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O "tarifaço" de 50% sobre produtos brasileiros, com previsão de entrar em vigor em 1º de agosto, deve impactar severamente a exportação de frutas e grãos, além de outros itens como carne bovina e café. Marcos Fava Neves, professor do Agrobusiness School, analisa a crise e afirma que o melhor caminho agora é postergar esse prazo e tentar negociar com os EUA para diminuir as tarifas, sugerindo que o Brasil "tem que negociar e ficar quieto" diplomaticamente.

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Transcrição
00:00Pois é, e o setor produtivo está em compasso de espera para o tarifácio de Donald Trump.
00:06O nosso entrevistado é o professor especialista em agro e fundador da Harvin Agrobusiness School, Marcos Fava Neves.
00:13Tudo bem, professor? Como sempre, obrigado pela atenção, por atender a Jovem Pan. Bem-vindo, boa noite.
00:18Boa noite, Thiago. Um prazer estar com vocês, viu?
00:21Prazer é nosso.
00:22Bom, a gente estava ouvindo aqui as nossas comentaristas falando sobre, se é que a gente pode chamar de rame-rame político,
00:28o que vai acontecer daqui a 11 dias, mas o setor produtivo quer informações práticas,
00:34quer saber efetivamente o que vai acontecer daqui a 11 dias, porque não tem como projetar absolutamente nada,
00:41compra e venda de produtos, fazer encomendas ou receber encomendas.
00:47É possível arriscar algum palpite sobre os próximos dias, apesar de toda a movimentação da diplomacia brasileira,
00:55mas isso depende de um outro país e de questões políticas aqui do Brasil, professor?
01:01Pois é, Thiago. Olha, o Brasil vinha vindo bem.
01:04Nós somos vendedores de comida pro mundo, né?
01:07Cada vez mais importantes.
01:09E a nossa estratégia, Thiago, era voar abaixo do radar.
01:13Era não ser percebido e continuar vendendo produto pros países todos.
01:17Aquela primeira planilha que ele mostrou, que nós estávamos com 10%, foi muito bom pra nós.
01:24Mas aí de lá pra cá a coisa se deteriorou e ficou muito complicado agora.
01:28Tem alguns setores que vão sofrer demais.
01:32Por exemplo, o setor de café, o setor de carne bovina, o setor de suco de laranja, Thiago,
01:37eles conseguem estocar um pouco os produtos, sabe?
01:40Mas aqueles que estão com produtos perecíveis, né?
01:44Por exemplo, frutas, tilápias, e são empresas que exportam, e os Estados Unidos são seu principal comprador,
01:52esses vão ter uma tragédia, sabe?
01:54Fruta, mamão, manga, tudo isso daí.
01:57O ideal pra nós agora era tentar postergar esse prazo.
02:02Dizer que o Brasil não está preparado ainda pra negociação, como nós não estamos.
02:06Citar a questão da destruição de trabalho, destruição de produtos, né?
02:12Num ambiente hoje mundial onde você ainda tem fome, quer dizer,
02:16tem que ir pelo argumento social e o argumento econômico e ficar em silêncio.
02:21Nós somos um chihuahua lutando contra o pitbull.
02:24Não é pra latir agora.
02:25Agora tem que ficar quietinho, pedir prazo e tentar contornar as coisas aí pra evitar um desastre maior.
02:32Se ele dobrar a aposta por conta de uma reação nossa exacerbada, que não é pra ter, vai ser muito pior, né?
02:40Então, nós estamos muito preocupados.
02:42O setor privado está extremamente chateado com isso, está triste, porque a gente vinha vindo muito bem,
02:49conquistando o mercado americano cada vez mais com os nossos produtos.
02:53E aí, nós que eram pra voar abaixo do radar, de repente metemos a cabeça pra cima, né?
02:58A gente sabe que o presidente americano tem uma rejeição muito grande aos BRICS,
03:04e aí fomos nós lá ainda falar do BRICS, falar da moeda alternativa ao dólar.
03:10Tem a questão do nosso ex-presidente também, quer dizer, nós demos azar que está misturando a economia com a política,
03:16e aí agora nós ficamos o pior da fita.
03:18Nós estávamos o melhor, com 10% apenas, e aí ficamos o pior.
03:25Professor Marcos Favaneves.
03:27Realmente muito triste, Thiago.
03:29Perfeito.
03:30Professor, eu vou passar a palavra agora pra Deise, seu cara, que faz a próxima pergunta,
03:33já já a Dora Kramer também.
03:34Dora, perdão, primeiro você, desculpa.
03:38Professor, boa noite.
03:40Eu queria saber, o Brasil, principalmente o setor do agronegócio,
03:44ele se beneficiou nos últimos anos, a gente poderia dizer, de uma certa neutralidade,
03:49em relação aos Estados Unidos.
03:50O senhor mencionou agora algumas áreas que o senhor percebe que são mais críticas agora
03:55em relação a esse tarifácio do Trump.
03:57O senhor enxerga algumas medidas diplomáticas ou estratégicas e econômicas
04:02que possam, de alguma forma, remediar isso, além de, como o senhor falou,
04:07torcer pra que se postergue esse prazo?
04:09Mas existe alguma forma na diplomacia pra que a gente possa,
04:13eu não digo reverter esse tarifácio, mas diminuir as consequências dele pro Brasil?
04:17Bom, primeiro que a gente não tava muito preparado, nós não temos até um time, né?
04:23Quem é que tem que ficar à frente disso daí?
04:26E existe uma forma, sim, eu acho que muito criativo seria
04:29se nós tivéssemos o apoio das empresas americanas que compram os nossos produtos.
04:35Por exemplo, quem compra suco de laranja são os maiores engarrafadores mundiais,
04:39a Coca, a Pepsi, quem compra café é a Starbucks e a própria Nespresso,
04:44outras empresas americanas, quem compra carne bovina são os grandes supermercados.
04:49Então, o certo agora era nos aproximarmos da classe empresarial americana
04:53que será prejudicada, até porque em alguns produtos eles vão ter inflação no mercado interno.
04:59E esse pessoal, esse grupo, nos ajudar nessa postergação
05:04pra que se possa entender efetivamente e verificar que produtos,
05:09principalmente esses que são perecíveis, que vão ser destruídos,
05:13isso é ruim pro consumidor americano, ruim pro produtor brasileiro,
05:17ruim pro trabalhador aqui dessas empresas.
05:19Então, esses daí seriam os primeiros que eu acho que, em virtude da perda do produto,
05:24você não tem como estocar, não tem como aguardar um prazo,
05:27seriam os primeiros a serem negociados.
05:30Mas eu teria um grupo empresarial do Brasil com um grupo empresarial americano
05:35achando os canais pra chegar no presidente dos Estados Unidos
05:39e pedir essa postergação de prazo.
05:42Professor Marcos, agora a pergunta de Dora Kramer.
05:44Dora?
05:46Boa noite, professor.
05:48Eu fico aqui me perguntando, já vou lhe perguntar,
05:51mas eu vou, primeiro eu quero dizer o que eu fico me perguntando,
05:54se as empresas americanas vão ter tutano pra enfrentar lá internamente o Trump, né?
06:00Que é aquela pessoa delicada, gentil, uma gracinha.
06:04Então, fico aqui me perguntando se as empresas americanas vão comprar essa briga.
06:09Mas, o que eu queria saber do senhor,
06:11é como o senhor vê, porque hoje a gente teve três tipos de declaração.
06:15O presidente Lula dizendo que a guerra pode começar
06:18quando ele der a resposta ao Trump.
06:20O ministro Rui Costa falando em retaliação.
06:23Temos de retaliar, disse ele.
06:26E o ministro da Fazenda dizendo,
06:28temos um plano de contingência,
06:30não abandonaremos a mesa de negociação.
06:33Quando a gente pega esses três,
06:35que são pessoas da maior relevância,
06:38o que a gente pode depender
06:40do caminhar dos acontecimentos daqui em diante?
06:45Dora, me permita aqui uma brincadeira.
06:47Primeiro, quando o Pitbull olhou pro Chihuahua
06:50e ameaçou pegar ele,
06:51o Chihuahua tem que se fazer de morto.
06:54Ele tem que deitar no chão,
06:55ficar quietinho e ver se o Pitbull esquece ele.
06:58Se ele ficar latindo e enervando,
07:01pior vai ser.
07:02Mas eu acho que essas empresas,
07:04voltando ao teu primeiro comentário,
07:06elas têm todo o interesse,
07:07não de enfrentar o Trump,
07:08mas de explicar pra ele
07:10o que vai acontecer com o mercado americano,
07:13por exemplo,
07:13de café,
07:14que é altamente dependente do Brasil,
07:16com o mercado de suco de laranja.
07:18Esse produto vai ter um aumento na gôndola
07:20de 30% a 40%.
07:21E ele volta atrás
07:23quando ele percebe
07:24que vai haver um prejuízo
07:25pro mercado americano.
07:28Nós estamos acompanhando agora,
07:29só pra citar um exemplo,
07:31que ele tá voltando atrás
07:32em relação à política migratória
07:34lá no Arizona,
07:35lá na Califórnia,
07:36do pessoal que entra
07:38todos os dias do México
07:39pra colher
07:40os hortifrutis americanos,
07:42que são todos produzidos lá,
07:43os hortícolas.
07:44e tá perdendo produção
07:46por conta dessa dificuldade.
07:48Recentemente,
07:49ele deu uma declaração
07:49que vai rever
07:50a dificuldade
07:52desses trabalhadores
07:54entrarem nos Estados Unidos.
07:56Então,
07:56eu acho que é com muito
07:57racional,
07:59não é enfrentando,
07:59ele é um homem de negócios.
08:01E se outros homens de negócios
08:03explicarem pra ele
08:04que os Estados Unidos
08:04também perdem,
08:06eu acho que é uma estratégia
08:07pra tentar postergar isso
08:09e depois,
08:10na diplomacia,
08:11tentar resolver.
08:12Acho que esse é um ponto
08:12muito importante,
08:13mas pra nosso azar
08:15misturou a questão política
08:16que não é de solução
08:18do executivo
08:19com a questão econômica,
08:21né,
08:21que é mais de solução
08:22do executivo.
08:23Então,
08:23nesse momento,
08:25a pior coisa
08:26que pode acontecer
08:27para o Brasil
08:28é dobrar a aposta.
08:29Como eu falei,
08:30o Chihuahua agora
08:30tem que ficar quietinho,
08:32chorar,
08:32se fazer de morto,
08:33ficar ali no cantinho
08:34pra ver se o Pitbull
08:35esquece um pouco
08:36e deixa ele permanecer
08:38ou caminhar
08:39ou fazer alguma coisa,
08:40né?
08:40O professor,
08:41só mais uma questão
08:42sobre os produtos
08:44brasileiros,
08:45porque desde o início
08:46dessa ameaça
08:47do tarifácio
08:47de Donald Trump
08:48surgiram as informações
08:49que os Estados Unidos
08:51também seriam severamente
08:53prejudicados
08:55por causa disso.
08:56Qual é a dimensão
08:57disso?
08:57É possível já,
08:58depois de alguns dias
08:59desse tarifácio
09:00anunciado,
09:01mas ainda não em vigor,
09:02o que é possível
09:03já saber
09:04que para os Estados Unidos
09:05também
09:06os prejuízos
09:07que devem ocorrer?
09:09Olha,
09:10Tiago,
09:11veja só,
09:11na questão da carne bovina,
09:14as empresas que colocam
09:15a nossa carne
09:16nos Estados Unidos,
09:17elas também têm originação
09:18em outros países.
09:20Então,
09:20com alguma perda
09:21de margens,
09:22provavelmente elas vão
09:23substituir a produção
09:24brasileira pela Argentina,
09:26Uruguaia,
09:27e colocar isso lá
09:29no mercado americano
09:30para não perder
09:31as vendas,
09:32mas isso vai ter
09:33alguma questão
09:34de margem,
09:34algum sacrifício
09:35aqui no Brasil
09:36para o pecuarista
09:37brasileiro,
09:38mas elas vão conseguir
09:39colocar o produto
09:40e como está faltando
09:41carne no mundo,
09:42o Brasil está batendo
09:43recordes de exportação,
09:45a nossa carne vai então
09:46para outro mercado.
09:48No caso do café,
09:50como ele é um produto
09:51que não é perecível,
09:52você consegue estocar,
09:53nós estamos colhendo agora
09:55e dá para segurar um pouco
09:56e eventualmente
09:57vai mais café
09:58do Vietnã,
10:00café da Colômbia,
10:01de outros países
10:02lá para o mercado americano
10:03e o nosso vai
10:04para outros mercados
10:05porque também coincidentemente
10:07o café está em falta
10:08no mundo hoje,
10:09a demanda está maior
10:10que a oferta,
10:11por isso que o preço
10:12está alto.
10:12A mesma história
10:14para o suco de laranja,
10:15só que aí é mais complicado,
10:16por quê?
10:17Não tem outros fornecedores,
10:19o Brasil domina
10:20praticamente 80%
10:21do mercado mundial
10:22de suco de laranja,
10:24então nesse caso
10:25especificamente
10:26eles vão ter lá
10:27inflação
10:27no mercado interno,
10:29já é um produto
10:30que está caro
10:31por conta
10:31do problema
10:33de doença
10:33na Flórida,
10:34e essa questão toda
10:35que o Brasil
10:36teve de clima também,
10:38mas nesse
10:38eles devem sofrer
10:39e outros produtos
10:40menores
10:41que a gente
10:41não fala tanto
10:42mas que vão
10:43desaparecer
10:44das gôndolas
10:45lá como é o caso
10:46da nossa manga,
10:47mamão papaya,
10:49frutas,
10:50limão,
10:51tilápia,
10:52são empresas
10:52que se organizaram
10:53para vender
10:54para o mercado americano
10:55como eu citei
10:55aqui para vocês,
10:56essas vai ser
10:57uma tragédia
10:58porque para você
10:58pegar,
10:59vamos dizer assim,
11:00você montou
11:00uma fábrica
11:01de tilápia,
11:0260%
11:03você vende
11:03para os Estados Unidos,
11:04você não consegue
11:05virar esse 60%
11:06e desenvolver
11:07o mercado europeu,
11:08o mercado asiático
11:09de uma hora
11:10para a outra,
11:10então para essas
11:11empresas
11:12realmente vai ser
11:13uma tragédia,
11:14mas mais uma vez,
11:16ganhar tempo agora
11:17é a melhor coisa
11:18que a gente pode conseguir
11:19e a estratégia
11:20do chihuahua
11:21quietinho
11:22contra o pitbull,
11:23essa é a minha
11:24visão do problema
11:25que a gente teve,
11:26lamentavelmente.
11:28Professor Marcos Fava Neves,
11:30especialista em agro,
11:31como sempre,
11:32obrigado pela gentileza,
11:33volto sempre,
11:33professor,
11:33um abraço.
11:35Um prazer,
11:35obrigado.
11:35Obrigado.
11:36O que é isso?
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