- há 1 semana
No Programa Mundo Business deste domingo (18), Ricardo Frizera conversa
com Luis Cordeiro, presidente Estel Placas do Brasil e com Arilton Teixeira, economista-chefe da Apex Partners e pesquisador convidado do Banco Central Americano. Em seguida, Ricardo Frizera visita a UVV para conhecer sobre os investimentos da Universidade em inovação, educação à distância e sua expansão para o exterior.
com Luis Cordeiro, presidente Estel Placas do Brasil e com Arilton Teixeira, economista-chefe da Apex Partners e pesquisador convidado do Banco Central Americano. Em seguida, Ricardo Frizera visita a UVV para conhecer sobre os investimentos da Universidade em inovação, educação à distância e sua expansão para o exterior.
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NotíciasTranscrição
00:06Olá, seja bem-vindo ao programa Mundo Business.
00:09Meu nome é Ricardo Friseira e como você já sabe,
00:12nós estamos aqui todos os domingos às 10 horas da manhã
00:15e com reprise 1h15 da madrugada.
00:18A liderança de hoje emprega mais de 3 mil pessoas em todos os seus negócios
00:23e está realizando um investimento de 600 milhões de reais na economia capixaba.
00:28Hoje eu estou aqui com o Luiz Cordeiro, presidente da Estel, da Placas do Brasil.
00:33Luiz, muito obrigado pela presença.
00:34Ok, Friseira, satisfação toda nossa, um prazer participar do seu programa.
00:38Parabéns pela ótima iniciativa e nós entendemos que isso aqui é um espaço bacana
00:44para motivar o empreendedorismo no Espírito Santo.
00:47Essa é a ideia, obrigado Luiz.
00:48Mas você começou como um engraxate, é isso? Conta essa história.
00:52Então, a minha primeira experiência empreendedora foi exatamente como um engraxate.
00:57Eu tinha 9 anos e a necessidade de ganhar um dinheirinho me fez,
01:02junto com um colega que estudava no turno oposto que o meu,
01:07empreendermos uma cadeira de engraxar.
01:09Naquele tempo se usava mais a cadeira, ali na calçada, ao lado da rodoviária.
01:13Então eu usava a cadeira em um horário e ele usava em outro.
01:17E aquilo ali foi a nossa primeira lição de como a gente utilizar o máximo de um ativo.
01:22Sob pena dele ficar, se não fosse em sociedade, ficaria ocioso no turno oposto.
01:29Então foi uma experiência bacana e dali, eu diria, que começou a minha história empreendedora.
01:34Hoje com a Estel você participou das maiores obras,
01:37maiores projetos de implantação de indústrias do Brasil.
01:40Como é que foi de engraxate a industrial?
01:44Como é que foi essa virada?
01:45Então, entre ser engraxate e ser industrial, eu passei por várias atividades,
01:51trabalhei em oficina eletrônica, de rádio e TV, fiz curso por correspondência.
01:57Naquela época já tinha ensino à distância, viu?
01:59Estudei no Instituto Rádio Técnico Monitor, montei um radinho, coisa assim, bastante atrativa.
02:07Trabalhei em oficina de carro como eletricista,
02:10mas a chegada do projeto da Aracruz Celulose no nosso município, eu moro em Aracruz,
02:16Você mora em Aracruz, mas você não nasceu em Aracruz.
02:18Não, eu, a bem da verdade, eu nasci em Valadares, fui registrado em Linhares
02:21e moro em Aracruz há mais de 50 anos.
02:23Então eu, assim, de coração, sou aracruzense.
02:26Isso.
02:27E aquela vontade de ir para a área industrial,
02:32porque é uma área com, digamos assim, maior imponência do ponto de vista técnico
02:37e aquilo me fez sair de uma sociedade que eu tinha, ali com 14, 15 anos, e estudar em Linhares.
02:46Aí estudei no Senai em Linhares, do 16 aos 18, fiz elétrica industrial no Senai de Linhares,
02:53é a base da minha formação, e retornei para Aracruz.
02:57Em 81, ingressei na Aracruz Celulose como técnico de elétrica e automação
03:03e fiquei cinco anos na Aracruz.
03:05E aí, de técnico para empresário, para fundar a Estel,
03:09como é que foi, assim, esse momento em que você percebeu que você poderia abrir uma empresa?
03:14Então, ali a Aracruz Celulose, ela tem, assim, uma responsabilidade muito grande nisso,
03:19porque ela promoveu uma série de incentivos ali a diversos potenciais empreendedores, né?
03:28Já existia aí Metame ali, fazendo escola, outras empresas.
03:32Então, eu saí da Aracruz Celulose e aí, em 85, começou a história da Estel.
03:39E aí, 85, uma época muito difícil, nós sabemos disso, Tancredo eleito, não chegou a tomar posse.
03:47Aí, todos aqueles planos que se sucederam, era um ambiente, assim, perfeito para dar errado.
03:53Muito incerto politicamente, economicamente.
03:57Mas, por outro lado, uma universidade a céu aberto, porque promovia, assim, tantos desafios para o jovem empreendedor
04:05que a gente se obrigava a aprender no calor da necessidade.
04:09E isso, assim, digamos que é o lado positivo daquele ambiente de negócio tão ruim.
04:15E aí, a Estel foi se firmando sempre em sociedade.
04:19Eu gosto muito de sociedade, sou apaixonado por sociedade.
04:23O que você gosta de sociedade?
04:24Eu gosto de sociedade porque é o seguinte, no meu entendimento, é muito mais fácil de você alcançar seus objetivos,
04:32tanto do ponto de vista econômico-financeiro, porque você associa ali recursos iniciais importantíssimos para o negócio.
04:40Como é muito bom você ter alguém para você dividir responsabilidades, sobretudo no momento difícil.
04:46Dividir dinheiro também é bom, mas dividir problemas é uma coisa, assim, maravilhosa,
04:51porque te deixa leve, você dorme tranquilo.
04:53E a gente precisa ter essa tranquilidade para continuar empreendendo e um anima o outro e tal.
05:00Sociedades sempre bem equilibradas do ponto de vista do negócio.
05:04Não gosto de sociedade a dois, para mim sociedade tem que ser no mínimo três.
05:08E quanto mais sócios, melhor para você diversificar ali o entendimento.
05:13Eu gosto muito disso.
05:14Engraçada, essa visão é positiva porque muita gente acha que sócio é igual a problema.
05:18Eventualmente as pessoas tiveram um problema pregresso com algum sócio, ou sabem de alguém que teve problema,
05:24e aí fica uma distância com essa ideia de ter sócios.
05:30Não, eu já tive sócios que não foram mais sócios, saíram da sociedade e tal, e a gente é grandes
05:35amigos hoje.
05:36Eu entendo que viver em sociedade é uma arte, é uma inteligência.
05:41Fazer sociedade e sair de sociedade tem que estar, assim, dentro do espírito do empreendedor e ele entender isso como
05:50normalidade.
05:51Agora, o segredo das sociedades é você criar antídotos, né?
05:55É tratar todas as coisas que podem dar errado no momento em que a sociedade está em bonança, está em
06:02voo de tranquilidade.
06:04Então, aí você trata esses assuntos todos e eles funcionam como antídotos, eles funcionam como uma vacina para os problemas.
06:13E isso é muito tranquilo.
06:15Hoje a gente consegue mapear quase todos esses problemas e trata isso de maneira prévia e aí as coisas vão
06:22fluindo naturalmente.
06:23Quando alguém transgride as regras, é muito fácil você enquadrar e desfazer a sociedade em nome da transgressão da regra.
06:30Então, eu gosto muito de sociedade, eu sou apaixonado por isso.
06:34E aí da fundação da Estel, a Estel virou uma empresa grande, reconhecida a nível Brasil.
06:40Como é que foi esse avanço de uma empresa pequena para uma grande empresa?
06:45Então, aí eu acho que primeiro a Estel se firmou pela competência técnica, porque eu venho de uma base técnica,
06:53os meus sócios também vêm de uma base técnica e a gente primeiro entregou aquilo que prometeu tecnicamente.
07:01E depois a gente foi criando credibilidade com a nossa convergência de valores e princípios, todos muito apurados e foi
07:11gerando confiança para esse público que comprava os nossos serviços.
07:15E aí a partir de 2002, quando nós participamos do projeto da fábrica C, o primeiro grande projeto nosso foi
07:25em 96, a modernização da fábrica A da Aracruz Celulosa.
07:29Nós participamos ativamente da transição da era analógica para a era digital e nós fizemos toda a conversão da automação
07:39daquela empresa.
07:40Isso deu para a gente uma credibilidade assim absurda e aí nós participamos do projeto da fábrica C, fizemos toda
07:47a montagem elétrica e suplementação daquela fábrica.
07:49E a partir dali, a Estel é presença garantida em todos os grandes projetos de papel e celulose no Brasil.
07:57Então, onde...
07:58Você está alguns projetos?
07:59É, hoje, por exemplo, nós estamos na CMPC, lá no Rio Grande do Sul, estamos na Clabin, em Ortigueira, no
08:06Paraná.
08:07Estamos no projeto da Bracel, em Lençóis Paulistas.
08:11Estamos no projeto da Duratex com Lenze, lá próximo de Uberaba.
08:15Então, onde tem um grande projeto de papel e celulose, certamente a Estel vai se fazer presente.
08:21Aliás, fazendo justiça, não é só a Estel não, a Estel, a Inetame, todas as empresas aqui do Espírito Santo,
08:27que virou uma referência no Brasil nesse segmento.
08:30E a gente deve muito isso àquela promoção que foi feita à época pela então Aracruz Celulosa.
08:37Aracruz Celulosa.
08:38Além da Estel, agora você fez um grande investimento aqui no Espírito Santo, que é a Placas do Brasil.
08:44É uma empresa nova, uma empresa recente.
08:46Eu queria que você falasse, primeiro, o que é a Placas do Brasil, para que serve, onde que ela está
08:52instalada,
08:53qual o propósito da empresa, como é que foi a ideia de fundar e como é que ela está funcionando
08:57hoje.
08:57Então, a Placas do Brasil é um projeto muito bacana, porque eu gosto muito dele, porque ele realmente é um
09:03projeto pensado.
09:05Diferente da Estel e de outras várias empresas que nós temos, que nasce do sonho empreendedor ali e começa pequenininho
09:13e vai tomando forma e vai crescendo.
09:16A Placas, não. A Placas é um projeto que nasce de um tamanho determinado, já nasce grande e com o
09:23objetivo de crescer.
09:24Então, a Placas, ela nasceu do ambiente da Federação das Indústrias, onde a gente militava ali com o pessoal do
09:31Sindmol,
09:31eu pelo Sindifer, que é o Sindicato da Indústria Metal Mecânica, e o pessoal dos móveis ali do Sindmol.
09:40E eles colocaram ali uma dificuldade que eles tinham, que era o abastecimento de MDF, aqui no Espírito Santo.
09:47MDF, para quem está assistindo a gente?
09:49MDF é uma madeira, é uma sigla em inglês, que significa Medium Density Fiber Burst, que é a placa reconstituída
09:59de madeira, que substitui a madeira nativa.
10:03Então, Linhares, que é o principal polo moveleiro do Espírito Santo, ele tem uma tradição moveleira.
10:09E quando acabou a madeira nativa, eles passaram a utilizar o MDF.
10:14Só que o MDF foi introduzido no Brasil a partir de 2005, 2006, e todas as indústrias estão de São
10:21Paulo para baixo.
10:23E aí, o custo logístico de trazer esse MDF aqui para o Espírito Santo, e depois voltar com esses móveis
10:29para distribuir nos grandes centros,
10:31estavam viabilizando o setor moveleiro do Espírito Santo.
10:33E aí, nós olhamos aquilo e falamos, peraí, isso aí é um problema ou uma oportunidade?
10:40E foi daí que nasceu a ideia de montar uma empresa de participação.
10:44Por que uma empresa de participação?
10:46O que é uma empresa de participação?
10:47Então, uma empresa de participação, ela, via de regra, viabiliza empreendimentos de porte maior,
10:55em que um ou dois empreendedores não são capazes de fazer sozinhos.
10:58Então, é uma empresa de capital intensivo, nós investimos naquela planta algo em torno de 600 milhões de reais,
11:06e aí nós tivemos que fazer uma empresa de participação.
11:10Somos 34 acionistas atualmente, e esses 34 acionistas capitalizaram durante um bom tempo
11:18o recurso para viabilizar a parte do capital próprio.
11:22E a outra parte, naturalmente, foi financiada, e isso que foi interessante.
11:27Essa empresa foi criada em 2011, nós começamos a conversar em 2010,
11:31em 2011 ela foi criada, em 2016 nós colocamos a pedra fundamental,
11:37em 2018, em julho de 2018, começou a operar, de fato, a empresa.
11:41Estamos em todos os estados aí, do Rio de Janeiro para sempre.
11:44Para baixo, por que não?
11:46Porque lá o acuvelamento vai ser maior ainda, porque os concorrentes estão lá.
11:49Então, a gente escolheu do Rio de Janeiro para cima, então passa aqui pelo Espírito Santo,
11:54Leste de Minas, Bahia, Nordeste todo, toda a região amazônica ali, a gente, região norte,
12:02a gente atende com produtos da Pláxia do Brasil.
12:05Luiz, você tem muitos empreendimentos, naturalmente, tomou muito risco para construir esses negócios.
12:11Se você pudesse elencar algumas características principais que fizeram com que os negócios
12:16já tivessem sucesso, mesmo diante de crises, mesmo tomando bastante risco.
12:21Quais seriam essas características?
12:23Bom, aí efetivamente eu vou voltar a valorizar a sociedade.
12:28Eu entendo que quando você junta competência, junta recursos, você encurta o caminho.
12:33Então, sou fã de sociedades, adoro sociedades e recomendo.
12:39Tem que saber lidar com sociedades.
12:40E o fato de uma dar errado não significa que você tem que ficar frustrado com ela,
12:45seja persistente nesse foco.
12:50Outra característica que eu entendo que ela é inerente a todo empreendedor é a persistência.
12:57A gente tem que ser persistente mesmo diante de todas as dificuldades que a gente tem.
13:02E, em sendo persistente, você consegue ir gerando confiança no seu público, no público que você quer atingir.
13:12Então, você vai gerando confiança e, com isso, você vai ganhando essa, digamos, legitimidade empreendedora.
13:19Então, se eu pudesse dar, assim, alguns conselhos para os jovens empreendedores,
13:24eu falaria assim, procure encurtar o caminho, quer seja por sociedade, quer seja por buscar algum investidor,
13:30coisas dessa natureza, porque isso realmente facilita a vida.
13:34Segundo, seja muito persistente, foco, muito trabalho.
13:39É assim, muita gente já falou isso e é verdadeiro.
13:42É alguns minutos de inspiração e muitos de transpiração, né?
13:46Nada vem por acaso.
13:48E a gente, é, gerar confiança sempre.
13:52Então, quem quer criar uma marca, quem quer criar, assim, um reconhecimento do seu público em geral,
14:03tem que gerar confiança sempre.
14:05Então, procure eliminar todos os pontos que gerem desconfiança junto ao seu público.
14:10Luiz, para finalizar um bate-bola, uma pessoa que te inspira?
14:13Jesus Cristo.
14:14Por quê?
14:15Porque conseguiu gerar confiança ao longo do tempo.
14:18Já passaram dois mil anos e continua ainda inspirando muita gente.
14:21Uma empresa que te inspira?
14:22Vou falar das nacionais recentes, WEG.
14:25O melhor investimento?
14:26Economia real.
14:27Economia real seria...
14:29Eu entendo o seguinte, que tudo, na verdade, gira em função do consumo.
14:37Hoje, nós temos uma modernidade das economias soft, das empresas soft.
14:42Mas elas só existem porque existe a economia real.
14:45Então, como eu ainda sou de uma geração que acredita nisso, então a produção precisa ser realimentada.
14:53Se todo mundo caminhar para o soft, como é que ficamos?
14:56O pior investimento?
14:58Difícil, porque em determinados momentos, mesmo aquilo que te expõe parte dos seus recursos,
15:07pode te trazer felicidade.
15:08Então, não dá para julgar.
15:10A maior vitória?
15:11Ufa, reconhecimento pelo seu trabalho.
15:14A maior derrota?
15:15Faltar saúde para enfrentar os desafios da vida.
15:19A virada de chave na sua vida?
15:20Trocar a segurança de um emprego pelas incertezas do empreendimento.
15:26Um princípio não negociável?
15:28A minha dignidade.
15:29Se pudesse deixar um conselho para as pessoas que te assistem agora, qual seria?
15:34Faça suas escolhas, sejam persistentes nela, mas se tiver que voltar atrás e recomeçar, pode fazer também.
15:44Porque errar faz parte do papel do empreendedor.
15:49Luiz, parabéns pela trajetória.
15:51Muito obrigado pela entrevista.
15:52Opa, foi um prazer estar aqui com você, cara.
15:55E parabéns a vocês pelo programa.
15:57Eu acho que é uma belíssima oportunidade de troca de experiências aí com o público jovem,
16:04principalmente os jovens que estão ansiosos por oportunidade de empreender.
16:09No próximo bloco, eu visito a Universidade Vila Velha, UVV.
16:13Converso com o reitor e com o vice-reitor sobre os novos investimentos da Universidade
16:17em ensino à distância e também na cidade de Vitória.
16:21Fica com a gente, Mundo Business volta já!
16:41Hoje eu estou aqui na Universidade Vila Velha, UVV.
16:44Tradicional instituição de ensino capixaba com mais de 44 anos e mais de 14 mil alunos,
16:50a UVV foi eleita pelo MEC como a melhor universidade privada do Brasil.
16:54Também figura na lista da Times Higher Education,
16:57publicação que seleciona as melhores instituições de ensino superior de todo o mundo.
17:02Como o próprio nome sugere, a UVV é de Vila Velha,
17:06mas já tem polos físicos em oito cidades do Espírito Santo,
17:09com a solução de ensino à distância e semipresencial UVV-ON.
17:13E também vai expandir sua sede, já grande aqui no bairro de Boa Vista, em Vila Velha,
17:18para a enseada do Suá, em Vitória, no empreendimento Highline.
17:22Investimento avaliado em mais de 60 milhões de reais, totalizando 7.800 metros quadrados.
17:34Vamos conhecer melhor essa tradicional universidade capixaba com três lideranças que dirigem o negócio.
17:40Heráclito Amâncio, reitor da UVV,
17:43Rafael Galveias, vice-reitor da UVV,
17:46e Celso Guerra, diretor da UVV-ON.
17:49Para isso, visitamos o campus da UVV, no bairro de Boa Vista, em Vila Velha,
17:54e a sede da UVV-ON, unidade de ensino à distância e semipresencial da instituição.
18:01Rafael, a UVV é uma instituição de ensino tradicional aqui no Espírito Santo, 44 anos.
18:05Como é que foi a história da fundação da universidade?
18:08A gente tenta ser tradicional e, ao mesmo tempo, inovadora.
18:14A instituição começa com o professor Alida Silva, que é meu avô.
18:18Em 1974, ele abre a SEDES, que é a Sociedade Educacional do Espírito Santo,
18:24que se tornou, posteriormente, na mantenedora da UVV.
18:28Em 76, que começam, de fato, os cursos.
18:31Começa com três cursos, Direito, Administração e Ciências Contábeis,
18:37num colégio aqui de Vila Velha, no centro de Vila Velha.
18:41E só depois de algum tempo que a gente vem para a sede de hoje.
18:44Rafael, a UVV é a única universidade particular aqui no Espírito Santo.
18:49Quantos alunos tem ao todo?
18:51Quantos cursos tem ao todo?
18:53Qual o tamanho da universidade?
18:54Então, a gente tem muito orgulho de ser a única universidade particular do Espírito Santo.
19:00Muitas pessoas não entendem, acham que a instituição de educação superior é tudo igual.
19:05E a gente tem, na verdade, três modalidades.
19:07Faculdade, centro universitário e universidades.
19:10Então, o que diferencia isso daí e por que hoje no Espírito Santo a gente tem em torno de 70
19:16instituições?
19:17A sua quase totalidade são faculdades.
19:21Por quê?
19:21Porque o MEC, que é o órgão regulamentador, exige uma quantidade pequena de pré-requisitos
19:30para que uma pessoa abra uma faculdade.
19:32O MEC começa a exigir um pouco mais de pré-requisitos para virar centro universitário que a gente tem aqui
19:39no Espírito Santo 3 ou 4.
19:41E a gente é a única universidade. Por quê?
19:44Porque a exigência de pré-requisitos é muito grande e você tem que fazer um tripé.
19:49Não é só ensino.
19:50É ensino, projetos de extensão e também pesquisa.
19:55Então, hoje a gente está aí com quase 14 mil alunos.
19:59A gente tem mais ou menos 40 mil metros quadrados de área construída,
20:05divididos entre Vila Velha, Vitória, o norte do Espírito Santo, Linhares, São Mateus, Aracruz,
20:12entre outras cidades aí do norte.
20:14E aqui, no campus principal, a gente tem em torno de 180 salas de aula.
20:21Quantos metros ao todo aqui?
20:2240 mil metros quadrados.
20:2440 mil metros quadrados.
20:25Rafael, vocês têm também um núcleo, uma célula focada só em negócios, que é a OVV Business School.
20:31Como funciona?
20:32A OVV Business School é uma unidade de negócio da instituição com foco no público executivo.
20:41Então, a gente oferta uma série de pós-graduações ou então também pós-graduações em company,
20:47feitos específico para empresas.
20:50Essa Business School funcionava no nosso campus Boulevard, que hoje é o VVON.
20:56Então, a gente trouxe transitoriamente aqui para o campus principal e ano que vem estamos levando para Vitória, para o
21:02High Line.
21:02Vocês estão expandindo para Vitória, como você falou, no mega investimento de 60 milhões de reais na seada do Suá,
21:09no empreendimento High Line.
21:11Como é?
21:12Primeiro, qual é a ideia dessa expansão para Vitória?
21:14Vocês são tradicionalmente aqui de Vila Velha e estão fazendo um investimento muito grande lá em Vitória,
21:19pisando em Vitória, talvez, dessa maneira mais incisiva pela primeira vez.
21:24Sei que tem um polo lá, mas com uma sede física, uma estrutura grande, a primeira vez.
21:29Por que ir para Vitória e como vai ser esse investimento em Vitória?
21:33Como vai funcionar essa sede em Vitória?
21:34A gente está com projetos muito interessantes para Vitória, com esse empreendimento inovador.
21:41Só a infraestrutura dele já é diferenciada.
21:44E a gente entra com essa proposta também diferente para o público de Vitória.
21:49O que é? A gente quer ofertar lá esses cursos executivos, mas não só esses cursos para o público executivo,
21:57como a gente quer trazer novas parcerias a nível nacional e outras que a gente já tem,
22:03mas expandir as parcerias internacionais que a gente tem aí, parcerias com a Universidade da Noruega, da Alemanha, dos Estados
22:10Unidos.
22:11Então a gente quer ampliar essas parcerias para ofertar algo diferenciado para a população,
22:17não só de Vitória, como da grande Vitória.
22:19Rafael, além dessa conexão com universidades do mundo inteiro,
22:22a UVV Highline, esse prédio, essa nova sede anunciada do Soar em Vitória,
22:26vai ter também um espaço para startups, para academia, para universidades se conectar com o mercado e com a inovação.
22:33Como é que a UVV enxerga inovação e tecnologia?
22:36Então, no começo da nossa conversa eu falei que a gente é uma empresa,
22:39uma universidade inovadora e ao mesmo tempo tradicional.
22:43Então a gente tenta mesclar essas duas características,
22:47uma delas voltada para a inovação, que nós temos há algum tempo a maior feira de inovação do Espírito Santo,
22:54acontecendo aqui durante uma semana, os alunos desenvolvem uma série de projetos
22:58e começamos com uma aproximação muito forte com o mercado produtivo.
23:02Então o que a gente quer com esse hub de inovação lá no prédio do Highline?
23:08É unir os alunos, startups que podem ser não só da UVV, mas também do mercado capixaba e com o
23:16mercado produtivo.
23:17Então a gente quer ter esse ambiente inovador para que a gente consiga fazer com que o Espírito Santo
23:22figure cada vez mais como um local focado para a tecnologia e para a inovação.
23:27Rafael, durante a pandemia vocês fizeram uma série de investimentos em tecnologia,
23:31em infraestrutura de tecnologia aqui no campus,
23:33para possibilitar que os alunos tivessem aulas à distância.
23:36Inclusive, esses investimentos chamaram a atenção de pessoas aqui de fora do Estado.
23:41A gente já vinha fazendo um planejamento sobre esse retorno presencial
23:46e tínhamos muita vontade de conseguir atender quem quisesse ficar em casa e quem quisesse vir presencialmente.
23:53Então o que a gente fez?
23:55Nós começamos a ver possibilidades de conseguir fazer de forma simultânea
24:00a aula presencial e a aula para quem está em distanciamento social.
24:04O que a gente fez? Instalou câmeras em todos os nossos espaços, não só práticos como teóricos.
24:11Investimos um novo sistema para dar a possibilidade dos alunos estarem em casa,
24:16tendo a mesma aula que as pessoas que estão aqui presencialmente e com a mesma qualidade.
24:21Essa que é a grande questão.
24:23Então, com essa nova tecnologia, a gente ficou surpreso porque começou a ser divulgado em alguns meios de comunicação
24:31e instituições muito grandes de fora do Espírito Santo começaram a vir aqui para aprender o que a gente tinha
24:38feito.
24:38Então, assim, isso vai do nosso DNA, que é inovador.
24:42Então, a gente também saiu na frente com essa nova tecnologia.
24:45E não só isso, como teremos o nosso vestibular também utilizando essas novas tecnologias.
24:53Como?
24:53Nosso vestibular vão ter três opções.
24:56A pessoa vai poder fazer a prova presencialmente, com distanciamento.
24:59Ela vai poder fazer a prova telepresencialmente, ou seja, usando essa tecnologia nova.
25:05E a gente tem a terceira opção, que é o que a gente chama de vestigame.
25:08Nós montamos também um vestibular em forma de game, que a pessoa vai ganhando bonificação de acordo com o que
25:14ela vai passando de fase.
25:18Outra iniciativa de destaque da UVV é a UVVON, que busca disseminar a qualidade do ensino da instituição para além
25:25da Grande Vitória.
25:26Por isso, vemos aqui no Shopping Boulevard, em Vila Velha, na sede da UVVON, conversar com Celso Guerra, diretor da
25:33unidade.
25:33Qual a estratégia da UVVON dentro da rede UVV?
25:36A UVVON é o braço digital da Universidade de Vila Velha.
25:40A universidade que há 44 anos forma grandes profissionais que estão atuando hoje em empresas no Brasil, fora do Brasil,
25:50em grandes instituições.
25:51Foi uma evolução natural da modelagem presencial, que é o ensino tradicional, mas guardando as mesmas características da nave-mãe.
26:06Então, a UVVON traz, na sua proposta, seja de metodologia, perfil de professores, conteúdos, produto, enfim, ela traz excelência como
26:19referência, sempre buscando referência.
26:22Nós temos um quadro com 85 professores, mestres e doutores, que através da nossa plataforma digital, que é aperfeiçoada diariamente,
26:30conteúdos que são agregados diariamente,
26:33conseguem traduzir uma proposta de ensino que reflete aquilo que a UVV sempre trouxe e que faz dela hoje uma
26:43instituição reconhecida,
26:45não só pelo mercado de trabalho, que é extremamente importante, mas também pelo Ministério de Educação e também por instituições
26:52internacionais,
26:53como o Times Higher Education, que é um ranking internacional.
26:57A UVV tem o privilégio de ser uma das poucas instituições do Brasil reconhecido nesse ranking, pela sua excelência, pela
27:03qualidade do ensino que entrega.
27:05Para ter o ensino à distância em uma cidade, você precisa também ter um polo físico.
27:09Como funciona isso e quantos polos vocês têm hoje aqui no Espírito Santo?
27:13Hoje a UVV tem sete polos.
27:15Nós temos o polo aqui em Vila Velha, que é onde estamos nesse momento, que é a nossa sede.
27:19Aliás, é uma sede extremamente bem estruturada, mas nós também temos alguns super polos,
27:26e a gente chama de super polos porque eles estão estruturados para receber, inclusive, ensino presencial, quando é necessário.
27:35Mas esses sete polos, eles recebem hoje 17 cursos de graduação, 4 cursos de pós-graduação, e em Vitória, em
27:44Vila Velha, nós temos 11 cursos semi-presenciais.
27:49São cursos que a pessoa faz parte, o aluno faz parte dele, a partir de onde estiver, desde que acesse
27:55um computador, internet,
27:57e parte dele em aulas periódicas, que podem ser semanais ou, eventualmente, até outra periodicidade.
28:03Mas não é aquele ensino de todo dia ir à escola, que é uma solução, eu acredito, até bastante interessante
28:09e tendência de futuro.
28:11Você estava me contando que para você ter um polo de ensino à distância em uma cidade, ou seja, para
28:15ofertar esse serviço em uma cidade,
28:17você também precisa ter um polo físico.
28:20Quantos polos físicos são hoje no Espírito Santo ao todo?
28:23Então, hoje nós temos esse polo aqui de Vila Velha, que é o principal, temos Serra, Vitória, Aracruz, Linhares, São
28:30Mateus, Colatina e Nova Enés.
28:33São oito polos?
28:34Oito polos. E até o final do ano vamos ter mais uns dois ou três para complementar essa lista.
28:40Você estava me falando aqui sobre os diferenciais da UVV1, que é justamente conectar a plataforma de ensino à distância
28:46com uma universidade física tradicional que todos conhecem. Como funciona isso?
28:51Então, partindo do princípio que a gente busca excelência em tudo que a gente faz, nós hoje temos quatro pilares
28:56principais, vamos dizer,
28:57que dão um impulsionamento a essa proposta do UVV1.
29:02O primeiro deles é professores. Os professores que constroem a UVV1 todos os dias são os mesmos professores que estão
29:09nas salas de aula, dando aula.
29:11Portanto, o aluno do EAD vai acessar os mesmos professores que o presencial acessa.
29:17Segundo, é que nós temos uma metodologia desenvolvida internamente por uma equipe muito qualificada também,
29:24que produz um conteúdo também com esses professores de extrema qualidade,
29:29o que garante que a gente vai ter nesta plataforma, que é o quarto pilar ofertado para os alunos,
29:35um conjunto muito bem fechado do ponto de vista de qualidade, consistência e de transferência dessa proposta da UVV,
29:44de formar profissionais diferenciados, orientados para o futuro, orientados para o mercado de trabalho,
29:50que certamente vão encontrar seu lugar ao sol, como muitos grandes empresários,
29:55grandes executivos de empresas, de instituições que já são agressos aqui dessa instituição.
30:06Com pensamento global, a UVV pretende expandir para além de Vitória, também para o exterior.
30:12Heráclito, fala para a gente sobre os planos de expansão internacional da universidade.
30:17Internacionalmente, a gente já vem fazendo um trabalho de muito tempo.
30:20Nós temos parcerias com outras instituições de fora.
30:24Por exemplo, nós damos na Espanha um curso já em parceria com a Universidade de Girona.
30:30Mas a gente pretende entrar através de Portugal, porque a cultura é muito próxima à nossa
30:37e a gente acredita...
30:39A própria tradição do ensino acadêmico em Portugal, ele também permite isso.
30:45Você vê a Universidade de Coimbra, uma das maiores e melhores do mundo.
30:49Então, a nossa intenção é começar por Portugal.
30:52Nacionalmente, a gente desenvolveu um produto que é um produto inovador.
30:58Então, a gente tem condições de disputar qualquer mercado com os outros players nacionalmente,
31:04em qualquer estado.
31:05Mas, inicialmente, a nossa ideia são os estados circunvizinhos.
31:19No próximo bloco, um panorama de mercado e da economia com o economista-chefe da Apex Partners
31:24e pesquisador do Banco Central americano, Arilton Teixeira.
31:28Fica ligado, o Mundo Business volta já!
31:38Estamos de volta em Mundo Business, agora com o economista-chefe da Apex Partners, Arilton Teixeira.
31:44Esse quadro é o Panorama de Mercado, onde a gente vai falar sobre economia e política
31:49e sobre como a política influencia no mercado e no mundo dos negócios.
31:54Arilton, primeiro sobre política.
31:56O que está acontecendo em Brasília agora, essa confusão?
32:00Quer dizer, o Brasil, diferente dos Estados Unidos, que conseguiu, do ponto de vista, pelo
32:05menos, da Bolsa, quando a gente olha para a Bolsa Americana versus a Bolsa Brasileira,
32:08a Bolsa Americana recuperou muito rápido aos patamares antes da crise do Covid.
32:13Já no Brasil foi diferente.
32:15A gente teve, tivemos algumas questões que atrapalharam essa nossa retomada depois do,
32:22enfim, depois do auge da crise do Covid ali, em março, abril desse ano.
32:28Que razões são essas que fazem com que o Brasil esteja alguns passos atrás dos países
32:33desenvolvidos?
32:34Tá bom, Ricardo.
32:35Primeiro quero agradecer aí o convite, é sempre um prazer conversar com você.
32:40Vamos lá.
32:42Alguns episódios que ocorreram desde março.
32:45Março foi aquele pânico, né?
32:46Foi o ápice aí, quando a Bolsa despencou, saiu de 120 mil pontos, chegou a 60 mil pontos.
32:53Por que que nós diferenciamos aí em relação aos Estados Unidos?
32:55Primeira coisa, é um país emergente que nós somos, então ele tende a ter mais instabilidade.
33:00De fato, nós tivemos várias vezes, começa com algumas disputas entre Bolsonaro e governadores,
33:07Supremo, quem manda, quem não manda.
33:09Decidido isso, sai o Moro, outra, Moro saiu e fez acusações aí, contra o governo Bolsonaro,
33:17que ele estaria, digamos, fazendo uso político aí de algumas instituições para as quais
33:23ele não tem direito de fazer, né?
33:25Em particular, aí no caso, foi a Polícia Federal, levantou essa possibilidade naquele
33:29momento, inclusive, de fazer um impeachment do governo, dos mais radicais.
33:34Isso sempre traz muita incerteza, muita instabilidade.
33:37Então, você junta uma economia que estava caindo porque estava fechada, a mão dos governos,
33:44e você junta uma economia aí, você junta instituições que estão balançando devido
33:50às crises.
33:50Então, essas duas coisas fizeram com que a gente voltasse e não tivesse a recuperação
33:54com os americanos.
33:55Os americanos, obviamente, são mais estáveis, as instituições, elas têm mais credibilidade
34:01e isso é muito importante.
34:03O Banco Central lá julgou moeda no mercado, imprimiu o dinheiro.
34:10Tal do que o I aí, o famoso quantitative easing, que aqui fica conhecido como flexibilidade
34:17quantitativa, julgar moeda, fazer poça de liquidez para que isso vaze para a economia
34:23toda e deu certo.
34:24Quando você imprime o dinheiro, quais são os efeitos disso, quando você joga moeda no
34:27mercado?
34:27Olha, primeira coisa, os juros caem.
34:30Quando os juros caem, você já começa a ter efeito sobre vários componentes.
34:35Compras a prazo, investimentos.
34:38E mesmo investimento aí, você pensa em termos de estoque da sua empresa, empresa, em ter
34:44expansão da sua empresa, você pode começar a pensar.
34:46Obviamente, nesse momento, você não vê ninguém pensando nisso, mas você começa
34:50a ver também movimento dentro do mercado financeiro.
34:52Pô, eu tenho meu dinheiro, estou aplicado em título, renda fixa.
34:56Aí, os juros caíram, estou ganhando muito pouco, então vou tomar mais isso.
35:00Então, você tem uma variedade aí de efeitos sobre economia, que é o que é buscado pelo
35:05Banco Central.
35:05O Banco Central quer exatamente isso.
35:07Lá funcionou, aqui funcionou um pouco, mas nós tivemos essas interrupções.
35:11Então, basicamente, foram questões políticas internas aqui do Brasil relacionadas ao presidente
35:16Bolsonaro, que fizeram com que o país ficasse um pouco atrasado do ponto de vista econômico
35:22nessa saída, nessa reformada da crise do Covid.
35:24Deixa eu ver se é um pouco melhor.
35:26Na verdade, a recuperação da economia está muito boa, está certo?
35:30Você tem aí o setor de varejo indo muito bem, em particular por causa de uma das políticas
35:34do governo, que é o CoronaVal, que é R$ 600,00 que o governo está pagando, o brasileiro
35:39pagou até o mês passado e agora vai ficar de R$ 300,00 até dezembro, onde ele deve
35:44ser extinto.
35:46Esse aí deu uma impulsão muito forte no setor de comércio.
35:50Então, isso aí, nós tivemos boa recuperação da economia.
35:53Se você olhar os dados, a economia como um todo vai muito bem, não só no Brasil, mas
35:57no mundo inteiro está recuperando.
35:58O setor de serviços, nem tanto.
36:01O setor de serviços tem muito pequeno e média empresas, essas empresas têm mais
36:05dificuldade de ter acesso a crédito.
36:07Infelizmente, as políticas, por exemplo, de redução dos juros não têm muito impacto
36:11nesse setor que eles não conseguem.
36:12Os bancos brasileiros, dada a concentração, eles não têm nenhum incentivo em tomar risco
36:17em emprestar.
36:18Então, você pega um setor, primeiro, que está fechado, segundo, é um setor que demorou
36:22mais para reabrir porque ele tem muito contato entre as pessoas e, finalmente, terceiro,
36:27os juros não chegam lá.
36:28E aí, você tem o problema.
36:29O setor de serviços, a despeito de algumas áreas, como o varejo, que está muito bem,
36:35ele tem uma recuperação mais lenta.
36:37Uma das críticas que eu venho fazendo desde março era exatamente as limitações da
36:42política monetária aqui dentro do Brasil.
36:44O que significa isso?
36:45Quando você vai nos Estados Unidos, você pega lá, você tem mais de 10 mil bancos
36:48dentro dos Estados Unidos.
36:49Política monetária é essa questão de abaixar juros, basicamente.
36:51Isso.
36:51Política monetária, simplesmente, é o seguinte.
36:52O Banco Central, ele quer reduzir os juros.
36:54A ideia é exatamente o que você falou.
36:56Para quê?
36:56Para que as famílias possam contratar empréstimos, juros bem mais baixos, para que elas possam
37:03fazer aí, consumir ou trocar bens duráveis, compra bens duráveis, que na economia é chamada
37:10de investimento também.
37:12Para o quê?
37:12Qual o objetivo?
37:13É fazer com que a demanda puxe a economia.
37:16Por que nós tivemos limitações?
37:19O sistema bancário brasileiro, ele é extremamente concentrado.
37:22Ele vem se concentrando desde o fim da inflação, do período hiperinfrastacionário.
37:27Hoje nós temos um problema.
37:28Nós temos aí cinco bancos, ou quatro, dependendo do critério que você usar, que dominam o
37:33setor inteiro.
37:34Então, veja bem.
37:35Nos Estados Unidos, você tem 10 mil bancos, aqui você tem quatro.
37:38Dois públicos, dois privados.
37:39Dois gigantes.
37:40Então, domina a economia toda.
37:41Isso faz com que, basicamente, esses bancos não tenham o incentivo de abaixar os juros,
37:45por exemplo.
37:46Isso.
37:46Eles não têm incentivo a emprestar.
37:48Veja só.
37:49Os americanos.
37:50O banco quer emprestar num momento de incerteza, igual o Covid, a pandemia, em março?
37:55Claro que eles não querem.
37:56Por que eles emprestam?
37:58É muito simples.
37:59Eu chego no meu banco e falo, eu preciso do empréstimo.
38:01Ele diz, não vou te emprestar.
38:02Eu olho ao redor, tenho milhares de bancos.
38:05Eu vou bater na porta de um por um, até que alguém me empresta.
38:08Ora, se a gente diz, o que o banco tem que fazer?
38:11Ora, eu fico com medo de perder o cliente.
38:13O que ele faz?
38:14Ora, eu tenho um cliente, eu conheço esse cliente, eu vou emprestar para ele.
38:17Tá certo?
38:18O Brasil, você bate no seu banco, pede o empréstimo, ele não vai te emprestar.
38:23Ele não quer te emprestar e fala, procura do banco.
38:26Só que esse outro banco não existe.
38:28Então, existe uma limitação.
38:29Qual é a consequência que nós vivemos aqui?
38:33Tem um problema nos países emergentes, que é o seguinte, quando você reduz os juros,
38:37você afasta o investidor estrangeiro que quer ganhar aqui.
38:41E eu vou, já indicava lá atrás, nós vamos ter problema de inflação.
38:46Aí as pessoas falam, pô, eu não entendo isso, é simples.
38:49Veja só.
38:50Vamos imaginar que você produz café.
38:52Tá aqui.
38:53O café não aumentou o custo de produção dele, não.
38:55Mas o preço dele, em dólar, primeiro caiu na pandemia e depois subiu.
39:01Aí eu olho lá e falo o seguinte, se eu vender lá para fora, quando eu transformar aquele dólar em
39:05real,
39:06eu vou ganhar 40% a mais.
39:08O que eu faço?
39:09Eu não vendo aqui para dentro mais, eu exporto tudo.
39:11A menos que o preço aqui faça o quê?
39:14Ah, igual esse é o preço lá fora.
39:15Ou seja, o preço aqui dentro sobe.
39:17Isso não é ruim, não estou criticando ninguém.
39:19É assim mesmo que funciona.
39:20Isso não é problema do produtor e não tem que se criticar o produtor.
39:24Tem que se criticar, é a autoridade monetária que deveria ter prestado atenção.
39:28É o Banco Central, a autoridade monetária.
39:29O Banco Central.
39:30E aí ele julgou esse juros lá para baixo, o dólar disparou.
39:33Tem muito tempo...
39:34Então o que aconteceu na prática foi que as empresas que vendiam antes aqui para o mercado interno,
39:38com o dólar muito caro, preferiram exportar.
39:41Exportar mais.
39:42Então vamos lá.
39:42Qual o impacto disso aqui para o Brasil?
39:44Vamos lá.
39:44No mercado doméstico.
39:45Esse é a primeira...
39:45Olha, aí eu vou dar um exemplo tradicional que todo mundo fala hoje aí.
39:49Dá um pacote de arroz para um pobre e ele vai ficar feliz na vida.
39:52Porque o arroz ficou coisa agora de rico.
39:55Comer arroz e ter um caro que ele ficou.
39:56Por que está acontecendo isso?
39:57Está acontecendo isso porque o dólar está muito caro.
39:59O que está acontecendo com o preço do arroz?
40:01É o dólar então?
40:01É o seguinte, olha, para que eu vou vender arroz aqui dentro?
40:04Por que eu não vou vender arroz lá para fora?
40:06O preço dele é fixado lá fora.
40:08Isso aí é o que a gente chama de comode.
40:10O preço é fixado no mercado lá fora, em dólar.
40:12Vamos imaginar assim, custava um dólar o quilo do arroz.
40:16Vamos imaginar que custava um dólar.
40:18Aí quando eu trazia ele aqui para dentro, ele custava quatro reais.
40:21Tá certo?
40:21Quando eu transformo o dólar em real, é quatro reais.
40:24Agora ele custava um dólar.
40:27Agora ele continua custando um dólar.
40:28Só quando eu trago ele aqui para dentro, ele custa quanto?
40:31Cinco e cinquenta e cinco.
40:33Ou seja, isso é transferido aqui dentro.
40:34Isso acontece com alimento.
40:36Vou falar mais.
40:37É a perversão dessa política, é mais.
40:40Alimento, quem precisa, quem tem dificuldade em fechar seu orçamento?
40:45Famílias pobres.
40:47Medicamento, muito importado.
40:48Então você vai afetando essa política, ela tem impacto nas pessoas mais pobres.
40:54E lá no mundo do business que a gente está escrevendo, desde março eu estou dizendo isso, vai estourar e
40:58vai estourar nas costas dos mais pobres.
41:00Qual o impacto na prática dessa questão, da inflação passar da meta do Banco Central não subir ou subir os
41:09juros e do dólar perder o controle?
41:10Quais são os impactos?
41:11Olha, é instabilidade como nós já vimos.
41:14Quem lembra aí do governo Dilma, o governo Dilma, ele errou exatamente aí.
41:19Em agosto de 2011, o Banco Central fez o seguinte, a inflação subiu e o Banco Central reduziu a taxa
41:26de juros.
41:27Na época, todo mundo começou a discutir e ele disse, não, vai cair.
41:33Vai cair o quê?
41:34A inflação vai cair.
41:35A inflação nunca caiu.
41:36E o Banco Central continuou reduzindo os juros.
41:39No final, nós vimos o que deu.
41:41A inflação estava em dois dígitos e tudo.
41:42Aí você fala, qual o impacto para a população?
41:44O pior de tudo isso, sabe o que é?
41:47É porque são as pessoas de mais baixa renda que mais sofrem com isso.
41:51Porque essa inflação, particularmente da forma como ela está começando hoje,
41:54ela está começando exatamente no setor de commodities, ou seja, alimento, medicamento.
41:59Isso aí afeta o bolso das pessoas, em particular a população pobre.
42:04Quem mais gasta?
42:05Se você pensar assim, o pessoal de baixa renda, ele gasta quase toda a renda dele com alimentação.
42:13As pessoas de alta renda, não.
42:15Elas gastam 1, 2, 3% da renda deles com isso.
42:18Então, ou seja, o impacto para essas pessoas é muito pouco.
42:20Mas para o indivíduo que a renda dele toda gasta com alimentação, é um sofrimento muito grande.
42:25Se você somar isso, alimentação.
42:27Se você somar isso, remédios.
42:30Você está vendo o que está acontecendo.
42:31Eu volto lá.
42:33Já deu errado, gente?
42:35Não.
42:36Pode vir a convergir?
42:37Pode.
42:38Convergir dá errado.
42:39Convergir a inflação para a meta dela.
42:42Tá.
42:42Não dá errado, dá certo.
42:44Ou seja, ela parar de subir.
42:46Pode.
42:47Só que eu volto ao ponto que a crítica é fundamental.
42:49O Banco Central nunca deveria ter tomado esse risco.
42:52De abaixar muito os juros.
42:53Abaixar os juros.
42:54Aí você vai falar, mas não tem que incentivar a economia?
42:56Aí eu volto.
42:57Se nós estivéssemos nos Estados Unidos, valeria, talvez valesse a pena.
43:00Porque os juros baixos lá chegam na economia como um todo.
43:03Aqui não chegou.
43:04Quem está ganhando com os juros baixos aqui hoje?
43:06Então vamos lá.
43:07Você falou, os juros baixos para as famílias?
43:08Não baixa.
43:09Vai lá no Banco Central e olha lá.
43:11Recursos livres.
43:12Taxa de juros.
43:13Que é o crédito na ponta para quem vai tomar dinheiro emprestado.
43:15Para as famílias.
43:16Para as famílias.
43:1735% ao ano, cara.
43:19Mas você lê que não está.
43:20Dois?
43:22Certo.
43:22O Brasil é um país com taxas de juros muito altas.
43:25Gigantes.
43:26Então é o seguinte.
43:27É tomar um risco.
43:29Quem se beneficiou com isso?
43:30Vamos lá.
43:31O Espírito Santo tem várias empresas que se beneficiaram.
43:33Está certo?
43:34Vamos lá.
43:34Primeiro.
43:35As exportadoras estão ganhando muito dinheiro.
43:38Todas elas.
43:39Está certo?
43:40As grandes empresas também, porque elas conseguem pegar dinheiro baixo.
43:43Esse juros para a grande empresa, ele realmente caiu.
43:47Está certo?
43:48Então a grande empresa, o exportador.
43:50E quem mais?
43:50O mercado financeiro.
43:51Por quê?
43:51Olha, o mercado financeiro está atraindo aí cada vez mais gente.
43:56Por quê?
43:56Com juros.
43:56Para a bolsa, né?
43:57Para a bolsa.
43:58Para a renda variável em geral.
43:59Está certo?
44:00Para quem está assistindo a gente agora e vai começar a investir.
44:02Qual seria a dica?
44:04Olha, a primeira coisa.
44:06Não tente fazer isso por você próprio.
44:09É a primeira dica.
44:10Se você nunca fez, procure alguém para te auxiliar na tomada de decisão.
44:17Segundo.
44:18Tem que ter algumas coisas que você tem que prestar atenção.
44:20Primeiro.
44:21Quanto tempo você pode deixar esse dinheiro parar e investir?
44:25Você vai precisar dele muito rapidamente ou não?
44:27No curto prazo ou não?
44:28O que é curto prazo?
44:29Ah, se eu precisar desse dinheiro daqui a um ano, seis meses, vale a pena?
44:32Vamos pensar esse ano, gente.
44:33Se você tivesse investido no ano passado para sacar ele em julho, você tinha levado a ferro.
44:37O mercado fez o colapso, o pânico.
44:40Então você quando pensa em mercado financeiro, você tem que tomar muitas decisões.
44:44Depende da sua idade, do risco que você pode tomar, da sua renda, da quantidade de recursos que você tem.
44:49Se você é muito pobre, jogar todo o seu recurso numa renda variável que tem risco mais elevado.
44:55Na variável são ações, né?
44:56É, ações.
44:56É, vamos botar ações.
44:57Na bolsa.
44:58É a bolsa, né?
44:59Se você pega isso como renda variável, você toma esse risco, não é, digamos assim, recomendado.
45:06Tá certo?
45:07Então tem várias coisas que você tem que olhar.
45:10Tá?
45:10Então eu diria para você, primeira coisa, procura alguém para te ajudar.
45:14Tá certo?
45:14Tá.
45:15Profissionais que estão aí no mercado que podem fazer isso.
45:18Tá certo?
45:19Tá.
45:19Então eu acho que essa é a primeira coisa.
45:22Tome cuidado.
45:23É, tem umas outras brincadeiras muito no mercado, né?
45:26As pessoas só contam quando dá certo.
45:28Quando elas perdem dinheiro, elas não contam.
45:30Então, todo mundo fica muito empolgado vendo isso.
45:33Ah, ganhei tanto, ganhei tanto.
45:35Imaginando que o cara não está te contando mentira, ele não está te, ele está te omitindo.
45:39E as vezes que ele perdeu.
45:40Essa onda de traders agora, todo mundo ganha dinheiro rápido, day trader, né?
45:45Ganha dinheiro rápido do dia, fica milionário.
45:47O que você pensa sobre isso?
45:48Olha, isso foi muito bom agora na recuperação.
45:50Depois que a bolsa caiu de 120 para 60, todo mundo entrou, claro, né?
45:54Você falou, ué, o preço está lá embaixo, vão comprar que vai subir, não tinha outro lugar para ir.
45:58Entendeu?
45:59Então, todo mundo vai ganhando dinheiro.
46:00O problema não é esse.
46:01O problema, você vai começar a ver o seguinte, olha os últimos dois meses, exatamente quando
46:07essa crise fiscal, essa desconfiança do governo Bolsonaro em relação a isso, em culpa do governo
46:11Bolsonaro, em particular dele e do ministro da Fazenda dele, com discussões cada vez,
46:16ou vamos ter mais imposto, o Guedes tem uma fixação com a tal da CPMF, está certo?
46:23Nós podemos discutir isso aí se tiver mais tempo.
46:24Gente, a CPMF é aumentar o custo de transação, é a última coisa que a gente quer.
46:30Pessoal, olhem só a maravilha que é o desenvolvimento da tecnologia, os celulares, a gente compra
46:36tudo, a gente paga tudo de casa.
46:37O que o Guedes quer fazer?
46:39É que é taxar você porque você está fazendo isso.
46:40O que ele quer te obrigar?
46:41A voltar e ir ao banco.
46:43Ou seja, perder toda a produtividade, o aumento de produtividade que essa tecnologia,
46:48que esse avanço tecnológico nos permite.
46:50É um contrassenso, está certo?
46:53E outra coisa, taxar capital, todo mundo acha, ah, vamos, se o cara é bem-sucedido,
46:58nós temos que punir, né?
47:00É uma inversão completa do mundo, né?
47:04Os bens-sucedidos cabem pagar pelos mal-sucedidos, pagar para todo mundo.
47:10Essa ideia, veja só no Brasil, outra coisa que o Guedes está voltando aí, tem gerado
47:13muito conflito, vamos voltar à tributação de dividendos.
47:17Outro dia eu conversando com um advogado, o advogado falou, no Brasil, dividendos não é,
47:21lucro não é taxado, eu falei, não, lucro é taxado.
47:24Dividendo não é.
47:26Porque depois que você distribuiu o dividendo, distribuiu o lucro, ele virou dividendo na
47:30mão desse cara, a empresa já pagou o imposto de renda, você não paga de novo.
47:35O Guedes quer que você paga de novo.
47:37O governo é esse que você elegiu com a bandeira de liberal e, no fim das contas,
47:41quer aumentar imposto.
47:42A brincadeira com o Guedes já está muito grande, o mercado cada dia joga uma piada,
47:49o apelido dele era Posto Ipiranga, já tem gente chamando ele de um posto Ipiranga.
47:55Outro dia começaram a chamar ele de Paulo Mantega Guedes, que em razão do mesmo ministro
48:02da dona Dilma, que levou a economia naquele desastrosa recessão de 2014, 2016.
48:10Todo mundo está impressionado com isso e essa ideia, mais importante, essa ideia dele
48:15de que ele vai taxar transação financeira.
48:19Então, o que ele quer fazer com isso?
48:21Ele quer obrigar as pessoas a voltar a comprar e pagar em dinheiro.
48:24Vocês nem lembram, e os seus mais jovens nem lembram.
48:27Antigamente a gente fazia isso.
48:28A melhor coisa que aconteceu foi exatamente por quê?
48:31Você trata a sua casa, você compra e vende, você faz tudo na internet.
48:36Essa tecnologia aí, de TI, é fantástica.
48:39Gerou o quê?
48:40Um grande, grande produtividade.
48:42Você está dentro da sua empresa, trabalhando, você não precisa sair de lá, você faz tudo,
48:47você paga, recebe, nada mais.
48:50E o Guedes quer taxar isso aí.
48:51E o Guedes quer taxar isso.
48:52Perfeito, Arilto.
48:53Muito obrigado pelo bate-papo.
48:55É um prazer.
48:56Espero que, quando vocês quiserem, podem me chamar, é um prazer sempre conversar.
49:00Eu acho que o Brasil hoje precisa muito disso, né?
49:03As radicalizações recentes aí, a falta de diálogo da sociedade, não nos leva um bom caminho.
49:10Eu acho que é conversando assim que a gente pode melhorar nossas instituições e melhorar o país
49:15e acabar com essa pobreza e desigualdade que nós temos aqui.
49:18Mundo Business fica por aqui.
49:20No próximo domingo, às 10 horas da manhã, e é 1h15 da madrugada, estaremos de volta.
49:24Muito obrigado pela sua audiência.
49:26Nos acompanhe no Instagram, arroba Ricardo Friseira.
49:28Um abraço, um excelente domingo.