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A nova rodada de tarifas dos EUA atinge 80% dos produtos do agro brasileiro exportados para o país. Carne, frutas, pescados e café estão entre os mais afetados. Marcos Jank, do Insper Agro Global, e os analistas Alberto Ajzental e Vinicius Torres Freire detalham os riscos e as possíveis saídas para manter mercados e proteger pequenos produtores.

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Transcrição
00:00Nós falamos agora sobre os impactos do tarifácio de Donald Trump para o agronegócio.
00:05Eu vou conversar com o Marcos Yank, que é coordenador do Centro Insper Agro Global.
00:13Boa noite para você, Marcos. Seja muito bem-vindo ao Jornal Times Brasil.
00:17Boa noite, Marcelo. É um prazer estar com vocês aqui falando sobre esse assunto tão importante na véspera do tarifácio.
00:24Exatamente. Alguns produtos do agro conseguiram se isentar, como é o caso do suco de laranja.
00:29O café não conseguiu, mas acredita-se que seja fácil redirecionar o café para outros países.
00:35Mas alguns setores são mais sensíveis. O que mais te preocupa no agro?
00:40Bom, primeiro, os setores que conseguiram se liberar, eles representam 20% das exportações brasileiras do agro para os Estados Unidos.
00:50Nós estamos falando de 12 bilhões de dólares de exportação.
00:54Isso é mais ou menos 25% do que o Brasil exporta para os Estados Unidos.
00:57E esses produtos são 20% do agro.
01:00É basicamente a celulose e o suco de laranja, que são produtos que têm interesses americanos,
01:06empresas americanas muito fortes, que fizeram muita pressão para que eles não entrassem nessa lista lá do tarifácio.
01:14Agora, tem outros produtos ainda muito importantes que ficaram de fora.
01:17Um deles é o café, que os Estados Unidos não produzem, não tem nenhuma razão para eles estarem realmente protegendo o café.
01:26A gente espera que o café e outros produtos tropicais, como as frutas tropicais, possam entrar numa próxima lista,
01:32porque eles não são produzidos lá.
01:34E tem outros que são mais complicados, que é o caso da carne bovina.
01:37Hoje, o segundo maior mercado do Brasil em carne bovina é Estados Unidos, depois da China.
01:43E vem crescendo muito esse mercado, porque a carne bovina no italiano está numa crise histórica de abates.
01:51Eles estão no menor nível de abates dos últimos 70 anos.
01:55Então, eles precisam de carne de outros países.
01:57Eles dependem muito da Austrália, do Canadá, do México.
01:59Mas o Brasil tem feito um papel muito importante na carne tipo indústria.
02:04E realmente esse produto não entrou.
02:06Tem também etanol, açúcar, frutas, que eu já falei, fumo, pescados, produtos alimentícios.
02:14Enfim, tem vários produtos que vão entrar nas listas lá do tarifácio.
02:18Então, eu acho que agora é hora de conversar.
02:20É hora de realmente estar presente lá em Washington.
02:23Coisa que a gente não fez nos últimos tempos.
02:26Desde lá do começo desse governo, eu acho que agora a gente tem que estar mais presente como governo e como setor privado.
02:34A gente viu um aumento muito expressivo da exportação de carne para o México.
02:38Obviamente, não é algo que supre essa falta de mercado americano se a tarifa de 50% continuar.
02:44Mas mostra que o Brasil consegue, de repente, abrir novos mercados aí
02:48ou ampliar a venda também para outros países que já compram da gente, não?
02:51É, e também, tradicionalmente, como sempre houve um mercado aberto entre México, Canadá e Estados Unidos.
03:00Aliás, o nafta tem mais de 30 anos, né?
03:03E é um absurdo agora o que está acontecendo, esse fechamento, porque é um bloco super consolidado, como é o bloco europeu.
03:10E, na verdade, o México exporta carne para os Estados Unidos, inclusive exporta boi em pé, uma série de coisas.
03:17É uma fronteira muito grande, né?
03:20Então, nós estamos aprovisionando o México com carne bovina e eles exportam para os Estados Unidos em condições normais.
03:30É claro que eles também ainda estão sob ameaça de tarifas mais altas, mas, na verdade, bem mais baixas do que as que estão sendo aplicadas sobre o Brasil.
03:40Agora, a gente vai para uma pergunta do Vinícius Torres Freire.
03:44Marcos, boa noite.
03:46Tem problema à vontade aí nessa pauta de negociação, mas eu queria voltar a falar do problema do café,
03:52que é, como se diz, um despaltério, porque os Estados Unidos não produzem café,
03:56e a gente abastece o mercado americano, quer dizer, com 30% das importações dele.
04:00Um problema desse tamanho tem como ser driblado?
04:04Por exemplo, existe alguma possibilidade de que terceiros países abasteçam os Estados Unidos e a gente ocupe outros mercados?
04:12É claro que tem esse problema de variedades do café ou não.
04:16Por exemplo, agora, existe algum jeito de os Estados Unidos e o Brasil saírem disso?
04:20Um perdendo, tendo que pagar mais ou ficando sem produto, e o outro ficando sem comprador?
04:25Fora a negociação, existe uma possibilidade de triangulação?
04:33Não, eu acho que tem sim.
04:34Eu acho que, em primeiro lugar, o café, a gente tem vários novos mercados importantes, principalmente na Ásia.
04:40A Ásia sempre foi um continente de chá, mas com a urbanização, com o crescimento da renda per capita,
04:48com a vida mais agitada, eles têm migrado para café.
04:52E você veja que a China abriu 185 fabricantes aqui do Brasil.
04:58Então, eles ainda estão consumindo muito menos do que os Estados Unidos,
05:03mas tem um potencial em todos aqueles países.
05:06Eles podem comprar café da Colômbia, da África, de outros lugares,
05:09mas não vão conseguir os volumes e os preços que o Brasil pratica.
05:14Então, eu acho que, para eles também, isso é bastante complicado.
05:19Eu soube que a Starbucks e que o McDonald's estão fazendo uma grande pressão
05:24para que esses produtos, para que o café entre, entre lá com tarifa baixa.
05:29Eu acho que esse assunto é mais fácil de se resolver do que os outros produtos que eu falei antes.
05:33Porque, realmente, eles não produzem e nós somos 30%.
05:37No suco de laranja, nós éramos 70%.
05:40Portanto, tanto café como suco são, digamos, os dois produtos
05:44aonde nós somos mais importantes na pauta de importações dos Estados Unidos.
05:49Tem mais um ponto, Vinícius, que eu acho que é super importante desse processo,
05:53que não se trata só de olhar quanto que a gente vai perder de mercado nos Estados Unidos.
05:59Tem um outro ângulo muito importante para a gente olhar,
06:01que é o que vai sair dos acordos que os Estados Unidos estão fazendo com a Europa,
06:05com o Japão, com o China, com o Vietnã, com a Indonésia,
06:09que são, esses sim, mercados muito mais importantes do que os Estados Unidos para o agro,
06:15principalmente a China.
06:16Então, a gente tem que ficar muito atento se, nesses acordos que estão sendo feitos agora,
06:22que ele falou, inclusive, nessa última entrevista lá para vocês,
06:27o que vai haver em termos de acesso preferencial para os Estados Unidos
06:32naqueles mercados que podem afetar o nosso acesso.
06:37Agora, vamos para uma pergunta do Alberto Azental.
06:40Marcos, boa noite.
06:42A gente fala muito desses grandes exportadores para os Estados Unidos,
06:48que carne, suco de laranja, café, celulose,
06:54que podem, eventualmente, representam para o país como um todo.
06:58Mas eu queria olhar por um outro lado, e o que eu quero te perguntar,
07:04e aqueles exportadores pequenos, mais nichados,
07:10e que têm uma parcela grande de sua exportação para os Estados Unidos,
07:16que, se tiverem um problema, não é um problema do país,
07:19mas essas empresas em si correm o risco de quebrar.
07:24quem são eles? Que produtos são esses que estão, eventualmente, no teu radar?
07:30Ora, vários desses produtos têm muito pequeno produtor.
07:34Por exemplo, é o caso lá do café, né?
07:37Porque você tem grandes cooperativas, mas elas são formadas por milhares de pequenos produtores.
07:43Também é o caso das frutas, que é um caso bastante dramático, né?
07:49Porque a gente também tem muitos pequenos produtores,
07:52e, na verdade, é um produto muito perecível.
07:55Então, é bastante complicado o que vai acontecer,
07:59já que frutas hoje a gente exporta basicamente para os Estados Unidos e para a Europa.
08:04Tem o caso lá do pescado, que acabou de conseguir mercado lá nos Estados Unidos,
08:08lá com bons contratos.
08:09também muitos pequenos produtores, né?
08:12Você tem o caso lá da tilápia, lá nos Estados do Sul, né?
08:17Que são formados por agricultores familiares.
08:20Eu acho que esses produtos todos, seja o caso do açúcar,
08:24seja o caso das frutas e lá dos pescados,
08:28e mesmo da carne bovina,
08:30tem uma quantidade enorme de pequenos produtores.
08:32Então, vai ter um impacto, sim,
08:34mas é aquilo lá que eu falei,
08:38que a gente tem que se preocupar não só com acesso aos Estados Unidos,
08:43lembrando que os Estados Unidos representam 6% da exportação do agro-brasileiro,
08:47ele não é muito significativo, né?
08:50Hoje a gente vende 12 bilhões para eles,
08:52e a gente exporta 170, que é o total, para o mundo.
08:56Mas essa guerra comercial, ela muda as regras, né?
09:01Tudo aquilo que foi acordado de regras,
09:03em termos de ter tarifas consolidadas na Organização Mundial de Comércio,
09:09tinha uma regra, por exemplo,
09:11que chama Nação Mais Favorecida,
09:13que estabelecia que se um país abaixasse a sua tarifa
09:15para um dos membros da MC,
09:17ele teria que abaixar para todos os outros, né?
09:20Havia regras sobre blocos econômicos.
09:22Tudo isso agora não está valendo, está valendo a lei das selvas, né?
09:27A lei lá do mais forte, né?
09:30Inclusive com uma mistura de agendas absurda, né?
09:33Onde entra a migração, entra a questão político-ideológica, né?
09:38Um monte de outras agendas fazendo parte disso,
09:41e isso pode ter, sim, grandes impactos para aqueles que exportam.
09:45O agro representa 50% das exportações do país,
09:49obviamente ele vai ser afetado,
09:50e isso afeta também pequenos produtores.
09:54Marcos Yanck, coordenador do Centro INSPER AgroGlobal,
09:58muito obrigado pela sua participação e boa noite.
10:01Muito obrigado, sempre à disposição de vocês e dos telespectadores.
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