No Capital Sustentável, Carlo Pereira analisou os avanços e retrocessos da agenda ambiental em 2025. O especialista em sustentabilidade avaliou o papel do Brasil em fóruns globais, os impactos da geopolítica sobre clima, energia e investimentos e os desafios que moldam as perspectivas para 2026.
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00:01Quarta-feira, Dia de Capital Sustentável, com o nosso notável especialista em sustentabilidade,
00:06Carlo Pereira, hoje já em clima de balanço da agenda ambiental desse ano no Brasil e
00:11no mundo e mirando, claro, as perspectivas de 2026.
00:16Carlo, boa noite, muito bom ter você aqui com a gente.
00:20Vamos fazer então uma retrô do que aconteceu esse ano, o que funcionou e o que não funcionou,
00:25o que travou dentro dessa agenda e, claro, que a gente olha mais para a COP30, para a G20, para a BRICS.
00:35É isso, Cris, boa noite, bom estar aqui, fazia tempo que não vinha presencialmente.
00:38É verdade.
00:39Até com a marca nova poderia estar de Papai Noel, mas ia dar uma destoada aqui.
00:43Não, está combinando mais com a marca nova.
00:45Está combinando mais agora.
00:47Cris, é um ano muito difícil, um ano muito difícil.
00:50Então, acho que muito claramente a gente vê a disrupção de cadeias produtivas, cadeias de suprimentos
00:57e a gente vê então também quase que um colapso com relação à governança global.
01:03Então, eu acho que o Brasil desempenha um papel muito importante em todas essas instâncias que você comentou,
01:13tanto o G20 quanto a presidência dos BRICS, quanto até mesmo a COP30.
01:18Então, assim, o papel do Brasil foi bom?
01:21Foi bom.
01:22Não dá para falar que foi ruim.
01:24O resultado foi bom?
01:25Não foi.
01:26Por quê?
01:27Porque o mundo está de cabeça para baixo.
01:29Então, a gente vê o que tem de positivo.
01:33De positivo, acho que até pensando em COP, mas dá para pensar nas outras também instâncias.
01:40André Corredo Lago ainda falou que, assim, olha, a gente conseguiu manter a diplomacia viva.
01:45Também parece que isso é um ponto importante.
01:47Apesar do quase colapso, ainda está viva.
01:51Então, a gente ainda tem alguma governança global.
01:54A diplomacia está aí.
01:55E com relação a questões bastante negativas, a gente tem, claro, muitos retrocessos.
02:03A gente vê uma Europa muito fragilizada.
02:07Estados Unidos, bastante belicoso, como acabou de ser comentado aqui.
02:13Exatamente.
02:13E tudo isso por conta do quê, Cris?
02:16Por conta de que a eficiência deixou de ser o foco, seja ela financeira ou seja ela em produção, seja o que for.
02:25E volta, então, uma geopolítica centrada no poder.
02:29E a geopolítica centrada no poder, o que se espera aqui é manutenção de cadeias de suprimentos.
02:35A gente viu isso na história algumas vezes e foi muito ruim.
02:39Então, por conta disso, a gente tem visto vários retrocessos.
02:43Para finalizar essa primeira pergunta, Cris, a Europa, por exemplo, que sempre nos lidera quando a agenda é, por exemplo, uma agenda de sustentabilidade, uma agenda ambiental mais progressista,
02:54ela recuou em várias agendas.
02:58Então, a due diligence de sustentabilidade recuaram.
03:02A lei anti-desmatamento recuaram.
03:05Agora, acabaram de recuar com relação à eliminação de carros de combustão interna de 2035.
03:12Eu quero pegar um gancho exatamente nisso que você trouxe agora no final.
03:16Quer dizer, a Europa terminou o ano revisando metas ambientais, adotando uma postura mais defensiva em relação à sua indústria,
03:25enquanto emergentes ganharam peso político.
03:28Com essa mudança de eixo, como essa mudança de eixo acaba impactando decisões em investimento, em comércio, em cadeias produtivas, Carlo?
03:38Cris, a gente vai voltar para um pragmatismo muito grande quando se trata dessas agendas.
03:45Acho que a gente gozou de um período progressista com relação à agenda ambiental, agenda de clima e outras agendas correlatas,
03:54e a gente deixou de ter esse bônus.
03:58Agora, a gente vai para um pragmatismo muito grande.
04:01Então, quando se fala em, por exemplo, transição energética, que é um ponto muito importante, ninguém duvida,
04:07mas falamos muito disso aqui ao longo de 2025, e a Europa sempre foi muito, ali, teve sempre muito à frente dessa discussão,
04:18ali, o que a gente vê agora é uma discussão muito focada na segurança energética.
04:25Isso quer dizer o quê?
04:27É refletido nisso que eu acabei de comentar.
04:29Então, a legislação que proibia carros de combustão interna a partir de 2035, ela está paralisada.
04:37Então, o que a gente vai assistir é mais e mais isso.
04:41Agora, vamos lembrar sempre aqui também.
04:45Com relação a custo, e custo aqui é o nome do jogo,
04:50Com relação a custo, muitas das tecnologias de geração de energia, como a gente bem sabe, solar, eólica,
05:00hoje em dia, na maior parte dos países, em mais de 90% dos países, é mais barato do que geração fóssil.
05:08Estou falando aqui em energia elétrica, principalmente.
05:11Então, por isso que a gente precisa pensar, sem dúvida nenhuma, em eficiência,
05:16a gente vai precisar pensar em, e isso o Brasil vai muito bem, em um friend-shoring.
05:23Então, nesse momento de rearranjo geopolítico, o Brasil é um país que não tem problema com ninguém.
05:30E fora isso, tem o quê?
05:31Tem tudo o que as economias precisam, com relação a minerais, com relação a energia, energia renovável,
05:39e outras coisas que a gente precisa, enfim, para tocar esse novo,
05:44o amanhã, na verdade, o hoje, na verdade, muito pautado na tecnologia,
05:49muito pautado em inteligência artificial, e o Brasil tem tudo isso para compartilhar.
05:54Agora, tem que, de maneira bastante inteligente, se utilizar disso,
06:00para que consiga desenvolver, sem dúvida nenhuma, a sua população.
06:04Você levanta mais uma vez a bola para a minha próxima pergunta, que é exatamente em cima disso.
06:09Energia, mineração crítica, infraestrutura digital, como data centers, por exemplo,
06:15também já falamos disso aqui, estiveram no centro das disputas globais em 2026.
06:22Eu imagino que a gente continue falando, em 2025, perdão,
06:26e eu imagino que a gente continue falando disso também no ano que vem, em 2026.
06:30Quais são as lições que esse cenário deixa para as empresas que estão planejando o ano que vem,
06:37planejando 2026, em termos de risco, de competitividade, de acesso à capital?
06:44Olha, com relação a data center, eu acho que, com relação a todos os outros que a gente comentou aqui,
06:50isso aí vai continuar aumentando muito fortemente.
06:53Data center, sem dúvida nenhuma, então a gente precisa de uma capacidade instalada muito maior,
06:57seja no Brasil, seja no mundo.
07:00Ainda hoje, tive uma reunião com o embaixador da Índia,
07:04e ele dizendo que 100% dos dados dos indianos ficam na Índia.
07:09E a gente sabe que no Brasil a gente está muito longe disso.
07:12Está muito?
07:12Muito longe.
07:13Então, por exemplo, mesmo a questão de soberania,
07:16e no mundo belicoso como a gente está, isso seria muito importante,
07:18mesmo só pensando em ter nossos dados aqui, sem pensar em, na verdade, ter outros dados,
07:25ou, na verdade, utilizar nossos data centers para, por exemplo, treinar a inteligência artificial,
07:31ou para geração mesmo de informação,
07:34a gente precisa tomar muito cuidado, que é uma coisa que tem, que vem muito a reboque da tal da bolha da inteligência artificial,
07:48essa bolha na infraestrutura de data center, ela pode acontecer.
07:52Então, a gente vê hoje algumas estruturações financeiras que são meio temerárias com relação à data center,
08:01então, pode ser que, de fato, globalmente, a gente esteja trazendo, pelo menos por um período,
08:07uma capacidade instalada de data center muito maior do que aquela que a gente vai precisar,
08:12porque está uma febre.
08:14Agora, todos os outros, Cris, seja para data center, seja para todos os outros temas que a gente está falando,
08:20inclusive, para a indústria de defesa,
08:24então, mineração, por exemplo, a gente vai precisar.
08:28E aí, o Brasil pode brilhar muito.
08:31Eu sempre gosto de lembrar, a gente já tem mapeado,
08:35boa parte dos minerais críticos,
08:38digo, todos eles estão mapeados no Brasil,
08:40mas até o quê? 23% do território.
08:43Mesmo assim, a gente tem as maiores reservas.
08:46Ou seja, a gente pode ter muito mais do que está mapeado.
08:50Então, sem dúvida nenhuma, de novo,
08:54no mundo onde a geopolítica está bagunçada do jeito que está,
08:57essa reestruturação, esse rearranjo,
09:00a gente precisa ter algumas armas na mão.
09:03E quando eu digo armas, não estou dizendo do porta-avião,
09:06mas eu estou dizendo do quê?
09:07Minerais críticos.
09:08Sim.
09:09Eu estou dizendo de algumas coisas que a gente tem como país
09:13e que a gente vai ter...
09:14Armas não bélicas, ferramentas, digamos assim.
09:16Que foi o que a gente viu o Chino usando,
09:18como a gente falou também várias vezes aqui,
09:20foi a moeda de troca dos Estados Unidos com relação à Ucrânia.
09:24Então, a gente tem que usar isso de maneira inteligente e adequada.
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