:51Ou seja, não são os eventos do momento que fazem a diferença,
02:56e sim eventos de longo prazo, de longa duração que fazem a diferença nesse momento.
03:02E aí o espaço de manobra dele é muito reduzido.
03:06Então, ou ele faz uma guinada de 180 graus
03:10e vira completamente a questão fiscal,
03:15ou ele dá continuidade e aí vamos ver como é que chega até o final.
03:21A questão da escala 6x1, efetivamente, ela não tem impacto no governo.
03:24Ela é muito mais uma questão voltada à percepção eleitoral.
03:29Mas a discussão da escala 6x1, ela está um pouco imatura no Brasil,
03:34porque ela está mais voltada à política do que efetivamente à realidade.
03:38Porque se formos imaginar que a enorme maioria, por exemplo, das empresas no Brasil
03:43são pequenas, micro, pequenas e médias empresas.
03:46E que se for proibida a escala 6x1, parte dessas empresas ou vai ter que demitir,
03:53ou vai ter que transferir o custo para a população,
03:57já sabemos que isso é um problema que não tem nenhum poder,
03:59não tem absolutamente nenhum poder no Ministério da Fazenda nesse momento.
04:03Jason, nessa semana nós tivemos aqui a participação do ministro Fernando Haddad
04:07numa pauta, numa agenda com o presidente Lula.
04:09E é claro que ele de saída faz um balanço,
04:12o presidente também elogia a sua condução,
04:15ele apresentando que é menor a inflação desde o plano real,
04:19o desemprego também em baixo,
04:20o dólar estava sob controle até essa questão externa.
04:23Ou seja, apresentando dados positivos
04:26e a própria condução de Haddad como candidato aqui ao governo da cidade de São Paulo
04:31também vai fazer essa defesa nacional da gestão Lula,
04:35que a gente sabe que o fiscal vai ser muito cobrado pelos opositores, evidentemente.
04:40Como é que você avalia a própria gestão dele
04:42e esses dados que são conflitantes com o cidadão que vai todo dia no supermercado
04:46e percebe que a situação é muito mais delicada,
04:49o dinheiro não chega, não aguenta 30 dias no salário?
04:53Exato, nós temos um ponto muito importante.
04:55Primeiro a questão fiscal.
04:57O governo pautou o fiscal 100% em cima da receita e nunca da despesa.
05:01Por isso que nós tivemos um aumento de 34 impostos,
05:04foi uma coisa absurda e o brasileiro está cansado de ter que pagar mais impostos.
05:08Ah, não é quem vai pagar a empresa,
05:11aquela piada toda que nós já ouvimos durante todo o ano
05:14e que não é realidade.
05:16Quem está pagando os impostos são os brasileiros,
05:18quem está pagando os custos são os brasileiros,
05:21os custos são elevados.
05:23Tudo isso nós sabemos que continua acontecendo.
05:26Haddad diz também sobre o dólar.
05:28O dólar não foi nenhum movimento que tenha sido trazido, por exemplo, pelo governo.
05:34Nós tivemos o dólar global caindo no ano passado de maneira muito acelerada.
05:39Inclusive nós tivemos um fluxo negativo de recursos saindo do Brasil.
05:43Nós tivemos 33 bilhões de reais saindo do Brasil em 2025.
05:49E o que explica o dólar caindo foi o dólar que nós chamamos de DXY,
05:53ou seja, a paridade do dólar contra uma série de divisas internacionais
05:57e não nada que o governo brasileiro tenha feito que tenha traído o capital estrangeiro.
06:02O capital estrangeiro começou a entrar no Brasil,
06:04assim como entrou em Colômbia, México, outros países,
06:07por questões do que nós chamamos de carry agora no começo do ano
06:10e rotação de setores lá fora.
06:12Então, o brasileiro ainda está com uma sensação muito ruim,
06:17porque se nós pensarmos que ainda que tenha saído o dólar no ano passado
06:21por causa dos Estados Unidos,
06:23por causa do que o Donald Trump estava fazendo lá,
06:26da insistência dele de querer cortar juros,
06:28da briga dele com o Federal Reserve,
06:30ele jogou o dólar para baixo.
06:32Esse dólar teve uma desvalorização.
06:35O dólar caiu 11% contra o real.
06:38E nós sabemos que o dólar faz uma diferença monstruosa
06:41na inflação brasileira, todo mundo sente isso.
06:45E mesmo com juros de 15%,
06:48nós fechamos com uma inflação próximo do topo da meta
06:52do Conselho Monetário Nacional.
06:55E o que isso significa?
06:56Que de todos os esforços que o governo,
06:59que o Banco Central está fazendo para tentar deter a inflação,
07:02com o fiscal, da maneira como está agora,
07:05o Banco Central tem uma tarefa ultra-inglória
07:09na condução da política monetária,
07:11e a inflação continua sendo um problema.
07:13E o brasileiro está sentindo muita inflação.
07:17Ele está...
07:17Ah, o brasileiro está com desemprego recorde,
07:20está tudo para baixo,
07:22nunca tivemos um emprego tão bom.
07:24É, mas o brasileiro está tendo que trabalhar
07:27dois turnos para conseguir pagar a mesma coisa.
07:29Daqui a pouco querem tirar a escala 6x1,
07:31que aí o brasileiro não vai conseguir nem pagar mais.
07:34Ah, mas você é contra a escala 6x1?
07:36Eu sou contra a escala 6x1 no sentido de ser uma obrigatoriedade.
07:40Eu sou favorável, por exemplo, ao pagamento por hora.
07:43A pessoa trabalha se ela quer, quando ela quer.
07:45E aí isso faria diferença na vida do brasileiro,
07:48porque aí o brasileiro trabalhando por hora,
07:51ele faria...
07:52Ele teria a liberdade econômica,
07:54a coisa que, de novo, nós estamos discutindo aqui no Brasil.
07:56Tudo é tutelado pelo Estado,
07:58e o Estado cada vez quer crescer mais,
08:01porque ele quer tutelar tudo.
08:03Então, nesse sentido, o brasileiro continua, obviamente, reclamando.
08:06Ele tem razão de reclamar,
08:08porque está difícil, está caro,
08:10e mesmo quem não é,
08:12quem não está nas classes mais baixas,
08:14consegue no supermercado entender
08:16que está tudo realmente muito mais caro,
08:19e que mesmo que você esteja trabalhando,
08:21você está passando um cortado para fechar o mês.
08:24Muito bem, nós agradecemos a participação da economista Jason Vieira
08:28aqui na programação da Jovem Pan.
08:29Jason, muito obrigado,
08:31um ótimo domingo, uma ótima semana para você.
08:34Obrigado, boa semana a todos.
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