- há 4 meses
Fundador da produtora e gravadora de música, que também expandiu para o canal GR6 Explode, no YouTube, Rodrigo Oliveira conta como foi a trajetória na periferia de São Paulo até se tornar dono de um dos negócios mais bem-sucedidos do universo do funk.
Categoria
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MúsicaTranscrição
00:00Nascido em Recife, meu convidado de hoje veio para São Paulo ainda na infância.
00:04Começou a trabalhar cedo, colando cartazes de eventos nos postes da cidade,
00:09mas foi na música que ele encontrou o seu caminho.
00:12Ele já cantou em banda de pagode, até que a carreira deslanchou,
00:17não exatamente no pagode, não exatamente como músico, mas nos negócios e no funk.
00:23Rodrigo Oliveira é dono da GR6, produtora que divulga e gerencia artistas de funk brasileiros
00:29e que hoje é considerada uma das maiores do país.
00:32A história da GR6 se confunde com a própria expansão da cena funk.
00:37Foi na empresa que deslancharam carreiras de nomes como MC Livinho, MC Kevin e MC Ariel.
00:44Eu sou Isabela Lessa e você está acompanhando a ideia, podcast do Meio Mensagem,
00:49em que eu converso com pessoas de diversas áreas sobre as ideias que regem suas trajetórias e seus negócios.
00:56Rodrigo, seja muito bem-vindo.
00:57Obrigado, Isabela. Boa tarde. Obrigado pelo convite.
01:01Obrigado, Meio Mensagem.
01:03E eu gostei muito do slogan aqui, a ideia, né?
01:07É uma parada meio urbana, assim.
01:11E muito feliz por estar aqui.
01:13A gente que agradece.
01:14Representando aqui o nosso movimento por mais veículos como vocês, assim, para dar oportunidade para a gente falar um pouco da nossa história
01:26para pessoas que não têm o entendimento da música urbana, do funk, entender, né?
01:31E isso ajuda muito nós, como empresários, como artistas, para as pessoas entenderem que o funk não é tudo que as pessoas veem na TV por um, por outro, né?
01:46E existem muitas pessoas boas no funk, muitos pais de famílias, muitos artistas profissionais.
01:52Existe muita coisa boa no funk. Obrigado pela oportunidade.
01:56A gente que agradece.
01:57A gente vai falar mais adiante sobre o funk, né?
02:05Sobre esses mitos que ainda rondam, né?
02:07Apesar do funk ter essa magnitude que hoje ganhou.
02:12Mas queria voltar um pouco lá atrás.
02:14Na sua infância, você se lembra dessa mudança de Recife para São Paulo?
02:21Ou é uma coisa que você era muito novinho?
02:24Como é que foi essa transição?
02:25Ah, eu lembro como se fosse hoje, ontem.
02:29Foi um momento muito conturbado na minha vida, né?
02:36Eu fui um cara que veio de Recife de 94 para 95.
02:41Saindo de Recife com...
02:43Meu pai não tinha um emprego fixo, né?
02:47Minha avó que ajudava muito, nós.
02:50E aí, meu pai pegava dinheiro emprestado ali, pegava aqui e ali.
02:55No final, saímos devendo quase a cidade toda.
03:00E esses lugares são muito perigosos.
03:02E aí, meu pai decidiu vir para São Paulo.
03:06Pediu uma ajuda para a família da minha mãe, né?
03:09E aí, eu passo três dias andando de ônibus em Itapemirim.
03:14Ainda tinha em Itapemirim, não sei se tem ainda, né?
03:17Eu acho que tem.
03:18Tem, né?
03:18Cheguei em São Paulo em junho, julho de 95.
03:2495, eu acho.
03:26E aí, quando eu chego aqui, meu avô já não era muito fã do meu pai, porque sabe como é, né?
03:32Pô, o pai quer ver a filha bem, né?
03:34O pai da minha mãe, né?
03:36E aí, meu avô já não era muito.
03:38E aí, quando eu chego em São Paulo, Zona Norte, Vila Ed, né?
03:43Porra, tudo novo para mim, né?
03:45Eu vejo um monte de casa, uma comunidade gigante e tal.
03:51E eu vendo aquilo um frio.
03:53Quantos anos você tinha, você lembra?
03:54Eu tinha uns oito, oito para nove anos.
03:57E aí, quando eu piso na sala do meu avô, ele pergunta o que vocês vieram fazer aqui.
04:04Tipo, para mim foi muito difícil.
04:09E essas palavras eu tenho até hoje na minha mente, né?
04:15Pô, você precisando de ajuda e você escutar isso numa família, né?
04:20Pô, o que vocês vieram fazer aqui?
04:22E dali começou a nossa trajetória aqui em São Paulo.
04:25Meu avô já não queria muito a gente ir aqui, mas a gente tinha que ficar aqui, não tinha para onde ir.
04:33E era um quintal com oito irmãs.
04:39Existiam oito casas e só restava um porão.
04:44Eu acho que era uma sala menor que essa aqui.
04:47E a gente ficou ali por muito tempo ali.
04:50Meu avô já não queria que a gente estivesse ali, né?
04:52Não existia um banheiro, não existia nada.
04:56Nem uma fechadura na porta existia.
05:00A gente trancava a porta com um ferrolho, com um negócio de ferro gigante.
05:05Quando a gente ia tomar banho, só existia um banheiro lá fora, porque o resto era todo dentro das casas.
05:09E quando eu ia tomar banho era muito difícil, porque uma das minhas tias, ela colocou uma chave dentro da casa e quando a gente ia tomar banho, colocava no frio, entendeu?
05:21Acho que era para não gastar água, luz.
05:24Então a gente ficou muito tempo passando isso aí.
05:27Minha mãe lavando louça no quintal.
05:31Então foi muito difícil essa minha chegada aqui de São Lourenço da Mata, Recife para São Paulo.
05:38E foram anos morando nesse porão?
05:41Ah, foram anos morando nesse porão.
05:43E ali, acredito que foi mais de seis, sete anos.
05:47E aí minha mãe começou a arrumar um trabalho, arrumou um trabalho de copeira.
05:53Meu pai conheceu algumas pessoas, começou a trabalhar de segurança.
05:56E aí as coisas foram melhorando, mas mesmo assim a gente arrumando, minha mãe arrumando um serviço, outra coisa.
06:05Meu avô não queria que mexesse lá, sabe?
06:07Não queria que colocasse uma janela, um piso.
06:09Então era muito difícil, sabe?
06:11Porque eles não queriam que a gente estivesse ali.
06:14Então foi um sofrimento gigantesco.
06:17E a gente passou muitas necessidades em Recife, aqui também.
06:22Mas sempre as irmãs da minha mãe também sempre ajudaram também com a mistura, com o alimento, né?
06:29Então eu falo para todo mundo que nem nos meus melhores sonhos eu imaginava acontecer o que aconteceu comigo.
06:39Onde que eu estou hoje?
06:40O que que eu consegui?
06:43Tipo assim, você fala, ah, você veio para São Paulo pensando, esquece.
06:50Eu nunca imaginei isso, nada.
06:52Você veio com um sonho para São Paulo?
06:54Tinha esse espaço na sua cabeça, nessa dureza que foi essa infância que você teve com a sua família?
07:02Tinha um espaço para os sonhos?
07:04Eu vim com sonhos de ter uma vida melhor, arrumar um emprego, né?
07:12Minha mãe arrumou um emprego, mas jamais imaginava que eu ia trabalhar com a noite, com a música.
07:17Eu nem sabia que era isso.
07:18E ser um negócio tão gigante, tão gigantesco, né?
07:27Você trabalhar com pessoas, você mudar a vida de pessoas e um movimento que mudou minha vida.
07:32Que lá atrás eu entrei nesse movimento, eu era muito preconceituoso, ninguém acreditava.
07:38E hoje a gente vive no melhor momento desse movimento, sabe?
07:41Então, o que aconteceu na minha vida, eu jamais esperava.
07:46Eu, em 2019, assinar um contrato de 30 milhões de dólares.
07:51Então...
07:51Com uma gravadora internacional.
07:53Com uma gravadora internacional.
07:54Só para distribuir os nossos conteúdos.
07:58Em 2016, né?
07:59Chega uma mulher falando que ia me dar muito dinheiro.
08:02É a Tati, né?
08:03Inclusive, eu agradeço muito essa mulher.
08:05E ela fala, ó...
08:07E que em 2016 estava entrando Spotify no Brasil.
08:11Bem no comecinho.
08:12Bem no começo.
08:13Bem uma mudança ali de...
08:14É, 14, 15, estava entrando.
08:16E aí...
08:18Isso eu já estou contando no meio da história, tá?
08:20Só para você entender, mas a gente pode voltar.
08:22Como eu entrei na música, né?
08:24E aí essa mulher entra falando que ia me dar muito dinheiro.
08:26Mas só que eu já tinha escritório, tinha tudo.
08:27Mas eu queria fazer show.
08:29Porque show dava muito dinheiro.
08:31Então eu não queria saber negócio de Spotify, de YouTube, nada.
08:34De se envolver com esse lance da distribuição da música.
08:35É, porque show já dava muito dinheiro, entendeu?
08:37Aham.
08:38E aí, antes disso, para mim entrar na música,
08:42eu vivia num bairro.
08:45E aí...
08:46Eu estava passando, estava cantando um forró.
08:49Eu peguei o microfone e comecei a cantar.
08:52Do nada.
08:52Eu acho que eu tinha ali uns 14 anos, 15 anos.
08:55Eu lembro até hoje.
08:56Eu acho que eu tinha cantado aquela música Morango do Nordeste.
09:00Famoso.
09:01É.
09:01E aí eu cantando, eu passo um moleque e falo assim,
09:04mano, você canta bem.
09:06Só que eu não entendia nada de música, de nada.
09:10Mano, eu vou pôr você para cantar no meu grupo de pagode.
09:12Ele me colocou para cantar.
09:14Eu fui entendendo.
09:16Com dois caras que são muito fodas.
09:18O William.
09:19Hoje ele faleceu.
09:21Hoje tem o Tiago Xavier, que foi o cara que me colocou mesmo.
09:24Ele é pandeiro, toca até hoje.
09:26Dali a gente montou um grupo.
09:28E ali eu conheço a noite, entendeu?
09:30Foi ali que começa a minha trajetória.
09:31A noite, tocando em barzinho.
09:33Tocando em barzinho, vários bars.
09:34Entendendo a dinâmica.
09:35Entendendo a dinâmica.
09:37Sempre como cantor?
09:38Sempre como cantor.
09:39E tipo assim, na raça.
09:41Porque eu nunca fiz uma aula de canto, nunca fiz nada.
09:44E aí, às vezes eu não sabia as notas.
09:47Eu falava no ouvido, canta essa e tal.
09:49Então eu sou um cara muito bom de ouvido, entendeu?
09:52E muitas pessoas achavam que eu fazia aula e tal.
09:56Só que eu era um cara branquinho.
09:58E quando eu chegava nas rodas de samba, tinha aqueles caras nego velho, né?
10:03Do pagode, do samba mesmo.
10:06Da antiga.
10:07Os caras davam risada.
10:10Tipo assim, porra, o que esse branquinho tá fazendo aqui, porra?
10:13E aí, eu comecei a aprender as músicas com o Willian.
10:18O Willian era um cara que sabia muito de Cartola, de as músicas antigas de Fundo de Quintal, Casa Nossa.
10:27E aí eu fui aprendendo essas músicas.
10:29Quando eu fui aprendendo, quando eu abri a boca no meio dos casos, eu falei, caralho, como esse cara tá cantando essa música, sabe?
10:34Esse moleque tá cantando...
10:36Então, ali, eu dava o meu recado pras pessoas que eu tinha um entendimento, né?
10:40E aí foi...
10:41E aí você foi ganhando seu espaço.
10:43Fui ganhando meu espaço, mas através dos caras que eu não tinha entendimento nenhum.
10:47Falei, mano, o que tem que cantar?
10:49Só que eles tocavam músicas antigas, músicas fodas.
10:51Porque o Thiago é um cara que sempre esteve no samba.
10:55O Willian, a família dele era de sambista, né?
10:57Ele tocava o violão.
10:59Então, eu fui aprendendo com eles, entendeu?
11:01E aí você foi começando a pegar gosto pela música, pelo samba, certo?
11:05Ah, eu gostava demais, né?
11:08Porque era muito legal, né?
11:10Tipo, você chegar aqui...
11:12Antes disso, eu trabalhei em muitos lugares também, né?
11:14Eu trabalhei na Fiat Amazonas, trabalhei numa editora gráfica...
11:22O que você fazia na Fiat?
11:24Na Fiat eu era...
11:25Eu agendava revisões, essas paradas assim.
11:29Na editora gráfica eu trabalhava no corte de livros, né?
11:34Essas coisas eu acho que eram muito fortes na época.
11:37Era na Zona Norte, no Parque Novo Mundo.
11:40Essa editora se chama IBEP.
11:42Trabalhei numa loja de pneus, de carros, de autopeças, chama União Borrachas.
11:50Ajudei meu pai.
11:52Eu era um...
11:53Muitas pessoas não sabem, meu pai é um cara que...
11:56Ele é...
11:58Ele escreve, mas é semi-analfabeto, né?
12:01E aí, pro meu pai conseguir um serviço...
12:05Às vezes ele me levava à noite, eu era pequenininho,
12:09porque ele trabalhava na portaria das transportadoras e tinha que anotar.
12:14E aí ele me levava pra mim anotar os carros que chegavam, as coisas que chegavam, entendeu?
12:18E aí ele falava, não, meu filho tá aí.
12:21Só que eu tava ali anotando e passava as noites ali com meu pai.
12:27Entrava às sete da noite, saia às cinco da manhã, às seis da manhã
12:32e ficava anotando os caminhões que chegavam pra ele, entendeu?
12:35Então, muitas pessoas não sabem, mas eu trabalhei com meu pai de madrugada muitas vezes
12:40pra ajudar ele a ajudar em casa, né?
12:42E o trabalho de colar cartaz de eventos veio antes?
12:46Aí eu entro no samba...
12:50Eu entro no samba...
12:53E aí começo a entender que dá pra fazer alguns eventos.
12:57E aí eu começo a fazer eventos com o meu grupo,
12:59que era o grupo Sexta Arte, na Quebrada, as coisas começam a andar.
13:01E aí vem o funk carioca, muito forte.
13:07Começa a vir pra São Paulo, já existia o funk da Baixada Santista,
13:12mas o funk carioca sempre foi referência, né?
13:15Aí tem Gaiola das Popozodas, Havaianos, MC Mágico, MC Teves, Mr. Catra,
13:21os da Baixada Santista, Dinho da VP, Duda do Marapé.
13:27Alguns até faleceram naquela época lá.
13:30Aí eu vejo Conde Zila andando com o Dinho da VP, filmando.
13:35Vi tanta coisa.
13:37Só que eu era o cara que fazia as festas.
13:39E aí eu começo fazendo um bairro, vejo que dá certo.
13:43Aí eu começo a contratar os funk carioca pra fazer os eventos.
13:46E como não tinha internet, não tinha nada,
13:51aí minha mãe fazia as colas,
13:53e eu saía colando em todas as comunidades pra lotar o baile, né?
13:57Eu alugava um clube, que era Clube Vilas, e aí começou.
14:00Aí teve um dia que eu conheci o Polin.
14:03Polin Produções é um cara muito famoso, né?
14:06No meio aí, né?
14:07Trabalha com roupa nova, com todo mundo.
14:09Eu vivia numa gráfica que eu era um cara que gostava muito de fazer as coisas de perto.
14:14Eu queria fazer o fly, eu falava, mano, tem que fazer desse jeito.
14:17Eu ficava a tarde toda na gráfica.
14:18Essa gráfica era em Guarulhos.
14:20Você tinha as ideias todas de como devia ser.
14:21Tinha as ideias, mas eu queria estar lá.
14:23E eu sentava do lado do cara, e o cara ia montando.
14:26Ó, eu preciso pôr um combo de uísque aqui, põe cerveja em 99.
14:30Esse artista tem que fazer assim e tal.
14:31Eu gostava muito.
14:33Passava tardes e tardes todas.
14:35Aí os caras me deixavam lá.
14:39E aí pegava o meu carro, colocava uma caixa de sonha rodando, divulgando a festa.
14:42E eu já ia lá pra fazer o fly.
14:45Então eu ficava ali a tarde toda.
14:47E naquela gráfica entrava muitas pessoas importantes.
14:50Entrava Jorge Hamilton, que é um dos caras que descobriu o Soweto.
14:57Entrava o Edmilson, que é um dos representantes da 105 FM.
15:02Entrava o Paulinho.
15:03E esse Paulinho, ele entra e o João fala assim, ó.
15:06Esse moleque aqui, ele vai ter um grande futuro.
15:10Dá uma atenção pra ele, faz alguma coisa com ele.
15:13E aí esse Paulinho tinha uma data na Philips.
15:16Philips em Guarulhos.
15:18E aí eu falava, vou fazer meu aniversário na Philips.
15:22Quando todos os artistas gostavam de funk de mim, eu pedi uma data pra todo mundo.
15:26Coloquei mais de 100 artistas.
15:27Como eu não ia pagar show de ninguém, era só uma passadinha lá.
15:33Aí eu falei, mano, vou fazer 20 mil cartazes e vou colar em São Paulo todo.
15:40Colei cartazes.
15:41Você mesmo, sem ajuda.
15:42Com os amigos ali, né.
15:43Com os amigos.
15:44Um outro.
15:46O Vitor, o Gugu, foram os caras que me ajudaram no começo.
15:49E aí, mas só que antes deles tinha outras pessoas também.
15:53Minha mãe fazia cola e tal.
15:55E aí a gente saiu colando.
15:56Toda noite a gente saía.
15:58Começava meia-noite, terminava às 5 da manhã.
16:00São Paulo toda.
16:01Só que aí era o Kassab.
16:02Existia a lei do Kassab.
16:04Cidade limpa.
16:05Eu sei que passou umas duas semanas, nós cobriu a São Paulo de cartazes.
16:13Eu morava com minha mãe.
16:15Meu escritório era na sala.
16:17Aí já tava um pouco melhor, né.
16:18Tinha os cartazes, tinha tudo.
16:20O telefone de venda de ingresso era o telefone fixo meu.
16:25O telefone não parava.
16:26Ingresso, ingresso, ingresso.
16:28Eu lembro como se fosse hoje, numa sexta-feira, o baile lá no sábado.
16:32Me liga a Rede Globo.
16:34Eu sou aqui do SPTV.
16:36A gente vai falar da matéria que vai passar daqui a pouco, meio-dia.
16:39Sobre o evento que tomou a maior multa do estado de São Paulo de um milhão.
16:43Falei, como assim?
16:44Você não tava nem sabendo.
16:45Não, eu nunca pensei em ter esse dinheiro.
16:49Mano, sei que foi um auê do caramba.
16:52E no final ainda teve a festa no sábado, bombou, deu mais de 10 mil pessoas.
16:56E aí teve essa multa e acho que era o que voa, né.
16:58Porque eu também não tinha condições, né.
17:00Você não tinha a GR6 ainda.
17:03Não, existia a GR6 no logo.
17:06Era a GR6 eventos na primeira de São Paulo, mas não tinha nada.
17:10E qual que foi essa virada, essa guinada de eu vou montar um negócio?
17:15Que momento que isso aconteceu, que você tomou essa decisão?
17:18O momento que eu tomei essa decisão foi quando explodiu o MC Livinho, o MC Pedrinho, na realidade, e o MC Livinho.
17:28Falei, mano, esse negócio aqui vai dar certo.
17:32O Pedrinho foi um fenômeno, né.
17:35Ele estourou a música cantando dom, dom, dom.
17:37O Brasil todo cantou.
17:39Falei, mano.
17:40Aí depois veio o Livinho na sequência.
17:41O Livinho novinho.
17:42Falei, mano, a gente precisa montar alguma coisa.
17:45E nesse momento, seu trabalho era mais de gerenciar os shows deles.
17:49Os shows.
17:50Ali eu já tava sendo empresário, já.
17:52Que eu já tinha comprado o Menor do Chapa, já tinha comprado alguns artistas.
17:56E aí eu olhava muito lá fora os rappers que tinham aqueles estúdios, né.
18:01O Jesse, esses caras que fez o estúdio.
18:04Os caras faziam aqueles estúdios foda.
18:07Com casa, com piscina, com essas coisas.
18:09Aquela ostentação.
18:10Falei, mano, tá entrando muito dinheiro.
18:13Tipo, entrando naquela época, cem mil reais por semana, setenta mil reais.
18:18Pô, muitos shows o moleque tava fazendo.
18:22Falei, o que eu vou fazer com esse dinheiro?
18:24Preciso investir.
18:25Porque eu acho que se saiu esses dois aqui da Zona Norte, vai sair mais.
18:30E aí, eu peguei uma casa.
18:33Aluguei essa casa.
18:35Era uma casa gigante de um ex-dono.
18:37De uma imobiliária.
18:40E essa casa, ele morre na frente.
18:45Dizem que ele morreu, não teve um problema com segurança, não sei.
18:48Ele morreu.
18:49Aluguei essa casa.
18:50Essa casa tinha piscina, tinha quadra, tinha tudo.
18:52Nada dava certo nessa casa.
18:53Falei, então é essa que eu quero.
18:55Aí eu peguei as casas, fiz uma churrasqueira bonita.
18:58Mandei reformar a piscina.
18:59Fiz um monte de estúdio.
19:01E aí não parou mais.
19:03E aí...
19:04Aí vem Livinho, aí vem Pedrinho, aí vem Menor da VG.
19:06Aí vem os artistas do Rio também.
19:10Mas a virada, virada de chave mesmo, foi em 2019, quando eu assino um contrato de 30 milhões de dólares.
19:18Para a distribuição com a Universal.
19:21E aí, quando eu assino esse contrato, vem a pandemia.
19:26Eu falei, porra, mano, o que eu vou fazer com esse tanto de dinheiro na conta, né?
19:29Pô, os gringos acreditam em mim.
19:31Veio aqui acreditar em mim, porque eles precisavam entrar no Brasil, porque precisava de um selo grande, com a distribuição grande.
19:40Aí eu...
19:42Todo mundo achou que eu era louco, eu mandei derrubar toda a empresa no meio da pandemia e construir essa nova sede da GR6.
19:48Não sei se vocês já foram lá, mas você está convidada.
19:52É gigante.
19:53E aí quando volta, é 2023 que acaba a pandemia ali?
19:5722, né?
19:5822.
19:59Aí eu abro.
20:01Só que quando eu abro, a artista que era Rian, SP, ele veio no meio da pandemia.
20:06A artista que era 2.500 reais, foi para 50 mil.
20:09A Ariel, que era 10, foi para 100 mil.
20:12Aí triplica, porque todo mundo quer festa, evento.
20:15Aí não parou mais.
20:17Essa foi a virada de chave da GR6.
20:18Quando todo mundo está querendo começar a fazer as coisas, eu já estava pronto.
20:22Aí acabou.
20:23E quando é que você estruturou o negócio da GR6?
20:28Teve alguém que te ajudou, que você foi buscar ajuda?
20:32Em termos de estruturar o plano de negócio mesmo?
20:35Como que isso aconteceu?
20:36Na realidade, eu tive muitos problemas com a estrutura, porque a minha empresa cresceu muito rápido.
20:45Entrou um volume de dinheiro muito alto.
20:48Não só esse, entrou vários contratos também.
20:49Hoje eu tenho artista na Warner, na Sony, na Ação Livre, na Believe.
20:55Somos parceiros de várias produtoras e gravadoras, as maiores do mundo.
21:05E aí eu não tinha noção do tamanho, eu não tinha noção do que era pagar imposto, eu não tinha noção de nada.
21:10Entendeu?
21:11E aí eu coloquei algumas pessoas, até me ajudaram, mas para me estruturar o negócio mesmo, foi de dois, três anos para cá.
21:20Que aí eu consigo estruturar, colocar profissionais, entender o que é imposto, entender o que tem que pagar, entender o que não tem que pagar.
21:28Entendeu?
21:29E aí eu trago profissionais de outras empresas, muita gente boa, muita gente ruim também, tem, e a gente vai descobrindo no meio do caminho.
21:41Aí eu consigo estruturar, ter um jurídico, ter os melhores advogados.
21:46Estruturar mesmo a empresa, sabe?
21:51Hoje eu acho que a gente está indo num caminho certo.
21:54Hoje vocês têm quantos funcionários?
21:56Hoje, diretamente, indiretamente, são mais de 500.
22:00Na empresa eu acho que é uns 200.
22:02E qual que foi o principal erro que você cometeu nesse começo da GR6?
22:09Você falou que teve vários problemas no começo de organizar tudo.
22:14Acho que não ter noção do tamanho que era o negócio e contratar pessoas que não estavam no mesmo propósito que eu estava, sabe?
22:28Às vezes as pessoas entravam para querer tirar o que era meu, como eu sou um cara muito leigo, não tinha entendimento.
22:35Então acho que eu perdi, acho que eu não perdi, eu ganhei, né?
22:39Se essas pessoas não estão mais, eu ganhei.
22:41Então foi um dos erros, misturar muito amigos com um negócio, querer deixar muitos amigos no negócio.
22:51Acho que foi o erro, mas eu acho que nada foi um erro.
22:55Acho que tudo foi um acerto para me chegar onde eu cheguei, né?
22:57Tudo é aprendizado, né?
22:58Tudo é aprendizado.
22:58E aí, como você falou, teve uma virada de chave ali em 2019 e daí os artistas passaram a valer muito mais do que antes.
23:09Sim.
23:09O que explica esse aumento de interesse e de valorização desses artistas?
23:17Eu acho que o que explica foi as pessoas muito em casa, durante três anos quase, e a gente trabalhou muito digital, sabe?
23:24Tipo assim, eu fiz um Alok no meio da pandemia, ele me chamou para fazer uma música, falou
23:30Rodrigo, eu preciso entrar num... eu acho que estava muito forte aquela palavra de gamer, né?
23:35E ele falou assim, Rodrigo, eu preciso entrar no mundo dos gamers, eu estou tendo muitas publicidades e tal.
23:40E o Alok, porra, é o Alok, o cara me chamou no Instagram aqui, eu falei, porra, o Alok, é isso mesmo?
23:46Aí ele me chama e falou, mano, eu preciso fazer uma música.
23:48E aí, a irmã dele fala assim, tem alguns artistas na GR6, Alok, que você precisa fazer.
23:54Aí ele fala, pô, tem um tal de Ryan aí, que era o Rian, né?
23:58Ariel.
23:59Falei, não, é o Rian, o Ariel, os moleques.
24:01Rodrigo, o que você acha de fazer uma música?
24:02Falei, não, Alok, você é um cara muito correto, você é um cara do bem, né?
24:06O Alok é um puta de um artista, né?
24:09Um cara que... família, um cara puta de um profissional, um cara do bem.
24:15O Alok é aquilo ali que a gente vê, ele é no pessoal, entendeu?
24:20Falei, mano, você precisa fazer alguma coisa que vai, sei lá, ajudar os jovens, né?
24:25Qual que é o grande problema dos jovens hoje?
24:27Uma das coisas são as drogas, né?
24:30E aí a gente marca o estúdio, porra, no meio da pandemia, todo mundo de máscara e tal.
24:36Aí ele vem, encosta sozinho, sem ninguém, e a gente faz um hit que se chama Cracolândia.
24:41E esse hit bate mais de 7 milhões de visualizações em menos de 24 horas, quando a gente lança.
24:49É quando ele vê o Ariel entrando no estúdio e cantando um pedaço da música pra ele, ele fica maluco.
24:52Ele fala, mano, como assim?
24:54Eu andei o mundo todo e escutei vários artistas internacionais, os caras chegavam com várias pessoas pra escrever pra ele.
25:01Ele falou, não, os moleques escreveu na hora.
25:03Aí ele ficou maluco.
25:03Aí só aquela prévia do Ariel já explodiu.
25:06E a gente pega, lança esse clipe, grava o clipe no meio da pandemia, ele consegue ir lá na Cracolândia.
25:14Não sei se que não acompanha, depois pode ver Cracolândia, Alok, DJW.
25:19E aí a gente solta esse clipe, bate mais, hoje tem mais de 500 milhões de visualizações.
25:27E ele se torna o artista mais ouvido do Brasil, porque ele nunca foi mais ouvido do Brasil.
25:32Porque o Alok, ele vem de fora pra dentro, ele é um artista internacional.
25:37Eu acho que ele é o quarto, quinto do mundo, DJ.
25:39Então no Brasil ele não era tão escutado.
25:41Através dessa música ele passa anita e tal e fica gigante também no Brasil.
25:46Então isso valorizou muitos artistas.
25:50E eu acho que a estrutura da GR6, essa volta, quando todo mundo tava começando, a GR6 já estava preparada pra atender o público.
25:59E aí, graças a Deus, eu apostei nessa reconstrução da GR6 no meio da pandemia.
26:06E por isso que deu muito certo.
26:08E como é que você vê a expansão do funk no Brasil?
26:12Hoje já tem uma projeção internacional, com muitos artistas, né?
26:15Você mencionou a Anitta, por exemplo.
26:17Mas como é que foi acompanhar nessa carreira desde o comecinho?
26:21E agora muitos deles são estrelas, né?
26:24Como que você acompanhou o que mais chamou a atenção, assim, como o funk passou a ser mais ouvido pelo brasileiro?
26:33Ah, eu acho que existia muito preconceito, né?
26:38Hoje melhorou muito.
26:40Mas eu acho que com a carreira da Anitta que ela fez lá fora,
26:44com a Ludmilla que ela vem fazendo, com alguns feats internacionais,
26:52os próprios artistas da GR6, o Hariel gravando com o Gilberto Gil,
26:56foi muito importante pro nosso movimento.
26:58Com a entrada dos artistas da GR6 nas gravadoras,
27:02que também foi muito importante ter umas grandes labels,
27:07grandes majors cuidando dos artistas, eu acho que a gente conseguiu crescer.
27:15E eu acho que o jovem também, né?
27:18Ele abraçou muito a música urbana, o funk, né?
27:22Eu via muito isso no sertanejo, mas eu vejo que o sertanejo não inovou, né?
27:28O sertanejo ficou sempre os mesmos ali, né?
27:31Em termos de, tipo, mesmos artistas, mesmos nomes.
27:34Se você pegar é Jorge Matheus, é o Gustavo Lima, tem o Wesley,
27:39tinha a Marília, tem a Mayara e Maraíza.
27:45Veio a Ana Castelli, mas a Ana Castelli eu não vejo como um sertanejo,
27:49eu vejo ela como um pop, né?
27:51Porque ela é diferente.
27:53Então, não teve isso.
27:54O funk, a cada momento tá surgindo um novo artista, né?
27:58Em todo momento, entendeu?
27:59E eu acredito que os jovens abraçaram muito mais isso, né?
28:02Eu acho que o Henrique Juliano fez uma turnê,
28:08foi um dos visionários, um Allianz Parque,
28:11e ele fez uma área só pra crianças, né?
28:16Mas eu vejo que não vai adiantar ele fazer isso aí pras crianças.
28:21As crianças não vão saber quem é o Henrique Juliano,
28:23as crianças vão saber quem é o Hariel, quem é o Livinho,
28:26quem é o Kevinho.
28:28E em termos de som, você acha que o funk também conseguiu inovar?
28:31Com certeza.
28:33Mas tem alguns dos sertanejos que são muito inteligentes,
28:38como o Zé Felipe, é um cara que faz muita música com os moleques do funk.
28:43Tem um moleque novo também que tá fazendo bastante colab, o Luan Pereira.
28:48Então, esses, as que o jovem já vai abraçando.
28:51Agora, não adianta o Henrique Juliano querer abrir um espaço lá no Allianz Parque
28:55pros jovens irem.
28:56Os jovens não vão.
28:57Quem vai vai ser a mãe dele, né?
29:00E eu vejo isso.
29:02Agora, se ele pegar, fazer um feat com o Livinho, fazer uma parada,
29:05ele começa a abraçar esse público.
29:08Que também o Livinho precisa desse público dele.
29:10E vice-versa, né?
29:12Eu acho, né?
29:13O que você acha que é o principal desafio hoje?
29:15Você falou que surge artista de funk o tempo todo.
29:18Qual que é o principal desafio desse artista que quer se lançar?
29:23O principal desafio, você fala artisticamente?
29:25Artisticamente?
29:25É.
29:26E é pra conseguir um espaço, né?
29:29Eu acho que hoje tá até um pouco mais fácil.
29:32Por causa dessas redes sociais, né?
29:35TikTok, YouTube, que sempre foi muito forte no funk.
29:40Eu acho que uma música boa, uma boa aparência, focar no negócio, né?
29:50Tem artistas novos aí que a gente tá lançando.
29:53Você vê o Kel, o artista top, o Nilo, que a gente lançou, o Luke.
30:00Tem muitos artistas bons acontecendo no movimento, né?
30:03Então, eu acho que é isso.
30:05Hoje tá mais fácil ser artista, né?
30:08Só precisa estar na hora certa, no lugar certo, né?
30:11E hoje, qual que é o principal negócio da GR6?
30:17Tá mais na produção?
30:19Tá mais no gerenciamento?
30:21É tudo isso misturado?
30:23A GR6, ela sempre trabalhou o 360 do artista, né?
30:27Que é a produção, é o digital.
30:30Na realidade, é tudo, né?
30:33Mas o principal negócio da GR6 hoje é expandir, né?
30:37A marca pra fora, entendeu?
30:40É um dos principais negócios nossos, né?
30:42O plano, né?
30:43Esse é o plano, né?
30:44Agora é de internacionalizar.
30:47Internacionalizar.
30:47E isso tá acontecendo já?
30:50Vocês fizeram esse acordo com a Universal, que já é esse passo, né?
30:55Pensamos em fazer algo em Miami.
30:57Legal.
30:57A Casa de R6, é.
30:58A Casa de R6, é.
31:00Com a nossa presidente, Cris Garcia Falcão, que é uma mulher que ajudou muito a gente,
31:06que acreditou no nosso movimento.
31:08E é uma mulher que é sensacional, entende muito de música.
31:13Inclusive, queria que você convidasse ela pra vir aqui.
31:17Hoje ela fica em Miami, né?
31:20Mas, de vez em quando, ela tá no Brasil.
31:22Acho que é uma pessoa muito importante, que vocês têm que entender o que essa mulher faz na música.
31:27É uma das pessoas que fez os álbuns do Hariel, fez todos os projetos.
31:32Foi ela que deu a oportunidade desses negócios, desses contratos pra GR6.
31:38Então, é uma pessoa muito importante, que ajudou muito a música urbana, entendeu?
31:42Porque do mesmo jeito que existem pessoas que ajudam, e no meio existem pessoas preconceituosas também,
31:49que não querem ajudar o movimento.
31:51Até de gravadoras, de distribuidoras, não estou generalizando, que tem muita gente boa.
31:57Mas existe um preconceito ainda.
31:59Às vezes as pessoas querem o sertanejo, não querem o funk.
32:02Mas o funk vai bater o número, entendeu?
32:04Então, essa mulher é sensacional, inteligentíssima.
32:10Inclusive, conduziu todo o nosso novo contrato, que a gente renovou agora.
32:15Muita gente não sabe, a gente renovou.
32:16Temos mais cinco anos com a Virgem, né?
32:21E tem uma previsão de lançamento pra esse espaço em Miami?
32:26Então, eu tô querendo pra começo de 26, né?
32:30Pra trabalhar ali já a Copa do Mundo, que vai ter muito brasileiro ali, né?
32:34Então, é isso.
32:35E as marcas já de luxo, né?
32:40Falando de Lacoste e várias outras, elas já abraçaram o funk.
32:44Como é que você vê essa relação?
32:47Isso passa pelo trabalho da GR6 também, de conversar com marcas que estão interessadas no funk?
32:54Graças a Deus estão aparecendo muitas marcas.
32:56Inclusive, tem uma história que a Lacoste estava saindo do Brasil, né?
33:01E aí o funk faz uma música que fala, vou de Lala, estoura a Lacoste.
33:07A Lacoste, ela fica gigante no Brasil.
33:10Aí tem o Hariel, que tá com a Nike, tem o Livinho, que tá com a Adidas.
33:17E eu acho que é o consumo dos jovens, né?
33:20Porra, se o Livinho tá ali, eu quero.
33:22É isso.
33:23Eu não vejo, com todo respeito, um sertanejo, um outro tá próximo.
33:27Por quê?
33:27É o consumo.
33:28Quem consome a Nike?
33:30Olha o tamanho que ficou a Louis Vuitton, né?
33:34A molecada usando esses novos tênis de skate, essas novas coleções, olha o tamanho que ficou a balanceada, entendeu?
33:43Você acha que dá pra comparar meio que o rap e o hip hop fizeram lá atrás com as marcas?
33:48Hoje é muito um espaço ocupado pelo funk, né?
33:51Com certeza, certeza absoluta.
33:53E eu acho que isso gera engajamento, gera procura nas marcas.
34:02Eu acho que eu tinha comentado pra vocês da outra vez que tinha um artista global que fez uma collab com a Lacoste
34:11e parece que não tinha saído nada.
34:13Isso um dos donos falando.
34:15Aí o Hariel me lança um tênis, sai em menos de 20 minutos, acaba tudo, entendeu?
34:19Porque os moleques estão ativos na internet, as pessoas estão consumindo ali, né?
34:23Não tô ocupando o global, porque é um público mais antigo, né?
34:28Que acompanha a TV ali, né?
34:30Você falou que o jovem e mesmo crianças, né?
34:34Como você encara essa questão aí das letras que muitas vezes são explícitas e aí tem criança ouvindo?
34:41Tem toda essa questão.
34:42Eu me preocupo muito, porque hoje com certeza melhorou muito, porque o que fala essas letras explícitas é o funk putaria, né?
34:53Na GR6 já não tem mais muito, né?
34:56Eu acho que tem um, dois artistas ali que é mais a batida ali, né?
35:00O Mandela que fala, né?
35:02Mas já melhorou muito.
35:04Mas o que tem mais hoje é o que fala a realidade, né?
35:07Fala o dia a dia, fala o que acontece no meio das comunidades, o que não acontece.
35:10Então já melhorou demais, mas eu me preocupo muito, porque eu tenho filha, é difícil, entendeu?
35:18Mas eu também não posso menosprezar, porque foi uma coisa que mudou a nossa vida.
35:25Mas o funk é diferente, a batida do funk é diferente, vai atravessar o mundo, entendeu?
35:32Não vai ser o sertanejo, com todo respeito, não vai ser o pagode, vai ser o funk.
35:36Não vai ser por causa das letras, vai ser por causa da batida.
35:40A batida do funk é envolvente, você não consegue ficar parado.
35:45Então os gringos já entenderam isso.
35:48Então é só que temos que tomar muito cuidado, né?
35:50Porque onde ele chega hoje pode, tanto como pode ajudar, como pode atrapalhar também.
35:56E o espaço da mulher no funk?
35:59Como é que você vê isso?
36:00O espaço da mulher artista, né?
36:02A gente tem, obviamente, nós já falamos aqui da Anitta, da Ludmilla, mas novos talentos, você vê surgindo?
36:08Eu acho que isso até a GR6.
36:11A GR6 precisa melhorar muito também sobre mulheres.
36:16A gente fez um camp que se chama Entre Elas.
36:19Pô, tinha muito talento, tinha muita coisa boa lá, muitas artistas boas.
36:23Hoje a GR6 tem três artistas mulheres.
36:25Tem a Drica, que já é um nome muito conhecido.
36:28Tem a Sara Sol e tem a MC Mari, que também é muito conhecida.
36:33Eu acho que o nosso movimento precisa dar mais oportunidade para as mulheres.
36:38A GR6 está inaugurando o nosso novo complexo, que é do lado.
36:46Inclusive você está convidada.
36:47De 6 a 12 de outubro tem nossa Feira da Música.
36:50E a gente vai inaugurar um estúdio só de mulheres, sabe?
36:52Não que todos são de mulheres, né?
36:56Todos, mas não...
36:58Acho que um focado ali para projetos mesmo, para ter mais uma atenção, né?
37:02Então, eu acho que a GR6 e todos os escritórios, todo o movimento precisa melhorar mais sobre as mulheres, porque tem muito talento aí.
37:10E, Rodrigo, você tem um interesse, uma atuação que não vem de hoje, vem de muito antes da GR6, pelo que você está me contando antes aqui, com a política.
37:21Você, inclusive, vê o funk como uma ferramenta política, de certa forma, para tirar o jovem da rua, para afastar ele das drogas.
37:31E você fez alguns trabalhos ao longo da sua vida para ajudar a vereadora.
37:36Conta um pouco sobre esse interesse pela política.
37:40Eu saí para a vereadora em 2014, arrumei 10 mil votos.
37:45Eu não sou um cara que eu sou de direita, eu sou de esquerda, eu sou um cara que eu vou dar oportunidade para quem ajuda o nosso movimento.
37:56Eu acho que o último...
37:57O Lula, quando ele se candidatou, né, em 2000, há três anos atrás, ele sentou comigo 60 dias antes, eu ajudei.
38:08Mas não foi o que eu esperava, entendeu?
38:14Não sei se eu ajudo agora, se tiver de novo eu posso ajudar.
38:19Foi um pouco...
38:20Fiquei um pouco decepcionado, mas também não pedi nada para ele, pelo amor de Deus.
38:26A gente está ali para ver pelo nosso movimento.
38:29Mas não estou aqui para falar que é direita ou esquerda.
38:32Respeito também, é o nosso presidente do Brasil, né, a gente tem que respeitar, dependente de qualquer situação.
38:39E o Nunes foi um cara que pediu uma ajuda e eu vejo que foi um cara que ajudou muito o movimento.
38:45Entendeu?
38:46Apesar de ser um cara, né, direita, esquerda, né, tal, é direita, né, que falam, centrão lá, não sei.
38:53Então foi um cara que ajudou muito o nosso movimento, foi um cara que eu vejo que está trabalhando muito bem em São Paulo.
38:58É um cara que trabalha demais, foi um cara que cumpriu tudo o que fez, inclusive estamos fazendo um projeto com a Prefeitura de São Paulo, né, que é para instruir jovens, né.
39:11Fizemos o primeiro projeto no Instituto Baccarelli, entendeu?
39:16E vamos lançar esse projeto que se chama Pega Visão, junto com a Prefeitura de São Paulo.
39:21A gente vai lançar um curso para o jovem se especializar.
39:25Às vezes o jovem acha que ele só pode ser funkeiro.
39:27Não, mas ele não pode ser funkeiro, ele pode ser um técnico de som, ele pode ser um técnico de luz, ele pode ser segurança, ele pode ser um hold.
39:33Então a gente está implantando isso junto com a Prefeitura de São Paulo.
39:36Então tudo que ele falou, ele ajudou.
39:39Então é um cara também que, e também se fizer errado, a gente vai falar, né, sem problema algum, mas até então foi um cara que sempre ajudou.
39:47E as pessoas falam, pô, você não pode se envolver na política.
39:52Mas eu acho que política se envolve em tudo, mano.
39:54Se a gente não tiver, a gente tem que ver pelo nosso movimento, fazer algo, né, entendeu?
39:59E você tem essa vontade, você pensa nisso, em se candidatar para um cargo político futuramente?
40:06Eu tenho uma vontade de me candidatar, mas não sei se eu tenho coragem ainda, mas eu tenho uma grande vontade de me candidatar a sair para deputado federal, não sei, em 2026.
40:18Que eu acho que não é pelo dinheiro, não é por nada.
40:21Eu acho que precisa ter mais pessoas nossas lá para olhar pelo nosso movimento, sabe?
40:25Mas eu não sei se eu tenho ainda esse gás ainda não, não sei se eu consigo, que é muita coisa.
40:32Você teria que conciliar ou deixar de lado a GR6?
40:36É, deixar de lado é muito difícil, porque eu tenho muitos contratos, muitas pessoas que dependem de mim, inclusive com a Virgem agora, que eu preciso entregar algumas coisas nesse novo contrato.
40:48Eu acho que, não sei, vamos ver.
40:51Tem muita coisa para você fazer dentro da GR6 ainda, né?
40:55Muita coisa, muita coisa.
40:56Tem a GR6, tem as nossas parceiras, né?
41:00Tem a Condzilla agora, que a gente está fazendo a parceria, trazendo ela de novo para o funk, que o Conde foi um cara que ele meio que deixou de lado um pouco a música e correu mais para a publicidade, né?
41:13E agora a gente está trazendo esse outro lado da Condzilla, de música, de clipes, de coisas.
41:18Então tem muita coisa acontecendo nesse ano, né?
41:20E hoje você ainda é aquele cara que participava de, ah, eu quero o flyer assim, quero colocar o uísque aqui, quero colocar a mensagem, você ainda participa desses detalhes?
41:30Não vou na gráfica, mas nos grupos da empresa eu estou ativo 24 horas.
41:34O que você daria de dica para quem quer ter o seu próprio negócio, seja na música, seja em qualquer área, assim?
41:41Qual que é a principal lição que você tirou de tudo que você viveu até montar a GR6?
41:47Ah, foi difícil, o caminho foi muito difícil, foi muitas pancadas, foi muitos nãos, mas eu persisti, entendeu?
42:02Eu segui, eu acho que é acreditar, fazer o que gosta, entendeu?
42:07Aí você fala, acreditar, fazer o que gosta, mas precisa as coisas acontecerem, não é fácil, né?
42:11É acreditar, acreditar, trabalhar 24 horas, que nem eu trabalhei, eu já cheguei a pesar 130 quilos, tomando energético, tomando, acho que era um remédio que se falava ving-vance, tomando dois ving-vance, ficando com os moleques dentro dos estúdios 24 horas para a coisa acontecer.
42:30Se eu chegava em casa, tomava banho e voltava, fiquei quase 11 anos assim.
42:33Hoje eu tenho 200 funcionários, faz tudo o que eu fazia sozinho, entendeu?
42:42Com duas, três pessoas.
42:43É acreditar, é gostar e correr atrás.
42:47E como que você, depois de todos esses anos, depois de todos esses corres, se mantém ainda inspirado?
42:53O que te inspira, o que te mantém ali com a ideia no lugar, né?
42:58Você busca inspiração onde, quando você não está trabalhando?
43:02O que eu busco inspiração é, eu tenho um propósito comigo mesmo, que é mudar a vida de pessoas, entendeu?
43:09Quando eu vejo um artista que se chama MC Luke, que há dois anos atrás ele me pede 170 reais para me pagar uma conta de luz dele,
43:21e ele trabalhando de ajudante de pedreiro, e depois de um ano a gente faz um trabalho nele, ele assina um contrato de 22 milhões com a Sony,
43:29isso é o que me inspira, é ver a mãe dele comprando a casa, é ver as coisas acontecendo.
43:35Então eu acho que eu ajudo muito, sabe?
43:38Eu faço parte disso, então o que me inspira é só isso, nada mais, entendeu?
43:44Sou um cara realizado, sou um cara que tem uma família incrível, tem uma filha incrível, uma esposa incrível.
43:51Moro num dos melhores lugares do país, minha filha estuda nas melhores escolas, vou nos melhores restaurantes,
44:00viajo para os melhores lugares do mundo, tenho o melhor carro.
44:05Não posso dizer que minha família é tão bem, né?
44:08Que tem os nossos problemas pessoais, é difícil família, né?
44:11Meu irmão é difícil, meus irmãos, meu pai.
44:14Mas sempre estou tentando ajudar, mas a minha família mesmo, eu sou um cara bem realizado,
44:21e a minha meta é mudar a vida de pessoas.
44:25Essa é a minha meta.
44:26E, Rodrigo, caminhando para a reta final do nosso papo, né?
44:29A gente faz sempre esse trocadilho com o nome do programa.
44:32A ideia, qual que é a melhor que você já teve na sua vida?
44:36A melhor ideia que eu tive na minha vida...
44:38Foi cantar pagode, né?
44:44Que aí aconteceu tudo isso, né?
44:46Você canta ainda hoje?
44:48Canto nas festas da empresa, né?
44:51Ah, pagode ou funk também?
44:53Pagode, funk, samba, mas eu amo pagode, eu tenho um grande respeito.
44:57Hoje eu converso com o Bruno do Sorriso Maroto, converso com o Belo.
45:02Pô, será que se eu cantasse pagode eu conversava com esses caras?
45:05Então eu falo, pô, ainda bem que não deu certo, né?
45:07E o outro lado deu certo, mas nós estamos na noite, estamos na música,
45:13e eu acho que a música urbana também, o funk, o pagode.
45:18Então eu sou um cara bem realizado, mas a melhor ideia foi eu cantar, né?
45:23Para acontecer tudo isso.
45:25E a pior?
45:27A pior que teve na minha vida?
45:29É.
45:30A pior coisa?
45:31A pior ideia que você já teve?
45:34A pior ideia...
45:37Você me pegou agora, hein?
45:41Me segue.
45:46A pior ideia eu acho que foi ajudar pessoas que não teve gratidão por mim.
45:56Tirar a pessoa ali do zero, que não tinha nada,
45:58e você vê depois as pessoas falando, pô, está tudo bem, eu vou embora, é isso, acabou.
46:08Essa foi uma das piores ideias, deu ajudar essas pessoas e as pessoas querem montar escritório,
46:13montar coisa, mas está tudo bem também, que Deus abençoe.
46:16Mas foi uma das piores ideias, ajudar as pessoas ingratas.
46:19Que daí, mas no final, virou um aprendizado, né?
46:22Virou um aprendizado, hoje a gente está mais vacinado, né?
46:25Tudo.
46:26Isso que eu acredito que foi uma das piores ideias.
46:28E hoje, qual que é a sua principal inspiração, a sua principal referência na sua vida?
46:35Principal referência na minha vida?
46:37Para quê?
46:38Alguém que te inspire, seja na vida, no jeito de conduzir seus negócios,
46:43no jeito de conduzir sua vida.
46:44A minha maior inspiração é Jesus Cristo.
46:49Eu acho que ali eu encontro um conforto, encontro uma palavra.
46:56Eu sou um cara que sofri muito depois que minha mãe faleceu, faz quatro, cinco anos,
47:02que eu tive todo o dinheiro no mundo e não consegui salvar minha mãe, entendeu?
47:07Ela ficou quase cem dias aqui no São Luís.
47:11Ela escondia muitas coisas, né?
47:13Ela não queria mostrar para a gente que estava doente, teve um câncer.
47:17Ela conseguiu sustentar 11 anos, só que ela escondia muitas coisas.
47:23Até o convênio que eu queria melhorar, ela não queria melhorar.
47:26Quando ela piorou, eu trouxe para o São Luís aqui.
47:30Gastava um milhão por semana.
47:32Se eu tivesse gastado todo o dinheiro que eu tinha na minha vida,
47:35eu gastava para salvar ela.
47:37Mas eu vi no momento ali, quando ela estava na cama, já nos últimos momentos,
47:43ela pediu um sorvete e uma salada de fruta e ela não conseguiu comer.
47:48Então, ali eu entendi que, às vezes, o dinheiro não é tudo, né?
47:51Eu não consegui...
47:52Porra, eu trabalhei tanto para...
47:54Eu acho que eu curti bastante com minha mãe, sabe?
47:58Mas eu podia curtir muito mais.
47:59Então, a partir dali que eu falei, porra, mano, eu tenho todo o dinheiro do mundo,
48:03eu não consegui salvar minha mãe, minha cabeça começou a dar uma mexida
48:07e eu fiquei muito mal.
48:09E aí eu encontrei alguma resposta ali com Jesus Cristo, nas igrejas e tal.
48:16Foi o que me confortou mais, entendeu?
48:18É, que fica esse recado, né?
48:21Para se manter centrado na vida, né?
48:23Exatamente.
48:24Que no dinheiro, muitas vezes, não é tudo, não traz felicidade.
48:27Ontem eu fui num DVD do MC Livinho,
48:30foi no meio de uma comunidade em Guarulhos.
48:33Inclusive, o DVD Sou Funk,
48:35ele vai lançar um DVD muito top, com orquestra, sinfone, com tudo.
48:41E eu vi...
48:42Eu estava conversando com os amigos meus que trabalham comigo,
48:45eu falei, mano, porra, você fica olhando, está todo mundo feliz aqui, né, mano?
48:49E a gente tem todo o dinheiro do mundo, às vezes, não está feliz.
48:52Porra, você vê um moleque brincando,
48:53você vê uma pessoa comendo açaí, tal, a pessoa lá em cima,
48:57e está todo mundo feliz.
48:58Então, ali é o verdadeiro feliz no simples, né?
49:01Parece um moleque brincando, jogando bola no campo.
49:04Pô, a gente tem todo o dinheiro do mundo,
49:06a gente tem os melhores carros,
49:08a gente vai nos melhores restaurantes,
49:10e às vezes a gente não acorda feliz, né?
49:12Então, isso é muito sério.
49:15De verdade, o dinheiro realmente não é tudo.
49:19É isso, Rodrigo.
49:22Obrigada.
49:23Com esse recado aí, valioso, a gente encerra a nossa conversa aqui no A Ideia.
49:27Muito obrigada pela sua presença e até uma próxima.
49:31Obrigado, obrigado, Isabela.
49:32Obrigado, Bem Mensagem.
49:36Obrigado toda a rapaziada que vai estar vendo esse vídeo aí.
49:40E muito obrigado por abrir a oportunidade
49:41para um cara que chegou aqui em 94 sem perspectiva nenhuma de vida.
49:47E estamos aqui hoje falando, né?
49:50E estou muito feliz.
49:51Obrigado pelo convite.
49:52E é o seguinte, rapaziada.
49:54Aguarde nosso novo projeto,
49:56GR6 Histórias.
49:58É um álbum com mais de 20 sucessos,
50:00de grandes hits que a gente fez desde 2016 da GR6 até agora.
50:05Ó, previsão de lançamento?
50:07Na Feira da Música, de 6 a 12 de outubro.
50:10E você já está convidada também lá,
50:12toda a rapaziada no Meio Mensagem.
50:14Opa!
50:14Obrigado, Isabela.
50:15Eu que agradeço.
50:16Tchau, tchau.
50:17Valeu, tchau, tchau.
50:18Confira este e outros episódios de A Ideia
50:21nas plataformas de Meio Mensagem,
50:23no nosso canal do YouTube
50:24e nos principais agregadores de podcast.
50:27Os episódios são gravados em São Paulo,
50:30nos estúdios do Content Club.
50:32Até a próxima!
50:37Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
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