00:00O presidente Lula acabou desencadeando uma operação política em duas frentes
00:04para tentar fortalecer a sua candidatura à reeleição
00:07e isolar o seu provável adversário, o senador Flávio Bolsonaro, do PL.
00:13O petista tenta afastar os principais partidos do centrão da candidatura de Flávio.
00:19Além disso, em um movimento considerado mais delicado,
00:23ele foi receptivo à ideia de mudar o vice da sua chapa
00:27para tentar agregar o MDB à sua aliança formal.
00:31Olha, o MDB que nós falávamos, hein?
00:33Isso daria mais tempo de campanha na TV e reforçaria a mensagem de frente ampla
00:39propagada por ele na eleição de 2022.
00:42A ordem de Lula, já assimilada pelo PT,
00:45é ampliar ao máximo possível o seu arco de alianças para essa eleição.
00:50Articuladores petistas acreditam que a maioria do eleitorado já decidiu de qual lado ficará
00:55e que apenas algo em torno de 10% dos votos está em disputa.
01:00Por isso, qualquer ajuda para atrair eleitores seria muito valiosa.
01:06Você, Mota, a leitura do presidente Lula e também de integrantes do PT
01:12de que é preciso um vice do centro para isolar Flávio Bolsonaro.
01:17Falam em MDB e a gente se pergunta qual é o MDB?
01:21De Simone Tebet ou MDB de Michel Temer, né?
01:25Pois é, e a gente precisa pensar em que mundo isso faz sentido.
01:31Em que mundo políticos de esquerda radical que todo dia sugerem projetos,
01:38leis contra a iniciativa privada para aumentar o tamanho do Estado,
01:44para tornar mais difícil você criar empregos no Brasil,
01:47para tirar mais dinheiro do bolso do cidadão,
01:50agora fazem uma aliança com políticos de centro,
01:54políticos que não têm nenhuma convicção ideológica.
01:58Isso é o que o pessoal da esquerda chama de companheiros de viagem.
02:02Por que eles chamam isso?
02:03Porque são aqueles aliados que estão com você durante a viagem até o socialismo.
02:10Quando chegar no socialismo, aí você dá algum destino para esses companheiros,
02:15mas não é compartilhar o poder.
02:18Isso aí é uma novidade da política sem novidade, né?
02:22O mesmo jogo político jogado sem participação do cidadão.
02:27O cidadão só aparece de dois em dois anos para dar um ar de legitimidade, né?
02:32Dá um votinho ali e fica tudo bem.
02:35É um jogo no qual quem vence não é quem tem melhor proposta,
02:43não é quem tem as melhores intenções, não é quem tem as melhores ideias.
02:49Quem vence é aquele que tem o maior poder de enganar o eleitor.
02:54Você, Dávila, num passado não muito distante,
02:58o Partido dos Trabalhadores, talvez com aquele Lulinha Paz e Amor,
03:02conseguiu convencer uma porção de partidos de centro a embarcarem no projeto.
03:08Por que dessa vez Lula não conseguiria?
03:12O Lulinha Paz e Amor teve dois ingredientes na construção desse persona.
03:17Primeiro foi a carta ao povo brasileiro
03:18e segundo foi a escolha de Palocci como ministro da Fazenda.
03:24Foram as duas coisas, o mercado adorava o Palocci,
03:27achava que o Palocci era um cara que ia dar continuidade
03:30à política econômica do governo Fernando Henrique e realmente deu um começo
03:35e isso transformou Lula num candidato mais palatável para esse tal centro.
03:42Por isso Lula conseguiu vencer a eleição.
03:46Um pouco antes da publicação da carta ao povo brasileiro,
03:50Lula corria o risco de perder a eleição novamente
03:53e foi justamente essa guinada que conquistou esse voto do centro.
03:56Agora, eu queria fazer uma parte na questão, na colocação do Mota,
04:00que é o seguinte, eleição no Brasil é vista de acordo com a realidade local de cada estado.
04:08Este mecanismo de tentar atrair partidos significa o seguinte,
04:15o MDB que governa estados no qual depender do governo federal é fundamental para a sobrevivência política
04:25e sobrevivência econômica do estado, quer se alinhar com o governo.
04:31Já estados onde a iniciativa privada prevalece, onde há um certo horror
04:41a ver o Brasil que vive de mesada e quer justamente tirar o estado das costas do Brasil que trabalha,
04:48essa turma não quer saber do governo federal.
04:52E essa divisão mostra exatamente o retrato do MDB.
04:58O MDB aqui de São Paulo, o MDB do Rio Grande do Sul,
05:02não quer saber de jeito nenhum de aliança com o governo Lula
05:05e vai jogar muito duro contra o governo Lula.
05:10Já o MDB de Renan Calheiros, de Hélder Barbalho,
05:17esse é o MDB que quer estar no governo.
05:20Então, tem a ver com a realidade de cada lugar.
05:23E o Brasil tem regiões que os estados não conseguem sobreviver sem a ajuda do governo
05:30e tem estados que querem o estado cada vez mais longe do mercado
05:35justamente para permitir que os empreendedores, os trabalhadores e os investidores
05:42consigam ter paz e coragem para investir, trabalhar e empreender.
05:48Essa é a divisão hoje no Brasil.
05:53Então, o MDB reflete isso, o União Brasil reflete isso
05:57e o próprio PSD, o PSD de Kassab, aquela turma lá da Bahia, de outros lugares,
06:03querem apoiar o governo, querem liberar a bancada para poder apoiar o Lula.
06:07Então, tem tudo a ver com esse grau de dependência
06:10de indivíduos e estados nos cofres do governo federal.
06:16Interessante isso, porque há menos de uma hora, o site da revista Veja trouxe um bastidor
06:24justamente sobre a maneira que Baleia Rossi, que é o presidente nacional do partido,
06:30está verificando a possibilidade do MDB embarcar no projeto de Lula.
06:35E das 27 representações do MDB no país, apenas 10 são favoráveis à aliança com o presidente.
06:43E aí, os diretórios mais robustos, aqueles com maior densidade eleitoral,
06:51são contrários a esse projeto.
06:55E aí eu coloco São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro.
06:59Então, 17 são contrários, dentre eles, aqueles que têm a maior quantidade de eleitores.
07:07você, Musa, enfim, as várias articulações, as leituras feitas pelos partidos
07:14para as eleições de 2026, a possibilidade de algum partido de centro embarcar nesse projeto de Lula,
07:22ainda que muitos de seus quadros se coloquem como opositores no Congresso Nacional.
07:28E aí causa aquela situação estranha para o grande público.
07:33Poxa, mas esse camarada aqui é desse partido.
07:37E ele passou os quatro anos descendo a lenha no governo Lula.
07:41Agora o partido está nessa parceria com o presidente,
07:46apoiando a reeleição do presidente.
07:48É difícil de entender, né, Musa?
07:51É que fica muito mais óbvio quando a gente enxerga a política como de fato ela é, né, Caniato?
07:56Isso é um balcão de negócios, não há ideologia.
07:59Os interesses, e aí volta naquela definição que nós falamos entre direita e esquerda,
08:05os interesses individuais, ele é do ser humano, ele sempre se sobrepõe aos interesses coletivos.
08:12É bastante natural isso, uma definição do ser humano.
08:15E está tudo bem nisso.
08:17A questão é que a política é carregada de incentivos perversos
08:22que permitem que esses interesses individuais se tornem corrupções a céu aberto
08:27e balcão de negócios financiada pelo dinheiro de terceiros.
08:31Não tem importância nenhum se você tiver com o seu dinheiro querendo ganhar mais
08:37e para isso você precisa fornecer, prover pessoas de produtos e serviços de qualidade.
08:42Do indivíduo, você está possibilitando o coletivo de produtos e serviços de melhor qualidade.
08:48Mas não, nesse caso da política, é um financiamento obrigatório por parte dos pagadores de impostos
08:55para financiar pessoas que pouco se importam com a ideologia privada de cada um deles.
09:01Ali, o que vale é, eu posso defender o A como eu posso defender o Z,
09:06dependendo dos interesses que me coloquem à mesa.
09:08Ou seja, a gente não pode confiar os nossos futuros, os nossos objetivos
09:14nas mãos de políticos que não se posicionam ou que se posicionam podem muito bem mudar de opinião.
09:20Só para finalizar, o Davi falou um negócio muito interessante.
09:23A gente fala com certa obviedade do PSD e do Kassab,
09:26mas como muito bem ele falou, tem muita gente dentro do PSD que continua apoiando o próprio governo.
09:32Porque lá dentro tem ali as suas boquinhas, os seus ministérios, as suas regalias, etc.
09:36Então, acho que tudo isso é importante para trazer à tona,
09:41e eu acho que a gente vem passando por esse processo de amadurecimento político, Caniato.
09:46É como se a gente tirasse, desromantizasse um pouco da nossa visão política.
09:51Veja a política como de fato ela é,
09:53para que a gente não mais tenha que ficar surpresos negativamente com tudo isso.
09:58Quando você encara a verdade, você vai direto ao fato.
10:01E a verdade é essa.
10:03Gente que se xinga da boca para fora, mas dentro de casa estão todos apertando a mão do outro.
10:08Agora, Mota, quando a gente escuta uma justificativa
10:13indicando que a aliança seria importante para aumentar o tempo de televisão,
10:19parece que a gente está discutindo uma estratégia eleitoral dos anos 90,
10:24do início dos anos 2000.
10:26Faz sentido falar em uma aliança, uma frente ampla,
10:29com tantos partidos para aumentar o tempo de televisão.
10:32Em 2018, sabe quem tinha o maior tempo de televisão?
10:35Geraldo Alckmin.
10:40Microfone fechado, Mota.
10:43Caniato, você estragou o meu comentário.
10:46Eu pensei que você estava levantando a bola para eu cortar,
10:49e aí você cortou a bola.
10:51Pois é, é curioso, mas são essas coisas que movem a política.
10:57A política brasileira é movida a esses cálculos,
11:03alianças em troca de tempo de televisão.
11:06Você vê políticos fazendo movimentos que,
11:11do ponto de vista do cidadão, não fazem nenhum sentido,
11:14não representam nada,
11:16não esclarecem as intenções,
11:20não apresentam uma ideia nova,
11:22procura no discurso da maioria desses políticos
11:27alguma novidade.
11:30Nós estamos no mundo, Caniato,
11:32em menos de 10 anos,
11:36é inevitável que cheguem aqui no Brasil
11:39os carros sem motorista.
11:41Daqui a pouco,
11:43todos nós vamos ter,
11:45vai ser barato,
11:46nós ainda vamos ver isso,
11:48robôs como assistentes pessoais.
11:52A inteligência artificial hoje ocupa espaço,
11:56já está ocupando espaço,
11:58onde a gente nem desconfia.
12:01Em muitas situações,
12:02a gente acha que está lidando com seres humanos,
12:04e não está mais.
12:05Estamos lidando com a inteligência artificial.
12:08O que o Brasil está fazendo
12:10para se preparar para isso?
12:12Seja como produtor de tecnologia,
12:15ou seja,
12:16para adotar essa tecnologia.
12:19Nós estamos discutindo ideias do século XX ainda,
12:24do início do século XX.
12:26As principais ideias que movem a política brasileira
12:30são variações das ideias criadas em 1848
12:36por um alemão barbudo
12:38que não entendeu a revolução industrial.
12:42Um sujeito que jogou a família na miséria.
12:45Dependeu a vida inteira de mesada
12:48de um amigo rico para sobreviver.
12:49Para quem não estiver ligando o fato à pessoa,
12:52eu estou falando de Karl Marx.
12:53E essas são as ideias que movem a política brasileira.
12:58Então, imagina a sensação do cidadão
12:59quando olha para a política
13:01e ele só vê duas coisas.
13:04Essas ideias de 1848,
13:07ou então esse joguinho de conveniência,
13:11de troca de nacos do poder
13:13em torno de apoio.
13:15Não é à toa que o eleitor brasileiro vive desanimado.
13:20Pois é.
13:21Deixa eu fazer uma rápida parada
13:23para você que nos acompanha pela rede.
13:26Nós seguimos aqui com os nossos comentaristas.
13:28O Mota fez uma boa provocação.
13:30E é preciso também lembrar você que nos acompanha.
13:32Se você puder,
13:34estude tudo o que você conseguir
13:36sobre inteligência artificial.
13:38Ela vai te ajudar na sua vida pessoal,
13:40no seu trabalho.
13:41Não perca tempo fazendo caricatura bonitinha
13:44para postar na rede social.
13:46Não peça para o chat do GPT
13:47fazer uma caricatura sua
13:48para você postar no seu histórico.
13:50Bacana, legal, muita gente fazendo isso.
13:53Mas o universo da inteligência artificial
13:55é muito maior e pode te ajudar.
13:58Se você se dedicar à inteligência artificial,
14:00você vai fazer a diferença no seu trabalho.
14:02Pode crer, pode acreditar.
14:04Você, Bruno Moza,
14:05só para a gente passar a régua nessa discussão
14:08em torno das estratégias dos partidos,
14:11o que é importante ser analisado aqui,
14:15o que vai fazer a diferença na campanha eleitoral,
14:19as narrativas que vão ser adotadas.
14:21Vai ser uma repetição dos filmes
14:23que foram apresentados nos últimos anos?
14:25Infelizmente, acredito que sim.
14:27Até porque nós vivemos nessa época polarizada,
14:29desse processo,
14:31que eu acredito que culminará em alguns anos.
14:33Assim, espero no amadurecimento maior,
14:35mas a gente vê se,
14:36ao longo dos últimos tempos,
14:38essa politização mais da vida,
14:40que faz parte, no meu entender,
14:42desse, repito, de crescimento
14:43com conhecimento da política,
14:45nós passamos a votar
14:47naquele que antagoniza
14:49o que nós rechaçamos
14:50e não planos de governo.
14:53A gente vê discussões,
14:54a gente vê brigas,
14:55vemos xingamentos,
14:56mas não vê nada produtivo.
14:58De fato, são poucos produtivos
15:00que a gente vê.
15:00Então, eu espero que
15:01alguns nomes que estão sendo ventilados,
15:03que nós vamos falar aqui adiante,
15:04talvez tragam dados mais embasados
15:08para a gente discutir
15:09e crescer de verdade.
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