00:00As críticas de Donald Trump foram direcionadas a um dos maiores varejistas dos Estados Unidos.
00:08E por mais que o Walmart diga estar negociando com fornecedores e absorvendo parte das sobretaxações a produtos vindos da China,
00:18a política protecionista do atual governo americano já está sendo sentida pelo consumidor médio-americano.
00:25Nestas artes aqui nós vemos produtos triviais vendidos em grandes redes varejistas como o Walmart e produtos que vêm majoritariamente da China.
00:39Então quando a gente fala de um mercado consumidor que tem 330 milhões de habitantes e 50% deles estão divididos entre a classe média alta, classe média e classe média baixa,
00:51o Walmart passa a ser um ponto termômetro, um ponto nevrálgico, porque diferentes posições dessa mesma classe média,
01:01de uma população de alto perfil de consumo, tem mais de 300 milhões de habitantes,
01:08a gente entende o impacto no bolso do consumidor e evidentemente o quanto o setor de serviços e o comércio está dentro desse,
01:18englobado nessa aba, quanto isso pode vir a impactar a economia dos Estados Unidos.
01:26Por isso que a reportagem da CNBC falava aí dos acenos para uma recessão, aumento de inflação.
01:33E o Donald Trump então, a principal manifestação dele falando de comércio é justamente contra o Walmart,
01:42que pasmem, é a maior folha de pagamento de uma empresa privada dos Estados Unidos,
01:47para todo mundo entender o tamanho dessa rede varejista na maior economia do mundo.
01:52Está aqui, produtos que são vendidos no Walmart, assim como outras grandes redes de lojas de departamento e supermercados,
02:00e o quanto em porcentagem esses produtos vêm da China.
02:05Desde um eletrodoméstico muito comum nos Estados Unidos, uma torradeira, quase a totalidade, 100% vem da China.
02:14Outro produto absolutamente trivial na vida de qualquer pessoa, seja nos Estados Unidos ou do resto do mundo,
02:19um guarda-chuva, 98% dos guarda-chuvas vendidos nos Estados Unidos vêm da China.
02:26Carrinhos de bebê, 97%.
02:29Tanto que o presidente Donald Trump, a speaker, a porta-voz da Casa Branca, é uma mulher, ambos chegaram a ser perguntados.
02:41Quando uma mulher dá à luz, a família tem o primeiro, o segundo filho, os gastos aumentam muito.
02:49Um carrinho de bebê que dá certo conforto à família, ao bebê e à mãe, mas mais do que o conforto, é um item essencial,
02:58eles vêm majoritariamente da China, os carrinhos de bebê que são vendidos nos Estados Unidos.
03:04E aqui uma gama de outros produtos que têm maior ou menor utilidade, maior ou menor urgência para o consumidor americano.
03:11Smartphones, mais de 80%.
03:14A Apple, por exemplo, desenvolve o seu produto em Cupertino, Califórnia, a sede da Apple,
03:21mas são muitos deles, a esmagadora maioria, montados na China.
03:26Mais de 80%.
03:27Tênis, em menor escala da China, porque tem o Vietnã, outros países do Sudeste Asiático,
03:33que também tem essa empresa de tecelagem, de costura, de vestuário, os calçados quase 36% vêm da China,
03:43videogames 86%, secador de cabelo 71%, brinquedos com rodas, flores artificiais.
03:51Mas o que todo mundo, para entender, que neste momento, depois da negociação dos Estados Unidos com a China,
03:58no último final de semana, na Suíça, decidiram que a sobretaxação dos produtos,
04:04que chegava a 145%, caiu para 30%.
04:08Então, estes produtos triviais, carrinho de bebê, que é caro já por natureza, vai ficar 30% mais caro e está aqui.
04:16Quase 97% deles vendidos nos Estados Unidos vêm da China.
04:21Sobre esse assunto, eu converso com a professora de Economia do INSPER, a Juliana Inhais,
04:28que sempre nos atende aqui com muita qualidade e muita paciência.
04:31Professora Juliana, boa noite, mais uma vez.
04:34Bom, quando a gente fala de tarifácio nos Estados Unidos, outras duas palavras viraram termos comum.
04:42Inflação e recessão, ou até um terceiro termo, estaginflação, uma estagnação da economia.
04:50No último final de semana, houve um acordo, os Estados Unidos baixaram de quase 200% para 30%.
04:57A China diz que vai sobretaxar produtos americanos em 10%.
05:01Ok, houve uma queda brusca aí em porcentagem das sobretaxações.
05:08Mas ainda os produtos, como eu mostrei agora aqui, de muito comumente consumo dos americanos,
05:15vão ficar pelo menos 30% mais caros.
05:17Esse cenário de estaginflação ainda continua?
05:22Boa noite, mais uma vez.
05:23Obrigado de novo por participar aqui da nossa programação.
05:27Boa noite, Marcelo.
05:28É um prazer estar com vocês aqui na CNBC novamente.
05:32Eu vou tomar a liberdade de acrescentar um quarto termo,
05:35que você falou dos três termos aí que a gente tanto tem falado,
05:39tanto a inflação quanto a recessão e a estaginflação,
05:42que junta aí bastante desses dois conceitos, mas também a gente tem falado muito de incertezas.
05:48E vocês, de uma forma muito assertiva aí na reportagem,
05:52mencionaram bastante o tamanho da incerteza que esse cenário traz.
05:56Apesar de a gente ter, neste momento, tarifas um pouco menores,
06:01depois desse acordo de cavalheiros que aconteceu aí no último fim de semana,
06:06o fato é que nós continuamos sob um ambiente de muita incerteza.
06:10É uma trégua de 90 dias, que primeiro, precisamos entender se chegaremos aos 90 dias.
06:16E fora isso, existe todo um posicionamento das indústrias, das empresas,
06:24dos setores econômicos no geral, para esse período.
06:28Acho que ficou muito evidente com esse acordo que aconteceu no final da semana passada,
06:35que ainda existe um grande ponto de interrogação sobre como é que vão ficar
06:40essas negociações comerciais e, portanto, essas tarifas.
06:43Isso faz com que investidores, com que produtores, com que comerciantes
06:49repensem muito as suas estratégias.
06:51E aí, como vocês muito bem falaram, as cadeias de suprimentos,
06:55elas ficam completamente desarticuladas, porque você vê alguns produtores
07:01deixando de produzir, alguns comerciantes deixando de comprar,
07:05consumidores na dúvida se compram ou não.
07:07Agora parece acontecer em alguns setores aí uma grande corrida
07:11para conseguir fazer compras que depois talvez fiquem mais caras.
07:16Isso fica, torna o mercado completamente desfuncional.
07:19E acho que respondendo diretamente à sua questão, sim, a gente ainda fala
07:24dessa possibilidade, sim, de recessão, de uma economia que vai ficar
07:29muito menos dinâmica e isso está muito evidente por conta de toda essa incerteza
07:34que tem travado bastante a evolução do setor, especialmente da produção no geral.
07:42Mas fora isso, esse grande aumento de preços.
07:44A economia americana precisa dos produtos chineses, né?
07:47Os dados que vocês mostram aí são inegáveis em relação a isso.
07:52Professora Juliana, o Donald Trump, desde o começo,
07:55antes de tomar posse na campanha, ele falava desses tarifassos,
07:59dessas barreiras para forçar, então, produção de produtos dentro de território americano.
08:05Ele já tomou um balde de água fria da própria Apple, que disse,
08:08olha, para burlar o tarifassos na China, eu vou realmente transferir minha produção,
08:14talvez para a Índia, porque não é tão simples tirar uma linha de produção
08:19do outro lado do mundo e restabelecê-la nos Estados Unidos ou qualquer outro país, né?
08:24Por exemplo, a Apple tem linhas de produção na China que já estão estabelecidas há décadas.
08:30Agora, trazendo essa especulação que a gente está fazendo,
08:34quer dizer, se olhar para o futuro, para o chão da realidade,
08:37quer dizer, vai ficar mais caro o produto para o americano
08:40e não necessariamente essa promessa de geração de empregos
08:44ou então aumentar o salário do operário,
08:46porque a produção vai aumentar nos Estados Unidos,
08:49isso não parece que vai acontecer, pelo menos, num médio ou curto prazo, né?
08:55A gente não tem garantia nenhuma disso, né, Favale?
08:58A verdade é essa.
09:00Donald Trump quer, tem desejos de que essa produção seja internalizada
09:05para o território nacional, para o território americano,
09:08mas qual a garantia que nós temos disso?
09:10Nenhuma, né?
09:11Acho que é importante a gente lembrar que o capital, o dinheiro,
09:15ele não tem nação, né, é o que o capital procura, o que o dinheiro procura
09:19e aí, nesse caso, os produtores entendem muito bem dessa dinâmica,
09:24eles estão procurando lucro.
09:25Então, ninguém produz na China porque, de alguma forma,
09:29tem algum interesse pessoal ou afetivo na China,
09:33assim como não fazem isso, tirando aí alguns poucos patriotas,
09:37ninguém vai fazer isso porque gosta da economia americana,
09:40as pessoas e as produções, os produtores, eles buscam os lugares
09:44onde você tem melhores retornos, maiores lucros, enfim,
09:48é uma conta complexa que envolve não só os custos de produção diretos,
09:53mas os indiretos, as questões logísticas.
09:57Então, para que ele consiga realmente tornar a economia americana atrativa
10:01para, então, trazer essas empresas de volta, né,
10:05o que ele entende que seria trazer de volta essas empresas,
10:08ele teria que mudar muito as condições que não ficam tão simples assim, né,
10:14a mão de obra na economia americana, ela não é nem de longe barata
10:19como é em outros países, como a Índia e a China, né,
10:22e isso é um fator determinante para que essas empresas procurem mais essas economias.
10:29Então, não existe garantia alguma, né, acho que Donald Trump, claro,
10:33ele faz o seu papel, né, e acho que em algum aspecto é sim um grande papel, né,
10:39um grande personagem, mas de fato ele entende certamente muito bem dessa dinâmica.
10:45Não é fácil trazer essas empresas, as condições não são fáceis de se alterar,
10:51então não existe garantia alguma, né, e acho que é isso que inclusive reforça,
10:56voltando na nossa primeira pergunta, no nosso primeiro à conversa,
11:00a percepção de que a recessão é um, parece ser um lugar muito certo
11:05para a economia americana nos próximos meses e talvez nos próximos anos,
11:10porque não existe garantia nenhuma de que essa política de tarifas
11:14vá conseguir trazer o efeito que o presidente Donald Trump espera,
11:18pelo contrário, o que a gente está vendo é que a gente tem cada vez mais
11:22desestímulos a que as empresas permaneçam ali, entendendo que a situação econômica se agrava.
11:29Agora, professora Juliana, perdão pela repetição, é que eu sempre me despeço
11:34dos especialistas da mesma maneira, tenha certeza que nós vamos nos falar em breve
11:39sobre Donald Trump, porque esta incerteza que ele gera nos cerca de certezas
11:47que precisamos explorar aí todos os cenários.
11:50Queria agradecer mais uma vez a conversa que eu tive com a professora de Economia do INSPER,
11:55Juliana Inhaz, até uma próxima oportunidade, professora Juliana, que vai ser bem breve.
12:01Até, Marcelo, uma boa noite para todos vocês.
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