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As chamadas “Sete Magníficas” — Apple, Alphabet (Google), Amazon, Meta, Microsoft, NVIDIA e Tesla — começaram a divulgar seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2025. O desempenho das empresas aponta para uma mudança no equilíbrio de forças dentro do grupo, segundo o especialista em tecnologia e inovação, Arthur Igreja.

De acordo com ele, o termo “Sete Magníficas”, criado em 2023, deixou de refletir uma realidade unificada. “Nós estamos vendo esse grupo se desgarrar, ele não tem mais uma unidade”, avaliou em entrevista ao Real Time, do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00As chamadas sete magníficas, grupo que inclui Apple, Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft, NVIDIA e Tesla.
00:07Esse grupo aí começou a soltar os seus balanços do segundo trimestre.
00:10Vamos conversar sobre esses resultados com o Arthur Igreja, que é especialista em tecnologia e inovação.
00:16Bom dia para você, Arthur. Seja bem-vindo ao Real Time.
00:20Olá, bom dia. Obrigado pelo convite.
00:23O Arthur, os investidores já torceram o nariz para os números da Tesla e também da Alphabet.
00:27O que mais que vem por aí?
00:30Olha, muitos começam a falar que é o fim das sete magníficas, esse termo que foi cunhado em 2023.
00:38Então, nós estamos vendo esse grupo se desgarrar, ele não tem mais uma unidade.
00:43Então, nós vimos essas ações subindo muito, elas ainda continuaram subindo ao longo de 2025.
00:50Se você pegar a média dessas sete empresas, nós estamos falando aí de 35%,
00:56mas com essa corrida da inteligência artificial, algumas desgarraram.
01:00Eu estou falando aqui de NVIDIA, da Meta e da Microsoft.
01:05Então, essas crescem muito mais do que as outras.
01:07Enquanto algumas empresas estão andando de lado, como é o caso da Alphabet, o Google,
01:13e o caso da Amazon, que tem apresentado um ligeiro crescimento,
01:17e algumas empresas que estão passando por dificuldades aí nos seus balanços,
01:22o caso da Tesla, que tem uma queda aí de mais de 18% nos últimos meses,
01:26e também o caso da Apple, que visivelmente está atrasada nessa corrida,
01:30e é uma empresa que sofre muito mais, porque nós estamos falando de uma empresa
01:34que é impactada diretamente pela estratégia abordada pela administração Trump
01:39em relação às tarifas, e com toda essa pressão para que a empresa encontre
01:44uma maneira de fabricar smartphones nos Estados Unidos.
01:48Então, é essa a grande expectativa, por isso que em relação a esse balanço,
01:54agora no mês de julho, alguns já começam a prever que teremos que encontrar
01:59ou uma nova nomenclatura, ou se nós não estamos começando a ver esse grupo se quebrar.
02:06A gente viu o Trump muito empenhado aí em atrair empresas de inteligência artificial,
02:12em aumentar financiamento para as empresas que já estão nos Estados Unidos.
02:15Eu queria que você falasse um pouco mais desse pacote aí de iniciativas
02:18e também de recomendações políticas que o Trump tem soltado para tornar os Estados Unidos
02:23ou consolidar os Estados Unidos como líder global nessa tecnologia.
02:28Olha, tem uma série de iniciativas, então, parte do crescimento das ações
02:32de todo esse grupo que eu mencionei tem a ver com esses atos, com esse tipo de incentivo,
02:40mas, volto a dizer, isso impacta essas sete empresas de uma forma que não é uniforme.
02:45Então, as empresas, sim, que estão ligadas à inteligência artificial acabaram se beneficiando mais.
02:51Nós tivemos um dos primeiros anúncios do governo Trump,
02:54foi aquele anúncio de mais de 500 bilhões de investimento conjunto em inteligência artificial.
03:00nós tivemos um verdadeiro crescimento, um crescimento muito grande nas ações,
03:06justamente porque o governo Trump, além de ter sido muito apoiado pela Big Tech,
03:10ele, de fato, está passando uma série de medidas que ajudam todo esse mercado,
03:15e não só o mercado de inteligência artificial, mas também outros segmentos
03:19que estão direto ou indiretamente ligados à tecnologia,
03:23como é o caso das criptomoedas, que estão passando aí também por uma mudança bastante grande,
03:27mas, mesmo dentro desse cenário, nós temos no grupo da SETI algumas que estão passando por complicações.
03:35A maior delas talvez seja o caso da Tesla.
03:37Nós assistimos àquela ruptura pública entre Musk e Trump,
03:42a retirada dos incentivos em grande parte da venda dos carros elétricos,
03:48e a Apple sendo pressionada.
03:50Precisamos lembrar que não faz muito tempo que o Trump,
03:54depois do encontro com o Tim Cook, CEO da Apple,
03:57ele falou que não estava gostando do que estava vendo da Apple.
04:01Então, sim, tem muita interferência justamente da administração Trump
04:06em todo esse framework, todo esse ambiente de negócio do mundo de tecnologia.
04:12Agora, falando em Tesla, a empresa vem perdendo muito terreno para a China,
04:15a igreja nos carros elétricos, e agora está apostando nos táxis robustos.
04:19Essa iniciativa, você vê futuro nela?
04:23Não só isso, a Tesla, inclusive, teve uma chamada pública do Elon Musk
04:28para falar sobre a estratégia da empresa,
04:30e também a Tesla já divulgou seus resultados,
04:33foram ligeiramente melhores do que a perspectiva,
04:36mas a perspectiva já não era otimista.
04:39A Tesla, de fato, teve um avanço nos últimos meses,
04:42recebeu autorização para começar a operar os seus robotáxis,
04:45que era uma promessa antiga do Musk.
04:47Ele ainda, em 2017, falava que eles conseguiriam isso muito rapidamente,
04:52e cá estamos em 2025, e a Tesla está começando seus testes
04:56em algumas cidades como Austin, no Texas.
04:59Teve um sucesso danado, porque a tarifa era fixa para a corrida,
05:03mas também enfrentou uma série de problemas,
05:05uma série de limitações técnicas.
05:07E, na verdade, nessa última chamada do Musk,
05:10ele fala que a Tesla está virando uma outra coisa.
05:13Ele fala que a empresa está apostando muito mais no seu robô,
05:17no Optimus, que nós tivemos aquelas apresentações
05:20muito faladas nos últimos tempos,
05:23mas ninguém sabe exatamente qual estágio atual do produto,
05:27e ele falou muito sobre inteligência artificial.
05:28Agora, a resposta do mercado não foi positiva.
05:31Então, parece, em alguma medida,
05:33que o mercado está ficando um pouco mais reticente
05:36em relação a esse ritmo de promessas que o Elon Musk sempre fez,
05:40justamente porque, nos últimos anos,
05:42nós não vimos entregas que justificaram isso.
05:45Então, a Tesla, por muito tempo, o que aconteceu?
05:48O Musk fazia esses anúncios, a ação subia,
05:51e é preciso também falar que a Tesla sempre foi negociada,
05:54no múltiplo, em relação aos seus resultados,
05:57extremamente esticado.
05:59Então, muita gente também já criticava isso,
06:02se perguntando por que a Tesla tinha esse privilégio
06:05de ser avaliada de uma forma tão diferente,
06:07até mesmo em relação às outras empresas de tecnologia.
06:10Então, o Musk fala que a empresa provavelmente não vai ficar dependente
06:14ou muito focada nesse mercado,
06:16e um dos motivos é exatamente o que você levantou,
06:18porque a concorrência chegou e chegou forte.
06:20Se a Tesla já foi um verdadeiro sinônimo de carro elétrico,
06:25possivelmente, se for feita uma pesquisa globalmente,
06:29eu tenho certeza que ela aparece no top of mind,
06:32mas ela deixou de ser esse sinônimo absoluto desse produto.
06:36Agora, o Brasil parece que está muito longe de ser protagonista
06:39da corrida da inteligência artificial.
06:41Você enxerga alguma maneira da gente se inserir um pouco
06:44nesse mercado trilionário?
06:47Olha, é complicado, porque tem empresas brasileiras
06:52que fazem uso da tecnologia e são cases globais,
06:55mas, para variar, nós temos uma participação muito pequena.
06:59Então, seja no tamanho dos investimentos,
07:02só para dar dimensão.
07:03Se nos Estados Unidos nós vimos aquele anúncio
07:06de mais de 500 bilhões no começo do ano,
07:09se nós trouxermos isso para o Brasil,
07:12o anúncio que foi feito pelo governo federal
07:14de investimentos em inteligência artificial
07:16não chegava a 10 milhões de reais.
07:18Então, quando nós olhamos a proporção da infraestrutura,
07:23o tamanho desses investimentos,
07:25verdadeiramente virou uma corrida trilionária.
07:29E eu não estou falando só pelo valuation de 4 trilhões,
07:32que a NVIDIA se torna a primeira empresa da história a atingir,
07:35mas realmente virou um jogo de dinheiro muito pesado,
07:38dinheiro de infraestrutura,
07:40dinheiro de contratação dos melhores profissionais do mundo,
07:43uma guerra entre Meta, OpenAI e outras empresas.
07:47Então, o Brasil se apresenta com o mercado consumidor.
07:51É muito parecido com o caso da internet.
07:53Certamente nós teremos empresas incríveis
07:55de inteligência artificial,
07:58mas que terão muita dificuldade para serem protagonistas globais.
08:02Eu espero estar errado.
08:03Tomara que nós tenhamos um caso que prove que eu estou errado.
08:07Mas o que eu quero dizer com isso?
08:08O mercado brasileiro é gigante.
08:09Nessa semana sai uma pesquisa mostrando
08:11que o Brasil é o terceiro país que mais usa o chat GPT
08:16no mundo inteiro.
08:17Então, só atrás dos Estados Unidos e Índia.
08:20O fato é que poucos países têm um mercado consumidor,
08:26um mercado potencial de mais de 200 milhões de pessoas.
08:29O Brasil é um país de renda média, baixa.
08:32Então, é um mercado importante,
08:33mas é que com muita dificuldade,
08:36em alguns casos, em alguns segmentos,
08:38como é o caso da Embraer e outros segmentos específicos,
08:41tem players globais.
08:43Mas, nesse caso, é uma corrida que acabou de começar,
08:47mas fato é que nós estamos,
08:49incrivelmente, já atrasados nela.
08:51O Brasil parece que está tentando comer pela beirada
08:53no seguinte sentido,
08:54de atrair investimento em infraestrutura,
08:56data centers, por exemplo.
08:57O governo parece que quer atrair para cá.
09:00Exato.
09:01Mas, uma vez mais, nós temos dificuldades.
09:03Então, no anúncio daquele plano
09:05para tentar atrair esses investimentos,
09:08foi lá mostrar uma projeção
09:10do quanto tudo isso poderia render,
09:12mas tem uma série de dificuldades.
09:14Por exemplo, estabelecer data centers no Brasil
09:16é um dos lugares mais caros do mundo.
09:18A tributação para trazer esses equipamentos,
09:21já que eles não são fabricados no Brasil,
09:23são hoje majoritariamente desenvolvidos
09:25por empresas americanas e chinesas,
09:28esses equipamentos chegam muito caros no Brasil.
09:31Então, tem todo aí um arcabouço tributário
09:34que precisa evoluir muito
09:35para que o mercado se torne atrativo.
09:37E, além disso, quando o papo é investimentos,
09:40como sempre,
09:42espera-se previsibilidade de longo prazo.
09:44Ou seja, questões como segurança jurídica
09:47e uma série de outros atributos
09:50são muito importantes.
09:51Então, nesse momento,
09:52o que fica muito evidente
09:54é que o que aconteceu nas últimas semanas
09:56com o Brasil entrando no radar global
09:58e não exatamente de uma forma positiva,
10:02os investidores que pensam em data centers,
10:05em infraestrutura,
10:05que normalmente são investimentos
10:07que eles dão retorno no médio e no longo prazo,
10:10eles acabam sendo afugentados.
10:12Eles acabam, no mínimo, esperando um pouco mais.
10:14Volto a dizer,
10:15o Brasil é um mercado superimportante,
10:17é o maior mercado da América Latina,
10:19é um mercado pujante,
10:21é um mercado muito digital.
10:23Os brasileiros, junto com os indianos,
10:25são early adopters,
10:26adotam muito rapidamente
10:28uma série de tecnologias
10:29e muitas delas são desenvolvidas no Brasil,
10:32mas temos a questão da moeda
10:34e temos toda essa questão
10:36de ambiente de negócios
10:37que acaba dificultando um pouco desse potencial.
10:40Só para fechar,
10:41nós temos um dos maiores potenciais
10:43para data center
10:44por uma razão muito simples.
10:46Eles devoram energia.
10:48Ontem mesmo,
10:49eu fiz uma publicação
10:50falando sobre
10:51o tanto que os data centers
10:53conforme a energia no mundo
10:54são, para dar a dimensão,
10:55122 gigawatts,
10:57a Itaipu gera 14,
10:59tem potencial de geração de 14.
11:01E no Brasil,
11:02nós temos uma matriz energética
11:03incrivelmente limpa e renovável,
11:06ou seja,
11:06nós temos grande parte dos ingredientes,
11:09mas falta o ambiente de negócio.
11:11Arthur Igreja,
11:12especialista em tecnologia e inovação,
11:14muito obrigado pela sua participação
11:16hoje aqui no Real Time,
11:17bom dia.
11:19Obrigado, bom dia.
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