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O Banco do Brasil apresentou uma denúncia contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por supostas fake news sobre a Lei Magnitsky. O deputado teria espalhado publicações inverídicas, que alertavam clientes de bancos brasileiros sobre um possível congelamento de contas, em meio à tensão com os Estados Unidos.

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Transcrição
00:00O Banco do Brasil enviou uma denúncia à AGU, a Advocacia Geral da União,
00:05sobre supostas fake news publicadas pelo deputado Eduardo Bolsonaro
00:09que estariam incitando a retirada de recursos por parte dos correntistas.
00:15De acordo com a instituição financeira, publicações inverídicas e maliciosas
00:19estão sendo disseminadas com o objetivo de gerar pânico
00:24e induzir a população a decisões que podem prejudicar a saúde financeira.
00:28No sábado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os ataques ao Banco do Brasil
00:33são uma tentativa de minar instituições públicas do Brasil.
00:39Chamar o Cristiano Beraldo, que até mencionou esse episódio, vamos nos aprofundar nisso.
00:43Banco do Brasil agora denunciando formalmente o deputado Eduardo Bolsonaro
00:48junto à Advocacia Geral da União por suposta disseminação de informações falsas,
00:55o que estaria culminando ou tendo como consequência um pânico,
01:01uma situação em que muitos correntistas estariam verificando a possibilidade
01:07de retirar, inclusive, os seus recursos do banco.
01:10Você, Cristiano Beraldo, para além de Eduardo Bolsonaro,
01:13vocês aqui, ou entrevistados que conversaram com a gente na semana passada,
01:19já tinham levantado essa lebre, essa possibilidade.
01:22E não necessariamente em relação ao Banco do Brasil, em relação a vários outros bancos.
01:26Mas, enfim, queria te ouvir, Beraldo.
01:30Porque quando é indicado lá um politiqueiro qualquer
01:34para assumir diretoria no Banco do Brasil,
01:37ninguém se manifesta, não falam nada.
01:40Quando fica caracterizado que o banco não tem uma administração profissional como deveria,
01:45aí é todo mundo quietinho, não tem declaração, nota imprensa, não tem nada.
01:53Então, agora, vim dizer que, ah, o banco está sofrendo com ataques do ambiente político.
01:59Ora, o banco é político.
02:01Então, não adianta vir com esse chororô, esse mimimi agora,
02:05porque o banco é, sim, obrigado.
02:08Aliás, isso faz parte da declaração que deu, pelo menos na imprensa internacional que eu vi.
02:11O banco tem que seguir as leis de mais de 20 países onde ele atua.
02:17E um desses países, o mais importante depois do Brasil, que é os Estados Unidos,
02:22impôs uma série de limitações a um correntista.
02:25O banco tem que seguir a regra, caso contrário, sofrerá penalizações muito graves, inclusive.
02:32Esse fato do banco se colocar numa posição de aventar a hipótese
02:39de não seguir a risca as leis norte-americanas e, com isso, correr um risco gravíssimo
02:49de perder uma série de negócios com empresas e clientes norte-americanos,
02:55isso, obviamente, coloca o banco numa posição de fragilidade.
02:59Então, não há que... não precisa de alguém, um deputado federal,
03:03ficar em rede social, a menos que eles achem que os correntistas do banco
03:09sejam completamente bobocas, sejam absolutamente incapazes
03:14de fazer uma avaliação da situação.
03:18Então, se partir desse pressuposto que todo mundo é bobo
03:22porque não percebe a influência política na administração do banco
03:26e depois tem que ficar quietinho, não prestar atenção
03:29nas consequências de não cumprir leis norte-americanas,
03:32aí realmente não dá pra gente falar sério sobre o Banco do Brasil.
03:35Mas advogados consultados por veículos de comunicação pela Jovem Pan
03:39e por outros canais de notícias já tinham levantado essa possibilidade.
03:43Bancos que não respeitarem a imposição da Magnitsky
03:46e quiserem proceder ficando com o pé em cada canoa
03:50poderiam, sim, sofrer uma série de represálias
03:54por conta desse não cumprimento.
03:56E aí muitos advogados davam um exemplo do PNP Paribas,
04:01o banco francês que teve que fechar aquele acordo
04:04para não pagar uma multa bilionária.
04:07Você, Mota, em um dos vídeos, Eduardo Bolsonaro disse
04:10que o Banco do Brasil poderia ser cortado das relações internacionais
04:14do sistema SWIFT, o que poderia culminar em um processo de falência
04:19porque, na reflexão dele, muitos correntistas tirariam os recursos antes.
04:24É difícil compreender o que está acontecendo.
04:30Primeiro, vamos lembrar uma coisa aqui.
04:33É preciso muita responsabilidade quando se trata de um assunto como esse.
04:39E nós aqui sempre defendemos isso.
04:43Responsabilidade.
04:44Diversas vezes aqui e no jornal Jovem Pan,
04:47eu disse para as pessoas, calma, ninguém deve tomar nenhuma decisão financeira precipitada.
04:56Eu fui procurado por várias pessoas nas últimas semanas,
05:00pessoas que estavam muito preocupadas.
05:03Agora, eu me lembro claramente,
05:06vocês me corrijam se eu estiver errado,
05:08eu me lembro da sequência de eventos
05:11que nos trouxe a esse ponto,
05:15que nos trouxe a uma situação
05:16onde há inúmeros brasileiros à beira do pânico e da histeria.
05:21Pode ser que a minha memória esteja falhando,
05:24mas, pelo que eu me lembro,
05:26isso foi resultado de uma sequência de decisões
05:29e declarações de pessoas do Estado brasileiro,
05:34que, por isso, se colocou em rota de colisão
05:39com o atual governo americano.
05:41O resultado dessa colisão foi que
05:45pessoas do Estado brasileiro
05:48receberam sanções
05:50que, em pelo menos um caso,
05:53impede a pessoa de ter uma vida financeira normal.
05:57E aí, o que aconteceu?
06:00Meus amigos, não me deixem contar a história errado
06:03se eu estiver errando aqui.
06:05Pelo que eu me lembro,
06:06como reação a isso,
06:09o Estado brasileiro tomou
06:11e anunciou imediatamente uma decisão publicamente.
06:16E a decisão foi interpretada,
06:19pela maioria da mídia,
06:21como dizendo que sanções no exterior
06:24não poderiam ser aplicadas aqui no Brasil.
06:27Essa foi a narrativa
06:29que foi espalhada pelo Brasil inteiro.
06:33Embora nós aqui sempre dissessemos
06:36é lógico que essas sanções
06:38não são aplicadas no Brasil.
06:40Essas sanções se aplicam nos Estados Unidos.
06:43São as consequências delas
06:46que atingem, por via indireta,
06:50todas as empresas que operam nos Estados Unidos.
06:52Nós explicamos isso aqui inúmeras vezes,
06:56com calma, com serenidade,
06:58de forma didática.
07:00Mas a gente não consegue escapar
07:02do fato
07:03de que foi essa decisão do Estado brasileiro,
07:07anunciada com grande entusiasmo e ênfase,
07:12que foi interpretada como um recado aos bancos.
07:15Olha, não pode obedecer a essas determinações.
07:21E isso trouxe imediatamente insegurança.
07:24Insegurança ao mercado financeiro,
07:26insegurança aos cidadãos brasileiros.
07:29Mais uma vez,
07:30é isso que a minha memória me diz.
07:32Se eu tiver errado, vocês me corrijam.
07:34Porque, pelo que eu me lembro,
07:37essa foi a situação.
07:38E diante desses fatos,
07:40culpar Eduardo Bolsonaro.
07:42Por isso, é uma falha moral e cognitiva.
07:48Pois é, só registrando que o Banco do Brasil
07:51também denunciou outras figuras.
07:54O deputado federal Gustavo Geyer,
07:55do PL de Goiás,
07:56e também o advogado Jeffrey Chiquini,
07:59que é, inclusive, o defensor do ex-assessor
08:01da presidência do governo de Jair Bolsonaro,
08:04Felipe Martins.
08:05Você, Dávila,
08:06o que é preciso considerar em relação
08:08à manifestação do Banco do Brasil junto à AGU?
08:11É preciso colocar os pingos nos is, Caniato.
08:17Os pingos nos is é o seguinte.
08:20Primeiro, banco vive de confiança.
08:24Quem criou instabilidade e desconfiança
08:27em relação aos bancos
08:29foi o Supremo Tribunal Federal.
08:31Ao tomar uma decisão absolutamente descabida,
08:35o Mota, com muita educação, lembrou.
08:39Mas eu queria lembrar um outro dado.
08:41No dia que essa decisão foi tomada
08:43pelo Supremo Tribunal Federal,
08:44aliás, não foi pelo Supremo,
08:45foi por um juiz, Flávio Dino,
08:47as ações dos bancos
08:49despencaram 40 bilhões de reais.
08:52Então, não adianta querer culpar deputados.
08:56Tem que culpar a decisão do Supremo Tribunal
09:00que, ao dizer que no Brasil
09:02os bancos não precisavam respeitar a Lei Magnits,
09:06fez com que o Banco do Brasil,
09:08cujo maior acionista é o governo,
09:11realmente entrasse
09:12na rota de desconfiança de investidores.
09:16Afinal de contas,
09:17se o maior acionista,
09:19que é o Estado brasileiro,
09:21o Estado diz que
09:23aqui não precisa obedecer a Lei Magnits,
09:25é como se fosse, na verdade,
09:27assim, um salvo conduto
09:29para a desobediência de uma decisão,
09:33que como nós cansamos de repetir
09:36nos pingos nos is,
09:37não tem validade no Brasil,
09:39tem validade fora do Brasil.
09:42Isto é,
09:42se o banco insistir em correntistas
09:45que estão enquadrados na Lei Magnits,
09:48eles não serão retalhados no Brasil,
09:50eles são retalhados lá fora.
09:54E como bem trouxe
09:55o nosso amigo Beraldo aqui,
09:58o Banco do Brasil
09:58tem uma debênture perpétua
10:01que está atrelada em dólar.
10:03Então, imagina só,
10:05um banco que tem debêntures perpétuas
10:08atreladas em dólar,
10:10cujo maior acionista é o governo,
10:11um juiz do Supremo
10:14diz que aqui
10:15o banco não precisa cumprir
10:16a Lei Magnits.
10:17É óbvio que isso gera
10:19enorme desconfiança
10:21em qualquer correntista e investidor
10:23que tenha títulos do Banco do Brasil.
10:26É óbvio.
10:27Então, não tem nada a ver
10:28com declarações
10:30do deputado Eduardo Bolsonaro
10:32e qualquer outra pessoa.
10:34Tem a ver com a decisão
10:36de monocrática
10:37de um ministro
10:39do Supremo Tribunal Federal
10:41que, ao tomar uma decisão
10:43absolutamente descabida,
10:46fez com que os bancos
10:47perdessem mais de 40 bilhões
10:49de reais num dia
10:50e que gerasse enorme desconfiança
10:53especificamente com um banco
10:57cujo maior acionista
10:58é o governo brasileiro.
11:00Agora, Beraldo,
11:02quando o Banco do Brasil
11:03faz uma denúncia
11:04a Eduardo Bolsonaro,
11:06um outro parlamentar
11:07e um advogado,
11:09ele não entra também
11:10na guerra de narrativas?
11:12Entra na seara política
11:13que deveria, inclusive,
11:15a instituição financeira
11:16se manter completamente afastada
11:19desse tipo de discussão?
11:21É como se comprasse
11:21a briga de um dos lados, né?
11:24Mas é óbvio, Caniato,
11:25e isso deixa evidente
11:28essa gestão política
11:30do Banco do Brasil,
11:31aliás, não só do Banco do Brasil,
11:33mas de todas as estatais.
11:34A Petrobras
11:36é manipulada
11:37pelo governo
11:38no contrário
11:40ao interesse
11:41do pequeno acionista,
11:43do acionista minoritário,
11:45porque o governo
11:45quer manipular
11:46preço do combustível,
11:48o governo
11:48quer maximizar
11:49a distribuição
11:50de dividendos
11:50para poder fechar
11:51suas contas,
11:53e assim vai.
11:53Então, essa é a mentalidade
11:55de gestão
11:56de empresas públicas
11:58do atual governo,
11:59e com o Banco do Brasil
12:00não será diferente.
12:01O problema agora,
12:03eu vejo muita gente dizer
12:04ah, mas isso é lei
12:06lá dos Estados Unidos,
12:07no Brasil vale
12:08a lei brasileira.
12:09É verdade.
12:10E o Mota destacou
12:11isso aqui,
12:11o W destacou isso aqui.
12:13O problema
12:14é que há efeitos.
12:16À medida que você
12:17não cumpre um banco,
12:19sobretudo uma instituição
12:19financeira,
12:20porque é um exemplo
12:21que fica muito evidente,
12:23você não cumpre
12:24a lei
12:26nos Estados Unidos.
12:27Então, automaticamente,
12:28você precisa romper
12:29as suas relações
12:30operações comerciais
12:31com todos os entes
12:34norte-americanos.
12:35Isso quer dizer o quê?
12:36Primeiro,
12:37o Banco do Brasil
12:37investiu pesado
12:39para ter o BB Américas,
12:42que é uma subsidiária,
12:44uma operação bancária
12:45nos Estados Unidos.
12:47Vai ter que se
12:47ou fechar
12:48ou se desfazer.
12:49O Banco do Brasil
12:50que oferece
12:51cartões de crédito
12:53e débito
12:53com bandeiras
12:55de empresas
12:56norte-americanas
12:57aos seus correntistas
12:58no Brasil,
13:00vai ter que cancelar
13:02o cartão de crédito
13:03de todo mundo.
13:05Vai ter que cancelar
13:06os cartões de débito
13:06de todo mundo.
13:08Todas as operações
13:10que o Banco do Brasil
13:11faz
13:11para ter receita
13:13fazendo operações
13:15estruturadas
13:16para empresas
13:17norte-americanas
13:18que atuam
13:19no Brasil,
13:20grandes indústrias,
13:21grandes companhias,
13:22conglomerados
13:23internacionais,
13:25vai ter que encerrar
13:26o relacionamento comercial.
13:27Ou seja,
13:29o Banco do Brasil
13:30automaticamente
13:31mingua
13:32de uma forma
13:34muito evidente.
13:36E se o Banco
13:36mingua,
13:37se o Banco
13:38para de ter receita,
13:39se o Banco
13:40frustra
13:40as suas expectativas
13:42de resultado,
13:43obviamente
13:44o preço
13:46das suas ações
13:46mergulha,
13:48porque ele
13:48deixa de valer
13:49aquilo
13:50que ele valia
13:51até ontem.
13:52Então as consequências
13:54são brutais.
13:55Não adianta
13:56ficar com esse pensamento
13:57simplório,
13:59ah, porque lá
14:00a lei dos Estados Unidos
14:01aqui é Brasil.
14:03Então,
14:04declare que nós
14:05queremos,
14:05você quer que esses
14:07que pensam dessa forma,
14:08que falam dessa forma,
14:10querem que o Brasil
14:11vire uma ilha.
14:13Não é nem como a China,
14:14mas como a Venezuela
14:15de fato,
14:16porque nós vamos viver
14:18à margem do mundo.
14:20O mundo vai acontecer,
14:21o Brasil vai ficar
14:23na margem.
14:24O Brasil vai ficar
14:25nesse esgoto
14:27que está
14:29Venezuela,
14:30que está o Irã,
14:31países desse tipo.
14:33Então,
14:33se é isso
14:34que essas pessoas
14:35querem,
14:35é ver o Brasil
14:36funcionando à margem,
14:38para elas poderem
14:38sair na rua,
14:39bater no peito,
14:40ai, porque a soberania
14:42brasileira,
14:43ai, porque
14:44estão dando uma banana
14:45para o Donald Trump,
14:47vão defender o Brasil
14:48e que se dane os Estados Unidos,
14:50então que vivam.
14:51Agora,
14:51elas não fazem ideia
14:53de como a vida
14:55delas será miserável
14:57nesse país
14:58que elas estão
14:59idealizando
15:01para o Brasil.
15:02É realmente,
15:03assim,
15:03infelizmente,
15:04ainda há muita ignorância
15:05sobre isso,
15:06mas a responsabilidade,
15:08sem dúvida,
15:08Caniato,
15:09é da politização
15:10do Banco do Brasil.
15:11Agora,
15:12nessa peça
15:13que foi enviada
15:15pelo Banco do Brasil
15:16à AGU,
15:17o Mota,
15:18o Banco relatou
15:19que em razão
15:20da campanha,
15:21o Banco chama
15:22a campanha,
15:23as manifestações
15:24feitas por essas figuras
15:26nas redes sociais,
15:28clientes do Banco
15:29começaram a pedir
15:30esclarecimento
15:32para os seus gerentes,
15:33para os representantes
15:34das suas agências.
15:36E aí,
15:36eu lhe pergunto,
15:37Mota,
15:37não é legítimo
15:39que o cliente
15:39peça um esclarecimento
15:41para o gerente
15:42sobre quais podem ser
15:44as consequências?
15:45Qual é o problema
15:46disso?
15:46O problema
15:50já foi
15:51identificado
15:54e apontado
15:54pelo Cristiano Beraldo
15:56e é um problema
15:56seríssimo
15:57que até agora
15:59não tinha tido
16:00maiores consequências,
16:02que é você colocar
16:03no comando
16:04das estatais
16:06pessoas,
16:07e eu vou ser aqui
16:08benevolente,
16:10que não tem vocação
16:11para estar ali
16:12naquela posição.
16:13na verdade,
16:14e isso é um mal
16:16que afeta
16:16toda a política,
16:18em todo o espectro,
16:20você tem sempre
16:21aquele grupo
16:21de pessoas
16:22que sobrevive
16:24de migalhas
16:24do poder,
16:26que passa
16:26de um carguinho
16:27para outro carguinho
16:28arrumado
16:29pelos amigos.
16:30Agora,
16:31tudo bem,
16:32você coloca
16:32uma pessoa
16:33como essa
16:34numa estatal
16:35de trem-bala,
16:36qual a diferença
16:37que vai fazer
16:38nenhuma?
16:38mas o banco
16:40companheiro
16:41é uma outra
16:42história.
16:43Quando você
16:43coloca uma pessoa
16:45no comando
16:45de um banco,
16:47essa pessoa
16:48tem que ter
16:48muito preparo,
16:50tem que ter
16:50muita consciência
16:52da importância,
16:53porque
16:53muitas coisas
16:56são aceitáveis,
16:59mas quando você
17:00começa a afetar
17:03o mercado financeiro,
17:05você está falando
17:06de afetar
17:08o coração
17:09da economia
17:10de um país.
17:11E poucas coisas
17:13são tão
17:13desastrosas
17:15para um país,
17:16especialmente
17:17para aqueles
17:19mais pobres,
17:20do que um
17:21cataclisma
17:22no mercado financeiro.
17:25Poucas nações
17:26sobrevivem
17:27a isso.
17:28A gente olha
17:29na história,
17:30os países
17:31em que esse tipo
17:31de coisa aconteceu
17:33é para
17:34aquela nação
17:36quase que um caminho
17:37sem volta.
17:38Isso,
17:39Caniato,
17:39não é uma coisa
17:41difícil
17:42de se entender
17:43nem de se
17:45prever.
17:46Eu acho que nós
17:47quatro aqui
17:48não estamos,
17:49acho que a gente
17:49pode dizer isso
17:50com certeza,
17:51né?
17:51Nós não estamos
17:52entre as mentes
17:53mais brilhantes
17:54do país.
17:55Tem muita gente
17:55mais brilhante
17:56do que a gente,
17:57mais inteligente,
17:58mais competente,
17:59mais experiente,
18:01inclusive no Estado
18:02brasileiro.
18:03Não era difícil
18:05de se prever
18:06que determinada
18:08ação
18:09teria determinada
18:10consequência,
18:12até porque
18:12as pessoas
18:14poderosas
18:15no Estado
18:15brasileiro
18:16têm boas,
18:17costumam ter
18:18relações muito boas
18:19com a turma
18:21do mercado financeiro,
18:22né?
18:23Acho que a gente
18:23até noticiou
18:25isso aqui,
18:25que aconteceu
18:26uma reunião
18:27de pessoas
18:29do judiciário,
18:30com executivos
18:32de banco.
18:33Então,
18:33não é possível
18:34que nenhum
18:36assessor
18:37tenha chegado
18:39para os poderosos
18:42e dito
18:43Excelência,
18:47as economias
18:48dos países
18:49são interligadas.
18:52O mercado financeiro,
18:54ele funciona
18:54globalmente.
18:57O Brasil
18:58depende
18:58de investimentos
18:59estrangeiros.
19:01Se esses investidores
19:02decidirem
19:03ir embora,
19:05será o caos.
19:07Não é possível
19:08que ninguém
19:09tenha dito,
19:11olha,
19:11o Estado
19:12brasileiro,
19:13companheiro,
19:14não pode simplesmente
19:15ignorar
19:16decisões
19:17tomadas
19:18por outros países,
19:20principalmente
19:20se o país
19:21for os Estados
19:22Unidos da América,
19:23porque essa
19:24postura
19:25vai deixar
19:27o Estado
19:28brasileiro
19:28em um beco
19:30sem saída.
19:31Essa postura
19:32vai deixar
19:33o Estado
19:33brasileiro
19:34isolado
19:35em um canto,
19:37o mesmo cantinho
19:38onde estão
19:39Venezuela,
19:40Cuba,
19:41Icarágua,
19:42Coreia do Norte
19:43e Irã,
19:44porque vejam bem,
19:46nem a Rússia
19:47e nem a China
19:48jogam esse jogo.
19:49nem a Rússia
19:51e nem a China
19:52desprezam
19:53as decisões
19:55americanas,
19:56pelo contrário,
19:58a Rússia
19:59e a China
19:59sabem muito bem
20:00jogar esse jogo.
20:03Então,
20:04para onde
20:05o Estado
20:06brasileiro
20:06acha
20:07que está
20:08indo
20:09se continuar
20:11seguindo
20:11nessa direção?
20:13Mais uma vez,
20:16é preciso
20:16bom senso
20:18e prudência.
20:20E essa
20:20é uma mensagem
20:21que eu passo
20:22para o nosso
20:23espectador,
20:24para o cidadão
20:25brasileiro.
20:26Brasil,
20:26como eu já disse aqui,
20:27o Brasil está
20:28numa situação
20:28difícil,
20:30inacreditavelmente
20:31difícil.
20:32É inaceitável
20:33que pessoas
20:34do Estado
20:35brasileiro
20:36tenham
20:37colocado o país
20:38na situação
20:38em que nós
20:39estamos hoje,
20:39mas
20:40não
20:41comprem essa
20:42narrativa de que
20:43isso é o fim do mundo,
20:44não tomem
20:45nenhuma decisão
20:46financeira
20:47precipitada,
20:49o Brasil já
20:49passou por outras
20:50crises na história,
20:51eu fui testemunha
20:53de pelo menos
20:54uma delas,
20:55e muitas
20:56pessoas que
20:57entram no
20:58desespero,
20:59na histeria,
20:59depois se arrependem
21:00profundamente
21:01das decisões
21:03que tomaram.
21:04Então,
21:04é o momento
21:04da gente
21:05resgatar
21:05serenidade,
21:06prudência,
21:08bom senso,
21:09e esse
21:10conselho vai
21:11também
21:11para as pessoas
21:12que estão
21:13à frente
21:14do Estado
21:15brasileiro.
21:16Não
21:17vale a pena
21:18insistir
21:19num caminho
21:20que não
21:20vai levar
21:22a lugar
21:22nenhum,
21:23a não ser,
21:24como eu já disse,
21:25é que é um beco
21:26completamente
21:27sem saída.
21:28pessoal,
21:28que não
21:29vocês
21:32só
21:33vão
21:41ser
21:42com

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