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No episódio do Passaporte desta sexta (27), Zeca Camargo visita a Caverna do Diabo, em São Paulo — a maior caverna do estado e uma das mais misteriosas do Brasil. Com quase 9 km de extensão, o local atrai turistas pela beleza natural e lendas assustadoras que envolvem o nome.

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00:00No Passaporte de hoje, vamos ao interior de São Paulo para explorar todas as lendas e mistérios da Caverna do Diabo.
00:19O nome causa estranheza e pode dar medo, mas a caverna é belíssima e lembra imponentes igrejas de estilo barroco.
00:26A caverna encontra-se no Parque Caverna do Diabo, que foi criado em 1969 e conta com uma área total de aproximadamente 150 mil hectares,
00:36abrigando grandes extensões de mata atlântica e outros ecossistemas do seu interior.
00:41Vamos explorar agora esse belo ponto turístico no interior de São Paulo.
00:45Rios, cachoeiras, montanhas, trilhas.
01:01E é aqui que fica a misteriosa Caverna do Diabo.
01:04Essa caverna aqui é bastante especial porque ela é uma das maiores cavernas do estado de São Paulo.
01:10Hoje ela conta com mais de seis quilômetros de galerias.
01:15Desde criança até os idosos conseguem visitar a caverna, porque nós temos escadas, corrimão, temos passarela, tem a iluminação elétrica.
01:23Então tudo isso permite uma acessibilidade maior para essas pessoas visitarem o local.
01:27Imponente, logo de cara, a Caverna do Diabo já chama atenção por sua grandiosidade e suas formações rochosas.
01:39Essa caverna especial, ela é formada na rocha calcária, é uma rocha sedimentar, né?
01:45Então com a água passando, ela acaba por desgastar, tanto mecanicamente como quimicamente, que é o que faz a abertura desses espaços.
01:52Mas o interessante é que essa rocha calcária, ela é uma rocha um pouco mais dura, né?
01:56Então, demorou um pouco mais para se formar, porque essa rocha calcária, ela é um pouco mais marmorizada.
02:05A Caverna do Diabo é uma das 20 mil cavernas já descobertas e exploradas que existem no Brasil,
02:12segundo o Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico.
02:17Ela é a principal atração da pequena cidade de Eldorado, no interior do estado de São Paulo.
02:23São 245 quilômetros entre Eldorado e a capital paulista.
02:32Conforme vamos nos aproximando do parque ambiental onde está a caverna,
02:37uma estrada tomada de bananeiras é o cenário que chama a atenção.
02:41Chegou a hora de conhecer em detalhes a Caverna do Diabo.
02:52Um nome que assusta quem nunca se animou a entrar no local.
02:57A Caverna do Diabo, né, ela recebe esse nome primeiramente em alusão às histórias mesmo do povo antigo que vivia aqui.
03:05Mas o fato da caverna ser um lugar subterrâneo sempre trouxe isso no imaginário das pessoas, né,
03:12de que debaixo da terra você tem esses elementos do tipo de ar, coisas das trevas, né,
03:19o morcego que vive dentro da caverna.
03:21Então sempre teve esse misticismo.
03:24Antes de receber o nome sombrio, a caverna era conhecida como o Gruta da Tapagem.
03:30Mas os relatos e vozes estranhas, sussurros e aparições fizeram os moradores da região rebatizar o lugar.
03:40Com medo ou não, a curiosidade fala mais alto.
03:44E vamos começar a nossa aventura pela temida Caverna do Diabo.
03:51São mais de 6 mil metros de extensão, mas apenas 600 estão abertos para visitantes.
03:58O Ives, que administra o parque que está a caverna, é quem vai nos guiar neste inesquecível passeio chamado de trilha seca.
04:09Esta caminhada é feita em trechos sem água e é considerado o mais tranquilo,
04:15sem tantos obstáculos de pedra, de água e da escuridão que toma conta no andar debaixo da caverna.
04:22Com lanternas nas mãos e olhos atentos, cada detalhe é observado.
04:29A cada luz que se acende é uma surpresa.
04:35E novos obstáculos vão se formando.
04:40Ives nos conta que, com o tempo, os exploradores e visitantes foram dando nomes para as formações em calcário.
04:47Este aqui, por exemplo.
04:50Algumas das formações que a gente consegue visualizar é esta aqui que a gente chama de rinoceronte.
04:55Então, esta formação aqui, dependendo do ângulo que o visitante passa, ele enxerga esta cabeça do rinoceronte.
05:01Então, isto é muito comum em vários lugares da caverna você associar determinadas imagens.
05:07A cada metro, uma nova imagem.
05:13Esta formação a gente chama de torre de pisa.
05:18A caminhada segue até chegar no momento mais esperado do passeio.
05:23A catedral.
05:24A grandiosidade do salão de pedra impressiona.
05:27Essa caverna tem uma formação aqui de mais de 600 mil anos, só uma peça.
05:36Então, ela é considerada uma das fornações mais antigas aí da América do Sul.
05:40Então, essa caverna é muito antiga.
05:43Você sabia que existem mais de 28 mil cavernas registradas no Brasil?
05:47Aliás, o país abriga cavernas com altíssimo valor arqueológico e cultural.
05:52Entre elas, podemos destacar as cavernas do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí,
05:58que as pesquisas no sítio arqueológico remontam datações de 50 mil anos,
06:03sendo um dos mais antigos registros de ocupação humana das Américas.
06:07Estamos no interior de São Paulo, conhecendo um pouco mais da Caverna do Diabo.
06:12Vamos voltar agora para a nossa visita.
06:14Imensidão, silêncio e escuridão explicam o ar místico que ronda o local.
06:22O Duco, monitorado há 25 anos, foi criado ouvindo os mistérios que cercam o lugar.
06:30Ele conta que os avós nunca pisaram aqui.
06:33Para eles, a caverna era amaldiçoada.
06:39É um negócio forte.
06:40Meus avós, por exemplo, eles tinham medo de entrar dentro da caverna.
06:45Eles não entravam de jeito nenhum, porque na cabeça do povo, antigamente, o céu é para cima.
06:50O inferno tem que ser para algum lugar.
06:52E eles acreditavam que isso aqui dava acesso para o inferno.
06:55Então, é um negócio tenso.
06:58Ele mesmo diz que pode ser crença, mas que já ouviu vozes.
07:06Eu já escutei.
07:07Como eu disse para você, eu gosto de fotografar.
07:09Teve um momento, eu estava fotografando no salão da catedral.
07:13Eu escutei um grupo gigante lá no fundo da caverna.
07:15Eu falei, vou lá dar uma olhada.
07:17Quando eu cheguei lá, não tinha ninguém.
07:19Entendeu?
07:20Aí arrepiou dos pés, cabeça, eu saí.
07:23Quase que larguei o equipamento para lá.
07:25Mas nem isso foi capaz de tirar de duco o carinho que tem pelo lugar.
07:34Eu conheço mais de 300 cavernas aqui na região.
07:37E conheço algumas fora do estado.
07:39Nenhuma chega ao porte dessa daí.
07:42Toda vez que eu chego ali, por exemplo, naquele salão da catedral,
07:45dá um estado de paz, de tranquilidade.
07:48Igual que você está em um outro mundo, em uma outra galáxia, em um outro universo.
07:56Seguimos pela caverna até chegar no último ponto permitido para a visitação na trilha.
08:03É o encontro com o dono da caverna.
08:05Uma das lendas diz que o rosto do diabo está desenhado nas pedras.
08:15Aqui na frente a gente vai conseguir ver uma figura, que é o rosto, que a gente fala que é a cara do diabo.
08:21Então aqui na frente a gente consegue ver essa cara do diabo, que é onde termina o passeio aqui da caverna do diabo.
08:27Uma caverna e muitas histórias.
08:32Se você sentar com um morador local antigo, você fica horas e horas vendo caos, lendas, né?
08:40Uns falam de mãe do ouro, que vê uma luz voando de um lado para o outro.
08:43Outros falam de visagem ou visão, que nós chamamos.
08:46Você está andando na estrada, no meio do mato, vê uma aparição, um fantasma na sua frente,
08:50e do nada você olha e desaparece.
08:52Neguinho d'água, que era uma das lendas que o pessoal falava para as crianças,
08:56que se ficasse na beira do rio, vinha um negro do nada, pegava essa criança e levava para o rio.
09:02E o Renan? Ele também tem uma experiência para contar.
09:09Visagem já alguma vez, né?
09:10Você vê do nada uma coisa, eu estando atrás de estado, você vê uma pessoa de branco,
09:15alguma coisa preta ele passando, do nada você toma um susto, quando você olha, some.
09:18Ou você vê algum vulto, né, no caso, como diz nós.
09:23Essas curiosidades passam de geração a geração.
09:27Seu Benedito é quilombola.
09:30Vive aqui desde que nasceu e cresceu, ouvindo o que seus ancestrais contavam.
09:37Uma fala que tem muitas pessoas que foram sepultadas, por aí, em qualquer lugar, na época da escravidão,
09:44e essas pessoas ficaram por aí perambulando, né?
09:46E aí aparece, de vez em quando, as pessoas veem algumas coisas estranhas,
09:50de repente, uma árvore sozinha, sem ninguém sacode, como quem que foi, gente que sacudiu,
09:55ninguém sacudiu ela, não está vendo tanta quietinha, de repente, vê essas coisas.
09:58De repente, está no rio pescando aí, aquela, aquela, aquele monte de pedra,
10:02que caiu, que caiu, que caiu na água, assim, bate na canoa, bate na canoa, não bate na gente.
10:07São umas coisas estranhas que, de vez em quando, o pessoal vê, né?
10:12E eu também já vi, né?
10:13Algumas coisas estranhas.
10:16Então, por isso, eu acredito.
10:19Logo ali em cima tem uma curva ali na estradinha.
10:22Antigamente era caminho.
10:23Sempre o pessoal via a tocha de fogo lá aceso.
10:26Aí, quando enxerga no pédio, o fogo apagava.
10:28Mais ou menos um metro de altura, parado, bem em cima do caminho.
10:31Tinha que passar ali.
10:31Aí, quem tinha medo, corria.
10:34Aquele que não tinha medo, ia chegando, chegando,
10:35aquela lua ia, que não via, acabou.
10:39Tem mistérios, tem histórias,
10:42e tem muita dedicação de quem vive aqui.
10:46Todos falam que esse é um lugar sagrado dentro da Mata Atlântica.
10:51E a cada dia fica mais claro que é preciso cuidar, preservar.
10:58É uma relação muito forte, assim.
11:00E muitas vezes a gente vê algumas pessoas querendo causar mal,
11:05dá até aquele mal-estar na gente,
11:06dá vontade até de chorar, sabe?
11:07Falar, está prejudicando o meu filho, está prejudicando o meu...
11:10Sabe, quando a mãe vê alguém querendo fazer mal para o filho,
11:13é a mesma coisa, a mesma relação que a gente tem com a caverna,
11:16com esse ambiente, é a mesma coisa de um pai e um filho.
11:21Eu fui filho de caçador e palmiteiro.
11:25Meu avô era caçador e palmiteiro.
11:26Então, automaticamente, vamos dizer assim,
11:30desde quando eu me entendi por gente,
11:31dos 8 aos 15, 16 anos, basicamente,
11:37eu fazia todas essas atividades, não tinha outra alternativa.
11:40Se a gente não caçasse ou não cortasse de palmite,
11:45a gente não conseguiria sobreviver, né?
11:46Hoje eu trabalho num negócio totalmente ao contrário, né?
11:50Totalmente oposto, ajudando na preservação.
11:52Muito melhor, né?
11:54E minha mudança de vida foi radicalmente,
11:58assim, tipo, transformou minha vida totalmente, assim.
12:00Enquanto a caverna nos leva para vários mundos de imaginação,
12:05magia e mistérios,
12:07a realidade também se impõe
12:09e nos mostra o quanto a natureza tem maravilhas
12:13para conhecer e admirar.
12:15E agora, o nosso foco é o ecoturismo.
12:21O setor está em alta.
12:23Em 2024, o ecoturismo no Brasil
12:25movimentou cerca de 70 milhões de dólares,
12:28com aproximadamente 1 milhão de brasileiros
12:30optando por essa modalidade de turismo.
12:32O turismo de caverna no Brasil,
12:34chamado de espelhoturismo,
12:36também cresceu significativamente
12:38no número de turistas estrangeiros,
12:40com um recorde de 6,65 milhões de visitantes,
12:44representando um aumento de 12,6%
12:47em relação a 2023.
12:49A expectativa é que o espelhoturismo,
12:52assim como o ecoturismo,
12:53continuem crescendo,
12:54impulsionados pelo home office
12:56e pela busca por lazer e relaxamento.
12:59Vamos voltar agora para a nossa visita
13:01à Caverna do Diabo?
13:03É em meio à beleza do Vale da Ribeira
13:06que fica a Caverna do Diabo.
13:10Uma paisagem cortada por muitas montanhas,
13:14riachos, cachoeiras e rios.
13:20São das águas do rio Ribeira de Iguapé
13:22que nascem muitas das lendas desse lugar.
13:28O pessoal mais velho, ele fala que o rio conversa,
13:31as águas conversam.
13:32Antigamente, eles tinham o costume de plantar as coisas,
13:36colocar lá dentro, né?
13:37E muitas vezes, eles ficavam aqui, perto do rio.
13:40E pelo barulho que a água do rio faz lá dentro,
13:42dava a sensação de que tinha pessoas gritando,
13:45que tinha pessoas conversando lá dentro, né?
13:48Então, é essa coisa, né?
13:50Desde criança, a gente já vê falar que o rio conversa.
13:55Vou um pouquinho mais além ainda, né?
13:57Que o pessoal mais velho aqui,
13:58eles acreditam que tem um determinado momento à noite
14:02que o rio se cala.
14:05Fica alguns minutos parado,
14:08sem você escutar esse barulho que você está escutando.
14:11Você imagina como que é a cabeça do povo aqui.
14:14É uma crença do povo, né?
14:15Que o rio para.
14:16Como isso?
14:18Cheio de mistérios aqui, né?
14:26As águas que caem na caverna
14:28formam a chamada a garganta do diabo.
14:32Para conhecê-la, é preciso coragem.
14:37O trajeto não é dos mais tranquilos,
14:40mas quem já foi até lá inúmeras vezes, como o Duco,
14:43diz que é uma experiência única e inesquecível.
14:48É uma contemplação.
14:49Agora, tem muita gente que ele quer sentir adrenalina,
14:52quer sentir uma coisa diferente, né?
14:55Quer sentir aquilo que o olho não pode ver, vamos dizer assim, né?
14:59Que o olho não pode ver.
15:00E quando você vai para a garganta do diabo,
15:03para quem gosta de aventura, de adrenalina,
15:05é ali o lugar.
15:08Rumo ao desconhecido, né?
15:10Por mais que é nós que estamos aqui conhecendo todo dia,
15:12mas para a pessoa vai ser uma coisa nova, né?
15:14Uma coisa diferente.
15:16Então é...
15:17É isso, né?
15:18Não tem explicação.
15:21Quando eu tenho a oportunidade de conhecer pessoas diferentes,
15:24apresentar o que a gente tem aqui,
15:26para mim é como se fosse a primeira vez.
15:28O Duco, desde criança, faz a trilha.
15:33E há 25 anos, virou o monitor da caverna do diabo.
15:38O trecho preferido dele é esse.
15:41Emoção e adrenalina não faltam.
15:43O primeiro e grande obstáculo é a escuridão da caverna.
16:00A partir desse trecho aqui da trilha,
16:03não tem mais energia.
16:05A única luz que a gente vai usar é essa da lanterna.
16:08As dificuldades são do tamanho da beleza desse lugar.
16:16O ver a esteja vai pela água.
16:19O ver o ver a esteja.
16:22Em cada passo dado,
16:24o nome do local vai ganhando cada vez mais sentido.
16:29Os túneis rochosos com água escorrendo
16:32realmente lembram uma garganta.
16:34No caso da caverna,
16:39a garganta do diabo.
16:43É uma garganta.
16:44Lá no final, como toda boca tem água,
16:47tem uma cachoeira dentro da garganta.
16:51Você vê uma cachoeira dentro da caverna.
16:54Dá para entrar debaixo da cachoeira,
16:56tomar um banho dentro da cachoeira,
16:57dentro de uma caverna.
16:59Imagina só.
16:59Se já é gostoso tomar um banho
17:01dentro de uma cachoeira,
17:03fora de uma caverna,
17:04imagina a emoção que é tomar um banho
17:07dentro de uma caverna.
17:14E você, o que acha de tomar um banho de cachoeira
17:17depois dessa visita, hein?
17:18Então, vamos conhecer a Cachoeira da Borte,
17:21que é o nome popular
17:22para a queda d'água na caverna do diabo.
17:24No entanto,
17:25para evitar que o nome assustasse os turistas,
17:27a cachoeira foi oficialmente rebatizada
17:29de Queda de Meu Deus.
17:31É importante ressaltar que,
17:33embora o nome possa soar assustador,
17:36a cachoeira é um ponto turístico
17:37muito popular e, olha, seguro.
17:39Agora vamos conhecer um pouco mais esse lugar
17:41e entender por que ele foi rebatizado
17:43com esse nome.
17:45Saímos da caverna do diabo,
17:47agora para mais uma aventura.
17:51A Cachoeira da Morte.
17:53Mas com tanta beleza,
17:57por que um nome assim tão sinistro?
18:01Antigamente, isso aqui era uma fazenda, né?
18:04O antigo morador aqui
18:05tinha toda essa área com pastagem
18:07e tinha a cachoeira aqui local.
18:09Só que naquela época, né?
18:10Bem antes, depois que se tornou aqui Lombo,
18:12o nome daquela época
18:13era a Cachoeira da Morte,
18:14caverna do diabo, né?
18:17Cachoeira da Morte
18:18é porque existia uma capova, né?
18:20Que nós chamamos de sertão, né?
18:21Um local que o pessoal morava,
18:23era um pessoal dos furquinhos,
18:24bem antigo.
18:25Os furquinhos que eu falo
18:26é uma família antiga,
18:27descendente de escravos da época,
18:29quilombolas.
18:30Então, o furquinha é uma das mais antigas
18:31em sobrenome.
18:34Naquela época,
18:35usavam toda aquela região ali
18:37para cultivo de banana,
18:38arroz, feijão, tudo naquela época.
18:41Só que o que acontecia?
18:41Eles usavam a parte ali como cemitério.
18:44Enterravam ali a praia dos queridos,
18:46pessoas,
18:46porque nessa área que eles enterravam,
18:48era uma terra seca,
18:50não atingiu o leçal freático.
18:51E eles conheciam como Cachoeira da Morte
18:53devido em toda essa história local.
18:56Com o tempo,
18:57o turismo chegou
18:58e a cachoeira foi rebatizada.
19:00E assim permanece até hoje.
19:02Cachoeira de Meu Deus.
19:04Quando o pessoal chegava e falava assim,
19:06meu Deus,
19:07olhava para aquela cachoeira
19:08de 53 metros de altura,
19:10falava assim,
19:10pô, uma cachoeira bonita,
19:12aquela coisa toda.
19:13Aí se deu o nome Cachoeira do Meu Deus,
19:14pela expressão muito usada,
19:17Cachoeira do Meu Deus.
19:17Para chegar até a Cachoeira de Meu Deus,
19:24não existe milagre.
19:25Tem que passar por diversos obstáculos.
19:29A trilha é por dentro do rio,
19:31com corredeiras e muitas pedras.
19:34Nesse ponto,
19:36uma corda ajuda os aventureiros.
19:38A floresta densa típica da Mata Atlântica
19:43também é uma atração à parte.
19:46Aqui da Cachoeira do Meu Deus
19:48é uma das mais bonitas,
19:49um dos cenários mais destacantes,
19:51junto com a Caverna do Diabo,
19:52pela sua exuberância subterrânea.
19:54Mas também aquela coisa,
19:55a Mata Atlântica
19:56possui tanta coisa mais bonita ainda
19:59para ser explorada,
20:00mas muitas vezes a dificuldade do acesso
20:02impede de chegar até lá.
20:05Então ainda existe muita coisa
20:06para ser explorada.
20:07E, enfim, chegamos.
20:13A paisagem é exuberante.
20:17Águas verdes e cristalinas.
20:20Não é à toa que essa piscina natural
20:22de três metros de profundidade
20:24é chamada de Poço das Esmeraldas.
20:28E ao fundo já ouvimos o barulho
20:30de 53 metros de queda d'água.
20:37É um lugar fascinante.
20:39Na hora de irmos embora,
20:41um arco-íris se forma entre as águas.
20:44Um cenário que o monitor Renan,
20:46de 28 anos,
20:48conhece desde criança
20:49e que quer viver para sempre.
20:54Você mora basicamente no quintal de casa,
20:56tem aquela tranquilidade,
20:57não trabalha com muito estresse,
20:59mora perto dos seus pais,
21:01mora junto com a comunidade tradicional.
21:03Você tem uma vivência tranquila, né?
21:04Já trabalhei em cidade uma época,
21:07retornei para cá,
21:08mas aqui é bem mais tranquilo,
21:09dentro dos parâmetros tranquilos,
21:11assim, de trabalho, vivência, costumes.
21:16Renan é de uma nova geração de guias na região.
21:19A maioria vem de quilombolas.
21:22Assim como o seu Benedito.
21:24O seu dito já foi um dia.
21:29Com 66 anos,
21:30o veterano já está aposentado das trilhas,
21:33mas guarda na memória muitas histórias.
21:35Pelo que eu conheço,
21:37pelo Brasil afora,
21:38é o único quilombo que tem uma igreja histórica dentro,
21:42é a nós aqui.
21:42A senzala, ninguém conheceu,
21:44mas segundo os historiadores,
21:45é aqui, mais para trás, né?
21:46Porque como aqui era o rio,
21:49e de medo de alguém,
21:51alguns caras,
21:51chegar e roubar os negros,
21:53levar,
21:53porque era custar dinheiro, né?
21:55Então era sempre atrás,
21:56porque era uma forma de proteger dele.
21:57Alguns capitão do mato,
21:58vindo à noite,
21:59e roubar,
21:59alguns levar, né?
22:00Seu dito é um dos líderes quilombolas na região.
22:04Os quilombolas são os descendentes e remanescentes
22:07de comunidades formadas por escravos.
22:11O quilombo é um sítio histórico,
22:13é um sítio arqueológico, né?
22:14É um sítio onde não pode ser destruído.
22:17É onde a família negra,
22:18no Brasil,
22:19começou,
22:20foi dentro dos quilombos.
22:21Não existia família negra no Brasil
22:23antes dos quilombos.
22:24Então é um orgulho para todos os quilombolas,
22:26vindo dessa descendência, né?
22:28e fazendo a manutenção da história
22:30para que as pessoas também conheçam
22:32a história do povo quilombola
22:33aqui da nossa comunidade.
22:37O quilombo Ivá-Purunduva,
22:39onde seu dito mora,
22:40fica a cerca de 10 quilômetros
22:42da caverna do Diabo.
22:45São 115 famílias
22:47vivendo da agricultura no local,
22:49principalmente da plantação de feijão
22:51e bananas.
22:53Muito gostoso viver dentro dessa comunidade.
22:56Enquanto na cidade,
22:58as pessoas têm uma piscina,
22:59nós temos um rio aí,
23:01de graça,
23:02uma banha,
23:02vários rios, né?
23:03Um só.
23:04Enquanto as pessoas têm
23:05três, quatro pedra de árvore na cidade,
23:06nós temos uma floresta inteira para nós, né?
23:09O quilombo de mais de 400 anos
23:12preserva as tradições do passado.
23:15Essa igreja foi totalmente construída
23:17por escravos no século XVII.
23:19E a comunidade toda
23:22é banhada pelo Ribeira,
23:24um lugar que,
23:25mesmo com o passar dos anos,
23:26mantém viva
23:28as histórias e os mistérios.
23:31E que surpreende
23:32quem já vive aqui
23:33todo dia
23:34com novas descobertas,
23:36novos cenários.
23:39Nós temos aqui,
23:39dentro de Vapunduva,
23:41quase,
23:42mais de 80 mananciais
23:43nascentes de rio,
23:45água potável.
23:46Água,
23:46você pode pegar uma caneca,
23:47um copo,
23:48pegar água, beber água limpa,
23:49água potável,
23:49sem nenhum tipo de poluição.
23:50natureza,
23:54mata atlântica,
23:58cavernas e lendas,
24:01história e tradição.
24:05É fácil entender
24:06por que milhares de pessoas
24:08viajam todos os meses
24:09para conhecer a garganta do diabo
24:12e a cachoeira da morte.
24:18Eu gosto de fazer
24:18aquele negócio com paciência,
24:20mostrar,
24:21falar para a pessoa
24:22que além da caverna
24:23tem comunidade esquilombola,
24:25tem aves.
24:29Então a gente tenta fazer
24:30em duas horas e meia,
24:31fazer com que a pessoa
24:32volte várias outras vezes
24:34para cá, né?
24:34Que passeio esse nosso
24:47no Parque Caverna do Diabo,
24:49na cidade de Eldorado,
24:51São Paulo.
24:51O lugar é uma ótima pedida
24:53para quem quer explorar mais
24:54o ecoturismo
24:55que nosso país proporciona.
24:57Que o Brasil é referência
24:58no turismo,
24:59todo mundo sabe,
25:00mas o início de 2025
25:02está trazendo números
25:03ainda mais expressivos.
25:04O país já registrou
25:05inúmeros recordes
25:07de turistas estrangeiros
25:08apenas no primeiro trimestre,
25:10com 3,7 milhões
25:11de visitantes internacionais.
25:13Este é um aumento
25:14de 47,8%
25:16em relação ao mesmo período
25:18de 2024.
25:19Assim, com as belezas
25:21e encantos do nosso país,
25:22a gente encerra
25:23o nosso programa de hoje.
25:24Mas eu já te convido
25:25toda sexta-feira
25:26a mais uma viagem inédita
25:28comigo por lugares incríveis.
25:30Só aqui no Times,
25:31licenciado exclusivo CNBC,
25:33líder mundial em negócios
25:35agora no Brasil.
25:36Vou te ver, hein?
25:37Até lá.
25:37Então,
25:50Legenda Adriana Zanotto
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