Diversos líderes europeus confirmaram presença em encontro com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e Donald Trump na Casa Branca nesta segunda-feira (18). A reunião deve tratar da guerra na Ucrânia e das perspectivas para negociações de paz. Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista Igor Lucena, professor de relações internacionais.
Entrevistado: Igor Lucena
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NotíciasTranscrição
00:00Alguns líderes europeus já confirmaram presença na reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Ucrânia, Vladimir Zelensky, que será realizada amanhã na Casa Branca.
00:12Zelensky se reúne hoje em Bruxelas com Ursula von der Leyen, que é presidente da Comissão Europeia.
00:18Ela também já confirmou que estará em Washington para essa reunião.
00:21Sobre esse assunto, nós conversamos agora com o professor de Relações Internacionais, Igor Lucena.
00:27Professor, seja muito bem-vindo ao Fast News aqui da Jovem Pan. Sempre um prazer te receber.
00:35Olá, muito obrigado. É um prazer estar aqui com vocês.
00:38Professor, já quero a sua análise, a sua projeção para o que será essa reunião.
00:43Lembrando que a última foi uma reunião que repercutiu muito pelo constrangimento gerado a partir das falas incisivas,
00:51não só do presidente americano, mas do seu vice, Jay Divens, contra o presidente ucraniano.
00:56Explica para a gente como é que o senhor está projetando este novo encontro lá nos Estados Unidos.
01:04Olha, esse encontro aparentemente parece ser muito mais proveitoso do que o que a gente imaginou no passado.
01:10Isso porque o encontro entre o presidente Vladimir Putin e também o presidente Donald Trump trouxe, sim, avanços.
01:19Que muitas pessoas podem dizer que houve uma vitória de Vladimir Putin por estar sendo colocado como um chefe de Estado,
01:26não como um páreo internacional.
01:28Mas a gente já escuta abertamente propostas, e vão propostas desde aquelas mais sensíveis,
01:36que são relacionadas aos territórios ucranianos.
01:39O presidente Putin aparentemente ficaria satisfeito com a questão do Dombas,
01:46a região do Dombas, o que faria com que Kersen e Zaporizhia fossem talvez devolvidas aos ucranianos.
01:53Por outro lado, há, sim, negociações abertas para que haja um acordo de defesa e de segurança da Ucrânia
02:01entre potências europeias no estilo do artigo 5 da OTAN, de defesa coletiva,
02:08mas obviamente não seria a entrada da Ucrânia na OTAN.
02:12Então, o que provavelmente amanhã a gente vai assistir vai ser o que o presidente Trump acredita
02:19que pode ser, de fato, se tornar uma realidade entre um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.
02:26Obviamente, esse acordo não vai ser a devolução total dos territórios ucranianos,
02:31como prevê o direito internacional.
02:33Mas, ontem mesmo, Valoribir Zelensky falou pela primeira vez na possibilidade de cessão de territórios
02:39em troca da paz.
02:42Por outro lado, isso teria que mudar as duas constituições,
02:45tanto a Constituição ucraniana, que não permite isso, quanto um desejo do próprio presidente Trump
02:51de que a Constituição russa coloque a impossibilidade de novos ataques à Ucrânia e aos territórios europeus.
02:58Não que isso, de fato, tenha muito valor quando a gente pensa no que o presidente Putin gosta de fazer
03:05sem respeito à lei.
03:06Porém, os líderes europeus, juntos com Valoribir Zelensky e Donald Trump,
03:13provavelmente vão chegar a conclusões amanhã do que pode, sim, ir para a mesa de negociação.
03:20Inclusive, o presidente Trump já disse que a questão de cessão de territórios
03:23será definida pelos ucranianos, não pelos americanos.
03:28Então, acho que a gente está vendo um avanço.
03:30Essa é a realidade.
03:31Não é um avanço que as duas partes querem, mas a pressão internacional e a pressão econômica,
03:38tanto do lado ucraniano quanto do lado dos russos,
03:41mostra, sim, que há uma pressão grande para que algum tipo de fim do conflito ocorra.
03:49E, obviamente, o próprio presidente Donald Trump quer, sim, mostrar uma vitória
03:53e uma capacidade de liderança internacional.
03:56Por isso, ele também chama os europeus porque entende que não poderá sozinho garantir a segurança da Ucrânia.
04:03Será necessário uma coalizão internacional.
04:06Meu ponto de vista é que está fora de cogitação a entrada da Ucrânia dentro da OTAN,
04:11porém, acho que vai ser colocado na mesa uma espécie de fast track para a entrada da Ucrânia na União Europeia,
04:18principalmente para que ela possa receber recursos para a sua reconstrução.
04:23Então, eu vejo com muito bons olhos que, de fato, acho que pela primeira vez desde o início do conflito,
04:29existem soluções que estão, sim, na mesa de negociação.
04:33E se as soluções não andarem, o próprio secretário Marco Rubio já disse que iria avançar com novas sanções contra a Rússia,
04:40que é algo que o presidente Vladimir Putin, de fato, não quer.
04:43Algumas informações que temos de Washington é que Putin gostaria de ter as sanções revogadas para depois negociar,
04:52o que foi extremamente rechaçado pelos americanos e que ele entende que também não tem toda essa capacidade
04:57de tentar influenciar Donald Trump neste exato momento.
05:01Professor, eu vou trazer para a nossa conversa o João Belut, nosso analista do Fast News de hoje.
05:05Ele vai te fazer a próxima pergunta.
05:06Professor, boa tarde.
05:08Eu queria perguntar para o senhor no sentido do projeto russo.
05:11Porque muito se especula que, ainda que a Rússia aceite agora um acordo de paz,
05:15é difícil acreditar que ele será duradouro considerando a história da própria Rússia,
05:20especialmente que ela atua em diversas frentes, como, por exemplo,
05:23exportando cidadãos para morar ali naqueles países na fronteira, como Geórgia, entre outros,
05:29e que esses cidadãos acabam aumentando o discurso pró-Rússia, até no caso agora da Ucrânia.
05:33O Vladimir Putin alegou que iria salvar a Ucrânia de um nazismo, algo nessa linha.
05:40E existem muitas pessoas lá que são pró-Rússia, na própria Ucrânia.
05:44É possível acreditar numa, ainda que a Rússia assine numa questão de longo prazo,
05:48ainda mais considerando que o Vladimir Putin é um ditador, está no cargo há mais de 20 anos,
05:53e só por ele já passou mais de 4 ou 5 presidentes americanos.
05:56De repente ele assina um acordo agora de paz, ganha território da Ucrânia,
06:00e daqui 10, 15 anos ele volta a tentar uma expansão territorial,
06:05considerando que esse é o histórico da Rússia.
06:08Como que o senhor analisa esse tema, por favor?
06:11Olha, eu acho que existia, sim, um plano russo,
06:15e eu acho que o plano inicial seria uma derrota, uma tomada total do território ucraniano.
06:19E depois estava muito claro que o segundo passo seria a região da Transnistria, né?
06:23Que é uma região extremamente com histórico russo,
06:28da Moldávia, um país também que está avaliando uma rápida ascensão à União Europeia.
06:34Agora, eu acho que isso tudo mudou.
06:35Acho que o presidente Putin entendeu que o tiro saiu pela culatra, né?
06:40Então ele está precisando agora mostrar uma vitória interna
06:43para a própria manutenção do seu regime,
06:46que sim, sai maculado com essa situação.
06:47Ele, sim, vai continuar tentando anexar territórios mais pobres.
06:53Então a gente vê regiões como a Geórgia e a própria Moldávia.
06:56O uso de technological warfare, cyber-ataques,
07:00tudo isso vai continuar tentando desestabilizar eleições no Ocidente
07:05para regimes pró-russos.
07:08Agora, a situação deste plano russo, e eu concordo com você,
07:12ela fica mais difícil, né?
07:14Fica mais difícil porque a gente viu a entrada da Suécia e da Finlândia.
07:17Dentro da OTAN, ou seja, mais países da OTAN estão hoje em fronteira com a Rússia,
07:23o que torna a necessidade de defesa do território ao norte do país
07:27muito mais custosa do que era do passado,
07:31quando você tinha países neutros.
07:33E também o fato de que a gente viu mais de um milhão de mortos,
07:37a gente viu uma economia em frangalhos que vai precisar reerguer
07:40e ter novos recursos.
07:41Então, enquanto isso ocorre, a Europa não está mais parada
07:46e esperando simplesmente a defesa do artigo 5 da OTAN por parte dos Estados Unidos.
07:50Nós estamos assistindo ao maior rearmamento da Europa deste século, né?
07:55A gente vai ver aí 500 bilhões gastos pela Bundeswaffe alemã.
08:00A gente vai ver a Europa, a União Europeia, gastando mais de 800 bilhões de euros.
08:04Então, todos os países vão avançar para mais de 3,5% do PIB na OTAN
08:10com gastos em defesa.
08:12Meu ponto de vista é que esse plano de expansão de uma nova Rússia
08:18aberta tentando tomar territórios que ainda são, entre aspas,
08:22ligados à Rússia, de alguma maneira, ele fica muito mais difícil.
08:26Os países ali, Estônia, Letônia e Lituânia, já estão gastando 4,5%, 5% do PIB em defesa.
08:32Apesar de serem pequenos, são o que a gente chama de novas vítimas
08:35e prováveis locais onde teriam novos ataques.
08:38Até mesmo a Polônia.
08:39A Polônia está se armando de uma maneira extremamente drástica
08:42e avançando nas suas empresas de armamento.
08:45Eu entendo que esse plano de Vladimir Putin vai continuar existindo
08:48de tomada de territórios, mas ele vai sofrer um baque.
08:53Isso porque o erro de cálculo de que ele tomaria rapidamente a Ucrânia
08:57se mostrou inviável.
08:58Então, a partir do momento que ele fez todo aquele teatro e invadiu
09:04e não deu certo, o plano total, todos os outros países agora já entendem
09:08esse modus operandi.
09:10Então, todos estão agora muito mais, como é que se diz, acordados.
09:15O grande ponto, e eu acho que é complexo, é que na história recente,
09:21quando a gente faz um acordo que cede territórios para o invasor,
09:24e a gente viu isso ainda durante a Segunda Guerra Mundial
09:28na região dos Sudetos, o resultado prático foi um novo ataque.
09:32A diferença é que o exército alemão estava em grande força
09:35e estavam crescendo, enquanto o resto da Europa só estavam esperando a paz
09:39e sem nenhum tipo de rearmamento.
09:42E o livro azul da União Europeia está fazendo justamente o contrário,
09:46fazendo com que os países europeus se armem o máximo possível,
09:50porque já entendem que pode ter um conflito entre Rússia e OTAN
09:54nos próximos cinco a oito anos.
09:57Então, acho que os europeus aprenderam com a história
10:00e vão tentar impedir ao máximo o avanço dos russos novamente.
10:05Professor, tem uma notícia de hoje que eu gostaria muito da sua análise,
10:09porque Putin teria aceitado que os Estados Unidos e a Europa
10:13ofereçam garantias de segurança à Ucrânia.
10:16Essa informação veio a partir de um enviado especial dos Estados Unidos,
10:20o Steve Wichkoff, que afirmou que o presidente russo
10:24concordou em sua cúpula com o presidente Donald Trump
10:28em permitir que os Estados Unidos e seus aliados europeus
10:31ofereçam à Ucrânia uma garantia de segurança semelhante
10:33ao mandato de defesa coletiva da OTAN.
10:37Eu queria que o senhor nos explique do que se trata isso.
10:39E isso seria parte de um eventual acordo para encerrar a guerra,
10:42que já dura três anos e meio.
10:44O que ele disse foi exatamente o seguinte, entre aspas,
10:47conseguimos garantir a seguinte concessão,
10:50que os Estados Unidos poderiam oferecer uma proteção similar ao artigo 5º,
10:55que é uma das principais razões pelas quais a Ucrânia quer entrar na OTAN.
11:01E ele ainda acrescentou que foi a primeira vez que ouvimos os russos concordarem com isso.
11:06Como que o senhor avalia essa notícia?
11:08Olha, eu avaleio de uma maneira muito positiva,
11:12porque o artigo 5 da OTAN, o artigo 5º,
11:15fala sobre a defesa coletiva, ou seja, um ataque ao membro da OTAN,
11:18significa um ataque a todos os membros.
11:21Para mim, este é a grande garantia de segurança de que,
11:24se a Ucrânia ceder territórios para, de fato,
11:27poupar vidas humanas,
11:29ela não será atacada de novo,
11:31porque a Rússia não teria capacidades, de fato,
11:34de encarar todos os países da OTAN em um conflito aberto.
11:37Se isso ocorrer, obviamente não será na OTAN,
11:41está muito nítido isso, a OTAN é uma espécie de linha vermelha,
11:44mas deve ser entre países que já estão nessa negociação direta.
11:48Então, a gente está falando de Finlândia, Reino Unido,
11:51a França, a Alemanha, né?
11:54Então, acho que são países, sim, com capacidade,
11:57inclusive, atômica e capacidade de defesa junto com os Estados Unidos.
12:01Se isso, sim, se colocar dentro do artigo
12:04e esse acordo de segurança mútuo for assinado
12:06conjuntamente com o acordo de paz,
12:09eu acho que a Ucrânia se sentiria muito mais livre
12:13para voltar à vida comum,
12:16voltar a ter investimentos,
12:18voltar a ter uma relação, de fato,
12:22dentro da comunidade internacional
12:24e até mesmo avançar com sua ascensão à União Europeia,
12:27que já foi dita com a presidente Ursula von der Leyen.
12:30Sem isso, o acordo de paz não existe.
12:34E eu acho que os russos entendem isso,
12:35que se não houver uma garantia firme
12:37por parte dos europeus e dos Estados Unidos de defesa,
12:43qualquer artigo que seja veramente um acordo de paz
12:48não vai ter sentido,
12:49porque a Rússia simplesmente poderia atacar na semana subsequente.
12:53Então, há também um ponto interessante nisso,
12:57que é que os americanos assinaram aquele acordo com os ucranianos
13:00para exploração de terras raras.
13:02Isso significa que esse acordo também garante
13:05que empresas americanas vão ser defendidas
13:07por militares americanos e europeus.
13:09Ou seja, não é só um acordo,
13:12uma concessão russa para a defesa ucraniana,
13:15mas também uma concessão russa
13:16para a defesa dos interesses americanos.
13:19E que, obviamente, Donald Trump não abriria mão
13:21de ter empresas e americanos trabalhando,
13:25explorando recursos naturais na Ucrânia,
13:27no pós-guerra,
13:27até mesmo para pagar parte dos custos de guerra,
13:31com o risco iminente de um ataque russo.
13:33Então, acho que essa concessão,
13:35ela atende tanto a Volodymyr Zelensky,
13:38mas também ao próprio presidente Donald Trump.
13:40E os europeus, acho que,
13:42se sentem também muito mais confortáveis
13:44em mandar suas tropas dentro da Ucrânia.
13:47Até porque, com o fim deste conflito,
13:49uma coisa é certa.
13:50A Ucrânia se tornará o país,
13:52talvez um dos mais armados militarmente da Europa.
13:56O que significa que ela deixa de se tornar
13:58um peso para a comunidade europeia
14:00e pode se tornar um ativo importante
14:03na defesa coletiva do bloco europeu.
14:06Perfeito.
14:06Eu quero agradecer demais, mais uma vez,
14:08o professor Igor Lucena,
14:10professor de Relações Internacionais,
14:11sempre conosco aqui na Jovem Pan.
14:13Professor, quero te agradecer.
14:14Muito obrigado pela sua entrevista.
14:17Eu que agradeço.
14:18Muito obrigado e uma boa tarde a todos.
14:20E se você quiser saber mais informações
14:21a respeito desta notícia,
14:23uma possível concordância da Rússia
14:26com as garantias de segurança
14:28que Estados Unidos e Europa dariam à Ucrânia,
14:31a informação completa está no site da Jovem Pan,
14:33jovempan.com.br.
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