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Durante reunião em Pequim, Xi Jinping pediu mais confiança e diálogo, enquanto líderes europeus cobraram postura firme sobre a guerra na Ucrânia e maior abertura comercial. Mariana Almeida destaca o clima tenso mesmo em celebração aos 50 anos de laços entre China e UE.

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Transcrição
00:00O presidente chinês Xi Jinping defendeu o fortalecimento da confiança entre China e a União Europeia
00:06diante de um cenário global instável, enquanto os líderes europeus cobraram soluções concretas
00:13para superar o momento crítico durante o encontro em Pequim nesta quinta-feira.
00:18A China tem tentado se aproximar da União Europeia se posicionando como um parceiro mais confiável do que os Estados Unidos.
00:26No entanto, o bloco destacou divergências significativas, como o temor de uma enxurrada de produtos chineses subsidiados
00:34e o apoio velado de Pequim à Rússia na guerra contra a Ucrânia.
00:39Apesar do tom comemorativo dos 50 anos de laços diplomáticos, a longa lista de queixas deixou o cenário mais tenso durante o encontro.
00:48Ao receber a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe do Conselho Europeu, António Costa,
00:55Xi Jinping defendeu mais diálogo e confiança entre China e Europa diante das tensões globais,
01:02afirmando que os desafios enfrentados pelo bloco não têm origem na China
01:06e destacou a necessidade de avanços concretos em comércio e economia.
01:12Ursula von der Leyen respondeu que é essencial reconhecer preocupações mútuas e buscar soluções concretas.
01:19A União Europeia quer reduzir o déficit comercial com a China, que chegou a 360 bilhões de dólares em 2024
01:27e considerado insustentável.
01:30Bruxelas também pressiona por maior acesso ao mercado chinês e menos restrições às exportações de terras raras.
01:37Em resposta, Pequim rejeita as críticas e pede mudança de postura, não de laços econômicos.
01:45Durante a reunião, o chefe do Conselho Europeu, António Costa, insistiu que a China use sua influência sobre a Rússia
01:52para ajudar a encerrar a guerra de agressão de Moscou contra a Ucrânia.
01:56O bloco adotou um novo pacote de sanções à Rússia por causa do conflito,
02:01incluindo restrições a dois bancos chineses, alegando que não é um pedido para cortar as relações,
02:08mas para que a China intensifique os controles alfandegários e financeiros.
02:14Mariana Almeida, é um encontro para comemorar 50 anos de laços de amizade, também comercial,
02:22mas as relações não estão tão boas assim nessas cinco décadas, principalmente neste momento.
02:28E uma das pautas que estão à mesa é justamente essa questão da guerra da Rússia e Ucrânia.
02:35A União Europeia querendo uma ajuda, um apoio da China para que haja um cessar-fogo por lá
02:40e isso passa por compartilhar das sanções da União Europeia à Rússia.
02:45A gente viu na reportagem aí que hoje o bloco europeu está até pensando em algumas restrições a bancos chineses.
02:53Esta semana começa novamente aí, ou já está em andamento, mais uma tentativa de negociação de um acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia.
03:04Então o chefe da delegação russa, o Vladimir Medinsky, e o chefe ucraniano, o Merov,
03:10estão no Palácio de Siragã, em Istambul, na Turquia, tentando mais uma vez um acordo.
03:17E isso passa muito também por essa reunião União Europeia e China, porque a China tem um braço forte,
03:25tem uma influência importante hoje na Rússia, né, Mariana Almeida?
03:28Sem dúvida, a China ainda é a economia que mais sustenta as relações internacionais comerciais da Rússia,
03:36uma economia russa que está bastante afetada por todo esse processo aí da guerra.
03:42Agora, só voltando para o clima da reunião, né, isso é uma reunião de celebração em tese,
03:47mas a gente observa o rosto, a forma da negociação e tem uma certa densidade no ar, um clima de tensão.
03:55E eu acho que esse clima de tensão, ele vem, obviamente, já do que está dado,
04:00ou seja, é uma situação de guerra com posicionamentos muito consolidados de cada um dos lados já há bastante tempo.
04:05Essa demanda da União Europeia por uma pressão maior da China e o posicionamento da China
04:11de não aceitar muito uma alteração da forma como ela se dá a relação com a Rússia, não é de hoje.
04:18Inclusive, é difícil imaginar que isso tenha algum tipo de alteração.
04:23E aí, isso que já é tenso, que já é bastante forte na forma, realmente, no padrão diplomático
04:29desses dois blocos aí, historicamente, se soma a tensão dos Estados Unidos.
04:35Tem um detalhezinho ali que a Europa está pedindo para a China, que é importante aqui colocar à luz.
04:41Qual é o detalhe?
04:42Ampliação das exportações de terras raras.
04:45O que é isso?
04:46É o que acabou de ser alterado em função dos Estados Unidos.
04:49Em meio à guerra comercial dos Estados Unidos-China,
04:52o que os Estados Unidos impôs ali à China foi priorização dos Estados Unidos,
04:57logo, despriorização dos demais, para acesso às terras raras chinesas.
05:01Terras raras que são os minerais que são usados para o desenvolvimento tecnológico de vários itens,
05:07mas principalmente esses que estão associados aí ao desenvolvimento de IA,
05:11de inteligência artificial, da base para inteligência artificial.
05:15Bom, ou seja, a empurrada de Donald Trump tornou o que era tenso um pouco mais tenso,
05:20porque se você resolve de um lado, você abre do outro.
05:23Essa é a questão.
05:24Relações internacionais e o comércio internacional são interdependentes,
05:28são vasos comunicantes e ao criar um ambiente de tensão bilateral,
05:33que Donald Trump fez com a China, faz com a União Europeia,
05:36abre-se outros espaços e outras bilateralidades.
05:40Ou seja, é um clima de tensão que parece que veio para ficar
05:42e a forma de fazer negociação está longe de estar reestabelecida.
05:46A gente ainda, os países ainda usando algumas ferramentas antigas,
05:49mas com essa sensação de que não vai andar tanto quanto poderia
05:53e que a gente ainda está pisando aí em solo pouco estável
05:56para conseguir fazer afirmações de para onde vão essas relações aí,
06:00tanto do ponto de vista militar e pensando na guerra da Ucrânia com a Rússia,
06:05quanto do ponto de vista econômico.
06:06Lembrando, né, Mário Almeida, que essa negociação novamente é feita na Turquia.
06:13Em Istambul é o palco, então, das duas delegações,
06:17dessas conversas das duas delegações russa e ucraniana.
06:20E a Turquia, que não faz parte da zona do euro,
06:23não faz parte desse bloco europeu que está em Pequim,
06:26nessa comemoração com os chineses.
06:29Sim, aí nesse caso ocupando esse lugar de neutralidade
06:32em relação às grandes potências, essa é a busca, inclusive...
06:34Acolhe, né, para uma reunião, para essa negociação,
06:37mas não faz parte do bloco europeu que faz uma certa pressão na China, né.
06:41Do ponto de vista militar, vamos lá, lembrando sempre,
06:44o que pede a Rússia em relação à Ucrânia?
06:47Ela pede para uma neutralidade da Ucrânia em relação a todo o bloco, né,
06:51a relação principalmente militar da Ucrânia com a União Europeia e com o bloco ocidental.
06:57A história começa e vai acirrando a relação quando a Ucrânia demanda entrada na OTAN.
07:01E isso a Rússia diz que não aceita e parte do que está na negociação é isso.
07:06A Ucrânia teria que declarar que vai se manter neutra, além de ceder todos os territórios.
07:12Porque é um temor russo, né, porque se a Ucrânia entra na OTAN,
07:16quando um país membro da OTAN está em guerra, o grupo todo é obrigado,
07:21ou está lá na regra, que entra no jogo para defender, no caso, na guerra.
07:25E esse é o grande temor, né, porque Rússia lutando contra a Ucrânia é uma coisa.
07:29A Rússia contra a OTAN, que tem Alemanha, Grã-Bretanha, que tem Espanha, que tem França,
07:35aí fortalece mais a Ucrânia e isso tem um temor russo, por isso que ele não quer.
07:40E uma OTAN que agora tende a ter mais recursos ainda,
07:43porque foi acordada uma ampliação do financiamento do caso dos países europeus para lá.
07:48Então, esse é o jogo e precisa ver se nessa negociação que está acontecendo agora
07:52vai ter algum posicionamento novo, seja do lado de Rússia, seja do lado da Ucrânia.
07:56A gente ainda não tem notícias sobre isso para saber se tem como desfazer,
08:00se nó que as duas nações entraram agora.
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