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O mercado global de açúcar sente os efeitos da previsão de super safra: quase 190 milhões de toneladas em 2025/26, segundo o USDA. Arnaldo Correa, diretor da Archer Consulting, analisa o impacto sobre preços, etanol e as projeções para Brasil e Índia, os dois maiores produtores do mundo.

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Transcrição
00:00O mercado internacional de açúcar registrou queda nos preços diante da perspectiva de uma super safra global.
00:07Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a produção mundial deve atingir quase 190 milhões de toneladas em 2025 e 2026,
00:18alta de 4,73% em comparação com o ciclo anterior.
00:23Tudo isso puxado principalmente por Brasil e Índia.
00:27Para entender melhor o cenário, a gente conversa agora com o Arnaldo Correia, diretor da Archer Consulting.
00:34Arnaldo, boa tarde. Obrigado pela gentileza da sua participação aqui com a gente.
00:38Obrigado a você, Fábio.
00:39Obrigadíssimo. Valeu por estar junto com a gente aqui ao vivo.
00:42Arnaldo, como é que esse movimento dos preços, de safra record e preços em queda, afeta o mercado internacional e o brasileiro em especial?
00:52Olha, eu acho que esse número do SDA, como sempre, e aqui não vai nenhuma ironia, mas é um pouco exagerado.
01:01E como ele toma bases diferentes de tempo, de safras e tudo mais, às vezes dá uma discrepância.
01:07Eu acho que nós achamos que esse superávit não é tão grande assim.
01:14Ele seria, no máximo, 4 milhões de toneladas.
01:19Agora, veja bem, 4 milhões de toneladas de superávit não é uma coisa que traz uma enorme pressão no preço,
01:27porque o mundo consome, para você ter uma ideia, 500 mil toneladas por dia.
01:33Então, quando você fala em 4 milhões, você está falando de 8 dias de consumo.
01:36Não é uma coisa que vai trazer nenhum problema.
01:39Os preços estão, atualmente, muito pressionados, digamos assim,
01:45porque os nossos concorrentes, a Tailândia principalmente,
01:50errou na mão e demorou para fixar seus preços de exportação.
01:56Ele imaginava que o mercado fosse chegar em um determinado nível,
01:58o mercado nunca chegou e agora ela está pressionada,
02:01ela tem que fixar os seus preços, porque os açúcares estão sendo embarcados e tudo mais.
02:06Então, essa pressão momentânea, ela se deve a alguns fatores.
02:10O primeiro fator é o efeito Trump, de uma maneira geral,
02:15que faz com que as empresas, principalmente o consumidor industrial,
02:20trabalhem praticamente da mão para a boca, ou seja, não formem estoques,
02:25usem mais os estoques que estão nos seus quintais, digamos assim,
02:29e isso cria uma demanda fraca e, consequentemente, preços menores.
02:37Então, uma questão é o efeito Trump, que afeta as commodities de maneira geral.
02:43O segundo ponto foi esse que eu falei da Tailândia.
02:47Agora, uma coisa que é importante é o seguinte,
02:51essa safra que está sendo colhida agora, começamos agora a colher essa safra,
02:55ela apresenta uma qualidade de cana muito ruim e nós vamos ter um rendimento bem inferior à previsão.
03:07Vou te dar um exemplo.
03:09O nosso número no Centro-Sul, no começo do ano,
03:13era uma previsão de 597 milhões de toneladas de cana.
03:18Nós reduzimos já essa previsão para 581 milhões de toneladas.
03:25O que isso representa?
03:26A gente imaginava aqui na Ártia que o Brasil,
03:30que o Centro-Sul, melhor dizendo, só para você entender,
03:34que o Centro-Sul representa 85% de toda a produção brasileira.
03:39Então, o Centro-Sul iria produzir aproximadamente 41 milhões e meio de toneladas de açúcar.
03:46Nós reduzimos para 38,6 milhões.
03:50Ou seja, são 2,8 milhões de toneladas,
03:53a menos que o Brasil vai disponibilizar para o mercado internacional.
03:58Então, na minha visão, eu acho que, embora esses preços estejam deprimidos nesse momento,
04:04eles devem se recuperar mais ou menos lá para julho ou agosto,
04:09quando nós teremos, primeiro,
04:10uma melhor ideia de qual vai ser o tamanho da safra de cana no Brasil, no Centro-Sul,
04:19porque agora nós só colhemos aproximadamente 12%, 13%.
04:24Então, em julho, agosto, nós vamos ter mais ou menos 60% já colhido.
04:30E também vamos ter uma ideia de como que a safra indiana vai se comportar,
04:36safra essa que só começa em 1º de outubro.
04:38Você falou que essa safra de cana no Brasil não é de boa qualidade,
04:44ou tem uma queda na qualidade.
04:46Isso por questão de clima também?
04:48Sim.
04:49Não sei se você lembra, o ano passado nós tivemos, em agosto, setembro,
04:53uma condição de incêndio e seca.
04:59Está lembrado disso?
05:00Sim.
05:01Aqueles incêndios, principalmente no estado de São Paulo.
05:05Então, evidentemente, que aqueles incêndios causaram algum tipo de problema
05:13nas mudas, no canavel que estava sendo renovado ali.
05:18E isso agora, você está recebendo a resposta.
05:22Ou seja, uma cana que cresceu de maneira desordenada, não homogênea.
05:30Falando com um usineiro recentemente, ele falou assim,
05:32ó, peguei o drone, deu uma geral na minha usina e você vê buracos, assim,
05:37como se fosse, não buracos, mas assim, você vê falhas no canavial, não homogêne.
05:43Então, o que é aquilo ali?
05:45É uma cana que cresceu de maneira diferente das outras,
05:50a qualidade está pior exatamente pelo dano que aquilo trouxe no solo e etc.
05:59Então, agora, se nós tivermos, por exemplo,
06:03você não vai ter uma safra perfeita nunca,
06:06sempre você vai ter chuva, você vai ter algum efeito climático
06:10que impossibilite você de moer.
06:13E um dia de chuva no canavial é um dia perdido.
06:16Não tem como você estender a tua moagem.
06:20Então, eu acredito que nós vamos ter uma surpresa
06:23que vai, evidentemente, diminuir a disponibilidade de produto,
06:27mas vai aumentar consideravelmente os preços do açúcar no mercado internacional.
06:33Agora, enquanto a gente está nessa fase de preços mais baixos do açúcar,
06:37há algum impacto sobre a produção de etanol?
06:41Olha, o etanol hoje vai ter, claro, um impacto na produção de etanol de cana.
06:48Mas hoje nós temos o etanol de milho,
06:52que ainda bem que veio para ajudar a indústria de maneira geral.
06:58Porque se nós não contássemos hoje com etanol de milho,
07:03nós estaríamos, talvez, numa situação de ter que diminuir a mistura
07:10do combustível renovável na gasolina,
07:14que hoje você sabe que é de 27%.
07:18Se nós não tivéssemos a produção de milho,
07:22certamente nós estaríamos com um problema.
07:25Só para você saber, hoje, 23% de todo o etanol produzido no Brasil
07:30vem do milho, graças a Deus.
07:33Quer dizer, faltaria cana para entregar etanol para toda a demanda.
07:37Exatamente, faltaria cana.
07:39Quer dizer, não seria bom para ninguém.
07:41Porque quando você desabastece o consumidor,
07:44ele migra para outro produto e ninguém tem esse interesse.
07:47Subir preço por falta de produto é muito ruim,
07:51porque você acaba perdendo o teu cliente.
07:53Como é que os produtores podem se proteger desse momento de volatilidade nos preços?
08:01Olha, Fábio, boa pergunta.
08:02Eu imaginei que você fosse perguntar isso.
08:05Os produtores já estão 85% fixados nessa safra de açúcar já há bastante tempo.
08:15Ou seja, o setor se profissionalizou muito e aproveitou os bons preços que a gente viu no final do ano passado
08:27e no começo desse ano, aproveitou as boas taxas de câmbio e já fixou seus preços para essa safra.
08:35Quer dizer, essa safra está praticamente já fixada.
08:40Agora, ainda tem alguma coisa para fixar.
08:47Mas vai estar concentrado mais lá para o segundo semestre, para o março,
08:53porque a nossa safra vai de 1º de abril até 31 de março do ano que vem.
09:00É a safra 25, 26.
09:02Então, essa safra está praticamente fixada.
09:05Todo o açúcar que vai ser exportado está praticamente fixado.
09:09Eu diria uns 85% a bons preços.
09:12Faz cinco anos que o setor tem tido bons resultados, bons preços,
09:17diminuiu o seu endividamento,
09:19está tendo uma outra visão por parte do setor financeiro.
09:26Hoje, tem bancos voltando a se interessar pelo setor sulco-alcooleiro,
09:33que estavam fora.
09:35Então, voltaram por quê?
09:36Porque a saúde financeira das usinas melhorou consideravelmente.
09:41Arnaldo Correia, diretor da Archer Consulting.
09:44Arnaldo, muito obrigado pela sua participação aqui.
09:46Obrigado por você, Fábio.
09:48Uma boa noite.
09:49Estou sempre à disposição.
09:50Um grande abraço.
09:50Muito obrigado.
09:51Um abraço.
09:52Valeu.
09:52Valeu.
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