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A Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para análise do projeto que reavalia a concessão de benefícios fiscais. O texto prevê que medidas que concedam, ampliem ou renovem incentivos tributários devem atender a padrões mínimos estabelecidos em regulamento. Entre eles estão a estimativa de beneficiários da proposta, o prazo de vigência — que não poderá ser superior a cinco anos —, as metas de desempenho objetivas e quantificáveis, o impacto na redução de desigualdades e os mecanismos de monitoramento e transparência. O projeto também determina que os incentivos devem ser concedidos contendo a estimativa global de incentivos e benefícios de natureza tributária, creditícia e financeira para pessoas jurídicas. A bancada do Linha de Frente, coordenada por Fernando Capez e com comentários de David Andrade, Henrique Krigner, Guilherme Mendes e Mônica Rosemberg, analisa os desdobramentos do tema.

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Transcrição
00:00A Câmara dos Deputados, girando do anão diplomático para o anão financeiro,
00:05a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência
00:10para análise do projeto que reavalia a concessão de benefícios fiscais.
00:18O texto prevê que medidas que concedam, ampliem ou renovam incentivos tributários
00:26devem, abre aspas, atender a padrões mínimos estabelecidos em regulamento.
00:35Entre eles devem estar, para concessão do incentivo,
00:39a estimativa de quem são os beneficiários da proposta e quanto vai custar,
00:44o prazo de vigência, que não pode ser maior do que cinco anos,
00:49as metas de desempenho objetivas e quantificáveis,
00:53o impacto no orçamento da redução e o impacto positivo na redução de desigualdades
01:01e mecanismos de monitoramento e transparência.
01:05Esse projeto, atinente à responsabilidade fiscal,
01:09determina que todos os incentivos devem ser concedidos
01:15contendos esta estimativa global de incentivos e benefícios de natureza tributária,
01:24creditícia e financeira para pessoas jurídicas.
01:30Minha querida Mônica Rosenberg,
01:34gato escaldado tem medo de água fria.
01:39Eu não sei se o Congresso está lembrando da política do ex-ministro da Fazenda Guido Mântega
01:45no governo Dilma Rousseff, quando ele inaugurou a nova matriz econômica
01:50e comeu um trilhão de dólares do PIB brasileiro.
01:55Foi um desastre econômico.
01:58Todos os economistas dizem isso.
02:00A política de incentivos fiscais deve ser uma política permanente,
02:06como regra ou excepcional?
02:09Você sabe que eu lembro, você muito antenada,
02:11eu lembro de um discurso do Ronald Reagan,
02:14presidente dos Estados Unidos,
02:16dizendo o seguinte,
02:17o incentivo fiscal faz com que a gente fique limitado no atraso,
02:24faz com que as nossas empresas não investam no aperfeiçoamento,
02:27faz com que o consumidor tenha produtos de menor qualidade,
02:33faz com que o preço dos produtos que chegam,
02:35que produzidos no exterior,
02:36sejam muito caros e contribuem para a inflação,
02:39e ainda ficamos sujeitos à retaliação de outros países também.
02:43Ou seja, é como você vender o jantar para pagar o café da manhã.
02:49Você concorda com ele
02:50ou acha que deveríamos dar mais incentivos fiscais
02:53para corrigir distorções econômicas?
02:56É assim, se os incentivos fiscais fossem usados
03:00para corrigir distorções econômicas,
03:02seria uma ferramenta que poderia funcionar.
03:05Porém, no Brasil, o que acontece?
03:07Nós temos as aberrações,
03:09nós temos a Zona Franca de Manaus,
03:11nós temos a indústria automobilística brasileira,
03:14que ainda é protegida com incentivos fiscais,
03:17sendo que a história de que ela deveria ser ajudada
03:20porque era uma indústria nascente,
03:21permanece há 70, 80, 2 mil anos,
03:25e essa indústria, que hoje já é velha,
03:28ela continua recebendo benefícios fiscais.
03:31Então, assim, a questão dos benefícios tem que ser rediscutida.
03:35Mas eu quero trazer a nossa atenção
03:36para esse projeto que foi aprovado.
03:39Primeira coisa, o que foi aprovado é urgência do projeto.
03:42É um projeto de 2019.
03:45Esse projeto que agora é urgente, ele é de 2019,
03:49foi aprovado no Senado em 2023
03:53e está parado na Câmara há anos.
03:57E agora, de repente, isso se torna urgente,
03:59urgentíssimo trazer um projeto
04:02que impõe regras sobre a concessão de benefícios,
04:06mas que não revê os benefícios atuais.
04:08Não vai entrar no mérito das distorções que já existem
04:12e de como os benefícios que nós temos hoje
04:14não estão nem resolvendo essa questão
04:17e talvez estejam acirrando.
04:19Então, é ridículo.
04:21Eu costumo falar aqui
04:22essas aprovações de urgência para projetos
04:26que não são urgentes para ninguém,
04:28a não ser para aqueles deputados,
04:29e que quando você vai olhar,
04:31às vezes são casos de comoção nacional,
04:33então, ah, vamos fazer uma urgência,
04:35porque assim acelera o processo.
04:36No caso de legislação tributária,
04:39no caso de legislação que vai falar de isenção,
04:42é absurdo prescindir de passar pelas comissões.
04:45Quando você tem urgência,
04:46você não faz o debate necessário
04:48nas comissões,
04:49que é exatamente para que serve o Parlamento.
04:51Então, eu sou contra a urgência
04:53e sou absolutamente contra um projeto
04:55que não vai rever os benefícios,
04:57mas vai sim criar regras
04:59para que eles sejam mais rápidos.
05:01Guilherme Mendes.
05:03Mônica, a questão é urgente pelo seguinte,
05:05o orçamento está estrangulado.
05:07E se você tem um problema de incentivo tributário,
05:10que vamos falar, traduzir,
05:12incentivo tributário é não pagar imposto.
05:14É isso.
05:15Então, você pega alguns setores da economia,
05:17escolhe a princípio,
05:19com algum tipo de critério macroeconômico,
05:21e diz,
05:22você, produtor de linha branca,
05:24não vai pagar imposto.
05:25Você, da indústria automobilística,
05:27não vai pagar imposto.
05:28Você, do agronegócio,
05:29não vai pagar imposto.
05:30Cada governo, de acordo com a sua política,
05:33privilegia, vou usar talvez esse termo,
05:36não seja o mais adequado,
05:37mas dá esse incentivo,
05:40isenta dos impostos,
05:41também não é esse o termo jurídico correto,
05:43mas para você que está em casa entender,
05:45determinados segmentos para estimular
05:47a produção econômica.
05:48Na medida em que essas receitas
05:51saem do orçamento público,
05:53elas deveriam, sim,
05:54ser tratadas com a máxima urgência,
05:56porque o que a gente vem falando aqui,
05:57desde as duas horas da tarde até agora,
06:00é a mesma tônica.
06:02Não há dinheiro,
06:02as contas públicas precisam ser revistas,
06:05o governo precisa gastar melhor os seus recursos,
06:07diminuir os seus gastos
06:08e melhorar a qualidade da nossa dívida pública.
06:12Grande parte disso pode ser feito
06:14por meio da revogação
06:15de determinados incentivos fiscais,
06:18que é exatamente o que você falou.
06:20Agora, se vai ser feito daqui para frente,
06:22e aí o projeto de lei estabelece,
06:24olha, não vai ficar uma coisa livre,
06:26discricionária só ao bel prazer
06:29do Ministério do Planejamento
06:30e do Ministério da Fazenda,
06:31vão ter que haver determinados requisitos
06:34essenciais e técnicos,
06:36eu acho produtivo.
06:37Talvez a ideia da urgência
06:39seja justamente uma resposta rápida
06:42do Congresso para dizer o seguinte,
06:43olha, vocês não vão jogar
06:45a conta do fracasso financeiro
06:48nas minhas costas.
06:50Bancadas, trabalhem,
06:52porque, veja, cada setor desse
06:53que tem isenção tributária
06:55e benefício fiscal,
06:56ele tem bancadas dentro do Congresso.
06:58E talvez, na hora em que
07:00se aprova um projeto desse,
07:01pulando as comissões
07:02e se sinalizando
07:03que pode ir diretamente ao plenário,
07:05vão dizer o seguinte,
07:06olha, nós vamos socializar
07:08o fracasso da política econômica.
07:12Então, vocês, setores beneficiados,
07:14mexam-se, acionem as suas bancadas
07:17e defendam o Congresso Nacional,
07:19porque, senão,
07:20o prejuízo vai vir para todos.
07:22Para os pobres,
07:23vem na não consecução
07:26daqueles incentivos fiscais,
07:27como o IR,
07:28tudo isso que nós já falamos.
07:29E para os ricos,
07:30vem com a perda
07:31das isenções fiscais,
07:33dos apoios econômicos,
07:35que esse tipo de programa permanece.
07:36Então, ou seja,
07:37o que, no meu entender,
07:39se faz quando se desengaveta
07:41esse projeto e coloca
07:42no sentido da urgência,
07:44como você bem falou, Mônica,
07:46é tão somente
07:47o mecanismo de pressão política.
07:48É acirrar as bancadas
07:50para que elas passem a trabalhar
07:51e defender a presidência da Câmara.
07:54Para mim, o recado está muito claro.
07:56Davi Andrade.
07:57Capês, eu sou,
07:59em tese contrária ao subsídio,
08:01eu acho que o subsídio é um desvio,
08:03é um desvio da atividade econômica,
08:06se alguém está subsidiando alguma coisa
08:09ou está pagando a conta,
08:11então, se o Estado subsidia
08:12alguma atividade,
08:13é porque nós contribuímos
08:14e estamos pagando essa conta.
08:16Então, em tese,
08:16eu sou contra o subsídio.
08:18O subsídio, para mim,
08:19tem que ser setorial
08:20e baseado na eficiência econômica.
08:22E tem que ser temporário,
08:23como a Mônica disse.
08:24Tem que ser temporário.
08:25Então, não pode ser um subsídio
08:27que vai, como a Mônica
08:28muito bem disse,
08:29na indústria automobilística,
08:30permanece subsídios há anos.
08:32Há décadas.
08:33Há décadas.
08:34A indústria já se implantou,
08:37não há necessidade de mais nenhum subsídio.
08:39Eu sou contra o subsídio.
08:40Agora, é preciso que esse rompimento
08:43não seja abrupto também,
08:44porque os setores
08:46construíram esse subsídio,
08:48sejam por métodos,
08:49sejam por lobbies,
08:50como são organizados lá no Congresso,
08:51a gente sabe como é que funciona,
08:53mas eles sobrevivem,
08:54de alguma maneira,
08:54vários setores da indústria
08:56com esse subsídio.
08:57Esse rompimento não pode também
08:58ser abrupto.
08:59Tem que ser organizado,
09:00porque quem pode perder aí
09:01são os trabalhadores
09:02expostos de trabalho.
09:04Mas isso,
09:05eu acho que é válido o projeto,
09:07de criar pelo menos
09:08um cenário de segurança
09:09para que eventuais subsídios
09:10sejam concedidos ou não,
09:12com base em critérios técnicos
09:13e não critérios de oportunidade.
09:16Mas sempre lembrando,
09:16tem que ser temporário também.
09:18O subsídio,
09:18como o Bolsa Família,
09:20como a gente defende,
09:21não pode ser sempre.
09:22Não pode ser...
09:23E também,
09:24na hora que você estabelece
09:25critérios técnicos,
09:25você diminui o espaço do lobby.
09:27Claro.
09:27Isso é importantíssimo.
09:29que hoje o que acaba acontecendo
09:30é isso.
09:31Quem tem um lobby melhor
09:32leva mais benefício.
09:33Leva mais.
09:33É isso aí.
09:35Muito bem.
09:36O gasto tributário
09:37deve chegar a 615 bilhões de reais
09:39no orçamento com os subsídios.
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