No Check Up desta semana, vamos mergulhar no universo do bem-estar. O doutor Claudio Lottenberg aborda de forma integrada três pilares fundamentais para a sua vitalidade, que já foram discutidos ao longo de 2025. Dentro da medicina esportiva, o renomado Moisés Cohen explica como otimizar performance, prevenir lesões e extrair o máximo dos treinos com segurança, respeitando os limites do corpo, tanto para atletas amadores quanto para quem o faz como lazer. Artrose e osteoporose, quem desvenda as diferenças entre esses dois grandes desafios, lista os principais fatores de risco e destaca a importância do diagnóstico precoce e de hábitos, como alimentação e exercícios específicos, é o doutor Dan Oizerovici. Luciano Miller por sua vez mapeia as causas mais comuns que levam às dores nas costas, da postura no trabalho ao estresse, e apresenta um panorama de tratamentos que vão além do alívio da dor, focando na correção da raiz do problema.
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NotíciasTranscrição
00:002025 foi um ano de muito aprendizado.
00:04Check-up se aprofundou e mostrou que grande parte daquilo que envolve a saúde
00:08transcende o conhecimento das doenças per si.
00:12E vou além, vai muito além de conhecer questões de nutrição e atividade da academia.
00:18Você vai ver e vai aproveitar.
00:20Confira, Check-up está no ar.
00:23Check-up Jovem Pan, com o doutor Cláudio Lothenberg.
00:33Pensando na visão da saúde como uma medicina integral,
00:37Check-up buscou aquilo que pode trazer uma melhor coordenação
00:41entre aquilo que você quer fazer em termos de movimento.
00:44E para falar sobre medicina esportiva, ninguém melhor que o doutor Moisés Coen,
00:48que inclusive convidou um grande nome do atletismo brasileiro
00:52para estar presente no nosso check-up.
00:55Confira você também.
00:58Alguns historiadores afirmam que as primeiras manifestações do esporte
01:03aconteceram na Grécia Antiga.
01:05Esculapio, deus da medicina e considerado um dos maiores médicos do período grego,
01:10criou próximo de Atenas um hospital que contava com o ginásio de esportes,
01:15juntando então pela primeira vez os conceitos de tratamento das enfermidades
01:19com a atividade física regular.
01:22No entanto, só lá na década de 40 é que a medicina esportiva começou a desenvolver
01:30de forma mais intensa.
01:32Na Itália, com aspectos cardiológicos, e já na Alemanha,
01:36na área da fisiologia em avaliações de intensidade.
01:40No Brasil, os primeiros departamentos especializados em esporte
01:44foram os do Esporte Clube Pinheiros, em 1967,
01:47e do Esporte Clube Banespa, em 1968.
01:51Agora, a primeira publicação na área foi feita pelo professor Mário de Carvalho Pini,
01:57o pai da medicina esportiva brasileira, com o livro Fisiologia Esportiva, em 1978.
02:03Atualmente, o estudo Demografia Médica 2025 mostrou que o Brasil conta com 1.197 especialistas
02:12em medicina esportiva que promovem a saúde e o bem-estar dos nossos atletas.
02:19Moisés, seja bem-vindo.
02:21O Brasil tem um número de médicos na medicina do esporte suficientes para aquilo que precisamos?
02:27Olha, Claudio, a medicina do esporte, por incrível que pareça,
02:31ela é uma especialidade relativamente nova no nosso meio, como especialidade.
02:36Hoje ela é reconhecida como uma das áreas dentro do Conselho Federal de Medicina,
02:41e eu acho que ainda há muito espaço,
02:44haja visto o estímulo à prática do esporte,
02:47e muita coisa que está acontecendo em relação à medicina esportiva.
02:51Então, eu acho que nós ainda não temos um número suficiente de médicos do esporte em nosso meio.
02:55As pessoas sempre perguntam, fazer aquecimento e fazer alongamento,
03:00isso é importante dentro da prática esportiva?
03:03É importante.
03:04É importante o aquecimento, de certa forma, ativa a musculatura, aumenta a circulação muscular,
03:10facilita o movimento de contração.
03:12O músculo não é mais santo que fibras de um elástico que contraem e relaxam.
03:16E, obviamente, você, além de fazer o aquecimento, fazer alongamento,
03:22são duas coisas que auxiliam demais na prática do esporte,
03:26evitando lesão e, principalmente, melhorando a performance do indivíduo.
03:31Existe uma diferença entre o atleta profissional e o atleta que o faz por forma do lazer, por exemplo.
03:37Existe também diferença naquilo que você entende como sendo a reabilitação e o tratamento
03:44na dependência da característica de quem o faz enquanto esporte?
03:48Existe.
03:48Obviamente que o indivíduo que tem como esporte a sua atividade profissional principal,
03:54ele precisa estar sempre muito bem, muito inteiro.
03:57E o programa de reabilitação e de fortalecimento e treinamento,
04:02ele é muito mais exigente do que num amador, num recreativo.
04:05Mas isso não quer dizer que aquele atleta recreativo não tenha que se cuidar também,
04:11porque guardadas as proporções, a exigência do atleta profissional é maior
04:16e, portanto, ele tem que se dedicar mais.
04:18Do atleta recreativo, ele exige menos, mas de um corpo que também é menos trabalhado.
04:24Então, a reabilitação é fundamental nas duas situações.
04:28Você lida sistematicamente com atletas.
04:31E não é pouco o cenário ou poucos os cenários onde a gente vê que existe uma pressão
04:37por parte do retorno à atividade esportiva junto a esses atletas.
04:42Essa pressão, ela interfere negativamente?
04:46Olha, essa pressão, cada vez que nós temos frente a uma situação de atleta profissional,
04:52por exemplo, de alto rendimento, é algo que atrapalha, sim.
04:55Atrapalha porque, na cabeça do atleta, ele quer voltar o mais rápido possível.
04:59Muitas vezes, do ponto de vista biológico, ele não está pronto para voltar.
05:04Para o atleta recreativo, ele aceita, talvez, com um pouco mais de tranquilidade.
05:08Mas, felizmente, com a divulgação, com a própria mídia ajudando,
05:12eu vou te dar um exemplo muito comum.
05:13No passado, quando nós operávamos o ligamento cruzado anterior,
05:16que é uma lesão comum em um atleta de futebol,
05:19a partir de seis meses já liberava para jogar.
05:21Trabalhos vieram mostrando ao longo do tempo que os atletas que voltam
05:25antes de sete, oito meses, têm uma incidência maior de romper o enxerto que foi feito.
05:31Então, hoje se fala em voltar em torno de sete meses, oito meses.
05:36E aí, recentemente, num congresso que tivemos em Madrid, pela FIFA,
05:41existem trabalhos de neurocepção, de trabalhos envolvendo o comportamento neurológico
05:48com o ato do movimento, onde se fala que o indivíduo, para recuperar o controle,
05:53leva dez a doze meses.
05:55Então, é algo que, na prática, não dá para você ser by the book,
06:00porque o atleta, realmente, quando chega com seis, sete meses,
06:03ele está bem, ele está apto a voltar.
06:06Então, o que a gente faz?
06:07Cria-se aí um momento que se chama de transição,
06:10para que ele possa retomar um pouco a sua atividade em campo,
06:13para que, de fato, com oito meses, ele volte a jogar com carga total.
06:17O que o doutor Moisés está falando é que a clínica, a clínica sempre é soberana.
06:23Tricampeã pan-americana e a primeira mulher brasileira
06:27a vencer uma medalha de ouro olímpica em modalidades individuais.
06:31Você agora vai conhecer a história da Malhe Image,
06:34que enfrentou desafios com lesões graves ao longo da sua carreira
06:38e contou com o auxílio do doutor Moisés Cohen.
06:41Entre 94 e 2000 foi onde eu tive acesso ao doutor Moisés,
06:45porque ele tinha o sete, ele cuidava ali na parte de prevenção e fisioterapia
06:53do Constâncio Mais Guimarães.
06:55E ali a gente usava, a gente tinha acesso.
06:58Então, aí em 2000 foi quando eu machuquei, que foi uma lesão muito grave.
07:02E lá mesmo os médicos diziam que era um caso cirúrgico,
07:07que era um caso delicado, que ia ver quanto tempo.
07:11Eles não davam prazo, não davam prazo nem pra eu voltar pras pistas.
07:15Então, foi muito ruim, frustrante pra mim, assim.
07:18Então, o doutor Moisés, além dele, eu chamo ele de anjo, né?
07:20Além de ele ser um anjo, ele me colocou de volta nas pistas num tempo recorde.
07:25De lá mesmo a gente ligou, eu e o Nélio, a gente ligou pro doutor Moisés,
07:29de lá de Sidney, e ele falou, vamos chegar aqui, vamos ver o grau da lesão.
07:33E eu andando de muleta pra cima e pra baixo, só doía a perna.
07:36Malhen comenta sobre a lesão sofrida durante o Mundial de Berlim.
07:40Em 2009 foi, talvez, o momento mais difícil, talvez mais ainda do que em 2000,
07:47porque eu já tinha mais de 30 anos, tinha 33 anos, 34, já tinha completado.
07:55E a imprensa já me aposentava, então muita gente já falava assim,
07:58não, você tá velha pra continuar, se você operar, você vai operar pra só ter uma vida melhor.
08:02E eu não queria, e nem o doutor Moisés queria, nem os meus técnicos queriam.
08:06Então, essa situação também foi mais complicada, porque uma lesão grave no joelho,
08:11que eu havia sentido fazia uns anos já, que tava doendo o joelho.
08:16Fiz aquele PRP, introdução de plaquetas, e não tava dando certo.
08:22Então, eu voltei do Mundial e não consegui terminar o Mundial.
08:26Aí voltei, doutor Moisés, não vai ter jeito, vamos entrar na faca.
08:28Cheguei no Brasil, no dia seguinte eu fui operada.
08:30E em 2010, um dos momentos mais emocionantes vividos na carreira.
08:37E ali, eu estava pronta, preparada pra quebrar o recorde sul-americano.
08:42Então, foi a competição que eu mais sinto, assim, de ter machucado.
08:46Essa daí do Centro Olímpico, porque eu tava muito bem,
08:50muito melhor que em qualquer fase da minha vida, melhor do que em 1999,
08:55que foi onde eu saltei 7,26 no sul-americano,
08:58que eu quebrei o recorde sul-americano.
09:00Então, foi onde eu mais senti.
09:03Mas foi normal.
09:05Foi uma lesão que não foi cirúrgica.
09:07Então, foi normal.
09:08Foi uma competição que eu sabia que eu tava muito bem preparada pra desbancar, assim.
09:15Mas aí, tratei, voltei a competir, depois competi de novo no Ibirapuera.
09:21E aí, no Ibirapuera, foi onde o Dr. Moisés, eu fiz questão de ler e assistir.
09:25Falei, não, vai, vamos assistir, que eu tô muito bem e eu tenho certeza.
09:28E ali, realmente, foi a minha volta.
09:30Foi onde eu saltei e fiz o segundo melhor resultado do mundo, se eu não me engano.
09:35Eu não lembro se foi o primeiro ou o segundo.
09:36Eu fui pra receber a medalha e o Dr. Moisés tava lá.
09:38Começou a chorar.
09:39E ele começou a chorar e ninguém falava nada.
09:41A imprensa toda lá e eu só tava agradecendo.
09:45Porque onde tinham já me aposentado.
09:48Eu acreditei no meu trabalho sempre, no trabalho do Dr. Moisés, na competência dele,
09:56principalmente da equipe que tava junto comigo.
09:59Estar de volta e ter uma vida saudável depois de tudo que eu fiz, depois de tantas lesões,
10:04assim, é claro que eu coloco todos os créditos pro Dr. Moisés e pra equipe dele que me fizeram
10:12e me voltaram de novo pras pistas.
10:13Emocionante, não, Moisés?
10:18Ela gosta de você e muito.
10:20Mas, por ser um pouquinho mais detalhista, ela não foi a única pessoa.
10:24Moisés é uma pessoa que acompanha muita gente durante esses anos todos.
10:29Faz diferença a relação médico-paciente nessa recuperação?
10:33Olha, Cláudio, eu acho que faz toda a diferença.
10:36O caso da Malra, em particular, eu atendo ela desde os 16 anos.
10:42Ela tem uma história muito bonita, porque ela veio do interior e sem recursos.
10:49Ela morava embaixo das escadarias do Constâncio Vaz Guimarães, que é o Ginásio Ibirapuera.
10:55Era um projeto chamado Projeto Futuro, onde lá haviam diversos atletas.
10:59E nós, criando o setor de medicina esportiva na Escola Paulista,
11:04eu tinha lá os médicos interessados, tinha o espaço, só voltava o principal, que era o atleta.
11:09E aí eu fui oferecer os nossos serviços para a Secretaria de Esportes e para o projeto.
11:15E aí começamos a atender esses atletas do Projeto Futuro.
11:19Alguns deles, como a Malra, o Zanetti, Fabiana Miller, Vani Xi, nos deram muitas alegrias.
11:28E a Malra, em particular, ela sempre vinha com muita lesão, muita dor no joelho, muita lesão.
11:33E, obviamente, que operar um atleta individual é muito diferente de operar um atleta que joga no esporte coletivo,
11:40porque ela tem que bater o tempo sobre ela mesma.
11:42O coletivo são mais dez para jogar, se for futebol, ele consegue, vamos dizer, ter um rendimento um pouco menor por um tempo.
11:50E aí, com ela, a gente veio seguindo até que um dia, eu estava tentando não operar,
11:55até que um dia ela realmente, como contou, abortou o salto e operamos.
11:58Mas a relação acaba sendo muito forte, porque a gente, como médico, faz o procedimento
12:05e fica torcendo para que aquilo dê certo, para que ela volte, o atleta volte à atividade.
12:10Eu já vi isso que, embora eu seja de um time, eu acabo torcendo por outros por conta dos atletas.
12:17Eu tive, no final do campeonato, agora, de jovens, da Copinha,
12:23eu tive um time onde tinham oito atletas operados.
12:27Então, não dá para torcer jogando contra o meu time.
12:30Então, não dá para eu jogar, torcer para o meu time, quando eu tenho oito garotos jogando pelo outro.
12:34Então, a gente acaba vivendo isso de perto, acaba sofrendo com o atleta.
12:39E a alegria de ver eles voltar para nós é uma coisa realmente impagável.
12:44E quem começa e pratica o esporte, não é infrequente que se apaixone por aquilo que está fazendo.
12:50E, muitas vezes, tenta até uma performance além daquilo que é possível e até mesmo necessário.
12:58Falemos dos abusos, daquilo que alguns chamam de overuse.
13:01Fala um pouco a respeito disso e o que isso pode impactar,
13:05tanto organicamente, como, diria, até mentalmente, se começa a se repetir.
13:10É, essas síndromes de overuse ou de overtraining, realmente é isso.
13:16É quando o atleta, ou quando a pessoa, não precisa ser atleta,
13:19ela resolve se dedicar especificamente a determinado esporte
13:24e vai além daquilo que o corpo dela tolera.
13:27E aí, você pode ter repercussões de toda ordem.
13:30Pode ser uma sobrecarga no tendão, uma sobrecarga na musculatura,
13:34pode ter as chamadas fraturas por estresse.
13:37E aí, isso acaba, muitas vezes, tirando essa pessoa da sua atividade.
13:42Então, a cena de chegar alguém no consultório com um assíndrome de overuse,
13:47a gente tem que falar, olha, você vai ter que ficar parado um mês, dois meses,
13:51e essa pessoa começar a chorar na sua frente, é uma coisa relativamente frequente.
13:56Porque a necessidade de praticar o esporte, porque gosta,
14:00e hoje está muito na moda.
14:02Então, pessoas, por exemplo, que não faziam esporte, acabam se estimulando.
14:07Por exemplo, corrida de rua.
14:08Era um esporte que, até um tempo atrás, era para pessoas mais maduras
14:12que já não conseguiam mais jogar futebol, esporte competitivo,
14:15seus 30, 40 anos, vamos correr.
14:17Hoje, você pega a garotada de 15, 18, 20 anos, praticando corrida de rua.
14:23Beach Tênis.
14:24Geralmente, mulheres que nunca fizeram nenhuma atividade mais impactante,
14:28resolvem jogar Beach Tênis.
14:29E aí, ela não joga meia hora.
14:31Elas acabam jogando horas durante o dia.
14:34No final do dia, ou no final da semana, ou do mês que seja,
14:38ela vai ter, com certeza, alguma síndrome de sobrecarga.
14:41E isso vai acabar tirando ela de campo, do taquadra.
14:46Coisa comum de fim de ano, balé.
14:49Então, as meninas que dançam balé, quando chega na época de novembro,
14:53começo de novembro, chove bailarina no consultório.
14:56Por quê?
14:56É quando elas têm que fazer um super treinamento, ensaios de horas,
15:00ou é para se apresentar em dezembro, que é geralmente o final da temporada.
15:05E aí, elas têm lesões de sobrecarga.
15:07Muitas delas acabam não conseguindo fazer a apresentação final,
15:11porque tiveram sobrecarga um mês antes.
15:13Então, é algo que é difícil da gente tratar, é difícil do paciente aceitar,
15:19porque até alguns segundos antes ele era exemplo de saúde.
15:23E muitas vezes, esses pacientes acabam realmente tendo problemas psicológicos e depressões,
15:30por conta de não poder dar continuidade àquilo que ele se estimulou e aprendeu a gostar.
15:35Ósteoporose e ósseoartrose.
15:38Muita gente confunde, mas são entidades totalmente diferentes.
15:42Nós vamos aprofundar e, para isso, convidamos o doutor Dan Oizerovice,
15:47que certamente vai tirar suas dúvidas, ensinar e melhorar
15:51para que você possa lidar melhor com essas circunstâncias.
15:56Dan, o que é a ósseoartrose?
15:59Veja, você falou muito bem, Cláudio, quando você começou a falar sobre longevidade.
16:05Com a longevidade, ou seja, no decorrer do tempo, o que acontece com as articulações
16:09e, na verdade, com o corpo inteiro, sofre um processo de desgaste.
16:14Quando você fala do desgaste de uma articulação, você vai falar em artrose,
16:19ósseoartrose ou ósseoartrite, são basicamente sinônimos.
16:23A articulação, no processo de ósseoartrose, ela tem um desgaste da cartilagem que reveste o osso.
16:32A articulação, normalmente, são dois ossos que têm movimento.
16:35Neste movimento, para que ele se torne mais leve e mais fluido, existe uma cartilagem.
16:44Esta cartilagem, com o tempo, pode ou não desgastar.
16:48Quando há um desgaste da cartilagem, a gente chama de artrose ou ósseoartrose.
16:54E por que é chamado de uma doença silenciosa?
16:57Porque, na verdade, ela é completamente assintomática.
17:01A artrose não tem sintomas.
17:03A artrose só vai ter sintomas a partir de um processo de desgaste mais importante,
17:10quando o joelho começa a apresentar rigidez, dor, inchaço.
17:14Mas, nas primeiras fases da artrose, ela é completamente assintomática.
17:20Você não sente absolutamente nada.
17:22E você falou do joelho, mas existem outras articulações afora do joelho que são comumente afetadas?
17:28A osteoartrose ou artrose, ela pega o corpo inteiro.
17:32Então, você vai ter a artrose da coluna, artrose dos ombros, artrose das mãos,
17:37os nódulos de berdém, quando você vê aquelas pessoas que têm as mãos deformadas.
17:41Você vai ter artrose dos joelhos, artrose do quadril, do pé, tornozelo.
17:47Ou seja, todas as articulações do corpo sofrem artrose.
17:50Na coluna sofrem artrose.
17:53E essa artrose, então, é um processo de desgaste assintomático no início.
17:58E depois começa a dar dor, inchaço, incapacidade funcional.
18:03E o que é a osteoporose?
18:05Veja, essa é uma pergunta muito frequente no consultório.
18:08Doutor, eu tenho osteoporose ou eu tenho osteoartrose?
18:12A osteoporose, ela também é assintomática.
18:17Que nem a gente estava falando, o que é osteoporose?
18:20Então, é uma perda da mineralização óssea.
18:23É um osso que tem menos cálcio, fica mais porótico.
18:26Para a gente comparar, então, com um tijolo, que normalmente ele teria um quilo de argila,
18:31se ele tiver 800 gramas, vamos dizer que ele está osteopênico.
18:35Se ele tiver 600 gramas, vamos falar que ele está osteoporótico.
18:41Em consequência, ele vai ter mais facilidade para sofrer uma fratura.
18:46A osteoporose não dói, é assintomática.
18:50E os primeiros sintomas podem ser uma fratura.
18:52Mas como é que você faz o diagnóstico antes de ter essa fratura?
18:56Veja, em exame de check-up, normalmente, em pessoas a partir de uma certa idade,
19:00mulheres principalmente, você pede uma densitometria óssea.
19:04E a densitometria óssea vai evidenciar se existe uma osteoporose,
19:08se existe uma osteopenia ou se existe uma calcificação normal dos ossos.
19:13A osteopenia seria o quê?
19:15A osteopenia é a primeira fase da osteoporose, é uma pequena perda de cálcio ósseo.
19:20Quando essa perda de cálcio ósseo torna-se mais evidente, vira a osteoporose.
19:24E como é que você faz o tratamento disso?
19:27Fala-se muito sobre cálcio, suplementar, vitamina D.
19:31O que você faz clinicamente para quem você detecta?
19:34Osteopenia e, eventualmente, osteoporose sem fratura, evidentemente.
19:38Obviamente.
19:38Então, é assim, quando você detecta essa condição,
19:42você geralmente dá vitamina D e cálcio, que são suplementos,
19:45e você faz fisioterapia, musculação e, principalmente, exercícios
19:50aonde você vai ter impacto.
19:53Porque com o exercício de impacto, corrida, ginástica, rítmica,
19:58você vai ter o osso mais se mineralizando e corrigindo, então, a osteoporose.
20:04E você tem condições sistêmicas, doenças,
20:07que predispõem à perda de cálcio e, consequentemente, à osteoporose?
20:11Existem doenças que, realmente, endócrinas, que podem fazer a perda de cálcio do osso
20:20e você ter uma osteoporose.
20:22Mas a osteoporose e a perda de cálcio é algo natural do envelhecimento, mesmo sem doenças?
20:27É algo natural do envelhecimento, mesmo sem doenças.
20:31É mais frequente em mulheres do que em homens.
20:33É uma coisa que acontece a partir dos 50 anos, 45, 50 anos.
20:38O ossos piora com o climatério, piora com a menopausa, a mulher vai perdendo cálcio,
20:43o osso vai ficando mais amolecido e os ossos mais frequentemente acometidos
20:49são o colo do fêmur, as fraturas de colo do fêmur, tem punho,
20:55são as fraturas de coles, geralmente as fraturas do punho, colo do úmero.
20:58No homem, a gente vê a osteoporose de uma maneira clara quando você, jovem,
21:03tem 1,80 e quando você chega aos 60, 70 anos de idade, de 1,80, você passou para 1,75.
21:10Você perdeu 5 centímetros de altura.
21:13Isso é em consequência da osteoporose das vértebras que vão se achatando
21:18e vão perdendo a sua altura natural.
21:21Com isso, o homem diminui de tamanho.
21:23Então, seria uma osteoporose que acontece na coluna e uma diminuição de tamanho.
21:27Dados preocupantes do Instituto de Métrica e Avaliação em Saúde
21:33da Universidade de Washington, nos Estados Unidos,
21:35revelam que em 2050, aproximadamente 1 bilhão de pessoas sofrerá com a artrose.
21:42Ao longo do detalhado trabalho que analisou pessoas em mais de 200 países diferentes,
21:49mostra também que 15% da população em todo o mundo, na faixa dos 30 anos de idade,
21:55já começou a apresentar os primeiros sintomas da condição.
21:59A alta nos números não é o sinal de alerta recente no radar da medicina.
22:04Uma outra pesquisa, realizada entre 1990 e 2019,
22:09mostra que o número de casos cresceu mais de 113% no período,
22:14ultrapassando a casa de 527 milhões de atingidos em todo o mundo.
22:20No Brasil, um estudo quantitativo, realizado entre 2021 e 2024,
22:24com o objetivo de analisar as internações hospitalares em idosos,
22:28dando ênfase na distribuição por faixa etária, sexo e custos,
22:33destacou a urgência em políticas de saúde pública.
22:37De acordo com os resultados, a região sudeste liderou as internações,
22:42representando 55,67% do total, com gastos superiores a 54%.
22:49A faixa etária mais afetada foi a de 60 a 69 anos,
22:55com internações predominantemente femininas.
22:59Eu duvido que você ou qualquer pessoa de sua família ainda não teve dor nas costas.
23:05E é importante diferenciar e ver quando a coisa é mais ou menos grave.
23:10E para falar sobre o assunto, Checkup entrevistou o Dr. Luciano Miller.
23:14Vale a pena conferir.
23:15A faixa etária mais comum para sentir dores nas costas é entre 50 e 55 anos.
23:23Em 2020, uma a cada 13 pessoas sentia dores nas costas.
23:28Segundo a OMS, 80% da população mundial sofre ou sofrerá com essas dores.
23:35Ainda de acordo com a Organização Mundial da Saúde, em 2020,
23:38quase 620 milhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas com essas dores.
23:45Esse número, inclusive, pode crescer até 2050 e chegar à marca de 843 milhões de casos.
23:54Luciano, quais são as principais causas de dor nas costas?
23:58Então, é importante entender, quando a gente fala de dor nas costas,
24:01que a dor nas costas não é uma doença.
24:03É um sintoma de muitas afecções que podem ser, na maioria dos casos, na própria coluna vertebral.
24:10Quando a gente fala da coluna vertebral, estamos falando do disco intervertebral,
24:13ligamento, articulações e musculatura.
24:16Mas também não podemos esquecer que fora a coluna vertebral,
24:19ao lado, tem estruturas adjacentes, outros órgãos, como o rim, pâncreas, intestino, pulmão,
24:26que também podem cursar com sintoma de dor nas costas,
24:30e isso, geralmente, com desdobramentos muito mais sérios.
24:34Então, é importante, quando a gente tem um paciente de dor nas costas que não melhora,
24:38a gente pensar mais globalmente nas possibilidades de diagnóstico.
24:42Quer dizer, a região das costas é uma região que engloba também a coluna,
24:46e não necessariamente é uma dor que deriva de algo na coluna,
24:51podendo ser algo de natureza sistêmica, pelo que entendi.
24:54Exatamente. A coluna vertebral, a gente fala da estrutura central e envolta os órgãos adjacentes.
25:01Mas como a gente diferencia isso?
25:03Basicamente, a gente tem dois tipos de dores.
25:05As dores mecânicas, mais relacionadas à própria coluna vertebral,
25:09e as dores inflamatórias.
25:12E qual que é a diferença?
25:12A dor mecânica na coluna vertebral, geralmente, é associada com alguma posição.
25:17Ele relata, sentado melhora ou de pé, piora a dor, de manhã, período do dia.
25:23Já a dor inflamatória, quem já teve, por exemplo, um cálculo renal,
25:26sabe que nada melhora, independente da posição.
25:29Começa a doer, deitado, sentado, as dores por tumores são mais noturnas.
25:35Então, não tem muito uma relação com posição, com a parte mecânica da nossa coluna.
25:39Quer dizer que um paciente com dor nas costas, ele merece uma abordagem, muitas vezes, multissistêmica.
25:47Ele tem que ser examinado.
25:48Não é simplesmente o paciente que procura e que faz um exame, por exemplo, um raio-x, uma tomografia.
25:53Exatamente.
25:54Então, Cláudio, uma vez eu vi uma entrevista sua, bastante interessante,
25:57que fala a relação dos exames, nem mais, nem menos.
26:01Deve-se realizar os exames necessários.
26:03E como isso?
26:04Dor nas costas, como iniciou o programa, é muito frequente.
26:07A segunda causa de procura médico ambulatorial.
26:11Se a gente for, em todos os pacientes que tiver dor nas costas,
26:13a gente resolver fazer uma ressonância, um raio-x,
26:16a gente vai fazer muitos exames necessários.
26:18Então, o mais importante é triar bem o paciente.
26:21E como a gente vai triar bem?
26:22Escolher o paciente que tem que fazer um exame.
26:24A OMS, ela fez 10 características que você tem que avaliar
26:31para você pedir ou não exames.
26:33Por exemplo, o paciente de dor nas costas, que mais de 2, 3 meses,
26:37paciente com perda de peso, paciente que começa a ter febre,
26:41paciente de história de osteoporose,
26:43tudo isso são critérios que a gente vai avaliar
26:45para triar melhor o paciente com dor nas costas,
26:48se é alguma afecção mais grave ou não.
26:51Atividade física, porque eventualmente alguns podem entender
26:56que o fato de você não ter atividade física
26:59predispõe a você ter mais dor nas costas.
27:04Outros podem imaginar que o fato de você ter atividade física
27:07de forma mal orientada também pode levar a dor nas costas.
27:12O que você poderia falar da atividade física e dor nas costas?
27:16A atividade física, ela protege em relação a dor nas costas.
27:21Quanto mais atividade física, você ganha musculatura,
27:24você melhora a sua postura.
27:25Isso você protege as estruturas da coluna,
27:28principalmente o disco, as articulações, a parte ligamentar.
27:33Hoje a gente sabe que quem não faz atividade física
27:35acaba ao longo do tempo cursando com mais dor,
27:38porque você perde a musculatura, que é um suporte da coluna vertebral,
27:41e com isso você tem mais pressão no disco, nas articulações
27:45e nos próprios ligamentos da coluna vertebral,
27:48podendo, ao longo do tempo, ter mais dor.
27:50Então a dor é protetiva.
27:52Quer dizer, na realidade, quando você faz atividade física,
27:55você está fortalecendo todo um arcabouço
27:57que a rigor diminuirá algum tipo de sobrecarga
28:01e, consequentemente, a dor que você poderá ter nas costas.
28:05É correto esse meu entendimento?
28:07É bem correto.
28:08Eu acho que quando faz atividade física,
28:09você vai ter mais musculatura e vai proteger a sua coluna vertebral.
28:14A gente sabe hoje, se a gente colocar assim,
28:16hoje tem uma pandemia, epidemia de dor nas costas.
28:18E por que isso acontece?
28:20Se a gente colocar no passado e colocar atualmente,
28:22como a vida nossa do dia a dia, o que aconteceu?
28:25A gente está mais sedentário, mais tempo sentado,
28:29com isso o sobrepeso da população média aumentou,
28:32tudo isso vai causando mais pressão nas estruturas da coluna,
28:34principalmente no disco da coluna, nas articulações,
28:37e isso vai cursando com mais dor.
28:38Então, a atividade física, nada mais que ela ajuda a perder peso indiretamente
28:43e ganhar musculatura.
28:44Então, tudo isso vai protegendo a sua coluna vertebral,
28:47tendo menos dor.
28:49E Check-Up fica por aqui.
28:51Agradecemos a todos aqueles que fizeram com que 2025
28:54fosse um momento especial dentro da nossa programação.
28:582026, seguiremos participando e informando você.
29:02Caso você queira escrever, sugerir, trazer qualquer tipo de posicionamento,
29:07confira,
29:08doutorcláudio.com.br
29:12A opinião dos nossos comentaristas
29:25não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
29:30Realização Jovem Pan News
29:36é muito bom.
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