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O presidente Lula (PT) afirmou ter enviado uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), agradecendo pela retirada da Lei Magnitsky e pedindo o fim das sanções contra outras autoridades brasileiras. Segundo Lula, Brasil e Estados Unidos ainda têm pendências a resolver, mas a relação comercial e política segue em processo de normalização.
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NotíciasTranscrição
00:00O presidente Lula revelou ter mandado uma mensagem para Donald Trump, agradecendo pela retirada da lei Magnitsky e pedindo o fim das sanções contra outras autoridades.
00:12Segundo o chefe do executivo, o Brasil e os Estados Unidos ainda têm mais coisas para acertar, mas a relação de comércio e política continuará sendo normalizada.
00:21Lula afirma que a punição contra os ministros de Estado são injustas, dizendo que eles estão sendo punidos porque cumpriram a Constituição e destacou que vai continuar insistindo com Trump para o fim de todas as sanções.
00:35Enfim, aspectos para a gente analisar e discutir. Vamos chamar o Luiz Felipe Dávila, que está com a gente aqui no estúdio em São Paulo, para começar essa rodada de análises.
00:46Presidente Lula puxando para si essa responsabilidade e querendo avançar nessa agenda de sanções zero para as autoridades. Dávila, bem-vindo.
00:55Boa noite, Canhato. Boa noite, Crigno, que está aqui ao meu lado. Boa noite, Mota. E boa noite a nossa querida audiência.
01:01Olha, nós precisamos olhar essa questão sob dois prismas. Primeiro, não sabemos que tipo de negociação foi feita entre o presidente Lula e o presidente Trump.
01:12De graça é que não foi que suspenderam essas sanções aqui. Alguma negociação teve, nós não sabemos.
01:19Então, primeira coisa, precisamos entender um pouco mais a fundo o que foi feito para que esse perdão da lei Magnitsis ocorresse.
01:28porque não mudou nada. Ao contrário, as coisas vêm se agravando no Brasil cada vez mais.
01:34Segundo ponto é que Trump sempre pensa de acordo com os interesses americanos.
01:43Alguma coisa foi cedida para Trump entender que os interesses americanos foram satisfeitos nessa relação de troca.
01:51Nada ali não tem almoço grátis para o Trump.
01:54Então, nós não sabemos isso. Então, esse tipo de negociação é preciso compreender um pouco melhor
02:01para saber qual foi o preço que o Brasil pagou para saciar a vontade de Trump e suspender a sanção da lei Magnitsis.
02:10Pois é, as várias reflexões sobre essa articulação do presidente da república
02:14e até onde ele consegue dobrar Donald Trump para retirar as sanções contra outras autoridades,
02:22especialmente em relação a vistos, né?
02:24Deixa eu chamar o Roberto Mota. Está no Rio de Janeiro.
02:26Apostos com a gente. Mota, seja bem-vindo.
02:29Ótima noite a você.
02:29Essa cobrança que foi feita pelo presidente brasileiro a Donald Trump,
02:34ele solicita o fim das sanções contra todas as autoridades, Mota.
02:38Eu fiz uma lista, Caniato, de todas as teorias que estão circulando na rede
02:47para tentar explicar a retirada das sanções.
02:50Boa noite a você, boa noite aos meus colegas, boa noite à nossa audiência.
02:55Uma teoria diz que uma empresa gigante da pecuária teria pressionado Trump
03:01para retirar as sanções usando lobistas em troca de investimentos no mercado americano.
03:08Outra teoria diz que o responsável por essa intermediação teria sido um conhecido banqueiro.
03:16Há quem diga que as sanções foram removidas em troca de petróleo venezuelano
03:23e de uma futura saída de Maduro.
03:27Há quem diga que as sanções foram removidas em troca do uso da base de Alcântara
03:33para lançamentos espaciais, do fim da censura, as redes sociais e pelo fornecimento de terras raras.
03:42Há quem diga, imaginem vocês, que Trump retirou as sanções para criar uma armadilha.
03:50Ele está esperando novos episódios de ativismo para aí voltar a impor as sanções.
03:57Se é que isso faz algum sentido.
03:59Há quem diga que Trump realmente tirou as sanções para criar uma armadilha.
04:04Mas o plano é atrair as autoridades brasileiras aos Estados Unidos
04:09e aí processá-las por violação de direitos humanos.
04:15Há quem diga que Trump atendeu um pedido do governo brasileiro
04:19com o único objetivo de melhorar as relações entre os países.
04:24Há quem diga que Trump suspendeu as sanções por causa da aprovação do PL da dosimetria.
04:33E há quem defenda que a suspensão das sanções não foi nada mais
04:38do que uma grande vitória da diplomacia do atual governo brasileiro.
04:44Pois é, as muitas teses e teorias que poderiam explicar o posicionamento de Donald Trump.
04:50O Henrique Kriegner está com a gente também aqui no estúdio em São Paulo
04:53e vai discorrer fazer esse exercício para entender um pouco essa dinâmica,
04:58qual é a leitura feita por Donald Trump, quais interesses estão em jogo.
05:02O presidente Lula tenta capitalizar e disse que provavelmente conseguirá eliminar
05:07todas as sanções contra as autoridades brasileiras.
05:10Bem-vindo e boa noite.
05:11Obrigado, Caniato.
05:12Boa noite, Dávila.
05:13Boa noite ao Mota.
05:14Boa noite a todos que nos acompanham aqui no Pingo dos Vuzis.
05:17Mas realmente o Mota faz uma análise perfeita das inúmeras.
05:23E cada dia que se passa, cada minuto, eu diria, se criam novas teorias, explicações
05:28e todos têm evidências.
05:30As evidências que a gente não sabe quais são, mas que juram realmente ter as comprovações.
05:37O que a gente não pode ignorar é a análise pragmática, sem emoções e sem paixões.
05:42E eu sempre tenho falado isso aqui, muitas vezes nós trazemos isso na programação da
05:46Jovem Pan, do pragmatismo histórico que acompanha a atuação política de Donald Trump.
05:52O Trump tem seus posicionamentos muito firmes, os seus princípios também muito firmes,
05:57mas sempre acompanhados de um pragmatismo.
05:59Ou seja, aquilo que ele propõe não é de uma maneira doida ou ali impraticável.
06:09Todas as propostas, por mais inovadoras que sejam ou controversas que sejam, elas têm
06:15um fundo do pragmatismo e vamos dizer que esse pragmatismo está arraigado, sim, numa
06:19questão econômica, financeira.
06:22E a maneira mais pragmática de nós olharmos para isso é a conta chegou para os Estados
06:27Unidos.
06:27Num determinado momento, o presidente Trump viu que havia a possibilidade de fazer uma
06:31manobra política através das sanções para se obter uma certa vantagem também política.
06:37Uma vez que isso se transformou numa conta econômica e que passou a custar também parte
06:43da sua popularidade, ele precisou agora fechar certas portas que ele havia aberto para os
06:48seus amigos.
06:49O que que nós, enquanto brasileiros, precisamos olhar para isso?
06:52Aqueles que não gostavam das sanções estão felizes.
06:55Aqueles que apoiavam as sanções e viam que existia um certo cabimento, seja na questão
07:00magnífica, seja também até nas tarifas que foram colocadas também com uma justificativa
07:06ideológica, precisam entender que o presidente Trump não é presidente do Brasil e agora
07:10precisa defender os seus próprios interesses e também os seus interesses domésticos, tanto
07:16econômicos quanto também políticos.
07:18Esse é o desafio que fica para nós aqui.
07:21E mais uma vez a lição, né, Caniato, de que o problema dos brasileiros só pode ser
07:26resolvido pelos brasileiros.
07:27Pois é, e é preciso também fazer um exercício sobre os interesses e os objetivos de Donald
07:33Trump, né, Luiz Felipe Dávila?
07:36Porque se há uma sinergia entre Donald Trump e o presidente Lula, Donald Trump ajuda a preparar
07:42o terreno para uma reeleição de Lula.
07:44Será que é exatamente isso que quer o presidente norte-americano?
07:48Em outras declarações ele se manifestava muito mais a favor de líderes liberais conservadores,
07:54né, Dávila?
07:55Caniato, vou contar um segredo aqui para a nossa audiência.
07:58Trump não está nem aí com a eleição brasileira.
08:01Trump está aí com os interesses americanos.
08:03E aí tem um ponto importante.
08:05Eu me lembro a frase do grande estadista Otto von Bismarck, que foi o primeiro-ministro
08:11da Prússia.
08:12Ele dizia o seguinte, na política não há amigos ou inimigos permanentes, só existem
08:19interesses permanentes.
08:20É assim que Donald Trump convive com a realidade do mundo.
08:25Então não há dúvida que os interesses permanentes se colocarão à frente das amizades ou inimizades.
08:33E Trump se manifesta, veja bem, quando há fato consumado.
08:37Como ontem.
08:38Ganhou o casto aqui no Chile, mais uma vez ele vai lá.
08:42Mas aí já está dado.
08:43O resultado está dado.
08:43Esse negócio de empenhar em candidatura, torcer para um, para outro, não vai acontecer.
08:48Os Estados Unidos estão focados nos seus interesses nacionais.
08:53Amigos da política ou adversários da política são temporários, mas os interesses são permanentes.
09:00Talvez o Brasil deveria aprender um pouco mais com essa racionalidade para conduzir a sua política externa.
09:07E não fazer esse grande papelão que faz, que é transformar a política externa, uma arma da defesa do interesse nacional,
09:16numa arma para proteger aliados e criticar adversários.
09:21Parece que a diplomacia de Lula não aprendeu a lição com Otto von Bismarck.
09:27Mota, o ditado, amigos, amigos, negócios à parte, é aplicável quando a gente olha para a relação entre Trump e o presidente Lula?
09:36Ou Trump e líderes de esquerda?
09:38Se estiver oferecendo alguma coisa que interesse aos Estados Unidos, tudo bem?
09:43Não é importante ser de esquerda, de centro ou de direita?
09:47Eu gostaria de acreditar que não é assim, Caniato.
09:50Mas os meus desejos têm pouca influência sobre a realidade da política.
09:56Nós ainda não temos informações suficientes para fazer uma avaliação da razão, do motivo que levou Donald Trump a dar uma guinada tão grande na sua política em relação ao Brasil.
10:12O que nós temos são os acontecimentos.
10:16A partir daquele episódio do teleprompter na ONU, Trump mudou o seu discurso em relação ao atual governo brasileiro,
10:26de uma forma radical.
10:28Ele deixou de lado o que nós achávamos, muita gente achava, considerava, uma posição bastante firme de censura e de reprovação
10:40de certas coisas que estão acontecendo aqui no Brasil, para adotar um outro tom.
10:45Um tom amigável, visivelmente amigável, um tom de conciliação, no qual só restam vestígios daquela censura
10:58que, inclusive, levou à aplicação das sanções mais rigorosas que os Estados Unidos podem aplicar a alguém,
11:06sob a lei Magnitsky.
11:10Isso tudo caiu, mudou, e até agora não foi dada uma explicação da razão da mudança.
11:17Pois é, essa é uma situação que requer muitas análises aprofundadas, inclusive, daqui a pouco eu vou chamar o Dávila e o Krigner
11:27para refletirem sobre o posicionamento de Donald Trump e quais devem ser os próximos capítulos e episódios
11:36que envolvem a relação entre os países das Américas, sempre Donald Trump ditando o ritmo dessas negociações.
11:43Mota, o Dávila menciona que Donald Trump não estaria preocupado nem um pouco com o processo eleitoral,
11:51que, na verdade, é preciso olhar para as relações comerciais e, se em determinado país estiver entregando
11:57aquilo que os Estados Unidos precisam naquele momento, tudo bem.
12:01Só que Donald Trump, em vários momentos, fez acenos a líderes conservadores e liberais.
12:08Javier Milley, por exemplo.
12:10É preciso também considerar esse como um case a ser analisado.
12:16Por que seria diferente com o Brasil?
12:18Você não acha que aquele alinhamento entre Trump e Jair Bolsonaro não parecia legítimo?
12:27Assim disse o próprio Trump, que escreveu pelo menos três cartas,
12:33nas quais o primeiro parágrafo consistia inteiramente de uma expressão de preocupação e revolta com a situação de Jair Bolsonaro aqui.
12:44Trump qualificou os processos aos quais Jair Bolsonaro está sendo submetido de caça às bruxas.
12:51A gente não pode simplesmente fingir que isso não aconteceu?
12:53Então, eu acho que essas evidências são claras e, para mim, me parece evidente que qualquer governo americano,
13:01qualquer que seja, vai ficar preocupado com o rumo dos acontecimentos políticos aqui no Brasil.
13:08Porque nós somos importantes na América Latina, nós somos importantes no mundo.
13:13O que acontece aqui ecoa em vários lugares.
13:16Então, me parece evidente que Donald Trump está preocupado.
13:20O que a gente não sabe é qual é a estratégia dele em relação ao Brasil
13:27e por que a atitude visível dele aparentemente mudou.
13:32É isso que a gente não sabe.
13:34Mas achar que o Brasil deixou de ser importante para Donald Trump,
13:40eu acho que não corresponde à realidade dos fatos.
13:43basta ver a realidade da mudança de estratégia de Trump.
13:48Se o Brasil não fosse importante para ele, ele não teria feito isso.
13:52Pois é.
13:53Krigner, quer fechar essa análise e reflexão?
13:55Muitos entendem que é mérito do presidente brasileiro,
13:59que sim, ele tem muita influência, ele conseguiu dobrar o presidente norte-americano.
14:03Há quem diga não.
14:06Estamos falando de uma grande estratégia de Donald Trump.
14:09Ele estaria blefando, não desceu as cartas.
14:11A gente não sabe exatamente qual é o objetivo de Donald Trump.
14:15E outros apontam o dedo.
14:16Não, isso é uma grande fantasia.
14:18Dá para a gente entender um pouco qual é o caminho, qual é a estratégia de Donald Trump?
14:22Eu continuo achando, Caniato, que realmente a estratégia pesa mais no quesito econômico.
14:29Você tem aí uma série de outros fatores.
14:32Agora, é claro, o presidente Lula não virou amigo do presidente Donald Trump, nem vice-versa.
14:38O incômodo que o presidente Donald Trump tem com o presidente Lula pela questão ideológica, partidária,
14:44a política externa, proximidade com a Venezuela, proximidade com Colômbia.
14:48O Gustavo Petro, que também se colocou como um oponente do presidente Donald Trump na questão de política externa.
14:56Agora, enfim, com inúmeras decisões que afetaram bastante a relação Colômbia-Estados Unidos.
15:02Toda essa questão não mudou, ainda permanece sendo um desconforto e permanece sendo um ponto de tensão.
15:10No entanto, parece que não é maior uma tensão mais complicada do que o desgaste econômico que o presidente Donald Trump estava sofrendo
15:19por conta das sanções e também dessas últimas decisões.
15:23Então, aqueles que vão pensar que nós estamos aí falando de uma amizade ou uma proximidade, isso é um engano.
15:32Não há.
15:33Agora, eu também não acho que essa relação política se tornou determinante.
15:40E aí volta para o histórico de Donald Trump.
15:43Ele consegue sentar com os diferentes líderes em diferentes capacidades.
15:46Vamos tomar em consideração também a Família Real da Arábia Saudita.
15:51Nós temos também o ditador norte-coreano.
15:54Tantos outros que têm ali controvérsias com aquilo mesmo que ele prega como uma agenda doméstica e internacional.
16:00Mesmo assim, visando pragmatismo na questão econômica.
16:04Onde é que eu ganho mais dinheiro?
16:06E aí, assim, eu creio que é o olhar que Donald Trump tem tido para o Brasil também.
16:10Mas as manifestações que mencionaram Jair Bolsonaro, Dávila, não são uma fantasia.
16:18Nós não sonhamos.
16:19Nós vimos isso.
16:20Noticiamos aqui.
16:22Então, como é que pode um líder do país mais poderoso do mundo se manifestar daquela forma
16:27em relação a Jair Bolsonaro e praticamente ignorá-lo nos dias de hoje?
16:32Por quê?
16:34Canhato, foi uma estratégia.
16:35Primeiro, apoiar, pressionar o governo para reverter o julgamento.
16:39Uma vez o julgamento foi realizado...
16:42Ele largou, então?
16:43Largou, por uma razão muito simples.
16:46O interesse dos Estados Unidos em relação ao Brasil está acima dos interesses pessoais da política.
16:53Este é o ponto, esse é o pragmatismo de defender interesse nacional.
16:58O Brasil manterá relações internacionais com os Estados Unidos, assim como os Estados Unidos com o Brasil,
17:03a despeito do governo do dia.
17:05E os interesses que estão em jogo agora para os Estados Unidos são cruciais.
17:11Os Estados Unidos, primeiro, querem frear a expansão da China na América Latina.
17:17E para isso precisa ter boa relação com o Brasil, porque hoje o maior parceiro comercial do Brasil é a China.
17:23Segundo, tem o famoso minerais raros, as terras raras, que é algo de extremo interesse para o interesse norte-americano.
17:30O Brasil é o segundo maior país detentor de terras raras.
17:36Só perde para a China.
17:37Então, tem várias questões fundamentais que a relação dos países está acima das relações políticas.
17:46E mostra isso na mudança do discurso de Donald Trump.
17:51O Motta lembrou aqui, começou a primeira vez naquela história da ONU, com a tal da química.
17:57E mesmo recentemente, agora, o presidente Trump se trata, o presidente brasileiro assim,
18:02esse aí passou por momentos difíceis na cadeia, agora está de volta ao poder,
18:07mostrando que dá a volta por cima, como se fosse ele, no caso que aconteceu com a história pessoal dele nos Estados Unidos.
18:13Ou seja, ele vai descobrindo mais pontos de convergência do que de divergência.
18:19E não é porque ele mudou de posição em relação a Bolsonaro ou a Lula.
18:25É porque ele entende que, para defender o interesse norte-americano em relação ao Brasil,
18:32ele precisa mudar de opinião em relação às pessoas.
18:36De novo, a teoria de Bismarck.
18:40Os interesses estão acima das simpatias pessoais pelas figuras políticas.
18:48Mas parece que tem gente no Brasil que ainda não compreendeu esta realidade cabal para Donald Trump.
18:58Motta, com esse cenário posto, a direita ou um segmento da direita, o bolsonarismo, se enfraquece?
19:05Porque parecia, pelo menos em algum momento, que esse grupo tinha nos Estados Unidos e em Donald Trump um aliado,
19:13um aliado de peso que poderia, inclusive, compensar aquele desajuste institucional.
19:19Bom, não posso contar com as instituições, conto com alguém que é muito forte, os Estados Unidos.
19:25Como fica essa relação agora?
19:26Caniato, eu acho que é justo a gente dizer que muita gente,
19:33muito além desse grupo que se chama de bolsonarista,
19:39muitos brasileiros tiveram a impressão
19:42de que os Estados Unidos tinham tomado a decisão
19:47de ajudar o Brasil a corrigir a sua trajetória institucional.
19:53De onde vem essa impressão?
19:57De onde veio essa impressão?
19:59Esses brasileiros não sonharam com isso.
20:01Não tomaram uma cachaçinha e isso deu na cabeça deles.
20:05Isso estava escrito nas comunicações, nas cartas que Donald Trump enviou.
20:11Isso estava escrito em postagens do secretário de Estado, Marco Rubio.
20:16Isso estava escrito em postagens feitas pelo secretário do Tesouro, Scott Passant.
20:22Eles disseram isso.
20:25Eles se referiram tanto à situação de Jair Bolsonaro,
20:30quanto a questões envolvendo censura de redes sociais,
20:34perseguição de políticos de oposição.
20:36Eu li a carta aqui, inclusive li várias vezes,
20:41justamente porque tinha gente que teimava em dizer que não era isso.
20:45Então Donald Trump escreveu isso.
20:48É lógico que os brasileiros, muitos brasileiros,
20:53interpretaram o texto da forma como ele estava escrito.
20:56Olha, agora os Estados Unidos,
20:58através da aplicação de sanções e de declarações públicas
21:03feitas pelo seu presidente, pelo secretário do Estado,
21:06pelo secretário de Tesouro,
21:07estão sinalizando para o Estado brasileiro
21:11que certas coisas têm que ser corrigidas.
21:14Muita gente ficou com a esperança
21:16de que isso significasse,
21:18apressasse a volta do Brasil à normalidade.
21:23É lógico que a mudança de atitude
21:25de Jair Bolsonaro, não,
21:28de Donald Trump,
21:28significou uma grande decepção.
21:31Essa decepção
21:32atinge muito mais pessoas
21:35do que simplesmente aos apoiadores de Jair Bolsonaro.
21:39Eu não acho justo
21:40a gente dizer para essas pessoas
21:42olha, vocês nunca deveriam ter tido essa esperança,
21:48porque os problemas do Brasil
21:49têm que ser resolvidos pelos brasileiros.
21:52Ora,
21:53foi o presidente dos Estados Unidos
21:55que disse por escrito
21:57que era isso que estava acontecendo.
21:59É como eu sempre falei aqui,
22:00se eu estou em dificuldade na minha casa
22:02e preciso de socorro,
22:04e passa um estrangeiro
22:06e vai me socorrer,
22:07eu vou dizer,
22:08não, não, não, não,
22:08eu não quero que você me socorra,
22:10eu quero ser socorrido por um brasileiro.
22:12Então, eu acho uma crítica, assim,
22:14muito rasa.
22:15E, mais uma vez,
22:16essas expectativas
22:18foram baseadas em declarações
22:21oficiais do governo americano.
22:23Não foi nenhuma fantasia maluca
22:25que saiu do nada.
22:28Pois é, concorda, Krikner?
22:29Dá para medir o quanto
22:31essa mudança de posicionamento
22:33enfraquece aquele grupo
22:35que se apoiava
22:36nesse movimento norte-americano?
22:38Como bem disse o Mota,
22:39não se trata de uma fantasia,
22:40de um sonho.
22:41Muitas declarações, né?
22:43A gente pode resgatar aqui tweets,
22:45presidente norte-americano,
22:47várias pessoas, secretários,
22:49enfim,
22:50integrantes da diplomacia norte-americana,
22:52muitas coisas mudaram.
22:53Isso enfraquece a direita
22:54ou o movimento bolsonarista?
22:56Eu concordo em partes, Caniato,
22:58porque eu acho que
22:59a gente precisa lembrar das coisas
23:01de uma forma factual,
23:03como elas são.
23:04Em nenhum momento
23:06o presidente Trump
23:06prometeu uma intervenção.
23:08Em nenhum momento
23:09ele disse que
23:10haveria algum passo maior
23:12do que talvez as sanções, né?
23:14Como foram a questão
23:15das barreiras tarifárias
23:17e também da aplicação
23:19da lei sobre os ministros
23:21e aí a cassação dos vistos também.
23:23isso não significa necessariamente
23:26uma intervenção.
23:27Quando a gente diz
23:28o problema do Brasil
23:30precisa ser resolvido
23:32pelos brasileiros,
23:33isso tem duas bases.
23:34Uma delas é conceitual,
23:35outra coisa é histórica.
23:37Em todos os outros países
23:39em que os Estados Unidos
23:40realizou algum tipo de intervenção
23:42para corrigir uma rota
23:46ou alguma coisa do tipo,
23:47o resultado,
23:48a longo prazo,
23:49não foi dos melhores, né?
23:50A gente pega aqueles países
23:51de guerra.
23:53Do outro lado,
23:54isso então,
23:54dessa parte mais histórica,
23:56do ponto de vista conceitual,
23:57o que o presidente Donald Trump
23:58fez com muita generosidade,
24:00aí na minha opinião
24:01com muita generosidade,
24:03foi de trazer
24:04um elemento de pressão.
24:07Esse elemento de pressão
24:08deveria ter sido abraçado
24:10pela força de oposição
24:11aqui do Brasil
24:13de uma maneira efetiva.
24:15Só que a gente viu
24:16uma série de desavenças,
24:17uma série de desencontros,
24:19uma coordenação
24:20que talvez não foi
24:20da melhor maneira
24:21para fazer com que
24:22essa pressão
24:23se transformasse
24:24num instrumento de ação
24:25nacional e doméstico.
24:27Porque seria,
24:29aí eu acredito
24:30que é a parte de ilusão
24:31de pensar que isso
24:32acarretaria
24:33numa participação americana
24:35aqui dentro, né?
24:37Então,
24:37quando a gente olha
24:38os documentos
24:39que foram feitos,
24:39as cartas,
24:40as falas,
24:41tanto do secretário
24:42Marco Rubio,
24:42também do presidente Trump,
24:44foram muito positivas
24:46para fazer com que
24:47houvesse uma pressão
24:48e que deveria ter sido
24:50absorvida pela oposição
24:51no Brasil
24:51para transformar
24:53em ação efetiva.
24:54Essa mobilização nacional
24:56não foi feita
24:57da melhor maneira.
24:58E aí, então,
24:59a gente viu
24:59essa pressão
25:01perdendo o momento
25:02e aí conflitando
25:03com os interesses
25:04domésticos americanos.
25:05Na minha visão,
25:06essa é a equação
25:07que fez com que
25:08houvesse esse retrocesso.
25:10Agora,
25:11eu repito,
25:12o problema do Brasil
25:13precisa ser resolvido
25:14pelos brasileiros.
25:15ajuda externa
25:16é bem-vinda,
25:17mas nós precisamos
25:18nos posicionar
25:19e fazer
25:20de uma maneira
25:21que essa ajuda
25:22ela seja um elemento
25:23adicional
25:24e não
25:25a matéria como um todo.
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