00:00A sociedade se sente segura?
00:02Nem um pouco.
00:03Pra denunciar?
00:04Não.
00:04Porque ela vê muitas vezes promotores serem ameaçados.
00:09O César também cobriu o Machadinho, que é um juiz que morreu.
00:12Em virtude do PCC.
00:13Assassinado pelo PCC.
00:14Criado na porta do fórum do presidente.
00:15Exatamente.
00:16Então assim, a gente vê situações de autoridades que são ameaçadas muitas vezes.
00:20Lincoln Gaki, que a gente sempre fala aqui também, que é o promotor do Gaeco.
00:23Então assim, diferentes autoridades que são ameaçadas muitas vezes perdem realmente a vida, né?
00:27Por isso.
00:27Descredibiliza. E aí tem o vazamento de informações de pessoas que estão foragidas.
00:31Então isso vai descredibilizando também a sua.
00:33E sobre o vazamento, secretário, eu queria te perguntar sobre essa questão da infiltração,
00:36só pra a gente arrematar pelo menos essa parte aqui do debate.
00:39Quando se fala em infiltrados, nas forças de segurança, naqueles que deveriam cuidar
00:44pra que as investigações acontecessem da melhor maneira possível,
00:47o número de detecções desses casos até agora chama muito a atenção?
00:51É um número muito elevado, digamos assim, pra algo que seja aceitável aqui no país?
00:56Eu não acho que é um número elevado.
00:58Ele existe, mas acho que o país tem um grande déficit com as forças policiais.
01:03Nós precisamos entender que segurança pública, ela tem um custo.
01:06Eu gosto sempre de dizer isso.
01:09Governadores, e não é ABC, não é política, é técnico.
01:12Governadores têm mania de quando assumem o governo de um outro partido,
01:17a mudança na segurança pública é pintar o carro da polícia militar diferente.
01:23Não é isso?
01:24Ao invés de efetivamente se investir na carreira policial.
01:27O Brasil tem um problema que o policial, ele continua sendo mal remunerado,
01:32ainda se inventam outros métodos pra ele trabalhar mais, pra ele ganhar mais.
01:37O policial de folga faz o bico, institucionalizar o bico, e tá tudo errado.
01:42Ou você investe na carreira policial pra ela se tornar uma carreira atrativa,
01:47em que ele é bem remunerado.
01:48Por que a Polícia Federal hoje vai tão bem?
01:52Porque em algum momento mudaram a chave lá atrás,
01:55e eu sei que momento foi esse, tem que se dizer um nome aqui,
01:57Márcio Tomás Bastos, que mudou a Polícia Federal de uma forma,
02:01que hoje ela é bem remunerada, um delegado federal...
02:05O agente pensa antes de aceitar...
02:08É muito mais difícil isso acontecer, porque ela é uma instituição hoje...
02:14Agora, é muito difícil você falar em polícias militares aqui em todo o Brasil,
02:18ainda muito mal remuneradas, muito aquém daquilo que se exige.
02:22Então, isso prejudica na formação e tudo mais.
02:25Tudo isso vai colaborando pra essa infiltração.
02:28que não é, olha, eu digo, que ela ainda é pequena,
02:34quando nós consideramos essa desestruturação do sistema de segurança do país.
02:39Nós precisamos olhar pro sistema de segurança do país.
02:42É o que eu costumo dizer, a gente tem trabalhado demais pra fortalecer os policiais.
02:46Como, por exemplo, um programa que nós vamos rever, que é o Habito Seguro.
02:49O policial tem que morar.
02:51Ele não pode morar na comunidade.
02:52Qualquer policial civil e militar?
02:54Ele tem que morar e tem que morar bem.
02:56Policial civil e militar?
02:57Sim, nós temos um programa, o Habito Seguro, que não tá funcionando.
03:00E agora nós estamos propondo uma reforma dele,
03:03uma determinação do ministro Lewandowski,
03:05que é muito preocupado com o ser humano, com o profissional policial.
03:10Daí por que nós estamos reformulando?
03:13Porque você tem que valorizar, tem que ser uma carreira atrativa.
03:15Não pode ficar que nem o Brasil tem grandes problemas.
03:19Então, a gente brincar...
03:20Um amigo meu outro dia brincou,
03:22meu filho disse que vai ser professora.
03:23Disse, não, pelo amor de Deus, o professor ganha muito pouco.
03:26Vai fazer outra coisa.
03:27Acontece o mesmo com o policial.
03:29Você fala, ganha muito pouco.
03:30Tem que ser profissões muito bem remuneradas.
03:34Tem que ser profissão muito valorizada.
03:35Como é que você não pode valorizar o professor no Brasil?
03:38Como é que você não pode valorizar o policial no Brasil?
03:41Então, se há infiltração,
03:42vou focando aqui nas polícias,
03:44é porque nós estamos deixando de lado
03:47os investimentos necessários no profissional,
03:51na carreira dos policiais civis, militares e assim por diante.
03:54Mas eu vou passar a palavra para você?
03:56Vai lá.
03:57Não, vai lá, Salário.
03:58Você e depois o Adam eu passo para você, tá?
04:00Eu queria saber como é que muda essa questão,
04:02além do discurso.
04:03Como mudar?
04:04Olha, eu, por exemplo, só voto em governador
04:08ou alguém que invista no profissional.
04:11Porque é o ser humano que faz a diferença.
04:13Não é a pintura do carro.
04:15Muitas vezes você investe menos no veículo, etc e tal,
04:19e investe mais no ser humano.
04:20Porque é o profissional que faz a diferença.
04:23Um profissional qualificado, um profissional bem remunerado,
04:26ele faz a diferença onde quer que ele esteja.
04:28O Brasil precisa de polícia comunitária.
04:30O Brasil precisa que nas comunidades
04:33o policial seja de confiança da população,
04:35seja um profissional que ele confia.
04:37E para isso ele precisa estar qualificado,
04:39ele precisa estar muito bem remunerado.
04:41Ele tem direito a descansar.
04:43Ele não precisa fazer bico para descansar,
04:45para ganhar um salário razoável.
04:47E é razoável, não é que ele possa ganhar bem.
04:49É razoável.
04:50É, mas a gente se analisou, né?
04:51DGEM, delegada...
04:53Está errado.
04:54Me perdoe.
04:55Está errado, na minha opinião.
04:56E fora quando esse bico
04:57não é no próprio empreendimento do criminalizado.
05:00Tem um dia que o policial está fardado,
05:03no outro dia está fazendo, por exemplo,
05:04a segurança para a empresa de ônibus
05:06com ligação à máfia.
05:07E foi o que nós vimos aqui
05:08no aeroporto de Guarulhos.
05:11Delator do PCC é o Crisba, né?
05:13É.
05:13Agora, não seria o caso
05:15da gente criar uma espécie de SUS
05:16da segurança pública?
05:18Porque a legislação,
05:19ela confere aos estados
05:21toda a responsabilidade da segurança pública.
05:25Entretanto,
05:26ela não tem mais limite de estado,
05:27não tem mais fronteiras.
05:29Não seria o caso da gente
05:30dar mais flexibilidade
05:32para o governo federal
05:33atuar diretamente
05:35na segurança urbana mesmo?
05:37Obrigado.
05:38Te agradeço pela pergunta.
05:39É tudo que eu queria.
05:40É o que o senhor está tentando fazer
05:42desde que entrou?
05:43Esse é o que o ministro Lewandowski...
05:44Aquela palavrinha política que...
05:45E não vazou a pergunta, né?
05:47E não vazou a pergunta.
05:48O ministro Lewandowski, de fato,
05:51desde que nós lá chegamos,
05:54ele tinha isso na cabeça,
05:56a PEC do Lewandowski,
05:58como a gente diz,
05:59do ministro Lewandowski,
06:01porque nós temos,
06:02e ele principalmente,
06:03como um grande condutor lá do ministério,
06:05ele tem justamente essa ideia.
06:07E é preciso estabelecer parâmetros mínimos
06:10em termos de Brasil
06:11sem interferir na autonomia dos estados.
06:13Eu acho que nem precisa fazer interferir
06:16no policiamento e etc.
06:18Não é nada disso.
06:19Mas é muito mais parâmetros mínimos.
06:21Não dá para o estado hoje
06:22ter um sistema prisional ígido
06:25e o estado ao lado
06:26não estar com um sistema prisional abandonado.
06:29Então a PEC, ela vem nesse sentido.
06:31Não dá para o estado ter uma polícia
06:33totalmente destroçada,
06:36um salário ruim, etc e tal,
06:38e o estado investir.
06:39O estado ao lado,
06:40ou nem precisa ser ao lado
06:41com a tecnologia hoje,
06:43a gente vê do estado do sul
06:45o crime organizado dando ordens
06:47para matar alguém no estado do norte.
06:49Então nós precisamos ter um Brasil
06:50mais unificado,
06:51com padrões mínimos.
06:53E essa questão da profissionalização,
06:55do salário do policial,
06:56essa pode ser uma vertente importante.
06:58Claro que o governo federal
06:59tem que entrar com recursos também,
07:01não é tão simples.
07:02E a ideia da PEC,
07:03ela é, na verdade,
07:05a ideia de construir
07:07as políticas públicas
07:08através do diálogo.
07:09A PEC era centralizada
07:11no Conselho Nacional de Segurança Pública
07:13com representatividade de todos.
07:16Então não é que o ministro Levandros
07:17vai sentar comigo lá
07:18e nós vamos decidir
07:19quais são os parâmetros.
07:20Ao contrário,
07:21isso vai ser discutido.
07:22E como é que o senhor apalha
07:23a resistência de alguns governadores?
07:25Acho que é político, né?
07:26É muito mais político
07:27porque a PEC,
07:29o ministro foi muito habilidoso
07:30nesse debate,
07:31e ele conversou com os governadores,
07:33participei de algumas reuniões,
07:35o ministro foi,
07:36inclusive inseriu
07:39parágrafos,
07:41artigos,
07:41por sugestão dos governadores.
07:43Eu acho que, no fundo,
07:44todos eles concordam
07:45e eu tenho dito que
07:46não acho que vai haver resistência
07:48no Congresso Nacional, não.
07:50Eu acho que ela vai ser aprovada
07:51porque ela é algo necessário hoje,
07:53como disse o nosso amigo aqui
07:55dos transportes.
07:55Depois vai você, tá, Galvão?
07:57Não, mas a pergunta que fica aí,
07:59então por que o governo volta atrás?
08:00Porque uma questão
08:01que foi trazida agora
08:02é em relação ao PIX,
08:03porque o PIX
08:05ele não consegue ter um rastreio.
08:06Aí, vários políticos foram,
08:08se manifestaram,
08:09falaram que iria verificar
08:12aquilo que a pessoa tá gastando
08:14pra depois tributar e tudo mais.
08:15O governo criou uma medida
08:16pra tentar gerar uma rastreabilidade
08:18em relação aos recursos,
08:19porque hoje,
08:20ninguém hoje usa dinheiro em papel,
08:22e o governo foi e voltou atrás.
08:24Então por que que volta atrás
08:24das medidas que às vezes
08:25vão ser benéficas
08:26pra favorecer a segurança pública?
08:28Olha, essa questão política,
08:30eu realmente,
08:31eu procuro ficar de fora.
08:33Eu tô na questão muito mais...
08:34Mas não é importante também?
08:36Mas o que eu digo a você
08:37é o seguinte,
08:38eu sempre fui
08:41um dos que mais lutou
08:43pra que a gente pudesse
08:45ter a fiscalização,
08:47em especial das fintechs.
08:48A gente já tava conversando
08:49com o Banco Central,
08:51e eu até dei uma declaração
08:52numa das entrevistas
08:53que eu dei esses dias,
08:54falando o seguinte,
08:54pra mim a melhor notícia
08:55foi a do ministro Haddad
08:58que declarou que agora sim
09:01as fintechs estarão
09:02no radar, né,
09:03do Banco Central,
09:05da Fazenda...
09:05Terão as mesmas regras
09:05dos bancos tradicionais.
09:06As mesmas regras dos bancos,
09:08e isso é necessário,
09:10porque veja,
09:11o cara tem um, dois milhões,
09:13três milhões de reais,
09:14ele abre uma fintech,
09:15e a partir daí
09:15circula quanto ele quiser,
09:17abaixo,
09:18ou melhor,
09:19nas profundezas,
09:20como eu gosto de dizer.
09:21Não pode ser...
09:22Não tem problema de comunicação
09:23também, secretário,
09:24porque aí virou uma questão
09:26política de novo, né,
09:27aí alguns políticos
09:28usaram isso,
09:29ah, tá vendo,
09:30aqueles que foram contra o PIX
09:32estão contribuindo com o PCC,
09:33e lá atrás,
09:34a mesma coisa,
09:35então,
09:35campos ideológicos,
09:36direita e esquerda
09:37ficam nessa briga,
09:38e quando a gente tem
09:39alguma coisa pra resolver
09:40a segurança pública,
09:41ou pelo menos criar um avanço,
09:43é desfeito.
09:44O crime organizado,
09:46ele agradece.
09:47Exatamente.
09:48Ficam nessas guerras
09:49de narrativas e...
09:50O ministro Levandóvis
09:51sempre diz,
09:52nós somos técnicos
09:53e segurança pública
09:54é uma questão de Estado
09:56e não de governo,
09:57e é assim que a gente
09:57tem tratado essa questão,
10:00não é?
10:00Então,
10:01é preciso que haja
10:02um consenso nacional,
10:04porque segurança pública
10:05é hoje
10:06a preocupação
10:07de todas as pessoas,
10:08não é?
10:09Eu ando na rua,
10:10encontro com os amigos
10:10e tal,
10:11e todos indagam,
10:12olham pra mim,
10:12falam,
10:13e aí,
10:13como é que as coisas,
10:15não é?
10:15E tudo mais,
10:16e eu digo,
10:16estamos trabalhando lá.
10:18Secretário,
10:18os ministérios se convertem?
10:20Os ministérios se conversam?
10:22Porque a gente fala
10:22tanto que os governadores,
10:24perdão,
10:24a gente fala tanto que os governadores,
10:26as polícias não se conversam,
10:28mas os ministérios,
10:29por exemplo,
10:30o senhor citou
10:30uma medida
10:32que o ministro Haddad fez.
10:34Por exemplo,
10:35a gente tem,
10:36já está discutindo,
10:37ainda na questão do transporte,
10:38mas sem sair do foco,
10:40o novo marco regulatório
10:42do transporte público,
10:43que vai determinar,
10:44por exemplo,
10:45regras de licitação.
10:47A gente teve em São Paulo
10:48um problema de uma licitação
10:49aparentemente viciada.
10:52Os ministérios
10:52estão se conversando?
10:55Olha,
10:55bastante.
10:56A gente passa a semana
10:57fazendo reuniões,
10:59os técnicos,
11:00os secretários,
11:01eu vivo conversando,
11:03por exemplo,
11:04trazendo aqui
11:05a questão das bets,
11:07nós trabalhamos direto,
11:08muito próximos lá
11:09daquela secretaria
11:10que cuida das bets,
11:12e essas questões regulatórias,
11:15a gente está sempre
11:16muito próximo.
11:17O ministro Lewandowski
11:18conversa demais
11:19com todos os outros ministros,
11:21essa é uma constante.
11:22Agora,
11:22o Brasil é complexo,
11:24nós trabalhamos
11:25num país continente,
11:27e são muitas coisas.
11:31E a gente tem tentado,
11:33o que eu posso dizer,
11:34e aqui eu vou fazer
11:35a defesa explícita
11:36dos nossos ministros,
11:38do ministro Lewandowski,
11:39e de todos os técnicos
11:40ali que estão trabalhando.
11:42Na verdade,
11:42a gente conversa sempre.
11:44Agora,
11:44a gente não acerta sempre,
11:46e às vezes,
11:47uma coisa ou outra
11:47vai acabar escapando,
11:49como é comum
11:49em qualquer ato da vida.
11:51Mas a gente conversa bastante.
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