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No Visão Crítica desta quarta-feira (22), Rodrigo Prando, cientista político e professor do Mackenzie, aponta que o Presidente Lula não possui a mesma força de mobilização em certos segmentos que o ex-presidente Bolsonaro mantinha.

A missão de Boulos na Secretaria-Geral é revigorar os movimentos sociais, servindo como o elo entre o Planalto e as bases, buscando recuperar a musculatura política para o próximo ciclo eleitoral.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/BQN-lpt8B5w

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Transcrição
00:00Eu pergunto ao professor, a ida de Guilherme Boulos não significa uma...
00:05Eu estou dizendo isso pelos comentários que leio, não estou expondo aqui a minha opinião,
00:10concordando ou discordando com isso não.
00:13Não é um processo de esquerdização do governo Lula, fazendo com que ele, em termos eleitorais,
00:20perca apoio dos setores centristas ou até mais à direita, como por exemplo,
00:24alguns do União Brasil que insistiram, até se for o caso, ser expulso do partido, mas não largarem os ministérios?
00:32É, essa... Bom, Vila, boa noite. Paula, boa noite.
00:36Professor Vila, um prazer estar aqui novamente. Paula, prazer conhecê-la.
00:40Sim, Vila, tem essa discussão.
00:43Aqui eu quero fazer uma pergunta pra vocês, porque eu estou na frente aqui de dois historiadores, né?
00:47Dois historiadores.
00:49Historiador trata da conjuntura, mas historiador geralmente tem uma predileção no seu escrito
00:56pela questão estrutural aliada à conjuntura.
01:00Mas veja só, durante o governo Bolsonaro, quando que Bolsonaro, em algum momento,
01:07mesmo disputando a eleição de 22, ao longo do seu mandato de 18 a 22,
01:12fez qualquer inflexão ao centro ou à moderação?
01:16Nenhuma, né?
01:17Eu me lembro de nenhuma.
01:17Você se lembra de nenhuma, né?
01:18Porque ele comprou o Congresso com o orçamento secreto.
01:21Só com o orçamento secreto, manejado pelo Lira, mas ele não fez nenhuma inflexão,
01:26por exemplo, milhares de pessoas morrendo por dia de Covid.
01:31Uma luta do governador, então governador de São Paulo, Dória,
01:34e aí não é uma questão de que partido ele é, a questão é de vacina, é de vida, é de ser humano.
01:40Ele radicalizou o discurso, teoria da conspiração, fake news,
01:44que até hoje ronda a mentalidade dos brasileiros e das brasileiras.
01:48Pois bem, e ele chegou, e a gente falava aqui nos bastidores, né?
01:53Que vocês se encontraram no primeiro turno, né?
01:56No primeiro turno, vocês se encontraram na TV e foi apertado.
02:01E o segundo turno também foi muito apertado.
02:03Bolsonaro não fez nenhuma inflexão para ganhar qualquer tipo de voto dos moderados.
02:10Ah, mas então você está dizendo que o Lula, ao levar o Boulos, não está fazendo a mesma coisa?
02:14Não, não estou dizendo isso, mas eu estou dizendo o seguinte.
02:17Em um determinado momento, muitas críticas ao PT foram pelo fato do PT
02:22começar a perder segmentos do eleitorado que historicamente sempre foram do PT.
02:27E eu os enumero, o eleitor do Nordeste, até dois salários mínimos.
02:33Porque tem segmentos que o Lula não tem a força que tinha o Bolsonaro ou o bolsonarismo,
02:38acima de cinco salários mínimos, entre os evangélicos, por exemplo.
02:42O Lula, levando o Boulos, está levando alguém que disputou duas vezes a prefeitura de São Paulo.
02:48E eu quero lembrar, não nesta última disputa, mas quando ele disputou com o falecido Bruno Covas,
02:54que eleição civilizada? Os dois, em campo, se pensar ideologicamente opostos.
03:01Mas Boulos e o ex-prefeito, educados.
03:07Quando teve um problema de militância, um ligou para o outro pedindo desculpa pela militância.
03:12Veja o grau de civilidade que mostra que é possível um diálogo quando está no campo da democracia.
03:17Pois bem, Boulos vai para o governo e Boulos tem uma missão, Lula o leva com uma missão muito clara.
03:25Revigorar os movimentos sociais.
03:28Escutar as vozes das ruas que me parece que em alguns momentos os progressistas e a esquerda
03:34se esqueceram de pautas, como a questão da escala 6x1, como a questão do imposto de renda.
03:40Então, esses temas são muito fortes.
03:43E a mobilização a qual se referiu a Paula há pouco,
03:47essa mobilização que nas ruas do Brasil fez com que a PEC da blindagem,
03:54famigerada e apelidada PEC da bandidagem, fosse barrada.
03:58Logo depois, a aprovação da isenção do imposto de renda.
04:03Você imagina, para alguém que ganha até 5 mil reais,
04:06essa isenção implica quase um décimo quarto salário.
04:11Se ela tiver carteira assinada, são 6 mil reais.
04:14Então, isso tem um poder de gerar consumo, de mexer com a economia interessante.
04:22E o Boulos tem, como também lembrou Paula aqui, com muita propriedade,
04:26essa conexão com a militância, com os movimentos sociais.
04:29Porque, você sabe, Paula também, nós é que sabemos,
04:33a essa hora que está aqui nos acompanhando, é uma audiência qualificada.
04:37Eu posso tranquilamente dizer, a origem do PT é nos movimentos sociais,
04:42no sindicalismo do ABC, com Lula à frente,
04:46e nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica.
04:49Pois bem, esse mundo dos anos 80, esse sindicalismo,
04:52essa indústria que o Lula se firmou, esse mundo do trabalho, já não existe mais.
04:58Só que existem novas dimensões.
04:59E precisa de uma conexão histórica com esse novo desdobramento desse capitalismo,
05:04que não é só no Brasil, é no mundo todo.
05:06Então, Vila, eu não acho que é uma esquerdização.
05:09Eu acho que ele está acenando e dizendo o seguinte,
05:12eu não posso perder aquele que me é fiel.
05:15O Patrick Charredo, um estudioso do discurso político,
05:18diz que quando o político discursa, tem três plateias.
05:21Os que concordam comigo, os que não concordam comigo e os que estão indecisos.
05:26É perda de tempo e de recurso falar com quem já é seu
05:29e tentar trazer em quem não vai votar e você de nenhum.
05:32Você tem que verbalizar para este que pode ou não votar.
05:36O Lula, pode ser que com Boulos não esteja falando para esse que está em dúvida,
05:40mas ele está falando para aquela base histórica que ele não pode perder,
05:44porque foi muito apertada a vitória em 22.
05:47Então, eu acho que é um ganho para o governo Lula,
05:49uma figura que, como Boulos, não só no discurso,
05:52lembra muito Lula quando se posiciona publicamente,
05:55mas o Boulos tem uma coisa que o Lula não tem,
05:58que é a dinâmica de rede social e esse embate com certos indivíduos
06:04e grupos da extrema-direita que o Lula não sabe fazer
06:07e o Boulos sabe fazer o enfrentamento.
06:09Eu acho que não é uma esquerdização,
06:11eu acho que é, porque aí você falar de esquerdização,
06:13o governo do PT é um governo progressista,
06:16o PT é um partido de centro-esquerda,
06:18o PSOL está mais à esquerda do que o PT em termos de ideário político,
06:21que é a presidente que não vai negar e sabe que é isso.
06:24Mas você faz uma construção para governar,
06:27e o PT precisa disso e o Lula precisa disso.
06:30Eu acho que é um ganho em termos de ministério,
06:33de ministro, a chegada do Boulos.
06:35Só lembrar quem nos acompanha,
06:37quando o professor Rodrigo Prando lembra da eleição de presidência alta em 2022,
06:43que o segundo turno foi muito apertado,
06:45em termos percentuais foi 50,9 versus 49,1.
06:51Portanto, foi uma eleição muito disputada,
06:54só a partir das 8 horas, 8 e meia da noite,
06:56eu lembro que eu estava acompanhando,
06:58a pari-passo, a eleição,
07:00foi que no momento que fica claro que não era mais possível
07:04a reeleição do presidente Jair Bolsonaro,
07:07numa conjuntura portando uma eleição extremamente disputada,
07:10a mais disputada desde 1989.
07:14Se nós pegarmos a série em 1989, 94, 98, 2002,
07:19até chegar a 2022.
07:22Aí vem uma questão, Paulo,
07:24o PSOL nasceu de um racha do PT
07:26com a questão da reforma da Previdência,
07:29lá em 2003.
07:31Teve, em 2006, uma candidata,
07:33que foi muito bem, inclusive, no processo eleitoral,
07:35a Heloísa Helena.
07:36Acho que teve cerca de 6% dos votos,
07:38ou algo aproximado disso e tal.
07:40Mas eu queria colocar o seguinte,
07:42a leitura, o próprio professor Rodrigo apresentou,
07:46seria essa de o papel do ministro Guilherme Boulos,
07:51de articular os movimentos sociais,
07:53movimentos populares, ao governo,
07:55claro que apontando para as eleições de 2026.
07:59Mas tem uma questão, sem ser chato e sendo,
08:03que os movimentos sociais, movimentos populares,
08:05que historicamente surgiram na segunda metade dos anos 70,
08:09aqui em São Paulo, com o movimento contra a carestia,
08:12na zona sul de São Paulo, isso faz muito tempo,
08:14e depois foi crescendo, muito próximo,
08:17como lembrou o professor Prando,
08:18às comunidades eclesiais de base,
08:20e no restante do país foi adquirindo características particulares,
08:26mas veio uma série de lideranças populares
08:28vinculadas a esses movimentos.
08:31Hoje, esses movimentos sociais não têm,
08:33na minha leitura, posso estar errado,
08:35e eu pergunto à senhora,
08:37a importância que tiveram no passado.
08:39O MST, por exemplo, para citar um deles,
08:42que marcou um período grande da vida política brasileira,
08:46desapareceu nos quatro anos do governo,
08:48ou teve pouca importância, se assim preferirem,
08:51nos quatro anos do governo Bolsonaro,
08:53e mesmo nesses cerca de três anos de governo Lula.
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