- há 9 meses
- #jovempan
Um paciente teorizou que acelerar o coração no treino encurtaria a vida. A cardiologista Dra. Milena Curiat explica no Papo Saudável por que o raciocínio é exatamente o oposto e como o repouso de quem treina é mais eficiente.
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00E para falar sobre a saúde do coração, eu recebo a cardiologista doutora Milena Curiati.
00:11Milena, superobrigado pela sua presença.
00:13Obrigada, Márcia. É um privilégio estar aqui conversando com você.
00:16Você que leva a saúde de uma forma tão real para a vida das pessoas,
00:20eu que tenho que agradecer pela oportunidade.
00:22Olha só, coração.
00:24Bom, eu lembro uma vez que eu fui atender um paciente e ele falou assim,
00:33Márcio, eu tenho uma teoria que o coração nasce programado para bater tantas vezes na vida.
00:43E que se eu fizer atividade física, eu vou gastar esses batimentos e eu vou morrer antes.
00:49Aí eu falei, gostei da sua teoria. Vamos fazer conto.
00:55Se durante 23 horas do dia, 23 horas e meia, meu coração bater 60 vezes por minuto,
01:04em meia hora, uma hora, ele bater 180 vezes por minuto, 150 vezes por minuto, estou exagerando aqui,
01:10ou seja, fazendo aquela atividade física, eu vou ter um tanto de batimento por dia.
01:15Se você não fizer atividade física, seu batimento de repouso vai ser 80, 90, 24 horas por dia.
01:23Ou seja, um sedentário acaba fazendo com que o coração bata muito mais vezes por minuto
01:29do que uma pessoa que faz atividade física.
01:33Uma das coisas que a atividade física faz é deixar o nosso coração mais preparado
01:40e eu queria entender um pouco desse benefício do movimento para o nosso coração.
01:45Ah, com certeza.
01:47A atividade física é assim, quando a gente fala em saúde do coração, ela vem em primeiro lugar.
01:53É impossível falar em saúde do coração sem falar ali numa atividade física como parte da estratégia
01:59do tratamento e da prevenção também.
02:02Quando o paciente, por exemplo, chega e deita para fazer o eletro durante a consulta,
02:08eu já falo para ele, você faz atividade física, né?
02:10Ou você tem uma memória de atividade física, percebo pela frequência, pelo eletro.
02:15E ele fala, como você sabe, doutora?
02:17E é perceptível.
02:19Muitos falam assim, atualmente eu não faço, mas eu tive uma adolescência com muita atividade física
02:25e ele guarda essa memória.
02:26Eu fui fazer a médica e falou assim, ser atleta.
02:29Eu falei, pô, com a minha idade, se eu for atleta, você está brincando.
02:31Mas já fui, mas faço atividade física.
02:33É, isso é perceptível mesmo, pela frequência, principalmente pela frequência.
02:38Agora tem, claro que a atividade física, ela vai proporcionar enormes benefícios para
02:43a saúde do nosso coração.
02:45Agora existem outros pontos ali de atenção e que a gente pode, enfim, no nosso dia a dia,
02:54ter hábitos que vão ajudar a saúde do coração.
02:58Aí eu vou fazer aqui algumas perguntas.
03:00A obesidade, por que ela é tão prejudicial para o coração?
03:06A obesidade, se a gente for falar em uma palavra, eu falaria inflamação.
03:10A obesidade, ela traz inflamação.
03:13E a inflamação, ela está ali na raiz de muitos problemas, inclusive dos problemas do coração e dos vasos.
03:20A terosclerose, por exemplo, que é a doença que entope as artérias e que leva ao infarto, ao AVC.
03:26Se você, de novo, for colocar em uma palavra, é inflamação.
03:29Então, a obesidade traz isso.
03:32Fora que ela vai trazer para o paciente também, para a pessoa, um estilo de vida diferente.
03:37A pessoa com a obesidade, ela vai fazer menos atividade física, ela vai procurar por alimentos piores.
03:44Então, é um conjunto.
03:46Mas é isso.
03:47E eu estava estudando bastante sobre sono em determinado momento da minha vida, né?
03:55E tem um médico que se chama Matthew Walker, um cara israelense e tal.
04:00E aí eu fui fazer um curso e ele falou o seguinte.
04:04Que pessoas que dormem menos de seis horas, comparadas com pessoas que dormem mais de sete horas, sete horas e meia.
04:12Essas pessoas que têm o hábito de dormir menos de seis horas, têm uma maior incidência de problemas cardíacos e AVC.
04:22E aí ele traz um estudo que foi feito em vários países.
04:25Não vou lembrar a quantidade de países, mas tipo oito países durante não sei quantos anos.
04:31Qual o dia de maior quantidade de infarto e o dia de menor quantidade de infarto?
04:40Foram vários países.
04:42E aí chegou o seguinte.
04:43O dia que você tem a mudança do horário de verão, que você ganha uma hora, é o dia que você tem menos problemas do coração.
04:52E o dia que você dorme menos, é o dia que tem mais.
04:57Claro, a gente está falando de um dia, mas qual a importância do sono para a saúde do coração?
05:02O sono é essencial.
05:03Essencial.
05:04Você sabe que o sono vai interferir, vai influenciar na pressão arterial, por exemplo.
05:11Então, recentemente, eu me lembro de uma paciente que mudou completamente a pressão arterial dela,
05:18inclusive tirando o remédio, porque ela mexeu no sono.
05:23Tem uma coisa que eu pergunto para os pacientes.
05:26Você ronca?
05:27E aí, geralmente, ele responde.
05:28Eu não sei, doutora.
05:29Então, pergunta para o seu marido, para a sua esposa, para quem dorme perto de você, se você ronca.
05:34E, às vezes, a resposta volta.
05:36Eu ronco.
05:37Eu ronco muito.
05:38Então, não é só a hora, o tempo de sono que importa.
05:40Qualidade.
05:41É a qualidade do sono.
05:43Se a pessoa ronca muito, ela pode desenvolver, ela pode ter ali a apneia do sono.
05:48E isso ser, por exemplo, a causa da pressão alta dela.
05:52E isso vai influenciar diretamente nas doenças do coração.
05:55Isso é muito direto.
05:57Agora, eu vou te colocar numa saia justa aqui.
06:00Tinha uma época que você ia no médico, ele falava assim,
06:05você tem que fazer três coisas para a saúde do seu coração.
06:08Você tem que fazer atividade física.
06:10Você tem que melhorar a sua alimentação, comer mais fibras, né?
06:14Diminuir a quantidade de gordura, de açúcar e tal.
06:18E beber uma taça de vinho por dia.
06:19Aí a pessoa voltava no ano seguinte, não fez atividade física, não melhorou a alimentação,
06:25mas já estava bebendo meia garrafa de vinho por dia.
06:28O vinho, durante muito tempo, teve até uma certa recomendação médica.
06:35E hoje isso meio que caiu.
06:37Queria que você falasse um pouco desse consumo do álcool e, eventualmente, do vinho em relação
06:41à saúde do coração.
06:42É uma saia justa mesmo, né?
06:46Vamos falar do vinho especificamente.
06:48Tem realmente alguns estudos, um maior, que mostrou que um consumo moderado ali,
06:53mas é moderado para pequeno mesmo, né?
06:57E também é diferente entre homens e mulheres.
07:00A quantidade que a mulher pode beber é diferente da do homem.
07:04Então, se ela tem ali uma ingestão de 100 ml por dia de um vinho,
07:10isso pode ser benéfico, né?
07:12Tem alguns estudos que mostraram benefício.
07:15Claro que a gente tem que avaliar as características individuais de cada pessoa.
07:20Mas, porque ele tem ali algumas questões anti-inflamatórias.
07:24A grande questão é que, geralmente, a pessoa não vai parar.
07:27Como você falou, ele não vai voltar tomando uma taça de vinho.
07:30A maior probabilidade é que ele volte tomando meia garrafa ou uma garrafa de vinho.
07:36E aí, isso, com certeza, é ruim para a saúde do coração, para a saúde cardiovascular.
07:41Porque eu nunca vou esquecer uma vez que uma pessoa chegou até mim, na minha clínica,
07:45e falou assim, olha, tomar vinho tem o mesmo benefício da atividade física.
07:49Eu falei, acabou tudo.
07:51Não dá nem para continuar.
07:52O coração é, eu falei, não é.
07:55E aí, quando você fala desse consumo bem moderado, tem duas observações que eu queria ver com você.
08:01Primeiro, qual o momento em que você está fazendo o consumo dessa bebida?
08:08Eu estou num momento confraternizando, num momento socializando, relaxando.
08:13Ou estou fazendo o consumo dessa bebida porque eu estou nervoso, porque eu quero dormir,
08:20e eu quero aduzir o sono.
08:21Eu acho que isso diz muito desse benefício moderado do álcool.
08:30Esse é um ponto.
08:32A outra coisa em relação a esse consumo do álcool,
08:37que além do momento em que você está bebendo esse álcool,
08:42que eu acho que é importante, você falou, a gente estava falando da dependência, né?
08:49Porque a pessoa começa com 100 ml, daqui a pouco 200.
08:56Não é remédio, né?
08:58Não é remédio.
08:59Mas muitas vezes ele é usado ali, ele é um antidepressivo, né?
09:03Entre aspas.
09:03Ele é um ansiolítico.
09:04Então, a pessoa chega de um dia muito intenso de trabalho, cheio de problema,
09:09e às vezes no álcool que ela vai dar aquela reduzida da ansiedade.
09:13Mas isso não é o melhor caminho.
09:16Porque ele também tem o álcool, e isso é individual, de novo.
09:24Tem pessoas que não podem beber nada de álcool.
09:26Para cada pessoa, isso vai ter um resultado, inclusive arritmias.
09:34Então, arritmias, aumento da pressão, aumento da dependência.
09:38Muitas vezes a gente passa a metabolizar o álcool também diferente.
09:42Eu tomava uma taça de vinho, duas taças com 30 anos.
09:46Hoje, se eu tomo, prejudica o meu sono.
09:48Eu sinto palpitação.
09:49E muitos desses estudos, assim, que relacionam a saúde do coração com o álcool,
09:57ele tem muito a ver com todo um estilo de vida, né?
09:59Então, quando você fala da região mediterrânea, por exemplo,
10:02você pega um baixo nível de estresse, uma maior atividade física,
10:08você tem uma alimentação muito mais saudável.
10:12Então, você tem outras variáveis que você, agregando ali um componente
10:16em determinada situação, você colhe esse benefício, né?
10:21É, exatamente, exatamente.
10:23Às vezes você vê um estudo numa determinada população,
10:27mas aquela população ingere muito menos carboidrato, por exemplo,
10:30tem menos obesidade, né?
10:32Tem menos horas de trabalho por dia.
10:35Tem muitas variáveis.
10:36Tem menos estresse, menos ansiedade.
10:38Então, são muitas variáveis.
10:39Mulheres, elas têm menos problemas de coração até entrar na menopausa.
10:48E ali, passou a menopausa ou durante a menopausa,
10:51aquilo começa a se igualar com o homem.
10:53Por que que isso acontece?
10:55É engraçado, né?
10:56Porque quando a gente fala em mulher, em doenças do coração,
11:00a gente pensa assim, ah, a mulher não é para ela as doenças do coração.
11:04A gente pensa no homem, né?
11:06Falou infarto, você pensa o quê?
11:07No homem.
11:08É, mas isso já não, isso não é verdade.
11:11Então, a mulher, ela tem realmente, durante grande parte da vida dela,
11:15um escudo natural, que é o estrogênio.
11:19O estrogênio, ele é um escudo mesmo que vai protegê-la das doenças cardiovasculares.
11:24Ele é um protetor da doença cardiovascular, do infarto, enfim.
11:29E aí, na hora que ela chega na transição menopausal e na menopausa,
11:33o que acontece?
11:33Esse estrogênio cai e ela perde essa proteção.
11:36Então, nessa transição e na menopausa, de fato,
11:40ela vai começar a desenvolver a aterosclerose, o entopimento das artérias,
11:45aumenta a pressão, aumenta o colesterol ruim,
11:47diminui o colesterol bom, aumenta o açúcar do sangue,
11:51aumenta aqui essa obesidade aqui, né?
11:53É, essa circunferência abdominal.
11:57Então, a mulher vai ali, depois, lá pelos seus 60 anos,
12:01ela vai subindo a incidência de infartos, de doenças cardiovasculares,
12:06arritmias, insuficiência cardíaca, e ela vai se igualando ao homem.
12:10E ela precisa se cuidar para que ela tenha ali um controle dessa situação.
12:16E dentro desses cuidados, né?
12:18A gente falou da atividade física, a gente falou de alimentação,
12:21falou do sono, de um consumo, se não zerado, moderado, do álcool.
12:26Mas você tocou num outro ponto aqui, que é o colesterol.
12:30Outro dia, eu estava...
12:33A internet, ela é um terreno fértil para divulgação de qualquer coisa.
12:38Então, você tem uma corrente enorme lá,
12:40metendo o pau em remédio que controle o colesterol,
12:43dizendo que as pessoas que mais vivem no mundo têm colesterol muito alto.
12:48E isso acaba sendo reproduzido muitas vezes,
12:51e as pessoas acabam tendo medo de medicação para controlar o colesterol.
12:56Qual a importância de ter um perfil lipídico,
12:59de você controlar esse colesterol para a saúde do nosso coração?
13:05O colesterol, que é o LDL, que é o colesterol ruim,
13:08ele vai ter metas ali.
13:10Então, cada pessoa tem a meta ideal para ela.
13:13Isso vai ser calculado durante, por exemplo, uma consulta médica,
13:16onde outras coisas serão levadas em consideração
13:19para a gente entender qual é o colesterol ideal para ela.
13:22Então, a pressão e algumas outras coisas...
13:24Se tem entupimento...
13:25Exatamente, se ela já tem alguma doença já estabelecida.
13:28Então, você provavelmente tem uma meta e eu tenho outra.
13:32E é importante manter dentro dessa meta, por quê?
13:36Porque os estudos, os grandes estudos confiáveis,
13:39eles mostram que se você está dentro daquela meta,
13:42você vai ter menos eventos cardiovasculares ao longo do tempo,
13:46menos predisposição aos eventos cardiovasculares.
13:49Então, ele é um fator de risco importantíssimo,
13:52é importante controlar.
13:53Nem sempre a gente vai precisar de medicação.
13:56Muitas vezes o estilo de vida resolve.
13:58Outras vezes a gente precisa.
14:00Talvez por uma predisposição genética,
14:02talvez pela chegada na menopausa que desregulou,
14:05colesterol ruim, enfim.
14:07Mas ele é essencial que esteja dentro do controle.
14:11Agora, você falou da mulher na menopausa.
14:14Aquelas mulheres que fazem reposição hormonal,
14:18elas conseguem manter esse fator protetor do estrogênio?
14:24É superinteressante a sua pergunta e superadequada, né?
14:28Pelo momento que a gente está vivendo de reposição hormonal.
14:31Porque a gente está num momento em que a reposição hormonal voltou,
14:34voltou em muitos momentos de forma segura.
14:37A gente sabe que algumas mulheres precisam da reposição hormonal,
14:41tem indicação de usar, principalmente para controle de sintomas.
14:45Então, se ela tem fogachos, aqueles calores, irritabilidade, as securas,
14:51ela provavelmente vai ter ali indicação para reposição hormonal.
14:55Só que a reposição hormonal, ela não protege dos eventos cardiovasculares.
15:01E ela não pode, nem deve ser usada para isso.
15:03Não é recomendado iniciar uma reposição hormonal pensando em reduzir o evento cardiovascular.
15:10Reposição hormonal é para controle de sintomas.
15:14E por outro lado, Márcio, superimportante,
15:16porque eu tenho muitas pacientes que não podem fazer reposição hormonal.
15:21Então, pacientes que já infartaram, pacientes que já tiveram AVC ou trombose,
15:25elas têm contraindicação a essa reposição hormonal.
15:27E isso não pode ser encarado como um fim de qualidade de vida,
15:33porque elas têm outras estratégias que não a reposição hormonal,
15:37e elas lidam muito bem com isso.
15:40Tem mulheres que se tornaram assintomáticas na hora que elas mudaram o estilo de vida,
15:45independente do uso de hormônios.
15:47Independente.
15:48E aí, explorando o uso de hormônios,
15:51Existe que hoje é chamado de um uso estético, recreativo de hormônio.
16:01Principalmente testosterona, hormônios que vão ajudar a ganhar muita massa muscular
16:06e diminuir a quantidade de gordura.
16:10E aí, você tem um efeito colateral em relação à saúde cardiovascular?
16:14Muito.
16:15É?
16:15Muito.
16:16É a velha busca pelos atalhos, né?
16:18Sim.
16:19Você ter resultados sem nenhum tipo de esforço, né?
16:22Toda vez que você tiver esse caminho, desconfia.
16:25O uso dos hormônios de forma inadequada, até mesmo qualquer reposição hormonal,
16:31se é feita pela via errada, na dosagem errada, sem indicação,
16:36sem checar se tem alguma contraindicação,
16:39ela pode ter efeitos catastróficos, né?
16:41Pressão alta, aumento do colesterol ruim, AVC, infarto causado por isso,
16:48dissecção de coronária.
16:50São tantos aqui.
16:52Insuficiência hepática, insuficiência renal.
16:54E a gente vê isso na prática.
16:56Isso chega até nós.
16:58Por isso que procurar um bom médico para ter esse acompanhamento, né?
17:02O duro é que hoje nem é fácil você distinguir ali o médico que...
17:08Você sabe o que eu acho que é importante hoje, assim, que eu percebo?
17:12Inclusive, quando eu sou paciente, eu acho que você precisa ter um médico, assim,
17:16que...
17:17Um médico para chamar de seu, sabe?
17:19Que ele cuide de você dessa forma, tenha esse comprometimento, conheça a sua história, né?
17:26Porque é diferente de...
17:27Quando você conhece a história do paciente, fica muito mais simples, né?
17:33Quando eu recebo um paciente, por exemplo, no consultório, um paciente que eu já conheço,
17:37quando eu vou buscar ele na recepção, muitas vezes eu já sei como ele está.
17:41Uma frase que ele fala, eu já sei se ele está bem ou não, entende?
17:45Então, acho que o que falta hoje muito, a medicina está muito fragmentada, então falta...
17:49Esse acolhimento, né?
17:50É, esse olhar para o todo, né?
17:53Porque, assim, vamos viver mais, né?
17:55Hoje a expectativa de vida é em torno de 76 anos para o homem, quase 80 para as mulheres no Brasil, né?
18:03Então, a gente vai viver mais e a gente precisa envelhecer de outra forma.
18:07E até acolher esse envelhecimento, aceitar, né?
18:11Olhar por outros ângulos da vida também.
18:13Com certeza, né?
18:14Você ter essa autoaceitação no envelhecimento.
18:17E o que eu sempre comento é como eu vou viver esses anos a mais.
18:22Eu acho que a gente nunca teve tanta oportunidade, tanta ferramenta
18:25de viver fazendo muita coisa, muito bem, com muita qualidade,
18:30por muito mais tempo que qualquer outra geração que já habitou esse planeta, né?
18:35Exato.
18:35E quando a gente chega lá e quando a gente conversa com pessoas, assim,
18:38que estão nos anos finais de vida, ou porque tem uma doença com prognóstico reservado,
18:43ou porque já está mais velho, o que elas querem mais, né?
18:49Elas querem coisas tão simples.
18:51É verdade.
18:51Pessoa muito estressada, muito nervosa, colérica, isso faz mal pro coração?
18:59Muito.
18:59Sério?
19:00Saúde mental e coração tem, assim, uma ligação direta.
19:03Pô, então vou ter que parar de assistir jogos do meu time.
19:07Mas sem neuroses, né?
19:08Eu acho que a gente precisa ter os prazeres da vida e os estresse da vida.
19:12A gente não vai ser calmo o tempo inteiro, né?
19:14A gente não vai ser feliz o tempo inteiro.
19:16A gente precisa saber modular isso também, né?
19:18Então, assim, você sabe que é tão importante que a sociedade europeia agora lançou recentemente
19:26uma diretriz de saúde mental e coração.
19:28Então, se você está muito estressado, muito raivoso, você vai aumentar ali cortisol, adrenalina,
19:34noradrenalina, que são hormônios, que são aqueles hormônios de fuga, né?
19:39E aí, o que eles fazem?
19:40Eles aumentam pressão, eles fazem a constrição das artérias.
19:45Então, é uma relação direta.
19:47Quando você é uma pessoa mais estressada, assim, colérica, enfim, isso ajuda o entupimento de artéria
19:55ou não tem essa relação?
19:56Isso ajuda o processo de inflamação da aterosclerose, da formação, sim, ajuda, né?
20:02Então, tanto que uma das estratégias de tratamento não medicamentoso é a busca por algum hobby,
20:12alguma coisa que você desacelera e que hoje é tão importante.
20:15Eu queria te falar, né? Hoje, num mundo tão conectado, cheio de informação, onde você é demandado o tempo inteiro,
20:23muitas vezes, você desacelerar, você buscar algum, seja um hobby, uma atividade física, qualquer coisa,
20:30para você não fazer nada, para você, né?
20:33Dar aquela acalmada, entrar no eixo.
20:36Pô, parece que é cada vez mais difícil.
20:38Parece impossível, né? Parece que a gente não pode não fazer nada.
20:41Hoje, você espera o elevador.
20:44Como que as pessoas esperam o elevador hoje?
20:47Checando mensagem, né?
20:49Nem dentro do elevador você tem mais paz.
20:51Você sabe que é muito doido isso, né?
20:53Você estava falando.
20:55Hoje, as pessoas, elas nunca estão sem fazer nada.
20:58Nunca.
20:59Antigamente, eu que sou mais velho, eu ia para o banco, se a fila demorasse 50 minutos, 50 minutos sem fazer nada.
21:08Exato.
21:09Não é?
21:09Olhando para a nuca do cara da frente.
21:11Márcio, quando a gente vai viajar com as crianças, eu tenho duas meninas, né?
21:15A gente, elas não têm celular, não têm dispositivos.
21:20E aí, a gente vai fazer uma viagem de quatro horas, né?
21:22Parece que é impossível você manter uma criança no carro sem fazer nada por quatro horas.
21:27Por que não?
21:28Olha para fora, né?
21:30Por que ela tem que estar conectada e com alguma coisa o tempo inteiro?
21:33Isso gera uma ansiedade, uma doença que eu acho que vem por aí uma grande epidemia.
Comentários