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A COP30 em Belém marcou um avanço na governança climática, apesar de acordos oficiais limitados. Iniciativas paralelas sobre combustíveis fósseis e desmatamento criam oportunidades para países, empresas e investidores. Especialista Carlo Pereira explica como o novo modelo político e institucional influencia a transição energética e o mercado global.

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Transcrição
00:00Quarta-feira, você já sabe, dia de capital sustentável com o nosso notável especialista em sustentabilidade,
00:13Carlo Pereira. Hoje o nosso assunto é o desfecho da COP30 em Belém, que terminou com um acordo
00:19politicamente complexo. Avanços institucionais importantes, pressões geopolíticas explícitas
00:26e temas estruturantes, como combustíveis fósseis e desmatamento, ficando fora do texto final,
00:33mas avançando por vias paralelas. O Carlo Pereira vai explicar tudo para a gente.
00:38Carlo, boa noite para você. O que realmente ficou decidido em Belém e como isso reposiciona
00:44países, empresas e investidores, Carlo?
00:48Boa noite, Cris. Boa noite a todos e todas. Olha só, como você bem comentou, né, Cris?
00:53Belém não foi um grande acordo, mas uma mudança de fase no regime climático.
01:00Acho que a gente pode olhar dessa maneira, né? Alguns maldosos colocam ali como COP30, né?
01:06Ao invés de COP30 na internet, se escutou, se leu muito isso. Mas o que eu realmente acho
01:13que a diplomacia brasileira, como sempre, está de parabéns quando a gente trata da questão
01:20das negociações climáticas, né? Cris, o que a gente teve aqui, né? Lembra que a gente
01:26sempre fala, né? O que era esperado da COP30, o que estava previsto já desde Paris, né?
01:32Sempre bom a gente recuperar isso. Estava previsto que teríamos, então, novas NDCs, né?
01:38Que são, então, as metas que os países estabelecem. Tivemos. 122 países trouxeram, né?
01:45Ou seja, um bom número. No entanto, a expectativa era que todos os países trouxessem novas metas.
01:53E esses que trouxeram, não trouxeram as metas na ambição que deveriam existir, né?
02:00Então, a gente chegou, então, lembra sempre, né? Que Paris falava em 2 graus,
02:05desejando chegar a 1,5, né? Então, para isso, a gente teria que ter uma ambição muito mais forte.
02:10O que foi entregue está entre 2,5 e 3 graus, o que é bastante complicado, né?
02:16E aí, o que teve, então? Dentro dessa nova lógica da governança climática,
02:22que acho que essa foi a grande entrega de Belém, o que se teve foi o quê?
02:28Como você bem comentou, dada a conjuntura super difícil, super complicada,
02:34muito diferente da de 2015, né?
02:36Então, o que foi possível foi andar dentro do processo formal,
02:41que é isso onde a gente tem que ter consenso entre 195 países e atividades paralelas, tá?
02:49Isso não é exatamente novo nas COPES, né?
02:52Então, você tem, há muito tempo já, mecanismos e projetos,
02:59programas que são trazidos pelos governos que lideram as COPES,
03:04e que têm adesão de alguns governos, não passa a ser um mecanismo formal que precisa de consenso, tá?
03:11Mas o que o Brasil fez foi tratar isso de maneira mais dourada, né?
03:17Então, a gente teve ali, por exemplo, quando se fala de financiamento,
03:22lembra que eu comentei aqui na semana retrasada com a gente, né, Cris?
03:26Que eu cravei ali, que eu duvidaria que a gente chegaria nesse financiamento de 1.3 tri, né?
03:35Eu diria que não teríamos isso no texto final, não tivemos.
03:39O que tivemos com relação a isso foi com relação à adaptação de triplicar.
03:44Então, o que eu acho, e dois mecanismos super interessantes,
03:47esses sim entraram no texto formal da COP,
03:50que é com relação ao acelerador global de implementação, né,
03:56e o Missão Belém, tá?
03:59E meio minuto para falar deles aqui.
04:01O primeiro, ele trata, então, de um grande PMO da discussão climática,
04:07o que significa isso?
04:08Ali, um órgão que vai fazer uma gestão com relação às metas, né,
04:14então, para saber se a gente está no caminho correto,
04:16e o Missão Belém, que esse aí, então, seria o storyline, né,
04:21esse seria, então, para a gente ver se a gente está chegando nos diferentes temas
04:26onde a gente precisa.
04:28Então, um é mais quase que ali um escritório de gestão de projetos, né,
04:34para entender se a gente está no planejamento correto,
04:37e o outro seria mais um de ter um caráter político
04:42para que a gente consiga forçar os países para a gente chegar onde a gente tem que chegar.
04:46Qual é a sua leitura estratégica desse pacote político de Belém?
04:50A COP30 mudou o jogo, Carlo?
04:54Entendo que sim, Cris, entendo que sim, né,
04:56porque o que acontece, já sempre foi muito difícil
05:01esse tipo de mecanismo onde você precisa de consenso, certo?
05:05Ainda mais na atual conjuntura, tá?
05:08Então, o que foi feito, por exemplo, com relação a...
05:12Lembra que, né, por um momento ali, ao longo das duas semanas,
05:15então apareceu essa questão de ter um roteiro, né,
05:20de ter um roadmap, né, que aí, inclusive, traduziram o roadmap,
05:25e eu brinco que o português de roadmap é roadmap, né,
05:29colocaram ali mapa do caminho, o nome ali é horroroso, né,
05:33mas enfim, com relação a sair dos combustíveis fósseis, né,
05:37a gente, nesse momento, não conseguiria nunca um consenso para aprovar isso, Cris.
05:41No entanto, a gente teve o quê? 83 países apoiando essa ideia, tá?
05:47Então, o que foi feito?
05:48Tira-se do documento formal, vai para uma parte mais política,
05:53e aí, então, agora, já em abril do ano que vem,
05:56teremos, então, uma conferência na Colômbia
05:59para se discutir, então, como os países podem fazer
06:04esse phase-out dos combustíveis fósseis.
06:07Ou seja, não foi para o consenso, mas estabeleceu-se politicamente
06:12uma agenda para isso.
06:13A mesma coisa com o desmatamento.
06:15Então, entendo que, de novo, esse tipo de coisa
06:19que já acontecia de maneira menor nas COPES, né,
06:24dessa vez foi para uma proporção muito maior,
06:27e eu entendo muito claramente que o futuro é esse.
06:30Por isso que eu comentei no início,
06:31que eu acho que o que a gente teve ali de maior e melhor em Belém
06:39foi, na verdade, um rearranjo da governança climática.
06:43Quer dizer, aprofundando um pouco mais nesses temas mais sensíveis, né,
06:46que você já tocou neles, combustíveis fósseis e florestas.
06:50Para ficar claro, o texto oficial não avançou,
06:52mas surgiram iniciativas paralelas.
06:54O que isso, de fato, significa, Carlo,
06:56para a transição energética global
06:58e qual é o impacto disso para o Brasil, propriamente?
07:03Cris, olha só, com relação à transição energética
07:08ou com relação a combustíveis fósseis em si, né?
07:10Então, vamos lembrar que a primeira vez que combustíveis fósseis
07:13aparecem no texto oficial da COPES foi na COPES de Dubai, né?
07:17Ou seja, COPES 28, depois de 28 anos, né?
07:21E, para surpresa de todo mundo,
07:23esse tema, ele sai do documento oficial, do texto final, né?
07:28Isso foi uma surpresa bastante negativa,
07:30que aparecesse de maneira ali mais leve, né?
07:33Mas não apareceu, tá?
07:35Então, a saída foi criar essa iniciativa paralela.
07:38O que que eu vejo, Cris?
07:40Assim, mesmo os países, o chamado Petro States, né?
07:44Ou seja, os países que têm ali como base,
07:47não só de energia, mas como uma base econômica,
07:51o petróleo, né?
07:52O Brasil, como a gente sabe, né?
07:54Petróleo é muito importante para a gente,
07:57para a nossa economia.
07:58Não conheço nenhum, seja um país árabe, por exemplo,
08:02ou qualquer outro país,
08:04que não diga que é necessário a gente fazer a transição energética, tá?
08:09Não conheço, tá?
08:10Para ser honesto, agora Estados Unidos,
08:12que está com uma outra retórica.
08:14Mas os países árabes, por exemplo,
08:16eles são muito claros, inequívocos,
08:18nessa questão da necessidade da transição, tá?
08:21Só que daí vem um outro fator,
08:23que é a questão da transição justa, né?
08:25Então, por exemplo, em Belém,
08:27disse muito que pela primeira vez
08:31colocam-se as pessoas no centro da discussão, tá?
08:36É isso aí, de novo, já vinha acontecendo também,
08:39claro que veio de maneira mais forte.
08:41E a transição justa que se fala
08:44é muito referente a isso, né?
08:46Então, você não pode simplesmente virar as costas
08:50para países ou estados subnacionais,
08:53como é o caso do Amapá,
08:55que tem ali a riqueza, o petróleo,
08:58e simplesmente falar assim,
08:59olha, mantenha esse petróleo
09:01onde ele está, embaixo da terra,
09:04e não gere a riqueza para desenvolver o seu povo, tá?
09:08Então, isso tem a ver com transição justa.
09:10Então, o que os países falam é isso,
09:13falam assim, não, temos que fazer a transição,
09:15mas tem que ser de maneira cadenciada, né?
09:18E tem que ser, não Europa, por exemplo,
09:22colocando aqui, que é outro tema importante,
09:24Cris, muito rapidamente com relação a comércio,
09:27e o que citou-se de comércio ali
09:29foi uma, ali, alfinetada muito clara na Europa,
09:34que tem o Cibem, né?
09:35Que é o Imposto de Fronteira Relacionada a Cabono,
09:39que foi o quê?
09:39Falou assim, olha, então, assim,
09:40a gente tem que fazer, tem que fazer,
09:42mas tem que fazer da maneira que os países entendem que conseguem,
09:47e não um outro país, o Bloco Econômico,
09:50dizendo como deve ser.
09:52Carlos, muito obrigada.
09:54Sempre um prazer conversar com você.
09:55Boa noite, até semana que vem.
09:58Obrigado.
09:58Obrigado.
09:59Obrigado.
10:00Obrigado.
10:01Obrigado.
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