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Os frigoríficos brasileiros suspenderam temporariamente a produção destinada ao mercado dos Estados Unidos em função da incerteza sobre a aplicação de uma nova tarifa de importação, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. A medida, anunciada pelo governo americano, pode impor uma sobretaxa de até 80% sobre a carne bovina brasileira.

“Se houver a manutenção dessa tarifa, praticamente fecha-se o mercado e a gente não pode mais exportar para os Estados Unidos, o que é muito ruim pra cadeia pecuária do Brasil”, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), Roberto Perosa, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Música
00:00Cerca de 12% das exportações de carne bovina neste ano tiveram como destino o mercado americano.
00:12A gente vai falar agora com o Roberto Perosa, que é presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne,
00:19sobre os impactos do tarifácio no setor.
00:21Bom dia para você, seja muito bem-vindo ao Real Time.
00:23Obrigado, bom dia, é um prazer estar aqui e falar um pouco sobre a indústria da carne bovina brasileira.
00:30Roberto, essa sobretaxa só entra em vigor se nada mudar, se a negociação não funcionar, no dia 1º de agosto.
00:37Mas a gente já tem notícia de que os frigoríficos estão reduzindo a produção por causa do tarifácio.
00:41Você poderia explicar para a gente como é que funciona esse sistema, o prazo para enviar carne daqui para os Estados Unidos?
00:49O que está fazendo os frigoríficos pararem a produção ou diminuírem a produção?
00:52Olha, é importante dizer que os Estados Unidos é um grande parceiro comercial do Brasil.
00:58No ano passado nós vendemos 229 mil toneladas de carne bovina nos Estados Unidos.
01:04E nesses primeiros seis meses de 2025 nós já havíamos exportado quase 200 mil toneladas.
01:09Então esse ano seria um ano recorde em que nós provavelmente venderíamos cerca de 400 mil toneladas se não houvesse a questão tarifária.
01:16Os frigoríficos estão operando normalmente, não há uma parada de trabalho nos frigoríficos.
01:23O que há é a parada na destinação dessa carne para os Estados Unidos enquanto houver a insegurança da tarifa colocada pelo presidente americano.
01:32Então nós temos dialogado muito com o governo para que haja uma negociação e a gente possa retomar o fluxo comercial normal entre o Brasil e os Estados Unidos.
01:41Mas explica um pouco para a gente por que mesmo as tarifas ainda não estando em vigor, já tem produtor aí parando de enviar carga para os Estados Unidos.
01:53Olha, tem um prazo para que seja produzida a carne enviada ao porto e que chegue aos Estados Unidos.
01:58Então não há tempo hábil se começasse a produção na quinta-feira passada para que chegasse essa carne antes do dia 1º de agosto lá nos Estados Unidos, que é a data limite para a implantação da tarifa.
02:10Então nós não podemos produzir essa carne e chegar lá e ter uma tarifação de 80%, como é o caso se for confirmada essa tarifa.
02:19E aí não tem competitividade.
02:21Então os frigoríficos optaram por não produzir a carne destinada aos Estados Unidos, mas continuamos produzindo com outras destinações, para que a gente possa manter o fluxo de atividade empresarial, mas não com destinação aos Estados Unidos.
02:35Então atividades continuam normais.
02:38O que não está sendo produzido hoje é a carne específica para exportação aos Estados Unidos.
02:44Você lembra de cabeça o tempo de viagem dessa carne para os Estados Unidos?
02:50Dependendo do porto brasileiro que saia, em torno de 12 dias, de 12 a 14 dias.
02:57Mas depois tem o tempo de desembaraço também lá nos Estados Unidos.
03:01E aí pode fazer com que passe a data do prazo estabelecido.
03:05Então com esse tempo do desembaraço que você citou aí,
03:08imagino que tem muitos vendedores aqui do Brasil que estão com a carga em trânsito agora e que devem estar preocupados com essa situação, não?
03:17Exatamente.
03:17Nós fizemos um levantamento.
03:19Existem, entre cargas produzidas nos portos e no mar, cerca de 30 mil toneladas de carnes brasileiras que estão a caminho dos Estados Unidos.
03:29E é um motivo de preocupação para o setor como essa carne será impactada na chegada aos Estados Unidos.
03:34Se os Estados Unidos interpretar que o momento da data da exportação é o momento correto para aplicar a tarifa, não haverá tanto problema.
03:43Agora, se ele interpretar que a partir do dia 1º toda a carne que chegar aos Estados Unidos tiver esse impacto da tarifa
03:49e não houver uma negociação anterior a isso, pode ser um motivo de muita preocupação para o setor produtivo
03:54e precisamos redestinar essa produção, que ela não terá competitividade econômica para entrar nos Estados Unidos.
04:00A gente sabe que quem paga essas tarifas é quem compra.
04:03Então, assim, a pessoa, para desembaraçar na alfândega, ela tem que pagar essa taxa para retirar a carne.
04:08Os contratos geralmente firmados com os produtores brasileiros, eles permitem que os compradores americanos,
04:15se a carne chegar lá com a tarifa alta, eles desistam da compra ou eles vão ser obrigados a comprar e pagar mais?
04:23Não, isso não existe, né?
04:26Porque a partir do momento que você importa a carne, você está sujeito à legislação no seu tempo e no seu local de desembaraço, né?
04:35Então, os importadores, eles pagam a partir de uma parte de adiantamento e uma parte no desembaraço.
04:41Eles vão querer descontar isso do produtor brasileiro a partir do momento que eles vão ter que pagar uma tarifa maior lá
04:46ou tentar renegociar esses contratos, né?
04:49Então, pode ser um momento de grande impacto e prejuízo para a produção brasileira.
04:53E é isso que nós estamos procurando evitar, solicitando ao governo que intensifique as negociações.
04:58Esse ato que está havendo agora de pessoas parando de mandar carne para os Estados Unidos,
05:03ele pode causar um desabastecimento lá, pelo menos temporário, enquanto essa situação não se resolve?
05:09Olha, os Estados Unidos é um grande produtor de carne, ele já importa de outros países também.
05:15O que com certeza vai acontecer é um impacto no preço da carne nos Estados Unidos.
05:20Estava vendo a reportagem aqui anterior sobre a inflação nos Estados Unidos.
05:24Isso pode ter um impacto inflacionário grande sobre os Estados Unidos,
05:28já que 65% do consumo de carne bovina nos Estados Unidos é feito em forma de hambúrguer.
05:34Então, é a classe média, média baixa, que consome a carne nos Estados Unidos
05:39e vai ter esse preço aumentado no seu hambúrguer,
05:42porque a carne brasileira é muito competitiva, consegue chegar num preço muito competitivo,
05:46acaba fazendo uma mistura lá nos Estados Unidos para equilibrar o preço de venda ao consumidor final.
05:52Então, se não chegar à carne brasileira, a tendência é que se aumente muito o preço
05:57do principal item do consumo da dieta americana, que é o hambúrguer,
06:01e que isso tem impacto inflacionário nos Estados Unidos.
06:05Ô Roberto, caso a situação não se encaminhe aí para o entendimento,
06:10caso o pior cenário se concretize e essas tarifas vierem,
06:14o Brasil tem ideia de que outros mercados podem substituir o mercado americano?
06:19Olha, não existe nenhum mercado que seja um mercado opção B para o Brasil
06:24com esse volume, com essa característica de demanda.
06:27O Brasil já exporta para mais de 157 países, isso vai ser diluído entre os outros países,
06:33mas nenhum especificamente com essa demanda de volume e com a rentabilidade que tem hoje,
06:38haja vista a falta de carne que tem nos Estados Unidos.
06:42Então, isso vai ser redistribuído com uma maior dificuldade operacional,
06:46de exportação e etc., e com uma menor margem para os frigoríficos também.
06:51Então, é um momento de atenção da cadeia para entendermos como vai ficar isso a partir do dia 1º de agosto
06:57e redirecionarmos essas exportações para outros países.
07:00E aí depende muito de cada empresa, das habilitações que ela tem para cada país de destino final
07:06e para a gente sentir o impacto de como vai ser uma possibilidade de uma nova venda
07:13sem ter os Estados Unidos como um grande player.
07:15Lembrando, os Estados Unidos é o nosso segundo maior comprador.
07:19Então, hoje eles representam quase 15% da compra de carne bovina brasileira
07:24e isso com certeza terá um impacto interno no preço da negociação interna da carne,
07:29como também nas exportações.
07:32O certificado que o Brasil ganhou recentemente de livre de febre fitosa sem vacinação
07:36não pode facilitar a abertura de mercados importantes, como por exemplo o mercado europeu?
07:41Olha, o mercado europeu já é aberto, nós já exportamos...
07:45Mas eu digo assim, uma intensificação para lá, por exemplo,
07:47porque tem muitos países europeus que até agora criavam alguns embaraços para a carne brasileira.
07:52Você acha que é...
07:53Eles continuam criando os embaraços...
07:54Mas essa certificação não vai ajudar agora?
07:57Sim, essa certificação ajuda, avança a possibilidade de abertura de mercados,
08:01principalmente para o Japão, que está em negociação de fase final
08:04e é um grande mercado que importa 700 mil toneladas
08:07e o Brasil hoje não tem a possibilidade de exportar para lá.
08:09Recentemente tivemos a abertura do mercado do Vietnã,
08:13já tivemos empresas habilitadas a exportar ao Vietnã.
08:16Então é um fluxo que está se iniciando, novas oportunidades estão surgindo.
08:20Mas um importante mercado como o americano,
08:23em que já havia um costume de enviar aos Estados Unidos ao longo dos anos,
08:28é muito preocupante para o produtor brasileiro,
08:31para que a gente possa desbravar novas fronteiras
08:33sem ter esse mercado que tão costumeiramente a gente já estava enviando carne.
08:37Então, claro, novas oportunidades devem surgir com a certificação livre de febre aftosa
08:42sem vacinação, mas ainda são trabalhos a serem trabalhados comercialmente.
08:47O mercado americano está pronto, já recebia carne brasileira, né?
08:50E se houver a manutenção dessa tarifa,
08:53praticamente fecha-se o mercado e a gente não pode mais exportar para os Estados Unidos,
08:58o que é muito ruim para a cadeia pecuária do Brasil.
09:01Tempos de incerteza, né, Roberto?
09:02Tempos de incerteza, mas nós temos fé que a negociação,
09:07e é esse o nosso pedido, as negociações comerciais,
09:10em detrimento de qualquer problema político, ideológico,
09:13estejam em primeiro plano, para que a gente possa continuar o fluxo comercial normal
09:17a um país que nós temos tantos anos de parceria comercial
09:20e que está aqui próximo da gente e é um grande destino da carne bovina brasileira.
09:24Roberto Perosa, muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time,
09:29presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne.
09:32Bom dia para você.
09:33Bom dia, um grande abraço.
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