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#JovemPan
#SociedadeDigital
Transcrição
00:00Sociedade Digital no ar, a ponte aérea mais tecnológica do rádio, da TV e da internet.
00:10Nós vamos juntos nesta próxima meia hora discutindo tecnologia, inovação e a minha
00:16convidada de hoje é alguém que pode traçar a fotografia, não é? Fazer a radiografia deste
00:24ecossistema, fazendo ela parte de uma das engrenagens que movem o mundo da inovação de
00:31maneira mais acelerada, talvez aquele que é o grande indutor do processo tecnológico
00:37aqui no Brasil. Estive recentemente em um encontro em que falava sobre isso com executivos do
00:41setor, em que eu dizia que não fosse o papel, antes de qualquer coisa, educativo do setor
00:47financeiro, nós ainda teríamos uma zona de sombra enorme sobre o processo de digitalização
00:54da sociedade. Afinal de contas, se o seu dinheiro foi para um aplicativo, você naturalmente
00:59precisava aprender como é que este aplicativo funciona para você poder acessar o seu dinheiro.
01:06Então, foi um estímulo para essa digitalização e é, sem dúvida nenhuma, um dos setores mais
01:11digitalizados. Mas a Júlia, antes de qualquer coisa, é alguém que identifica e que tem no
01:17DNA a tecnologia e a inovação. E a gente vai falar sobre isso e muitos outros temas.
01:23A Júlia De Luca, superintendente de Business Development no Itaú Unibanco, está aqui
01:28comigo hoje. Júlia Tec, para quem te conhece, no Instagram também. Obrigado por estar aqui.
01:34Obrigada. Obrigada pelo convite. Estou super feliz.
01:36Estava dizendo dessa história da digitalização, porque a gente fez um encontro da MIT Technology
01:44Review com alguns executivos do setor. E aí, falando de desafios, perspectivos, foi quase
01:51uma sessão de terapia, né? E aí, no meio, juntou um monte de gente ali discutindo
01:55o problema.
01:55Ainda mais no momento de inteligência artificial e da terapia mesmo.
01:59Não é, então. Um caos. E aí, eu falei assim, olha, mas tem uma coisa muito interessante,
02:02muito bacana do setor financeiro que a gente não pode esquecer nunca. Que é o quanto a alta
02:08digitalização do setor, talvez mais precoce do que qualquer outro segmento, por força
02:13da necessidade mesmo e da proximidade, né? Do ponto de contato tão forte com o usuário
02:19final.
02:20Com o consumidor final.
02:20O setor financeiro ajudou a formar uma geração. Os primeiros aplicativos, os atendimentos eletrônicos,
02:28o caixa eletrônico, é uma experiência de uso digital de um serviço que antes era totalmente
02:32analógico. Então, tem uma jornada aí, uma cauda longa de formação dessa experiência
02:39que é quase educacional. E ainda hoje isso acontece talvez com um nível de intensidade
02:45menor, mas ainda hoje isso acontece para um Brasil tão grande como é o nosso.
02:50Eu acho que talvez nem em intensidade menor. Acho que o Banco Central, ele está inovando
02:54tanto que os bancos, eles também precisam ensinar o que são essas inovações para o consumidor
03:01final. Então, eu me lembro que recente a gente fez uma super campanha do que é o
03:07Open Banking, né? Então, não deixa de ser um tema super educacional, uma mudança e que
03:13o consumidor final precisa estar, né, paciente, aprendendo e acho que o banco entra como um
03:19papel super importante.
03:20E aí a gente entra nesse cenário atual, né? Você falou, poxa, e tem muita coisa acontecendo,
03:26tem Web3, tem, enfim, muitas discussões rolando.
03:30Houve um momento muito profundo ali de um debate sobre o impacto da blockchain para o
03:37setor também. Enfim, tem mil trilhas rolando em paralelo. E você trabalha em uma instituição
03:45que é oriunda de um mundo absolutamente analógico, que fez parte de uma transição digital e que
03:54hoje é líder nesse processo, né?
03:58Sem dúvida.
03:59Qual é hoje o diagnóstico que você faz, estando você nessa dianteira do nosso momento atual?
04:06Você fez uma construção que é muito como eu penso, né? Acho que o Itaú, ele tem mais de 100 anos.
04:12Então, quando a gente olha, enfim, nos últimos, vai, os primeiros 50 anos desses 100, com certeza
04:19a gente é uma instituição financeira e sempre vai continuar sendo.
04:24O que eu gosto de falar, que eu acho que pouca gente entende, é que o Itaú Unibanco, ele é uma das
04:32maiores empresas de tecnologia da América Latina. Então, como você mesmo disse, assim, tecnologia,
04:38atualmente, para você estar, né? Para você ser uma empresa de sucesso e rentável, você tem que estar
04:46colocando tecnologia nos seus processos. Então, como que o maior banco da América Latina não é uma
04:52empresa de tecnologia? Ele é. E ele tem mais de 17 mil desenvolvedores focados nisso, né?
04:59Então, eu acho que a gente está num mundo, e não estou falando só do universo financeiro, qualquer outro setor
05:07da economia. Antes, aquela empresa é uma empresa de tecnologia, porque ela precisa se desenvolver
05:13para ficar, né? Enfim, acompanhar tudo o que está acontecendo. Então, assim, eu acho que o Itaú, ele é uma
05:23empresa de tecnologia que tem 100 anos e que, por isso, aprendeu a se reinventar a cada ano, a cada
05:32grande movimento. E eu acho que o que a gente está vivendo agora é um grande movimento de inteligência
05:37artificial. E, mais uma vez, o banco está indo na frente, está investindo e está se posicionando.
05:45Você sente o peso da cultura da organização para que essa adaptabilidade aconteça?
05:54Nem todas as organizações centenárias conseguiram atravessar o século da mesma forma.
06:02Com certeza.
06:02O Itaú atravessou em plena forma. Atravessou bem.
06:09Há outras empresas que não desapareceram por força de estarem em setores em que a presença
06:16delas ainda é inabalável.
06:18Mas elas não acompanham o mesmo ritmo de inovação, o mesmo ritmo de crescimento.
06:25Quando a gente olha o Itaú, como a gente olha outras empresas, talvez, dentro do setor
06:30de seguros, a gente tem o caso da Generali, que é, sem dúvida nenhuma, uma empresa secular.
06:37Se não fez, está para fazer 100 anos. Acho que fez agora 100 anos.
06:42E que também é referência à inovação dentro do setor de seguros.
06:47Mas tem um pouco do quanto a cultura move e orienta a empresa para esse lugar.
06:53Como é, se você concorda com isso, e como é essa cultura dentro do Itaú?
06:57Concordo. Eu acho que para você mudar, você tem que se desafiar diariamente.
07:04E você tem que aceitar que você pode estar certo hoje, e esse certo de hoje é o errado
07:10de amanhã.
07:11Tudo muda.
07:11Tudo muda.
07:12E você está sempre numa evolução constante.
07:15Então, o nosso CEO, ele fala uma frase que eu acho que é muito o que a gente vê no
07:20dia a dia, que é, eu estou líder.
07:23Eu não sou líder.
07:24Eu estou hoje.
07:26Eu acho que esse sentimento, ele é muito saudável para você estar numa instituição
07:30que está sempre mudando.
07:32Porque você quase que nunca está satisfeito com o status quo.
07:35Você está sempre querendo mudar.
07:37E sempre querendo ficar naquela posição de líder.
07:39E como que você faz isso para chegar até lá?
07:41Então, eu acho que a cultura da empresa, ela é a condição sine qua non para a empresa
07:46perdurar durante muitos anos.
07:49E acho que a gente conseguiu fazer isso super bem.
07:51No caso do setor financeiro, a gente teve um movimento interessante de como o regulador
07:56também foi rápido a entender essa mudança.
07:59Sem dúvida.
07:59Que poderia ter sido um processo de muito conflito.
08:03E a gente viu avanços, talvez não na velocidade em que o mundo da inovação gostaria,
08:06mas a gente viu avanços acontecerem do lado do Banco Central, do lado da CVM, enfim.
08:11Os reguladores todos trabalhando fortemente para entender o que estava acontecendo e não
08:17se tornarem barreiras para essa evolução.
08:21E a gente teve esse elemento desse equilíbrio entre como eu, Itaú, uma empresa secular,
08:29me relaciono com, sei lá, uma fintech que acabou de surgir e que é especialista nesse negocinho
08:38aqui.
08:39E, poxa, peraí, como é que faz isso?
08:42O setor financeiro conseguiu criar essa dinâmica sem que ela fosse canibal de um lado e de outro.
08:49Há uma mágica nisso.
08:51Não sei se foi um alinhamento gigantesco dos astros, mas poderia ter sido um desastre.
08:55Como é que você vê esse processo hoje?
08:58Acho que é exatamente como você colocou.
09:00É uma mágica, mas teve um super alinhamento, então é um pouco de tudo.
09:05Mas eu acho que o banco conseguiu se posicionar para atender essa empresa de tecnologia, porque
09:13é exatamente o que você colocou.
09:15A empresa de tecnologia se comporta de uma forma distinta de empresas tradicionais, vamos
09:20chamar assim, de setores tradicionais.
09:22Por quê?
09:23Porque ela é criada e levanta, enfim, recursos com um fundo de investimento, mas ela queima
09:30caixa todo mês, né?
09:32Que é totalmente diferente do que você olhar um balanço de uma empresa tradicional.
09:37Você tem fundadores super renomados, mas a empresa tem três funcionários, mas ela
09:43deveria estar atendida no Itaú BBA ou no Itaú Unibanco.
09:47Então, eu acho que o que a gente conseguiu fazer foi que a gente conseguiu, com várias
09:51pessoas e áreas ao redor do banco, entender esse mercado.
09:56E o que é entender o mercado?
09:58É entender que a empresa de tecnologia, ela, por definição, é diferente.
10:04Então, ela tem que ser coberta por um time específico.
10:07Então, o que a gente fez?
10:08A gente pegou e setorizou.
10:09Dentro do Itaú BBA, tem um time comercial que entende a língua de tecnologia, que a
10:15característica é completamente diferente da característica do cara que vai atender
10:19a grande empresa.
10:20É uma outra maneira de lidar com esse cara.
10:22Exatamente.
10:23É diferente.
10:24O diálogo é diferente, as palavras são diferentes, é tudo diferente.
10:27E eu acho que a gente conseguiu, com isso a gente consegue atender essa empresa de tecnologia.
10:33E como que você traz esse cara para perto, para ele querer estar com o Itaú em todas
10:40as fases?
10:41É você tendo produto para aquele cara.
10:44Então, a gente tem o produto de Venture Debt, por exemplo.
10:47Então, a gente foi, agora a gente tem o nosso Corporate Venture Capital, que é basicamente
10:52um fundo nosso, que a gente investe em startups.
10:56Esse fundo estava na Quineia, a gente trouxe para o Itaú Unibanco com 250 milhões de reais
11:02para investir nos próximos dois anos.
11:04Então, quando você posiciona o banco em todos os elos do ecossistema, a empresa de
11:10tecnologia está naturalmente ligada a você em alguma ponta.
11:15Se não for do ponto de vista comercial, ela quer o recurso, enfim, do Corporate Venture
11:19Capital ou quer um Venture Debt, mas ela está sempre interagindo com o ecossistema.
11:23Então, é menos sobre você entender e mudar uma área.
11:27É sobre você entender e mudar todas as áreas para atender aquele novo nicho.
11:32Porque o que poderia ser um concorrente é também um parceiro de negócio importante
11:36e que precisa se relacionar com o banco de outra maneira.
11:39O banco só precisava entender onde plugar esse cara.
11:43O mesmo fenômeno, se a gente sair do exercício da fintech, a gente for buscar o ecossistema
11:47de startup de maneira geral.
11:49A máxima, há uns anos atrás, era dizer que o empreendedor gostava de gastar dinheiro
11:54do outro e esse dinheiro, naturalmente, estava na mão do investidor e o cara estava
11:58queimando ali.
11:59Esse momento passou.
12:01Passou.
12:01Essa ideia passou.
12:03Mas o relacionamento com essas instituições que estão aportando, em função também desse
12:08amadurecimento, hoje mudou.
12:10Qual é o olhar, por exemplo, para um fundo como esse, para você conseguir ir lá e falar
12:14ó, a gente vai olhar para você e a gente vai aportar?
12:17O que esses caras hoje têm que provar no mercado que eles são capazes de fazer?
12:22Que, sei lá, 10 anos atrás, as startups que surfaram na onda não precisavam provar.
12:26Acho que você nem precisa ir tão longe, nem precisa ir 10 anos atrás.
12:28Menos até, menos.
12:29Eu acho que quando você compara para 2020, 2021, que foi o qual a gente teve, né?
12:35O pico do ponto de vista de recursos investidos e de avaliação dessas companhias.
12:41Foi uma aceleração brutal.
12:42Exatamente.
12:43A pandemia, etc.
12:44Era muito, acho que a retórica naquele momento, 2020, 2021, era crescimento a todo custo.
12:52E o custo poderia ser rasgar dinheiro do investidor e quase que pagar para crescer.
12:57Então, você estava quase que pedalando para estar querendo sempre novos clientes, que
13:03a gente chama de custo de aquisição de clientes, por exemplo.
13:06A gente passou por um momento duro em que, enfim, a taxa de juros subiu, a inflação
13:13apertou, você teve diversos problemas macro, problemas e desafios e a retórica mudou.
13:21Agora, não é crescimento a qualquer custo.
13:23É crescimento saudável com bons e sólidos números, que não é fácil de você conseguir.
13:30Então, é melhor você não estar crescendo 200% ao ano e estar crescendo 30%, 40% e não
13:37estar queimando caixa.
13:38Mas de forma sustentável.
13:39De forma sustentável, que aquilo perdure.
13:41Então, acho que voltando à sua pergunta, o que o investidor quer?
13:45Ele ainda é, na definição, ele ainda é um investidor de capital de risco.
13:50Então, por definição, ele está investindo em ativos que estão começando, que têm
13:54seu risco de execução, etc.
13:56Mas o olhar, ele está um pouco mais responsável, digamos assim.
14:01Então, beleza.
14:03Você vai queimar pelos próximos três meses?
14:06Aonde que você vai queimar?
14:07O que você vai investir?
14:09Em qual parte do produto?
14:11Não é assim, te dou 10 mil dólares e tchau, depois a gente se vê.
14:15Então, acho que mudou um pouco a retórica.
14:17E com isso, você obviamente teve uma compressão no volume investido na região.
14:23Mas atualmente, quando você olha para a avaliação dessas companhias, elas estão um pouco mais
14:29altas.
14:30Por quê?
14:31As transações que estão saindo são de empresas, de fato, muito boas.
14:35Então, é um pouco disso.
14:36Acho que é um aprendizado.
14:38E o investidor buscando esse empreendedor que, obviamente, quer fazer diferente, quer mudar,
14:44etc.
14:44Mas ele é responsável com o uso do capital e ele sabe onde ele quer chegar.
14:49Vamos continuar nesse assunto.
14:51O André Miceli não está conosco ao vivo aqui, mas ele deixou um comentário e uma
14:55pergunta sobre esse tema do ecossistema de startups.
14:59Diga lá, Belinho.
15:00Bom, é um fato que a realidade de investimento, capital de risco, mudou muito no mundo todo.
15:08No Brasil, não é diferente.
15:09No Brasil, a mudança foi ainda mais dura para as startups.
15:15E, independentemente do nível de maturidade que elas tenham, está mais difícil pegar
15:21dinheiro no início, está mais difícil fazer IPO.
15:24As grandes teses ainda, claro, têm espaço.
15:27Mas aquele momento de festa definitivamente acabou.
15:31E aí, eu penso em duas coisas.
15:35A primeira é, o que dessa nova realidade veio para ficar?
15:40Ficar talvez seja um termo muito longo.
15:43Ou o que vai durar mais tempo dessa nova realidade?
15:47O que a gente pode esperar dessas mudanças que acabaram acontecendo nos últimos anos,
15:52que devem perdurar?
15:53E um outro ponto é sobre a dificuldade de internacionalização das empresas e startups brasileiras.
16:01A gente vive brigando com isso.
16:05É claro que algumas são muito bem sucedidas, mas, no geral, não é o que acontece.
16:10O Brasil é um mercado que é muito grande.
16:12Acaba sendo suficientemente grande para alimentar a empresa aqui,
16:19sem que ela fique tão preocupada ou que tenha ambições tão claras fora das nossas fronteiras.
16:26No entanto, naturalmente, as que conseguem ultrapassar essas fronteiras crescem mais,
16:33viram unicórnios, têm negócios que acabam assumindo características muito diferentes.
16:38O que falta para as empresas brasileiras?
16:40O que existe nas empresas, especialmente americanas e chinesas,
16:43que nos difere tanto deles?
16:46Como a gente pode criar um roadmap de internacionalização
16:49que seja mais eficiente daquele que a gente tem hoje em dia?
16:54Legal.
16:55Acho que ele trouxe o ponto que eu falei, né?
16:58Acho que 2020, 2021...
17:00A virada, né?
17:00Exatamente.
17:01E agora a gente está com um ritmo um pouco mais sóbrio, digamos assim,
17:07que não é diferente do que a gente viu em 1918, tá?
17:11É só porque quando você vê 2020, 2021, que foi um ponto fora da curva.
17:15A curva era muito fora do padrão, né?
17:17Exatamente.
17:19Acho que respondendo a primeira pergunta dele, do que veio para ficar,
17:23eu acho que essa vontade do investidor de ter previsibilidade,
17:30de alguma forma, ela vai persistir, vai ficar.
17:35Aí eu vou te explicar, assim, obviamente você não vai, como fundador,
17:39falar que você vai saber exatamente o que vai acontecer
17:41dia 1, 2 e 3 da sua startup que acabou de começar.
17:44Você não vai saber.
17:46Mas o direcionamento, você sabe.
17:48E se você tem que corrigir a rota, você está informando ali para o seu conselho
17:54para onde mudou dado X ou Z.
17:58Então eu acho que essa sensação de que você precisa de previsibilidade,
18:03eu acho que ela vai persistir para os próximos anos.
18:06Acho que esse tema de você gastar mais para crescer mais, ele pode voltar.
18:14Então eu acho que a gente está começando a ver com inteligência artificial,
18:17empresas que queimam muito caixa, mas como consequência, enfim,
18:22tem um produto super bom e número de usuários únicos super bom.
18:26Então a gente vê isso voltar.
18:28Mas eu acho que a previsibilidade, ela segue.
18:31Falando de internacionalização, eu acho que é um tema super difícil.
18:35Primeiro, eu concordo com ele que o Brasil é grande o suficiente, desafiador o suficiente
18:41para você ter uma empresa ocupada aqui e querendo prestar ou serviço ou produto de forma local.
18:50Mas eu acho que há exemplos de empresas que foram para fora, para os Estados Unidos e para, enfim,
18:59China menos, mas para os Estados Unidos e são bem sucedidas, como a própria Vitex, por exemplo.
19:04Ela é uma empresa que já está estabelecida nos Estados Unidos.
19:09E tantas outras startups.
19:10Eu acho que é menos sobre o que falta no empreendedor brasileiro,
19:18mas mais sobre a quantidade de oferta que tem, do ponto de vista de empresa,
19:23quando você olha para os Estados Unidos ou quando você olha para a China.
19:27Então, você tem muito empreendedor fazendo muita coisa diferente.
19:31Então, o que eu acho é que a competição, ela é muito mais árdua
19:35se você vai para os Estados Unidos, para a Europa ou para a Ásia como um todo.
19:40O que acontece é que aqui no Brasil, você tem menos empresas,
19:44então a competição é um pouco menos acirrada.
19:47Se você vai para os Estados Unidos, a barra é lá em cima.
19:50Então, eu acho que para você ter uma história de sucesso com a internacionalização,
19:56você tem que estar muito bem estabelecido aqui no Brasil.
20:00A tua raiz tem que ser muito sólida.
20:01Tem que ser muito sólida e tem que já, enfim, o business tem que estar rentável,
20:05tem que já estar, enfim, fechando a conta, dando dinheiro para você fazer o passo.
20:09O que eu acho que é um pouco da visão dele é que muitas empresas nem dominaram aqui ainda
20:16e já estão falando dos Estados Unidos, de China, de Europa.
20:20Aí eu concordo que não é...
20:21É o passo maior do que a perna.
20:23Exato.
20:24Mas você vê que se você olha os casos, e sem citar nomes,
20:27de empresas que são muito sólidas localmente,
20:30elas são bem-sucedidas fora do Brasil também.
20:32Então, eu acho que é mais sobre quando ir do que menos capacidade dos nossos empreendedores.
20:39Entendeu?
20:40Quando a gente fala sobre esses três mercados que você cita, né?
20:44Estados Unidos, Europa e China, né?
20:48Ásia, mas China especificamente.
20:50Talvez Estados Unidos e Europa, a gente culturalmente, para o empresário,
20:55seja mais fácil a adaptação.
21:00Tá.
21:01Quando a gente fala na China, a gente está falando numa outra mentalidade.
21:07Esse passo, e todo mundo quer buscar onde está o pote de ouro,
21:12e talvez, de alguma maneira, todo mundo olhe e diga assim,
21:14ah, porque é a China.
21:15E agora a gente vê aquelas missões, os empresários indo lá para a China,
21:19fazendo as imersões e olhando, pô, o que esses caras estão fazendo?
21:22E a gente tem visto todos os indicadores mostrando assim,
21:25ah, os caras fizeram a lição de casa direitinho.
21:28Eles estão chegando, estão chegando.
21:30E aí você vê alguns outros indicadores nos Estados Unidos,
21:33pô, os Estados Unidos desastrearam em tal coisa.
21:35Investimento nisso aqui e tal.
21:37Todo mundo quer buscar a China.
21:39A China não é para todo mundo.
21:41A gente já viu grandes empresas quebrarem a cara lá.
21:45Sem dúvida.
21:46Mas esse é, essa é uma meta, um checkpoint,
21:49para efetivamente dizer, ó, cara, cheguei lá,
21:54essa adaptação no mercado culturalmente tão distinto com o nosso,
21:58ou é um checkpoint inútil?
22:01Cara, seja muito foda, para usar a expressão,
22:04aqui ou, sei lá, no mercado ali,
22:06ou não temos que ir para esse Eldorado.
22:09Não.
22:09O que é?
22:10Qual que é o olhar dessa fissura hoje,
22:12que tem essa coisa, o fetiche com a China?
22:15Não, é porque se você olhar, assim, é,
22:18Meituan, é, Atencent, é, TikTok e tal,
22:24tudo veio de lá.
22:25E eu acho que, se a gente comparasse a China,
22:29é, sei lá, 2018, 2017,
22:32China 2018, 2017 com o Brasil,
22:34realmente a gente estava muito atrás
22:37e os costumes eram muito diferentes
22:38do ponto de vista do consumidor.
22:39Atualmente, eu acho que principalmente o brasileiro,
22:43que faz tudo no celular,
22:46a gente está muito próximo.
22:47E qual é o indicativo disso?
22:49É que as empresas chinesas estão vindo para cá.
22:50Estão vindo para cá.
22:52Seja no delivery de comida,
22:54seja no TikTok shop,
22:55está todo mundo vindo e investindo aqui.
22:57Eles ocuparam o espaço.
22:58Exatamente.
22:59E vão cada vez mais investir mais,
23:01porque eles já viram que o brasileiro,
23:03de alguma forma, é parecido com o chinês,
23:06pelo menos no consumo de internet,
23:08na compra impulsiva, etc.
23:12Eu não acho que você ser,
23:15você ser bem-sucedido na China
23:19é um checkpoint necessário.
23:22Eu acho que é extremamente difícil.
23:26Então, se você conseguir, pelo menos,
23:30aprender com eles, ou a Didi, etc.,
23:33e replicar isso para outros países,
23:36acho que...
23:37Como modelo, né?
23:38Como modelo, acho que também é uma definição de sucesso.
23:42Eu não colocaria a meta
23:44ter sucesso na China.
23:48Eu gosto de pensar de forma compartimentalizada.
23:52Então, primeiro, vamos ter sucesso no Brasil.
23:55Faz direitinho aqui.
23:55Vamos fazer dinheiro.
23:56Faz o arroz com o feijão.
23:57Aí, depois você pensa nos Estados Unidos,
23:59depois você pensa na China.
24:01Então, acho que é um pouco disso.
24:02Eu acompanho você nas redes sociais e tal,
24:06e você faz lá um resumo,
24:09meio que para ver o mundo, né?
24:12Como é que chama o dropzinho que você publica lá?
24:15Lá tanto é quick?
24:16Isso, você faz um resumo da semana e tal.
24:20E eu sempre fico olhando o movimento das coisas e tal,
24:26e a gente vive alguns cenários de um hype muito grande.
24:30Então, quando a gente pega IA, por exemplo...
24:31Sem dúvida.
24:32Está hypado num nível
24:34em que muitas vezes eu me pego
24:37acompanhando conversas ou, enfim,
24:40vendo as coisas acontecerem
24:42numa condição em que a sensação que eu tenho
24:46é de que nós estamos criando soluções
24:49para problemas que não existem.
24:52Nós estamos criando...
24:53Não, porque eu preciso ter isso aqui.
24:55O cara gasta um caminhão de dinheiro.
24:59Ora homem para desenvolver.
25:01Para do mesmo jeito ele poderia ter feito
25:04sem usar todo aquele recurso
25:06a solução funcionar.
25:08Faz parte desse entusiasmo,
25:10faz parte desse movimento e tal.
25:13Mas em algum momento a gente precisa
25:14aterrissar essa expectativa
25:16para as coisas se equacionarem,
25:18para a gente sair um pouco desse mundo
25:20do que o Sam Altman oferece
25:22como perspectiva de vamos mudar o mundo com a IA.
25:25E até agora alguns artigos muito críticos,
25:27inclusive sobre o GPT-5.
25:29porque, poxa, esperávamos uma IA
25:32nos levando a lua e não foi bem isso e tal.
25:37Mas essa coisa do hype,
25:40ela mais prejudica a vida real da inovação
25:45ou ela, pelo efeito manada assim,
25:49de vamos descobrir, temos que entrar, né?
25:51Ela é um indutor na tua avaliação.
25:53Você está de qual lado?
25:55Vamos combater o hype
25:56e vamos nos apegar aqui
25:57ao que efetivamente é?
26:00Ou vamos...
26:01Porque eu vejo você fazer ali, olha,
26:03é isso aqui que está rolando, ó.
26:04Olha para cá, está vendo?
26:06Você traz a galera um pouco,
26:07você mostra o mundo,
26:08mas você traz a galera um pouco para a terra, ó.
26:10Isso aqui é o que está rolando mesmo.
26:12Qual que é a tua visão?
26:13Você está de qual lado
26:14dessa história do hype?
26:15Qual que é a tua avaliação?
26:17Ótima pergunta.
26:19Eu acho que é um indutor.
26:22Não é bom,
26:24mas eu acredito, né?
26:28Particularmente que a gente está vivendo
26:29uma nova revolução industrial.
26:32Eu acredito que tudo vai mudar
26:33e já está mudando.
26:34Já está mudando.
26:35Isso é um fato.
26:36E eu acho que esse hype,
26:40ele faz com que as pessoas
26:41tenham mais senso de urgência.
26:43E esse senso de urgência,
26:45nesse momento que a gente está vivendo,
26:46de inteligência artificial,
26:48ele é super importante.
26:51Para as profissões,
26:52para as empresas,
26:53assim,
26:53tem que estar todo mundo
26:54com isso na cabeça.
26:57E para todo mundo
26:58estar com isso na cabeça,
27:00o hype,
27:02ele faz com que isso fique mais latente.
27:07E com isso, assim,
27:08os consumidores exigem cada vez mais
27:11das empresas.
27:11Aí acontece isso que você falou,
27:13de acharem que vai ser
27:15vai mudar o mundo.
27:16Mas o GPT-5,
27:17ele é bom para caramba.
27:19Você tem que aprender a usar.
27:20É isso.
27:21Mas aí a pessoa já se desacostumou
27:23a aprender.
27:24Então, assim,
27:25eu acho que,
27:26então, de certa forma,
27:28eu acho que o hype,
27:29no momento que a gente está vivendo,
27:30ele é bom.
27:31Porque eu efetivamente acho
27:33que todo mundo
27:34precisa ter o senso de urgência.
27:36Eu falo para o meu time no banco,
27:38assim,
27:38se você não está usando ainda
27:39o Copilot,
27:40que é o que está disponível para nós,
27:41que a gente usa super bem,
27:42você está perdendo já.
27:46É recurso, né?
27:47Exato.
27:48Tem uma pergunta,
27:48eu falo,
27:48você já jogou na Inteligência Artificial,
27:50ele já te respondeu alguma coisa
27:51antes de você vir?
27:52Então, a pessoa fica assim,
27:53calma.
27:54Mas é assim que eu acho
27:55que a gente tem que pensar.
27:57E eu acho que o hype,
27:58ele ajuda a gente
28:00a ter esse senso de urgência.
28:02E aí,
28:03para a gente fechar
28:03que o nosso tempo
28:04está esgotando,
28:05a gente vive
28:07uma discussão também importante
28:09em função do hype
28:11sobre regulação.
28:13Sim.
28:14Há um grande desencontro,
28:17eu não tenho o atualizado,
28:19mas a gente fez
28:20uma apresentação
28:21um tempo atrás
28:22e a gente compilou ali
28:24os países
28:24que já tinham
28:25algum tipo de regulamentação
28:27para IA e tal
28:28e havia uma corrente
28:30muito ruim
28:32no encaminhamento
28:34dessas regulamentações.
28:35Algumas delas
28:35até com o viés
28:36de inviabilizar mesmo
28:37o movimento.
28:39Eu dizia,
28:40à época,
28:41que é como tentar
28:42brecar um tsunami.
28:43Você não vai construir
28:43um muro
28:44e brecar aquela onda
28:46gigantesca.
28:46Não esqueça.
28:47Sim.
28:48Ela vai arrastar tudo.
28:49Mas o regulador
28:50naquele momento
28:51achou que era importante
28:51fazer aquilo.
28:52Se não me engano,
28:53a Itália fez algo parecido.
28:55Enfim,
28:55a gente teve alguns países ali
28:57que correram para regular e tal.
28:59O que não é estranho
29:00para outros movimentos
29:02que aconteceram.
29:03você atua em um setor
29:05altamente regulado
29:06em que a regulação
29:08nunca foi inviabilizadora.
29:10Ela talvez freou um pouquinho,
29:12como a gente falava no começo,
29:14mas ela induziu caminhos
29:16mais cautelosos
29:17para a gente chegar
29:18de maneira mais segura
29:20em um determinado lugar.
29:22Olhando essa discussão
29:23sobre IA
29:23e com experiências
29:25que eu imagino
29:25você vem colecionando
29:27mundo afora,
29:28a tua visão
29:29ela é mais otimista
29:30ou mais pessimista
29:33ao ver esse debate?
29:39Otimista
29:39em parte.
29:40Acho que tá.
29:43O que você colocou,
29:45eu não sei qual foi o país
29:45exatamente,
29:46mas a gente teve
29:47diversas discussões
29:48de regulação
29:49na Europa
29:50que tentava frear
29:51um pouco
29:52a inteligência artificial.
29:53Coisa que a gente
29:54não está mais vendo
29:54atualmente.
29:56O AI Act já muda
29:58bastante essa visão, né?
30:00Sim.
30:00E os Estados Unidos
30:02que no final do dia
30:03é onde estão
30:05a maior parte
30:06das empresas
30:07enfim,
30:08grandes desse setor
30:10não me parece
30:12que vai se posicionar
30:14nesse sentido.
30:16E eu acho
30:16que no final do dia
30:17os países
30:18eles meio que
30:19olham para os Estados Unidos
30:21que é quem tá
30:22ir para a China
30:23e você vê que
30:24acho que não vai ter
30:25uma regulação
30:27tão dura
30:28que eu acho
30:29que não deve ter, né?
30:32Então eu
30:33eu acho que
30:34a gente tá
30:36alguns passos atrás
30:37e por isso
30:38que eu tô otimista.
30:39Eu acho que tem muita gente
30:40que nem entendeu ainda
30:41o que vai mudar
30:42e como vai mudar.
30:44Então regular agora
30:45é quase que você
30:46regular o desconhecido.
30:49Então acho que
30:49não deveria
30:50e não vai acontecer.
30:53E com o tempo
30:54eu acho que
30:55como a gente
30:55encontrou
30:56em cripto
30:59e blockchain, etc.
31:01A gente vai encontrar
31:03um caminho
31:03de regular
31:04de forma saudável.
31:06Tal como a gente fez
31:07com as fintechs
31:08aqui no Brasil.
31:09Acho que o Banco Central
31:09é um baita exemplo
31:11de uma regulação
31:13que incentiva a competição
31:14mas que ao mesmo tempo
31:15faz com que todo mundo
31:16fique na linha.
31:17então eu olho
31:19o meu olhar
31:20é um pouco mais otimista
31:21no sentido de que
31:23os órgãos
31:26também estão aprendendo
31:27junto com a tecnologia
31:28que tá se desenvolvendo.
31:30Então eu acho
31:31que já tá visto
31:32que você regular
31:33antes da hora
31:33também não é saudável.
31:36Então acho que é isso.
31:38Quero antes da gente
31:39fechar fazer o convite
31:40porque se você
31:41não segue
31:42pra que você siga
31:43a Júlia
31:44nas redes sociais
31:45é só procurar
31:46a Júlia de Luca
31:47que a despeito
31:48dela ter esta vida
31:49no banco
31:50ela é uma entusiasta
31:52que divide
31:54o conhecimento dela
31:55com a comunidade
31:57na internet
31:58seja por meio
31:59de artigos
31:59esses conteúdos
32:00esses drops
32:01que ela produz
32:02pro Instagram
32:03eu vejo o Instagram
32:04que eu consumo
32:05mais rápido ali e tal
32:06e que valem
32:08muito a pena
32:08porque é isso
32:10no fim
32:10essa experiência
32:11a gente começou falando
32:12do mundo no banco
32:13e isso
32:14como o resto
32:15do ecossistema
32:16acaba sendo afetado
32:18acho que
32:19mergulhar
32:20nesse outro universo
32:20pra além
32:21daquele setor
32:22que você tá
32:23te ajuda
32:24a ter um colorido
32:24diferente
32:25como visão de mundo
32:26e trazer aprendizado
32:27pra dentro de casa
32:28quando você abre
32:29a cabeça
32:30você traz tudo
32:31de volta
32:31pra dentro de casa
32:32e é assim
32:33que o Itaú
32:35conseguiu perdurar
32:35por tantos anos
32:37chegar ao 100
32:38com um corpinho
32:39de 18
32:39exatamente
32:40Julia De Luca
32:43superintendente
32:44de Business Development
32:46do Itaú
32:47Unibanco
32:48aqui comigo
32:49no Sociedade Digital
32:50Julia mais uma vez
32:51obrigado por ter vindo
32:52até aqui
32:52pelo papo
32:53infelizmente o tempo
32:54é curto
32:55poderíamos ter ficado
32:56aqui horas e horas
32:57mas já tá convidada
32:58pra próxima
32:59tá bom?
33:00obrigada
33:00e você também
33:01tá convidado
33:02pra estar aqui
33:03comigo na semana
33:04que vem
33:04Sociedade Digital
33:05volta aqui
33:06na programação
33:07da Jovem Pan
33:07mas você sabe
33:08pode acessar
33:10a gente
33:11lá no Panflix
33:12ou no canal
33:13da Jovem Pan
33:14no Youtube
33:15grande abraço
33:16até a semana que vem
33:17tchau tchau
33:18Sociedade Digital
33:23a opinião
33:25dos nossos comentaristas
33:26não reflete
33:27necessariamente
33:28a opinião
33:29do grupo
33:29Jovem Pan
33:30de comunicação
33:31Realização
33:36Jovem Pan
33:37Jovem Pan
33:38Jovem Pan
33:39Jovem Pan
33:40Jovem Pan
33:41Jovem Pan
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