- há 8 meses
--
Cadastre-se para receber nossa newsletter:
https://bit.ly/2Gl9AdL
Confira mais notícias em nosso site:
https://www.oantagonista.com
Acompanhe nossas redes sociais:
https://www.fb.com/oantagonista
https://www.twitter.com/o_antagonista
https://www.instagram.com/o_antagonista
https://www.tiktok.com/@oantagonista_oficial
Cadastre-se para receber nossa newsletter:
https://bit.ly/2Gl9AdL
Confira mais notícias em nosso site:
https://www.oantagonista.com
Acompanhe nossas redes sociais:
https://www.fb.com/oantagonista
https://www.twitter.com/o_antagonista
https://www.instagram.com/o_antagonista
https://www.tiktok.com/@oantagonista_oficial
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Bom, então vamos para o último trechinho. Joel, tu, por favor.
00:06Enfatizo ainda que em 2024 o Brasil vai presidir o G20. Estejam certos de que a agenda climática será uma das prioridades.
00:19Bom, então temos aí o Lula citando o G20, o Brasil vai presidir então o G20 e se a gente for acreditar no Lula, não só vai presidir como também vai direcionar o G20.
00:36Mas eu te pergunto a que importância que tem esse e outros fóruns também que a gente tem no mundo, mas o G20 no caso que é esse que o Brasil vai presidir a partir de 2024.
00:49Olha, nós tivemos muitas crises mundiais e depois de cada crise, seja uma guerra, seja uma grande crise econômica, uma depressão, uma grande recessão, sempre surgem ideias de organização, de coordenação e consulta entre os países para evitar os desastres.
01:07A grande guerra foi uma devastação enorme, por isso chamado de grande guerra, e se criou a Liga das Nações, que não deu conta do recado.
01:16E na segunda guerra se criou a ONU, teoricamente, com um instrumento de defesa coletiva, a cargo do Conselho de Segurança, que deveria ser mais funcional do que foi a Liga das Nações,
01:28mas também não resolveu nem Vietnã, nem Oriente Médio, nem muitas outras guerras civis, ainda que se tenha introduzido o direito de intervir,
01:37que é a intervenção humanitária que foi usada na Primavera Árabe, na Líbia, nem sempre com bons resultados.
01:44Mas o G20 foi criado após uma crise de países ricos. As crises anteriores, crise da dívida latino-americana nos anos 80,
01:54crise dos mercados financeiros asiáticos e da moratória russa nos anos 90, e finalmente a crise imobiliária americana de 2007 e crise financeira em 2008, 2009.
02:05E foi aí quando o George Bush, filho, o mesmo que tinha invadido o Iraque, provocou todo aquele desastre no Oriente Médio, até hoje, aliás,
02:14chamou a um órgão que já existia, porque nas crises financeiras dos anos 90, o FMI, então dirigido pelo francês Michel Candessy,
02:24criou o Fórum de Estabilidade Financeira, que já era de 20 países, mais a União Europeia, mais a OCDE e mais alguns outros órgãos,
02:33FMI, Banco Mundial, etc. Então já havia o Fórum de Estabilidade Financeira, que funcionava junto com o Banco de Basileia,
02:40o Banco de Compensações Internacionais, para estabelecer regras para que não houvesse mais crises bancárias ou financeiras.
02:48Regras de medidas prudenciais. E o Banco de Basileia vem emitindo Basileia 1, Basileia 2, Basileia 3,
02:55que são aquelas regras de capitalização, de depósitos, de garantias, uma série de normas prudenciais,
03:02que o Brasil segue, aliás, não é? Mas a crise de 2008 foi devastadora para o país rico.
03:07A Espanha foi atingida, a Grã-Bretanha, a Irlanda, a Itália, a Grécia, que teve que ser ajudada pela troika internacional,
03:15União Europeia, Banco Mundial, Fundo Monetário. Então foi criado esse G20, que era o Fórum de Estabilidade Financeira,
03:23com um mandato para coordenação política. Não vamos nos iludir, não vai criar um novo Bretton Woods, não é?
03:30Não vai reformar a ordem econômica internacional, a menos de uma nova grande catástrofe,
03:37mas ele permitiu uma consulta entre os países. Aliás, a Rússia, saída da União Soviética nos anos 90,
03:44foi incorporada ao G7. G7 são as sete grandes economias mundiais, não é?
03:50Que até hoje continuam funcionando, mas virou um G8 a partir de 1998, 99,
03:56até a invasão da Crimeia pelo Putin em 2014, quando ela foi expelida, digamos, o G7 continua funcionando.
04:03E o G20 é um fórum maior, não é? Que representa talvez 90% do PIB mundial, talvez mais até do que isso,
04:10e grande parte do comércio internacional, que está aí, assim, em condições de, digamos,
04:16dirigir grandes aspectos dos commons, né? Dos problemas comuns, que são os do meio ambiente,
04:25da criminalidade internacional, da lavagem de dinheiro, de uma fiscalidade sobre grandes transferências
04:31de capitais internacionais, e também do combate à criminalidade,
04:36e garantir a paz e a segurança internacional, que é função princípua do Conselho de Segurança,
04:42mas que nem sempre consegue, né? O G20 seria uma espécie de diálogo, ou seja, um conclave anual
04:47em que os chefes de Estado vêm. Na verdade, aquilo é preparado religiosamente pelos Sherpas,
04:52que são os funcionários, né? Que preparam um ano antes a agenda, a declaração,
04:57e os chefes de Estado vão lá para uma foto opportunity, para uma ocasião de palanque,
05:02que fazem um belo discurso, prometem coisas, transferências de dinheiro, etc.,
05:06e depois as coisas vão caminhar muito lentamente, não é? Mas hoje você está num,
05:11talvez numa nova divisão entre os países ocidentais de economia de mercado,
05:17democracias, respeitando liberdades democráticas, direitos humanos, etc.,
05:22e duas grandes autocracias, que são a Rússia, do Putin, não é? Pelo menos a Rússia do Putin,
05:28não é? A do Yeltsia era um pouco diferente, talvez, e a China, que acaba de se adquirir
05:34um novo imperador. Porque o Deng Xiaoping, quando montou um sistema de alternância
05:40no poder entre líderes do Partido Comunista Chinês, não é? Ele fez isso, dois mandatos
05:45e depois dá espaço para uma nova geração e um certo equilíbrio entre as várias tendências
05:51do Partido Comunista, os mais globalistas, os antigos comunistas, os centralistas, etc.
05:57Isso acabou, agora temos um imperador que promete ficar até o fim dos dias,
06:01como o próprio Putin, talvez, planeje ficar lá na Rússia como um novo czar, não é?
06:07Um neo-czar. Então, eles têm uma demanda por uma nova ordem mundial.
06:13Eu acredito que esse seja um momento crucial da diplomacia brasileira.
06:18A diplomacia brasileira sempre buscou autonomia, não é?
06:21Buscou um equilíbrio entre os diversos componentes dessa ordem mundial.
06:27Antigamente, os comunistas, os capitalistas, hoje não temos mais comunistas,
06:31a não ser em Cuba, na Coreia do Norte, talvez na Venezuela e Nicarágua, não é?
06:36Mas todo mundo participa da economia de mercado, a China intensamente, não é?
06:41A Rússia também, com a sua cleptocracia.
06:44Mas hoje nós temos uma demanda por uma nova ordem mundial, a tal de multipolaridade,
06:49como disse o Lula, que é uma demanda para, digamos, não dar tanto espaço
06:56para as chamadas potências hegemônicas, que para os esquerdistas são sempre os americanos
07:03e os europeus, e haver um equilíbrio com as novas potências ascendentes
07:08e os emergentes, dentre os quais o grupo do BRICS, que eu considero um problema muito sério
07:16na diplomacia brasileira, porque o Brasil supostamente é um aliado de um país
07:19que violou flagrantemente a carta da ONU, invadiu um país e está perpetrando crimes de guerra,
07:26crimes contra a humanidade, crime contra a paz, os mesmos crimes pelos quais foram
07:31processados e condenados os criminosos de guerra nazistas em Nuremberg, em 1946, não é?
07:37O Putin provavelmente merece o Nuremberg para si próprio, né?
07:43Exclusivamente. Não sabemos se isso vai ocorrer, mas o fato do Brasil ser leniente,
07:48condescendente com o país transgressor da ordem internacional, isso viola os nossos princípios
07:55e valores. Inclusive, eu me permito aqui citar que nem no Estado Novo,
07:59seja o Estado Novo do Vargas, de 1937, 1945, violou a doutrina jurídica da diplomacia brasileira.
08:09Quando o Hitler invadiu a Polônia, o nosso representante lá, o ministro em Varsóvia,
08:16perguntou qual seria a atitude do Brasil e a atitude do Brasil, em 1940, ou melhor, em 1939, não é?
08:23Disse, olha, siga o governo no exílio da Polônia. E quando a União Soviética invadiu os três países
08:32bálticos em 1940, países que nós reconhecíamos desde 1919, porque os países bálticos saíram do
08:39Império Czarista e se tornaram países independentes em 1919, não é? Nas negociações de paz de Paris,
08:45nós não reconhecemos essa invasão. Os países bálticos mantiveram relações diplomáticas com o Brasil
08:52de 1940, governo no exílio, até 1961, quando o Jânio Quadros finalmente reatou relações com a União Soviética
09:02e aí se desfez, digamos, as representações diplomáticas dos países bálticos no Rio de Janeiro.
09:10Mas se manteve ainda durante os anos 60 a representação consular de um ou de dois países bálticos no Rio de Janeiro.
09:16Ou seja, nem ditaduras como a do Estado Novo e talvez a ditadura militar não rompeu tanto a doutrina jurídica
09:25do Brasil quanto fez agora o Bolsonaro, porque ele foi fucilânime nas votações tanto do Conselho de Segurança
09:35quanto da Assembleia Geral e no Comitê de Direitos Humanos em Genebra, nenhuma delas acusando a Rússia
09:43diretamente, não é? Houve a condenação da Rússia pela invasão, mas em termos muito diluídos, muito vagos.
09:52O Brasil achou que deveria se promover a paz por negociações pacíficas, como se a Ucrânia tivesse
09:58alguma vez ameaçado a Rússia, não é? Se opôs ao fornecimento de armas e se opôs a sanções,
10:04como se a Ucrânia devesse se render ao seu vizinho mais poderoso.
10:09É uma posição muito negativa para nós, acredito que isso vai custar um certo esforço para o Lula ajustar,
10:17porque até agora os BRICS se mantiveram neutros, não é? Alguns até aproveitando da guerra para fazer negócio com a Rússia,
10:26a Índia importou muito petróleo barato, a China mantém suas relações, talvez ela revise isso,
10:33ela acaba de condenar o uso de armas nucleares, não é? Nessa reunião do G20 em Bali,
10:39e eu acredito que o Brasil também deveria tomar uma atitude condizente com valores e princípios da diplomacia brasileira.
10:47Embaixador, gostei bastante dessa sua comparação histórica, acho até que é um pouco reconfortante
10:55saber que o Brasil, ainda que no Estado Novo ou na ditadura militar, não aceitou assim tão de barato
11:03que um país fosse lá e invadisse o outro.
11:07Agora, o que está acontecendo agora, essa invasão da Ucrânia,
11:13o Bolsonaro foi leniente, como o senhor colocou, mas o discurso do Lula também não difere tanto, né?
11:20Um pouco, também faltou uma condenação da Rússia por parte do petista, né?
11:27Exatamente. O Lula, em primeira manifestação que ele fez, logo em fevereiro, ou uma semana depois,
11:33dizendo que o Zelensky era igualmente culpado, culpado por querer entrar na OTAN e aí provocar os russos.
11:40Essa é a visão da esquerda, dos socialistas, dos comunistas, dos aliados da Rússia,
11:46lá da China, que são anti-OTAN, não é? Acredito que os militares brasileiros seriam mais cautelosos,
11:53porque eles têm imensa interface de relacionamento tecnológico, militar, de assistência, de treinamento,
12:00de cooperação com os Estados Unidos, com outros países da OTAN,
12:04e a cooperação com a China e com a Rússia nesses setores não é tão significativa
12:10quanto foi historicamente nas últimas décadas, não é?
12:13Então, ele sim foi, reproduziu a postura esquerdista, não é?
12:18De que a OTAN é culpada por ameaçar a Rússia, não é?
12:25É uma violação, inclusive, da Constituição brasileira,
12:29onde está a não intervenção nos assuntos internos dos países, não é?
12:34E a igualdade soberana das nações, isso está com a gente desde Rui Barbosa, em 1907, 1916,
12:41e os países que, saindo da esfera soviética, ingressaram na OTAN,
12:46não foi por pressão da OTAN, demanda da OTAN, foram soberanamente, pediram,
12:51porque eles não gostavam do abraço do urso russo, não é?
12:55Os três bálticos, imediatamente, a Polônia um pouco depois, a Tchecoslováquia,
12:58a Bulgária, a Romênia, até a Albânia, que foi o último país comunista dos Balcãs,
13:05até a Albânia entrou na OTAN, ainda que não tenha ingressado na União Europeia até hoje.
13:09Então, esses países, em lugar do abraço russo, não é?
13:13Do urso russo, preferiram ficar com a OTAN como garantia do que está ocorrendo agora com a Ucrânia.
13:19Se a Ucrânia tivesse entrado na OTAN nos anos 90,
13:23quando a Rússia estava naquela imensa, imenso declínio econômico, militar, geopolítico, não é?
13:30Talvez a Ucrânia não tivesse sido invadido.
13:32Os bálticos, a Polônia, a Tchecoslováquia, a Romênia, a Hungria, a Albânia, fizeram o seu seguro, não é?
13:39Seu seguro foi ingressar na OTAN.
13:42Então, por quê?
13:44Os urcanianos se julgavam irmãos dos russos, e na verdade são irmãos que foram durante séculos, né?
13:50A civilização russa, aliás, deve muito mais à Kiev do que à Moscou, como disse erradamente o Putin, não é?
13:57Então, eu acredito que no espaço de quatro ou cinco anos, a Ucrânia independente,
14:03não sabemos com qual território exatamente, a Ucrânia vai ingressar na União Europeia,
14:07e talvez em 10 ou 15 anos ela ingresse na OTAN, se a OTAN existir, não é?
14:12São resquícios da Guerra Fria que foram renascendo agora com essa nova Guerra Fria Econômica entre China e Estados Unidos.
14:23E eu acredito que essa Guerra Fria Econômica é, em grande parte, o resultado da arrogância americana, não é?
14:29Porque quando o Nixon incorporou a China à ONU, não é?
14:34Retirando o Taiwan e dando o lugar no Conselho de Segurança para a República Popular da China, China comunista,
14:40ele também favoreceu, e isso até o Clinton, não é?
14:43Favoreceu o ingresso da China na economia mundial.
14:46A China finalmente entrou no GAT, OMC, em 2001, e teve um desenvolvimento fulgurante.
14:52Mas desde os anos 90, quando a Rússia estava numa postura absolutamente sem qualquer significado geopolítico, né?
15:02Ela tinha um PIB menor do que o do Brasil nos anos 90, não é?
15:06Uma população também menor, não é?
15:09Depois que ela foi dividida em 15 repúblicas federativas, enfim.
15:15A China julgava ainda, como resquício dos anos 70,
15:19que os Estados Unidos seriam um aliado natural da China com respeito à Rússia,
15:26ou à União Soviética, ou ao Império Kizarista.
15:28O Império Kizarista tomou Vladivostok da China, invadiu a Manchúria,
15:32a capital da Manchúria, a Harbin, foi fundada por engenheiros militares russos, não é?
15:37Depois eles recuperaram antes que o Japão invadisse.
15:40Então, durante 40 anos, os chineses consideraram que os Estados Unidos
15:45seriam um aliado natural contra a Rússia, não é?
15:48Em algum momento vai ser colonizado economicamente pela China,
15:51mas quando os Estados Unidos tiveram aquela postura arrogante, a Ubris, não é?
15:56De tentar conter a China no seu crescimento,
16:00aí os chineses invertiram a posição,
16:02viram que os Estados Unidos não eram tão amigos assim,
16:05e decidiram se reencontrar com a Rússia novamente.
16:11E aí, em fevereiro, duas ou três semanas antes da invasão,
16:16no dia 4 de fevereiro, se não me engano,
16:18Xi Jinping e Putin, em Beijing,
16:21na inauguração dos Jogos Olímpicos de inverno,
16:25declararam essa aliança sem limites.
16:27Isso é de alto significado geopolítico
16:31e é muito desastroso para o mundo.
16:34Eu não sei o que vão fazer as grandes potências,
16:36provavelmente continuarão a sua corrida armamentista
16:39com armas que nunca serão usadas, não é?
16:42Armas sofisticadas, armas, digamos assim, nucleares,
16:46nunca serão usadas, serão apenas para dissuasão ou contenção.
16:49Mas o simples fato de você criar uma nova corrida armamentista
16:53e uma nova competição hegemônica
16:56é muito ruim para os países pobres, justamente.
16:59Porque não vamos esquecer que China e Estados Unidos
17:02são absolutamente complementares no plano econômico,
17:05complementares em todos os sentidos,
17:07entre mercados, investimentos, tecnologia, finanças,
17:11cooperação ao mundo.
17:12Se China e Estados Unidos estivessem unidos,
17:15como queria aquele historiador Nyle Ferguson,
17:17chimérica, não é? China e América,
17:20nós eliminaríamos a pobreza do mundo em menos de 50 anos.
17:24Agora isso está afastado, infelizmente,
17:27e vai demorar muito mais tempo até que se dissolva
17:30essa animosidade, hostilidade, enfrentamento, competição, não é?
17:36Existe até um acadêmico americano, o Graham Ellison,
17:40que escreveu um brilhante livro sobre a crise dos foguetes soviéticos
17:44em Cuba, em 1962, que tem um livro publicado no Brasil,
17:48Condenados à Guerra, Armadilha de Tucídides.
17:51Armadilha de Tucídides é aquela luta entre Atenas democrática
17:55e Esparta autocrática na Guerra do Peloponesa,
17:58que foi historiada pelo Tucídides,
18:01que acabou, aliás, com Esparta vencedora.
18:05Ou seja, se Esparta é a China e Estados Unidos é Atenas,
18:09Atenas perdeu, porque errou diplomaticamente
18:11nas suas alianças da Liga Ateniense,
18:14teve peste, teve má condução dos seus negócios,
18:17Esparta ganhou a Guerra do Peloponeso.
18:19Mas isso não vai ocorrer.
18:21A Armadilha de Tucídides, o Graham Ellison,
18:24acha que não deve ser travada, não é?
18:26Essa competição adversária entre Estados Unidos e China
18:31não pode redundar num conflito global,
18:34como houve na primeira metade do século XX.
18:37Seria muito triste para a humanidade.
18:40Eu acredito que vai persistir a Guerra Fria Econômica,
18:43já que os Estados Unidos têm esse objetivo utópico
18:47de conter a China, a China não pode ser contida,
18:50ela vai continuar progredindo,
18:52hoje ela já está na Quarta ou na Quinta Revolução Industrial,
18:55faz um pouco de espionagem,
18:57pirataria,
18:59isso tudo que as grandes potências sempre fizeram,
19:02vai se qualificar, inclusive, no domínio espacial,
19:05numa marinha de águas azuis,
19:07isso não é, na cooperação internacional,
19:09nos investimentos, na finança,
19:11já é a maior potência comercial do mundo.
19:14Então, o racional, o ideal,
19:17seria que China e Estados Unidos se entendessem
19:19em benefício de países pobres.
19:21E isso talvez ocorra daqui a 20, 30 ou 40 anos.
19:25Infelizmente, o orgulho das grandes potências é muito grande.
19:31Ou dos planejadores militares,
19:36os paranóicos do Pentágono.
19:38Os militares são pagos para serem paranóicos,
19:40para planejarem todas as hipóteses.
19:43O triste é quando acadêmicos, inteligentes,
19:46também pegam essa doença dos generais do Pentágono,
19:49se tornam paranóicos também,
19:51como o Alexander Duggin, na Rússia,
19:55ou outros malucos que existem por aí,
19:59Putin e outros.
20:01Eu espero que volte a razão
20:03e que haja um itinerário muito mais próximo
20:09ao da meia potência imperial,
20:12que é a União Europeia,
20:13é o projeto de unificação econômica, monetária,
20:17de direitos humanos,
20:18de liberdades mais exitoso que existe no mundo.
20:22Mas isso não vamos esquecer,
20:24é o resultado de duas grandes guerras no século XX
20:26e de dezenas de outras guerras nos séculos anteriores.
20:29Os europeus aprenderam.
20:32Vamos ver se chineses, americanos e russos também aprendem.
20:36Ótimo.
20:37Embaixador, foi uma ótima aula de relações internacionais,
20:42também achei um bom mergulho na cabeça do Lula,
20:48influenciado pelo Celso Amorim e pelo PT.
20:51Acho que deu bem para tentar prever o que pode acontecer
20:56nos próximos quatro anos.
20:58Muito obrigado pelo seu tempo essa tarde.
21:02Esse foi mais um podcast Latitude,
21:05toda terça-feira, nove da noite,
21:09entra, vai ao ar um novo programa,
21:12discutindo e analisando os principais fatos do mundo
21:15e também a nossa diplomacia.
21:18Se você gostou, recomende,
21:20clica aí no sininho.
21:22Embaixador, muito obrigado pela participação hoje.
21:26Até a próxima vez, meu caro Duda Teixeira.
21:28Muito obrigado pelo convite.
21:29Tchau, um abraço. Até mais.
21:59Tchau, um abraço.
Comentários