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  • há 5 semanas

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Transcrição
00:00A CIDADE NO BRASIL
00:14Está pisando em ovos porque é estrupeço.
00:17Pra não ir acordar.
00:20Pois me acordou assim mesmo.
00:23E o asalto, cadê?
00:25Seu marido foi até Itamaragi.
00:27Disse que não sabe a hora que vai voltar.
00:29Quer que eu consiga o café agora?
00:31Não, senhora. Não tenho fome nenhuma.
00:35Quero é ficar sozinha, Valdelice.
00:37Xô, xô, xô, xô.
00:52Quer dizer então que o tal contrabandista é seu cunhado?
00:57Pelo amor de Deus, doutor Gouveia, cunhado não é uma palavra muito forte.
01:01Trata-se apenas de um bandido que seduziu a minha irmã e agora tem que sair do caminho dela.
01:06Se ele for preso, se ficar muito tempo mofando na cadeia, talvez ela o esqueça.
01:11Eu vou fazer o possível pra conseguir isso.
01:14Não estou fazendo nada demais, não é mesmo?
01:16Não, claro.
01:17Estou apenas denunciando o bandido. Qualquer cidadão de bem tem o dever de fazer isso.
01:21Não se preocupe, dona Augusta Eugênia.
01:23O importante é que um delito vai acontecer hoje aqui nessas águas.
01:27E o criminoso, sendo seu cunhado ou não, ele vai ser preso. Vai, vai ser preso.
01:33Foi por isso que eu quis vir em sua lancha.
01:37Ah, doutor Gouveia, a prisão daquele malfeitor vai ser uma ocasião memorável.
01:43Mesmo que eu tenha que ficar escondida pra que ele não me veja, esta cena eu não posso perder.
01:49De jeito nenhum.
02:01Ali. Ali. Bem no meio do canal.
02:08Esse volume é pesado demais, meu irmão. Sozinho você não vai conseguir pegar ele não.
02:11Espera que eu vou lhe ajudar.
02:13Vem lá.
02:14Ela não devia estar aqui, delegado.
02:16Eu não sei. Como foi que ela veio parar?
02:17Shhhhhh.
02:22Uma cilada. Uma cilada, Leôncio. Eu lhe falei.
02:24Vamos sair daqui agora.
02:27Liga o motor. Ligue.
02:28Não deixe ele fugir. Fica onde está, sujeito. Senão eu mando meus homens atirarem.
02:32Pelo amor de Deus, não faça uma sandice dessas. Me remasta com ele.
02:35Então, tira o dono.
02:36Dessa vez eu pro alto. Mas eu não vou avisar duas vezes. Da próxima vez é pra valer.
02:42Não. Não, não. Não faça uma loucura dessas. Já lhe falei. Não faça isso. Deixa eles embora.
02:47Deixa eles embora. Deixa eles. A minha irmã está naquele barco.
02:49Eu já falei pro senhor. Eu não quero que nada aconteça com ela, delegado. Vou venha.
02:53O senhor prende o sujeito de outra vez. Pelo amor de Deus.
02:57Você acha que eu devo fazer o que eles estão mandando, Branquinha?
02:59Eles vão me prender você, meu amor. Vão tentar separar a gente.
03:02Reunião, isso não pode acontecer nunca.
03:04Não pode. Reunião, muito forte.
03:07Não. Não. Não.
03:27Você que é a tira, Laura? Eu não sei jogar nada.
03:31Não. Não. Não.
03:36Não! Não!
03:42Não!
03:54Minha culpa, meu Deus. Minha culpa.
03:58Eu não queria que ninguém morresse.
04:00Não era pra isso acontecer.
04:02Não era pra isso acontecer.
04:04Ninguém podia prever esse desfecho, Dona Augusto.
04:07Eu nunca desejei a morte do pescador.
04:10Nem de Laura. Nunca.
04:12Eu não sabia que ela estava naquele barco.
04:14Como é que eu podia adivinhar?
04:17Eu não sabia!
04:19Ela não tinha que estar lá.
04:21Não tinha que estar lá.
04:23Eu sei. Foi um acidente lamentável.
04:25Não sabe nada. Não sabe nada.
04:27Não foi um acidente. Não foi um acidente.
04:29Foi sua culpa.
04:30Não foi.
04:30Sua culpa. Toda sua.
04:33Sua culpa.
04:34Não foi.
04:35Eu lhe pedi.
04:36Eu lhe falei pra não deixar vocês homens atirarem.
04:40Eu lhe disse.
04:41Dona Augusta.
04:42Dona Augusta.
04:42Eu avisei. Ele reagiu.
04:44E mesmo assim ele tentou fugir.
04:46Eles atiraram.
04:48Eles atiraram.
04:50Os assassinos mataram minha irmã.
04:54O Chico matou a minha irmã.
04:55Dona Augusta Eugênia.
04:56Calma.
04:57Laura!
04:58Calma.
04:59Calma, por favor.
05:00Eu...
05:01Ela morreu.
05:03Eu vi...
05:04Na minha...
05:04Na minha frente.
05:06Na minha frente.
05:07Eu sei.
05:07Eu sei.
05:08Foi um erro lamentável.
05:09Foi um erro lamentável.
05:10Dona Augusta Eugênia.
05:11Eu sei.
05:11A senhora está abalada.
05:12Mas a senhora tem que se acalmar, por favor.
05:14Tem que sentar daqui.
05:15Se acalme.
05:16Se acalme.
05:17Se acalme.
05:18Olha.
05:19Dona Augusta Eugênia.
05:20Quando a senhora ficar mais calma.
05:22A senhora vai avaliar.
05:24E vai ver que não havia outro jeito, Dona Augusta.
05:27Não havia outro jeito.
05:29Por favor.
05:32Agora vamos embora.
05:34A menina.
05:35A menina.
05:37Eu não cheguei a ver minha sobrinha.
05:40Ai, meu Deus.
05:41Ai, meu Deus.
05:42Sim.
05:44Não.
05:45Não.
05:45Ai, meu Deus.
05:48Ai.
05:49Ai.
05:50Ai.
05:54Ai.
06:15Música
06:44Ela não tinha que estar lá.
06:46Vem, Augusta.
06:47Não foi minha culpa.
06:48Vem, você não está em condições.
06:50Vamos logo para casa.
06:50Isso vai acontecer.
06:51Venha, venha.
06:52Por quê?
06:54E agora, delegado, o que é que vai acontecer?
07:11Eu vou tomar as providências de praxe.
07:15Registrar o ocorrência e encaminhar para a Polícia Federal
07:18para abrir um inquérito e apurar os fatos.
07:22Vamos precisar de nossa ajuda.
07:24Claro, certamente.
07:26Mas, por enquanto, eu...
07:28Eu acho que é melhor nós esperarmos a dona Augusta Eugênia superar esse choque.
07:36O senhor permite que eu use o telefone?
07:38É claro.
07:38Fique à vontade, por favor.
07:39Obrigado.
07:40São tantas as providências que eu vou aproveitar e vou pedir que me mandem logo a equipe de resgate.
07:52Resgate?
07:52É, homens rã que vão tentar resgatar do fundo do mar os corpos da sua cunhada e do pescador.
08:00Naturalmente, a dona Augusta Eugênia vai querer enterrar e chorar a irmã junto com aqueles que a conheceram.
08:10Nessas horas, o melhor conforto vem dos amigos.
08:12Talvez a família do pescador e os amigos dele também queiram a mesma coisa.
08:18Não.
08:20Está sentindo alguma coisa, Augusta?
08:22Não.
08:24De jeito nenhum.
08:28Eu não quero que ninguém saiba.
08:31Não vou permitir que vasculhem nada.
08:37Eu não entendi, dona Augusta.
08:39Eu quero que a minha irmã repose no fundo do mar ao lado do amante dela.
08:44Para sempre.
08:46O quê?
08:52É isso mesmo que você ouviu.
08:54Eu não quero que ninguém saiba que a minha irmã morreu naquela explosão.
08:59Não quero sequer ouvir insinuações sobre isso.
09:03Augusta, seja razoável.
09:05Isso é impossível.
09:06Escuta, Oswaldo.
09:07Seja razoável você.
09:09A Cio Cine.
09:11Se ninguém das nossas relações, com a graça de Deus, sabia da fuga de Laura com aquele...
09:16Aquele maldito pescador.
09:19Se não sabiam antes, agora que ela, a filha e o amante morreram.
09:24É que não faz sentido alguém ficar sabendo.
09:25Augusta, mas você não sabe que...
09:28Que mania desagradável de me interromper.
09:30Oh, como eu ia dizendo.
09:31O que ninguém sabe, Oswaldo, é segredo.
09:37E é isso que a história de Laura vai ser sempre.
09:41Um segredo nosso.
09:43Se me permite, uma parte agora.
09:47E quando perguntar...
09:48Por Laura?
09:49É simples, meu querido.
09:52Laura casou.
09:55Pronto.
09:55Isso.
09:56Casou.
09:58Com o engenheiro...
09:59De barragens.
10:01Laura nunca foi sofisticada mesmo.
10:04Mas...
10:04Se apaixonou.
10:06O que é que se há de fazer?
10:09Casou numa cerimônia...
10:11Muito simples.
10:12Tiveram a filha.
10:14E viajaram por conta do trabalho do marido.
10:19Mas por uma infelicidade...
10:22Absurda do destino...
10:25Sofreram um acidente fatal de carro.
10:28E os três morreram.
10:36Olha...
10:38Augusta e Eugênia...
10:40Essa história...
10:43Até que está...
10:45Bem engendrada.
10:47Não fosse por um detalhe.
10:49A menina...
10:52Laura deixou a filha comigo.
10:55Lívia...
10:56Não morreu.
10:58Oswaldo, pelo amor de Deus.
11:00Oswaldo, o que é que eu vou fazer...
11:04Com essa coisinha miúda?
11:05Criar.
11:06É claro.
11:07Ela é tão meiguinha.
11:08Que disparate.
11:14Eu já tenho um filho, Oswaldo.
11:17E só Deus sabe o trabalho que eu tenho para criá-lo.
11:20À distância.
11:22Por que você não sossegou...
11:23Enquanto eu não concordei em mandar Rodolfo Augusto...
11:25Para um colégio interno em Salvador?
11:27Educação de primeira?
11:29Não é isso que toda mãe zelosa quer para o seu filho?
11:31Não, mundo de assunto, criatura.
11:33Nós estamos falando deste bebê.
11:34Aí, agora está chorando.
11:37A pobrezinha não comeu até agora?
11:39Você escutou, Oswaldo?
11:40Escutou?
11:41Olha, nós não temos prática nenhuma com bebês.
11:46Assunto encerrado.
11:51Augusto Eugênia.
11:56Augusto Eugênia.
11:57Os bebês são todos iguais.
12:04Nós tivemos um filho, o Rodolfo.
12:06Está crescido, está aluno.
12:08Foi bem criado.
12:09Portanto, nós podemos muito bem...
12:11Tão crescido, que eu já nem lembro mais como se cuida de bebês.
12:17Além do mais, essa é menina.
12:19Não, não, não, não, não, não.
12:20Onde vai?
12:20Eu já decidi.
12:22Está decidido.
12:24Lívia vai ser criada por quem entende do assunto.
12:28De quem você está falando?
12:29De freiras, é lógico.
12:31Elas dedicam a vida a isso.
12:33Tem tantos afanatos em Salvador, limpos.
12:36As crianças são saudáveis.
12:38E para a gente não sofrer na hora de entregar a menina,
12:42tem lá feito uma rodinha, a gente bota a criança, gira,
12:45eles pegam do outro lado, aí gira...
12:47Chega!
12:49Eu não vou ouvir mais nenhuma sandice de sua parte.
12:53Olha aqui.
12:54Se Lívia sair desta casa,
12:56eu vou contar para todo mundo o que é que enche você de vergonha.
12:59Que ela abandonou sobrenome e tradição para se casar com um pescador pobre e contrabandista.
13:06E aí, eu vou sentar para ver qual de suas amigas está mais impluada.
13:12Aquela que você julga mais insignificante,
13:14não vai menosprezar você pelo resto de seus dias.
13:17Mas é só...
13:18Assim...
13:19Assim você vai enlamear o bom nome e a reputação da nossa família.
13:25E eu ainda não disse o pior.
13:27Além disso, eu vou contar como foi que Laura morreu.
13:31E quem foi que fez a denúncia e levou pessoalmente o delegado até o manguezal?
13:38Você quer que toda cidade saiba que a culpa pela morte de Laura é sua?
13:44Que foi você quem matou a sua irmã?
13:51Olha...
13:53Eu detesto isso.
13:55Mas é você que me faz ir tão longe.
14:02Nós vamos criar a Lívia sim.
14:05Nós dois.
14:07E eu vou tentar dar àquela menina
14:09um pouco de amor,
14:12carinho
14:12e proteção.
14:14É o mínimo que eu posso fazer
14:20depois dessa
14:21tragédia que você causou.
14:31É pela saúde mental
14:33de minha mulher que eu lhe peço,
14:35doutor Gouveia.
14:36Deixe as coisas como estão.
14:38É, eu sei como é.
14:39Eu tenho uma tia que
14:41também sofre dos nervos.
14:44Bom,
14:45se dona Augusta Eugênia
14:47prefere que o túmulo da irmã
14:50seja um mangue...
14:51É, infelizmente,
14:52nada pode trazer Laura
14:54e o marido dela
14:54de volta a essa vida.
14:56Se pudermos
14:57evitar
14:57mais sofrimento...
14:59Pode deixar, doutor Oswaldo.
15:01Eu vou fazer tudo
15:02para cautelar,
15:04quer dizer,
15:04para engavetar
15:05o acontecido.
15:06e quando a gente
15:08não nos acordou,
15:09tem que ficar
15:10fora do momento,
15:10que está
15:11mudando do momento,
15:11que está
15:12mudando do momento.
15:12Então,
15:13tem que ficar
15:14muito
15:14uma parte então,
15:15para a gente
15:16que está
15:18descansando.
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