Carol Barcellos revela quais são os desafios e os segredos na hora de encarar a subida do Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil localizado no estado do Amazonas. Além disso, vamos mostrar o Pantanal Sergipano, um destino incrível, mas ainda pouco explorado.
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NotíciasTranscrição
00:00Música
00:00Você subiria o pico mais alto de São Paulo para ter essa vista?
00:18Música
00:19A gente está no pico do Jaraguá, a 1.135 metros de altitude,
00:27um lugar em que a gente tem essa vista privilegiada de São Paulo.
00:31Deixa eu falar um pouquinho do entorno.
00:33Olha só, tem duas grandes antenas, sendo que uma de televisão,
00:36compartilhada por três emissoras, TV Globo São Paulo,
00:38TV Bandeirante São Paulo e TV Cultura.
00:41O pico do Jaraguá é um ponto referência aqui em São Paulo
00:44e muita gente vem para cá se exercitar.
00:47Agora imagina, a gente está tendo essa vista aqui a 1.135 metros de altitude, né?
00:53Agora vamos chegar a 3.000 metros, que é para lá que a gente vai hoje.
00:56A gente vai para o pico mais alto do Brasil, Pico da Neblina,
01:00e você está aqui no Planeta.
01:01Eu sou a Carol Barcelos e você está no Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC.
01:05Música
01:06Quando a gente percebe que cada vez mais tem grupos procurando para subir o Pico da Neblina,
01:19fica muito claro como tem crescido o turismo de aventura no Brasil.
01:23E os números comprovam, tá?
01:24Em 2024, chegou a movimentar 7,34 bilhões de dólares na economia brasileira
01:30esse turismo, que é chamado de turismo de aventura.
01:34E o curioso é que esses grupos, eles reúnem pessoas que têm estilos de vida completamente diferentes,
01:40profissões variadas, mas têm um objetivo em comum,
01:44que é chegar ao pico mais alto do Brasil.
01:47A gente está falando do Pico da Neblina.
01:48Uma expedição feita de superlativos.
01:59Tudo é enorme, a floresta é enorme, o rio, os rios são enormes.
02:06Partimos rumo ao ponto mais alto do Brasil.
02:10Porque nas próximas quatro horas a gente não vai ter água, por isso que a gente está enchendo.
02:14Desbravando a maior floresta do mundo, a Amazônica.
02:27Guiados por um dos povos mais antigos da América do Sul.
02:30A jornada até o Pico da Neblina, reaberto depois de quase 20 anos, não é para todo mundo.
02:54Talvez o Pico da Neblina, para vocês, seja a única vez.
03:03São 70 quilômetros desviando dos mais diversos obstáculos que a natureza impõe.
03:09Se morder uma pessoa, o cabelo cai tudinho.
03:15Ela está de frente, bicho.
03:16Fribrando o calor, a umidade, o esgotamento.
03:34Estou exaustada.
03:37Para avançar, só mesmo com a ajuda do povo Yanomami.
03:41Para os indígenas, o Pico da Neblina é a Montanha dos Ventos, ou Iaripo, na língua deles.
04:00Serra Sagrada.
04:02Trilha Sagrada.
04:04Mais que uma expedição.
04:06Embarcamos agora numa experiência transformadora.
04:15Resta saber se a Montanha Sagrada irá nos receber.
04:21E se o corpo e mente vão resistir até o fim.
04:26Buracão ali, hein?
04:28Muito forte a correnteza.
04:31Se Deus quiser, amanhã, a gente vai chegar lá.
04:36Saímos de São Paulo rumo a Manaus.
04:43Porta de entrada da Amazônia.
04:47Depois de quase quatro horas de voo, chegamos à capital do Amazonas.
04:54Daqui, embarcamos direto para São Gabriel da Cachoeira.
05:02Onde se chega apenas de barco ou avião.
05:06O nosso voo até São Gabriel da Cachoeira deve ser aproximada de uma hora e cinco minutos.
05:15Chegamos em São Gabriel da Cachoeira.
05:17Por favor, permaneçam sentados com os equipos de segurança frivelados.
05:21Com pouco mais de 47 mil habitantes, São Gabriel é considerada a cidade mais indígena do Brasil.
05:37Aqui encontramos o grupo de aventureiros de várias partes do país, que nos fará companhia durante essa jornada.
05:44A primeira parada é na comunidade indígena areal.
05:56Essa espécie de mochila feita por eles será muito útil para a viagem até o pico da neblina.
06:23As 30 famílias que vivem aqui fazem questão de valorizar suas raízes.
06:31Eu gostaria de cantar um canto em Baniwa e eu vou traduzir também em português para que os senhores possam entender.
06:39Seja bem-vindo os visitantes, neste momento aqui entre nós.
06:55Nós te saudamos com alegria, com carinho e dedicação.
07:01As boas-vindas se estendem à mesa.
07:08Eu preparei o caldo de tambaqui com um pouquinho de murupi, que é uma pimenta também da região.
07:15E ali tem o caruru com um pouquinho de temperinho.
07:20A gente cozinhou banana cozida para vocês.
07:23E tem banana crua também.
07:24A imersão por esse Brasil profundo não poderia começar melhor, com os sabores e temperos da Amazônia.
07:44E tem mais floresta adentro.
07:53Em poucos minutos de navegação pelo Rio Negro,
08:00atracamos na comunidade indígena Sewari.
08:03Deilton é o cacique da aldeia.
08:30A farmácia que abastece as 160 famílias que moram aqui fica no quintal.
08:37Esse aqui, na nossa língua, se chama dama.
08:41Esse aqui é um remédio muito bom.
08:44É tipo uma proteção.
08:45É tipo uma proteção.
08:47Proteção.
08:47Indígena, então, ele consome muito isso aqui.
08:50Isso aqui é muito bom também.
08:52Se tu tiver com dor de barriga, toma esse aqui.
08:55Ensinamentos que serão repassados às próximas gerações.
09:01Essa daqui é a minha filha.
09:03Pra quem é...
09:04Essa daqui é a minha filha.
09:06O nome dela é Sheila.
09:08É Sheila.
09:09Cumprimento a pessoa, Sheila.
09:11Eu tô aqui na aula, tchau.
09:12Cumprimento.
09:13Tudo bem?
09:14Eu quero um abraço.
09:15Eu quero um abraço.
09:16A pequena Sheila faz parte dos cerca de 897 mil indígenas que vivem no Brasil.
09:29A gente sabe que todo mundo aqui é do mesmo sangue, né?
09:34Todo mundo aqui que habita nesse chão aqui, ninguém leva nada, né?
09:38Somos todos, digamos, podemos dizer que somos todos irmãos.
09:41A gente aprende isso muito com eles.
09:42A gente é muito bem recebido em todas as aldeias, comunidades que a gente visita.
09:50Povos muitas vezes isolados, que lutam para manter e divulgar sua cultura.
09:56Tem esse sabor especial e uma imersão na cultura, na alimentação, nas danças, no vestuário.
10:06A tarde cai e nos despedimos da comunidade Seuari.
10:18Os desafios do Pico da Neblina começam para valer amanhã.
10:25E é preciso estar preparado logo sim.
10:28Nove dias de expedição para fazer apenas 35 quilômetros de trilha.
10:35O Pico da Neblina, sem dúvida, é um dos maiores desafios que tem aqui no Brasil.
10:41O desnível é puxado e muita umidade, muito atoleiro, muito barro também.
10:47Por aí se imagina o grau de dificuldade que é essa trilha.
10:51E o nosso grupo aventureiro vai ter a ajuda dos povos originários.
11:04Você está assistindo ao planeta, que eu te mostro o meu mundo, te levo junto comigo e olha só o que vem por aí.
11:12Mais que uma expedição ao ponto mais alto do Brasil.
11:21A jornada até o Pico da Neblina
11:29É também uma imersão no universo dos Yanomami.
11:35Um povo sábio
11:37Daqui é o rastro de onça, né?
11:40Forte
11:41Aproximadamente estamos levando uns 200 quilos de comida.
11:45Mas acima de tudo, gentil.
11:47Eles acabam colocando aqui, eles estão super felizes, muito contentes da chegada dos senhores.
11:56É com a bênção desses indígenas, um dos povos mais antigos da América do Sul, que seguimos viagem.
12:06Estamos em São Gabriel da Cachoeira, cidade bem no miolo da Amazônia.
12:17Nosso dia começa com muita lama e chacoalhões.
12:26São quase três horas por estrada de terra até o rio Cauá-Buris.
12:32É o extremo noroeste do Brasil.
12:34Pouca gente só vê no mapa, mas nunca conseguiu chegar, né?
12:37Aqui, os barcos, conhecidos como voadeiras, são abastecidos com combustível, água e mantimentos,
12:46que serão usados durante toda a expedição ao Pico da Neblina.
12:50Alguns Yanomami já estão à nossa espera e nos recebem de maneira calorosa.
12:58Seja bem-vindo, bom dia.
12:59O próximo destino é a comunidade Maturacá, justamente onde fica a Associação dos Yanomami dessa região do Amazonas.
13:08Serão seis horas de navegação até lá.
13:24Aqui, em qualquer lugar que a vista repouse, a recompensa é garantida.
13:30O clima da floresta é imprevisível.
13:38No instante, o solzão...
13:42...dá lugar à chuva.
13:45Ah, essa hora aqui debaixo da lona, para se esconder um pouquinho da chuva.
13:49Chegamos ao refúgio dos Yanomami, no Cair da Tarde.
13:58Olá, boa tarde. Chegamos.
14:00É a perna, estou aqui, ó.
14:01Muito prazer.
14:02Muito prazer.
14:05Obrigada por receber a gente.
14:07É uma honra estar aqui.
14:09Juvenal, um dos líderes indígenas mais antigos da região,
14:14tenta explicar em português o significado de Iaripo,
14:17como eles chamam o Pico da Niblina.
14:21O povo é lá em muito vento, muito frio,
14:25porque a temperatura lá no topo chega a cinco graus.
14:29É morada dos ventos, mas também é a morada dos espíritos, dos pajés que eles falam.
14:37Quando eles falecem, os pajés, como ele, o espírito deles vão pra lá.
14:45Um dos povos mais antigos da América do Sul,
14:49os Yanomami migraram pelo Estreito de Bering,
14:52entre a Ásia e a América, há cerca de 15 mil anos.
14:56Lentamente se estabeleceram no norte do Brasil e sul da Venezuela.
15:02Nosso espírito também está com isso, de cima, de vocês.
15:07Está olhando.
15:08Um povo isolado que faz questão de manter sua língua viva.
15:19Passamos a noite na casa dos Yanomami.
15:23Na floresta, o dia amanhece bem cedo.
15:26Hoje, para o café, temos pão tostado, com ovo mexido, queixo, abacaxi.
15:36Temos café também, chá e hielo.
15:40Que bom, Kietchan.
15:44Depois do café, os indígenas que irão nos acompanhar até o pico da Niblina
15:49abastecem os cestos, uma espécie de mochila, com mantimentos, barracas e água.
15:56Aproximadamente estamos levando uns 200 quilos de comida.
16:01Cada um vai carregar cerca de 25 quilos nas costas,
16:05durante todo o trajeto de 70 quilômetros.
16:08Eles não reclamam, pelo contrário, participam ativamente.
16:15O trabalho no projeto Iaripo é uma alternativa à atividade no garimpo
16:21que ameaça a Amazônia há décadas.
16:24Tinha vários tipos de trabalho onde a maioria da juventude
16:33trabalhava, como a gente fala, em questão da língua portuguesa,
16:38logo, claro, em garimpo, destruindo, vendo aquela destruição.
16:43E pensando nisso, é o que eu falo que é de sonho.
16:47Poxa, a gente, ao invés de estar ganhando, trazendo visitantes
16:54para apreciar a nossa floresta, fica degradando.
16:58Foi aí que começou esse sonho.
17:00Nós, de Anunamo, nós tivemos um sonho muito
17:07que nós queríamos realizar e hoje está sendo realizado
17:13pelo ecoturismo em Anunamo.
17:16Um sonho que ficou engavetado durante anos.
17:20Em 2003, o Ibama suspendeu as expedições ao Pico da Neblina
17:25para evitar a degradação ambiental da área.
17:28Antigamente, a visitação era feita sem qualquer tipo de regulamentação.
17:34Hoje, somente três empresas, sempre em parceria com os Yanomami,
17:39têm permissão para explorar o turismo no Parque Nacional Pico da Neblina.
17:43Com apoio do ICMBio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
17:52e do Instituto Socioambiental, em março deste ano, depois de quase duas décadas,
17:58as atividades foram retomadas.
18:00Houve toda essa assistência dos não indígenas,
18:04mas sempre com a participação e a anuência dos Yanomamis.
18:09A palavra deles sempre foi a palavra final
18:11para que todos esses itens, essas normativas, fossem aprovadas.
18:17Tem todo um valor pré-estabelecido para cada profissional Yanomami
18:21que vai estar envolvido na operação.
18:22Não é barato conhecer o ponto mais alto do Brasil.
18:27Cada pessoa paga, em média, 20 mil reais.
18:31Em torno de 20% a 25% do valor total fica dentro da comunidade.
18:37O projeto Iaripo tem o foco nos Yanomamis e na montanha.
18:43O retorno que vem para nós nos ajuda muito para comprar materiais como de pesca, caça e facão.
18:58A gente, para fazer roça, ajuda muito a gente nessa parte.
19:04Tencin é venezuelano e cuida da logística das expedições.
19:08Eu me sinto abençoado de trabalhar com Yanomamis.
19:13Eu gosto muito.
19:15É uma outra cultura, sabe?
19:20Uma cultura, eu acho que é alegre.
19:24Andam dentro da floresta alegres, contentos.
19:27Uma coisa que, o olho deles é que não precisam sair da floresta para sobreviver.
19:32Tem tudo aqui.
19:34Então é isso que eu estou aprendendo com eles.
19:36Muito lindo.
19:38Nosso mergulho nas profundezas da maior floresta do mundo está prestes a começar.
19:46Mas ninguém parte para Iaripo, a montanha sagrada, sem a bênção dos pajés.
19:52Ele coloca na nossa língua o espírito do pé de veado, que ele é um dos animais que espiritualmente protege a pessoa durante a caminhada na trilha.
20:13Para algumas pessoas isso pode parecer uma encenação ritual sem muito valor, mas tem um valor muito grande.
20:24São as bênçãos dos Yanomamis abrindo as portas para que as viagens sejam bem-sucedidas.
20:30Com a proteção dos Yanomamis, nosso grupo parece preparado para enfrentar os desafios da Amazônia.
20:39Mas será que todos conseguirão chegar ao pico da morada dos ventos?
20:48Sejam bastante cuidadosos.
20:58Porque trilha pesada, a maçã do barro, galho de água, raízes, guises.
21:05Dentro da mata a umidade é muito forte, o calor é muito forte, isso vai desidratando as pessoas.
21:12Existem riscos.
21:14Os riscos são reais, né? E talvez nem todos eles consigam chegar ao pico.
21:19A verdade é que às vezes o corpo quer uma coisa, a cabeça quer outra, a cabeça já te fazendo ir além, mas o corpo já está cansado, já não está aguentando mais.
21:27É preciso muito preparo para chegar ali ao topo, no lugar mais alto do Brasil.
21:34A gente agora vai relembrar um pouquinho dos perrengues que eles já enfrentaram para depois seguir a nossa expedição.
21:43Depois de encarar avião.
21:51Estrada de terra.
21:58Horas de barco.
22:04Chega o momento de testar o fôlego.
22:08As pernas.
22:16Tem muito toco aqui, pode perceber, né?
22:18Tem outros que também estão no fundo da lama.
22:21E pode furar a bota e furar até o pé.
22:25Hoje, começa o percurso a pé até o pico da neblina.
22:34A floresta continua sendo um mito para todo mundo.
22:39Um trajeto longo e perigoso.
22:44Daqui o rosto de onça, daqui, né?
22:47Depois de receber as bênçãos dos pajés Yanomami.
23:03Seguimos de barco por duas horas pelo rio Kawaburis até a entrada da trilha.
23:07Às vezes, o barulho do motor alivia.
23:14Nos permite ouvir a música da Amazônia.
23:20A partir deste momento, é isolamento total do mundo lá fora.
23:26Muitos dias, sem conexão à internet, sem celular, longe da família, sem dinheiro.
23:39Serão quatro horas caminhando pela mata até chegar ao local do primeiro acampamento.
23:44Eu nunca tive uma experiência de caminhada dentro da floresta amazônica em si.
24:00Alguns moradores discretos só observam.
24:08Debaixo de um calor de quase 30 graus, fica mais difícil avançar.
24:14Olha só essa trilha, gente.
24:19Meu Deus.
24:22Se pra gente é pesado...
24:25Legal.
24:25Legal, bom, garoto.
24:28Imagina para os indígenas, carregando mais de 20 quilos de mantimentos nas costas.
24:38Pela proximidade à linha do Equador, o clima da floresta é equatorial.
24:43O que significa temperaturas altas, umidade e chuva.
24:51Quase não há períodos de estiagem.
24:55O desnível é puxado e muita umidade, muito atoleiro, muito barro também.
25:01Então isso acaba dificultando mais a caminhada.
25:08Por isso, qualquer riacho se transforma em piscina.
25:14A natureza é mais generosa por aqui.
25:28O melano é maelho.
25:30Orelha de macaco.
25:31Orelhas de macaco?
25:34Uhum.
25:35São comestíveis?
25:36Não, não são comestíveis.
25:37Depois de seis quilômetros de caminhada, chegamos ao local onde vamos passar a noite.
25:47Que calor, viu?
25:49Tudo bem, tudo ótimo.
25:51Um dia a menos.
25:52Um dia a menos.
25:53Eu estava caminhando lá atrás e aí eu dei um passo e minha perna afundou até o joelho.
26:07Mas podia ter torcido o meu pé, mas acho que eu fui protegida pela benção dos pajés.
26:13Tirando nossos repórteres Adriana Farias e André Almeida, todos os integrantes do grupo são montanhistas experientes.
26:28Gosto de montanha e na minha leitura ela permite relativizar tudo do que a gente vive no cotidiano de uma grande cidade.
26:38Então o que pra gente é importante, por exemplo, numa cidade como São Paulo, nessa vivência que a gente tem aqui, absolutamente não tem valor nenhum.
26:48E outras coisas ganham espaço.
26:54São engenheiros, empresários e uma psicóloga de várias partes do Brasil.
27:05Moro em Bento Gonçalves, Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.
27:09Eu descobri que tinha um passeio que estava suspenso há muitos anos, que era o Pico da Neblina.
27:16E era uma trilha fantástica, que era o que eu procurava.
27:20Todos apaixonados por natureza.
27:24Mesmo pra eles, essa expedição é um teste de fogo.
27:31O Pico da Neblina, sem dúvida, é um dos maiores desafios que tem aqui no Brasil.
27:36Sempre foi um sonho, desde criança, que eu faço o trekking desde criança.
27:41E estar no ponto mais alto do Brasil é o que me deixa mais motivado a estar aqui.
27:47Para participar dessa experiência rumo ao Pico da Neblina, é preciso apresentar um atestado de saúde.
27:57É fundamental que você não tenha nenhuma restrição física para fazer.
28:05Tem que estar muito bem preparado.
28:06E mesmo assim, ainda podem ter variáveis que te retiram da expedição.
28:10Nós já tivemos que ter que desligar pessoas por incapacidade psicológica.
28:16Foram dois dias trabalhando a pessoa para tentar ver se ele conseguia seguir.
28:21Mas no segundo dia, realmente, a gente viu que, para continuar pela parte mais difícil,
28:26ele não tinha condições psicológicas de seguir.
28:28Filhos dessa terra, os únicos que encaram com tranquilidade essa empreitada são os Yanomami.
28:40Nós, Yanomami, somos assim mesmo.
28:42A gente tenta chegar devagar.
28:48Em uma pequena clareira no meio deste mar de árvores,
28:52eles esticam as redes em que iremos dormir.
28:55Planeta hoje em solo brasileiro e a gente agora vai para o Pantanal.
29:02Quando eu falo Pantanal, na hora vem o quê?
29:04Pantanal, Mato Grosso do Sul.
29:06É natural, tá?
29:07Porque é um lugar cada vez mais procurado.
29:09O Centro de Eventos do Pantanal, ano passado,
29:11movimentou 26,4 milhões de reais.
29:15Só que eu vou te levar para conhecer o Pantanal Sergipano.
29:19Menos visitado, mas cheio de encantos.
29:22As pessoas podem chegar e podem se aconchegar porque é um local bem tranquilo.
29:32Se a senhora tivesse que escolher uma palavra para definir o lugar e o que vocês têm aqui,
29:38que palavra seria essa?
29:40Paz.
29:41E esse lugar, cheio de paz e beleza natural, fica em pleno litoral nordestino.
29:53No estado de Sergipe, a mais de 2 mil quilômetros do Pantanal mais famoso.
29:58Nossos repórteres foram conhecer de perto esse destino turístico ainda pouco explorado.
30:10A viagem começa pela capital sergipana.
30:21Seguimos no sentido norte pela rodovia estadual SE-100.
30:32Depois de 60 quilômetros, o asfalto termina e começa a estrada de terra.
30:37Na época de chuva, o caminho fica cheio de lama.
30:40O destino é a cidade de Pacatuba, a 90 quilômetros de Aracaju.
30:49As dificuldades do trajeto tornam a viagem mais demorada.
30:54São cerca de duas horas.
30:56No Pantanal, essas lagoas que se formam temporariamente, algumas são permanentes,
31:08elas também garantem água para essas pessoas criarem seus animais.
31:15Temos espécies endêmicas na região, uma diversidade muito grande,
31:20que só é possível a gente ter isso graças à preservação integral desses ecossistemas.
31:31Quando visto do alto, a grande semelhança com o clima pantaneiro fica mais clara.
31:37Uma extensa área alagada na época das chuvas.
31:41Toda a região fica no delta do Rio São Francisco, um dos mais importantes do país.
31:46Essa proximidade com o rio é a principal explicação para a formação característica do Pantanal.
31:54O que a gente tem de semelhanças?
31:56Acúmulo de água em regiões baixas, certo?
32:00Então você não tem escoamento de águas, você tem camada argilosa segurando aquela água.
32:06E isso cria esse micro, esse ecossistema peculiar, né?
32:11Lá no Mato Grosso não é um sistema deltaico, não é litorâneo.
32:18Então, inclusive, isso é uma coisa bastante peculiar do nosso Pantanal.
32:22É raro você ter esse tipo de situação muito próxima ao litoral.
32:27A doutora em geologia e professora da Universidade Federal de Sergipe
32:32explica por que a água se acumula em uma pequena área.
32:36Aqui eu tenho as águas do Rio São Francisco jogando sedimentos para aquela região litorânea.
32:44Então ali ele joga areia, ele joga, eventualmente, em épocas de enchente, argila também,
32:48enquanto que o oceano está constantemente retrabalhando isso.
32:53A formação geológica tem cerca de 12 mil anos, o que é considerado recente.
33:00Desde então, a área recebe sedimentos do Rio São Francisco.
33:04As lagoas se formam bem perto da costa, mas a água não escoa para o mar.
33:12Você está gerando uma região mais baixa.
33:15Essa região mais baixa, ela tem bastante argila na sua composição.
33:18Então você está gerando uma área onde você acumula água e a água não se espalha.
33:24Ela não vai na direção do mar e também não infiltra de forma tão rápida no solo.
33:29A explicação da especialista fica ainda mais clara quando embarcamos em um passeio de barco pelas áreas alagadas.
33:43Para conseguir navegar, a canoa segue por caminhos estreitos em meio ao verde das plantas.
33:49Jadson é o guia que leva a equipe.
33:55Ele tem 35 anos e nasceu e cresceu na região.
33:58A diversidade da fauna é outra semelhança entre o Pantanal de Sergipe e o bioma do Centro-Oeste.
34:17O local abriga centenas de espécies de aves e peixes.
34:28O pescador chegou a morar um ano em São Paulo, mas não aguentou ficar longe da natureza e da família.
34:47Hoje, Jadson vive da pesca e realiza passeios turísticos.
34:52Assim como Jadson, esse outro morador não deixa a região por nada nesse mundo.
35:19Jadson nos leva para um passeio surpreendente.
35:26Jadson nos leva para um passeio surpreendente.
35:28Vocês nem imaginam o que está para aparecer aí.
35:33A caminhar é difícil.
35:36Debaixo de sol e uma temperatura de quase 30 graus, percorremos um quilômetro e meio.
35:42Essa é a subidinha principal aqui para o Morro.
35:46O destino é o Morro da Lucrécia, o mais alto da região.
35:53Conforme o topo se aproxima, a paisagem muda e revela o maior diferencial do Pantanal do Nordeste.
36:01Uma cadeia de dunas entre o mar e a parte alagada.
36:08Tem uma explicação que diz por que tem tanta areia aqui e as outras dunas são mais baixas?
36:18A proximidade daqui com o vale e a proximidade com a praia.
36:23O sistema praial é que em um determinado momento trouxe toda essa areia para cá através dos ventos.
36:31A dinâmica aqui é muito constante e é rápida de acontecer.
36:39As formações que você está vendo aqui hoje, provavelmente daqui a uma semana não esteja mais nesse formato aqui.
36:47Já tenha mudado.
36:48Do alto do Morro da Lucrécia dá para ver as dunas da Reserva Biológica Santa Isabel.
36:56Uma área de proteção integral onde qualquer atividade humana é proibida.
37:02Além de toda a beleza natural, a região é carregada de história.
37:09Várias etnias indígenas habitavam o local muito antes da chegada dos europeus.
37:15Toda essa etnia parece que se desenvolveu e abrangeu também outras localidades.
37:23E uma dessas localidades foi aqui o Morro da Lucrécia.
37:28Queimava a cerâmica deles aqui na própria aldeia.
37:32Até hoje tem vestígio de cerâmicas aí no sítio arqueológico.
37:36Tem ferramentas de pedras também no sítio arqueológico.
37:38Existem pelo menos 17 sítios arqueológicos dentro da reserva, incluindo o de Quilombolas.
37:46Elielson nos leva para conhecer um segredo dos antigos moradores.
37:54De onde eles retiravam matéria-prima para pintar o corpo e participar de rituais.
38:01Com a faca ele raspa pedra e extrai um pó que é colocado na palma da mão.
38:07Para ver a mudança de cor é preciso esfregar e aos poucos a pele vai ficando amarela.
38:14E aqui a gente passa esse rosto imitando os nativos até para vivenciar, experimentar o que os nativos faziam.
38:24Um lugar com tanta história e vestígios da ocupação humana carrega também lendas e mistérios.
38:30O especialista em turismo garante que as pessoas ouvem sons que vêm das dunas.
38:37Existem vários outros mistérios como os gritos, batuques que existem aqui.
38:44Quando a gente fala mistério, não é tão misterioso porque qualquer pessoa consegue ouvir esses batuques e algumas aparições aqui no morro.
38:56Por exemplo?
38:56Sempre a tardezinha começa um batuque logo aí embaixo no sítio arqueológico.
39:01Devido a isso, algumas pessoas acham que são espíritos dos indígenas que aqui viveram e que aparecem para bater os tambores dele.
39:14Lenda ou não, as histórias fazem parte da vida no Pantanal sergipano.
39:19Assim como o vento, que muda constantemente a posição das dunas e a água que inunda as planícies e serve como fonte de alimentos e belezas naturais nesse verdadeiro paraíso perdido em pleno nordeste do Brasil.
39:37Esse lugar para mim aqui é vida, é amor, é ternura, é gratidão, é agradecimento ao Criador por essa visão, por esse cenário.
39:53Pouco importa qual a crença, mas aqui a gente se torna tão pequenininho e humildemente falando, a gente passa a fazer parte desse, todo esse contexto.
40:08Diante da natureza, a gente tem noção do nosso tamaninho, né?
40:13Agora, como é bom viajar pelo Brasil, né?
40:15Você já sabe, né? Se você gosta de expedição, de aventura, de natureza, de explorar o mundo, de história,
40:22você encontra aqui no Planeta, no Times, licenciado exclusivo CNBC, líder mundial em negócios, agora no Brasil.
40:29Beijo, te vejo amanhã.
40:38Tchau, tchau.
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