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Em entrevista ao Direto Ao Ponto, o Secretário Nacional de Segurança Pública, Mairo Luiz Sarrubbo, explica como o PCC e outras facções criminosas expandem sua atuação no transporte público de São Paulo. Ele detalha os mecanismos de infiltração, o impacto na segurança da população e a importância de investir em inteligência policial para conter o avanço do crime organizado.

Assista na íntegra: https://youtube.com/live/6lsFYWct8t8

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Transcrição
00:00Vai lá, Ádabo, seja muito bem-vindo, que bom recebê-lo aqui.
00:02Boa noite, boa noite, secretário, boa noite à bancada.
00:05Secretário, o senhor falou um ponto que chamou bastante atenção.
00:09O crime organizado, infiltrado em diversos setores econômicos e na vida real das pessoas.
00:15Por exemplo, eu quero saber qual é a fintech, eu preciso saber qual é a construtora.
00:20Transporte coletivo, que é o que a gente cobre.
00:23Transporte coletivo é um setor que a gente sabe que já não é mais segredo para ninguém.
00:28Tem grande infiltração do crime organizado.
00:32E às vezes a pessoa não tem o que escolher, ela depende daquela linha para utilizar.
00:38Só que a questão do transporte coletivo é que são quadrilhas transnacionais,
00:43o crime organizado atuando no Brasil e no mundo, porém com um foco regional.
00:50Como lidar com esse desafio em que você tem problemas locais,
00:54problemas que você depende às vezes de guardas civis, você depende de polícias estaduais
01:00e muitas vezes você sofre, por exemplo, numa investigação,
01:04oposição até mesmo de grandes políticos, de grandes lideranças políticas que são apoiadas
01:10ou às vezes tem participação infiltrada nessas empresas de ônibus
01:15que tem ligação, sim, com o crime organizado.
01:18É muito difícil.
01:20É uma realidade nova que a gente tem que lidar.
01:22Não tão nova, mas a gente começa a perceber essa infiltração dos contratos com o poder público
01:30e transporte público é essencial para cada um de nós, para as pessoas.
01:35Muitas vezes eles são mais competitivos no momento da concorrência,
01:41até porque eles têm um dinheiro por trás, um dinheiro que vem da criminalidade
01:46e acabam levando.
01:48Acho que, como a gente fala no sistema de compliance para o mundo privado,
01:52acho que o poder público vai também ter que trabalhar com essas regras.
01:56Cada vez mais a gente não pode se afastar dessa questão também do poder público.
02:00Por quê?
02:01Porque o poder público, quando contrata, quando faz um processo licitatório,
02:05tem que haver uma questão aí de inteligência para entender com quem ele está contratando.
02:11Aliás, queria até pontuar, se vocês me permitirem.
02:15Inteligência deve ser hoje o maior investimento que se faz em qualquer ramo que se atue.
02:20E, em especial, na segurança pública.
02:23Nós precisamos investir em inteligência,
02:25porque é com inteligência que nós vamos ter os subsídios para repelir,
02:30por exemplo, Adamo, essa questão que você muito bem pontuou.
02:35Claro, o caso aqui da Prefeitura de São Paulo, que todos já sabem,
02:40a Prefeitura foi vítima de um processo.
02:43Ela, em momento algum, imaginou que estivesse contratando com o crime organizado.
02:48Mas é preciso que isso sirva de exemplo para todos aqueles que estão lidando,
02:54seja no poder público, seja no mundo privado,
02:56que nós temos um crime organizado atuando,
02:59hoje, transacionando junto à sociedade civil como um todo.
03:03Doutor, mas quando se fez a licitação, por exemplo, aqui na capital paulista,
03:08já se sabiam os nomes.
03:09E, mesmo assim, esses nomes foram contratados.
03:13Veja, aí a gente precisa trabalhar num campo,
03:17já se sabiam os nomes.
03:20Então, a gente já tem uma licitação que está viciada desde o início.
03:23E, a partir daí, muda toda a lógica do processo.
03:27Está lá, tem um processo em andamento.
03:30Eu confesso que eu não tenho esses detalhes.
03:33Inclusive, quando a operação foi deflagrada,
03:35eu já estava fora do Ministério Público,
03:37muito embora eu soubesse que ela ia acontecer,
03:39nos poucos casos em que eu fiquei sabendo antes,
03:42mas ela não vazou, é bom decidir.
03:43De todo modo, a gente tem que ter uma questão
03:48que é a probidade do agente público sempre.
03:52E a população tem que ter muito essa visão,
03:55esse contexto na hora de votar,
03:57na hora de ver em quem vai votar,
04:00porque são essas pessoas que vão cuidar do nosso dinheiro,
04:02dos impostos, de hora que a gente paga imposto pra caramba,
04:05são essas pessoas que vão cuidar dos nossos impostos.
04:08Mas tem uma questão também, uma crítica voltada da população,
04:12que chegou a mais de 50 bilhões de reais movimentado pelo PCC.
04:17O Adamo trouxe muito bem a questão do ônibus também,
04:19recentemente, que a gente viu.
04:20E o crime organizado age com terrorismo.
04:23Por exemplo, ameaçou representante do Ministério Público de morte,
04:27até um plano foi descoberto.
04:28Campinas, né?
04:29Campinas.
04:29A Maurício, a Maurício, a Maurício, a Maurício.
04:32A Maurício, a Maurício, a filha.
04:34E muitas vezes...
04:35As ondas empedradas que se suspeita que seja também...
04:39Também é uma ação que a gente repercutiu bastante na imprensa.
04:42Tem também postos de combustíveis, que foi o alvo da operação.
04:46Eles chegam na cidade, baixam o preço do combustível,
04:49claro que se torna muito mais atrativo pra todos os consumidores,
04:53só que muitas vezes eles ameaçam também essas pessoas.
04:56E a partir daí, não há uma investigação também pra você detectar na origem,
05:00pra você já conseguir combater na origem, não se avolumar da forma como aconteceu
05:05em relação a fintechs e tudo mais?
05:07Tem que haver, né?
05:08Essa é uma realidade.
05:09Tem que haver...
05:10E depende do quê?
05:11Essa nova realidade, acho que tem que ser o poder público.
05:14Todos nós temos que mudar a maneira de lidar com essas questões.
05:18A gente sempre tem que tomar muito cuidado.
05:21Eu dou sempre um exemplo.
05:22Eu sou a Secretária Nacional de Segurança Pública.
05:25Muitas vezes, alguém me pede uma audiência.
05:27Eu tenho que saber quem vem.
05:28Acerto, porque amanhã é uma audiência e eu não posso abrir as portas pra todo mundo.
05:33A gente tem que saber quem é que tá indo.
05:35Então, volto a dizer, é aquela cautela que é exigida de todos nós
05:39num momento absolutamente especial em que o crime organizado tá infiltrado.
05:44Então, é preciso uma atitude prévia de todos os segmentos.
05:48Eu tive informação, inclusive, que no interior de São Paulo,
05:52usineiros foram praticamente expulsos pelo crime.
05:54O PCC assumiu as usinas de produção de etanol.
05:59Por quê?
05:59Porque eles já tinham dificuldades financeiras,
06:02foram praticamente retirados,
06:05negociaram valores muito abaixo do que as usinas valiam
06:09e passaram essas usinas forçadamente pro crime organizado.
06:13Se eles não aceitassem, o que seria que acontecia?
06:14Pois é, então.
06:15Não, e muito...
06:16Então, e aí, complementa,
06:17essa informação de que os empresários, os usineiros foram forçados,
06:22não chega às autoridades?
06:23É, esse é o problema.
06:23Olha, a questão não é chegar.
06:26Ela vem, muitas vezes, quando os fatos já acontecerem,
06:29como a gente não tem mais como provar.
06:30Eu acho que é muito importante que, quando uma situação dessa ocorra,
06:36essa pessoa possa falar com as autoridades
06:39e possa ter um mecanismo de proteção.
06:42Isso é muito importante.
06:43Aliás, um mecanismo de proteção que a gente está prevendo
06:46no projeto de lei que pretendemos,
06:48aí, não enviar o presidente da República ao Congresso Nacional.
06:52As pessoas têm que ter muita tranquilidade
06:54para denunciar a ação dessas organizações criminosas,
06:57dessas facções, para que isso não aconteça.
07:02De fato, a gente recebeu essa notícia,
07:04mas isso, muitas vezes, vem muito depois.
07:06As autoridades receberam.
07:08Mas é uma questão que precisa vir na hora.
07:10Olha, estou sendo...
07:10Eu recebi depois da operação.
07:11Esse é o cara.
07:12Esse é o cara que me procurou.
07:14Estão me ameaçando.
07:15Porque foram assim que começaram as milícias, por exemplo,
07:18em determinados locais do Rio de Janeiro.
07:20A pessoa estava lá, de repente toca a campainha.
07:23Olha, nós vamos trocar o seu sistema de TV a cabo,
07:26o seu sistema de internet.
07:28Eu falo, não, eu não quero.
07:29Mas eles dizem, não, não, mas você vai trocar.
07:32E se as pessoas não denunciam, se intimidam,
07:35eles vão ser assim.
07:35Mas a sociedade se sente segura?
07:37Nem um pouco.
07:38Para denunciar?
07:39Não.
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