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O Banco Central divulgou projeções preocupantes: crescimento do PIB de apenas 1,6% em 2026. Apesar da revisão da inflação para 4,4% em 2025, o economista Alan Ghani analisa por que a taxa de juros deve permanecer no doloroso patamar de 15%. Roberto Motta e Jess Peixoto também analisam o cenário.

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Transcrição
00:00O Central prevê uma alta de 1,6% para o PIB em 2026, esse que é o pior resultado em seis anos,
00:07mas reduziu a estimativa para a inflação oficial agora em 2025 para 4,4% que está dentro do centro da meta.
00:15Vamos entender um pouco melhor esses números com o Alan Gani, que já está de volta.
00:20Gani, essa inflação prevista, né, a 4,4, está dentro ainda, né, porque se aproxima dos 3%,
00:27que era a previsão, mas ainda está alta, né, e obriga a manutenção dos juros nesse patamar dos 15%,
00:34está aí uma justificativa?
00:35Está aí uma justificativa, a senhora é exatamente isso, né, o centro da meta é 3%,
00:40tendo uma margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais para baixo e para cima,
00:46podendo então chegar a 4,5%, o Banco Central prevê 4,4%, então, portanto, está dentro da margem de tolerância.
00:54Para o crescimento econômico, a instituição revisou para esse ano o crescimento de 2% para 2,3%
01:01e para o ano que vem de 1,5% para 1,6%.
01:04Agora, claramente, é uma desaceleração da atividade econômica.
01:09Desde 2022 até 2024, o Brasil cresceu em média 3%, 3,5%,
01:16e agora o crescimento em 2025 vai para o patamar aí próximo de 2% e depois de 1,5%, 1,6% para 2026.
01:26E veja que 3% não é um crescimento robusto para o potencial do Brasil, né?
01:33Diante do nosso potencial, a gente poderia estar falando de um crescimento de 5, 6%, né,
01:38que seria o saudável para uma economia emergente.
01:41A gente estava falando ali de um crescimento de 3% e agora voltando para o patamar aí de 1,6%
01:47de acordo com as previsões do Banco Central.
01:50Portanto, isso mostra novamente o tal voo de galinha da economia brasileira
01:56e isso está ligado, claro, a aspectos estruturais devido à nossa baixa produtividade.
02:02Pois é, Gani, como é que a gente poderia melhorar?
02:05Porque, realmente, 1,6% é quase nada.
02:08Quase nada, praticamente uma recessão.
02:10Talvez se a gente tivesse aí um cenário de 5, 6%, seria um momento mais robusto.
02:15Por que a gente não atinge um índice desse gênero, hein?
02:18Olha, tem tantas explicações para isso, mas a gente pode falar, Nonato,
02:23que a gente tem uma alta carga tributária,
02:25Então, a gente tem impostos de países desenvolvidos, né?
02:29De países nórdicos, lá de Finlândia, Dinamarca e serviços de Bangladesh.
02:35Então, a população brasileira paga muito imposto.
02:38Esse é o primeiro problema, né?
02:41E esse imposto é elevado para financiar um Estado gigantesco.
02:45Taxas de juros muito elevadas que também estão ligadas ao tamanho do Estado brasileiro,
02:50um Estado muito inchado.
02:52Uma baixa produtividade da nossa mão de obra.
02:54Isso está ligado à falta de investimentos, né?
02:59Numa educação mais técnica, mais qualificada.
03:02Eu nem digo uma falta de investimentos, mas um melhor redirecionamento.
03:06A gente tem uma ênfase muito grande no ensino universitário
03:10e pouca ênfase no ensino de base, no ensino técnico.
03:14Isso condena a nossa produtividade.
03:17Falta de investimentos em infraestrutura para melhorar a nossa capacidade produtiva,
03:22de escoar essa produção.
03:24Portanto, né?
03:25Todos esses fatores, entre outros, Donato, que daria aqui para a gente enumerar vários,
03:30mas esses são os principais fatores aí que levam o Brasil a ter esse voo de galinha permanente.
03:36Obrigada, Gani, pelas suas explicações.
03:39Vamos seguir nessa linha de raciocínio também aqui com os nossos comentaristas.
03:43Jess, então essa previsão de crescimento baixíssima, né?
03:46De 1,6% para 2026.
03:48Na sua avaliação, o que exatamente impede o Brasil de crescer mais nos próximos anos?
03:54As políticas e as escolhas políticas do governo federal.
03:58Quando nós olhamos para a fala até sobre os Correios, nós precisamos ver novas funções.
04:04Eu acho que nós vivemos diante de um governo, de um projeto político-econômico para o país
04:09que leva a uma visão que está lá nos anos 70, 60 e não olha para frente.
04:15Não olha na hora de taxar as blusinhas, como foi colocado ali,
04:19que poderia ter um impacto muito grande nessa estatal, como o próprio Correios alega que teve.
04:25Então, nós temos pouco projeto, pouco plano claro que dialoga com o século
04:29e com o momento histórico que a gente vive no mundo.
04:32Esse é o pior resultado nos últimos seis anos.
04:35Este não é um bom resultado, ele não deve ser comemorado.
04:38E aí fica a questão, qual é o setor que tem um bom resultado e sustenta esse crescimento?
04:45O agronegócio brasileiro.
04:46E aí nós temos também vários ataques do governo federal ao longo dos últimos três anos
04:52ao agronegócio brasileiro.
04:54Então, nós vemos aqui uma situação não muito boa economicamente,
04:59mas também como um projeto de país.
05:01É necessário cortar gastos, é necessário reavaliar a forma com que se tem determinadas medidas no ano eleitoral,
05:06que são populistas, como a questão do gás, a questão da energia,
05:11a questão até mesmo da isenção do imposto de renda.
05:14Então, são vários fatores.
05:15E no ano anterior às eleições, no ano eleitoral, o Brasil tende a gastar cada vez mais,
05:21porque, infelizmente, nós vivemos num país em que os políticos, muitas vezes,
05:26parecem se importar muito mais com a eleição do que com o bem-estar do Brasil.
05:31Faltam estadistas.
05:32O Roberto Mota, o Gani elencou aqui alguns dos principais itens de porquê que a gente não tem um crescimento mais robusto.
05:42Para o ano que vem, 2026, que é um ano eleitoral,
05:45isso é perceptível para a maior parte da população, para a maioria dos eleitores?
05:50Eles vão cobrar isso dos candidatos o ano que vem?
05:55Ou acaba passando despercebido, Mota?
05:58As pessoas percebem os efeitos, Nonato, mas não conseguem ligar os efeitos à causa.
06:07Um bom exemplo é o crescimento do PIB.
06:10Foi baixíssimo.
06:12O que significa isso?
06:13O Brasil não está gerando riqueza o suficiente, porque o Brasil não tem produtividade.
06:20A produtividade no Brasil é baixíssima.
06:24Falta investimento, treinamento e tecnologia.
06:29O Estado brasileiro prefere gastar com programas assistenciais populistas.
06:35O outro exemplo é a inflação.
06:38O cidadão vê os preços subindo o tempo inteiro e não entende muito bem qual é a causa.
06:44A causa da inflação são os gastos do governo.
06:48A inflação continua alta.
06:51Em comparação com o que o Brasil já teve, ela nem parece tão ruim assim,
06:55mas o efeito a longo prazo é absolutamente devastador.
06:59Eu sempre dou o exemplo do preço dos ovos.
07:03Ainda vai chegar o dia em que uma dúzia de ovos vai custar 500 reais.
07:09Não se sabe se vai ser daqui a 5 anos, a 10 anos,
07:13mas esse dia vai chegar porque o dinheiro do brasileiro sempre perde valor.
07:20E a única causa disso são os gastos do Estado, que só aumentam.
07:289 horas e 25 minutos.
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