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O embaixador, ex-diretor-geral da OMC e representante da CNI, Roberto Azevêdo, avaliou em Washington (EUA) os impactos das tarifas de 50% aplicadas pelos EUA, destacando caminhos de cooperação e alternativas para negociações futuras.

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Transcrição
00:00Depois dessa hora, em diálogo, não há diálogo entre os dois governos.
00:04O senhor acha importante começar esse diálogo de uma forma,
00:07os dois presidentes pegarem o telefone e conversarem?
00:09Olha, nós somos uma missão empresarial.
00:12Então, nós estamos aqui com todo mundo que nós conversamos,
00:14nós dizemos com muita clareza, nós não temos como solucionar
00:18nem resolver a questão política, que é óbvia, existe entre os dois governos.
00:23O que nós queremos é preparar o terreno para quando a oportunidade aparecer,
00:27nós podermos ter uma conversa já assentada em conceitos,
00:35em um possível, quem sabe, um possível pacote,
00:37que leve a um entendimento na área comercial e econômica.
00:42A área política, vamos deixar que os políticos resolvam no seu devido tempo.
00:47Embaixadora, o senhor pode falar um pouco mais sobre essa eventual estratégia
00:51de recorrer aos tribunais?
00:52Eu queria entender se é uma expectativa de que a CNI, por exemplo,
00:55que conteste isso ou que ela se manifeste em outra ação em curso?
01:00O senhor pode falar mais?
01:01Veja bem, a maior parte das ações que estão tramitando nos tribunais americanos
01:06foram iniciadas por empresas americanas, não foram pelos brasileiros.
01:09São empresas que estão sendo afetadas pelas tarifas,
01:13que têm interesse em continuar a relação com o Brasil e com as empresas brasileiras,
01:19comprando o produto brasileiro.
01:22E o que nós podemos estar presenciando no futuro é um questionamento da própria 301,
01:28um questionamento, eu não sei do quê.
01:31Nos Estados Unidos existe muito a cultura do litígio.
01:34Se você não consegue as coisas de uma via, você vai para as cortes.
01:37E nós temos que estar preparados para isso.
01:39Acho que o objetivo nosso é estar preparado para todas as eventualidades,
01:42não, via a CNI e todos os interessados.
01:46Eu acho que é um procedimento...
01:47Uma das coisas que o Ballard falou hoje também foi que ele não acredita
01:51que possa haver uma redução das tarifas para o Brasil
01:54ou nem o fim das tarifas, mas ele acredita que há espaço para mais isenções.
02:00É por aí?
02:00É esse o caminho que você está nesse momento?
02:01Eu acho que nesse momento todas as alternativas são possíveis.
02:06Eu não sei dizer para você se vai haver apenas exceções.
02:10Nós somos hoje o país com as maiores tarifas, 50% mais alto.
02:16Eu acho que a Índia agora está com 50% também.
02:19Então, eu acho que sim, que há espaço para nós chegarmos a um entendimento
02:22que abaixa as tarifas em determinado momento.
02:25Tudo vai depender muito de como que essas conversas vão evoluir,
02:29das barganhas que possam aparecer.
02:34E eu acho que tem muita coisa que pode ser colocada sobre a mesa
02:37que vai levar a uma recalibragem do que foi feito até agora.
02:47O que?
02:47Por exemplo, repensar as tarifas.
02:51Acho que nós não devemos...
02:52Mas o que poderia ser colocado à mesa para que se repense as tarifas?
02:55Olha, o próprio presidente Albano falou aqui de áreas novas,
03:01como, por exemplo, quem sabe no futuro explorar algum tipo de cooperação
03:05na exploração das terras raras, materiais críticos,
03:09data centers no Brasil.
03:11Nós temos um potencial de energia renovável extraordinário
03:14que pode alimentar data centers,
03:17que é uma área de grande interesse nos Estados Unidos.
03:19A área de combustível renovável para aviação, por exemplo, SAF,
03:25que os dois países, em vez de ficar discutindo etanol,
03:29deviam estar abrindo o mercado internacional de etanol.
03:32Nós temos...
03:33Se, por exemplo, o mercado de SAF fosse aberto,
03:36se realmente fosse adotado esse combustível,
03:39a demanda do setor aéreo
03:41passaria, ultrapassaria,
03:44toda a produção brasileira e americana de etanol.
03:47Então, tem muita coisa que podemos fazer juntos.
03:49Temos que explorar essas alternativas.
03:51Sobre o etanol, você poderia destacar aqui o que o senhor contou ali na sua defesa?
03:56O senhor fez algum...
03:57Eu comentei rapidamente sobre etanol,
03:59dizendo que o problema maior do etanol
04:01é que são dois países que produzem muito,
04:04não têm carências no mercado interno,
04:06não necessitam importar etanol, basicamente,
04:09nem Brasil, nem Estados Unidos.
04:11E o que eu sugeri era que nós temos que olhar para o mercado externo.
04:13Nós temos que abrir o mercado de etanol mundo afora,
04:16aumentando as misturas, por exemplo, dos combustíveis.
04:20Muitos países ainda têm taxas de mistura muito baixas,
04:27que podem subir, nós estamos mostrando no Brasil que isso é possível, é viável,
04:30e explorar outras alternativas para consumo de biocombustíveis.
04:35Embaixador, como é que está a abertura de outros empresários aqui brasileiros?
04:39A gente sabe que no setor da carne, por exemplo,
04:41tem produtor querendo que coloque tarifas para o Brasil para ele se favorecer.
04:45Como é que você está vendo a receptividade das empresas americanas nesse diálogo?
04:50As empresas americanas, como qualquer empresa, elas são muito pragmáticas.
04:55Elas querem parcerias, elas querem alianças que abram o mercado,
05:02que facilite os negócios, que melhore as condições de negócio aqui e lá no Brasil.
05:08E você vai ter de tudo, você vai ter empresas que preferem fechar o mercado americano
05:13e ter uma certa exclusividade do mercado americano.
05:16Outras que vão querer os insumos mais baratos, mais em conta,
05:20para manterem as suas cadeias de produção funcionando de maneira ótima.
05:27Você vai ter de todo tipo de interesse.
05:29A minha percepção é de que vai prevalecer a cooperação, vai prevalecer não o protecionismo,
05:36não a expectativa de fechar mercados, mas de aumentar as sinergias entre os mercados.
05:41A mensagem que o senhor está levando é que é possível realizar uma negociação
05:46sem entrar numa questão política.
05:49É trazendo dados, apresentando a situação dos negócios no Brasil,
05:53como se impacta as empresas brasileiras e também as americanas.
05:56Até que ponto, na experiência do senhor, isso é possível, dado o contexto político atual?
06:01E qual é o caminho que o Brasil pretende levar,
06:03levando em conta que o senhor é o representante do Brasil aqui?
06:07Não, peraí, eu não sou o representante do Brasil.
06:09Não, do CNI.
06:10Da CNI, como eu estou ajudando, apoiando a CNI.
06:14É muito difícil você pensar em uma negociação, propriamente dita,
06:20sem ter os governos envolvidos.
06:22A diplomacia é estatal.
06:24São os dois governos que negociam, que têm o mandato para negociar.
06:29O máximo que o setor empresarial pode fazer é facilitar esse diálogo,
06:33é ajudar esse diálogo, encontrando, por exemplo, oportunidade...
06:37Na maioria das vezes, o mandato do negociador, ele vem do setor privado.
06:42O setor privado está dizendo, olha, para a gente é interessante que aconteça isso,
06:45ou que aconteça aquilo.
06:47E isso nós podemos adiantar e antecipar,
06:50e ir avançando nas conversas com o setor privado americano também.
06:53Então, a ideia nossa não é que nós vamos, de alguma maneira,
06:57tomar o lugar dos dois estados ou dos dois governos,
07:00porque isso não é viável.
07:02Mas nós podemos ajudar e preparar o terreno para que essa conversa,
07:05quando ela acontecer, seja a mais produtiva possível.
07:07Embajador, o senhor mencionou na sua fala que conhece bem o estilo de Trump,
07:12inclusive, pelas suas experiências...
07:13Eu falei que eu conheço o estilo dele,
07:14eu sou acostumado a lidar com o comércio e com a administração de Trump há muito tempo.
07:18Pois é.
07:19Como é que o senhor vê isso que a gente está passando agora com o Brasil,
07:24dos 50% e como a negociação tem transcorrido,
07:28em relação ao histórico do senhor na OMC?
07:30Quer dizer, como essas coisas se comparam?
07:32E que tipo de chave tem aí para resolver esse nível?
07:35E o senhor vê alguma diferença desse governo para o primeiro Trump?
07:38Ah, eu acho que sim, sem dúvida.
07:42Mas isso é natural, as mudanças acontecem de um mandato para o outro,
07:46em qualquer país, no Brasil também,
07:49um governo que tem um primeiro mandato, tem um segundo mandato,
07:51as coisas vão evoluindo.
07:52Acho que isso não é novidade.
07:55Também é muito difícil você se surpreender com o fato
08:00de que o presidente Trump está trazendo para a mesa e para a dinâmica
08:03coisas que nunca tinham sido feitas antes,
08:06porque não será a primeira vez que ele faz isso.
08:09O que nós temos que procurar é entender o que está por trás disso.
08:15Essas medidas, ontem, em uma conversa, falaram
08:18que o objetivo dos Estados Unidos é causar dor ao Brasil por vários motivos.
08:25Mas esses vários motivos importam.
08:27Você causar dor para conseguir o quê?
08:29E o que é?
08:30Pois é, essa é a pergunta que tem que ser feita.
08:33Essa é a pergunta que nós estamos tentando tirar,
08:35é saber, tudo isso que está sendo feito tem objetivos.
08:39Tem objetivos políticos, que eu não tenho como resolver,
08:41nossa missão é empresarial, e tem motivos econômicos.
08:45Quais são os motivos econômicos que são buscados?
08:47Quais são as metas?
08:48Quais são os objetivos?
08:49O que a gente pode conseguir que atende às expectativas,
08:54tanto dele quanto do Brasil?
08:56É que essas coisas são...
08:57Mas dá para separar uma coisa da outra nessa negociação?
09:00Não, e o que é na sua avaliação?
09:01Elas hoje estão muito próximas, né?
09:03O lado político, o lado econômico estão muito próximos.
09:06E é uma coisa que é um fato da vida hoje.
09:10O que nós tentamos fazer é fazer com que,
09:13no momento em que o ambiente político e os canais políticos
09:16permitam algum tipo de conversa, algum tipo de interação,
09:20que o setor privado já tenha preparado o terreno
09:23para nós perdermos o menor tempo possível.
09:26Gente, é isso.
09:27Se não, vamos até amanhã.
09:29Obrigado.
09:30Nós ouvimos, então, o embaixador Roberto Azevedo,
09:33ele que é ex-presidente da Organização Mundial do Comércio
09:37e hoje representa a Confederação Nacional da Indústria.
09:41Obrigado.
09:42Obrigado.
09:43Obrigado.
09:44Obrigado.
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