00:00Vamos direto ao Rio de Janeiro, porque de fato as forças de segurança estão nas ruas,
00:05mais de mil policiais na operação contra o Comando Vermelho.
00:09Rodrigo Viga vai trazer as informações ao vivo pra gente
00:12sobre mais uma ofensiva também por parte do governo carioca contra o crime organizado.
00:18Viga, traz pra gente o contexto dessa operação especificamente. Muito bom dia.
00:24Tudo bem, David? Bom dia pra você, pro nosso amigo espectador internauta no Morning Show.
00:28Mais uma batalha, mais uma guerra, mais um confronto, mais um enfrentamento.
00:31Agora há pouco eu também tava numa batalha aqui com uma formiga, rapaz.
00:33Formiga voadora que morde pescoço.
00:36Enfim, se fosse outro contexto eu diria até que formiga vampira.
00:39Mas tudo bem, vamos em frente.
00:41Mais uma etapa da operação contenção, como diz o nome, pra conter o avanço do Comando Vermelho.
00:46Dessa vez, numa área que eu diria sensível, extremamente nevrálgica. Por quê?
00:51Porque o Complexo do Salgueiro, lá em São Gonçalo, na região metropolitana,
00:54é uma região estrategicamente escolhida pelo Comando Vermelho.
00:59Na frente tem uma rodovia federal, atrás tem a Baía de Guanabara,
01:03e também tem muitos escapes ali por aquela região.
01:06A única diferença em relação às comunidades, os grandes complexos aqui da capital,
01:10é que lá é planície, não é morro, não é planalto.
01:13Então, de alguma forma, isso facilita a entrada, o acesso dos agentes
01:17que foram recebidos a tiros logo mais cedo,
01:20aqui nesse complexo de favelas, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
01:24Há uma forte resistência, o Comando Vermelho ali está presente,
01:27tem muita rota de fuga, como eu disse, tem rodovia federal, tem rodovia local,
01:32tem estrada estadual e tem a Baía de Guanabara,
01:34que é utilizada como rota de fuga, esconderijo, tem uma região de manga por trás.
01:38Não é fácil, sem querer ser redundante, é bastante complexa a ação da Polícia do Rio de Janeiro.
01:44No Complexo de São Gonçalo, no Complexo de Salgueiro, em São Gonçalo,
01:48na região metropolitana, mais de mil homens já houve confrontos,
01:50prisões e apreensões e um detalhe importante, meu caro David,
01:55ouvinte, espectadores e internautas da Jovem Pau.
01:57O principal alvo dessa operação é um velho, mas um, literalmente,
02:00com todo respeito aos sexagenares, um velho conhecido da Polícia do Rio de Janeiro.
02:06Esse criminoso, o Antônio Hilário Ferreira, conhecido como Rabicó, tem 61 anos de idade.
02:11Pois bem, é alvo de vários processos por homicídio, tentativa de homicídio,
02:15crime organizado, tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas,
02:19que tramitam aqui na Justiça do Rio.
02:20Mas já tinha sido condenado há 27 anos de prisão.
02:23Foi preso lá na Paraíba, onde estava escondido, ao lado da família, no ano de 2008.
02:28E aí vamos aos detalhes dos detalhes.
02:30Em 2019, ele deixou o sistema carcerário do Rio de Janeiro,
02:34graças a uma decisão de quem?
02:36do Supremo Tribunal Federal, que concedeu a Rabicó, esse traficante de 61 anos de idade,
02:42chefe do Comando Vermelho, o direito de acompanhar em liberdade o andamento do processo.
02:48A pergunta, se você tem ela, a resposta na ponta da língua é a seguinte.
02:52Ele voltou para o sistema carcerário, meu caro Tarso?
02:56Rodrigo Viga, muito obrigado pelas informações.
02:58Confesso que eu dei uma desconcentrada aqui, que eu estava resumindo uma coisa da produção.
03:01A formiga te desconcentrou e eu estou aqui, tentando apurar um negócio
03:05para trazer aqui para os nossos ouvintes e telespectadores.
03:07Eu não vi sua pergunta final. Você pode repetir, por favor?
03:11Não, sem dúvida alguma.
03:13Eu estava dizendo o seguinte, que esse Rabicó, o chefe do tráfico
03:16lá no Complexo de Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana,
03:18tem 61 anos de idade. É longevo, né?
03:21É incomum para o crime aqui no Rio de Janeiro.
03:23Ele já foi condenado a 27 anos de prisão.
03:27É real em vários processos que tramitam na justiça do Rio de Janeiro.
03:30Entrou no sistema carcerário em 2008, e em 2019 veio a decisão do Supremo Tribunal Federal,
03:36que deu a ele o direito, apesar dessa ficha extensa, corrida de ligação com o tráfico de drogas,
03:43de acompanhar o andamento do processo em liberdade.
03:45Saiu em 2019, e a pergunta que eu te fiz foi a seguinte,
03:49ele voltou para o sistema, meu caro Tarso?
03:51Ah, acho que a nossa audiência toda já sabe, né, Rodrigo Viga?
03:56A Jazz até balançou a cabeça aqui.
03:58Não.
03:58Com certeza não, né?
04:01Valeu, Viga, e boa sorte com as formigas.
04:03É que você está doce demais, né?
04:05Talvez seja isso.
04:07Obrigado pelo elogio, Tarso, mas do jeito que está ardendo aqui,
04:12eu acho que era aquela do desenho das antigas.
04:13Formiga atômica.
04:14Grande abraço, bom dia.
04:15Valeu.
04:18E falar no...
04:19Por falar em facção também, né, o PL anti-facção, que foi tão debatido aí,
04:24pelo jeito avançou no Senado, foi aprovado por unanimidade,
04:27mas como o Rodrigo Viga trouxe a informação que foi contemplado aí o traficante com o benefício da saída do sistema prisional,
04:37parece que as leis, aquelas que queriam endurecer as penas, regrediram novamente porque o Senado amenizou o tom Isadora Brizola.
04:45Traz o contexto pra gente.
04:46Pois é, né, a gente ficou nesse debate aí nas últimas semanas, na esperança de que poderia ser alinhado.
04:52Tivemos muitas questões, inclusive conversamos com o Hugo Mota aqui no dia seguinte da votação,
04:56e ficou um pouco confuso até pra gente que acompanhou, porque o texto teve, passou por diversas mudanças.
05:02O que a gente entende agora?
05:03A primeira premissa era de uma organização criminosa qualificada, um novo tipo penal,
05:08e ele passou pra um que seria uma organização criminosa ultraviolenta.
05:11Esse texto agora vai passar pro Senado, vai estar voltando, né, aí agora,
05:16mas ele passou por uma tentativa de diversas mudanças diferentes,
05:18de inserção, às vezes, das leis antiterrorismo, de limitação do poder da Polícia Federal,
05:23que acabou sendo voltando atrás também.
05:26Então agora a gente tem uma questão aí, tivemos algum endorcimento de penas de alguns grupos,
05:30também a entrada de questão de violência de domínio de territórios,
05:33e também da segurança máxima nesse tipo penal.
05:36Porém, ainda a gente tá discutindo, ainda tá um pouco incerto,
05:39sobre qual vai ser o posicionamento da Polícia Federal,
05:41sobre a descapitalização da Polícia Federal.
05:43Foi aí que o Senado veio com uma proposta pra gente ter um suporte financeiro ali,
05:48que viesse das bets, né, das partes de casas esportivas ali,
05:52que tem uma previsão de até 30 bilhões pra segurança pública nas bets,
05:56que poderia vir ali pras investigações da Polícia Federal,
05:59porque o grande X da questão na finalização do último texto foi exatamente esse,
06:03foi exatamente qual seria esse ponto de descapitalização da Polícia Federal.
06:06Então essa pergunta seria respondida pelo Senado agora,
06:09com essa proposta que faz essa regulamentação financeira,
06:12através do valor arrecadado de bets.
06:15O ponto é, a gente ainda não sabe como vai funcionar essa integração, né,
06:18essa integração dessa proposta que visa ter essa partilha investigativa ali,
06:23tanto na parte estadual, quanto na parte federal.
06:27Então isso ainda não está muito bem definido,
06:28por mais que a descapitalização tenha sido, digamos que, resolvida financeiramente,
06:33ela ainda coloca a Polícia Federal no espaço de, talvez, não entrar diretamente na parte do Estado.
06:39E aí, estamos discutindo aqui Estados Unidos e organizações criminosas nos Estados Unidos,
06:44no momento de várias operações diferentes,
06:45e no momento que a gente vê que o próprio Estado do Rio de Janeiro
06:48está meio envolvido ali com organizações criminosas.
06:51Então colocar, às vezes, esses bens, essa partilha de bens,
06:54na mão do Estado, novamente, num momento onde não tem a Polícia Federal,
06:57pode colocar esse dinheiro de novo de volta na onda do tráfico.
07:01Uma coisa que deixou muita gente furiosa também da oposição
07:03é quanto que os condenados, né, eles podem votar,
07:07porque isso na Câmara tinha sido realmente, foi aprovado, mas aí o Senado retirou.
07:13É, pois é, esse é um ponto polêmico,
07:15porque aí mexe na questão de direitos fundamentais,
07:18até onde vai o direito a punir a pessoa com perda de direitos políticos
07:24antes do trânsito injulgado, né,
07:26quando se trata ainda de uma prisão preventiva,
07:29ou alguém que está aguardando julgamento.
07:32Essa é uma questão bastante polêmica.
07:35E eu diria que o esforço do relator Alessandro Vieira,
07:38que, aliás, é um dos melhores senadores em atividade no Brasil,
07:43era alguém que estava por trás, inclusive, da articulação,
07:47lá atrás da tentativa de CPI da Lava Toga,
07:50é alguém que foi delegado de carreira,
07:52que combate a corrupção e o crime organizado em todas as esferas.
07:57Então, eu diria que o esforço dele nesse relatório
08:00foi de tentar despolarizar o projeto.
08:04Não à toa, ele conseguiu a aprovação por unanimidade.
08:08Então, ele conseguiu ter o apoio,
08:10tanto da oposição como do governo,
08:13para o texto que ele construiu.
08:15E não podemos esquecer que esse projeto
08:18tramita em conjunto, no contexto,
08:21com a PEC da Segurança,
08:23que teve um relatório apresentado essa semana
08:26pelo relator Mendonça Filho,
08:28na Câmara dos Deputados,
08:30que também tenta organizar
08:32como que deve ser a cooperação
08:37entre as diferentes esferas da federação.
08:40As atribuições estaduais, municipais e federais
08:44na segurança pública.
08:46Então, a gente está lidando aí, na prática,
08:48com uma mudança de um marcabouço legal
08:52muito robusto, do ponto de vista
08:54da política de segurança pública.
08:56Eu queria colocar uma questão
08:58em relação à situação do Polícia Federal.
08:59Eu tenho uma interpretação diferente da Isadora.
09:02O Alessandro Vieira, o delegado, o senador,
09:04ele aprovou uma modificação
09:06no que tange à divisão dos bens e recursos
09:09que são apreendidos dentro dessas operações.
09:11Eu acho essa mudança bem justa,
09:12porque ela coloca que quando essas apreensões
09:16vierem das polícias locais,
09:18o recurso também deve permanecer
09:20com essas polícias locais.
09:22Mas quando vierem das operações da Polícia Federal,
09:24a Polícia Federal segue tendo acesso
09:26a esses bens e recursos.
09:28Eu acho que é uma divisão justa,
09:29eu diria que até compensatória,
09:31quando a gente está olhando uma questão
09:32de mérito, viabilidade.
09:34O relatório, ele não tirou nenhum tipo de poder
09:37da Polícia Federal ou auxílio.
09:38Tanto é que o próprio ministro da Justiça atual,
09:41que é um amplo apoiador,
09:43criticou determinados discursos contra a PF recentemente,
09:46Ricardo Lewandowski,
09:47foi favorável a isso.
09:49Um outro fato que o Senado acrescentou
09:51e que me chama muito a atenção
09:52é a responsabilização de agentes públicos.
09:55Por que isso?
09:56Porque eles colocaram que quem for condenado
09:58por integrar, apoiar ou liderar facções
10:01fica inelegível por oito anos,
10:04mesmo antes do trânsito em julgado.
10:07Servidores públicos que colaborem
10:08com essas organizações ou se omitirem,
10:10podem perder o cargo imediatamente.
10:12Essa é uma resposta direta à situação
10:14do antigo presidente da LERJ,
10:17Rodrigo Bacelar,
10:18que está aí com a tornozeleira
10:20e está nessa situação aí
10:21do envolvimento com o TH Joias,
10:24que está envolvido com o Comando Vermelho.
10:26Então, isso é uma resposta
10:27sobre um problema que a gente fala muito,
10:29que é a entrada do crime na política.
10:31Porque eles colocam antes do trânsito em julgado
10:34já esta possibilidade.
10:35Isso é muito importante para impedir
10:37que a gente viva situações como o México
10:39e a Colômbia viveram em relação
10:41à estrutura social ser toda desenhada
10:44pelo crime organizado dentro da política.
10:46Mas, Jazz, essa pauta da polícia,
10:48assim, eu acho que é uma grande questão.
10:52Porque esse bem que é retirado do crime,
10:55você ficar na mão da polícia estadual,
10:57e eu acho que, não sei se você conhece
10:59um pouco da fama da polícia do Rio de Janeiro,
11:01você pode assistir Tropa de Elite,
11:03ou eu já morei no Rio de Janeiro seis anos,
11:06e a polícia do Rio de Janeiro, digamos,
11:07que não é tão confiável
11:08para ter o bem do crime ali na mão dele.
11:11Existe um envolvimento,
11:12é um território de mais de 20%
11:14tomado pelo crime organizado,
11:16isso inclui também a parte policial,
11:17isso inclui milícias também ali dentro.
11:20Então, existe já um poder institucional
11:23da polícia e da milícia
11:24envolvido com o crime organizado no Rio de Janeiro,
11:26que é o que a gente está tentando lutar contra.
11:28Então, essa intervenção da Polícia Federal
11:30e esse bem que deveria partir ali
11:32para o Fundo Nacional de Segurança Pública,
11:34que deveria estar na mão ali
11:35da parte federativa,
11:37voltar para a mão do Estado do Rio de Janeiro,
11:39é um ponto que me preocupa muito.
11:41Eu entendo que no papel
11:43faz muito mais sentido
11:44que realmente o Estado
11:45faça essa partilha de bens
11:47e que tenha esse patrimônio ali
11:49para fazer a sua definição por dentro do Estado
11:50é realmente pela luta ali contra o crime.
11:52Mas, na prática,
11:53não é exatamente isso que a gente vê acontecer.
11:55Mas esse projeto não pode ser desenhado
11:57pensando na situação específica do Rio de Janeiro
12:00e mais.
12:00Embora, com certeza,
12:01a gente tenha problemas de milícia
12:03por todo o país,
12:04as maçãs podres,
12:05elas precisam ser tratadas nas corredidorias.
12:06O Rio de Janeiro também tem muito policial,
12:08a maioria honesta,
12:10que todos os dias está dando a vida,
12:11a gente viu em operações recentes,
12:13e que tem salários sucateados,
12:14que tem as viaturas sucateadas.
12:16Então, o desnível em relação
12:18ao material da Polícia Militar
12:19nos mais variados estados,
12:21com raríssimas exceções,
12:22e o aparato da PF,
12:23é assim, é desproporcional.
12:25Além de que o contingente maior
12:26está disparado na PM.
12:28As operações que forem conjuntas,
12:30os recursos serão divididos.
12:31Então, particularmente,
12:32eu acho que esta é uma decisão
12:34super acertada
12:35da relatoria dentro do Senado.
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