00:00Vou trazer um pouquinho agora para o debate, as falas, as informações que foram passadas pela Amanda,
00:05mas o que eu percebo ali em relação ao que costuma ser dito por Donald Trump
00:08é que há uma moderação muito maior daquelas equipes que estão abaixo do presidente da República,
00:15principalmente no departamento de Estado, e que são falas, digamos, que trazem mais um consenso,
00:22a busca por diálogo e acordos, diferentemente do que costuma ficar claro no discurso do presidente norte-americano, né Alan Gani?
00:29Aliás, essa é uma tônica aí adotada por vários presidentes, inclusive aqui no Brasil, né?
00:34Então o presidente geralmente é mais verborráfico e ali o segundo escalão acaba colocando panos quentes,
00:41tem uma fala mais protocolar.
00:43Agora, de qualquer modo, Evandro, é bastante interessante, pelo que eu tenho acompanhado na imprensa internacional,
00:50aparentemente há também uma divisão dentro do próprio governo Trump.
00:56Existe uma ala mais moderada, acreditando que os Estados Unidos devam se voltar mais para os problemas internos
01:04e menos intervencionistas, que seria o J.D. Vance, a Tussa, a Garibaldi, entre outros,
01:10e uma ala que seria mais combativa, mais intervencionista, que seria a ala do Marco Rubio.
01:18E talvez esta moderação também reflita esta divisão dentro do governo americano, Evandro.
01:25Eu recebi uma mensagem aqui de um telespectador dizendo que ela andou tendo aulas com Valdemar Costa Neto,
01:30pelas respostas muito, digamos...
01:33Evasivas.
01:34Fala, Lucas, como é que você avalia?
01:37Eu concordo com o Gani, ao mesmo tempo que eu acho que o Trump tem um método de negociação muito próprio dele,
01:44que vem da história dele enquanto empresário.
01:46Ele sempre foi um negociador agressivo, que em meio àquele caos que muitas vezes ele próprio estabelece,
01:54ele consegue criar um ambiente favorável para os negócios dele.
01:57A gente não precisa esperar que isso venha de todos os integrantes do governo Trump.
02:02Mas é interessante que ele tem, sim, um interesse um pouco mais imperial,
02:07para usar essa palavra interessante, que muitas vezes usam para criticar os Estados Unidos,
02:11mas é a postura que eles vêm adotando, do que outros presidentes americanos que vieram antes dele.
02:18O interesse do Trump é entrar para a história como um presidente que mudou permanentemente o status quo do mundo,
02:25mudou a lógica global.
02:27E ele faz isso por meio, sim, de agressividade.
02:30Fala, Piper, no arremate.
02:32Eu acho que o Lucas usou a palavra correta, imperial.
02:35Então ele tem, sim, esse desejo de agir como um imperador do mundo.
02:40Só que, por outro lado, ele não é também o personagem mais corajoso do mundo.
02:46Ele provoca, ele sabe que ele está à frente do país mais forte.
02:49Só que, na quarta-feira, para pegar um exemplo recente, a gente discutia aqui a reação europeia
02:57em relação a essa última ameaça mais recente, ameaças de nova tarifação.
03:03Então a Europa falou, ah é, então agora eu também vou tarifar, vou punir na mesma medida.
03:09E a partir dessa reação europeia, houve um recuo dele.
03:13Então, também tem sido muito comuns recuos a partir do tom que ele identifica que parte do outro lado.
03:24Se o negociador do outro lado fraquejar, ele arranca tudo.
03:29Se o negociador do outro lado também resolver jogar duro,
03:35aí ele atenua e parte para a negociação, como, aliás, ele já fez, inclusive com o Brasil.
03:40Ô, Gani, agora, você entende que há um esforço muito grande daqueles que estão abaixo de Donald Trump
03:47de resolverem a situação enquanto o presidente vai bagunçando tudo com o discurso?
03:53E há essa possibilidade de resolver depois de discursos tão duros quanto os que são feitos pelo presidente norte-americano?
04:00É lógico que fica muito mais complicado, né?
04:03Porque é a sinalização da força maior do país, o presidente da república, né?
04:10Então, depois, colocar ali panos quentes, partir para a negociação, fica mais complicado.
04:15Mas eu vejo, sim, que há um esforço, mas não de toda a administração.
04:21Então, por exemplo, se você pegar o Scott Bassett, tudo bem que eles estão em funções diferentes,
04:26mas a fala do Scott Bassett, né, secretário do Tesouro,
04:30é bem diferente o modo, né, de falar em relação ao secretário de defesa, que seria o Rubio.
04:37Então, eles têm posturas bem diferentes.
04:40E se a gente analisar também, por exemplo, o diretor da CIA e a chefe de inteligência, que é a Tulsa Garibaldi,
04:47aliás, inclusive, ela nem ficou, aparentemente, ela nem ficou sabendo da intervenção na Venezuela,
04:51veja, a chefe de inteligência.
04:53Então, mostra que essa hipótese de ocorrer uma divisão de para onde deve ir o governo Donald Trump
05:01em relação à política externa, ela é bem plausível pela própria postura dos políticos
05:09e da administração do segundo escalão do governo Trump.
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