- há 2 meses
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O JP Internacional de hoje traz uma análise aprofundada sobre a reeleição de Donald Trump, nos Estados Unidos. Entenda os impactos econômicos e globias da volta do republicano ao comando do parlamento norte-americano.
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda.
00:09O JP Internacional já está no ar e hoje de um jeito diferente.
00:14Meu nome é Fabrício Naitz, que pela próxima meia hora nós vamos navegar juntos com análise.
00:202025 vai chegando ao fim e, consequentemente, também vai se encerrando o primeiro ano do
00:27segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos.
00:31Mas qual é o balanço que a gente pode fazer desse período que teve muita notícia para
00:36a gente contar?
00:37Para isso, eu conto com a presença da professora de Relações Internacionais da ESPM, Natalia
00:43Fingerman, e o professor de Relações Internacionais da ESPM, Roberto Ibel.
00:47Professores, sejam muito bem-vindos.
00:51Foi um ano bastante intenso envolvendo Donald Trump, para a gente dizer o mínimo.
00:55Todos os dias a gente tinha uma notícia diferente para trazer aqui na Jovem Pan.
01:00E eu queria começar falando sobre tarifas, porque a gente teve o discurso de encerramento
01:06de Donald Trump, agora há pouco, nas últimas semanas na Casa Branca, onde ele voltou a dizer
01:11que tarifa é a palavra favorita dele, que isso vai enriquecer os Estados Unidos, está
01:17enriquecendo os Estados Unidos.
01:20Se está enriquecendo ou não, se está funcionando ou não, é uma outra história.
01:24Mas que, de fato, o ano começou com um abalo sísmico no que diz respeito à política
01:30comercial dos Estados Unidos e, consequentemente, do mundo todo, isso parece, de fato, ser verdade.
01:36Queria começar perguntando para a professora.
01:38Como que o mundo sentiu esses impactos das tarifas de Donald Trump?
01:45A gente entrou numa era nova, irreversível do comércio internacional?
01:49Olha, primeiro, de fato, está enriquecendo os Estados Unidos, entre aspas.
01:56Pela primeira vez, a gente tem um aumento na arrecadação dos Estados Unidos acima de
02:041993, por exemplo.
02:05É o primeiro ano.
02:07Então, em termos de arrecadação, ele tem, sim, sentido efeito.
02:11No entanto, em termos econômicos, tem gerado muitos problemas, porque o desemprego aumentou
02:17nos Estados Unidos, o preço para o consumidor também aumentou.
02:23Então, a gente tem alguns produtos que teve aumento de 40%, Fabrício.
02:27Sim.
02:27Então, agora, na época de Natal, se percebe que teve uma queda no consumo de alguns
02:32produtos e isso não enriquece o PIB norte-americano.
02:39Então, uma coisa é a arrecadação, a outra coisa é o crescimento do PIB como um todo.
02:44Então, tem um impacto as tarifas para o mundo.
02:47Foi um cenário de muita instabilidade e acho que a gente tem que reconhecer que o Brasil
02:52jogou bem esse jogo.
02:53Sim.
02:53Entre os países, né?
02:55Acho que a União Europeia correu muito e se saiu um pouco mal.
03:00Teve o timing certo da coisa, né?
03:02Mas esse timing, ele foi por ocasião, foi sorte ou houve uma estratégia por trás?
03:10Eu acho que teve uma estratégia e tem a ver com o fato do presidente Lula ter um conhecimento
03:16em negociações assimétricas.
03:18Sim.
03:19Ele era líder sindical.
03:21Ele sabia negociar com o patrão numa relação assimétrica.
03:26E o Brasil estava nessa posição de assimetria de poder, né?
03:30É lógico que os Estados Unidos têm muito mais poder do que o Brasil, mas são muito
03:34poucos líderes que têm experiência em negociações assimétricas como no caso do Brasil.
03:39Então, isso foi uma vantagem, uma coincidência de estarmos nesse momento com essa vantagem.
03:45E aquilo que o Brasil tem a oferecer aos Estados Unidos impacta diretamente no eleitorado
03:50norte-americano, né, professor Ibel.
03:52Eu queria entender o seguinte.
03:55As tarifas, a professora Natália mencionou aqui, elas de certa forma fazem um pouco de
03:59mal para a economia norte-americana.
04:01Cai o consumo, o desemprego aumentou, enfim, a gente já sabe disso tudo.
04:08Agora, o discurso de Donald Trump é que as tarifas estão sendo boas, estão sendo positivas.
04:12É uma teimosia do presidente ou também há uma estratégia por trás?
04:17Ele acredita que, de fato, as tarifas ainda vão mudar o jogo lá nos Estados Unidos?
04:22Eu entendo que é uma estratégia, porque ano que vem nós temos as midterms, né, as eleições
04:26de meio de período e que serão fundamentais para os objetivos políticos do presidente Trump, né,
04:34principalmente o controle das duas casas pelo partido republicano,
04:39tanto a Câmara dos Representantes, Câmara dos Deputados, como o Senado.
04:43Então, ele utiliza essa narrativa das tarifas, né, ele reiterou isso nesse discurso de final de ano,
04:48na Casa Branca, de que as tarifas resolveriam todos os problemas da economia
04:53e da sociedade norte-americana.
04:55O que aconteceu, de fato, é que o tarifas, né, como é popularmente chamado,
04:59ele acabou aumentando esse custo de vida de itens básicos da cesta de serviços do norte-americano,
05:05inclusive de produtos brasileiros, né.
05:07Então, o café, acho que é o caso mais emblemático, também é proteína animal, carne, alimentos, de modo geral.
05:14E isso traz uma pressão, como a Natália coloca muito bem, em cima do próprio Trump.
05:19Então, ele diz, olha, esperem, vamos continuar aplicando tarifas para melhorar a nossa economia.
05:25Mas essa, eu acho que vai ser a grande questão, pelo menos no primeiro semestre de 2026, né,
05:29como o Trump vai conseguir continuar utilizando essa narrativa, essa estratégia,
05:34para ganhar o apoio do eleitorado e tentar garantir o sucesso ou não
05:37nas eleições de novembro do ano que vem.
05:40O que fica, de fato, é a questão dos indicadores, né.
05:43A gente teve até no começo do Trump uma certa maquiagem de indicadores sobre desemprego,
05:48sobre juros, sobre inflação, né, e que na prática a gente vê hoje um desemprego crescente nos Estados Unidos
05:54e um poder de compra reduzido, que é o pior cenário para quem busca vitória em pleitos eleitorais
05:58tão importantes no começo do mid-term no ano que vem.
06:01E vocês acreditam em algum tipo de reversão das tarifas, não necessariamente para o ano que vem,
06:06mas para a sequência do mandato de Donald Trump, se elas continuarem com esse efeito
06:10ferindo mais a economia norte-americana do que ajudando, há essa possibilidade de reversão,
06:15porque os acordos, muitos deles já estão formados, né, estão em prática.
06:18A União Europeia, inclusive, se arrepende bastante, né, se perguntar para os europeus,
06:23eles se arrependem bastante desse acordo.
06:25Existe uma possibilidade de reversão?
06:28Eu acredito que é improvável a gente reverter para o que já foi o mundo, vamos dizer, né.
06:35Então, assim, reverter, pode ser que a gente vai ver, como já estamos vendo,
06:40uma redução em algumas tarifas, alguns acordos bilaterais sendo revistos, renegociados, né.
06:48O caso da China ficou muito claro isso, Trump chegou achando que ia poder ir com dois pés no peito
06:53nos chineses e que isso ia gerar uma reação imediata dos chineses, né, um constrangimento.
07:00E, na verdade, muito pelo contrário, os chineses já estavam preparados, né,
07:05Os chineses, eles têm o tempo do jogo do xadrez.
07:08Eu gosto de colocar isso, né.
07:10Eles jogam xadrez e Donald Trump joga poker ou truco, né.
07:14Então, são jogos diferentes com estratégias diferentes.
07:17Então, a gente tem essa questão que não vai ter reversão ao mundo do que era antes,
07:25até porque os outros países também já estão entrando na negociação pensando em formas de tarifas
07:32ou em termos percentuais ou em barreiras não tarifárias.
07:36E vocês não acreditam em reversão nem mesmo em caso de troca de governo,
07:40supondo que amanhã assuma um democrata nos Estados Unidos.
07:46Isso não muda, né.
07:47Eu acho que é muito improvável, Fabrício, porque, primeiro, a gente tem um contexto até de...
07:51Eu chamo de fragmentação do multilateralismo, né.
07:54O sistema internacional como um todo acaba se fragmentando, se modificando com este governo Trump.
08:01E se vier um democrata, e a grande questão é teremos um democrata em 2028, não sabemos.
08:08Pela fotografia do momento é difícil, porque não tem o nome...
08:11Muito cedo também, né.
08:12Tem a própria questão dos mil termos no ano que vem, mas eu olho muito como os Estados Unidos se relacionou com a China
08:18desde o governo Obama 2 até Trump 2.0, né.
08:23É quase que uma linearidade.
08:25Tem algumas exceções, tem algumas mudanças, governo Biden, governo Trump 1,
08:29mas é o mesmo modus operandi.
08:32Então, a gente tem uma fragmentação do multilateralismo.
08:34Temos a China, né, entendendo esse jogo dos Estados Unidos.
08:39Temos o Brasil conseguindo negociar, né, reverter, não necessariamente as tarifas,
08:44mas reverter aquele cenário que era o de terra arrasada, como a gente comentou, inclusive, aqui,
08:49diversas vezes, né, e consegue hoje prospectar um cenário um pouco melhor.
08:53E eu entendo que tem uma terceira variável importante também, né.
08:57É do interesse do governo Trump, né, mudar essa narrativa, mudar o seu discurso
09:02há menos de 12 meses de uma eleição que será tão importante.
09:06Então, acho que a gente tem que considerar essas três variáveis
09:08para entender esse futuro dos Estados Unidos.
09:10Claro que tudo pode mudar.
09:11Trump acordar um dia de manhã e dizer,
09:13bom, vamos aplicar 200% de tarifa contra a China,
09:17e a China precisa ser reativa.
09:18Mas esta reação do sistema internacional,
09:21pode deixar até muito bem sedimentada.
09:23Quem não aprendeu, concordo com a Natália.
09:25Quem não aprendeu, talvez ainda,
09:27essa nova configuração é a União Europeia, né.
09:30Nós tivemos a caso recente,
09:32ainda da não assinatura do acordo Mercosul-União Europeia.
09:35Essa novela.
09:36Esse entendimento de que o acordo com os Estados Unidos
09:39não foi tão positivo assim,
09:41a União Europeia que fica nesse impasse sobre qual caminho tomar,
09:44e os Estados Unidos vai aproveitando esse cenário, né,
09:47pelos próximos meses, digamos assim.
09:49E as tarifas desse ano, essa questão,
09:51a professora falou do jogo de truco.
09:54Trump pediu truco, a China pediu seis.
09:56Trump pediu nove, a China pediu doze.
09:58Aí Trump falou, bom, melhor não, né.
10:00Vamos ficar por aí mesmo.
10:01Os dois países acabaram recuando.
10:03Trump é indiscutivelmente uma figura experiente,
10:07pelo menos no que diz respeito a negociações.
10:10Quando ele aumenta as tarifas contra a China,
10:12ele sabia que a China ia aumentar de volta
10:14e que ia levar a esse impasse entre os dois países.
10:19Será que ele não esperava uma reação tão forte?
10:23Porque essa foi, de fato, assim,
10:24talvez o primeiro embate mais real,
10:27mais perceptível, digamos assim,
10:30entre China e Estados Unidos,
10:32pelo menos nas circunstâncias atuais, né,
10:35que a gente vê de poder dos dois países.
10:38Do meu ponto de vista,
10:39Trump tinha uma avaliação errada
10:41sobre o que é a China hoje,
10:42em comparação ao que era a China em 2016.
10:45A China cresceu muito do primeiro mandato de Trump
10:48para esse segundo mandato de Trump.
10:50O poder da China,
10:51tanto em termos econômicos,
10:52quanto tecnológico,
10:54aeroespacial, militar,
10:55é completamente diferente
10:58do que a gente via anteriormente, em 2016.
11:02Então, e essa avaliação errada do Trump,
11:04eu não responsabilizo ele, pessoalmente, né?
11:07Eu acho que é uma avaliação errada
11:08que o Ocidente tem feito sobre a China.
11:11A gente tem visto recorrentemente
11:14matérias jornalísticas colocando
11:16que a China está em crise,
11:17que a China não está crescendo o suficiente.
11:21Mas a China atingiu um certo platô,
11:23o que é normal para países
11:24quando se tornam mais desenvolvidos.
11:27Então, não me parece
11:28que existe uma crise na China.
11:30Aquela história de crescer menos,
11:32mas a fatia do bolo,
11:34só que de um bolo bem maior, né?
11:35Em comparação a 10 anos atrás, é por aí?
11:38Isso, bem maior,
11:39com uma classe média maior, né?
11:41Com inserção de renda muito maior.
11:44E com poder também
11:46em setores estratégicos da economia.
11:49Acho que um setor-chave
11:50é de terras raras e minerais críticos, né?
11:53Que a China consegue desenvolver
11:56não apenas a extração e a produção,
11:58mas também a manipulação de terras raras.
12:00Por isso, Trump coloca, inclusive,
12:02como um elemento de negociação
12:03a questão dos semicondutores, né?
12:05Dos chips.
12:06E que a China conseguiu conduzir muito bem.
12:08E isso abre, eu vejo,
12:10um precedente para outros países também.
12:13Perceberem, olha,
12:14receber o tarifato dos Estados Unidos,
12:16da administração do Trump,
12:17não necessariamente uma sentença de morte
12:20para a economia,
12:21para as relações comerciais.
12:22E o Brasil conseguiu entender isso.
12:24O Brasil e outras nações
12:26conseguiram perceber que
12:28é possível costurar
12:29uma negociação com os Estados Unidos,
12:32embora Trump tente colocar isso
12:33como se fosse um bilateralismo
12:34com um perfume de unilateralismo, né?
12:38E conseguem também manter
12:41uma boa relação com a China
12:42e com outros atores,
12:43que é o que o Brasil fez este ano.
12:44Eu acho que foi muito positivo
12:46acompanhar a participação do Brasil
12:47em feiras internacionais.
12:49O Brasil esteve em missões
12:50na Índia, na Indonésia,
12:52no Vietnã, mandou,
12:53governos estaduais mandaram também
12:55representantes para esses países
12:57buscando novos mercados,
12:59sem abrir mão
13:00de uma negociação com os Estados Unidos,
13:02de uma negociação em bloco
13:03Mercosul com a União Europeia,
13:05e também de manter
13:06a boa relação comercial com a China
13:08em setores-chave de novo.
13:09Voltando a minerais críticos,
13:11terras raras,
13:11indústrias tecnológicas.
13:12E aí, quando você fala
13:13em terras raras, professor,
13:15a gente começou o ano
13:16com o Donald Trump
13:17falando que queria
13:17anexar a Groenlândia.
13:19Aconteceu tanta coisa
13:20em 2025
13:21que a gente até esquece disso, né?
13:23Teve uma movimentação
13:24forte de Trump.
13:25Ele fez um lobby pesado
13:27para tentar trazer
13:28a Groenlândia
13:29para os Estados Unidos,
13:30porque a Groenlândia
13:31tem uma grande concentração
13:33de minerais
13:34de terras raras.
13:35Pergunta bem simples.
13:37Esse é um assunto
13:37que deve voltar à pauta,
13:39talvez, em 2026,
13:40ou essa história
13:41vocês acreditam
13:42que realmente
13:42ficou de escanteio?
13:44Vai voltar à pauta
13:45e o Brasil
13:45é o segundo maior,
13:48não o maior produtor,
13:50mas que tem a segunda
13:50maior reserva
13:51de terras raras do mundo.
13:53Então, primeiro,
13:54a gente tem a China
13:56e depois a gente tem o Brasil.
13:58Então, volta à pauta
14:00e me parece que é
14:02algo que tem sido negociado
14:04por Lula e Donald Trump.
14:06Faz parte dessa negociação.
14:08O que a gente viu
14:10recentemente
14:12com a cassação
14:14do mandato
14:15de Eduardo Bolsonaro,
14:18algumas iniciativas
14:21que têm sido feitas
14:22pelo Congresso
14:23em isolamento
14:23da família Bolsonaro,
14:26eu tenho a sensação
14:27que Lula tem buscado
14:29mostrar para Trump
14:30que ter ele no governo
14:33não é um mau negócio.
14:35da mesma forma
14:36que Maduro
14:37tem buscado
14:39fazer essa negociação.
14:41Por isso que,
14:42até agora,
14:43a Venezuela não foi invadida.
14:45E não acredito
14:46que vai ser.
14:47Esse é um bom ponto
14:48para a gente trazer.
14:49Essa é uma frase forte.
14:51É uma frase bem forte.
14:53Então, vamos falar
14:54sobre política externa
14:55um pouco mais,
14:56essas relações
14:57dos Estados Unidos
14:58com outros países.
15:00A gente teve
15:01a questão da Groenlândia
15:02no começo do mandato.
15:03Donald Trump,
15:04ainda nas eleições
15:05em 2024,
15:07falava até mesmo
15:07do Canadá
15:08como 51º estado
15:10norte-americano.
15:12Mas,
15:13em linhas gerais,
15:15a avaliação
15:15que a gente faz
15:16é que o multilateralismo
15:17tem caminhado
15:19para o ralo,
15:19basicamente.
15:21Isso se confirmou
15:22ao longo de 2025?
15:24A gente tem
15:24uma fragmentação
15:25do multilateralismo,
15:26um questionamento
15:27das instituições multilaterais
15:29pelo governo Trump,
15:30a OMC,
15:31a saída da OMS,
15:32o questionamento
15:34da própria ONU,
15:35da estrutura
15:36do sistema ONU,
15:38mas as instituições
15:39continuaram funcionando.
15:41Essas organizações
15:42continuaram atuando
15:43a despeito
15:44do argumento
15:46de Trump
15:47de dizer
15:48que o multilateralismo
15:49seria,
15:49abre aspas,
15:50o mal
15:51para o sistema internacional
15:52e que os Estados Unidos
15:53seria um grande protagonista.
15:55Em termos de política externa
15:57do governo Trump,
15:58eu concordo,
15:59a gente começa o ano
15:59falando de Groenlândia,
16:00do Canadá,
16:01a própria questão
16:02do canal do Panamá,
16:03que não foi mais aventada,
16:04inclusive que ele colocaria
16:05militares norte-americanos
16:07para retomar o controle
16:08do canal do Panamá.
16:10Eu também não acredito
16:11que haverá uma invasão
16:12direta dos Estados Unidos
16:14à Venezuela.
16:15Acho que a questão central
16:16aqui,
16:16se tiver uma queda
16:18do regime do Maduro,
16:20será por meio
16:21dos militares.
16:23Se os militares,
16:24se o alto escalão militar
16:25decidir trair Maduro
16:27e derrubá-lo
16:28e colocar uma junta militar
16:29aí sim apoiada
16:30eventualmente
16:31pela administração Trump.
16:33O que eu vejo
16:34é que Trump
16:34tenta resgatar
16:35aquela imagem
16:35dos Estados Unidos
16:36como uma superpotência,
16:39uma potência hegemônica
16:40e desconsiderar
16:42o papel
16:42de outras potências
16:43nessa corrida,
16:45digamos assim,
16:46por uma hegemonia
16:46de poder.
16:48Mas ele negocia
16:49com o Putin.
16:50Acho que esse é
16:50um outro marco
16:51de 2025.
16:53Aquele encontro
16:53no Alasca
16:54que não foi
16:54para tratar
16:55de amenidades,
16:56não foi para tratar
16:56apenas de Ucrânia.
16:57Certamente também
16:58a questão
16:58da própria Venezuela.
17:00Mas há,
17:01me parece,
17:01uma distribuição
17:02entre Estados Unidos,
17:04China e Rússia
17:04em que Trump
17:06deixa deliberadamente
17:07a União Europeia
17:08de lado,
17:09não coloca a União Europeia
17:10como um grande ator.
17:12Acho que esse talvez
17:13vai ser uma outra
17:14agenda principal
17:15para 2026,
17:17qual será a movimentação
17:18desses três países
17:19e como se reproduzirá
17:20na política externa
17:21de Donald Trump
17:23e também,
17:23eventualmente
17:25da própria Rússia
17:26e também
17:26da própria China.
17:27A União Europeia
17:28tentando costurar
17:29talvez um acordo
17:31com o Mercosul,
17:32buscar uma outra alternativa
17:33para resolver
17:33essas questões
17:34pós-Brexit.
17:36E, fugindo um pouquinho
17:37do assunto dos Estados Unidos,
17:38mas nem tanto assim,
17:39a Rússia pode agir
17:40como um garantidor
17:41da Venezuela?
17:45Difícil também,
17:45não é, prever?
17:47Mas a gente tem visto...
17:48Eu digo porque...
17:48Recentemente
17:50a gente viu
17:50o Lavrov
17:53fez uma fala
17:55sendo bem contundente
17:58e falando
17:58que eles iam
18:00apoiar
18:01qualquer ação
18:03que fosse feita
18:03dentro da Venezuela.
18:06O que eu também
18:07não acho
18:07que seria esse apoio,
18:08o grande apoio
18:09que ele colocou
18:09nessa fala.
18:11Mas é lógico
18:12que a Rússia
18:12tem interesses
18:13na Venezuela,
18:14tem relações
18:15com Maduro,
18:16mas a Rússia
18:18também está negociando
18:18com o Trump
18:19esses interesses,
18:20eles querem compartilhar
18:21esses interesses.
18:23Eu acho que é muito...
18:25A minha sensação
18:25é que o Trump
18:26deu uma cartada
18:27na Venezuela
18:27pensando que o Maduro
18:29ia sair do poder.
18:31Da mesma forma
18:32que ele deu uma cartada
18:33no Brasil
18:33pensando que o Lula
18:34ia rapidamente ceder
18:35na questão
18:36da prisão
18:37de Jair Bolsonaro.
18:39Ele não entendeu
18:40com quem ele estava
18:41jogando o jogo.
18:42Eu acho que foi
18:43uma análise equivocada
18:45sobre ambas as lideranças.
18:47Maduro falou,
18:49bom, tá bom.
18:50Vamos rezar,
18:51vamos cantar
18:52para o John Lennon,
18:53não foi?
18:53Imagine.
18:54É, foi Beatles.
18:56Não foi Beatles.
18:56Beatles, imagine.
18:58Vamos fazer Beatles.
19:00Vamos fazer um monte de coisa,
19:01mas eu não saio.
19:03Mas eu não saio.
19:04E agora?
19:05E em relação
19:06à Venezuela,
19:07a gente sabe
19:08que dificilmente
19:09a comunidade internacional
19:10partiria em apoio
19:12direto à Venezuela.
19:13Mas, ao mesmo tempo,
19:14não haveria legitimidade
19:16para uma operação
19:16dos Estados Unidos
19:17em território venezuelano.
19:19E aí,
19:19como é que fica?
19:21Eu tenho um entendimento
19:22de que,
19:23até para complementar
19:24a fala da Natália,
19:25eu entendo que a Rússia
19:26talvez protegeria
19:27muito mais Maduro
19:28do que um regime
19:31venezuelano,
19:32do que uma junta militar,
19:34por exemplo.
19:34Defende a pessoa,
19:35mas não poderia ser
19:36igual o Assad.
19:37Eu vou muito
19:38nesse exemplo do Assad,
19:39de dar um asilo
19:40ao Maduro,
19:41uma espécie de salvo conduto,
19:42vai para Cuba primeiro,
19:43depois de Cuba
19:44para Moscou,
19:46de Havana e depois
19:46para Moscou.
19:47Eu vou nesse caminho,
19:49pelas falas até recentes
19:50agora,
19:51na segunda,
19:51terceira semana de dezembro,
19:52do próprio presidente Putin.
19:54A questão de uma legitimidade
19:56do Maduro,
19:58ele tem,
19:59a União Europeia
19:59reconhece ainda,
20:00tem relações diplomáticas,
20:03embora dê apoio
20:04para os opositores.
20:05Agora,
20:05o Gonzales
20:06está na Espanha,
20:09estava na Espanha.
20:09Maria Corina Machado
20:10teve toda aquela
20:11operação
20:12para poder sair da Venezuela
20:13e receber o Nobel,
20:14que foi contestado também,
20:16houve divergências
20:17na concessão do prêmio,
20:19mas eu imagino
20:20que,
20:21venha o que vier
20:22após Maduro,
20:23pela via não democrática,
20:25não eleitoral,
20:26para um golpe de Estado,
20:28para uma queda de regime,
20:29uma provocação,
20:30este reconhecimento
20:31não seria automático,
20:32eu duvido até
20:32dos Estados Unidos.
20:34Até essa construção
20:35de entender
20:36quem vai estar no poder
20:38e ser legítimo
20:39para representar,
20:41porque a gente tem
20:41um precedente,
20:42tem o próprio Guaidó,
20:43o próprio Guaidó
20:44que foi o alto...
20:44Sumiu, né?
20:46Sumiu,
20:46o autoproclamado
20:47presidente interino,
20:48era um título enorme,
20:51hoje entrou no ostracismo,
20:53o próprio Gonzales,
20:54agora,
20:55passou pelo processo eleitoral,
20:57também não é um reconhecimento
20:58pleno
20:59desta eleição.
21:01Então,
21:01eu vejo que a Venezuela
21:02é muito mais complexo
21:04de que pensar
21:05que Maduro,
21:06deixando o poder,
21:07tudo está resolvido,
21:08e nós vamos ter
21:09uma transição
21:10para um regime democrático,
21:12um regime de sufragio universal
21:14e plenamente reconhecido.
21:15E temos que lembrar
21:16que 7 milhões
21:17de venezuelanos
21:18saíram.
21:20Sim.
21:21São refugiados
21:22e parte deles
21:23refugiados políticos.
21:24Hoje não temos
21:25uma oposição
21:26dentro da Venezuela.
21:28A única representante
21:30da oposição
21:30era Marina Corina Machado,
21:32que foi embora,
21:33porque os demais
21:34já todos saíram também.
21:36Então,
21:37é muito difícil
21:37você conseguir,
21:38vamos dizer assim,
21:39reestruturar
21:40um governo
21:41na Venezuela
21:42hoje.
21:43E Donald Trump
21:43aceitaria Lula
21:45como um eventual
21:45mediador
21:46ou interlocutor
21:47do governo venezuelano
21:49nessas conversas,
21:50nessas negociações?
21:52Acho que ele gosta
21:53do Wesley Batista.
21:54se a gente quer
21:58um brasileiro
21:59que ele goste,
22:00eu acho que é o Wesley.
22:02Não vejo como Lula
22:04um possível mediador,
22:05apesar da diplomacia
22:06brasileira
22:06até talvez
22:08chegar a propor,
22:10se apresentar,
22:11como.
22:12Mas o jogo
22:13do Donald Trump,
22:15ele gosta
22:15de trabalhar
22:16por outros canais.
22:18E acho que o
22:18Wesley Batista
22:19deixa muito claro,
22:20ele teve recentemente
22:21na Venezuela,
22:23o que demonstra
22:24a sua influência
22:26nos Estados Unidos,
22:27a sua influência
22:27no Brasil
22:28e a sua influência
22:29na Venezuela.
22:31Vamos mudar de assunto,
22:32a gente está chegando
22:32no final já
22:33desse programa
22:35especial de Natal,
22:36inclusive tivemos
22:37Natal agora há pouco tempo,
22:38espero que a ceia
22:39de todo mundo
22:39tenha sido muito boa.
22:41Quem deve ter tido
22:42uma ceia
22:43tensa
22:44nos Estados Unidos
22:45é a população
22:46latina
22:47do país
22:47que esse ano
22:48sofreu bastante,
22:51vamos dizer assim,
22:52com ameaças
22:53de perseguição,
22:54deportação
22:55e em algum aspecto
22:57dá para dizer
22:57que as operações
22:59conduzidas pelo ICE
23:00de deportação
23:01de imigrantes
23:02têm tido
23:03um peso político
23:04negativo
23:05para o Partido Republicano.
23:06A gente teve agora
23:07em dezembro
23:08o primeiro prefeito,
23:10o primeiro candidato
23:10democrata
23:11eleito prefeito
23:12em Miami,
23:13no caso uma mulher,
23:14Aileen Higgins,
23:15a primeira mulher
23:15eleita prefeita
23:16da história
23:17da cidade de Miami,
23:18que é uma cidade
23:19conhecida pela
23:20comunidade latina,
23:22pelo tamanho
23:23da comunidade latina
23:24e em vários locais
23:26dos Estados Unidos
23:27onde os democratas
23:28nas eleições
23:29que tivemos em 2025
23:30não viraram
23:31para cima dos republicanos,
23:32eles diminuíram
23:33bastante a distância.
23:35Isso pode ter sido
23:36um reflexo
23:36das operações
23:37do ICE,
23:39dessa política migratória
23:40talvez excessivamente dura
23:43conduzida por Donald Trump?
23:44Olha, Fabrício,
23:48me parece que a gente
23:49deveria ter uma conversa
23:51sobre violação
23:51de direitos humanos
23:52quando a gente fala
23:53da política de imigração
23:54dos Estados Unidos,
23:57porque além de ter sido
23:59uma política dura,
24:00eu acho que ela foi
24:01mais do que isso,
24:01ela violou direitos humanos
24:03gerando um grande número
24:05de imigrantes desaparecidos
24:07e eles cometeram
24:09alguns erros.
24:10Entre alguns dos imigrantes
24:11desaparecidos,
24:12alguns eram americanos.
24:13Sim.
24:14E por isso que a gente
24:15tem hoje essa informação
24:17dessas pessoas
24:19que foram desaparecidas,
24:21cenas de violências
24:22como estamos mostrando,
24:25brutais acontecendo,
24:27hoje com todo o sistema
24:28de informação,
24:29com o celular,
24:30tudo fica gravado,
24:32registrado.
24:33Então,
24:34isso é lógico
24:35que essa informação
24:36ela chega no eleitor
24:37latino republicano.
24:40É importante colocar
24:41Miami, né?
24:42Sempre foi uma cidade
24:43republicana
24:44onde os latinos
24:44eram republicanos,
24:46votavam pelos republicanos.
24:48Então,
24:49é uma insegurança
24:51muito grande
24:52para quem mora
24:52nos Estados Unidos,
24:54é latino.
24:55E o pior de tudo
24:55dessa política,
24:56além da violação,
24:57eu acho que ela é uma política
24:58que está fazendo com que
24:59os grandes cérebros
25:01que foram que
25:01mantiveram os Estados Unidos
25:03na ponta do desenvolvimento,
25:06estejam indo embora
25:07dos Estados Unidos.
25:08Sim.
25:09Tanto norte-americanos
25:10quanto aqueles imigrantes
25:12latinos ou não latinos
25:14estão fugindo dos Estados Unidos.
25:15E a comunicação
25:16disso tudo também
25:17foi muito agressiva,
25:18não foi, professor?
25:18Foi muito agressiva.
25:19A gente teve episódios,
25:20por exemplo,
25:20de uma terceirização
25:21dessa política
25:23de expulsão
25:24e de perseguição
25:24aos imigrantes.
25:26Muitos foram enviados
25:26para El Salvador.
25:28É o caso,
25:28inclusive,
25:29de imigrantes
25:29que não eram imigrantes,
25:31cidadãos
25:31com a nacionalidade
25:33norte-americana.
25:34E nós temos alguns sinais
25:36sobre isso,
25:36de que isso se traduziu
25:38não apenas em Miami,
25:39mas também em outras duas eleições
25:41que os republicanos perderam
25:42da cidade de Nova York,
25:43também em Nova Jersey,
25:45que foi um caso
25:46muito emblemático,
25:47e que os democratas
25:48ganharam,
25:49recuperaram este terreno,
25:51e que podem, sim,
25:52ser uma dor de cabeça
25:54para os republicanos
25:55em 2026,
25:56nos midterms.
25:57Então,
25:58certamente,
25:59são dois temas
25:59que a gente vai ver muito
26:00na campanha do ano que vem.
26:01a questão migratória
26:02e os efeitos
26:04do tarifácio
26:04na economia,
26:06poder de compra
26:06da sociedade norte-americana.
26:08Olha,
26:08a conversa está muito boa,
26:10mas, infelizmente,
26:11o nosso tempo hoje
26:12chegou ao fim.
26:13Eu vou propor
26:13da gente se encontrar
26:14semana que vem,
26:15primeira semana de 2026,
26:17a gente volta aqui
26:18para pensar
26:19o que vai ser
26:19o ano novo
26:21se estiver tudo ok
26:22com vocês,
26:22por mim também está tudo ok.
26:24Obrigada,
26:25bom ano novo a todos.
26:26Obrigado,
26:27um excelente ano novo
26:28para todo mundo.
26:29É isso, então.
26:29Olha,
26:29o JP Internacional
26:30dessa semana
26:31vai ficando por aqui.
26:33Muito obrigado
26:33pela sua companhia,
26:35não só nessa semana,
26:36mas ao longo
26:36de todo o ano
26:37de 2025.
26:39A gente se encontra
26:39novamente em 2026
26:41para mais um ano
26:41cheio de notícias
26:43e, claro,
26:44ao longo de toda
26:45a programação
26:45da Jovem Pan.
26:46Muito obrigado
26:47pela sua companhia,
26:48feliz ano novo
26:49e até a próxima.
26:49A opinião dos nossos
26:57comentaristas
26:58não reflete
26:59necessariamente
27:00a opinião
27:01do Grupo Jovem Pan
27:02de Comunicação.
27:07Realização Jovem Pan
27:09do Grupo Jovem Pan
27:10do Grupo Jovem Pan
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