00:00O presidente Lula planeja transformar o veto ao projeto de lei sobre a dosimetria da penas de condenados na trama golpista em um ato político para marcar os dois anos do 8 de janeiro.
00:09Vamos entender essa história então com o nosso André Anelli, que está nesse plantão conosco também.
00:13Porque o presidente quer enfatizar a importância da defesa da democracia e de se combater atos que atentem contra ela.
00:20Fala um pouquinho sobre essa estratégia, hein, Anelli? Seja muito bem-vindo. Vamos juntos nesse plantão.
00:24Vamos juntos nesse plantão, já antecipando o Feliz Natal para você, né, Evandro?
00:32Para toda a turma aí do 3 em 1 e especialmente para quem está ligado aqui na Jovem Pan.
00:36Muito boa tarde a todos.
00:38É uma estratégia do presidente Lula, sim, que foi revelada inclusive nos últimos dias pelo líder do governo no Senado, o senador Jax Wagner.
00:46Ele que acabou dizendo então que o presidente Lula deve utilizar o veto do projeto de lei à dosimetria,
00:52aquele que reduz as penas para os condenados na participação dos atos de vandalismo do dia 8 de janeiro de 2023.
01:01O presidente Lula deve usar o veto a esse texto aprovado na semana passada pelo Congresso Nacional,
01:07justamente no dia 8 de janeiro de 2026,
01:11quando completam então três anos de tudo aquilo que resultou nas depredações dos prédios dos três poderes.
01:17Essa estratégia foi revelada então pelo líder do governo no Senado em uma entrevista à rádio Metrópole da Bahia.
01:24E a gente destaca que vai muito em linha de tudo aquilo que o presidente Lula já disse nos últimos dias,
01:31principalmente em relação à estratégia dele de vetar o projeto de lei,
01:37mas também de convocar a presença dos ministros do primeiro escalão do governo federal
01:43para que estejam aqui em Brasília a partir do dia 8 de janeiro,
01:47para participarem de uma cerimônia, possivelmente aqui no Palácio do Planalto,
01:52fazendo alusão a esse aniversário do triste acontecimento das depredações dos prédios dos três poderes.
01:59A gente destaca ainda que o próprio governo federal se mobilizou,
02:04principalmente no Senado, no sentido de impedir o avanço desse projeto,
02:08acabou não adiantando e o presidente Lula agora tem a prerrogativa de veto 15 dias úteis
02:14após então a aprovação desse projeto de lei.
02:17Como se trata de um período festivo, esse prazo acaba sendo um pouco mais alongado,
02:24porque não são todos os dias úteis daqui até o fim do ano e também o começo do ano,
02:29então o presidente Lula vai acabar conseguindo conciliar o veto justamente então na data do dia 8 de janeiro.
02:36Mas o líder do governo no Senado, o senador Jax Wagner, afirmou que inclusive o veto
02:42ao projeto de lei da dosimetria pode acontecer ainda antes do dia 8 de janeiro
02:47e o presidente Lula se manifestando pela primeira vez sobre esse veto
02:51nessa possível cerimônia marcada então para o aniversário do acontecimento
02:57aqui na Praça dos Três Poderes. Evandro.
03:00Muito obrigado pelas informações, viu André Anelio?
03:02Um bom trabalho, a gente vai se falando ao longo aqui do nosso 3 em 1, meu amigo. Até mais.
03:05Ô mano, vamos já começar falando então dessa estratégia do presidente da república.
03:10Ele já comunicou ao Congresso Nacional desde sempre que colocaria um veto
03:13caso esse PL da dosimetria chegasse.
03:15Agora o que ele quer é algo a mais, é preparar uma cerimônia com a presença
03:20de todos os ministros e aliados do governo, inclusive aqueles que comandam hoje
03:24as tratativas do governo no Congresso Nacional para ressaltar os atos do 8 de janeiro
03:30e, digamos, a condenação que o Palácio do Planalto faz sobre esses atos
03:35para assinar o veto.
03:37Aonde o presidente quer chegar e que mensagem que ele vai passar justamente na entrada de um ano eleitoral, hein mano?
03:43Pois é, Sine, é um verdadeiro presente que foi dado ao presidente Lula
03:47poder rememorar os acontecimentos do 8 de janeiro no aniversário da data
03:53iniciando o ano eleitoral.
03:56Lá atrás, em 2023, eu dizia que a oposição, o campo antipetista, tinha uma escolha pela frente.
04:03Iam virar a página e superar todos os acontecimentos que levaram ao 8 de janeiro
04:10focando em construir um projeto de país alternativo ao PT
04:15ou ficariam abraçados aqueles manifestantes radicais
04:20que decidiram invadir a Praça dos Três Poderes.
04:24Na prática, a gente chega no novo ano eleitoral com uma resposta muito clara
04:29a esse dilema que estava posto lá atrás.
04:33A oposição escolheu se abraçar a versão 8 de janeiro.
04:38E, na prática, isso favorece demais o projeto de reeleição de Lula.
04:44Porque, didaticamente, podemos dividir a sociedade brasileira e o eleitorado em três terços.
04:51Um terço petista, que, aconteça o que acontecer, vai votar no PT.
04:56Um terço bolsonarista, que, aconteça o que acontecer, vai votar no candidato apoiado por Bolsonaro.
05:02E tem um terço, que é pêndulo, que já votou em Bolsonaro, já votou em Lula
05:07e vota muito mais pelo veto do que pela escolha.
05:12E o que aconteceu quatro anos atrás foi um veto ao radicalismo do bolsonarismo.
05:18O que Lula faz agora é relembrar pra sociedade, é apostar na memória das pessoas
05:25a respeito desse radicalismo que levou as pessoas a vetarem a oposição ao PT
05:31e, portanto, a eleger Lula.
05:34É essa a aposta de Lula nesse ano eleitoral.
05:36Ô Zé Maria Trindade, você acha que, como estratégia política pra 2026,
05:40refrescar a memória das pessoas pode ser uma boa jogada?
05:45Estamos sem seu áudio, Zé.
05:47Abre o áudio aí, Zé. Vai lá.
05:51Tá aí?
05:53Tá ouvindo?
05:54Bom, Zé, nós vamos organizar aí teu áudio e já já te chamamos.
05:57Musa, então repasso essa pergunta a você.
05:59Pode ser uma boa estratégia refrescar a memória das pessoas sobre os atos do 8 de janeiro
06:03como uma forma de dizer, olha, me escolham porque eu sou favorável à democracia?
06:09Bom, vamos lá.
06:11Evandro, eu sinceramente acho que não.
06:13Eu vou tomar a liberdade aqui de discordar um pouquinho do humano nesse ponto.
06:17Claro, a gente tá aqui pra isso.
06:18Eu acho que a sociedade não tá muito bem dividida dessa maneira, um terço, um terço, um terço, tá?
06:25Eu diria que, talvez, da ala petista, sim, mas eu acho que não chega a um terço.
06:33E eu lembro de uma pesquisa que mostrou que por volta de 57% ali dos eleitores,
06:38eles sejam aqueles eleitores não militantes, ou seja, um cara de centro que quer tocar a vida dele
06:43e pouco está no dia a dia da política ou preocupado com isso.
06:49Tá preocupado em levar o leite das crianças pra casa.
06:52Então eu acho que esse é o eleitor, ele é o mais importante, ele é o grande pêndulo daí
06:56e é a grande força que decide as eleições.
06:59Eu tenho alguma certa, de novo, sem compromisso com o erro aqui.
07:04É uma opinião puramente pessoal, tá?
07:06Eu acho que Lula tem grandes dificuldades pra essa reeleição,
07:12porque assim como a gente faz aqui dentro do mercado financeiro,
07:15nós não levamos em consideração e numa estatística, assim, apenas os números atuais.
07:19Mas a projeção, a perspectiva.
07:22Quando você vê alguém comprando uma ação, comprando uma renda fixa,
07:25como a gente faz aqui as análises com as carteiras, não é assim.
07:28O quanto vale hoje?
07:30O quanto vale hoje, mas qual é a perspectiva dela?
07:33O que esse país tá fazendo? O que essa empresa tá fazendo?
07:35Qual o fluxo de caixa? Qual a projeção? Qual é a margem?
07:39Qual a mudança que ela tá tendo internamente pra dar uma perspectiva mais positiva ou negativa de futuro?
07:44A trajetória da dívida brasileira é justamente isso.
07:47Analisamos a projeção dela, que é crescente.
07:49A gente sabe que vai ter uma crise fiscal em 2027.
07:53A própria Simone Tebet já mencionou.
07:54Então, é a projeção.
07:55E como está na perspectiva, o Lula não consegue diminuir a sua rejeição, que é extremamente relevante.
08:04E ele vê outros candidatos, seja o Flávio, crescendo em algumas pesquisas,
08:08sejam outros, que podem ter uma perspectiva de futuro mais positiva.
08:13Sem contar que ele já tem os seus 80 anos de idade.
08:16uma campanha exaustiva fisicamente, rodar o país inteiro, tomar porrada verbalmente por todos os países,
08:24ainda mais com uma rejeição nesse nível, depois de três mandatos.
08:28Enfim, eu acho que tem uma boa probabilidade, ou ele não ganhar, ou ele até mesmo nem sair como candidato,
08:35mas é uma opinião puramente minha aqui, sem compromisso de novo, repito, com o erro.
08:40O tempo dirá e os números dirão daqui pra frente.
08:44Agora, utilizar algo que está completamente rachando a sociedade,
08:49que é o 8 de janeiro ter sido aquela tentativa de golpe ou não,
08:54eu acho que pode ser um tiro que saia pela culatra quando ele tem essa rejeição,
08:58batendo ali no seu teto e não consegue diminuir.
09:01Ele vai falar pro público dele, pros convertidos dele, vai ganhar aplauso pra própria militância,
09:05mas eu não acho que seja interessante pra grande massa, pro pêndulo que acaba decidindo as eleições.
09:13O Mano levantou a mão, eu vou abrir um espaço pra você.
09:15Mano, já até te repasso uma nova pergunta.
09:17Você acha que o presidente Lula está preocupado em tomar porrada em campanha política?
09:20Não, ele está acostumado.
09:22E o 8 de janeiro faz o Lula jogar em casa.
09:24Porque no lugar de debater o país, no lugar de debater os desafios da economia,
09:30como muito bem destacou o Musa nesse ponto,
09:33nós concordamos inteiramente, os desafios pro futuro são enormes,
09:37mas a estratégia do Lula é fazer da campanha eleitoral um debate sobre o passado.
09:44E sobre o 8 de janeiro acaba sendo, no fim das contas,
09:48uma questão de escolher entre a baderna ou a estabilidade conhecida.
09:53Então ele entra aí como uma figura que está na política desde os anos 80,
09:58no fim das contas ele diz, você prefere a pasmaceira que eu represento de sempre
10:04ou a baderna do 8 de janeiro do pessoal que não respeita a lei e invade os prédios públicos?
10:11No fim das contas, é curioso porque esse acaba sendo até um discurso conservador
10:16que chega no colo do presidente Lula, não do ponto de vista ideológico,
10:21mas do ponto de vista político, da calmaria ou pasmaceira versus a baderna.
10:27E isso acaba favorecendo o presidente Lula para que ele jogue em casa
10:31no lugar de debater o que é realmente importante para o país,
10:36que são os nossos desafios que são enormes e, infelizmente,
10:41provavelmente vão passar ao largo do debate eleitoral.
10:44José Maria Trindade, agora eu quero ouvir de você.
10:46Como é que você avalia essa estratégia do presidente da República?
10:50Pois é, você disse a palavra correta.
10:52É uma estratégia, né?
10:54Tradicionalmente, esses assuntos que dividiam o país não eram levados para a campanha eleitoral,
11:00que ele tanto dá votos como tira.
11:02Mas, atualmente, os discursos estão muito bem balizados.
11:06O discurso de direita, o discurso de esquerda, quem apoia o quê?
11:09O discurso de direita, o discurso de esquerda, quem apoia o quê?
11:17E aí.
11:17E aí.
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