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Caio Bittencourt, especialista em comportamento e relacionamentos, explicou no Fast Money como a instabilidade econômica, a inflação e o peso das finanças estão redefinindo namoro, casamento e expectativas afetivas no Brasil.

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Transcrição
00:00E a gente vai falar agora de relacionamento, porque estamos namorando e casando menos,
00:07e isso não quer dizer que estamos amando menos, mas sim tem a ver com a falta de estabilidade financeira,
00:14combinação de inflação persistente, instabilidade econômica, pressão por ascensão social,
00:19está alterando profundamente a forma como os brasileiros constroem vínculos afetivos.
00:24Jovens e adultos estão adiando namoro, casamento, filhos, enquanto cresce a busca por parceiros com estabilidade financeira,
00:33vistos como capazes de oferecer segurança num cenário de tantas incertezas.
00:38E essa situação mostra que a economia já está então redefinindo o comportamento afetivo dos brasileiros
00:43e deve seguir influenciando as relações no próximo ano.
00:48Vamos aprofundar então uma camada nessa conversa.
00:50A minha conversa então, ao vivo, é com o Caio Bittencourt, que está aqui no estúdio do Fast Money.
00:55Prazer, Caio.
00:56Prazer é meu.
00:56Seja muito bem-vindo, viu?
00:58Obrigado pelo convite.
00:59E o Caio é especialista em comportamento e relacionamentos, né Caio?
01:01Certo.
01:02Que coisa, né?
01:03É curioso a gente trazer essa conversa para um canal de jornalismo de negócios,
01:07mas isso de fato influencia a economia no fim das contas, não?
01:11Claro, com certeza.
01:12A gente tem grandes sites de dating, como por exemplo o meu patrocínio,
01:15que ele gera esse tipo de relacionamento.
01:18Pessoas que querem se relacionar com homens bem-sucedidos.
01:22A geração Z, por exemplo, é que mais se preocupa em ter um relacionamento com um homem que seja inteligente,
01:28um homem proativo, um homem que seja o provedor.
01:30Não que essa mulher não queira trabalhar.
01:33Sim, ela trabalha, ela é médica, ela é corretora, ela faz uma série de funções,
01:37mas ela quer chegar em casa e ter a tranquilidade de um homem ao lado dela,
01:41que em caso o dinheiro aperte, caso aconteça alguma coisa, ele fale,
01:44não, é comigo, eu vou te ajudar e eu estou aqui para o que você precisar.
01:48Fico pensando assim, se isso já não acontecia antes, de fato,
01:52cada caso é um caso, já devia existir esse tipo de prioridades,
01:56mas ela está sendo cada vez mais presente, mais verbalizada, é isso que mudou?
02:01Com certeza.
02:02Antropologicamente falando, as mulheres sempre procuraram segurança num relacionamento,
02:06elas sempre procuraram alguém que pudesse estar ali,
02:09não só financeiramente, mas também emocionalmente.
02:12E é como você falou, as pessoas têm, há uma tendência maior de se priorizar,
02:18de estudar mais, de se profissionalizar mais,
02:21e os casais estão enfrentando esse tipo de problema.
02:23Como a gente estava conversando aqui, os relacionamentos aumentaram,
02:26pessoas estão se relacionando mais, mas também a gente tem um relacionamento mais curto,
02:32que é quando entra o problema financeiro.
02:34Os relacionamentos, eles costumavam ser, durar 16 anos, quando a gente fala de 2010,
02:41e agora está durando 13, as pessoas estão passando menos tempo junto,
02:46que é justamente nessa fase que a parte financeira começa a pesar.
02:50Que coisa.
02:51E tem um dado aqui que me chamou bastante atenção,
02:53que uma pesquisa Serasa mostra que 53% dos brasileiros brigam por causa de dinheiro, né, Caio?
03:00E o que que explica esse peso tão grande, né, do bolso nas relações?
03:04Tem a ver com gastos, com prioridades diferentes, com perspectivas diferentes?
03:10O que que pega, hein?
03:11Por que que se briga tanto por causa de dinheiro?
03:13É, esse é um dado muito importante.
03:1553% dos divórcios no Brasil são pautados em falta de dinheiro.
03:20O dinheiro é aquela coisa, quando o casal é estável financeiramente,
03:23ele é como o ar que a gente respira aqui.
03:25Não falta, está tudo bem.
03:26A partir do momento que você tira esse ar da sala, é como se o dinheiro sumisse.
03:30Nesse caso, né, nessa analogia, o dinheiro some.
03:33E o primeiro a sofrer é o relacionamento, porque isso gera insegurança,
03:38isso gera brigas diárias, o homem começa a não focar mais na relação e, assim, em resolver,
03:44e a mulher também, todos focados naquele problema.
03:47E as pessoas se esquecem, esquecem de se cuidar, esquecem de cuidar do parceiro,
03:50e o divórcio acontece depois desse problema.
03:54Então, é verdade, realmente as pessoas se divorciam mais e dinheiro,
03:57quando falta, é um problema sério.
03:59Agora, ainda que não falte, o dinheiro também pode ser, gerar discussões?
04:06Pela forma como cada um usa, eu acho que devia usar dessa forma,
04:10gastar nisso, comprar um imóvel maior, não, prefiro deixar aplicado.
04:13Ainda quando não é a falta, o problema, essas diferenças, elas também afetam, né?
04:19O amor, no fim dos contos.
04:19Claro, com certeza. Quando você escolhe se relacionar com alguém, você fala, por exemplo,
04:23em relacionamentos hipergâmicos, ou seja, a evolução da sapiossexualidade.
04:28Ser inteligente não basta, você tem que ter uma boa condição financeira,
04:31você tem que ser uma pessoa que trabalha, e isso gera uma segurança maior.
04:35Quando os objetivos estão desalinhados, enquanto uma pessoa pensa em comprar um apartamento
04:39e outra pessoa pensa em ir para Paris, é aí que o problema começa a ficar mais pesado,
04:45porque são objetivos desalinhados.
04:47Relações transparentes, relações que existe diálogo, onde tudo é conversado
04:53e não é pressionado.
04:55A gente não está falando sobre, olha, eu quero A, você quer B.
04:58Eu quero comprar um apartamento maior e você quer ir para Paris e as duas coisas não dá.
05:02Ao meio termo, olha, vamos juntar o necessário para dar uma entrada nesse apartamento maior
05:07e enquanto isso a gente vai para Paris.
05:10A questão é conversar, é o diálogo, isso falta muito.
05:13Como as pessoas estão despriorizando as relações interpessoais e se priorizando,
05:20como a gente falou, de estudo, trabalho, etc.,
05:22elas acabam perdendo essa falta de social skills, de ponderar, de abrir mão,
05:27de ajudar o outro e entender que não é porque eu estou certo que o outro está errado.
05:31Existe um meio termo, existe algo que dê para conviver bem.
05:34E aí eu fico pensando na questão geracional.
05:39A gente, então, tem uma geração mais jovem entrando nesse momento dos relacionamentos,
05:44dos casamentos, dos planos, que podem ser particulares, individuais ou em casal.
05:50Você acha que tem menos tolerância?
05:54Porque para ter relacionamento é isso que você falou, exige abrir mão.
05:59Não tem como se relacionar com alguém sem ceder, sem nenhum dos dois lados ceder.
06:04Como você vê esse peso geracional?
06:06Ou também tem uma questão de momento econômico que a gente está vivendo
06:10que traz, de fato, mais dificuldades para os jovens agora?
06:15Sim.
06:15Hoje é muito mais difícil você conquistar a sua independência financeira do que era antigamente.
06:21Então, a grande questão, quando a gente fala desse tipo de relacionamento,
06:25os jovens agora sabem o que eles querem.
06:27Uma mulher, por exemplo, de 22 a 30 anos, ela entendeu que essa coisa da super mulher tem
06:34que ser a que trabalha mais, a cura dos filhos, a cura da família, a cura do marido,
06:38isso acaba gerando um meio exaustão muito grande.
06:40E ela procurar um homem bem-sucedido, elas sabem o que elas querem agora,
06:44sem aquela coisa do julgamento que a gente tinha 50 anos atrás, há 20 anos atrás.
06:49Nossa, ela casou com um homem muito mais bem-sucedido por causa do dinheiro dele.
06:52E daí? Ela trabalha, ela tem as coisas dela, ela sabe escolher e ela não tem mais medo disso.
06:58Ela se libertou desse paradigma do tipo,
07:01nossa, se eu me relacionar com uma pessoa mais bem-sucedida, eu estou sendo interesseira.
07:04Não, você está sendo interessante e você está sendo inteligente.
07:07Porque a partir do momento que você começa um relacionamento com mais chances de dar certo,
07:12ou seja, com um ambiente financeiro estável, um homem maduro,
07:15um homem que se preocupa em cuidar de você, o seu relacionamento tem mais chances de dar certo.
07:19Porque as novas gerações têm brigado mais por isso do que as gerações que passaram.
07:23Mas vejo também muitas relações homem-mulher em que a mulher foca ali no trabalho, se dá bem,
07:31e muitas vezes é bem mais bem-sucedida, né?
07:34Sim, sim, claro.
07:35Mais etc.
07:36E tudo bem também, e vamos bem dessa forma, né?
07:39Perfeitamente.
07:40E é esse o caso.
07:40Inclusive, a gente tem um dado também do Serasa que mulheres têm se endividado muito por causa de homens.
07:46E é isso que elas querem evitar.
07:48Ela trabalhar, ela conquistar o mercado financeiro, ela ser super bem-sucedida, ser maravilhoso.
07:52E é exatamente sobre isso, sabe?
07:55Se ela optar por ser a provedora do lar, se ela optar por ser tudo aquilo que vai de encontro,
08:02que a gente está conversando aqui agora, beleza.
08:04Isso não é melhor nem pior, é apenas diferente.
08:06Só que as novas mulheres, as gerações agora, geração Z, por exemplo,
08:11se preocupam com o bem-estar emocional, com saúde financeira,
08:14elas têm optado mais por esse caminho.
08:16Mas é claro, quem opta por outro caminho, maravilhoso.
08:19Tem até a questão da ser mãe solo, cuidar de uma casa sozinha.
08:24Isso é uma coisa maravilhosa.
08:25Só que, em dado momento, pode se tornar um fardo.
08:28E aí que abala a parte psicológica.
08:30E é sempre bom, né?
08:31Como diria o poeta, é impossível ser feliz sozinho.
08:33Tá certo.
08:34Quero agradecer Caio Bittencourt, que é especialista em comportamento e relacionamentos,
08:38pela conversa aqui ao vivo no Fast Money.
08:40Obrigada, Caio.
08:41Muito obrigado.
08:41Obrigado a você.
08:42É um prazer.
08:42Obrigado.
08:43Obrigado.
08:44Obrigado.
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