00:00As chamadas sete magníficas, grupo que inclui Apple, Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft, NVIDIA e Tesla.
00:07Esse grupo aí começou a soltar os seus balanços do segundo trimestre.
00:10Vamos conversar sobre esses resultados com o Arthur Igreja, que é especialista em tecnologia e inovação.
00:16Bom dia para você, Arthur. Seja bem-vindo ao Real Time.
00:20Olá, bom dia. Obrigado pelo convite.
00:23O Arthur, os investidores já torceram o nariz para os números da Tesla e também da Alphabet.
00:27O que mais que vem por aí?
00:30Olha, muitos começam a falar que é o fim das sete magníficas, esse termo que foi cunhado em 2023.
00:38Então, nós estamos vendo esse grupo se desgarrar, ele não tem mais uma unidade.
00:43Então, nós vimos essas ações subindo muito, elas ainda continuaram subindo ao longo de 2025.
00:50Se você pegar a média dessas sete empresas, nós estamos falando aí de 35%,
00:56mas com essa corrida da inteligência artificial, algumas desgarraram.
01:00Eu estou falando aqui de NVIDIA, da Meta e da Microsoft.
01:05Então, essas crescem muito mais do que as outras.
01:07Enquanto algumas empresas estão andando de lado, como é o caso da Alphabet, o Google,
01:13e o caso da Amazon, que tem apresentado um ligeiro crescimento,
01:17e algumas empresas que estão passando por dificuldades aí nos seus balanços,
01:22o caso da Tesla, que tem uma queda aí de mais de 18% nos últimos meses,
01:26e também o caso da Apple, que visivelmente está atrasada nessa corrida,
01:30e é uma empresa que sofre muito mais, porque nós estamos falando de uma empresa
01:34que é impactada diretamente pela estratégia abordada pela administração Trump
01:39em relação às tarifas, e com toda essa pressão para que a empresa encontre
01:44uma maneira de fabricar smartphones nos Estados Unidos.
01:48Então, é essa a grande expectativa, por isso que em relação a esse balanço,
01:54agora no mês de julho, alguns já começam a prever que teremos que encontrar
01:59ou uma nova nomenclatura, ou se nós não estamos começando a ver esse grupo se quebrar.
02:06A gente viu o Trump muito empenhado aí em atrair empresas de inteligência artificial,
02:12em aumentar financiamento para as empresas que já estão nos Estados Unidos.
02:15Eu queria que você falasse um pouco mais desse pacote aí de iniciativas
02:18e também de recomendações políticas que o Trump tem soltado para tornar os Estados Unidos
02:23ou consolidar os Estados Unidos como líder global nessa tecnologia.
02:28Olha, tem uma série de iniciativas, então, parte do crescimento das ações
02:32de todo esse grupo que eu mencionei tem a ver com esses atos, com esse tipo de incentivo,
02:40mas, volto a dizer, isso impacta essas sete empresas de uma forma que não é uniforme.
02:45Então, as empresas, sim, que estão ligadas à inteligência artificial acabaram se beneficiando mais.
02:51Nós tivemos um dos primeiros anúncios do governo Trump,
02:54foi aquele anúncio de mais de 500 bilhões de investimento conjunto em inteligência artificial.
03:00nós tivemos um verdadeiro crescimento, um crescimento muito grande nas ações,
03:06justamente porque o governo Trump, além de ter sido muito apoiado pela Big Tech,
03:10ele, de fato, está passando uma série de medidas que ajudam todo esse mercado,
03:15e não só o mercado de inteligência artificial, mas também outros segmentos
03:19que estão direto ou indiretamente ligados à tecnologia,
03:23como é o caso das criptomoedas, que estão passando aí também por uma mudança bastante grande,
03:27mas, mesmo dentro desse cenário, nós temos no grupo da SETI algumas que estão passando por complicações.
03:35A maior delas talvez seja o caso da Tesla.
03:37Nós assistimos àquela ruptura pública entre Musk e Trump,
03:42a retirada dos incentivos em grande parte da venda dos carros elétricos,
03:48e a Apple sendo pressionada.
03:50Precisamos lembrar que não faz muito tempo que o Trump,
03:54depois do encontro com o Tim Cook, CEO da Apple,
03:57ele falou que não estava gostando do que estava vendo da Apple.
04:01Então, sim, tem muita interferência justamente da administração Trump
04:06em todo esse framework, todo esse ambiente de negócio do mundo de tecnologia.
04:12Agora, falando em Tesla, a empresa vem perdendo muito terreno para a China,
04:15a igreja nos carros elétricos, e agora está apostando nos táxis robustos.
04:19Essa iniciativa, você vê futuro nela?
04:23Não só isso, a Tesla, inclusive, teve uma chamada pública do Elon Musk
04:28para falar sobre a estratégia da empresa,
04:30e também a Tesla já divulgou seus resultados,
04:33foram ligeiramente melhores do que a perspectiva,
04:36mas a perspectiva já não era otimista.
04:39A Tesla, de fato, teve um avanço nos últimos meses,
04:42recebeu autorização para começar a operar os seus robotáxis,
04:45que era uma promessa antiga do Musk.
04:47Ele ainda, em 2017, falava que eles conseguiriam isso muito rapidamente,
04:52e cá estamos em 2025, e a Tesla está começando seus testes
04:56em algumas cidades como Austin, no Texas.
04:59Teve um sucesso danado, porque a tarifa era fixa para a corrida,
05:03mas também enfrentou uma série de problemas,
05:05uma série de limitações técnicas.
05:07E, na verdade, nessa última chamada do Musk,
05:10ele fala que a Tesla está virando uma outra coisa.
05:13Ele fala que a empresa está apostando muito mais no seu robô,
05:17no Optimus, que nós tivemos aquelas apresentações
05:20muito faladas nos últimos tempos,
05:23mas ninguém sabe exatamente qual estágio atual do produto,
05:27e ele falou muito sobre inteligência artificial.
05:28Agora, a resposta do mercado não foi positiva.
05:31Então, parece, em alguma medida,
05:33que o mercado está ficando um pouco mais reticente
05:36em relação a esse ritmo de promessas que o Elon Musk sempre fez,
05:40justamente porque, nos últimos anos,
05:42nós não vimos entregas que justificaram isso.
05:45Então, a Tesla, por muito tempo, o que aconteceu?
05:48O Musk fazia esses anúncios, a ação subia,
05:51e é preciso também falar que a Tesla sempre foi negociada,
05:54no múltiplo, em relação aos seus resultados,
05:57extremamente esticado.
05:59Então, muita gente também já criticava isso,
06:02se perguntando por que a Tesla tinha esse privilégio
06:05de ser avaliada de uma forma tão diferente,
06:07até mesmo em relação às outras empresas de tecnologia.
06:10Então, o Musk fala que a empresa provavelmente não vai ficar dependente
06:14ou muito focada nesse mercado,
06:16e um dos motivos é exatamente o que você levantou,
06:18porque a concorrência chegou e chegou forte.
06:20Se a Tesla já foi um verdadeiro sinônimo de carro elétrico,
06:25possivelmente, se for feita uma pesquisa globalmente,
06:29eu tenho certeza que ela aparece no top of mind,
06:32mas ela deixou de ser esse sinônimo absoluto desse produto.
06:36Agora, o Brasil parece que está muito longe de ser protagonista
06:39da corrida da inteligência artificial.
06:41Você enxerga alguma maneira da gente se inserir um pouco
06:44nesse mercado trilionário?
06:47Olha, é complicado, porque tem empresas brasileiras
06:52que fazem uso da tecnologia e são cases globais,
06:55mas, para variar, nós temos uma participação muito pequena.
06:59Então, seja no tamanho dos investimentos,
07:02só para dar dimensão.
07:03Se nos Estados Unidos nós vimos aquele anúncio
07:06de mais de 500 bilhões no começo do ano,
07:09se nós trouxermos isso para o Brasil,
07:12o anúncio que foi feito pelo governo federal
07:14de investimentos em inteligência artificial
07:16não chegava a 10 milhões de reais.
07:18Então, quando nós olhamos a proporção da infraestrutura,
07:23o tamanho desses investimentos,
07:25verdadeiramente virou uma corrida trilionária.
07:29E eu não estou falando só pelo valuation de 4 trilhões,
07:32que a NVIDIA se torna a primeira empresa da história a atingir,
07:35mas realmente virou um jogo de dinheiro muito pesado,
07:38dinheiro de infraestrutura,
07:40dinheiro de contratação dos melhores profissionais do mundo,
07:43uma guerra entre Meta, OpenAI e outras empresas.
07:47Então, o Brasil se apresenta com o mercado consumidor.
07:51É muito parecido com o caso da internet.
07:53Certamente nós teremos empresas incríveis
07:55de inteligência artificial,
07:58mas que terão muita dificuldade para serem protagonistas globais.
08:02Eu espero estar errado.
08:03Tomara que nós tenhamos um caso que prove que eu estou errado.
08:07Mas o que eu quero dizer com isso?
08:08O mercado brasileiro é gigante.
08:09Nessa semana sai uma pesquisa mostrando
08:11que o Brasil é o terceiro país que mais usa o chat GPT
08:16no mundo inteiro.
08:17Então, só atrás dos Estados Unidos e Índia.
08:20O fato é que poucos países têm um mercado consumidor,
08:26um mercado potencial de mais de 200 milhões de pessoas.
08:29O Brasil é um país de renda média, baixa.
08:32Então, é um mercado importante,
08:33mas é que com muita dificuldade,
08:36em alguns casos, em alguns segmentos,
08:38como é o caso da Embraer e outros segmentos específicos,
08:41tem players globais.
08:43Mas, nesse caso, é uma corrida que acabou de começar,
08:47mas fato é que nós estamos,
08:49incrivelmente, já atrasados nela.
08:51O Brasil parece que está tentando comer pela beirada
08:53no seguinte sentido,
08:54de atrair investimento em infraestrutura,
08:56data centers, por exemplo.
08:57O governo parece que quer atrair para cá.
09:00Exato.
09:01Mas, uma vez mais, nós temos dificuldades.
09:03Então, no anúncio daquele plano
09:05para tentar atrair esses investimentos,
09:08foi lá mostrar uma projeção
09:10do quanto tudo isso poderia render,
09:12mas tem uma série de dificuldades.
09:14Por exemplo, estabelecer data centers no Brasil
09:16é um dos lugares mais caros do mundo.
09:18A tributação para trazer esses equipamentos,
09:21já que eles não são fabricados no Brasil,
09:23são hoje majoritariamente desenvolvidos
09:25por empresas americanas e chinesas,
09:28esses equipamentos chegam muito caros no Brasil.
09:31Então, tem todo aí um arcabouço tributário
09:34que precisa evoluir muito
09:35para que o mercado se torne atrativo.
09:37E, além disso, quando o papo é investimentos,
09:40como sempre,
09:42espera-se previsibilidade de longo prazo.
09:44Ou seja, questões como segurança jurídica
09:47e uma série de outros atributos
09:50são muito importantes.
09:51Então, nesse momento,
09:52o que fica muito evidente
09:54é que o que aconteceu nas últimas semanas
09:56com o Brasil entrando no radar global
09:58e não exatamente de uma forma positiva,
10:02os investidores que pensam em data centers,
10:05em infraestrutura,
10:05que normalmente são investimentos
10:07que eles dão retorno no médio e no longo prazo,
10:10eles acabam sendo afugentados.
10:12Eles acabam, no mínimo, esperando um pouco mais.
10:14Volto a dizer,
10:15o Brasil é um mercado superimportante,
10:17é o maior mercado da América Latina,
10:19é um mercado pujante,
10:21é um mercado muito digital.
10:23Os brasileiros, junto com os indianos,
10:25são early adopters,
10:26adotam muito rapidamente
10:28uma série de tecnologias
10:29e muitas delas são desenvolvidas no Brasil,
10:32mas temos a questão da moeda
10:34e temos toda essa questão
10:36de ambiente de negócios
10:37que acaba dificultando um pouco desse potencial.
10:40Só para fechar,
10:41nós temos um dos maiores potenciais
10:43para data center
10:44por uma razão muito simples.
10:46Eles devoram energia.
10:48Ontem mesmo,
10:49eu fiz uma publicação
10:50falando sobre
10:51o tanto que os data centers
10:53conforme a energia no mundo
10:54são, para dar a dimensão,
10:55122 gigawatts,
10:57a Itaipu gera 14,
10:59tem potencial de geração de 14.
11:01E no Brasil,
11:02nós temos uma matriz energética
11:03incrivelmente limpa e renovável,
11:06ou seja,
11:06nós temos grande parte dos ingredientes,
11:09mas falta o ambiente de negócio.
11:11Arthur Igreja,
11:12especialista em tecnologia e inovação,
11:14muito obrigado pela sua participação
11:16hoje aqui no Real Time,
11:17bom dia.
11:19Obrigado, bom dia.
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