00:00A promessa de Lula de acabar com a fila do INSS, feita ainda durante a época de campanha,
00:07não será cumprida em sua gestão.
00:09Durante os três anos de mandato, até aqui, o chefe do Executivo triplicou a fila de pessoas
00:15que esperam atendimento, passando de 1 milhão em 2023 para 3 milhões em 2025.
00:22A área mais crítica está nas perícias, onde mais de 1,2 milhão de pessoas aguardam atendimento.
00:29Mesmo diante do escândalo do roubo dos aposentados, o governo atribui o aumento da fila
00:35a fatores como mudanças na legislação, ampliação do acesso a benefícios assistenciais
00:40e ao envelhecimento da população.
00:44Devido a essa triplicação da fila, o Ministério Público ordenou a abertura de investigação
00:49para apurar a lentidão do INSS.
00:52Deixa eu chamar o Roberto Mota, porque quando a gente fala de atraso na prestação de serviço
00:58no INSS, a gente está falando de atraso na prestação de serviço para quem mais precisa.
01:04Se a gente pega o recorte ainda na área de perícias, a gente está falando de pessoas doentes,
01:09pessoas que não conseguem trabalhar, pessoas que às vezes estão acamadas,
01:13às vezes estão acidentadas e não conseguem um benefício básico
01:17depois de contribuir, às vezes por anos, décadas, com o INSS.
01:23Fila para pagar existe. Eu quero ver ter fila para cobrar, Mota.
01:26Você já viu fila do leão? Não tem.
01:29Fila da execução fiscal? Não tem.
01:31Mas fila do INSS para pagar aos mais necessitados, essa triplicou.
01:37Eu levei um susto aqui, Koba.
01:41Eu achei que você ia dizer que o governo tinha atribuído esses problemas
01:45às mudanças climáticas.
01:47Você falou mudanças de legislação, né?
01:49Mas por um momento eu levei um susto aqui.
01:52Vai ver que seguindo aquele raciocínio do comentário anterior,
01:56quanto maior a fila, mais competente é o governo.
02:01É um raciocínio exatamente igual àquele anterior.
02:06É difícil a gente avaliar o que está acontecendo
02:10numa máquina burocrática como essa do INSS.
02:14A única coisa clara é que o atual governo, na campanha eleitoral,
02:19disse que ia reduzir a fila e aconteceu justamente o oposto.
02:25Mas eu acho que é justo a gente dizer que
02:28o grande problema é ter essa quantidade de gente
02:33dependendo de auxílio do governo.
02:36É uma tristeza muito grande a gente ver isso.
02:40E com o envelhecimento da população
02:43vai haver cada vez mais pessoas
02:46usufruindo de benefícios
02:49e cada vez menos gente pagando imposto
02:54para bancar esse custo.
02:55Então, uma coisa a gente pode saber com certeza.
03:00O desastre é garantido.
03:02E você, Diego Tavares, quer a sua análise também?
03:05Porque essa situação da fila do INSS
03:08se soma ao escândalo do INSS.
03:10A gente tem aqueles que já são aposentados,
03:12já são pensionistas, já são beneficiários
03:15de algumas licenças que a gente tem
03:17como benefícios previdenciários que foram roubados.
03:19E os outros não têm nem esse privilégio de ser roubados
03:21porque não conseguem nem acessar o benefício que tem direito.
03:26Exatamente, Kobayashi.
03:27Isso mostra que a questão não é meramente financeira.
03:30É também uma questão estrutural.
03:33Isso porque a nossa Previdência
03:35ela se edifica sobre um modelo
03:36que o Brasil não comporta mais.
03:38Isso é evidente.
03:40Reformamos a Previdência no primeiro ano
03:42do governo Bolsonaro.
03:43E hoje já especula-se que está próxima,
03:45uma próxima reforma da nossa Previdência.
03:48porque também, sob o ponto de vista financeiro,
03:50ela não sustenta.
03:51O brasileiro está vivendo muito mais tempo.
03:54A informalidade no país ainda é muito grande,
03:56cerca de 50%.
03:58Ou seja, a nossa pirâmide
04:00ela está ficando muito maior
04:02na ponta do que na base
04:04e a base que deve sustentar essa ponta
04:06não está contribuindo.
04:08É por isso que o que nós precisávamos rever aqui
04:09não é a questão de tempo,
04:12não é a questão de quem faz jus e quem não faz,
04:14a quantidade de benefícios existentes.
04:16nós precisávamos ver a estrutura do sistema.
04:19Os sistemas mais bem-sucedidos no mundo,
04:21o sistema alemão, sistema norueguês,
04:23são sistemas híbridos
04:24que eles somam o sistema de Previdência Pública
04:28transpassado, como o que nós temos aqui,
04:30com um sistema particular,
04:32um sistema no qual o próprio contribuinte
04:35faz a sua conta,
04:36às vezes com uma capitalização,
04:38às vezes com um investimento
04:40ou compulsório ou facultativo,
04:43mas o fato é que esses modelos
04:45são modelos mais perenes.
04:47Então, nós precisamos mudar a lógica
04:48que ao invés de sucessivas reformas
04:51para conseguir fazer esse modelo desajeitado
04:53para em pé,
04:54de repente pensar em um novo modelo
04:56para a nossa Previdência.
04:57E claro, estruturar,
04:59sob o ponto de vista da governança,
05:00de uma forma muito mais eficiente,
05:02porque o escândalo do INSS
05:04prova que o dinheiro que se destina
05:06aos nossos aposentados
05:07está completamente desprotegido.
05:09E como consequência,
05:11também os nossos aposentados,
05:12no momento em que mais precisam do Estado,
05:15estão desprotegidos.
05:16Bruno Musa,
05:18em ano eleitoral,
05:193 milhões de pessoas fazem diferença,
05:21isso precisaria ser bem observado.
05:24A gente pega o resultado da última eleição,
05:263 milhões de pessoas poderiam ter ali
05:28definido a reta final da campanha.
05:32Sim, e o mais importante disso tudo, Cobar,
05:36não é o crescimento expressivo
05:37de 41% frente ao que tinha
05:39no pico do governo anterior, tá?
05:42Você consegue encontrar facilmente,
05:44em matérias de jornal de grande circulação,
05:47quando o presidente Lula falou,
05:49ainda em 2022,
05:50que a fila do INSS do governo anterior
05:53era de 5 milhões de pessoas,
05:55quando o pico atingiu 2 milhões de pessoas
05:57no auge da pandemia.
05:59Então esses números,
06:00eles estão distorcidos
06:01e hoje está batendo,
06:02como você muito bem falou,
06:033 milhões.
06:04O próprio governo assumiu,
06:06há um tempo atrás,
06:07nós estamos falando em 2000,
06:09final do ano passado,
06:11que o governo estimou o rombo da Previdência
06:13de 30 trilhões de reais
06:16no ano de 2100.
06:17O PIB do Brasil hoje
06:19está por volta de 12 trilhões,
06:20claro que nós estamos falando até 2100,
06:22mas isso é simplesmente
06:23impossível de ser pago essa conta.
06:26E aqui tem uma questão básica,
06:28a questão básica é que o governo
06:29gasta mais do que pode,
06:31não tem a menor intenção
06:32em reduzir gastos,
06:33e mais,
06:34a demografia brasileira,
06:36a partir de 2070,
06:38ela inverte,
06:39ou seja,
06:39nasce menos pessoas
06:41e envelhecem mais pessoas.
06:43Significa que hoje
06:44cada mulher já tem 1,6
06:46filhos de média.
06:48Para você manter a população,
06:49você precisa ter dois.
06:50Isso significa que daqui a pouco
06:52a matemática é simples,
06:53menos pessoas contribuindo
06:55para o sistema
06:55do que vivendo dele.
06:57Então o caminho,
06:58ele é um só.
06:59O caminho é,
07:00ele precisa ser reformado,
07:01ou então as regras
07:03continuam sendo alteradas
07:04para desvalorizar a moeda
07:06e cada vez mais
07:07os benefícios serem menores
07:09para as pessoas,
07:09porque o sistema
07:10não fecha a conta.
07:12Hoje,
07:12a Previdência,
07:13como já tem um déficit
07:14de 400 bilhões de reais,
07:17estão falando que isso
07:17atingirá,
07:18segundo o cálculo do governo,
07:20que sempre
07:20subestima os cálculos,
07:22em 30 trilhões de reais
07:24em 2100.
07:25E tem um ponto importante
07:26também a ser mencionado aqui.
07:27o benefício de prestação
07:30continuada,
07:31ele vem crescendo também
07:33e 15% em novembro
07:36do que foi pago
07:37de benefício de prestação
07:38continuada,
07:40teve a ver com o benefício
07:41judicializado,
07:43o que cresce o custo
07:44também em toda essa estrutura.
07:45Mas o rombo do NSS,
07:48o crescimento do PPC,
07:49o crescimento do Bolsa Família,
07:52torna o orçamento
07:52simplesmente uma peça de ficção.
07:54Ou seja,
07:55os gastos aprovados
07:56de 6 trilhões e meio
07:57para esse ano
07:58é mais uma peça de ficção
07:59onde o déficit
08:00se concretizará
08:02mais uma vez.
08:03Então,
08:03depender do governo
08:05para você
08:06ter a tua Previdência
08:07lá na frente,
08:08olha,
08:09é um risco bastante grande
08:10que cada um toma.
08:11Tem uma informação
08:12que você trouxe aí,
08:12Bruno Musa,
08:13que eu vou passar para o Mota,
08:14que é o pulo do gato.
08:16Você falou que cresceu
08:17o BPC,
08:18Benefício de Prestação Continuada,
08:20que é um benefício
08:21que está no LOAS,
08:22a lei da...
08:23da Seguridade Social,
08:26enfim.
08:26Você sabe para quem
08:27que é esse BPC
08:28o Benefício de Prestação Continuada?
08:30São para pessoas
08:31em situação de miserabilidade.
08:33Estou falando de pobreza, não.
08:34Estou falando de abaixo
08:35da linha da pobreza.
08:37Miserabilidade.
08:38A lei fala que são pessoas
08:39que per capita
08:40dentro da sua casa,
08:41ali por cabeça,
08:42não recebem sequer
08:43um quarto de salário mínimo.
08:44Aí eu quero te repassar
08:46essa situação,
08:47ô Mota.
08:48Como é que a gente
08:49está vendo
08:49a situação da miserabilidade
08:52de aumentar?
08:53A gente não tinha acabado
08:54com a pobreza?
08:55Como é que as pessoas
08:56agora estão procurando
08:57mais o benefício
08:58para quem é miserável
09:00na situação econômica?
09:02Pois é,
09:03uma boa pergunta,
09:04porque desde 1994,
09:07com exceção de quatro anos,
09:11o Brasil é governado
09:12pela esquerda.
09:13Primeiro pelos
09:13social-democratas
09:16e depois pela esquerda
09:18linha dura.
09:19Desde 2003,
09:21é o mesmo partido
09:22que está no poder,
09:24que começou lançando
09:25o Fome Zero,
09:26vamos acabar com a fome.
09:28E são sempre variações
09:30dos mesmos temas.
09:32quando a gente vê
09:34na rua
09:36jovens,
09:38muitas vezes
09:38a gente vê jovens
09:40em situação de rua,
09:42uma expressão odiosa,
09:44uma expressão terrível,
09:45que não existe ninguém
09:45em situação de rua,
09:47assim como não existe
09:48pessoas em situação
09:49de casa.
09:50Você tem gente
09:50pedindo esmola,
09:51assaltando,
09:52você tem pessoas
09:53com problemas mentais,
09:55você tem pessoas
09:56dependentes de drogas,
09:57e muitas vezes
09:58a gente vê
09:59nas ruas
10:00fazendo coisas
10:01indevidas jovens
10:02de 16, 17, 18 anos.
10:06Esses jovens
10:07não conheceram
10:08na maior parte
10:09da sua vida
10:09nenhum outro regime
10:10no Brasil
10:11que não fosse
10:12um governo de esquerda.
10:14E o resultado está aí,
10:15continua-se repetindo
10:17as mesmas palavras-chave.
10:19Por que
10:20ainda temos pobres
10:22no Brasil
10:23se nós temos políticos
10:24tão preocupados
10:26com a pobreza?
10:28Uma resposta possível
10:29é que eles não estão
10:29preocupados com a pobreza
10:31coisa nenhuma.
10:32A pobreza interessa
10:33a eles
10:33porque dá pra eles
10:35o único argumento
10:37eleitoral,
10:38que é ficar repetindo
10:39as mesmas coisas.
10:40Uma segunda razão
10:41é que eles não entendem
10:42nada de combate
10:44à pobreza.
10:45Se entendessem,
10:46não seriam esquerdistas.
10:47Porque o único
10:49remédio
10:50que funciona
10:51pra tirar
10:52os países
10:53da pobreza
10:54e colocá-los
10:55numa situação
10:55de desenvolvimento
10:57é liberdade
10:58econômica.
10:59é você tirar
11:00as barreiras
11:01pra quem quer
11:02produzir
11:03e trabalhar.
11:04E a ocupação
11:05principal
11:06do Estado
11:07no Brasil
11:08é colocar barreiras,
11:10criar problemas
11:11e dificuldades
11:12pra quem quer
11:13trabalhar
11:13e produzir.
11:14A gente precisa
11:15lembrar
11:15do que disse
11:17uma vez
11:17Margaret Thatcher.
11:19Ela disse o seguinte,
11:20a sociedade
11:20tem que ter
11:21uma escada
11:23e uma rede.
11:25A escada
11:26é pra deixar
11:27que as pessoas
11:27evoluam,
11:30cuidem
11:30da sua própria
11:31vida,
11:32melhorem de vida,
11:33fiquem mais ricas,
11:34mais prósperas.
11:36E a rede
11:36é pra impedir
11:38as pessoas
11:39de caírem
11:39num buraco
11:40por eventualidade
11:42da vida.
11:43Essa rede,
11:44Cuba,
11:44não é pra criar
11:45uma classe
11:47de pessoas
11:48dependentes
11:49do Estado
11:50que trocam
11:51o seu voto
11:53por uma esmolinha
11:54do papai-estado.
11:56Mas é justamente
11:57esse o projeto
11:58de um grande
12:00número de políticos
12:01no Brasil.
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