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A insuficiência cardíaca é uma condição que afeta milhões de brasileiros e, muitas vezes, pode se desenvolver de forma silenciosa. No programa Check Up desta semana, o Dr. Cláudio Lottenberg recebe o cardiologista Fernando Bacal para uma conversa esclarecedora sobre os principais sinais, sintomas e formas de prevenção dessa doença que não atinge apenas idosos.

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00:00O nosso coração, além de ser a casa para o amor e como de mãe caber muita gente,
00:07é o principal órgão do sistema cardiovascular.
00:10A função dele é fundamental, bombear o sangue para o nosso organismo,
00:14que faz com que o oxigênio e os nutrientes essenciais sejam distribuídos no nosso corpo.
00:20Mas muitas vezes, um mínimo problema atrapalha esse funcionamento
00:24e causa doenças em todo o nosso organismo.
00:26No Check-Up de hoje, o Dr. Cláudio Lutenberg conversa com o diretor do Núcleo de Transplantes do INCOR,
00:33Fernando Bacal, sobre uma das doenças que mais atrapalham o funcionamento do coração,
00:38a insuficiência cardíaca.
00:40O que é insuficiência cardíaca?
00:42É necessário cirurgia?
00:44Quem tem maior risco de desenvolver insuficiência cardíaca?
00:48Fique ligado, o Check-Up está no ar.
00:56CAP Jovem Pan, com o Dr. Cláudio Lutenberg.
01:01Ela pode ser também uma doença absolutamente silenciosa,
01:06como pode estar presente de uma maneira um pouco mais aguda e agressiva.
01:12Nós vamos falar hoje sobre insuficiência cardíaca.
01:15Para isso, recebemos como nosso convidado especial,
01:19o professor Fernando Bacal.
01:21Ele que é professor do INCOR, da Universidade de São Paulo,
01:25e da Faculdade de Medicina do Hospital Israelita Albert Einstein.
01:28Também responsável pelos programas de transplante nestas duas instituições.
01:34Bacal, é um prazer ter você aqui comigo no dia de hoje, falando para o nosso Check-Up.
01:40Cláudio, eu que agradeço a oportunidade de falar um pouco
01:43dessa doença tão prevalente que é insuficiência cardíaca.
01:46Os sintomas são comuns e podem ser silenciosos,
01:53mas a atenção deve ser redobrada.
01:55A insuficiência cardíaca é uma doença que afeta, no mundo todo,
01:59mais de 23 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
02:05De acordo com o Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences,
02:09entre o período de 2019 a 2023, foram registradas quase um milhão de internações por conta da doença.
02:19Dois milhões de brasileiros teriam ou têm insuficiência cardíaca.
02:24Ela é adequadamente diagnosticada em nosso meio ou tem pouco diagnóstico?
02:30Eu acho que existe um grupo de pacientes que ainda não têm esse diagnóstico estabelecido.
02:36Estima-se 1 a 2% da população teriam insuficiência cardíaca em algum momento da sua vida.
02:44Então, 2 milhões, como você falou, no Brasil.
02:47Estima-se 65 milhões de pessoas vivem hoje com insuficiência cardíaca pelo mundo.
02:52Então, é uma doença muito prevalente que impacta fortemente na qualidade de vida dos pacientes
02:59e também na expectativa de vida.
03:01E quais são os sintomas e os sinais dos pacientes que apresentam insuficiência cardíaca?
03:06O principal sintoma é o cansaço, a falta de ar.
03:10Esse é o sintoma maior.
03:12A pessoa começa a ter dificuldade para fazer as suas atividades habituais.
03:17Isso vem progressivamente até podendo chegar ao cansaço, inclusive em repouso,
03:23para as atividades simples de escovar um dente, tomar um banho, se alimentar.
03:28Então, o cansaço e a falta de ar é o alerta maior.
03:31Também tem os inchaços, a retenção de líquido.
03:35Que ela pode ser no pulmão, que a falta de ar é acúmulo de líquido no pulmão,
03:41mas pode ser na barriga, o aumento do volume abdominal.
03:44Aí começa a ver, puxa, minha barriga está crescendo, meu cinto já não está fechando,
03:49as pernas começam a inchar.
03:52Então, esses também são os sinais importantes da insuficiência cardíaca.
03:56Um outro detalhe é acordar no meio da noite com falta de ar e, ao sentar na cama, melhora.
04:02Então, quando deita, o líquido esparrama pelo pulmão, a pessoa fica sufocada.
04:07Ao sentar, o líquido vai para a base do pulmão, a pessoa sente-se melhor.
04:11Isso chama-se ortopneia.
04:12Então, esses são os sintomas clássicos, mas principalmente o alerta é começar a ter cansaço
04:18e falta de ar às atividades.
04:20Agora, é possível que o paciente não sinta absolutamente nada e ele tenha também insuficiência cardíaca?
04:26Quando a gente classifica a insuficiência cardíaca, existe um subgrupo que é chamado de estágio B.
04:33Estágio B é o paciente que tem uma doença já estrutural no coração.
04:37Então, o coração é um coração fraco já, um coração dilatado, mas o paciente não tem nenhum sintoma ainda manifesto da doença.
04:45Então, às vezes, vai fazer um check-up pré-operatório e aí diagnostica-se que o coração tem uma disfunção,
04:52ou ele está crescido, ou o paciente está sob um tratamento oncológico com remédios que potencialmente podem ser tóxicos para o coração.
05:02Existe isso. E aí, na evolução, começa a aparecer uma disfunção do coração.
05:07Então, esses são dois exemplos de que é possível, sim, o paciente ter um problema cardíaco, ter a disfunção, mas ainda não manifestar sintoma.
05:16Você falou uma coisa importante, que é o capítulo hoje da cardio-oncologia.
05:20E ela nos remete a pensar que as pessoas estão vivendo mais.
05:23Existiria uma idade limítrofe para o coração suportar?
05:28Como é que a gente pode avaliar se um coração, ele poderia ser trocado no limite?
05:33Assim, primeiro, a insuficiência cardíaca é uma doença que pode aparecer em todas as idades, né?
05:39Claro que com o envelhecer da população, nós temos mais pacientes com insuficiência cardíaca,
05:45porque ela está relacionada a uma série de doenças como hipertensão, doença coronariana, obesidade.
05:52O próprio envelhecer pode deixar o coração mais endurecido, levando à insuficiência cardíaca.
05:58Mas não existe essa pesquisa clara até que idade o coração aguenta, né?
06:04Nós temos pacientes centenários que têm uma função cardíaca absolutamente normal, né?
06:09A genética impacta muito nisso.
06:13Mas a tua pergunta em relação ao transplante, no Brasil não existe uma idade limite por lei.
06:19Diferente, por exemplo, nos Estados Unidos.
06:21Mas dificilmente você vai indicar acima de 75, 80 anos.
06:26Então, até esse seria o limite para um procedimento tão...
06:29como tão...
06:32na fronteira do conhecimento e que impacta muito com remédios imunossupressores e assim por diante.
06:38acima de 75, 80 anos, nós não indicamos.
06:42Você falou que a insuficiência cardíaca pode estar presente, inclusive, nos jovens.
06:46E falou algo sobre a genética.
06:48O que a genética trouxe de bom para os pacientes que têm insuficiência cardíaca?
06:54Sobre a lógica, primeiro, da imunossupressão dos pacientes que vão fazer transplante
06:59e também na previsibilidade de quem terá o melhor ou o pior prognóstico.
07:04Excelente, Cláudio. Você é uma pergunta muito do nosso dia a dia que nós discutimos
07:08nos principais congressos de insuficiência cardíaca e transplante.
07:12Primeiro, a genética. Existem mutações genéticas presentes em famílias que levam a cardiomiopatias.
07:20Desde cardiomiopatias dilatadas, restritivas e hipertróficas.
07:25Então, se você tem a história na família, pessoas que tinham cardiopatia,
07:29que morreram cedo, morreram subitamente, é muito importante hoje uma análise de perfil genético.
07:35E hoje existem exames, exames simples de sangue que conseguem dizer qual é a mutação.
07:42E por essa mutação, num grande banco de dados internacional,
07:46você sabe o que pode acontecer em decorrente daquela mutação.
07:51Aquela mutação dá mais arritmia.
07:52Os pacientes têm morte súbita. Você pode indicar, inclusive, um desfibrilador precocemente
07:58para proteger esse paciente.
08:00Então, no campo da genética, no aconselhamento genético das famílias
08:03e também no entendimento do que esperar em relação à doença, avançou muito.
08:09Você toca num ponto da medicina personalizada.
08:14Por que pacientes respondem a determinado tratamento e outros?
08:18O mesmo tratamento não responde.
08:20São respondedores e não respondedores.
08:22Porque tem uma questão de fármaco genômica.
08:25Então, o entendimento hoje de que pacientes têm perfis de fenótipos diferentes,
08:31apresentações clínicas da doença diferentes e que podem responder diferentemente,
08:37vai abrir um grande campo para que a gente consiga oferecer individualmente para cada paciente
08:42o tratamento que ele tem mais chance de ser respondedor e ter benefício.
08:46Então, caminhamos para isso.
08:49No futuro próximo, hoje já entendemos isso, temos diagnósticos, mas, sem dúvida,
08:56é um grande campo que se abre.
08:57E didaticamente, como é que a gente pode dividir as insuficiências cardíacas?
09:02A insuficiência cardíaca é o conceito do coração fraco.
09:06Todo mundo conhece pelo coração dilatado e fraco.
09:09Então, é uma falha no bombeamento do coração.
09:13Essa é a insuficiência cardíaca com fração reduzida.
09:16Mas existe uma insuficiência cardíaca que é a insuficiência cardíaca do coração que não relaxa adequadamente.
09:23Que está relacionada ao envelhecer, é relacionada com obesidade, com a hipertensão,
09:28com a doença coronariana, com entupimentos coronários que podem levar o coração a não relaxar adequadamente.
09:35Então, tem a insuficiência cardíaca com função reduzida, que é a grande maioria,
09:39do função preservada, que antigamente a gente falava diastólica, no relaxamento.
09:45E também tem a insuficiência cardíaca direita e esquerda.
09:48Mais comprometimento do ventrículo esquerdo, mais comprometimento do ventrículo direito.
09:53E isso tem alguns sinais e sintomas decorrentes dessa diferenciação.
09:58Mas a grande maioria, acho que para a população toda que te assiste entender,
10:03a insuficiência cardíaca é aquela doença do coração fraco, do coração dilatado,
10:08com o coração como uma bomba, está insuficiente para manter todas as necessidades metabólicas do organismo.
10:15Independente do tipo, você tem uma abordagem terapêutica ou o mesmo tipo de tratamento valeria para todas?
10:22Não, isso é interessante também.
10:24O coração fraco, a insuficiência cardíaca com fração de ejeção,
10:28fração de ejeção é como você mede a função pelo ecocardiograma.
10:33Quando ela está diminuída, hoje o avanço dos medicamentos é tremendo.
10:39Inúmeros estudos que mostraram remédios que mudam o prognóstico,
10:45melhoram a sobrevida, melhoram a qualidade de vida, reduzem internações.
10:50Então, se reduz a internação, também reduz o custo relacionado à doença.
10:53Porque 60% do custo envolvido no tratamento de uma insuficiência cardíaca é por hospitalizações.
11:01Custos diretos e indiretos.
11:03Indiretos o paciente para de trabalhar, a família tem que visitar no hospital frequentemente.
11:08Então, isso entra dentro de um custo enorme.
11:11Nos Estados Unidos, por ano, se gasta 60 bilhões de dólares com insuficiência cardíaca todo ano,
11:19no contexto do custo total.
11:21Essa é a doença mais prevalente e que impacta fortemente na expectativa e na qualidade de vida dos pacientes.
11:29A insuficiência cardíaca com fração preservada,
11:32Recentemente, nós temos entendido melhor qual é essa entidade como doença.
11:38Entender que ela está muito relacionada às comorbidades,
11:41ou seja, às doenças que estão junto com o problema cardíaco,
11:45hipertensão, diabetes, obesidade, apneia do sono.
11:49Então, tratar essas outras doenças melhoram o desempenho do coração.
11:53E temos remédios hoje para isso também.
11:55Agora, o transplante como tratamento no final, quando nada respondeu,
12:02é muito mais relacionado ao coração fraco, à insuficiência cardíaca,
12:07com falha de bombeamento do coração.
12:08Muito se fala a respeito da interferência, do diabetes, da obesidade, estilo de vida.
12:15Como isso pode prejudicar o funcionamento do coração?
12:18A grande mensagem que nós cardiologistas sempre passamos
12:22é que a prevenção é a coisa mais importante dentro da cardiologia.
12:26Então, você ter uma vida saudável, não beber, não fumar, praticar exercícios, não engordar.
12:32Você terá, controlar a pressão arterial e o diabetes,
12:36terá menos chance de ter doença cardiovascular.
12:39E a partir do momento que você tem menos chance de ter doença cardiovascular,
12:44tem menos chance de ter uma das doenças mais graves do sistema cardiovascular,
12:48que é a insuficiência cardíaca.
12:49Então, cuidar bem da sua saúde, sem dúvida nenhuma,
12:53você impactará na sua melhor sobrevida, qualidade de vida,
12:58e menos chance de ter uma doença como a falha do coração, a insuficiência cardíaca.
13:02Quando nós falamos sobre prevenção, falamos muito sobre vacinação,
13:06check-ups que devem ser feitos, e aí surge uma dúvida, né?
13:10Independentemente de haver uma indicação específica,
13:13porque quando você tem uma indicação é mais fácil.
13:15Existe uma idade em que alguém tem que fazer aquela bateria de exames ligadas ao coração?
13:20Um eletrocardiograma, um ecocardiograma?
13:23A gente costuma dizer que a partir dos 40 anos para homem,
13:27homem e mulher, na verdade, a partir dos 40 anos.
13:31Mas hoje nós temos uma febre de pessoas correndo,
13:35maratonistas e fazendo atividade física.
13:38Então, uma avaliação cardiológica para um jovem que faz atividade física intensa é fundamental.
13:44Por vezes a pessoa não sabe que tem um problema cardíaco,
13:47está sendo submetida a um esforço demasiado,
13:50e pode ter uma complicação séria.
13:53Então, para alguém que faz atividade física é fundamental.
13:57Mas do ponto de vista de incidência de risco de doença,
13:59a partir dos 40 anos de idade.
14:01Na mulher, após a menopausa,
14:04até a menopausa ela, de certa forma, é protegida,
14:07tem menos doença cardiovascular que os homens,
14:10e a partir da menopausa equipara.
14:12O fato de entrar nesse momento da vida,
14:14do climatério e da menopausa é um ponto de virada na saúde da mulher.
14:20Mas a ideal é que se veja antes.
14:22Então, com as 40 anos, de modo geral,
14:24é uma idade que tem que ter tido uma avaliação cardiológica mais completa.
14:29Você falou, assim, de passagem,
14:31que há um momento em que os recursos terapêuticos tradicionais,
14:34medicamentos e algumas ações,
14:37inclusive em termos de procedimentos intracardíacos,
14:39já não respondem.
14:40É chegado o momento do transplante.
14:44Existe algo que você possa dizer,
14:46é agora que tem que fazer transplante?
14:49Esse é o ponto em que nós definimos
14:52que a insuficiência cardíaca está em fase avançada.
14:56Então, eu tenho que fazer essas duas perguntas para o paciente
15:00e tenho que respondê-las simultaneamente.
15:02Se o transplante entra na vida desse determinado paciente
15:06para oferecer viver mais e viver melhor.
15:09e quando não existe nenhuma outra alternativa.
15:13Então, não é mais um caso de associar um novo medicamento,
15:17ou de colocar um marca passo,
15:19ou de fazer uma cirurgia de revascularização miocárdica,
15:23que são as pontes de desafena,
15:24ou trocar uma válvula do coração.
15:27Então, quando não temos mais nenhuma alternativa,
15:29o paciente tem uma péssima qualidade de vida.
15:32Então, ele não consegue fazer as atividades que eu comentei,
15:35simples do dia a dia.
15:36Toda hora indo para o hospital, inchado, com falta de ar.
15:40Então, isso mostra uma qualidade de vida muito ruim
15:44e uma expectativa de vida muito ruim quando chega nesse ponto.
15:48Aí, o transplante é indiscutível.
15:50Eu costumo dizer, Cláudio,
15:52que poucas intervenções em medicina
15:54são tão transformadoras como um transplante cardíaco.
15:58Porque, a partir do transplante,
16:00o paciente tem condição de, inclusive,
16:02praticar esportes competitivos.
16:04É algo realmente muito transformador.
16:07Claro que não é um procedimento milagroso, mágico.
16:11Tem todo um processo
16:12até alguém ser elegível para transplante,
16:15pode ser de protocolo,
16:16avaliação multidisciplinar de todo um time
16:19para definir, bater o martelo da entrada em fila de transplante.
16:23Mas, a partir do momento que o paciente
16:24tem a possibilidade de receber um órgão
16:26e ser transplantado,
16:28é um impacto muito grande.
16:29Ailton, paciente do doutor Fernando,
16:34aguarda por um transplante de coração e do rim.
16:37Em 2024,
16:39Ailton descobriu que seu coração estava dilatado
16:41e duas artérias 100% entupidas.
16:44Eu comecei a sentir uma falta de ar.
16:49Até então, não tinha nada no coração, assim,
16:52que eu soubesse, né?
16:54Aí, com essa falta de ar,
16:56eu fui até ao médico
16:57e, através de um raio-x,
17:00ele descobriu que o meu coração estava dilatado.
17:03A partir daí,
17:03começou uma via sacra,
17:06vamos dizer assim,
17:07para descobrir onde estava o problema.
17:09E, no último exame que eu fiz
17:11ultrassonografia das coronárias,
17:16ali, descobriu que eu tinha duas artérias entupidas,
17:19100% entupidas.
17:22Dali, eu já fui direto para o hospital,
17:26que é internado lá no Dante Pazanelde, né?
17:28Por mais ou menos sete dias,
17:32aí eu fiz a cirurgia de revascularização.
17:35Ainda aguardando num hospital,
17:37Ailton conta como esperar por um transplante
17:40ao momento de grande aflição.
17:41E hoje, eu estou aqui aguardando também.
17:45Minha vida está parada
17:47por conta do transplante, né?
17:50Assim que fizer o transplante,
17:53tiver tudo ok,
17:54depois de mais ou menos uns três meses,
17:55eu devo voltar à tira.
17:56Como muita gente, né?
17:58E eu sei que tem,
18:01que nunca teve nada disso próximo, né?
18:05A minha família não foi diferente.
18:06Então, a princípio,
18:07isso foi um susto muito grande para todo mundo.
18:10E passado esse primeiro,
18:12esse susto inicial,
18:13aí a gente começou a pesquisar,
18:15a verificar como funcionava.
18:19Por força, tem uma sobrinha minha que é médica,
18:22então ela ajudou a entender
18:23todo o procedimento, né?
18:26E, claro, todo mundo ficou muito assustado,
18:28muito assustado,
18:29a ponto de meus irmãos todos saírem para fazer exame
18:33para saber se tinha algum problema cardíaco ou não.
18:37E, no final, acabou descobrindo
18:39que alguma coisinha o outro tem.
18:43A gente entende que não tem muita opção, né?
18:48Eu não tenho outra opção.
18:50Então, eu tenho que suportar estar aqui.
18:53Mas não é nada muito simples de lidar, não.
18:56É bem complicado.
18:58É diferente quando você sabe,
18:59ó, tal dia eu vou fazer a cirurgia.
19:01Quando você não sabe,
19:03o negócio pode ser daqui uma semana,
19:05daqui um mês, daqui um dia,
19:07daqui seis meses.
19:08Isso é bem complicado para a gente lidar.
19:14O que é o marca-passo?
19:16O marca-passo é assim.
19:16Eu costumo dizer, às vezes,
19:18para o paciente para explicar
19:19que o coração tem a parte do encanamento,
19:22que são os vasos, né?
19:24Quando a gente fala de adotar um stent,
19:26a gente está melhorando o encanamento.
19:28Tem a bomba, que é o músculo,
19:29e tem a fiação.
19:31Fiação é a parte elétrica do coração.
19:33Então, às vezes,
19:34o paciente tem alguns bloqueios
19:35na parte elétrica do coração.
19:37Isso faz com que o músculo
19:39não contraia adequadamente
19:41porque não está recebendo
19:42um estímulo elétrico, né?
19:44Então, a bomba falha
19:45porque não vê eletricidade.
19:46E o marca-passo
19:48teve um tratamento revolucionário
19:51na essência cardíaca
19:52para os pacientes que têm bloqueio
19:53no ramo esquerdo.
19:55Para tentar explicar,
19:57é quando a atividade elétrica
19:59do lado esquerdo,
20:00ela está mais demorada
20:01do que do lado direito.
20:03Isso gera uma dessincronia.
20:05Eles não batem ao mesmo tempo.
20:07Batem em tempos diferentes.
20:09Isso gera uma perda progressiva
20:11da função do coração.
20:12E o marca-passo ressincronizador,
20:15quando você coloca o marca-passo,
20:16você sincroniza novamente
20:18os batimentos,
20:19foi uma revolução.
20:20O entendimento de que
20:21isso é um mecanismo que acontece
20:23e que ao reverter esse mecanismo,
20:25o coração volta a melhorar.
20:27Então, hoje, todos os congressos,
20:29todos os...
20:30ainda têm as sessões
20:31de ressincronização.
20:33e desfibrilador,
20:35porque hoje os aparelhos
20:36têm essa propriedade de marcar-passo
20:37e propriedade de ser um desfibrilador
20:40implantável no mesmo aparelho.
20:41Ele protege o paciente
20:43por uma morte súbita,
20:44porque o coração dilatado,
20:46ele tem mais risco
20:46de ter uma arritmia fatal.
20:48e se aparecer essa arritmia complexa,
20:51o aparelho detecta e reverte
20:53essa arritmia.
20:54Então, isso foi um grande avanço também.
20:57Então, o marca-passo
20:58entra para corrigir
20:59algum defeito da fiação
21:01que está impactando
21:03no desempenho da bomba
21:05como um todo,
21:06que é a insuficiência cardíaca.
21:07Atletas de final de semana,
21:09maior risco de morte súbita?
21:11É, principalmente aquele atleta
21:13que não fez seu check-up,
21:15não fez a sua avaliação adequada
21:18e desidrata
21:20e tem um problema escondido
21:22no coração
21:23que está sendo submetido
21:24a uma adrenalina muito grande
21:25na atividade física,
21:27às vezes atividade competitiva.
21:29Aí é um conjunto de situações
21:31potencialmente de risco
21:32para o paciente.
21:40Pessoas com suficiência cardíaca
21:42não podem praticar exercício?
21:45Isso é mito,
21:46porque hoje a gente preconiza
21:48que o paciente
21:49faça atividade física
21:51e se ele tiver
21:52um condicionamento físico adequado,
21:53claro, inicialmente supervisionado,
21:56com todas as avaliações
21:57para saber que limite
21:59o paciente pode fazer,
22:00mas ele melhorando a musculatura,
22:02melhorando a capacidade respiratória,
22:05ele melhora a doença,
22:07ele interna menos,
22:08ele tem uma qualidade de vida melhor,
22:10ele convive melhor
22:11com a insuficiência cardíaca.
22:12Então, hoje a atividade física
22:14é preconizada
22:15para pacientes
22:16que têm insuficiência cardíaca.
22:17Insuficiência cardíaca
22:18acomete só idosos?
22:20Mito ou verdade?
22:21É um mito também.
22:22Nós temos pacientes jovens,
22:24um exemplo disso,
22:25por exemplo,
22:25é a miocardite,
22:26que nós ouvimos muito
22:28na época do Covid, né?
22:30Pessoas que não tinham
22:31doença nenhuma,
22:31um vírus que ataca o coração,
22:34que causa uma inflamação
22:36no músculo do coração,
22:37o coração fica fraco.
22:38Então, pessoas jovens
22:39são suscetíveis a isso.
22:41Como as doenças genéticas, né?
22:43Que podem aparecer
22:44precocemente
22:45em jovens,
22:46adolescentes.
22:47Então,
22:48isso é mito.
22:48É mais comum
22:49com envelhecer,
22:50mas os jovens também.
22:51cigarros eletrônicos
22:53afetam a doença?
22:54Mito ou verdade?
22:55Verdade.
22:56Como eu,
22:57como cardiologista,
22:58independentemente de ser
22:59especialista em insuficiência cardíaca,
23:01tenho que dizer que
23:01abomina os cigarros eletrônicos,
23:04que levam a problemas pulmonares,
23:06aumenta o risco de trombose,
23:07se aumenta o risco de trombose,
23:09aumenta o risco de trombose
23:10das coronárias,
23:11e tem infarto,
23:12e assim por diante.
23:12Então,
23:13quem estiver fumando,
23:16deve parar imediatamente.
23:17Um sintoma não jovem
23:18de insuficiência cardíaca
23:19pode ser desprezado?
23:21Não.
23:21Qualquer sintoma,
23:23ele tem que ser levado a sério.
23:25Uma dor no peito,
23:26uma palpitação,
23:28um descompasso do coração,
23:30uma sensação de fôlego curto
23:31que não tinha,
23:33é fundamental ver o que é.
23:35Pode não ser nada,
23:36mas pode ser algo grave,
23:38escondido,
23:39e que um bom exame
23:40vai determinar.
23:42Professor Bacal,
23:43muito obrigado.
23:44Foi um prazer receber você
23:45hoje aqui no nosso Checkup.
23:47Obrigado, Cláudio,
23:47pela oportunidade
23:48de falar de um tema
23:49tão apaixonante para mim,
23:52que trabalha há 30 anos
23:53nesse assunto,
23:53para os seus ouvintes.
23:54Obrigado.
23:55Hoje falamos
23:56a respeito de insuficiência cardíaca
23:58com o professor Fernando Bacal.
24:01Caso você tenha alguma dúvida,
24:02queira sugerir ou participar,
24:04escreva para mim,
24:05doutorcláudio
24:06arroba jovempan
24:07ponto com ponto br.
24:10Semana que vem,
24:11espero você também por aqui
24:13na nossa Jovem Pan.
24:15O Checkup de hoje,
24:16você viu quais os principais
24:18sintomas da insuficiência cardíaca,
24:20como prevenir o desenvolvimento
24:22da doença,
24:24quais os possíveis tratamentos
24:25e a importância
24:27do transplante de coração.
24:28CECAP Jovem Pan
24:35Condutor Cláudio Lotenberg
24:37A opinião dos nossos comentaristas
24:42não reflete necessariamente
24:44a opinião do Grupo Jovem Pan
24:46de Comunicação.
24:51Realização Jovem Pan
24:52CECAP Jovem Pan
24:54CECAP Jovem Pan
24:55CECAP Jovem Pan
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