00:00Falamos de economia agora porque o Ministério da Fazenda reduziu a previsão do PIB de 2,5% para 2,3% em 2025.
00:09A pasta justifica ainda que os sinais de desaceleração econômica e os resultados abaixo do esperado para o segundo trimestre
00:17contribuíram com essa revisão. Já a estimativa para o IPCA também caiu de 4,9% para 4,8%.
00:25Para o governo, a queda está ligada à menor inflação no agro, na indústria e ao excesso de oferta de bens em escala mundial,
00:34como reflexo já do tarifácio de Donald Trump.
00:37Para esse assunto, Alan Gani está aqui no estúdio com a gente para comentar e trazer as impressões dele a respeito desse cenário econômico
00:45projetado aí pelo Ministério da Fazenda.
00:48Gani, redução da perspectiva, da previsão de PIB, né, de 2,5% para 2,3% em 2025.
00:57É algo que a gente tem que prestar atenção como algo muito relevante, está dentro do esperado a partir desse conjunto de medidas que inclui o tarifácio também.
01:06Bom dia e bem-vindo.
01:07Bom dia, Nonato. Bom dia, Soraya. Bom dia a toda a nossa audiência.
01:10Já era esperado pelo efeito da taxa de juros.
01:13A gente está sofrendo a alta dessa taxa de juros que começou lá em 2024 e começa a fazer efeito agora.
01:23E este efeito deve continuar à medida que a Selic está num patamar bastante restritivo.
01:29Com o aumento do custo de capital, as empresas acabam investindo menos, então reduz o investimento.
01:36Tanto é que no dado do PIB houve queda no investimento.
01:41Além disso, as pessoas também acabam consumindo menos, porque várias compras são feitas a crédito.
01:48Então, esse desaquecimento da economia brasileira já era esperado e provavelmente, Nonato, deverá continuar para o ano de 2026.
02:00O Gani, isso traz algum tipo de risco para os juros e para a própria credibilidade do Banco Central?
02:06Ou o Banco Central está fazendo direitinho a lição de casa?
02:09Não, o Banco Central está fazendo o correto, direitinho a lição de casa.
02:13Porque o Banco Central não mira no crescimento econômico.
02:18Não é função do Banco Central gerar crescimento econômico, colocar dinheiro na economia, pelo crédito, para estimular.
02:26Muito pelo contrário, na verdade, o Banco Central tem que controlar a inflação.
02:32Essa é a missão de qualquer Banco Central sério no mundo.
02:36É verdade que, muitas vezes, muitos governantes querem ter o controle do Banco Central porque querem baixar a taxa de juros na canetada,
02:47colocar dinheiro em circulação, estimular o crédito para gerar um crescimento artificial da economia a curto prazo,
02:54mas que não é sustentável porque vai trazer inflação.
02:58Então, o Banco Central tem conseguido sucesso na sua missão de controlar a inflação.
03:06É verdade que ela ainda se encontra acima do teto da meta, mas a inflação tem caído lentamente, mas pelo menos tem ido em direção à meta.
03:18O Gani, você falou que está dentro do esperado por causa do tarifácio e por aí vai.
03:23O mercado também recebe assim, os investidores também têm essa percepção, ou seja, dão esse desconto ou não?
03:31Não, dão esse desconto, mas olha, é verdade o seguinte, nós aqui economistas erramos muito, principalmente nos últimos anos.
03:392022, 2023 e 2024, nossas previsões eram de um crescimento menor do PIB.
03:48E tanto em 2022, 2023 e 2024, surpreendeu positivamente para cima, ainda bem, rondando ali na casa de 3%.
03:58E logo no início do ano, eu lembro até em 2022, os economistas previam 0,5%, depois 1,5% para 2023, aí para 2024 2% e sempre foi positivamente para cima.
04:12Agora, dessa vez, a gente acertou também, depois de tantos erros e com a taxa Selic no patamar que chegou, é claro que era esperado um crescimento menor da economia brasileira.
04:27E aí é claro que o governo também revisa, né?
04:30E quando o governo revisa, é uma sinalização importante, porque é do jogo, é natural o governo ser mais otimista.
04:39Então, se ele está revisando para baixo esta projeção, significa mesmo que estamos num processo de desaceleração da atividade econômica,
04:48inclusive confirmada pelos últimos dados que a gente tem dado aqui em primeira mão na Jovem Pan.
04:53Tá certo. Seguimos acompanhando até já, Gani.
04:55Até.
04:56Nove horas e vinte e três minutos.
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