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  • há 5 meses

Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00Olá, bom dia! Que bom estar de volta aqui com vocês.
00:14Antes da popularização da internet, desse mundo globalizado, onde não existem fronteiras,
00:19saber o inglês ou o espanhol era diferencial.
00:22Agora, dominar uma segunda língua é pré-requisito.
00:27E quais os caminhos para alcançar essa qualificação?
00:31Como os paranaenses se relacionam com línguas estrangeiras?
00:35Fique com a gente, o painel deste sábado já está no ar.
00:39Uma escolha que deu à Vitória muitas oportunidades.
00:42Com 23 anos, ela já fez um estágio na ONU e uma viagem de estudos na China por causa do mandarim.
00:48Ele se destacou na adolescência, quando trabalhava carregando malas na recepção de um hotel
00:53e já falava três línguas estrangeiras.
00:55Hoje, o Cleverson é poliglota, fala nove idiomas.
01:00Uma cidade que preserva as tradições dos antepassados.
01:04O ucraniano é língua comum nas ruas de Prudentópolis.
01:08Uma empresa que só contrata funcionários fluentes em inglês ou espanhol.
01:13Português, só na hora do cafezinho.
01:16Não aceita um cafezinho?
01:17Não vou negar.
01:18E aqui a comunicação é em português.
01:21Aqui em português, no escritório italiano, espanhol, português, inglês, tudo o que você imagina.
01:25São mil e trezentas pessoas trabalhando aqui e todos os funcionários falam, no mínimo, uma segunda língua.
01:32A economia global e o desenvolvimento de um país do outro lado do mundo tem influenciado nas escolhas de jovens aqui do Paraná.
01:49Com 23 anos, a Vitória está terminando o mestrado e é pesquisadora do Centro Ásia e América Latina da Universidade de Brasília.
01:59É uma cultura, é algo muito diferente do que a gente conhece.
02:04Não vou investir, então, em começar a pesquisar.
02:07E ao longo desse investimento, de começar a fazer alguns artigos e ir para alguns eventos,
02:12eu vi que eu ia precisar do mandarim, porque dava uma diferença muito grande
02:16entre aquelas pessoas que só tinham inglês para pesquisar e aquelas que já tinham conhecimento do idioma.
02:22Colocar o mandarim no currículo rendeu à Vitória um estágio de quatro meses na ONU,
02:28Organização das Nações Unidas, na sede de Brasília,
02:31e uma viagem de estudos financiada pelo governo chinês.
02:35A paranaense Vitória estava entre os dez brasileiros selecionados para viver essa experiência.
02:41E eu acho que uma das coisas mais bacanas que eu consegui pelo mandarim foi ter ido à China no passado.
02:48Eu ganhei uma bolsa do governo de Xangai para fazer um programa sobre estudos de BRICS,
02:53então, era relacionado a pessoas dos países do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul.
03:01E a gente foi lá para a China numa das universidades que tem, que são bem conhecidas, a Fudan.
03:06E lá a gente exerceu tanto a pesquisa, né, como alunos e pesquisadores de relações internacionais.
03:12E também tivemos a oportunidade de conhecer Xangai, conhecer e trocar as nossas culturas.
03:18Então, o mandarim me possibilitou fazer uma das coisas que eu mais queria,
03:21que era conhecer a China, conhecer outras pessoas que pesquisavam coisas parecidas com a minha pesquisa
03:28e desbravar durante um mês sozinha lá na China. Foi muito legal.
03:33Formada em relações internacionais, além de estudar o mandarim, com 23 anos,
03:40a Vitória já tem uma lista de outros idiomas que domina.
03:44Como eu falo o inglês, o francês, eu aprendo o mandarim e eu tenho um conhecimento pouco profissional de italiano.
03:52Nascido em Taiwan, Lin Xun Shen veio com dois anos para o Brasil.
03:56Começou a aprender o português com cinco anos.
03:59Formado em fisioterapia e terminando uma pós-graduação em osteopatia,
04:05dá aula de chinês e de mandarim para brasileiros.
04:08Durante vários anos da minha vida, assim como na faculdade,
04:15o chinês trouxe muitas vantagens, né.
04:18Hora ou outra a gente sempre recebe propostas como intérprete, para traduzir documentos.
04:23Sobretudo agora que a língua chinesa é um grande diferencial e a demanda pela língua é muito grande, né.
04:32E aqui em Curitiba, pelo menos, ainda não temos tanta gente que fale o chinês.
04:36Então é uma coisa muito boa para se investir.
04:40Muitos dos alunos que passam por essa turma mantêm relações de trabalho com China, Hong Kong e Taiwan.
04:46E quanto tempo precisa para aprender um aluno?
04:49Olha, varia muito entre alunos.
04:51Depende muito do perfil da pessoa, de como ele se desenvolve durante as aulas, mas...
04:57No mínimo?
04:59Cerca de dois anos.
05:01Com muito empenho.
05:02Com muito empenho. Tem que se dedicar bastante.
05:04É uma língua bem diferente da maioria das línguas ocidentais, né.
05:08Então tem que abrir um pouco a cabeça e assim você, além de aprender, você ainda consegue entender uma cultura totalmente diferente.
05:18Você começa a pensar diferente.
05:21Abrir a cabeça e colocar na rotina, muita dedicação.
05:25Especialidades do curitibano Cleverson Souza.
05:28Por trás desse sobrenome de grafia simples, um currículo bastante elaborado.
05:33Ele aprendeu o polonês com o bisavô junto com as primeiras palavras em português.
05:38Alguns meses o meu bisavô morou na minha casa, né.
05:41E eu não falava português ainda, né.
05:44Então eu acabei falando polonês primeiro.
05:49E engraçado que quando ele saiu de casa, a minha mãe teve muito problema comigo, né.
05:53Porque eu falava as coisas que eu queria e ela não entendia, né.
05:57E demorou um certo tempo até eu começar a falar português, né.
06:02Eu falei mais tardiamente, com quatro anos mais ou menos.
06:04E lembra que na escola era o melhor aluno de inglês.
06:08O inglês, na escola, modéstia a parte, eu era o melhor aluno da escola, assim.
06:13Daí todo mundo queria fazer prova comigo quando era prova em dupla, né.
06:16Principalmente aqueles alunos que não gostavam, tinham dificuldade.
06:19E ele não parou por aí.
06:21Com grande interesse por idiomas desafiantes, estudou quando adolescente o japonês.
06:26E o domínio desse idioma o fez se destacar num dos primeiros empregos que teve.
06:32No primeiro ano eu trabalhei como mensageiro.
06:35Eu carregava as malas e era muito interessante que eu me comunicava melhor com eles do que com os recepcionistas, né.
06:43Que a priori teriam maior obrigação, né.
06:47E você já sabia falar quais línguas nessa época?
06:50Ah, naquela época era inglês, japonês e polonês.
06:52E o que você usava no hotel? Você conquistou a clientela?
06:55E o japonês.
06:56O Cleverson domina o japonês, o polonês e o inglês.
07:01Consegue ler textos de nível intermediário em búlgaro, romeno e grego moderno.
07:06E é autodidata e tem nível básico de finlandês e russo.
07:10Com o português, são nove línguas.
07:13Além das horas em contato com outras línguas em sala de aula,
07:16o professor de idiomas mantém uma rotina cheia de disciplina nos estudos.
07:23Eu sou muito disciplinado.
07:24Eu acho que muitas pessoas falam, ah, você tem talento pra coisa.
07:28Mas eu acho que não é uma questão só de talento.
07:30Porque não adianta ter talento se eu não pratico, né.
07:32Então é necessário ter tenacidade, né.
07:36Sempre praticar.
07:36E tem uma rotina de quantas horas de estudo?
07:40No mínimo, passa, mas geralmente umas três horas.
07:43Uma hora pra cada idioma.
07:44Eu intercalo, por exemplo, segunda, quarta e sexta eu estudo grego, búlgaro e romeno.
07:52Terça, quinta e sábado, húngaro e finlandês.
07:59Domingo, folga.
08:00Domingo, às vezes dá vontade de estudar.
08:02Às vezes dá vontade, mas eu me disciplino.
08:04É bom ter essa pausa, né.
08:05O que eu faço, eu não recomendo.
08:07Eu recomendo no máximo três línguas de uma vez.
08:10Se buscasse emprego nessa empresa que vamos conhecer agora, um dos pré-requisitos o Cleverson já teria cumprido.
08:18Essa multinacional com sede em Curitiba só contrata funcionários que dominem o inglês ou o espanhol.
08:26Você tem um cafezinho?
08:27Não vou negar.
08:28E aqui a comunicação é em português.
08:31Aqui em português.
08:31No escritório italiano, espanhol, português, inglês, tudo que você imagina.
08:34São mil e trezentas pessoas trabalhando aqui e todos os funcionários falam, no mínimo, uma segunda língua.
08:44A gente tem uma particularidade que somos uma empresa que presta serviços para vários países do mundo.
08:56Então, nossos funcionários, eles, todos os dias, interagem com pessoas de outros países.
09:03Então, é uma realidade nossa.
09:05Aqui, todo mundo fala dois ou três idiomas.
09:09Então, é uma questão de ser fluente, porque quando você conversa com alguém, tem que negociar, fechar algum contrato, prestar um serviço.
09:19Você precisa ser fluente.
09:21Então, não é só mais aquela coisa do arranhar, a gente tem que realmente se comunicar numa outra língua.
09:29E eu vejo que a cada ano a gente encontra mais pessoas fluentes em inglês.
09:33A nova geração, ela tem mais facilidade de falar um outro idioma.
09:38Então, hoje é mais fácil.
09:39Quando a gente precisa também de uma competência técnica aliada ao inglês, dependendo do que o skill que a gente está buscando, é um pouco mais difícil.
09:48Mas é aquele trabalho.
09:50Alguns dias são mais fáceis, outros dias são mais difíceis.
09:53Mas a gente tem que encontrar as pessoas que a gente precisa.
09:56Se o inglês aqui é pré-requisito, o que diferencia os profissionais desse mercado são outras capacidades.
10:03Hoje em dia, a gente está buscando outras qualificações.
10:08Então, a criatividade, iniciativa, são características que hoje a gente está buscando.
10:15Além do que seria a formação acadêmica ou inglês, a gente está buscando novas características para o profissional crescer, contribuir.
10:25Trabalho em equipe, resolução de conflitos, são outras competências que a gente tem trabalhado.
10:30A Leide foi aprendiz nessa multinacional durante dois anos e aproveitou a oportunidade de estudar inglês no curso oferecido pela própria empresa.
10:40Aproveitei.
10:41E o que aconteceu?
10:42Isso, eu continuei na empresa durante esses dois anos, depois desse meu desenvolvimento, e continuei como estagiária aqui na empresa.
10:51Antes de entrar aqui, você já teve algum contato anterior com o inglês?
10:55Não, eu não tinha contato nenhum. Foi aqui que começou o com o inglês. E os dois anos que eu tive aqui como aprendiz também, eu tive o contato com o espanhol.
11:06A minha gestora era da Argentina, então eu tive um pouco de conhecimento do espanhol.
11:13Agora parece que abriu um mundo de oportunidades, a gente vê muito diferente as coisas como elas são, a cultura dos países, então acaba abrindo a nossa mente.
11:24A Leide segue o caminho de outros colegas de trabalho. O Luciano, desde muito novo, tinha um objetivo, queria trabalhar numa multinacional.
11:34Então estudar mais de um idioma para ele era algo natural na rotina.
11:39Eu comecei a fazer o inglês. No momento que eu estava fazendo o inglês, eu observei que o mercado podia ter uma direção para o espanhol.
11:47Então eu comecei a observar algumas corporações que estavam vindo para Curitiba, que o espanhol era importante, então eu já investi o meu tempo em fazer os dois em paralelo.
11:55Então já logo de iniciativa eu fiz o inglês e o espanhol.
11:59E é interessante como as coisas vão se desmembrando na vida.
12:02Quando eu fiz o espanhol, nessa primeira multinacional que eu trabalhei, ele foi o fator decisivo justamente para eu ter entrado.
12:09Apesar da pós-graduação, da graduação, do terceiro grau ser um pré-requisito, o diferencial foi realmente o idioma.
12:18Com 17 anos, o Tales fez um intercâmbio para o Japão.
12:21Já falavam inglês e começou ali sua jornada de estudos com novos idiomas.
12:26E quando eu retornei do Japão, eu queria continuar com essa experiência de contato com outras culturas.
12:32Mas eu ainda era um estudante, não tinha muito dinheiro para viajar.
12:36E eu resolvi trabalhar numa ONG e essa ONG fazia acampamentos multiculturales.
12:41Então eu levava como voluntário crianças brasileiras para outros países, onde a gente ficava 30 dias e fazia diversas experiências culturais.
12:51Gastronomia de cada país, uma noite cultural.
12:53Então eu fui aprendendo através do contato com as outras culturas.
12:58Com esse interesse, teve na sua carreira um diferencial.
13:02Quando eu vim trabalhar aqui em 2005, o espanhol era muito necessário.
13:07Eu acabei entrando por causa do espanhol, nem foi tanto pelo inglês.
13:11Mas como eu já tinha o inglês, isso foi me ajudando aqui dentro.
13:15Eu tive a oportunidade de morar fora pela empresa, trabalhar um ano nos Estados Unidos.
13:18E outras oportunidades.
13:21Então eu fui trabalhar com outros países, Canadá, outros países de língua inglesa.
13:25E que não são de língua inglesa, mas onde os funcionários ao redor do mundo também têm essa mesma base que a gente e falam em inglês.
13:32E quando é hora de começar a aprender um novo idioma?
13:36A professora Marion acredita que quanto mais cedo, melhor.
13:39Nessa escola, os 19 alunos não têm a mesma idade.
13:45Mas juntos aprendem de forma lúdica um idioma bem diferente do que falamos aqui no Brasil.
13:50Numa escola normal, eles são divididos por idade, certo?
14:02E aqui não.
14:03Aqui a proposta é justo colocar eles todos juntos.
14:07Por quê?
14:08Para eles aprenderem o respeito.
14:11Na casa da Stephanie, a comunicação com a filha é exclusivamente em alemão.
14:16O português, a Lorena, de 3 anos e meio, aprendeu com a televisão, assistindo o desenho.
14:22A gente quer manter, porque a gente sabe da facilidade depois para uma terceira língua aprendizado, né?
14:27Mas principalmente por esse vínculo que a gente tem ainda com a língua, assim que é a nossa língua materna.
14:32Eu também aprendi de casa o alemão e vejo como me ajudou para aprender o inglês.
14:37Ou mesmo para a questão do currículo, né?
14:39Depois para frente.
14:40Então é mais para manter essa identidade nossa, que a gente tem questão cultural um pouco também de manter o alemão.
14:45E também manter isso para a vida depois, né?
14:49Para ter facilidade com outra língua.
14:50Então a gente foca nisso.
14:52A questão de manter o que a gente já tem, né?
14:55Às vezes errando a questão de gramática e tudo, mas a gente quer manter.
14:58Porque a gente sabe que vai abrir portas para ela também mais para frente.
15:02No grupo da Igreja Menonita, frequentada pela Stephanie, o alemão é uma língua comum.
15:08E na família também.
15:09A comunicação com a língua estrangeira é uma tradição.
15:13Os meus pais, eles falam alemão, então isso é cultural, né?
15:18E eles nos ensinaram.
15:19Foi a minha primeira língua.
15:21E assim a gente também tenta fazer com os nossos filhos, né?
15:25Então buscar ensinar.
15:26Os primos Gabriel e Lorena, com três anos e meio, já falam duas línguas.
15:31Nós temos uma ajudante e quando ela está lá em casa, ele gosta muito de conversar com ela.
15:46E aí ele sempre pergunta para ela, o que você está fazendo?
15:49E aí ela fala, eu estou limpando vidro, estou limpando chão.
15:52E aí ele vem e fala para mim, é alemão, mamãe, ela está limpando vidro.
15:57Tudo em alemão, né?
15:57Então ele vai traduzindo aquilo que ela fala em português e ele fala para mim em alemão.
16:01É muito legal.
16:09E depois do intervalo, vamos visitar uma cidade que preserva o idioma dos antepassados.
16:14O painel volta já!
16:15E depois do intervalo, vamos lá!

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